Bolsonaro, além de golpista, é…

bol hitler

 

‘Le Monde’: Bolsonaro é homofóbico e racista

 

atorres Bolsonaro amor

 

Deu no Ancelmo hoje.
Jair Bolsonaro, o deputado que adora aparecer, deve ficar feliz em saber. Ontem, o “Jornal das 8”, da França, fez uma reportagem sobre Sua Excrescência, atribuindo a ele a declaração “prefiro que um filho meu morra num acidente do que apareça com um bigodudo por aí”.

A desastrada frase é repetida no “Le Monde”, o jornal francês.
A reportagem chama Bolsonaro de “homofóbico, misógino e racista” e cita o site “The Intercept”, de Glenn Greenwald, que chama o deputado de “vergonha nacional”.

No Facebook, o discurso de Bolsonaro dizendo que não estupraria a ex-ministra Maria do Rosário porque ela não merece, teve, até a noite de ontem, 20.200 compartilhamentos.

AUTO_cau bolsonaro amor

 

Preconceito, racismo, homofobia, abusos morais e violência sexual na Faculdade de Medicina da USP

universidade USP

Sou Fernanda Luccas, doutoranda em Ciência Ambiental na USP e diretora da APG USP Capital.

A Associação de Pós-Graduandos Helenira ‘Preta’ Rezende, que representa os pós-graduandos do campus capital da USP, lançou no último dia 18/11, terça-feira, durante a 962a sessão do Conselho Universitário da USP, carta denúncia sobre os casos de estupro e discriminações de gênero, sexualidade, etnia e assédio moral, tanto na Faculdade de Medicina como em toda a universidade. Na visão da entidade, a instituição tem sido negligente e lenta em dar respostas à comunidade.

Venho aqui portanto, para pedir a divulgação desta carta e também, caso seja interessante, oportunamente gostaríamos de pedir um espaço para falarmos de nosso programa, pois entendemos que a pós graduação no Brasil tem muito a contribuir com a politização sobre diversos assuntos em pauta no Brasil. Muito Obrigada!

CARTA DENÚNCIA

Um jornal que defende a política de Alckmin na USP
Um jornal que defende a política de Alckmin na USP

 

Exmo Srs. Membros do Conselho Universitário (CO) da Universidade de São Paulo.

É com imensa preocupação que observamos nos últimos dias o nome de nossa universidade estampado nos jornais de maiores alcances regional e nacional de nosso país.

As notícias não são boas, associam o nome da Faculdade de Medicina da USP ao descaso e à completa falta de apoio frente a denúncias de preconceito, racismo, homofobia, abusos morais e violência sexual, resultando muitas vezes na perseguição das vítimas.

Isto ocorre frente à lentidão e ausência de posicionamento institucional no trato dos casos denunciados nas instâncias internas da faculdade, culminando no afastamento do Prof. Dr. Paulo Saldiva da Universidade de São Paulo, obrigando portanto, as vítimas a buscarem justiça em instâncias externas à Universidade.

Há aproximadamente dois meses o Ministério Público Estadual (MPE) solicitou à Faculdade de Medicina da USP informações sobre casos de trotes violentos e violação de direitos humanos em festas.

Somente sob os holofotes e atenção da grande mídia, o diretor da FMUSP se pronunciou, afirmando que até a próxima semana seriam tomadas todas medidas necessárias para evitar a repetição de tais violações, bem como, enviados os documentos que relatam os incidentes questionados pelo MPE.

Se não fosse o suficiente, no dia 14/11/14 (sexta feira) foi publicado pela Rede Brasil Atual a denúncia de que o mesmo diretor da FMUSP, pressionou os Deputados da Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de São Paulo para não realizarem a audiência pública das denúncias de abusos, tentando exaustivamente por telefone, realizar uma manobra para inviabilizá­-la por falta de quórum.

A Universidade de São Paulo têm colecionado e protagonizado, ao longo de pelo menos os últimos 5 anos, denúncias de múltiplas formas de violência e desrespeito, afetando especialmente as categorias menos prestigiadas da universidade, como alunos de graduação, pós graduação e funcionários.

Denúncias relatando violência moral, como por exemplo, o constante e velado assédio moral por parte de professores aos seus alunos graduandos e pós graduandos, sobretudo ao gênero feminino e à comunidade LGBT, como também a violência sexual, moral e de cunho preconceituoso, praticada entre alunos em festas e trotes universitários, têm sido parte da rotina desta universidade.

Aqui colocamos uma reflexão: se os próprios diretores, professores, alunos e sociedade civil concordam que qualquer tipo de violência não pode ser naturalizada e deve ser punida, então essa rotina de violência mais velada ou mais extrema, porém causadora de danos humanos profundos, deveria ser investigada, punida e prevenida.

Contudo, o discurso por parte dos gestores da USP observado na mídia está diametralmente distante da prática que encontramos em nosso cotidiano, como demonstrou a recente tentativa de esvaziamento da audiência da ALESP.

Este fato configura uma absoluta negligência de quem deveria, por obrigação, dar o melhor exemplo, seja investigando e punindo com o rigor da lei os responsáveis pelos abusos, seja pela criação de instrumentos, orgãos e políticas educacionais que evitem a ocorrência de novos casos.

Esta negligência demonstra também, os valores ultrapassados, machistas, sexistas, despotistas e antidemocráticos praticados e afirmados nesta instituição e portanto, torna seus gestores co­responsáveis e co­autores de todos os casos e práticas violentas em vigor na universidade.

O mais grave e mais estarrecedor é que, em sendo a USP uma universidade pública, sustentada pelos impostos de toda a população paulista, dos mais pobres aos mais ricos, ela têm por obrigação moral servir à sociedade e estar sempre na posição vanguarda em tudo, não apenas em sua produção acadêmica ou nos títulos de seus professores que embelezam as paredes da instituição.

Essa rotina violenta quase enraizada, institucionalizada pela negligência de seus gestores, se tornou uma importante força motriz do declínio da qualidade do ensino e de formação humanística oferecida ao corpo discente como também, do conhecimento que ultrapassa os muros da instituição e chega para a sociedade.

A negligência e porque não, a negação de todas as formas de violência moral e sexual existentes na USP é outrossim, uma faceta pouco palatável à opinião pública, de um projeto violento e segregador que vem sendo construído pelos gestores e governo do estado de São Paulo, que a cada dia torna a universidade menos pública.

