Hoje é dia da Greve Nacional d@s Trabalhador@s da Educação Nacional Pública

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Todo apoio à mobilização nacional dos professores

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Por Patrícia Cornils, especial para ‪#‎JornalistasLivres‬

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Os professores do Paraná estão em greve para impedir que lhes seja retirado um direito.

A mobilização de ontem (29/04) era contra a aprovação do projeto de lei 252/2015, que compromete a saúde financeira do ParanaPrevidência, o regime da previdência social dos servidores públicos do Paraná.

O projeto, que transfere para a ParanaPrevidência 33,5 mil beneficiários, foi aprovado de portas fechadas pela Assembléia, enquanto policiais, bombas, jatos de água, balas de borracha, gás e cachorros reprimiam a manifestação do lado de fora.

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Não é só no Paraná que há greve. Além de São Paulo, onde a greve dos professores do estado já dura 45 dias, a categoria está parada no Pará, em Santa Catarina, na Paraíba, e em Pernambuco. Seis estados. Em mais dois há assembléias esta semana e pode haver greve: Minas Gerais e Bahia. Há greve também em vários municípios e as as pautas são variadas. As demandas de cada um deles podem ser vistas nesta tabela da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE).

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Além disso, hoje é dia da Greve Nacional d@s Trabalhador@s da Educação Nacional Pública. A greve faz parte do calendário anual de mobilização da CNTE. Sua pauta é: cumprimento do piso salarial do magistério e planos de carreira; cumprimento das metas e prazos do Plano Nacional de Educação (PNE), cumprimento da Meta 17 do PNE, de equiparação à média salarial de outras categorias de funcionários públicos, elaboração democrática dos planos estaduais e municipais de educação e contra a terceirização. (link: http://cnte.org.br/…/14726-dia-30-de-abril-greve-nacional-d…)

O que querem os professores? Querem manter direitos já conquistados e receber reajustes em seus salários. E querem que medidas para melhorar as condições da educação no país, previstas em lei, sejam colocadas na prática. O Piso Salarial do Magistério, por exemplo, é cumprido somente em nove estados (PI, MA, AC, MT, MS, SP, DF, RR e TO), apesar de o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido sua constitucionalidade em 2011.

Mesmo em estados onde o piso (R$ 1,9 mil) é respeitado, o que os governadores fizeram foi achatar as tabelas salariais dos professores, dando reajustes apenas a quem recebia abaixo do piso e diminuindo a diferença de salários entre professores com ensino médio e com ensino superior.

Os professores querem os recursos da partilha do pré-sal para educação e querem a regulamentação do fundo do pré-sal, cujos recursos hoje vão para o Ministério da Educação, para que o dinheiro chegue a estados e municípios.

E querem algo que ainda não está na lei: diretrizes nacionais de carreira para os professores. Hoje essas diretrizes são feitas por leis específicas de cada estado e dependem da correlação de forças em cada um deles.

O plano de carreira é a Meta 18 do PNE. Vai estabelecer diferenças mínimas de salários entre professores formados no ensino médio, superior, com pós-graduação. Vai estabelecer como são as promoções, valorizar tempo de serviço e cursos. Em 2003 foi apresentado um projeto de lei para estabelecer diretrizes nacionais — e o projeto não tramitou, ficou parado.

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Agora vejam esta pauta de defesa da educação pública no país. Consultem a tabela das pautas dos estados e municípios. E pensem se é possível imaginar que a luta por elas resulte na pancadaria de ontem no Paraná. Ou na negação, pelo governador de São Paulo, da existência de uma greve iniciada há um mês e meio. Os professores estão em mobilização nacional. E merecem todo o nosso apoio.

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#JornalistasLivres

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Até os jornais conservadores reconhecem. Que governadores e prefeitos  desprezam a Educação. É um complô contra o ensino público.
Até os jornais conservadores reconhecem. Que governadores e prefeitos desprezam a Educação. É um complô contra o ensino público.

Policiais em greve ocupa Assembléia e pede piso de R$ 7.250

BRA^GO_HOJE Goiás greve piso de 7.250

Juiz pode fazer greve sim.

