Classe Média. Música de protesto

por Max Gonzaga

democracia burguesa

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mas eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte, ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Rolezinho. Onde uma criança e um jovem negro devem passar as férias escolares?

Goiânia
Goiânia

Pela oferta de segurança e atrações, as crianças e jovens brancos da classe média – quando os pais não estão em férias no exterior, nas casas de campo ou de praia – vão ao shopping.

No Recife não existe passeio público, e quando um grupo de negrinhos e/ou negrinhas se reúnem na rua que mora, nas periferias da cidade, sofrem batidas policiais, as costumeiras pauladas e bolinagens.

Quanto mais afastado o lugar, mais violenta a abordagem da polícia. Isso o governo chama de patrulha nos bairros.

Que espaço urbano, os prefeitos e governadores oferecem para rolar os rolezinhos dos negros neste Brasil em que nada se faz que preste para o povo?

Rolezinho jovem permitido
Rolezinho jovem permitido

ROSANA PINHEIRO MACHADO (professora de antropologia na Universidade de Oxford)

“De racismo cordial e velado não temos nada”

Roseana Pinheiro Machado
Rosana Pinheiro Machado

O rolezinho é um evento de jovens da periferia que se reúnem para passear nos shoppings das cidades, cantar funk e se divertir. Em grupo, os jovens da periferia sempre foram aos shoppings. Não é um processo novo, a não ser em sua dimensão e intencionalidade. Mas o rolezinho hoje é muito mais do que isso: é um dos mais importantes fenômenos da sociedade brasileira, não pelo evento em si, mas pelo seu poder de reação, entre amor e ódio. Poucas vezes tivemos um momento tão especial para pensar o Brasil como agora por tudo que isso traz à tona.

É muito difícil dizer se são protestos conscientes. De alguma forma todos são. Há uma reinvindicação clara de ocupar espaços urbanos privilegiados, de marcar presença. É um basta na invisibilidade. Toda a marcha, em maior ou menor medida, é uma reivindicação ao “direito à cidade”, como diria o filósofo francês Henri Lefebvre.

É um evento político consciente que tem relação com outras práticas da periferia, como as pichações, que tem por objetivo marcar os espaços e transmitir uma mensagem. Mas o grau da intencionalidade é impossível definir: ele varia de grupo para grupo, de cidade para a cidade.

O resultado político do rolezinho, no entanto, é muito interessante, seja pelo ponto de vista de como ele reflete a sociedade brasileira, seja como esse reflexo volta para os grupos, que se vão dando conta do tremendo papel político que desempenham. É evento vinculado ao culto ao consumo de ostentação. Nesse sentido, é importante evitar romantizações de que se trata de um evento de luta de classes de esquerda. Por outro lado, o resultado disso se assemelha a um processo muito semelhante, em que as camadas populares descem o morro e tomam conta de espaços que lhes foram negados. Ai então a sociedade reage, com raiva e rancor. A periferia sente na pele a exclusão, sente que não é benvinda e assim vai tomando cada vez mais conta de seu papel político.

A programação desses jovens não é nada novo também. Pelo Orkut ou pelo Facebook, jovens da periferia sempre se reuniram para passear, como acontecia no caso dos “bondes” que, pelo Orkut, se encontravam nos shoppings e nas praças. Eles se reúnem porque isso faz parte dos processos de pertencimento peculiares à cultura juvenil de grupos urbanos.

Se levarmos em consideração que o rolezinho é um processo e não algo novo, fica difícil perceber relação direta com os eventos do ano passado. No entanto, é claro que essa atmosfera de um Brasil injusto, que não pode mais se calar, acaba afetando e dando uma nova dimensão ao fenômeno. Ele vem a calhar em um momento em que a sociedade brasileira está se dividindo. De um lado, uma parte da população tem se revelado preconceituosa, racial e socialmente, e vem a pedir maior repressão (infelizmente essa massa vem de todas as classes sociais). Isso não é novo. Apenas isso está ficando evidente para mostrar ao mundo que de racismo cordial e velado não temos nada: temos um sistema cruel e perverso. De outro lado, onde eu acredito que está a grande maioria da população, tem uma parte esperançosa, cansada e sedenta por democracia. Essa parte é a mesma que apanhou da polícia em junho de 2013, que defende as populações indígenas, que é contra as remoções forçadas da Copa e que, finalmente, entende que os jovens da periferia tem o direito de ir e vir. ((Transcrito El País, Espanha)

 

MANDELA

Jesus disse: “Um profeta só é desprezado em sua terra e em sua própria casa” – Mt 13,57.