Isto ocorre na medida em que se dificulta o acesso do público em geral aos acervos nas bibliotecas e de todos os espaços que poderiam ser utilizadas coletivamente, mas não o são em função das catracas, câmeras de vigilância e PM dentro de campus ­ que supostamente protegeriam o patrimônio estrutural e a integridade física das pessoas que utilizam tais espaços, o que também não procede, considerando os dados divulgados na mídia, que mostram o crescente aumento de roubos e outras formas de violência desde a instauração da PM dentro do campus.

Muitas das vezes em que vítimas denunciam os erros ocorridos no interior desta instituição, imediatamente são colocadas na posição de agentes que visam depreciar a imagem da universidade, têm suas denúncias dissolvidas sob a alegação de exagero ou pouco discernimento político, passando portanto por um processo de silenciamento e responsabilização por todos os malfeitos.

Desta forma, aqueles que violentam ou permitem a violência na instituição, sentem­-se protegidos e tudo continua como sempre, em prol de uma moral e um nome a ser zelado diante da opinião pública.

Portanto, os diretores, a reitoria, o governo do estado de São Paulo e todos os que têm vetado as investigações é que são o cerne da violência observada nesta universidade e isto precisa ser revisto, investigado, modificado e retirado.

Que se retire o cerne do mal pela raiz.

Neste contexto, viemos por meio desta carta, a denunciar a violência e negligência alertando que todas estas situações são de integral responsabilidade da instituição e que, se queremos zelar pelo nome, pela qualidade e pela credibilidade dela, investigar e punir com rigor e transparência, doa a quem doer, sendo exemplo no combate e prevenção do racismo, sexismo, machismo e homofobia é a atitude que se espera dos gestores daquela que foi por muito tempo, uma das mais importantes, conceituadas e arrojadas universidades do país.

Respeitosamente, Associação dos Pós Graduandos Helenira “Preta” Rezende (APG USP Capital)

 

estupro belgica

Os grandes temas tabus esquecidos do debate

Por medo de perder votos, Dilma e Aécio ignoram temas importantes para os eleitores

 

dilma aécio

 

por Juan Arias/ El País/ Espanha

O penúltimo debate entre os candidatos presidenciais, Dilma Rousseff e Aécio Neves, no qual se sentia no ar o medo de ambos de cair de novo nas cenas de boxe vistas no encontro anterior, ocorreu sem grandes destaques, quase como um decalque dos primeiros embates deste segundo turno, com temas já abordados e, de novo, deixando no esquecimento assuntos fundamentais, como por exemplo, os referentes à sexualidade, ao meio ambiente e ao racismo que atinge os brasileiros negros e mulatos.

[Um debate visa desmascarar os santos de pau oco, os príncipes encantados, os falsos salvadores da pátria, os demagogos amigos do povo, criados pela propaganda política que lava mais branco, que pede para votar no melhor. Quando quem tem uma vida suja não deve ser candidato.

Propostas são promessas. A garantia de que promessa é dívida para ser, realmente, paga, depende do passado de quem faz. Daí a necessidade do eleitor conhecer a vida de quem lhe deve, de quem lhe dá esperanças, oferece probabilidades de um futuro melhor]

Já às vésperas da votação, os temas tabu, dos quais os dois candidatos fogem como o diabo da cruz, continuam sendo os grandes ausentes, como se eles não interessassem aos cidadãos ou por temor dos candidatos de perder votos ao se comprometerem com essas questões.

Dilma e Aécio mantiveram silêncio, por exemplo, em relação ao aborto, que segue matando milhares de mulheres, geralmente as mais pobres e vulneráveis. É um assunto que os assusta, assim como as questões relativas aos direitos dos homossexuais, como o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a possibilidade de adotarem crianças. Ou a homofobia, que continua provocando mortes a cada dia, frutos da intolerância e do preconceito. Esse medo tem um nome: o terror de perder os votos dos milhões de evangélicos.

E com os assuntos relativos à sexualidade, os candidatos também ficaram gravemente calados em relação à proteção da Amazônia, que permanece sendo sacrificada e que representa uma das maiores riquezas ecológicas do planeta, um orgulho dos brasileiros.

Esqueceram-se do meio ambiente [a seca de São Paulo] e das energias alternativas, que hoje são assuntos universais e importantíssimos. Como é possível que Marina Silva, que deu seu apoio a Aécio, não tenha pedido a ele para colocar a defesa da Amazônia como prioridade no debate?

[Que a Amazonia é do Brasil]

E o racismo perpetrado diariamente contra os brasileiros negros e mulatos, que são maioria no país mas continuam como os grandes excluídos da sociedade?

E o problema da desigualdade social? Será que os candidatos não lamentam ou não se preocupam com o fato de o Brasil, rico em quase tudo, continuar apresentando um dos maiores índices de desigualdade entre os países em desenvolvimento?

[Exemplo: a reforma agrária]

Entre as bandeiras do medo levantadas nesta campanha sempre esteve presente a comparação entre o PT que se interessaria pelos pobres e o PSDB que preferiria os ricos. Mas será que nenhum dos candidatos considerou importante explicar por que, apesar de tantos avanços sociais, o Brasil mantém esse abismo perverso da desigualdade, que vai desde a riqueza, que continua acumulada por poucos, às oportunidades para todos abrirem um caminho na vida?

Por que ninguém fala em taxar as grandes fortunas, de acabar com essa injustiça de que os ricos paguem, por exemplo, o mesmo coeficiente de impostos que a castigada classe média? E essas diferenças gritantes de salários entre os políticos e os professores, para citar um exemplo? A reforma política, mãe de tantas corrupções, com essa loucura de dezenas de partidos sem ideologia e a falta de credibilidade dos cidadãos nos políticos, foi outra das grandes ausentes do debate.

[Por ninguém fala nos sem terra, nos sem teto?]

E por fim, a política externa, um assunto que pode não trazer votos, pois a maioria dos cidadãos não o vê como uma urgência para sua vida cotidiana, tampouco mereceu uma só menção.

Curiosamente, no entanto, Neves foi bastante aplaudido quando mencionou a predileção que o Governo Rousseff tem tido com os países mais ditatoriais da América Latina.

[Esta é uma referência implícita ao Uruguai, Argentina, Bolívia, Venezuela, países que realizaram eleições diretas para presidente e, coisa que o Brasil não faz, ouviram a voz do povo em plebiscitos e referendos] 

De fato, é fundamental para um país da importância geopolítica do Brasil saber como quer se posicionar no cenário internacional, quem serão seus parceiros, com quem prefere negociar política e economicamente.