Cobrador de imposto pode sim.

Polícia pode sim, senhor.

E ninguém puxa o gatilho para atirar balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral.

O único gatilho que se puxa é o salarial.

São as três únicas categorias com direito de greve garantido no Brasil, de greve na mais santa paz, e com plano de carreira. Quando sobe o salário do soldado raso, o do coronel passa do teto constitucional. Quando o piso do juiz sobe, o desembargador pisa nas nuvens – que o céu é o limite. Também ninguém fiscaliza o salário do fiscal.

E o professor, por exemplo, tem plano de carreira? Tem. Fez greve tem de correr da repressão policial. É uma carreira sem fim para não apanhar, não ser preso, quando faz passeata e piquete. Que lugar de professor é na sala de aula, formando o futuro do Brasil, educando crianças e jovens que vão ser amanhã ministros dos tribunais supremos, cobradores de impostos, fiscais, delegados, coronéis das polícias militares, oficiais das forças armadas, legisladores e governantes da Ordem e do Progresso.

A polícia ocupar a Assembléia um direito. Quando é um estudante, os crimes horrendos de terrorismo, vandalismo e anarquismo.

São José do Rio mais do que Preto
São José do Rio mais do que Preto

Professores do Rio decidem pela continuação da greve

A assembleia da rede estadual votou pela continuidade da greveinicada no dia 8 de agosto. Mais de 500 profissionais daeducação estiveram presentes na assembleia realizada no ClubeMunicipal. A próxima assembleia foi marcada para o dia 24 deoutubro (quinta-feira), às 14, em local a confirmar.

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A categoria reivindica reajuste de 20%, melhores condições detrabalho, 30 horas semanais para funcionários, democracia nas escolas – eleição para diretor de escola, fim do plano demetas e do projeto Certificação e a derrubada do veto do governador Sérgio Cabral ao artigo do Projeto de Lei 2.200,que garante uma matrícula de professor em apenas uma escola.

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A imprensa desvaloriza o professor

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O Dia do Professor foi festejado com marchas de protesto por todo o país. É uma profissão que a imprensa e os governos juram exaltar. E usam os sinônimos mestre, docente, educador, formador, instrutor, mentor, orientador, pedagogo, preceptor etc. Dizem que o futuro da Nação depende da formação de mão de obra qualificada e outras conversas jogadas fora de que o professor é um vocacionado, e a profissão um apostolado. Mas determinam um lugar para o professor: a sala de aula, e que não deve ir para a rua. Ou melhor, não tem nada a reivindicar, a reclamar, a idealizar e a sonhar.

Quando o professor abandona as quatro paredes da escola provoca o caos, a anarquia, o vandalismo, atrapalha o trânsito, faz política contra governadores e prefeitos que investem na Educação e na qualidade do ensino público.

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ESCOLA PÚBLICA: TRISTEZA E DOR!

por Eduardo Aquino

Esta semana, conversando com um dos professores mais dedicados, talentosos e idealistas que conheci nestes trinta anos, ouvi ao final de uma avaliação que fazíamos sobre a crise da educação: “Aquino, estou morrendo a cada dia que entro na escola. E essa doença é mais terrível que qualquer outra, morro diariamente de tristeza e dor na alma, da angústia de quem ama a educação!”.

Fiquei triste pois tenho um especial carinho pela educação. Em especial, pela classe dos professores, heróis anônimos de guerras diárias e anônimas. Fui, nestas últimas três décadas, testemunha e parceiro em diversas tentativas de valorização, estruturação e renovação da mais nobre das instituições criada pela civilização que é a escola. Base de tudo, início de tudo, ela tem a maior das responsabilidades dentro de uma sociedade que se pretende minimamente saudável e justa. Que o diga países como a Coréia do Sul e outros asiáticos que radicalizaram e colocaram a formação escolar como o bem mais crucial e duradouro para se pensar uma nação. Dito e feito: passou de uma nação subdesenvolvida, pobre e inviável para uma potência de ponta, um “tigre” que hoje dá aula para o mundo! Um professor coreano é quase um ídolo, tal a nobreza, a admiração que desperta. Alguns, ao darem aulas na internet, têm mais acesso que cantores pop, atletas famosos, artistas de cinema. Carreira disputada, bem remunerada, mas, principalmente, respeitada por alunos, pais, governo e sociedade.