Jesus não é reconhecido como Deus em nenhum país do deserto. Para os árabes, o sexto profeta, Isa. A maioria dos judeus não acredita no Jesus histórico.

Xáquia-Múni, o Buda (Sidarta, nome pessoal), que viveu na Índia no século VI/V AEC, e é às vezes citado pelo nome do seu clã, Guatama, em sânscrito, Gotama, em páli, não fundou uma religião na sua terra natal. O budismo desenvolveu diversas variações: o singalês, o chinês, o japonês, o tibetano…

No entender dos budistas, o Buda Xáqui-Múni é um dos componentes da longa e continuada linha de Budas, o próximo será conhecido como Maitreya. Os israelitas continuam na espera do Messias.

Vale para os verdadeiros heróis e mártires de um país. E líderes políticos.

A imprensa da pátria de Mandela é conservadora e ocidental (branca). Não representa o povo.

JORNAIS DA ÁFRICA DO SUL

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JORNAIS DO BRASIL

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Até onde a imprensa ama os negros para santificar Mandela?

Mandela era chamado pela imprensa internacional de terrorista. Hoje esta mesma imprensa consagra Mandela como pacifista.

Mandela foi preso por ser negro.

Mandela lutou contra o apartheid negro… coisa que existe no Brasil. Quem já disse e ouviu esta frase entende o que falo: – Negro! conheça seu lugar! Isso começa desde os tempos de criança. Escolas públicas dos negros. Escolas privadas dos brancos.

Recentemente foram construídos os muros do prefeitinho do Rio de Janeiro. Ninguém reclamou.

Toda favela é um gueto. Negro sai da favela para jogar futebol pros brancos. Negra sai da favela para dançar o globeleza.

Bolsa Família ganha o Nobel Social

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O governo não tem como não comemorar. Polêmico no Brasil, onde é alvo de ataques em razão de falhas pontuais e, também, pelo que é visto por muitos como ‘caráter assistencialista’, o programa Bolsa Família acaba de receber aquele que é considerado o prêmio Nobel da seguridade social.

Trata-se do Award for Outstanding Achievement in Social Security, concedido pela Associação Internacional de Seguridade Social. Com sede na Suíça, essa entidade foi fundada em 1927 e é reconhecida por 157 países e 330 organizações não governamentais. O grande prêmio, concedido depois de uma série de pesquisas in loco, só é concedido a cada três anos.

O Bolsa Família, que está completando 10 anos de existência no atual formato, foi considerado pela ISSA como “uma experiência excepcional e pioneira na redução da pobreza e na promoção da seguridade social”.

Em coletiva de imprensa concedida no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), nesta manhã, em Brasília, a ministra de Desenvolvimento Social e Combate à Fome, Tereza Campello, afirmou que a “premiação internacional reconhece o esforço do país para construir uma rede de proteção social”.

O instituto apresentou um estudo inédito sobre o impacto da iniciativa, que completa dez anos, na economia. De acordo com Marcelo Neri, presidente do Ipea, se o Bolsa Família fosse extinto, a pobreza passaria de 3,6% para 4,9%. “É um impacto de 28% e o efeito aumenta ao longo do tempo”, afirma Neri.

Ainda segundo o estudo, apresentado por ele, “cada real gasto com o Bolsa Família impacta a desigualdade 370% mais que a previdência social” e faz a economia girar 240%. O presidente do Ipea afirmou que, comparado com outras despesas, o programa consome poucos recursos (0,5% do PIB). “Os EUA gastam 2% do PIB com programas sociais, e os países europeus ainda mais”, lembrou.

Leia a íntegra do estudo aqui.