[O medo do Mercosul, do BRICS; e a defesa do FMI, da dolarização, do Brasil quintal, eterna colônia]

Trata-se justamente de um assunto que poderia claramente diferenciar ambos os candidatos. Por que Aécio não explicou como pretende mudar a tão criticada política externa do país?

[A política de Aécio é a mesma de Fernando Henrique, privatista e entreguista, tendo Armínio Fraga como ministro da Economia]

Os brasileiros têm o direito de saber com quem o país deseja jogar em um futuro próximo.

[Temas como nacionalismo, patriotismo e brasilidade permanecem esquecidos.  E para combater a corrupção e os privilégios das elites: as reformas do judiciário, do legislativo, do executivo.

As reformas de base, que motivaram o golpe de 64, continuam banidas do cenário político]

Falta apenas um debate antes do pleito. Se esses assuntos até agora tabus permanecerem como os grandes ausentes, pelo medo dos candidatos de perder votos, os brasileiros poderão ir às urnas votando às cegas e no vazio.

 

[Os comentários entre colchetes são do editor deste blogue]

 

 

“A religião cristã é histórica, e não ideológica”. Novas formas de família na Igreja Católica

A Igreja Católica, em 1964, promoveu procissões de pregação do golpe militar, com a TFP – Tradição, Família e Propriedade, e o slogan hoje usado, pela direita, na Bolívia e na Venezuela: “a família que reza unida permanece unida”.

Com o aparecimento da Teologia da Libertação, os militares decidiram exportar, dos Estados Unidos, as igrejas pentecostais, que no Brasil atuam na política, elegendo pastores conservadores, para combater o casamento igualitário e libertário (o chamado casamento gay), e religiões nativas, notadamente de origem africana e indígena.

Essa nova onda de guerra religiosa recrudece quando a Igreja Católica, Apostólica e Romana sai das trevas da Santa Inquisição.

Francisco abre a Igreja às novas formas de família

O papa Francisco durante um encontro, no sábado, com atletas paralímpicos no Vaticano: AFP
O papa Francisco durante um encontro, no sábado, com atletas paralímpicos no Vaticano: AFP

 

por Pablo Ordaz/ El País/ Espanha

á há um membro do alto clero preso por lavagem de dinheiro e um arcebispo em prisão domiciliar por abuso de menores. O papa Francisco não foi a Milão, Londres ou Madri, mas à Coreia, à Albânia e à ilha de Lampedusa, lugares aonde o vento nunca soprou a favor nem do catolicismo e nem da própria vida. A agenda que Jorge Mario Bergoglio marcou quando, segundo suas próprias palavras, chegou ao Vaticano “do fim do mundo” está sendo cumprida. Um plano de transparência para o dinheiro do IOR (Instituto para as Obras de Religião), tolerância zero com os pedófilos e viagens constantes para a periferia do mundo. A etapa seguinte, que começa neste domingo com o Sínodo sobre a Família, é talvez a mais difícil, porque consiste em abrir as portas da Igreja aos que foram se afastando pelos azares da vida – divorciados que voltaram a se casar – ou aos que sempre as encontraram fechadas – união estável, novas famílias que surgem de relações quebradas, filhos adotados por casais do mesmo sexo. E é precisamente nessa distância curta entre o dogma e a tradição onde joga um papa como Francisco.

Não à toa, este está sendo o momento em que os setores mais retrógrados da Igreja – aqueles que sempre viram Francisco com desconfiança, mas não falaram nada por medo de serem afastados pelo líder – estão saindo à luz. O exemplo mais claro é o livro que o cardeal alemão Gerhard Müller, o poderoso prefeito para a Congregação para a Doutrina da Fé, e outros quatro cardeais – um norte-americano, outro alemão e dois italianos – publicaram junto ao Sínodo da Família. Nele, se opõem frontalmente ao retorno aos sacramentos de divorciados que voltaram a se casar, ou a que, em determinados casos de fracasso matrimonial, o procedimento de anulação seja acelerado e simplificado. “Está em jogo a lei divina”, afirmam os autores do livro, “porque a indissolubilidade do matrimônio é uma lei proclamada diretamente por Jesus e confirmada muitas vezes pela Igreja. O matrimônio só pode ser dissolvido pela morte”.

***

Os mais críticos com as reformas do Papa alegam que “a lei divina está em jogo”

***

Müller, atual chefe do antigo Santo Oficio, mesmo cargo que Joseph Ratzinger exerceu até substituir João Paulo II, diverge nada mais e nada menos que do próprio Jorge Mario Bergoglio, do cardeal de sua confiança Walter Kasper – “todo pecado pode ser perdoado, o divórcio também” – e do cardeal Lorenzo Baldisseri, que será justamente o secretário do Sínodo da Família. Baldisseri, como bom italiano, prefere mediar as partes antes que o sangue chegue ao rio, mas nem por isso esconde sua opinião ou a do Papa: “As coisas não são estáticas. Caminhamos através da história, e a religião cristã é histórica, e não ideológica. O contexto atual da família é diferente de 30 anos atrás, dos tempos em que se publicou a Familiaris Consortio (a Exortação Apostólica de João Paulo II). Se negarmos isso, ficaremos presos há 2.000 anos. O Papa quer abrir a Igreja. Há uma porta que até agora esteve fechada, e Francisco quer abri-la”.

***

O cardeal Baldisseri replica aos conservadores que “as coisas não são estáticas” e Bergoglio quer abrir uma porta que estava fechada

***

Mais claro que isso apenas a água. Tão claro que, como se um sino tivesse sido tocado, os guardiões da tradição estão acordando. A última aparição foi do cardeal esloveno Franco Rodé, antigo prefeito da Congregação para os Institutos da Vida Consagrada, que falou de Bergoglio sem meias palavras: “Sem dúvida, o Papa é um gênio da comunicação. Parece simpático, e isso conta a seu favor. Mas suas opiniões sobre o capitalismo e a justiça social são excessivamente de esquerda. Claramente está marcado pelo ambiente do qual vem. Na América do Sul, há grandes diferenças sociais e cada dia se produzem grandes debates sobre essa questão por lá. Mas essa gente fala muito e resolve pouco”. Não se trata apenas do desabafo isolado de um cardeal que vê, aos 80 anos, aquilo que decorou estar sendo mudado, mas um pensamento que reflete o sentimento contrário às reformas de um setor que, ainda que minoritário, continua existindo dentro do Vaticano e permanece alerta, atento. Tanto que aquelas conspirações que marcaram os últimos dias do pontificado de Bento XVI estão voltando a surgir: relatórios secretos, vazamentos, acusações com mais ou menos fundamentos que tentam desqualificar os mais próximos colaboradores de Francisco, inclusive o cardeal australiano George Pell, atual prefeito da Secretaria de Economia da Santa Sé. Resta saber se são os últimos suspiros de uma época terrível para o Vaticano – o caso do Vatileaks, que foi fechado, talvez em falso, e a detenção do mordomo de Ratzinger – ou o princípio das hostilidades contra Bergoglio.

