Crece movimiento jurídico para burlar ley de amnistía en Brasil

Por Fabiana Frayssinet

Cuerpos de guerrilleros tratados por militares de Brasil / Crédito:Guerrilha do Araguaia blog
Cuerpos de guerrilleros tratados por militares de Brasil
 

Crédito: Guerrilha do Araguaia blog

RÍO DE JANEIRO, 14 mar (IPS) – Ante la muralla de una amnistía que impide juzgar crímenes cometidos por el régimen militar de Brasil, cobra fuerza un movimiento de jóvenes abogados del Ministerio Público para atravesarla con recursos jurídicos de derechos humanos inéditos en este país.

El grupo Justicia de Transición, integrado por procuradores del Ministerio Público (fiscales) de varios estados brasileños, trabaja bajo la tesis de que los secuestros y desapariciones forzadas perpetradas durante la dictadura (1964-1985) son crímenes que se siguen cometiendo hoy.

La ley de amnistía de 1979 impidió hasta ahora procesar penalmente denuncias de torturas, secuestros y asesinatos cometidos en ese entonces, tanto por agentes del Estado como por organizaciones guerrilleras de izquierda.

“El argumento es que no son delitos del pasado, sino que se siguen cometiendo hasta hoy”, explicó a IPS el representante de la sección del sureño estado de Río de Janeiro de la Orden de Abogados de Brasil (OAB-RJ), Ronaldo Cramer, al referirse a la tesis de los “crímenes permanentes”.

Estos delitos son el secuestro continuado y el ocultamiento del cadáver.

Si la víctima no aparece, viva o muerta, el secuestro se sigue cometiendo. De la misma forma, si los responsables de la desaparición se niegan a informar del paradero de los cuerpos, continúan practicando el crimen de ocultación de cadáver, según explicó a la prensa el procurador Ivan Cláudio Marx, del sureño estado de Rio Grande do Sul.

Con ello “conseguimos traspasar la ley de amnistía, pues esta se refiere a crímenes cometidos” hasta el 15 de agosto de 1979, explicó Cramer.

“Esto no es revisar la ley ni darle otra interpretación”, agregó el abogado de la OAB –RJ, una de las principales impulsoras de la Campaña por la Memoria y la Verdad, que ayudó a concebir la estrategia de los crímenes permanentes.

El grupo pasó de la teoría a la práctica este miércoles 14, cuando denunció ante la justicia de Marabá, en el norteño estado de Pará, al coronel de reserva del ejército Sebastião Curió Rodrigues de Moura, por el supuesto “secuestro calificado” de cinco personas en esa zona durante 1974.

Los desaparecidos, integrantes de Guerrilla de Araguaia –brazo armado del Partido Comunista de Brasil (PCB) que luchó contra la dictadura– fueron detenidos en operaciones militares encabezadas por Curió.

Según el grupo de siete fiscales que presentaron la denuncia, se desconoce hasta hoy el paradero de esas víctimas, si bien existen testimonios de que fueron torturadas y vistas por última vez bajo custodia militar.

Transcrevi trechos

Coronel Sebastião Curió, primeira ação legal por crimes durante a ditadura

 

O Ministério Público Federal do Brasil vai acusar um coronel aposentado por alegado sequestro de cinco militantes da guerrilha do Araguaia na década de 70, durante a ditadura militar.

Esta será a primeira ação penal no Brasil por um alegado crime cometido durante a ditadura (1964-1985), que avançará na cidade de Marabá, no Estado do Pará, e terá como alvo o coronel aposentado Sebastião Curió, segundo uma nota do Ministério Público brasileiro.

A guerrilha do Araguaia era um movimento armado organizado pelo então Partido Comunista do Brasil e, pelo menos, 62 dos seus cerca de 80 membros morreram ou desapareceram na Amazónia em combates contra as forças do regime militar entre 1972 e 1974.

Curió, que foi um dos chefes militares que combateram essa guerrilha, será acusado de sequestro qualificado de María Célia Correa, conhecida como “Rosinha”, Hélio Luiz Navarro Magalhães (“Edinho”), Daniel Ribeiro Callado (“Doca”), António de Padua Costa (“Piauí”) e Telma Regina Correa (“Lia”), de acordo com a nota do Ministério Público.

Os cinco “foram sequestrados por tropas comandadas por Curió entre janeiro e setembro de 1974 e, depois de terem sido levados para bases militares coordenadas por aquele e submetidos a tortura física e moral, nunca mais foram encontrados”, refere o comunicado.

Curió poderá arriscar até 40 anos de prisão. (Diário de Notícias, Portugal)

Biografa Wikipedia:

Em 21 de junho de 2009 o jornal “O Estado de São Paulo” noticia que “Curió” abriu seu arquivo particular sobre a Guerilha do Araguaia, afirmando que o Exército executara 41 guerrilheiros, e não somente 25, como se sabia até então. O lendário arquivo do militar da reserva Curió teve notoriedade em 1982, quando o então ex-ditador Médici afirmou que o agente “sabia de muita coisa”.

O Pacto de silêncio firmado pelos oficiais vigorou por 30 anos, segundo O Estado de São Paulo.

O apelido faz referência ao curió, um pássaro nativo da América do Sul (e também uma das gírias para pênis pequeno no interior do Brasil).

Jornal do Brasil:

O presidente  da OAB do Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous afirmou, nesta quarta-feira, que a decisão do Ministério Público Federal de apresentar denúncia penal contra o coronel do Exército Sebastião Rodrigues de Moura, apelidado de Curió, “se respalda em corretíssima interpretação jurídica”. Segundo Damous, o desaparecimento forçado é crime permanente e, portanto, não está prescrito.

“É inaceitável que responsáveis por tortura, assassinatos e desaparecimentos que agiram em nome do Estado continuem por aí impunes e circulando livremente”, disse.

“A atitude dos Procuradores da República, além de tecnicamente irrepreensível, é patriótica”, destacou o presidente da OAB do Rio de Janeiro.

 

Corte Interamericana

Os cinco crimes de sequestro identificados pelos procuradores foram levados à Justiça pouco mais de um ano depois que a sentença da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) sobre o caso Araguaia determinou que: “o Estado deve conduzir eficazmente, perante a jurisdição ordinária a investigação dos fatos do presente caso a fim de esclarecê-lo, determinar as correspondentes responsabilidades penais e aplicar efetivamente as sanções”.

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