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Papa Francisco: “Recomeçar a partir de Cristo significa não ter medo de ir com Ele até às periferias”

A vocação de ser catequista

A vocação do catequista consiste em «ser», e não em «agir». Por isso, quem educa para a fé deve «guiar rumo ao encontro com Jesus, com palavras e com a vida, com o testemunho», sem ter medo de «sair» dos próprios esquemas para seguir Deus, porque «Deus vai sempre além», recordou o Papa Francisco aos participantes no congresso internacional de catequese, recebidos na parte da tarde de 27 de Setembro, na sala Paulo VI.

Para o Pontífice, ser catequista exige sobretudo «amor» a Jesus e ao povo de Deus. «E este amor — explicou — «não se compra nas lojas», mas «vem de Cristo», é «um presente de Cristo».

Então, o que fazer para ser um bom catequista? «Falarei — disse — de três elementos: um, dois e três, como faziam os antigos jesuítas… um, dois e três!». O primeiro elementos «é permanecer com o Mestre, ouvi-lo, aprender dele. E isto é sempre válido, é um caminho que dura a vida inteira». O segundo elemento é «recomeçar a partir de Cristo, que significa imitá-lo ao sairmos de nós mesmos para ir ao encontro do próximo. Trata-se de uma experiência bonita e um pouco paradoxal. Por quê? Porque quem põe Cristo no centro da própria vida, acaba por se descentrar-se a si mesmo! Quanto mais nos unirmos a Jesus e quanto mais Ele se tornar o centro da nossa vida, tanto mais Ele nos fará sair de nós próprios, descentrando-nos e abrindo-nos aos outros». Enfim, o terceiro elemento «está sempre nesta linha: recomeçar a partir de Cristo significa não ter medo de ir com Ele até às periferias».

E quanto ao modelo de catequista ao qual se refere, o Papa foi explícito: «Se o cristão sai pelas ruas — segundo o exemplo usado pelo Pontífice — se vai às periferias, pode acontecer-lhe um acidente… Mas digo-vos que prefiro mil vezes uma Igreja acidentada do que uma Igreja enferma»; «um catequista que tenha a coragem de correr o risco de sair, do que um catequista que estuda, sabe tudo, mas permanece fechado».

 
 

Papa Francisco na favela: “Nenhum esforço de ‘pacificação’ será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma”

A visita do Papa Francisco a uma favela do Rio é destaque na imprensa internacional. Informa El País, Espanha: “O Papa avalia a luta dos indignados. O pontífice anima os jovens a  protestar contra a corrupção.  O Papa, até que enfim, chegou à periferia”.

Disse o Papa: Que bom poder estar com vocês aqui! Desde o início, quando planejava a minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste País. Queria bater em cada porta, dizer “bom dia”, pedir um copo de água fresca, beber um “cafezinho”, falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós… Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então escolhi vir aqui, visitar a Comunidade de vocês que hoje representa todos os bairros do Brasil.

Desde o primeiro instante em que toquei as terras brasileiras e também aqui junto de vocês, me sinto acolhido. E é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração. Isso é assim porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo –
não ficamos mais pobres, mas enriquecemos. Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode “colocar mais água no feijão”! E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração! E povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda.

Na hora que Francisco visitava uma casa que recebe o bolsa-família, a Imprensa brasileira não perdoa. Um jornaleco conservador circulava com sua manchete de ódio e desprezo pelo povo:

BRA_NOTA camapnha contra o bolsa-família

Diferentemente da imprensa brasileira, escreve o jornalista espanhol Pablo Ordaz: El papa Francisco llegó por fin a la periferia. Después de repetir una y otra vez desde hace cuatro meses que la Iglesia debe abandonar el centro —los cómodos palacios del ensimismamiento— y buscar los arrabales del mundo, allá donde falta el pan y la justicia, Jorge Mario Bergoglio llegó a una favela de Río de Janeiro, se mezcló con su gente y lanzó un mensaje muy nítido: “Ningún esfuerzo de pacificación será duradero para una sociedad que ignora, margina y abandona en la periferia a una parte de sí misma. La medida de la grandeza de una sociedad está determinada por la forma en que trata a quien está más necesitado, a quien no tiene más que su pobreza”.