 

Um muçulmano no Sínodo Católico

 

Não é um processo rápido ou propenso às grandes manchetes. O Sínodo da Família, cujo título é “Os desafios pastorais da família no contexto da evangelização”, que será desenvolvido até o próximo dia 19, contará com 253 participantes, dos quais 191 serão “padres sinodais”, e o resto se dividirá entre especialistas laicos e – pela primeira vez em um Sínodo – 14 famílias do Líbano, Congo, Ruanda, Filipinas e diversos países da Europa. Entre eles, está um casal formado por uma católica e um muçulmano. Os bispos, que já enviaram ao Vaticano o conteúdo dos seus discursos para eles serem ordenados por grupos temáticos, têm quatro minutos para defender suas propostas. O debate servirá para elaborar um documento que será enviado às Conferências Episcopais de todo o mundo. Portanto, como avisou o cardeal Lorenzo Baldisseri, o Sínodo “não tomará decisões” e suas conclusões serviram apenas “de base para a segunda assembleia, que se celebrará em 2015”. Será, portanto, no ano que vem que se anunciará a nova postura da Igreja para as famílias, se houver uma.
O interesse no momento não são tanto as respostas – que demoraram para chegar –, mas até que ponto a Igreja está disposta a se questionar e se alterar ou se continuará cômoda e presa a uma tradição que afasta os fiéis. Na véspera do Sínodo, e aproveitando sua conta no Twitter, @pontifex, o papa Francisco lançou uma mensagem que, mesmo óbvia, parece um desafio aos que, presos à tradição ou aos dogmas, continuam acreditando na teoria do vale das lágrimas. “A Igreja e a sociedade”, disse o Papa”, precisam de famílias felizes”.

 

 

A OMS adverte que uma pessoa no mundo se suicida a cada 40 segundos

suicídio

 

A cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo. É o que se pode concluir do primeiro relatório sobre o assunto elaborado pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que calcula que 804.000 pessoas se suicidaram em 2012. Dessas, 75% vinham de países considerados de média ou baixa renda.

No Brasil, em 2012, se suicidaram 11.821 – 9.198 homens e 2.623 mulheres, segundo o estudo apresentado na quarta-feira. O relatório revela que, além disso, o número de indivíduos que tentam se suicidar e não conseguem é muito maior. “A tentativa de suicídio é o primeiro fator de risco para que alguém volte a tentar acabar com sua vida uma segunda vez e consiga”, comentam os pesquisadores da OMS.

Os dados da entidade indicam que o maior índice de suicídios ocorre entre pessoas com mais de 70 anos de idade, mas, globalmente, essa é a segunda principal causa de morte entre a população de 15 a 29 anos. Por causa dessa situação, a OMS considera que o suicídio é “um grande problema de saúde pública”, apesar de não ser tratado como tal.

Apenas 28 países do mundo contam com um plano estratégico para prevenir o suicídio de sua população, e 60 coletam dados dos suicídios consumados. A OMS destaca o estigma e o tabu em torno do suicídio como o principal problema que impede que tanto familiares como governos abordem o tema de maneira aberta e eficiente. De fato, em muitos países o suicídio é um ato ilegal e, por isso, tende a ser evitado oficialmente.

Em relação às causas do suicídio, nos países desenvolvidos a prática está mais relacionada com distúrbios mentais, provocados especialmente pelo abuso do álcool, e com a depressão. Já nas nações de média e baixa rendas, como o Brasil, as principais causas são a pressão e o estresse por problemas socioeconômicos.

Perceberam? Foi começar a campanha eleitoral, a justiça parou com os despejos. Que são executados com os soldados dos governadores:  a polícia militar
Perceberam? Foi começar a campanha eleitoral, a justiça parou com os despejos. Que são executados com os soldados dos governadores: a polícia militar

Além disso, muitos casos ocorrem entre pessoas que tiveram que superar um conflito bélico, um desastre natural, violência física ou mental, abuso ou isolamento. Os índices de suicídio também são altos entre as pessoas que sofrem discriminação, como os refugiados, os imigrantes, os homossexuais, bissexuais e transexuais, e os presidiários.

Entre as crianças que sofrem bullying, as vítimas dos assédio moral e sexual no trabalho. Mais absurdo que pareça, o assédio começa no departamento de relações humanas, dirigido sempre por uma psicóloga, que conhece bem todas as ações de provocar ou evitar uma perseguição e humilhação que levam a vítima à depressão, inclusive pelo medo de perder o emprego, e ao suicídio. É a velha relação capataz e escravo. Antes de ser criados os RHs, tais monstros eram chamados de “sargentões”.

O bulismo nas escolas tem provocado o assassinato de professores.

polícia stalking assédio

No capitalismo selvagem, no absolutismo do poder policial/judicial: as vítimas de despejo, do stalking policial, das prisões arbitrárias, das ameaças de execuções extrajudiciais (killing).

Sobre o método empregado, 30% dos suicídios são realizados por envenenamento com pesticidas – em regiões agrícolas em crise; outras maneiras comuns são o enforcamento e o uso de armas de fogo.

Silas e Feliciano pressionaram Marina na política contra gays e lésbicas

O programa de governo de Marina Silva divulgado nesta sexta-feira se posiciona claramente sobre temas recorrentes nos debates eleitorais como união gay e a participação de movimentos populares. No capítulo 6 – Cidadania e Identidades, o programa diz apoiar o casamento entre pessoas do mesmo sexo, “com vistas à aprovação dos projetos de lei e da emenda constitucional em tramitação, que garantem o direito ao casamento igualitário na Constituição e no Código Civil.”

.
O texto fez amplo preâmbulo a respeito da causa, afirmando que vivemos em uma sociedade sexista, heteronormativa e excludente em relação às diferenças, em que os direitos humanos e a dignidade das pessoas são constantemente violados e guiados.

