As populações excluídas das festas oficiais de rua patrocinadas pela mordomia dos prefeitos e governadores

A vida luxuosa das autoridades brasileiras precisa ser investigada. As mordomias são perdulárias, escandalosas e imorais. Acontece de tudo em um camarote do prefeito, do governador, em noites alegres, regadas a uísque importado, nas festas natalinas, de réveillon, de carnaval, de carnaval fora de época, de santo padroeiro e shows das cantoras de tv e artistas internacionais. Tudo pago, com verbas públicas de diferentes origens: turismo, cultura e casa civil. Ou bancadas por empresas.

Nas festas do povo, os camarotes das autoridades, dos empresários e industriais constituem uma ostentação, um afastamento das multidões. Os camarotes são construídos nas alturas com todo os serviços de uma suíte presidencial em um motel de cinco estrelas das elites depravadas, racistas, que têm nojo do cheiro do povo.

No Brasil, começou com as festas dos colonos. Foi assim que nasceu o termo forró (for all). Festa para todos, e uma festa exclusiva para os estrangeiros e as elites nativas.

Os camarotes são fortins defendidos  por policias, empresas de segurança, leões de chácara que evitam a entrada da ralé.

Esta separação nas festas demonstra que vigora um sistema de castas de sangue e dos altos poderes, uma exclusão baseada no cargo, na profissão, no dinheiro.  Um estilo de vida que inclui um status ritual numa hierarquia, exclusões sociais que determinam inclusive a arquitetura das cidades, as leis, as benesses estatais, que nada se faz que preste para o povo. Veja que este sistema de divisão vai passar a vigorar nos camarotes construídos nos novos coliseus/estádios da Copa do Mundo.

O Carnaval sempre foi, na história da humanidade, uma catarse, uma inversão, por uma dia, ou três dias, quando todos são iguais, com a entrega do mando para o Rei Momo. O que não acontece nos camarotes.

A única inversão possível é que um camarote constitui um gueto fechado por dentro, um jardim dos vícios capitais, dos dias “gordos” (mardi gras), do  “carnis valles”. A única coisa proibida: fotografar ou filmar.

CARNAVAL 2014 Defensoria Pública da Bahia entrou com Ação Civil Pública contra Camarote Salvador

camarote

por André Luiz Rorigues/ Consultor Jurídico

A Defensoria Pública da União da Bahia entrou com Ação Civil Pública, pedindo o embargo e a supressão da estrutura já montada do Camarote Salvador, na área da Praça de Ondina, no final do circuito Dodô, famoso no carnaval baiano. A ação foi apresentada na sexta-feira (10/2). A entidade reclama de possíveis irregularidades no processo de licitação e no contrato, realizado ao final de 2010, entre a empresa Premium e a Superintendência de Ordenamento do Uso do Solo (Sucom), autarquia municipal. As informações são do jornal A Tarde Online.

Segundo o defensor federal João Paulo Lordelo, “dos 9.837 m² licitados pela municipalidade, cerca de 65% da área são de propriedade da União, o que revela a manifesta incompetência administrativa da Sucom em licitar e o vício no objeto do certame”.

Ele conta que em fevereiro de 2011, a Secretaria de Patrimônio da União realizou vistoria no local e identificou a construção e a instalação de equipamentos em terrenos da União. A inspeção resultou em um auto de infração, que foi cancelado administrativamente dias depois. “A empresa requereu permissão de uso temporário da área da União irregularmente licitada, de forma que a SPU considerasse o terreno como se fosse de titularidade do município de Salvador. A SPU, sem realizar qualquer tipo de licitação, concedeu a permissão de uso para o Carnaval de 2011”.

A empresa pagou R$ 1 milhão à prefeitura de Salvador para erguer o camarote na praça e se comprometeu a realizar benfeitorias no local. A praça foi entregue em agosto de 2011, com novo calçamento, barracas e estruturas removíveis, de forma a facilitar a montagem do camarote pelo período de cinco anos firmados no acordo.