Mas porque começar por um caso de sucesso absoluto se o tema é a triste realidade da Educação no Brasil? Singelamente para lembrar que até o mais caótico e desesperador caso de abandono, carência e abuso tem sempre um contra-ponto profundo, uma esperança perseverante. Por que um psiquiatra vem aqui para falar do atual momento das comunidades escolares? Passei 25 anos da minha vida dando palestras, fazendo cursos, projetos, escrevendo livros parapedagógicos para escolas privadas e públicas, assim como atendendo pais, alunos e educadores na minha clínica.

FALÊNCIA MÚLTIPLA

E fui constatando o adoecimento crônico desta comunidade. Está havendo uma falência múltipla de órgãos: começa no MEC e vai impiedosamente devastando o setor, os políticos, a péssima formação universitária, o abominável avanço de ano automático e seus analfabetos funcionais em ensino médio, o abandono absoluto das escolas, infectadas pela violência, desinteresse absoluto das últimas gerações de estudantes, pais ausentes, absenteísmo de professores, salários incompatíveis com o alto grau de estresse e periculosidade que é a profissão de educador.

Volto a advertir e disponibilizo para quem se interessar o site wwwbemvindoavida.com.br. Nele, o projeto Ecologia Humana nas Escolas mostra que é urgente e imprescindível a inserção das Ciências do Comportamento como matéria paradidática. Mostra também que toda comunidade escolar deveria ter uma equipe de saúde ligada ao psiquismo, como psiquiatra, psicólogo, psicopedagoga e professores que se interessem por temas como neurociência e outras ciências comportamentais, permitindo atendimento nas comunidades escolares, ainda que à distância.

Quem dera se a grande mídia tivesse espaço para programas lúdicos e interessantes que democratizassem para todos temas que andam espalhando a angústia pela humanidade. Afinal, parte grande destas “escolas doentes” está contaminada por transtornos e distúrbios comportamentais que acometem igualmente professores, pais, alunos e funcionários.

Há muitos falsos diagnósticos de hiperatividade infantil, desordens escolares e distúrbios de aprendizado que, no fundo, são causados por sono insuficiente, excesso de telas, falta de limites, bebidas, drogas e sexo banalizado.

DESÂNIMO

Impressiona o número de professores com distúrbios mentais, desanimados, infelizes e temerosos da agressividade dos alunos (com a Síndrome de Burnout). Hoje, mal ou bem comparando, vejo uma similaridade com os antigos instrutores da Febem, que enfrentavam a cada dia o inferno da “reeducação de infratores”.

O primeiro passo é repensar a estrutura física das escolas, achar uma alternativa aos arqueológicos quadros negros, criar um ambiente que volte a dar, desculpe o termo, mais “ tesão” para quem ensina, aprende e frequenta a escola.

Quem age constrói, quem reage destrói. Sei que a maioria das pessoas tem ótima índole, mas pecam por serem silenciosas e passivas. De escândalo em escândalo, nos roubam as verbas da merenda escolar, desviam dinheiro para equipar a saúde pública, enterram na Suíça o orçamento das moradias e sanitarismo. E nós não falamos nada. Que direito teremos de reclamar da pocilga que habitamos?

Só lembrando: a palavra mestra é ESTÍMULO! Pois só ele gera resposta. Chega desse papo de motivação. Ninguém aguenta a cada dia criar “motivos” para viver, mudar, criar um novo tempo! (transcrito de O Tempo)

Greve dos professores do Rio de Janeiro. Passeata da Candelária

Os professores do Estado do Rio, desde agosto, vêm realizando uma série de passeatas escondidas pela imprensa, que apenas destaca os confrontos manjados entre infiltrados e soldados estaduais comandados por Sérgio Cabral.

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Passeata da Candelária/ Assembléia Lesgilativa do Rio de Janeiro.