.

 

E diz que é preciso olhar com respeito as demandas de grupos minoritários e de grupos discriminados. “A população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais) encontra-se no rol dos que carecem de políticas públicas específicas”, diz o documento. O programa estabelece metas, como articular no Legislativo a votação do PLC 122/06, que equipara a discriminação baseada na orientação sexual e na identidade de gênero àquelas já previstas em lei para quem discrimina em razão de cor, etnia, nacionalidade e religião.

.
Compromete-se ainda com a aprovação do Projeto de Lei da Identidade de Gênero Brasileira – conhecida como Lei João W. Nery -, que regulamenta o direito ao reconhecimento da identidade de gênero das “pessoas trans”. Outra promessa é eliminar obstáculos à adoção de crianças por casais homoafetivos.

.
Atualmente, uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão de controle externo das atividades do Judiciário, obrigou todos os cartórios do país a cumprirem a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), de maio de 2011, de realizar a união estável de casais do mesmo sexo. Além disso, obrigou a conversão da união em casamento e também a realização direta de casamento civil entre pessoas do mesmo sexo. Porém, não há nenhuma lei no país que regulamente o assunto.

.
Neca Setúbal, umas das coordenadoras do programa de governo do PSB, destacou que uma eventual gestão da ex-senadora terá o compromisso de garantir todos os direitos civis aos homossexuais.

.
“Nosso compromisso é com o combate radical ao preconceito contra a comunidade LGBT. Vamos defender os direitos dessa população. Direito à saúde, oportunidades e direitos civis da população LGBT”

 

 

IGREJA COBRA “HERESIA” DE MARINA

Clique aqui e conheça como uma candidata, coagida e intimidada, muda de posição. Existe um lema indígena, que foi slogan da campanha de Evo Morales à presidência da Bolívia: “Não mente, não rouba, não é frouxo”.

 

Silas 4

A volta da República velha de Marina que promete um governo com partidários da ditadura, Sarney, Collor, FHC e Soros

Marina prometeu governar com um banco de reservas. Nem isso. Pretende entregar os ministérios, o Banco Central, o Banco do Brasil, o Banco do Desenvolvimento, e o que resta de estatais, a zumbis, vampiros, sanguessugas de um circo de horrores. É um retrocesso, uma velha república com personagens de dupla nacionalidade. Uma elite que ela diz ser a cara de Chico Mendes.

7 motivos pelos quais Marina Silva não representa a “nova política”

por Lino Bocchini

Se a sua intenção este ano é votar em uma “nova forma de fazer política”, leia este texto antes de encarar a urna eletrônica

religião política eleição pastor

É comum eleitores justificarem o voto em Marina Silva para presidente nas Eleições 2014 afirmando que ela representaria uma “nova forma de fazer política”. Abaixo, sete razões pelas quais essa afirmação não faz sentido:

1. Marina Silva virou candidata fazendo uma aliança de ocasião. Marina abandonou o PT para ser candidata a presidente pelo PV. Desentendeu-se também com o novo partido e saiu para fundar a Rede — e ser novamente candidata a presidente. Não conseguiu apoio suficiente e, no último dia do prazo legal, com a ameaça de ficar de fora da eleição, filiou-se ao PSB. Os dois lados assumem que a aliança é puramente eleitoral e será desfeita assim que a Rede for criada. Ou seja: sua candidatura nasce de uma necessidade clara (ser candidata), sem base alguma em propostas ou ideologia. Velha política em estado puro.

novo Marina Beto Alkcmin

2. A chapa de Marina Silva está coligada com o que de mais atrasado existe na política. Em São Paulo, o PSB apoia a reeleição de Geraldo Alckmin, e é inclusive o partido de seu candidato a vice, Márcio França. No Paraná, apoia o também tucano Beto Richa, famoso por censurar blogs e pesquisas. A estratégia de “preservá-la” de tais palanques nada mais é do que isso, uma estratégia. Seu vice, seu partido, seus apoiadores próximos, seus financiadores e sua equipe estão a serviço de tais candidatos. Seu vice, Beto Albuquerque, aliás, é historicamente ligado ao agronegócio. Tudo normal, necessário até. Mas não é “nova política”.

Bira
Bira

3. As escolhas econômicas de Marina Silva são ainda mais conservadoras que as de Aécio Neves. A campanha de Marina é a que defende de forma mais contundente a independência do Banco Central. Na prática, isso significa deixar na mão do mercado a função de regular a si próprio. Nesse modelo, a política econômica fica nas mãos dos banqueiros, e não com o governo eleito pela população. Nem Aécio Neves é tão contundente em seu neoliberalismo. Os mentores de sua política econômica (futuros ministros?) são dois nomes ligados a Fernando Henrique: Eduardo Giannetti da Fonseca e André Lara Rezende, ex-presidente do BNDES e um dos líderes da política de privatizações de FHC. Algum problema? Para quem gosta, nenhum. Não é, contudo, “uma nova forma de se fazer política”.

banco central autonomia marina

4. O plano de governo de Marina Silva é feito por megaempresários bilionários. Sua coordenadora de programa de governo e principal arrecadadora de fundos é Maria Alice Setúbal, filha de Olavo Setúbal e acionista do Itaú. Outro parceiro antigo é Guilherme Leal. O sócio da Natura foi seu candidato a vice e um grande doador financeiro individual em 2010. A proximidade ainda mais explícita no debate da Band desta terça-feira. Para defendê-los, Marina chegou a comparar Neca, herdeira do maior banco do Brasil, com um lucro líquido de mais de R$ 9,3 bilhões no primeiro semestre, ao líder seringueiro Chico Mendes, que morreu pobre, assassinado com tiros de escopeta nos fundos de sua casa em Xapuri (AC) em dezembro de 1988. Devemos ter ojeriza dos muito ricos? Claro que não. Deixar o programa de governo a cargo de bilionários, contudo, não é exatamente algo inovador.

Chico Mendes, Marina, Neca

5. Marina Silva tem posições conservadoras em relação a gays, drogas e aborto. O discurso ensaiado vem se sofisticando, mas é grande a coleção de vídeos e entrevistas da ex-senadora nas quais ela se alinha aos mais fundamentalistas dogmas evangélicos. Devota da Assembleia de Deus, Marina já colocou-se diversas vezes contra o casamento gay, contra o aborto mesmo nos casos definidos por lei, contra a pesquisa com células-tronco e contra qualquer flexibilização na legislação das drogas. Nesses temas, a sua posição é a mais conservadora dentre os três principais postulantes à Presidência.

