“Eles têm muito interesse no Brasil por várias razões”

“Brasil é o principal alvo dos EUA”, diz jornalista americano

Jornalista do The Guardian, que obteve documentos de Edward Snowden, promete revelar novas denúncias e assegura que o Brasil é o “grande alvo” dos EUA

Mohammad Saba'aneh
Mohammad Saba’aneh

 

“Não tenho dúvida de que o Brasil é o grande alvo dos Estados Unidos. Eles têm muito interesse no Brasil por várias razões. Acho que tem outros países, mas o Brasil é um dos principais”.

Os Estados contam com o apoio de malditos quinta-colunas, que pedem terceiro turno, impeachment, retorno da ditadura, golpe brando, criação do partido judicial, invasão de um exército estrangeiro para garantir o neocolonialismo, a privatização do que resta das estatais, incluindo a Petrobras, o Pré-Sal, os dois maiores aquíferos do mundo o da Amazonas e o Guarani, e as minas de nióbio que só existem no Brasil, entre outras riquezas.

 

 Redação Pragmatismo Editor(a) Compartilhar 13 mil 273 EUA06/SEP/2013 ÀS 09:34 32 COMENTÁRIOSGuilherme Balza, UOL"Brasil é o principal alvo dos EUA", diz jornalista americano Jornalista do The Guardian que obteve documentos de Edward Snowden promete revelar novas denúncias e assegura que o Brasil é o "grande alvo" dos EUA; entenda Jornalista do “Guardian”, Glenn Greenwald garante que Brasil é o grande alvo dos EUA (Foto: Huffington Post)
Jornalista do “Guardian”, Glenn Greenwald garante que Brasil é o grande alvo dos EUA (Foto Huffington Post)

O jornalista norte-americano Glenn Greenwald, que revelou os documentos secretos obtidos por Edward Snowden, disse que o Brasil é o maior alvo das tentativas de espionagem dos Estados Unidos. “Não tenho dúvida de que o Brasil é o grande alvo dos Estados Unidos”, disse o jornalista, que promete trazer novas denúncias. “Vou publicar todos os documentos até o último documento que deva ser publicado. Estou trabalhando todo dia.”

Greenwald revelou esta semana, em reportagem em conjunto com o programa “Fantástico”, da TV Globo, que o governo americano espionou inclusive os e-mails da presidente Dilma Rousseff e de seus assessores próximos.

Snowden era técnico da NSA, a agência de segurança americana, e revelou ao jornal britânico “The Guardian”, onde Greenwald é colunista, o escândalo de espionagem norte-americano.

O governo brasileiro já cobrou uma resposta formal e por escrito à Casa Branca. Em nota, o Departamento de Estado americano disse na terça-feira (3) que “responderá pelos canais diplomáticos” aos questionamentos do Brasil. O departamento não comenta publicamente as denúncias, mas afirma que os EUA “sempre deixaram claro que reúnem inteligência estrangeira”. Para o jornalista, o Brasil tem de dar uma resposta “enérgica” e “menos vaga” aos EUA.Gr

Segundo Greenwald, o que motiva os EUA a espionar até mesmo aliados é o desejo por poder. “Todos os governos, na história, que quiseram controlar o mundo, controlar a população, usam a espionagem para fazer isso. Quando você sabe muito sobre o que outros líderes estão pensando, planejando, comunicando, você pode controlá-los muito mais porque você sempre sabe o que eles estão fazendo. O motivo é o poder. Sempre que os Estados Unidos estão fazendo espionagem, o poder deles aumenta muito. Além disso, o sistema brasileiro de telecomunicação, como é um alvo grande, um alvo forte, eles podem coletar dados de comunicações de muitos outros países. Por exemplo, se tem alguém na China que está mandando e-mails para alguém na Rússia, muitas vezes pode atravessar o sistema do Brasil. Na internet funciona assim. Então, para saber tudo o que eles querem fazer, coletam tudo o que for possível. Mas com certeza é para obter vantagens industriais e também por questões de segurança nacional.”

Fontes: UOL/ Pragmatismo político

A lei que desejam para o Brasil prendeu um brasileiro em Londres e matou outro

O mineiro Jean Charles de Menezes, em 22 de julho de 2005, foi assassinado pela unidade armada da Scotland Yard dentro de um trem do metrô de Londres, onde trabalhava como eletricista. Pela aparência com um árabe, foi confundido com o terrorista.