Después de recorrer Varginha, una barriada de unas 2.000 personas en el corazón de la favela de Manguinhos, el Papa dirigió un mensaje a los jóvenes, verdaderos protagonistas de las últimas protestas en Brasil, para pedirles que no se abandonen al desánimo: “Ustedes tienen una especial sensibilidad ante la injusticia, pero a menudo se sienten defraudados por los casos de corrupción, por las personas que, en lugar de buscar el bien común, persiguen su propio interés. A ustedes y a todos les repito: nunca se desanimen, no pierdan la confianza, no dejen que la esperanza se apague. La realidad puede cambiar, el hombre puede cambiar. No se habitúen al mal, sino a vencerlo”.

Desde que emprendió el viaje a la Jornada Mundial de la Juventud (JMJ), las principales intervenciones de Bergoglio —las palabras a los periodistas en el vuelo papal, la homilía en el santuario de Aparecida, su mensaje ante los drogodependientes del hospital de San Francisco de Asís y su discurso en la favela— han estado caracterizadas por un marcado contenido social. Sus intervenciones no pretenden circunscribirse a la comunidad cristiana, sino ir mucho más allá. El Papa argentino utiliza con habilidad el altavoz de su popularidad para tratar de influir, de cambiar las cosas. Una y otra vez, Bergoglio presenta a la Iglesia como acompañante de los buenos propósitos, nunca como único y excluyente camino. Ante los muchachos golpeados por las drogas o los desheredados de las favelas, utiliza la misma fórmula: “La Iglesia no es ajena a sus fatigas, sino que los acompaña con afecto”.

El Papa de la sonrisa y el utilitario no presenta jamás a Jesús como el Todopoderoso que todo lo ve, dispuesto a condenar al infierno a quien se pase de la raya, sino como un Cristo que dudó y sufrió en la cruz, dispuesto siempre a echar una mano. Tal vez pertenezcan a la misma empresa y vendan el mismo producto, pero el cardenal español Rouco Varela —por poner solo un ejemplo— y el obispo argentino de Roma utilizan aromas muy distintos. De las bolas de alcanfor al agua fresca. De la resignación cristiana a la santa indignación.

En su discurso en la favela, Jorge Mario Bergoglio dijo: “Me gustaría hacer un llamamiento a quienes tienen más recursos, a los poderes públicos y a todos los hombres de buena voluntad comprometidos en la justicia social: que no se cansen de trabajar por un mundo más justo y más solidario. Nadie puede permanecer indiferente ante las desigualdades que aún existen en el mundo. Que cada uno, según sus posibilidades y responsabilidades, ofrezca su contribución para poner fin a tantas injusticias sociales. No es la cultura del egoísmo, del individualismo, que muchas veces regula nuestra sociedad, la que construye y lleva a un mundo más habitable, sino la cultura de la solidaridad; no ver en el otro un competidor, sino un hermano”.

Al llegar a la favela de Varginha, el papa Francisco tardó dos frases en meterse a la gente en el bolsillo. Dijo que, ya desde el principio, al programar el viaje a Brasil, su deseo era visitar los barrios: “Habría querido llamar a cada puerta, decir buenos días, pedir un vaso de agua fresca, tomar un cafezinho, ¡no un poco de cachaza [aguardiente de caña]!, hablar como amigo de casa, escuchar el corazón de cada uno, de los padres, los hijos, los abuelos. ¡Pero Brasil es tan grande! Así que elegí venir aquí…”. Al corazón de la pobreza y la violencia. Hasta hace siete meses, el control de la favela de Manguinhos lo ejercían los narcos locales, a tiro limpio contra la policía y los sicarios vecinos. Ahora existe una paz precaria, artificial, impuesta a culatazos.