Ivan
Ivan

6. Marina Silva usa o marketing político convencional. Como qualquer candidato convencional, Marina tem uma estrutura robusta e profissionalizada de marketing. É defendida por uma assessoria de imprensa forte, age guiada por pesquisas qualitativas, ouve marqueteiros, publicitários e consultores de imagem. A grande diferença é que Marina usa sua equipe de marketing justamente para passar a imagem de não ter uma equipe de marketing.

Fausto
Fausto

7. Marina Silva mente ao negar a política. A cada vez que nega qualquer um dos pontos descritos acima, a candidata falta com a verdade. Ou, de forma mais clara: ela mente. E faz isso diariamente, como boa parte dos políticos dos quais diz ser diferente.

Há algum mal no uso de elementos da política tradicional? Nenhum. Dentro do atual sistema político, é assim que as coisas funcionam. E é bom para a democracia que pessoas com ideias diferentes conversem e cheguem a acordos sobre determinados pontos. Isso só vai mudar com uma reforma política para valer, algo que ainda não se sabe quando, como e se de fato será feita no Brasil.

Aécio tem objetivos claros. Quer resgatar as bandeiras históricas do PSDB, fala em enxugamento do Estado, moralização da máquina pública, melhora da economia e o fim do que considera um assistencialismo com a população mais pobre. Dilma também faz política calcada em propósitos claros: manter e aprofundar o conjunto de medidas do governo petista que estão reduzindo a desigualdade social no País.

Se você, entretanto, não gosta da plataforma de Dilma ou da de Aécio e quer fortalecer “uma nova forma de fazer política”, esqueça Marina e ouça Luciana Genro (PSOL) e Eduardo Jorge (PV) com mais atenção.

De Marina Silva, espere tudo menos a tal “nova forma de fazer política”. Até agora a sua principal e quase que única proposta é negar o que faz diariamente: política.

Revista gay elege Papa personalidade do ano

Francisco eleito

 

 “The Advocate”, a mais antiga revista gay dos Estados Unidos, assinalou o 77.º aniversário do Papa Francisco nomeando-o personalidade do ano.

“Se 2013 será memorável para a ação de centenas de pessoas que lutaram pela igualdade do casamento, o ano será também memorável pela ação de um homem só”, diz a revista, a mais antiga nos Estados Unidos pela defesa dos direitos dos homossexuais.

A “The Advocate” recorda sobretudo a abertura do Papa Francisco relativamente aos homossexuais. “Quem sou eu para julgar”, questionou ele, o que para a comunidade gay é “um sinal para os católicos e para o mundo de que este novo Papa não é como o anterior”.

Apesar de se manter contra o casamento entre pessoas do mesmo sexo, o Papa, segundo o entendimento feito pela revista, “levou a Igreja a refletir e a pensar”. Líder de 1,2 mil milhões de católicos em todo o mundo, Francisco “queira-se ou não faz a diferença”.

O Papa já fora eleito, a 11 de dezembro, personalidade do ano pela revista “Time”.

Rusia. Pozo del Infierno LGTB

Entrevista con Anastasia Smirnova, activista rusa del movimiento LGBT

por Lourdes Rodríguez/

La Diaria/ Uy

 

Anastasia Smirnova (izq.) durante el día del orgullo gay en Amsterdan, en agosto
Anastasia Smirnova (izq.) durante el día del orgullo gay en Amsterdan, en agosto

 

Desde hace un par de décadas circula el mito del Pozo del Infierno. Se trata de un hoyo excavado en Rusia, de una profundidad tal que los geólogos no sólo habrían logrado alcanzar el infierno sino también grabar los lamentos de las almas malditas. Lo que Anastasia Smirnova cuenta a la diaria tiene que ver con el discurso teológico, con la legitimación de mitos por parte del Estado ruso y con personas que merecen ser condenadas. Pero su relato está muy lejos de ser una leyenda urbana. Smirnova tiene 27 años, vive en San Petersburgo, es lingüista y socióloga e integra desde hace varios años la organización Russian Red LGBT.

-¿En qué etapa se encuentra el proyecto de ley presentado este mes por Alexéi Zhuravliov?

-Aún no ha sido incluido en la agenda oficial [del Parlamento], pero puede tratarse en la sesión de primavera [otoño en el hemisferio sur]. De ser así, deberá pasar por tres sesiones, ser aprobado por el Consejo de la Federación y firmado por el presidente. Si se aprueba esta ley permitirá despojar a las personas de la patria potestad por lo que se define vagamente como “relaciones sexuales no tradicionales”. En Rusia, la homosexualidad se despenalizó en 1993, pero este proyecto, al igual que las leyes sobre “propaganda”, incluye la homosexualidad en la normativa legal como una conducta penalizada o que debe ser controlada por el Estado.

-¿Qué sucede con las otras leyes homófobas ya aprobadas?

-La prohibición de la llamada “propaganda de las relaciones sexuales no tradicionales” entre menores de edad ha demostrado ser una limitación de la libertad de expresión y de reunión y del derecho de acceso a la información. Los legisladores dan un paso más en su presunta misión de protección, estigmatizando y criminalizando aun más a las personas LGBT [Lesbianas, Gays, Bisexuales y Trans]. En 2012 las autoridades se dedicaron a identificar, según su conveniencia, grupos que presuntamente son una amenaza para la sociedad rusa y, por lo tanto, pueden ser legítimamente hostigados y eliminados. Y si las autoridades son vistas como ineficientes en esa tarea, la misión es tomada por la muchedumbre. Este discurso es sostenido mediante la representación distorsionada de los hechos y el uso incorrecto del lenguaje en los medios de comunicación y en las declaraciones de los funcionarios. Entre las propuestas difundidas por los legisladores -aunque no se presentó nada formalmente- está la de establecer clínicas de terapia de conversión sustentadas por el Estado.

-¿Cómo es la relación de las organizaciones LGBT con el gobierno? ¿Hay diálogo?