Professores no Rio: uma categoria destroçada

Relato de uma professora sobre a greve da educação

 

Larissa Costard.

Tenho pouco mais de cinco anos atuando como professora no município do Rio de Janeiro. Nesse tempo já vi de tudo. Já vi assédio moral, já vi diretor participando de paralisação, já vi aprovação automática na famigerada gestão César Maia (quando entrei, peguei seu último ano explícito, agora ela existe veladamente), mas nunca vi o que rolou esse ano. Cheguei à rede municipal do Rio com uma categoria destroçada, participei de assembleias bastante esvaziadas. A primeira coisa, então, é que mal sabem os de fora o orgulho que os professores sentem de estar em assembleias e passeatas que chegaram a congregar 20 mil (números da PM) nas ruas, principalmente profissionais da educação, em defesa de uma educação pública de qualidade.

Assembleia de professores em agosto de 2013
Assembleia de professores em agosto de 2013

Sem dúvida a mobilização de profissionais da educação foi estimulada pela Primavera Carioca [1] e pelas jornadas de junho. Muitos voltaram a participar da política a partir daí. A partir daí reconhecemos que a rua é nossa, e eles é que tem que nos engolir, não o contrário. Profissionais passaram a reconhecer que seu sindicato não é uma entidade com personalidade própria e começaram a disputar as políticas com garra, no peito e na raça. E aí começamos também a refletir o estado da nossa rede de educação. Vi a greve nascer numa assembleia com mil decretando o estado de greve, e a vi crescer, ao lado de afetos que carrego desde a graduação.

A meu ver, nossas reivindicações se pautavam em dois eixos principais: a carreira de profissional da educação e o projeto político pedagógico da prefeitura do Rio. De um lado, a reivindicação de valorização profissional numa cidade totalmente elitizada, com o custo de vida explodido, é fundamental. Nos meus poucos anos já vi esse salário sendo erodido pelo projeto de uma cidade-empresa dos megaeventos e minhas tentativas de valorização profissional, através de especialização, foram frustradas. A prefeitura do Rio de Janeiro não valoriza os professores que buscam maior e melhor formação, o que resulta em anos e anos de pós-graduações que não se revertem em melhoria nas condições de trabalho nem em salário.

Ouvi muitas vezes que a reivindicação salarial é uma demanda egoísta do professor. Sobre isso, algumas considerações: ainda que a greve fosse só por salário, me desculpem, mas como qualquer profissional de qualquer área, é meu direito reclamar. Esse juízo de valor resulta de uma visão de professor não-profissional, a “tia da alfabetização” que dava aula por amor, não por dinheiro. Como profissional (quase doutora em História), exijo para mim remuneração condizente com a minha responsabilidade.

A segunda coisa, que vale sempre lembrar, sobre a avaliação que reivindicação salarial é egoísta, é que professor mal remunerado é professor que tem que trabalhar turnos extras. E cada turno extra representa, no caso da minha disciplina, 4 turmas a mais. Cada turma com 44 alunos (realidade da minha escola, há escolas com mais alunos por turma). Faça as contas. Imaginem-me agora em semana de prova… me imaginem passando pesquisa para estas crianças? Como corrigir, como dar a atenção necessária? E não, não acreditem na Thatcher da educação quando ela diz em entrevista no rádio que professor “gosta de dar uma aulinha de noite”. Então, para a galera moralista que diz que professor não pode brigar por salário, fica a dica que não somos missionários e que professor bem remunerado é professor com menos turmas, e por isso, trabalho de mais qualidade para cada uma delas.

Passeata dos professores no Rio
Passeata dos professores no Rio

A segunda questão em torno da qual giravam nossas demandas, expostas pela mídia como “demandas pedagógicas”, diziam respeito ao projeto de educação da prefeitura. Desde o primeiro ano da gestão Paes-Costin começaram a ser implementados os projetos intervencionistas que atacam o cerne do nosso trabalho e nos impedem de dar uma educação humanista e crítica para esses discentes.