Seu caso está contado em um filme. Veja o trailer:

 

 

Justiça britânica considera legal detenção do brasileiro David Miranda

David Miranda
David Miranda

 
A Alta Corte britânica declarou nesta quinta-feira que a polícia agiu corretamente ao deter sob as leis antiterroristas o brasileiro David Miranda, companheiro de um jornalista relacionado aos vazamentos de Edward Snowden.

O jornalista Glenn Greenwald trabalhava na época no jornal britânico The Guardian e foi o responsável pela divulgação de documentos classificados em posse de Snowden, um analista da Agência de Segurança Nacional (NSA) americana que está refugiado na Rússia.

Os documentos causaram grande controvérsia porque revelavam a espionagem em massa de cidadãos não suspeitos e de líderes aliados por parte dos serviços secretos americanos.

Miranda, um cidadão brasileiro, transportava parte da informação codificada de Berlim ao Rio de Janeiro quando foi detido no aeroporto londrino de Heathrow no dia 18 de agosto de 2013.

A polícia fronteiriça apreendeu seu computador, telefone, cartões de memória e DVDs e, a pedido do serviço de inteligência MI5, foi interrogado pelo tempo máximo permitido pela lei, nove horas.

Apoiado por várias organizações de direitos civis, Miranda levou sua detenção à Alta Corte, alegando que foi ilegal e violou seus direitos humanos.

Três juízes rejeitaram nesta quarta-feira sua apelação, uma decisão saudada pela ministra do Interior, Theresa May.

“Esta resolução apoia sem fissuras as medidas tomadas pela polícia neste caso para proteger a segurança nacional”, disse May.

“Se a polícia acredita que um indivíduo está em posse de informação importante roubada que pode ser útil ao terrorismo, tem que agir. Estamos satisfeitos pelo fato de a Corte estar de acordo”, acrescentou.

Já Miranda declarou que a sentença confirma as restrições à liberdade de imprensa na Grã-Bretanha e anunciou que não recorrerá.

“É claro que não estou feliz por um tribunal ter dito formalmente que eu era legitimamente suspeito de terrorismo, mas os dias do império britânico acabaram há tempos, e esta sentença não terá efeitos fora do país”, declarou em um comunicado publicado na The Intercept, a nova revista on-line de Greenwald.

“Estou convencido de que com esta sentença prejudicaram mais seu país do que a mim, porque ela coloca em evidência o que o mundo já sabe: o Reino Unido despreza a liberdade de imprensa mais elementar”, acrescentou.

 

David Miranda e Glenn Greenwald
David Miranda e Glenn Greenwald

A lei antiterorrista que serviu para deter David Miranda está sendo atualmente revisada no Parlamento, após as críticas de políticos e meios de comunicação pela prisão do brasileiro.

 

Brasil tem de proteger Snowden se quiser mais informações sobre espionagem dos EUA

Jornalista norte-americano Glenn Greenwald ouvido na Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado brasileiro.

Greenwald explicou que não pode revelar informações às autoridades brasileiras EVARISTO SÁ/AFP
Greenwald explicou que não pode revelar informações às autoridades brasileiras EVARISTO SÁ/AFP

Se o Brasil quiser mais informações sobre os programas de espionagem da Agência de Segurança Nacional (NSA) norte-americana, terá de conceder asilo político ao antigo analista informático Edward Snowden, afirmou o jornalista Glenn Greenwald perante a Comissão Parlamentar de Inquérito do Senado brasileiro.

“Se o governo quer informações, deve protegê-lo, para que ele tenha liberdade para trabalhar. Ele está muito limitado para falar e corre o risco de os Estados Unidos o capturarem”, disse o jornalista, que vive no Rio de Janeiro.

Entre os documentos recolhidos por Edward Snowden nos tempos em que trabalhou para a NSA estão informações de espionagem de comunicações da empresa Petrobras, da Presidente Dilma Rousseff e do Ministério de Minas e Energias.

“Temos agora várias provas de que o programa de espionagem [dos EUA] não é sobre terrorismo. É sobre o aumento do poder do governo americano”, principalmente na esfera da economia, disse Greenwald.

Pressionado pelos membros da comissão do Senado brasileiro a revelar mais informações sobre os programas de espionagem que dizem respeito ao país, o jornalista norte-americano respondeu que “se um governo quer mesmo defender a privacidade dos dados e a liberdade de imprensa, deve proteger Snowden”.