-Invertimos mucho esfuerzo para establecer un diálogo. Hasta ahora hemos trabajado principalmente con los comisionados regionales y federal para los Derechos Humanos y el Consejo Presidencial de Derechos Humanos. Es difícil llamar “diálogo” al modo actual de comunicación. Más bien es un esfuerzo constante por transmitir nuestro mensaje; esperamos llegar a la etapa de ser escuchados. El gobierno ha reforzado el control sobre la sociedad civil mediante la aprobación y aplicación de normas restrictivas que impiden el ejercicio de las libertades de asociación, reunión, expresión, pensamiento y prensa. Una amplia gama de ONG, en particular las que defienden a las víctimas de violencia y abuso de poder, son perseguidas por el Estado. La Ley de Agentes Extranjeros obliga a registrarse como tales a todas las ONG cuyas actividades son consideradas “políticas” por las autoridades y que reciben financiación de fuentes extranjeras. Esto busca etiquetar a la comunidad de derechos humanos como un grupo de “espías” o “enemigos” para desacreditarla ante la sociedad y excluirla de la esfera pública. Cuatro meses después de la aprobación de esa ley, más de 1.000 ONG rusas fueron sometidas a inspecciones ilegales sin precedentes, 56 fueron identificadas como “agentes” y se instruyen procedimientos administrativos contra 22. La organización LGBT Saliendo y el festival de cine Juntos fueron multados con 500.000 y 400.000 rublos [15.700 y 12.500 dólares], respectivamente, y sus líderes fueron sometidos a proceso. Las autoridades anunciaron la inspección de otras 1.200 ONG. Hay un endurecimiento del control de la libertad de reunión mediante la aplicación arbitraria de la Ley de Asambleas y Reuniones, con sanciones desproporcionadas por presuntas infracciones durante mitines, marchas y piquetes, que tienen un objetivo “preventivo”. A su vez, el proceso de aprobación de reuniones públicas es discriminatorio. El permiso depende del tema, por lo que es difícil o imposible para algunos grupos ejercer su libertad de reunión. Las acciones de las organizaciones LGBT, los grupos de la oposición y otras asociaciones públicas se rechazan regularmente sin motivo legítimo. En los dos últimos años las autoridades de Moscú no permitieron ninguna acción pública en defensa de los derechos LGBT.

-¿Hay registro de homicidios por identidad sexual o identidad de género?

-En Rusia no hay datos oficiales. En 2013 se denunciaron a la Policía 14 crímenes de odio por estos motivos, pero sólo en cuatro se iniciaron procesos penales. Sólo un caso de ataque contra un activista LGBT antes, durante o después de una acción pública LGBT ha sido juzgado. El atacante fue condenado a dos meses de servicio comunitario y el motivo de odio no se tuvo en cuenta.

-¿Qué sabés sobre los reportes de ataques neonazis?

-En los últimos meses hemos sido testigos de la aparición y el crecimiento de dos movimientos o proyectos: Occupy Gerontofilia y Occupy Pedofilia, dirigidos por neonazis. Afirman que trabajan para luchar contra los pedófilos y los hombres jóvenes que practican sexo con hombres, para mejorar la moral de la sociedad y velar por el cumplimiento de la ley. Atraen a sus víctimas con falsas publicaciones en sitios web de citas, abusan de ellas y las torturan delante de una cámara. Los videos se publican en internet; en este momento hay 15 online. Esto se apoya en la idea promovida desde el Estado de “proteger a los niños” y en la percepción de la homosexualidad masculina como sinónimo de abuso sexual infantil.

-Diversas versiones de prensa atribuyen a la Iglesia Ortodoxa una gran influencia política…

-Así es. Lo que es aun más peligroso es que es escuchada por la mayoría de la población rusa. En algunas regiones, sus representantes participan directamente en los grupos de extrema derecha que utilizan la violencia como método. En junio un sacerdote ortodoxo estuvo presente en una audiencia como defensor de oficio del agresor de un activista LGBT. Como si eso fuera poco, después de la audiencia vi que el sacerdote entregó al agresor un certificado con palabras de agradecimiento “en nombre de la mayoría ortodoxa” por sus acciones, presuntamente proteger a la sociedad de la inmoralidad y defender los valores tradicionales.

-¿Cómo opera la Policía?

-Cuando las autoridades permiten reuniones públicas, lo habitual es que no garanticen la seguridad de los organizadores y participantes ni reaccionen como es debido ante las violaciones de la ley y el orden de quienes tratan de impedir esas reuniones. En enero de 2013, durante una movilización autorizada en la ciudad de Voronezh contra la aprobación de la ley sobre “propaganda”, la Policía local no protegió a una docena de participantes de la acción agresiva de manifestantes homófobos, que se reunieron ilegalmente y en número sin precedentes (eran entre 300 y 500, según distintas estimaciones). En muchos casos, es la Policía la que aplica violencia innecesaria contra los participantes en manifestaciones y realiza detenciones arbitrarias.

-En lo discursivo parece que la homofobia apunta contra los gays. ¿Qué sucede con las lesbianas y las personas trans?

-Actualmente el discurso del odio está dirigido contra los varones homosexuales, el resto del espectro LGBT es invisible. De todos modos pienso que el aumento de la visibilidad y la escalada de atención negativa son signos de progreso, porque para llegar a respetar los derechos de otras personas, primero hay que reconocer su existencia. Me gustaría que no hubiéramos tenido que sufrir de esta manera para ganar el respeto, pero parece que es el único camino.

Beijo lésbico. Polícia de Feliciano prende duas estudantes

A polícia de Feliciano prende duas jovens
por Reginaldo Pupo – Especial para O Estado de S. Paulo

O deputado e pastor Marco Feliciano (PSC-SP) mandou prender duas estudantes anteontem após elas terem se beijado durante culto evangélico ministrado pelo parlamentar na avenida da praia de São Sebastião, no litoral paulista. “Essas duas precisam sair daqui algemadas”, disse Feliciano, sob aplausos dos evangélicos, que assistiram à cena por meio de dois telões instalados no local.

Do palco, o deputado, que preside a Comissão de Direitos Humanos e Minorias na Câmara, pediu que os policiais prendessem o casal. [Veja vídeo]

Joana Palhares, de 18 anos, e Yunka Mihura, de 20, foram detidas, algemadas por agentes da Guarda Civil Municipal e levadas ao 1.º Distrito Policial de São Sebastião. Joana disse ter sido agredida. O beijo, segundo elas, era uma forma de protesto contra a homofobia. “Eles (guardas) me jogaram na grade e depois nos levaram para debaixo do palco, onde fui agredida por três guardas. E ainda levei dois tapas na cara”, disse Joana.

Yunka disse não ter apanhado. “Me senti impotente enquanto a Joana apanhava e eu não podia fazer nada”. Ela reclamou que o mesmo não foi feito com casais heterossexuais que se beijaram durante a pregação.

