Mansões no Lago Sul são usadas por empresas para lobby com políticos

Josie Jeronimo 

Os jardins da entrada, as piscinas da parte interna e a ausência de placas na fachada disfarçam o perfil comercial de dezenas de casas usadas para funcionar como entreposto político de empresas de grande porte no Lago Sul. O bairro mais luxuoso de Brasília foi escolhido pelas firmas com maior peso no Produto Interno Bruto (PIB) para abrigar verdadeiros quartéis generais destinados a desempenhar uma das missões mais estratégicas para as empresas: o lobby com o governo.

 (Elio Rizzo/CB/DA Press) Esta é uma das mansões de lobby

Longe da paisagem urbana de sua sede em São Paulo, a casa de representação da Associação Nacional de Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) ocupa grande área arborizada na QI 15 do Lago Sul. A fachada do imóvel é protegida por muros altos e um grande portão que se abre a uma espécie de “quintal”, quando o visitante se identifica pelo interfone. Apesar de entidade representar pelo menos 12 montadoras, algumas também utilizam consultorias próprias ou contratam escritórios especializados em assuntos governamentais para ter um entreposto político em Brasília.

Em alguns casos, a exemplo da Coca-Cola, a representação própria consegue ter mais influência entre autoridades do que a própria associação. A casa da multinacional é a referência no Lago Sul como ponto para discussão de políticas que atingem a indústria de bebidas, engolindo a Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerante (Abir), que funciona na QL 12 do bairro.

Também na QL 12 está o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram), que utiliza o espaço para realizar encontros de discussão do setor. Das casas visitadas pelo Correio, a do Ibram é a que mais se assemelha à estrutura formal de escritório, apesar de estar localizada em região residencial.

Procurados nas sedes onde mantém as casas, os representantes da Anfavea, Abir e Ibram não quiseram dar entrevista ao Correio.

 (Trascrevi trechos, via Tribuna da Imprensa)