De acordo com a Secretaria, “há dois meses, um termo precário foi assinado entre a Sucom e a produtora autorizando o início da montagem do empreendimento para este ano. Novamente a SPU permitiu o uso do espaço da União para a instalação das estruturas durante os festejos, que já se iniciam na próxima quinta-feira (16). Os valores comercializados pelas camisas que dão direito a um dia de festa variam entre R$ 600 e R$ 1,5 mil reais, a depender do dia escolhido”.

Em nota, a KRP Relações Públicas, que representa a Premium Produções, alega que a Defensoria Pública da União da Bahia não tem “legitimidade” para propor ação civil pública com requerimento de liminar contra o funcionamento do camarote.

No último 14 de janeiro, cerca de mil manifestantes do movimento Desocupa Salvador promoveram uma manifestação em frente ao camarote para protestar contra o que chamam de privatização do espaço público. O ato foi realizado mesmo depois da juíza Lisbete Maria Almeida, da 7ª Vara da Fazenda Pública, conceder liminar a Premium Produções, Criações Artísticas e Eventos Ltda., proibindo a manifestação.

“Depois de sofrer ameaças de depredação da parte de líderes de um movimento cujo discurso é de violência, com o objetivo de assegurar a festa, que é da Bahia e do Brasil, o Camarote precisou recorrer à Justiça, que impediu sua a invasão. Faltando menos de cinco dias para a realização da maior festa popular do Mundo, o Camarote Salvador foi surpreendido com a tentativa de obstruir o evento. Os mesmos líderes que tentaram constranger o Camarote com uma invasão inexplicável requereram à Defensoria Pública da União que ajuizasse ação para frustrar o Carnaval”, disse a empresa na nota.

Leia abaixo a íntegra da nota:

O Camarote Salvador é um dos mais estruturados empreendimentos do Carnaval da Bahia, e é responsável por atrair para a festa, ano a ano, milhares de pessoas, divulgando o nosso Estado em todo o Mundo e contribuindo para o incremento de emprego e de renda em nossa terra. Em 2011, o Camarote Salvador venceu licitação pública para se fazer instalar num espaço até então degradado, onde proliferava o crime, no bairro de Ondina. Em razão dessa licitação, o Camarote Salvador não somente edificou uma praça para uso da população, com aparelhos modernos, de que outras praças não dispõem, mas também assumiu o pagamento de R$ 1.000.000,00 em favor do patrimônio público.

No total, somente nessa licitação pública, o Camarote Salvador arcou com cerca de R$ 3.000.000,00 para promover o Carnaval da Bahia. Ao mesmo tempo, procedendo dentro da legalidade estrita, com atenção e zelo ao interesse público, a Premium obteve da Superintendência do Patrimônio da União – SPU, órgão federal, permissão para uso da área de marinha para o Carnaval. Para tanto, já remunerou a União com aproximadamente R$ 250.000,00.

Depois de sofrer ameaças de depredação da parte de líderes de um movimento cujo discurso é de violência, com o objetivo de assegurar a festa, que é da Bahia e do Brasil, o Camarote precisou recorrer à Justiça, que impediu sua a invasão. Faltando menos de cinco dias para a realização da maior festa popular do Mundo, o Camarote Salvador foi surpreendido com a tentativa de obstruir o evento. Os mesmos líderes que tentaram constranger o Camarote com uma invasão inexplicável requereram à Defensoria Pública da União que ajuizasse ação para frustrar o Carnaval.

Contra as manifestações anteriores do Ministério Público da União, do Ministério Público do Estado, das instituições públicas responsáveis e da própria Defensoria Pública da União, o defensor João Paulo Lordelo decidiu, sem legitimidade para tanto, propor ação civil pública com requerimento de liminar contra a realização do Camarote e do Carnaval da Bahia.

O Camarote Salvador lamenta que, um dia apenas depois de encerrada a greve na segurança pública do Estado, por má intenção se queira trazer tumulto e incerteza contra os milhares de turistas que escolheram a Bahia como destino no Carnaval. Expressando a sua confiança no Poder Judiciário e nas instituições constituídas, o Camarote Salvador se associa às inúmeras manifestações da sociedade contra esta ação temerária, proposta com o intuito de depreciar, de violentar e de boicotar uma festa que é de todos.