O primeiro projeto “entubado”, chamado “Realfa”, visava às crianças que já no fundamental II ainda não sabiam ler e escrever (sim, a aprovação automática deixou um saldo de muitos analfabetos no nono ano de escolaridade). Recebido como uma coisa positiva, esse projeto já iniciava a prática do professor polivalente, ou seja, um especialista de disciplina que daria “todas as matérias”. Na verdade, o ensino de História, Geografia, Ciências ficara totalmente marginalizado, o foco era em realfabetizar e ensinar as operações básicas de matemática.

Depois deste projeto veio o “Acelera”, cujo público alvo eram as crianças de oitavo ano que estavam “fora da faixa etária” (sic) – cabe ressaltar aqui que fora da faixa para a prefeitura era uma defasagem de mais de um ano da idade esperada na série. Ou seja, reprovou uma vez, já era. Entrou na escola tarde demais, já era. Saiu da escola por algum tempo, já era. O tempo de aprendizagem não pode esperar. Nesse projeto os jovens cursariam o oitavo e o nono ano juntos, sendo “despejados” no ensino médio, custe o que custar. A novidade veio no ano passado, o último projeto, voltado para as crianças de sétimo ano. Todos os repetentes seriam enviados para uma classe especial, o projeto chamado “Nenhum Jovem a Menos”, onde cursarão múltiplas séries em um ano, com vistas a não “se atrasarem”.

Todos esses projetos têm inúmeras nuances e questões, mas gosto de ressaltar duas: primeiro, o professor polivalente perde sua capacidade de elaborar e selecionar o material didático que quer usar – os mesmos são fornecidos pela Fundação Ayrton Senna e Fundação Roberto Marinho – e não pode fazer as avaliações de seus alunos, que vem verticalmente elaboradas pela Secretaria de Educação/Fundações; segundo, esses alunos, fora de série alguma, não podem ser reprovados e não fazem as provas oficiais que geram os índices que fazem o ranking da educação nacional. Não é de se estranhar que o Rio tenha saído de 26º para 14º lugar nos primeiros anos da gestão Paes. Nunca vi um projeto de educação dar efeito tão rápido. Na verdade, os alunos considerados “problema” não estão participando destes índices.

Além dos projetos, apostilas elaboradas e bem pagas para serem impressas também vêm chegando há algum tempo nas nossas salas de aula — ainda que excelentes profissionais de área, ligados à pedagogia e à universidade, venham reelaborando os livros didáticos e seja possível encontrar alguns com conteúdo atualizado e inclusive bem amarrados no politicamente correto. Recursos, aliás, para pagar investimento em material é o que não faltam: data show, educopédia (um site que disponibiliza um conjunto de aulas virtuais para os professores apresentarem a seus alunos – e que ainda tem a indecência de serem consideradas “formação continuada”).

Mas não tem recurso para professor. Esse sim, é bicho em extinção no projeto da Secretaria. Não é à toa que os ginásios experimentais, as tais escolas ‘GENTE‘ com tutores, a substituição do espanhol pelo inglês, vem cada vez mais dispensando professores, esse não faz parte do projeto de educação (que aqui não está narrado nem em um terço de seu rosário). Assim, com essa gestão, perdemos o que tínhamos de mais caro no processo pedagógico: a autonomia de atender as necessidades de nossos alunos. Tudo é genérico, vale do aluno do Leblon, aquele que estuda na escola pública que fica dentro do condomínio na Barra, passando pelo da favela de Santa Cruz. Não, não é feito para funcionar.

Eis então, que surge o PCCR (Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações) da Prefeitura do Rio de Janeiro, que une as duas frentes da nossa luta. Ataca diretamente a nossa carreira e institucionaliza o projeto de educação a partir da reforma do quadro de professores. Todos os parquíssimos benefícios só valem para os professores que migrarem para 40 horas semanais, sem a remuneração condizente (o salário nem se compara ao pago nos colégios federais), eliminando aqueles que trabalham nos regimes de 16 horas (fundamental II), 22,5 horas (fundamental I) e os 30 horas (modalidade especial do professor de fundamental II).