“Há muitos países a dizer ‘Ainda bem que estamos a receber todas estas informações’, mas quase ninguém quer proteger a pessoa responsável pelo facto de o mundo as ter descoberto”, criticou Glenn Greenwald, que tem escrito sobre os documentos da NSA no jornal britânico The Guardian e colaborado com o brasileiro O Globo.

O companheiro de Greenwald, o brasileiro David Miranda — que foi detido pela polícia britânica no aeroporto de Heathrow, em Agosto —, também esteve presente na comissão do Senado. Miranda explicou que Greenwald não pode divulgar informações ao Governo brasileiro porque isso iria ser considerado pelos EUA como um “acto de traição”, pelo que não poderia voltar a entrar no país.

“Se ele tem informações para mais de um ano, pode não saber o que é. Agora, essas informações que ele tem são informações que levam à prática de crimes. Queria saber se esse material pode ficar sob a guarda do Senado. Temos uma sala com segurança”, perguntou o senador Pedro Taques (PDT-MT).

“Estaremos entregando um documento dos Estados Unidos ao governo de outro país, e isso seria traição. Temos informações de muitos países”, respondeu David Miranda.

Para além disso, explicou Glenn Greenwald, deve haver sempre uma clara distinção entre a acção dos governos e o jornalismo.

As autoridades brasileiras nunca aceitaram analisar o pedido de asilo de Edward Snowden, pelo que não existe ainda uma recusa oficial.(Público/Portugal)

Após detenção de David Miranda, liberdade de imprensa preocupa União Européia

A Comissária de Justiça da União Europeia, Viviane Reding, disse na última quinta-feira (23/8) que está preocupada com questões de liberdade de imprensa depois que autoridades do Reino Unido detiveram o brasileiro David Miranda, companheiro do jornalista norte-americano Glenn Greenwald, por nove horas no aeroporto de Heathrow, em Londres.

 

Comissária de Justiça da União Europeia revelou preocupação com liberdade de imprensa

“Eu compartilho plenamente das preocupações de Jagland”, afirmou Reding em mensagem no Twitter, referindo-se a uma carta enviada ao governo britânico pelo líder do Conselho da Europa, Thorbjoern Jagland.

 

O editor do Guardian, Alan Rusbridger, afirmou que foi obrigado a destruir alguns dos arquivos secretos do jornal sobre Snowden durante uma visita de um alto funcionário do governo há um mês.

 

De acordo com O Estado de S. Paulo, o governo confirmou na última quarta-feira (21/8) que o funcionário enviado ao jornal era o Secretário de Gabinete, Jeremy Heywood, um funcionário público politicamente neutro e o assessor de política mais antigo do premiê David Cameron.

 

“Estas medidas, se confirmadas, podem ter um efeito potencialmente negativo sobre a liberdade de expressão dos jornalistas, garantida pelo artigo 10 da Convenção Europeia dos Direitos Humanos”, explicou Jagland na carta.

 

O Guardian compareceu, na quinta (21/8), a um tribunal britânico para pedir um mandato que proteja os bens que o governo confiscou de Miranda.

 

Os advogados do brasileiro disseram que os itens apreendidos contêm informações confidenciais e pediram ao Supremo Tribunal que impeça que o governo “inspecione, copie ou compartilhe os dados”.

 (Transcrito do Portal da Imprensa)

Alemanha critica postura do Reino Unido em detenção de brasileiro

Por que a imprensa brasileira esconde o caso David Miranda? Certamente por não ter destacado a lista de jornalistas brasileiros espancados e presos nos recentes protestos de rua. A polícia do governador Geraldo Alckmin, para um exemplo, acertou, com balas de borracha, o rosto de dois jornalistas. Outros foram bombardeados com gás lacrimogêneo e splay

Giulia
Jornalista Giuliana Vallone
jornalista fotográfico Sérgio Silva
Repórter fotográfico Sérgio Silva

de pimenta. Até agora nenhum policial foi investigado. Fica tudo como dantes nos quartéis de Abrantes. O prende e arrebenta continua liberado nas 27 polícias estaduais.

Edward Snowden, por Payam Boromand
Edward Snowden, por Payam Boromand

“Acho que um cenário como esse que está sendo discutido no Reino Unido é praticamente inconcebível aqui”, afirmou porta-voz da chanceler alemã Angela Merkel

Autoridades alemãs fizeram duras críticas ao governo do Reino Unido nesta quarta-feira pela forma como lidou com o Guardian após o jornal britânico trazer à tona o recente escândalo de espionagem dos EUA.