P.S.: As interações sociais consuetundinárias e exclusão baseada em noções culturais de pureza e poluição, motivaram em uma mesma cidade vários polos de festas. Os camarotes do governador e do prefeito são armados no local destinado aos turistas. Nas festas mais afastadas nos bairros das periferias ou considerados da classe média baixa (que cruel classificação), o divertimento dos que reconhecem seu lugar: os negros, os bolsa-família, os favelados, os de sangue sujo, os zés-ninguém, os plebeus.

Importante assinalar que as festas populares mais autênticas, mais representativas da nossa Cultura, mas paradoxal que seja, são as que não entram nenhum dinheiro público.

Festas realizadas pelo povo, que mantém nossas tradições e, vivo, o nosso rico folclore.

Especialistas alertam o alto custo dos suicídios de policiais federais para a sociedade

por Mônica Donato

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Presidente da Frente Parlamentar em Apoio à Reestruturação da Polícia Federal, o deputado republicano Otoniel Lima (PRB/SP), abriu o primeiro Seminário realizado pela Frente, cujo tema foi a crise do atual modelo de Segurança Pública que tem resultado na evasão dos agentes e, em muitos casos, em suicídio. Otoniel diz que está mais do que na hora de valorizar o policial federal, municiando-o com perspectivas sólidas de crescimento e recomposição salarial imediata.

“Esse Seminário é o momento adequado para que os problemas, já sabidos, sejam contemplados com soluções, as quais também conhecemos, mas que depende dos gestores públicos adotarem. Quanto a nós, legisladores, é a ocasião propícia para fazermos nossa parte e votarmos a legislação necessária que tarda em ser aprovada, visando a uma robusta reestruturação da Polícia Federal”, disse.

A representante da Associação Brasileira de Psiquiatria – ABP, Alexandrina Meleiro, apresentou dados de suicídios no contexto mundial e os custos dessa prática. “A cada 40 segundos uma pessoa comete suicídio no mundo e a cada 3 segundos há uma tentativa. A idade desses indivíduos está cada vez mais baixa. Além do número de perdas de vidas e dos anos de experiência, há o custo legal de (necropsia e investigação) e o custo imensurável de morte prematura e desajuste familiar”, explicou.

Fernanda Duarte, pesquisadora da Universidade de Brasília (UnB), que estuda as condições institucionais que podem ser favoráveis às práticas de suicídio, afirmou que a situação dos policiais federais é preocupante. Segundo ela, quando se perde o sentimento de indignação e há uma banalização do mal, os sujeitos ficam suscetíveis à depressão. “A hierarquia exagerada leva boa parte dos subordinados à patologia da solidão, já que são constantemente humilhados e sentem vergonha de externalizar seus sentimentos. A exigência de diploma também é outro problema. Muitos que estão lá não se sentem profissionalmente realizados já que suas qualificações não são aproveitadas”, afirmou.

O consultor da Câmara, Sério Senna, chamou atenção para outro dado alarmante: o maior índice de suicídios se dá entre os solteiros. “Já os casados são enviados para os lugares mais remotos e longínquos, sem qualquer estrutura e longe de seus familiares”, disse. Para ele, é preciso incentivar a transferência da família junto com os policiais.

O professor de Ciência Criminal da Pontifica Universidade Católica do Rio Grande do Sul e coautor do livro “O inquérito policial no Brasil”, Rodrigo Ghiringhelli, discorreu sobre a modernização do processo penal brasileiro, particularmente no que diz respeito ao aperfeiçoamento das instituições policiais e ao estabelecimento de uma política criminal mais abrangente.

Todos os especialistas foram claros ao afirmar que a evasão de policiais representa um prejuízo significante para a instituição. Para eles, as condições de trabalho, a formação profissional, a ausência de gestão e assistência às pessoas e o modelo pseudomilitarizado, burocrático e frustrante pela ineficiência são as prováveis causas da evasão.

Agência FENAPEF

Fonte: Blog da Liderança 10

POLÍCIA MILITAR. O treinamento da morte

 Menekse Cam
Menekse Cam

Preparam os soldados estaduais para uma guerra interna contra o povo. Que a polícia dos governadores não prende os ladrões da equipe e amigos dos seus comandantes.

A polícia dos governadores Tião Viana (Acre),  Jaques Wagner (Bahia), Agnelo Queiroz (Distrito Federal) e Tarso Genro  (Rio Grande do Sul) não prende petistas.