O plano institucionaliza a separação entre professor e pesquisador, desautorizando-nos a produzir o conhecimento (logo, criando cada vez mais profissionais com dificuldade de criticá-lo) quando afirma que as pós-graduações valorizadas serão somente as da área de educação (não que esta não seja importante, mas o professor precisa ter o direito de escolher a área que deseja pesquisar); institucionaliza o professor polivalente (extinguindo as carreiras de PI e PII – respectivamente professor de 6º ao 9º e os de 1º ao 5º anos), criando o professor de educação básica, que pode atuar em qualquer área. Esses são alguns exemplos de como o PCCR mata, via carreira do professor, não só nosso futuro profissional como a educação crítica e de qualidade.

Veja vídeo

A greve, então, ganha contornos muito especiais. Diz respeito à defesa de uma educação pública de qualidade, luta contra a morte da escola pública. E nessa batalha de vida ou morte nos encontramos até hoje. Literalmente. Nesses dias de luta e de cansaço, conhecemos e nos fizemos guerreiros. Reinventamos nosso papel social e levantamos a cabeça como profissionais de educação. Não queremos esse projeto, não queremos essa carreira, não queremos esses alunos que nos querem empurrar.

Queremos qualidade na educação, queremos fazer nosso trabalho com dignidade, queremos lutar pelos filhos e filhas da classe trabalhadora, dos quais o direito de educação está sendo tirado com esse plano terrível. Estivemos juntos nesses dias, e acreditem quando eu falo, fazer greve cansa mais do que dar aula. Passar nas escolas, conversar com os colegas que não estão em greve, fazer vigílias em frente à Prefeitura, em frente à Câmara de Vereadores, marchar da Cidade Nova à Cinelândia, do Largo do Machado ao Palácio da Cidade, como cansa… Andar com o adesivo sendo espreitada por policiais e tendo que correr como louca, pular no primeiro ônibus que estiver aberto para não ter o corpo destroçado pela violência… cansa.

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Historiador diz que a polícia da ditadura militar era menos violenta que a atual PM carioca.

Mas é no outro que nos fortalecemos. Nas mensagens trocadas, na solidariedade do biscoitinho e da água, nos informes, na ocupação. Bravos e bravas guerreiras, não aceitamos mais que a Secretaria dê aula pela gente. Queremos nossos alunos de volta, nossa autonomia, cumprir o papel que estudamos e empenhamos nossa vida para cumprir. Queremos nossos sonhos de volta. O terrorismo do corte de ponto, de corte do AUXÍLIO ALIMENTAÇÃO (!!!), a violência da polícia não vão nos deter. Nossos alunos estão com a gente, os pais estão com a gente.

Não precisamos dessa mídia nojenta, porque nossa força está na rua, e na lição de solidariedade que os companheiros dão uns aos outros. A cada corrida da polícia os educadores voltarão com mais um. A carnificina da PMERJ não será em vão e não vai nos deter. O estado de exceção que se tornou a regra no Rio de Janeiro não irá nos calar. Temos medo, mas também temos sangue. E como sempre dizemos: amanhã seremos mais.

“O povo unido é povo forte, não teme a luta, não teme a morte. Avante companheiro que essa luta é minha e sua, unidos venceremos e a greve continua!”

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Hoje, 07 de outubro, acontecerá no Rio de Janeiro mais um ato em defesa da educação e contra a violência policial sofrida pelos educadores. Concentração a partir das 17h em frente a Igreja da Candelária, seguindo em direção a Cinelândia: 1 Milhão Pela Educação.

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[1] “Primavera carioca” é uma referência às mobilizações relacionadas à campanha de Marcelo Freixo nas últimas eleições municipais do Rio.

[+] Para entender melhor o quadro da luta dos educadores no município do Rio, “Educação não é mercadoria! A quem serve a lógica da meritocracia nas escolas?”, texto de Juliana Lessa.

[+] Para entender melhor o quadro no âmbito do estado do Rio, “Alguns comentários sobre o ‘Plano Estratégico’do estado do Rio para a Educação e as ‘metas’”, texto de Rael Fizson.

(Transcrito do Blogueiras Feministas)