De las 500 favelas de Río, solo unas 20 han sido pacificadas. Son la excepción. La realidad es más dura. El 6% de los brasileños —unos 11 millones de personas— sigue viviendo en favelas donde los servicios más básicos son artículos de lujo. La visita cordial del papa Francisco los sacó de la invisibilidad por unas horas. Amara Oliveira, de 82 años, incluso se hizo la manicura. Su casa fue una de las preseleccionadas para recibir al Papa. En los días anteriores a la visita contó que toda su vida trabajó de taquillera en un cine, pero que ni siquiera le alcanzó para ver una película. Es el destino de una estirpe que tiene prohibido hasta soñar.

Niños se acercan a Francisco en un favela de Río. / YASUYOSHI CHIBA (AFP)
Niños se acercan a Francisco en un favela de Río. / YASUYOSHI CHIBA (AFP)

Vídeo

INUNDACIONES, FALTA DE INVERSIONES Y ESPECULACION INMOBILIARIA SON LOS PRINCIPALES PROBLEMAS

Los grandes centros urbanos constituyen ámbitos significativos para el crecimiento económico y la gobernabilidad. A la vez, la pobreza urbana, la segregación socioespacial y desequilibrios de distinta naturaleza adquieren mayor intensidad en esos espacios

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Por Rodrigo Carmona

Las últimas inundaciones producidas en la Ciudad de Buenos Aires y La Plata han puesto en cuestión un modo de gestionar y gobernar ciudades en la Argentina. Las trágicas consecuencias del temporal, donde se combinan factores diversos –especulación inmobiliaria, falta de inversiones claves en infraestructura, mayor intensidad de precipitaciones, ausencia de planificación urbana y de un sistema eficaz de mantenimiento y contingencia–, dan cuenta de la necesidad de replantear las formas de intervención pública en la materia. Hacer frente a problemas de gran envergadura y complejidad, en este caso vinculado a desastres naturales aunque también extensivo a otras áreas sensibles (seguridad, situación socioeconómica, contaminación ambiental, residuos y transporte), aparece como uno de los retos fundamentales que tienen los centros urbanos y áreas metropolitanas en la actualidad.

Ello muestra una tendencia general expresada en importantes migraciones hacia los núcleos urbanos grandes y medianos. Este proceso se manifiesta con claridad en las áreas metropolitanas tradicionalmente receptoras y en ciudades medianas con crecimiento fuerte en los últimos años.

Las ciudades se convierten así en portadoras de distintos cambios y contradicciones, producto de los procesos de transformación en curso. Por un lado, estos territorios constituyen ámbitos significativos para el crecimiento económico y la gobernabilidad. Por otro, fenómenos tales como la pobreza urbana, la segregación socioespacial y desequilibrios de distinta naturaleza adquieren mayor intensidad en este tipo de espacios. Según destacan algunos autores, en el debate sobre políticas urbanas es posible identificar distintas tendencias de cambio e innovación. En primer lugar, frente a las políticas de carácter homogéneo y generalista en el tratamiento de los problemas urbanos se resalta la importancia puesta en reconocer las especificidades de los territorios de modo de adaptar las agendas y las formas de intervención a las particularidades de cada lugar. Al mismo tiempo, se enfatiza en la voluntad de propiciar procesos de transformación sobre la base de un enfoque estratégico que combine diagnóstico, prospectiva y actuaciones desde una lógica de tipo transversal e intersectorial. Se pone el acento también en el despliegue de redes e interacciones entre los múltiples actores –gubernamentales y sociales– involucrados en el territorio. Estos aspectos resaltan así una nueva concepción de política urbana centrada en fortalecer los elementos de proximidad y de participación de los actores implicados.

La situación existente en gran parte de las ciudades muestra en general gobiernos con escasas acciones innovadoras. Para ello confluyen debilidades administrativas e institucionales de larga data, problemas de coordinación intergubernamental, liderazgos políticos poco trasformadores e inconvenientes en el plano de la articulación con los actores sociales y la canalización de sus demandas. El análisis de estos factores, igualmente, varía según la historia y particularidades de cada urbe.

Una impronta política restrictiva en términos de regulación y control (con fuerte primacía del negocio inmobiliario), un nivel de asistencia deficiente a los damnificados y limitaciones claras en la contención de la crisis (incluida la ausencia de sus principales autoridades), fueron así las postales distintivas de la inundación en esos distritos. Leer más