A polícia de Teotônio  Vilela Filho (Alagoas), Marconi Perillo (Goiás),  Antônio Anastasia (Minas Gerais), Simão Jateme (Pará), Beto Richa (Paraná), José de Anchieta Júnior (Roraima), Siqueira Campos (Tocantis) e Geraldo Alckmin (São Paulo) não prende tucanos.

A mesma política de proteção para os aliados e partidários do governador, comandante em chefe da Polícia Militar, vale para os outros Estados. Por exemplo, a polícia não é doida, para prender um líder do PSB em Pernambuco de Eduardo Campos.

A polícia vem sendo adestrada para executar despejos (deslocamentos involuntários), reprimir greves, movimentos estudantis, protestos sociais (como acontece em qualquer ditadura) e prender os condenados da justiça PPV.

Chacina de Pinheiro, São Paulo
Chacina de Pinheiro, São Paulo

balas de borracho protesto

Mortes e chicotadas na polícia

A morte de um recruta no Rio de Janeiro chama a atenção para o treinamento abusivo no país

ALGOZ O capitão Leonardo Hirakawa. Ele humilhou um subordinado e foi preso
ALGOZ
O capitão Leonardo Hirakawa. Ele humilhou um subordinado e foi preso

por Raphael Gomide/ Revista Época

A sensação térmica em 12 de novembro era de 48 graus célsius na Zona Oeste do Rio de Janeiro, onde recrutas da Polícia Militar iniciavam treinamento no dia mais quente do ano. Submetidos à rigorosa sessão de exercícios de ordem-unida, sem água, os alunos do Curso de Formação de Soldados desfaleciam. Logo nos primeiros dias, numa das punições sem sentido, apelidadas de sugas, os instrutores determinaram que os pelotões se sentassem no chão quente do pátio, sobre as mãos. Um urinou sangue. Outro vomitou sangue. Foi aí que o re­cém-in­corporado Paulo Aparecido, de 27 anos, não resistiu e desmaiou. Foi atendido por paramédicos e, como não acordasse, foi levado a um pronto-socorro, com mais 18 alunos – quatro deles com queimaduras nas nádegas. Sem responder aos estímulos, recebeu massagem cardíaca, e seu coração voltou a bater. Pela gravidade do caso, ele foi transferido para o Hospital Central da PM – e, dez dias depois, sofreu morte cerebral.

>> Crise de confiança na polícia do Rio de Janeiro

As longas horas de exercícios ao sol são padrão na semana de adaptação, a primeira dos sete meses do curso do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças (Cfap). Faltas são punidas com flexão de braços ou perda do final de semana livre. Esse tratamento não é exclusividade da PM fluminense. Em todo o país, denúncias de abusos são corriqueiras nos adestramentos das forças policiais. Algumas levam a casos fatais. A morte de Paulo Aparecido chama a atenção para as consequências funestas dos excessos e equívocos. Os cursos do Batalhão de Operações Especiais (Bope) do Rio de Janeiro – como foi retratado no filme Tropa de elite – já registraram duas mortes. Morreram também um agente da Polícia Rodoviá­ria Federal, afogado por instrutores, no ano passado, e um soldado e três cadetes em Mato Grosso, em dois episódios distintos, em 2010 e 1998. Os cursos de formação das polícias do Paraná, Mato Grosso, Rio Grande do Norte e Ceará já foram investigados por abusos.

Em maio, o capitão Leonardo Hirakawa, então comandante do Corpo de Alunos do 3o Ano da Academia D. João VI, que forma oficiais em três anos, protagonizou um episódio que parece saído de um livro sobre a Idade Média. No deslocamento da tropa no Dia da Cavalaria, Hirakawa irritou-se e deu forte chicotada no cadete Fabio Costa. Humilhado, o futuro oficial venceu o medo de retaliação e queixou-se à administração. Responsável por 164 alunos, Hirakawa foi preso por dez dias e transferido para o Regimento de Cavalaria. A PM afirmou a ÉPOCA que “o oficial usou um rebenque e atingiu de leve um aluno. Segundo o capitão, não houve intenção”. De acordo com a corporação, “assim que tomou conhecimento do fato, o comando da Academia decidiu afastá-lo preventivamente, mesmo não havendo intenção de ferir”. O inquérito administrativo foi concluído – a PM não informou o resultado – e entregue à Justiça Militar.

