EUA: Maior greve dos trabalhadores das petrolíferas dos últimos 35 anos

No passado domingo, 8 de fevereiro, cerca de 1.500 trabalhadores da BP entraram em greve, juntando-se aos cerca de 3.800 trabalhadores da Shell que no domingo anterior iniciaram maior greve do sector nos EUA desde 1980.
por Bruno Góis

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Greve na Shell

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O sindicato dos metalúrgicos USW -United Steelworkers Union convocou a greve depois do insucesso das negociações com a petrolífera Shell Oil Co.

O vice-presidente do sindicato Gary Beevers sublinha que “esta paralisação é por causa de trabalho extraordinário penoso, números de efetivos abaixo dos níveis de segurança, condições de trabalho perigosas que a indústria continua a ignorar, ocorrências diárias de incêndios, emissões, vazamentos e explosões que ameaçam as comunidades locais sem que a indústria faça muito a esse respeito“.

A greve foi convocada para cinco instalações do Texas, duas da California, uma no Kentucky e uma no estado de Washington. Entre estas nove destaque para a LyondellBasell em Houston, a Marathon Galveston Bay Refinery na cidade do Texas City, e a Marathon Refinery, de Catlettsburg, no Kentucky.

Ao nível do setor petrolífero, o sindicato dos metalúrgicos USW representa mais de 30.000 trabalhadores de 65 refinarias, e mais de 230 terminais, centrais petroquímicas e gasodutos de vários pontos dos EUA, os quais produzem cerca de dois terços do petróleo dos EUA. A nível nacional, o USW representa 850 mil homens e mulheres que trabalham nos setores do metal, mineração, papel e celulose, borracha, produtos químicos, vidro, auto, e indústrias produtoras de energia, juntamente com um número crescente de trabalhadores ao serviço do setor público.

“Não tínhamos outra escolha que não fosse convocar a greve”, afirmou Leo W. Gerard, presidente da USW International. As negociações para um novo contrato iniciaram-se a 21 de janeiro. Em menos de duas semanas, após rejeitar a quinta proposta de contrato, o sindicato dos metalúrgicos USW decidiu convocar greve. De acordo com o sindicato, os representantes da Shell recusaram-se a apresentar uma contraproposta e abandonaram a mesa das negociações.

Gary Beevers, Vice Presidente da USW International, e responsável do Programa Nacional de Negociações do setor do Petróleo, acrescenta “Nós dissémos à Shell que queríamos continuar a negociar um acordo que beneficiasse os trabalhadores e a empresa, mas eles recusaram-se a regressar à mesa das negociações”.

 

Porquê também na BP?

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A adesão dos trabalhadores da BP de Whiting e Toledo sindicalizados no USW reforça a luta do setor. A BP em Whiting, no Estado de Indiana, tem cerca de 1.860 trabalhadores dos quais mil são metalúrgicos. E a unidade de Toledo, no Ohio, administrada em parceria com a canadiana Husky Energy, tem cerca de 600 trabalhadores, sendo que mais de metade são metalúrgicos.

O acordo a que o sindicato dos USW chegar com a Shell será determinante para a luta dos trabalhadores nas outras empresas do setor, uma vez que se trata de um contrato nacional que servirá de padrão para as negociações com os sindicatos a nível local. É preciso ter em conta que a Shell é o principal negociador nas conversações do National Oil Bargaining. Além desta, participam também as gigantes petrolíferas Exxon Mobil e Chevron.

A porta-voz do sindicato USW, Lynne Hancock, declarou que o sindicato luta por um contrato de três anos onde sejam satisfeitas as principais reivindicações no âmbito dos custos de saúde, segurança, limites ao uso de prestadores de serviços e preocupações com o número de efetivos, e ainda ao nível dos salários.

Tom Conway, vice-presidente da administração do USW International, considera que “as petrolíferas são demasiado gananciosas para fazer mudanças positivas nos locais de trabalho”, “continuam a colocar a produção e o lucro acima da saúde e da segurança, acima dos trabalhadores e da comunidade”, acrescentando: “esta é a indústria mais rica do mundo e pode bem suportar as mudanças que nós propusemos nas negociações”.

 

Cerca de 200 petroleiros são mantidos em cárcere privado na Bacia de Campos

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Sindipetro-NF

O Sindipetro-NF recebeu até às 12h de hoje informações de que em pelo menos 12 plataformas da Bacia de Campos ainda há petroleiros grevistas mantidos em cárcere privado. Nestas unidades, o número de trabalhadores que aderiram à paralisação e querem desembarcar chega a 199.

Sindipetro-NF orienta legítima defesa contra cárcere privado

Nesse momento, centenas de trabalhadores ainda são mantidos, contra a vontade, prisioneiros da Petrobrás, em cárcere privado nas plataformas de petróleo da Bacia de Campos.

Orientamos que os mesmos exijam o desembarque de todos os que aderiram à greve, em conjunto, ainda que para terem esse direito fundamental respeitado tenham que impossibilitar quaisquer outros voos nas unidades, com a ocupação dos helipontos de forma ordeira e pacífica.

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Entenda os processos judiciais

Ciente de que esse profundo desrespeito da Petrobrás para com os direitos humanos de seus empregados se verificaria mais uma vez, o Sindipetro-NF, na véspera do movimento, ajuizou Mandado de Segurança visando garantir o direito líquido e certo de desembarcar (169.850.2013).

Por sua vez, logo em seguida, a Petrobrás ajuizou Interdito Proibitório visando impedir a ocupação das salas de controle e a parada de produção.

Para a pretensão da Petrobrás – incabível em se tratando do exercício do Direito de Greve, e que viola a Liberdade Sindical, valor humano fundamental – a Justiça do Trabalho sequer ouviu o Sindicato, e já concedeu liminar às expressas, redigida perante os próprios advogados da empresa. Para o caso de descumprimento da liminar por parte do Sindipetro-NF, foi fixada a mesma multa diária da Greve de 1995: 100 mil reais!

Mas, para garantir um direito líquido e certo, e direito de se locomover para casa, ao qual a Petrobrás está obrigada pela Lei 5.811/72, a Justiça do Trabalho se mostra, mais uma vez, lenta. Decidiu primeiro ouvir a Petrobrás, para depois resolver. A empresa deixou para o fim do prazo para responder e o processo só na segunda feira vai para a mão do juiz para decisão.

Legítima defesa

Se a Justiça não defende os trabalhadores, eles mesmos devem se defender. Nessa legítima defesa, os petroleiros de algumas unidades mostraram o caminho: ocuparam o heliponto e as programações foram feitas. A ocupação foi feita de forma ordeira e pacífica.

O Sindipetro-NF orienta que se proceda da mesma forma, nas unidades aonde ainda há cárcere privado!

Inquérito policial apura cárcere privado

Como já divulgado, a Delegacia de Polícia Federal de Macaé recebeu a denúncia do cárcere privado coletivo, que será apurado no correspondente inquérito policial. O depoimento dos petroleiros será de fundamental importância.

Macaé, 19 de Outubro de 2013

Diretoria Executiva do Sindipetro-NF

Transcrito do Maria Flô