Depois que elas foram levadas pela polícia, o deputado comparou as estudantes a um “cachorrinho”. “Ignorem, ignorem. Cachorrinho que está latindo é assim, você ignorou, ele para de latir”, disse aos fiéis.

Na delegacia, Joana passou por exame de corpo delito. Ela tinha hematomas nos braços e pernas. O advogado das estudantes, Daniel Galani, disse que vai formalizar denúncia contra Feliciano. “Foi uma afronta gravíssima aos direitos humanos e ao direito à livre expressão.” As estudantes fizeram boletim de ocorrência contra os guardas.

Lei. A Prefeitura de São Sebastião informou, por meio de nota, que a GCM agiu com base o artigo 208 do Código Penal. A lei prevê pena de detenção de um mês a um ano ou multa ao cidadão que zombar de alguém publicamente por motivo de crença ou função religiosa e impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso. A prefeitura afirmou que supostos abusos serão apurados pela corregedoria da GCM.

Estado tentou, sem sucesso, contato com o deputado. No Twitter, Feliciano escreveu que as estudantes estão se fazendo de vítimas. “Indivíduos invadem o culto, desrespeitam crianças, idosos, agridem as autoridades, chutam os policiais, e por fim dizem ser vítimas?” E completou: “Ou são loucos e necessitam de tratamento mental urgente, ou são baderneiros que querem 5 minutos de fama ou querem briga”.

Ele também postou mensagens em que transcreve artigo do Código Penal. “Escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso: pena detenção, 1 mês a 1 ano ou multa.”

Confira a entrevista com as garotas

Yunka (a esq.) e Joana relataram as agressões. Foto Reginaldo Pupo
Yunka (a esq.) e Joana relataram as agressões. Foto Reginaldo Pupo

Por que o protesto?
Joana – Queríamos mostrar que ser homossexual é uma coisa normal. O próprio deputado incitou à violência, pois antes de ele se apresentar, a gente já havia se beijado normalmente durante os cultos.

Qual a reação dos seus pais?
Yunca – Meus pais não sabem ainda. Minha mãe está na Argentina e meu pai na França.
Joana – Meus pais aceitaram bem. Minha mãe postou mensagem nas redes sociais, endereçada ao Feliciano, dizendo que tem orgulho de mim.

Como vocês avaliam a ação da Guarda Municipal?
Yunca – Foi covarde. Primeiro, porque a guarda deveria dar o exemplo. Segundo, porque nos agrediram longe das câmeras e das pessoas, debaixo do palco. A Joana levou tapas na cara, jogaram-na no chão. Ela gritava por socorro. Na delegacia, os guardas civis ainda nos ameaçaram.

agredida por Deus?

Que tipo de ameaça?
Yunca – Eles mandavam a gente calar a boca e diziam que iam colocar a gente na cadeia.

Vocês se arrependem?
Yunca – Não! Faríamos tudo novamente.

NÃO FOI A PRIMEIRA VEZ DE FELICIANO

por Diogo Carvalho

Outra confusão aconteceu em Santarém, no Pará, em julho último, durante o culto de celebração dos 85 anos da Assembleia de Deus. Durante sua pregação pelas ruas do município, o presidente da comissão de direitos humanos da Câmara de Deputados, DEU ORDEM DE PRISÃO (?!?) ao Grupo Homoafetivo de Santarém (GHS), que protestava contra presença dele na cidade.

Os manifestantes empunhavam bandeiras do arco-íris e gritavam palavras de ordem contra o deputado e a favor da causa LGBT. Eles percorreram ruas da cidade pedindo a renúncia do pastor Marco Feliciano e decidiram ir ao culto protestar. O pastor, que realizava o culto no momento, interrompeu a pregação e pediu que eles fossem retirados do local pela Polícia Militar, avisando que já havia prendidos outros por perturbação.

“Eu queria saber onde estão os policiais que estão aqui? Tem uma bandeira do movimento LGBT sendo sacudida e essas pessoas estão atrapalhando o culto. Isso é proibido pela lei! Essas pessoas podem sair daqui presas, algemadas agora! Semana passada eu já prendi dois. Isso aqui não é a casa da Mãe Joana, isso aqui é uma igreja, respeitem”, gritou Feliciano.

Três manifestantes foram detidos por policiais militares a mando do deputado-pastor
Três manifestantes foram detidos por policiais militares a mando do deputado-pastor

Os seguranças contratados pela igreja e os policiais tentaram retirar os manifestantes do local. Com a recusa deles – que alegavam liberdade de expressão, já que o culto ocorria em local público -, a polícia usou spray de pimenta e ocorreram agressões de todas as partes.

Ao fim da confusão, os jovens Renan Luis, Pedro George e Gean Miranda foram detidos, acusados de perturbação da ordem pública e resistência à prisão. Outros dizem ter sofrido lesões causadas pelas agressões dos policiais.

A advogada dos manifestantes, Juliane Fontinele, declarou que as agressões começaram da parte dos seguranças contratados pela igreja e da polícia e que foi usada força excessiva, causando ferimentos nos jovens. Já, a advogada Eyceila Menezes, representando a Assembleia de Deus, afirmou que a igreja não irá prestar queixas contra os manifestantes.

O delegado Tiago Rabelo disse que irá investigar as denúncias. Já o comandante da Polícia Militar, coronel Risuenho, explicou que o comando não recebeu denúncia oficial contra os policiais pelo uso de força excessiva contra os manifestantes. “No local, eles montaram uma briga e foram retirados pelos policiais”, declarou ao jornal Diário do Pará.

Confira o vídeo aqui

Veja que ela confessa em Santarém:  “Na semana passada prendi…

Vitória, Espírito Santo
Vitória, Espírito Santo

A guerra religiosa começou com o famoso chute na imagem da Padroeira do Brasil

Chute na santa é o termo pelo qual ficou conhecido e pelo qual a população brasileira se refere, ainda hoje, a um episódio controverso ocorrido no dia 12 de outubro de 1995 quando Sérgio von Helde, bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, chutou uma estátua retratando uma santa católica.

Durante o programa matutino O Despertar da Fé, transmitido pela Rede Record, o bispo Sérgio von Helder proferiu insultos verbais e físicos contra uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida, à qual se dedicava o feriado do dia. O bispo da Igreja Universal protestava contra o caráter do feriado nacional de 12 de outubro.

s1s2s3

Chute-na-santa