>> Caso Pinheirinho: Corregedoria indicia 14 policiais por tortura e abuso

VÍTIMA O recruta Aparecido. Ele passou mal no treinamento e morreu no hospital
VÍTIMA
O recruta Aparecido. Ele passou mal no treinamento e morreu no hospital

Hirakawa foi o 119º colocado entre 127 aspirantes em sua turma. Fez curso de Policiamento Montado em 2008 na Academia Barro Branco, da PM de São Paulo. É um amante da montaria. Há, em seu perfil no Facebook, fotos a cavalo, fardado ou adestrando potros – numa, ele se diverte de pé sobre os animais, qual um artista de circo. Na equitação, o chicote é instrumento de alerta e comando – como a batuta de um maestro. Deve ser usado com critério pelo cavaleiro. Não é símbolo de ameaça, tortura ou castigo. Um mês antes da chicotada no cadete, Hirakawa retornara de um curso de técnica de ensino na PM paulista. Depois de publicar foto do brevê dourado que passou a usar no uniforme, um amigo escreveu: “Sucesso na aplicação dos novos conhecimentos”.

Tido como um liberal, o coronel Íbis Pereira, o comandante que afastou Hirakawa, proibiu trotes – como forçar novatos a se deitar no pátio para secá-lo com a farda ou a rolar no campo à noite, junto a formigas. Nos anos 1980, alunos dormiam dentro de armários, com a roupa encharcada. Íbis também vetou canções de rivalidade entre turmas – embora persistissem, a sua revelia. Em agosto, foi substituído por um oficial mais tradicional, Cristiano Gaspar, para quem “cadete tem de sofrer por três anos” e “chegar formado ao batalhão, com cara de assustado”. Cristiano impôs regras mais rígidas e aumentou a carga horária do curso. Agora, ele começa às 5h30 e, incluindo palestras, pode chegar até as 21 horas. Na gestão de Cristiano, canções e trotes estão de volta. Uma semana depois da troca de comando, dois alunos foram presos por atacar sexualmente uma recruta, no vizinho Cfap – onde morreu Paulo Aparecido.

Com essa mentalidade até na formação de oficiais, é difícil antever o progresso da polícia esperado pela sociedade. Após a morte do recruta Paulo Aparecido, a ministra Maria do Rosário, dos Direitos Humanos, disse que “um treinamento que produz sofrimento e morte precisa ser revisto”. Há muito mais a rever na formação policial.

abusos

Clube militar do Rio. Respeito total à hierarquia e à disciplina

Clube Militar na Avenida Rio Branco, Rio
Clube Militar na Avenida Rio Branco, Rio

 

Está no regulamento:

Art. 2o – O Clube Militar (CM), fundado em 26 de junho de 1887, neste Regulamento denominado Clube, é uma associação de direito privado, sem fins lucrativos e que atua em âmbito nacional, com Sedes Principal, Esportiva e Praiana no Estado do Rio de Janeiro. §1o – O Clube destina-se essencialmente aos oficiais das Forças Armadas (Sócios Efetivos) e a suas famílias.

§2o – O Clube manter-se-á estranho a matéria de religião, política partidária ou discriminação de qualquer natureza, sendo vedada a cessão de suas dependências para reuniões que objetivem tratar de tais assuntos.

Que fique claro. Não é racismo. Pelo respeito à hierarquia não podem ser sócios: soldados, cabos e sargentos. Existe esta separação. Quanto aos civis leia o regulamento  

Quebra a disciplina a discussão de política partidária.

Um dos salões do Clube Militar do Rio (centro)
Um dos salões do Clube Militar do Rio (centro)

Galeria de Fotos sede no Centro do Rio

Sede da Lagoa, no Rio, com hotel de 72 apartamentos. Galeria de fotos

Sede de Cabo Frio, Rio. Galeria de fotos

 

Quando esposas de militares sobem a rampa do palácio

A presidente da União Nacional das Esposas de Militares das Forças Armadas (UNEMFA), Ivone Luzardo, tentou hoje subir a rampa do Planalto, em protesto por “melhorias salariais para os militares”, “respeito aos presidentes dos Clubes Militares” e uma “política do governo para atendimento às mulheres dos militares que são impedidas de estudar e ter uma profissão por terem de acompanhar os maridos frequentemente transferidos pelo País”. Foi impedida pelos seguranças e criou um alvoroço em frente ao Palácio do Planalto.

Ivone protocolou um pedido de audiência com a presidente Dilma Rousseff para o dia da Mulher, 8 de março, quando quer apresentar diretamente a ela as reivindicações da categoria.

O protesto foi rápido. As mulheres exigem o pagamento de 28,86%, que já teria sido aprovado pelo STF e seria devido à categoria desde 1993, mas que o Ministério do Planejamento não atende. “Subimos a rampa para gerar um fato político e chamar a atenção para os nossos problemas. Hoje foi só a amostra grátis do que vamos fazer daqui para frente e a PM e os Bombeiros estão ao nosso lado”, ameaçou Ivone, ao lado de Marina Bavaresco, outra esposa de militar, que estava usando uniforme camuflado.

Comentário deste blogueiro:

MATRÍCULA COMPULSÓRIA 

Nos casos de transferências, militares, esposas e filhos têm direito à matricula compulsória em universidades públicas, inclusive os que estudam em faculdades particulares. Vide legislação e jurisprudência

APOIO DOS PM E BOMBEIROS

O presidente do Clube Naval, vice-almirante da reserva Ricardo Antônio da Veiga Cabral. “(Sobre a Comissão da Verdade) A verdade não tem de ser só de um lado. O que a gente espera é que haja equilíbrio.” Ele afirmou que o movimento dos clubes “não é como a greve do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar da Bahia”. “A coisa é um problema mais ético que financeiro”, destacou. “É preciso haver um diálogo sem radicalismos. Acho que a situação tende à acomodação.”

USO INDEVIDO DE TRAJES MILITARES

Estatuto dos Militares: LEI Nº 6.880, DE 9 DE DEZEMBRO DE 1980 – DO USO DOS UNIFORMES….SE LÊ “… Parágrafo único. Constituem crimes previstos na legislação específica o desrespeito aos uniformes, distintivos, insígnias e emblemas militares, bem como seu uso por quem a eles não tiver direito.”

Custa uma nota um uniforme camuflado feminino. Confira os preços

MELHORIAS SALARIAIS

Até agora não apareceu nenhum estudo sobre os gastos com aposentadorias e pensões, inclusive como heranças das filhas que, para alguns críticos, superam as despesas com o pessoal da ativa.

Eles têm medo da Comissão da Verdade

Comissão Nacional da Verdade, informa a Wikipedia, é o nome de uma comissão brasileira que visa investigar violações de direitos humanos ocorridas entre os anos de 1946 e 1988 no Brasil. Também identificará os locais, estruturas, instituições e circunstâncias relacionadas à prática de violações de direitos humanos e também eventuais ramificações na sociedade e nos aparelhos estatais.A lei que a institui foi sancionada pela presidente Dilma Rousseff em 18 de novembro de 2011.

Essa comissão será formada por sete membros nomeados pela presidente do Brasil, que atuarão durante dois anos, sendo que no final desse período, publicarão um relatório dos principais achados, que poderá ser público ou poderá ser enviado apenas para o presidente da república ou o ministro da defesa. A comissão terá o direito de convocar vítimas ou acusados das violações para depoimentos, ainda que a convocação não tenha caráter obrigatório e também a ver todos os arquivos do poder público sobre o período, mas não terá o poder de punir ou recomendar que acusados de violar direitos humanos sejam punidos.

A comissão, proposta em 2010, passou por diversas mudanças, principalmente para atender as queixas dos militares. O termo “repressão política” foi retirado do texto, a comissão atual prevê o “exame” de violações de direitos humanos, diferente da versão de 2010, que previa a “apuração” e além de englobar fatos ocorridos durante o regime militar no Brasil, que ocorreu ente 1964 e 1985, englobará fatos que ocorreram entre os anos de 1946 e 1988.

A COMISSÃO DA VERDADE NÃO PUNE

Aprovação da Comissão da Verdade no Senado ocorreu de forma simbólica, sem alterações de mérito no texto enviado pela Câmara
Aprovação da Comissão da Verdade no Senado ocorreu de forma simbólica, sem alterações de mérito no texto enviado pela Câmara

 A Comissão não terá poderes para punir agentes da ditadura. As investigações incluem a apuração de autoria de crimes como tortura, mortes, desaparecimentos forçados e ocultação de cadáveres, perdoados com a Lei da Anistia, de 1979.
Segundo o relator da proposta no Senado, senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), a comissão terá como objetivo “efetivar o direito à memória e à verdade histórica” e “promover a reconciliação nacional“. 
A Comissão da Verdade é moleza. Vai apurar o que todo mundo já sabe. Vários livros foram publicados. De história, inclusive romances como o clássico “Quando Alegre Partiste – Melodrama de um delirante golpe militar”, de Moacir Japiassu. Existem inclusive filmes. Até novelas foram exibidas na televisão.
Apesar da brandura da Comissão da Verdade, eis que surgem os clubes militares com protestos inconsequentes, que quebram princípios que as Forças Armadas consideram sagrados: a ordem, a disciplina, a hierarquia.
Escreve Wilson Tosta no Estadão:
“Oficiais das Forças Armadas aposentados – alguns veteranos das ações de repressão à guerrilha e também à oposição desarmada, nas quais oposicionistas morreram, desapareceram ou foram torturados – se preocupam com a possível nomeação apenas de pessoas ligadas ao ‘outro lado’ ou que não sejam neutras em relação aos episódios”.

Ordem desunida por regalias quebra a hierarquia e a disciplina nas forças armadas

Mulheres de oficiais foram ao front em ofensiva salarial. Que bom. Que sejam discutidas as pensões, herdadas por filhas.

Veja esta: Pensão militar para neta adotada como filha do ex-presidente Médici

(30.06.11)
O STJ considerou o ato “válido e eficaz”. O TRF da 2ª Região tinha entendido que “a finalidade da adoção é a de prestar assistência, não podendo ser usada como manobra para burlar lei previdenciária”.

A 5ª Turma do STJ considerou legal a pensão paga pela União a Cláudia Candal Médici, neta de Emílio Garrastazu Médici – ex-presidente do Brasil entre 1969 e 1974. Cláudia foi adotada como filha pelo general e por sua esposa, Scylla Gaffrée Nogueira Médici, em 1984.

Médici morreu no ano seguinte e Cláudia, na condição de filha adotiva, passou a receber a pensão.

Vários absurdos idênticos acontecem. De 2008 destaco esta crítica sobre megapensões para esposa e filhas. As pensões como herança das filhas, como acontecia na monarquia com os de sangue azul.

Quantos bilhões o Brasil desperdiça com pagamento de pensões que serão pagas até perto do final deste século?

Na Revista Piauí, ed. 29, reportagem sobre a filha do general Mourão Filho, que deflagrou o golpe de 64:

Laurita leva uma vida de rica, mas não tem propriedades ou herança. Sua maior extravagância são as férias em Punta, durante as quais ela desembolsa 12 mil dólares de aluguel pela temporada. O ex-marido rico faliu e o general Mourão, segundo disse, “morreu pobre como as ratas: deixou sua dentadura, um relógio carrilhão e a aposentadoria”.

Como filha de general, Laurita recebe uma pensão mensal de 24 mil reais. Por ter trabalhado no Itamaraty, ganha uma aposentadoria de 2 700 reais, quantia que ela considera injusta. Essa pensão já aumentou. A rev Piauí está na ed. mensal 69.

Os clubes militares não tocam nestas regalias de casta, preferem exclusivamente defender a anistia: o perdão para qualquer tipo de crime cometido durante a ditadura militar. Parece que a última barbaridade foi o caso Herzog, em 1975. Quem entrou nas forças armadas nestes 36 anos não tem nenhuma mácula. E mesmo antes, o povo sabe, que a grande maioria das forças armadas sempre teve as mãos limpas.  Portanto, “as forças armadas são a instituição com maior credibilidade na opinião pública”.