O jornal O Tempo divulga: “Quero deixar claro: A liberdade de imprensa e a proteção de fontes são um bem precioso para nós”, disse Steffen Seibert, porta-voz da chanceler alemã, Angela Merkel. “Acho que um cenário como esse que está sendo discutido no Reino Unido é praticamente inconcebível aqui”, acrescentou o porta-voz que falou durante coletiva de imprensa.

Os comentários de Seibert se referem à atitude do governo britânico em relação ao Guardian, que foi o primeiro veículo a noticiar sobre o esquema de espionagem dos EUA. Como parte da disputa entre Londres e o jornal, o companheiro de um jornalista do Guardian foi detido no Aeroporto de Heathrow no fim de semana.

“A forma como as autoridades detiveram David Miranda no Aeroporto de Heathrow não é aceitável”, disse Markus Loening, comissário de direitos humanos do governo alemão, em entrevista ao jornal Berliner Zeitung.

Miranda, um brasileiro que vive com o repórter do Guardian Glenn Greenwald no Rio de Janeiro, ficou detido por quase nove horas após chegar ao Reino Unido proveniente de Berlim, segundo Greenwald, que escreveu sobre o incidente em artigo publicado no site do jornal.

A Polícia Metropolitana de Londres confirmou que, logo após as 8h (horário local) da manhã de domingo, um homem de 28 anos foi abordado ao chegar de Berlim e interrogado de acordo com a legislação britânica de combate ao terrorismo, mas ressaltou que o suspeito não foi detido e acabou sendo liberado por volta das 17h do mesmo dia. Advogados contratados pelo Guardian exigem a proteção de dados que estavam em poder de Miranda e foram recolhidos por policiais.

O editor do Guardian, Alan Rusbridger, havia relatado recentemente que foi interpelado por vários oficiais do governo exigindo que seu jornal destrua ou entregue dados relacionados a matérias sobre informações sigilosas vazadas pelo ex-agente da Agência Nacional de Segurança (NSA, na sigla em inglês) Edward Snowden, com a ameaça de processar a publicação. Greenwald é um dos repórteres para os quais Snowden vazou documentos secretos da NSA. Fonte: Dow Jones Newswires.

NSA of America, by Miguel Villalba Sánchez (Elchicotriste)
NSA of America, by Miguel Villalba Sánchez (Elchicotriste)

Colonizado europeu e o caso do brasileiro preso relembra atentado conta Evo Morales

O jornalista americano Glenn Greenwald, que revelou informações vazadas pelo ex-técnico da CIA Edward Snowden, elogiou a indignação do governo do Brasil no episódio da detenção de seu parceiro, o brasileiro David Miranda, no aeroporto de Heathrow em Londres no domingo passado.

David Miranda
David Miranda

“Eu acho que o governo brasileiro lidou com a situação de forma maravilhosa”, disse o americano à repórter Júlia Dias Carneiro.

“Desde o primeiro minuto em que comecei a ligar para autoridades brasileiras para explicar o que havia acontecido com o David, o cidadão deles, eles estavam indignados. Genuinamente indignados, e não apenas fingindo indignação por motivos diplomáticos.”

Evo Morales

obama evo

O governo brasileiro está cobrando respostas das autoridades diplomáticas britânicas sobre a detenção de Miranda. O parceiro de Greenwald foi detido com base em uma lei antiterrorismo e questionado por nove horas pela polícia britânica – e teve todo seu material eletrônico apreendido.

Greenwald e o jornal The Guardian, para o qual o americano trabalha, acusam as autoridades britânicas de usar a lei antiterrorismo apenas para intimidar um familiar de um jornalista que investiga escândalos de inteligência.

Já o governo britânico se defende, dizendo que tinha motivos suficientes para deter Miranda, já que ele portava material “sensível” e “roubado”.

Greenwald disse que o governo brasileiro foi bastante duro nas suas cobranças – públicas e privadas – em relação ao governo britânico, e que o Brasil já havia se comportado desta forma em episódios passados.

“Eu acho que o mesmo aconteceu quando os Estados Unidos e seus aliados europeus impediram o avião do [presidente boliviano] Evo Morales de voltar para casa”, afirmou.

“Isso tem todo o ranço de atitude colonialista e imperialista da qual as pessoas no Brasil e na América Latina se ressentem. Isso é um grande componente de como as pessoas reagiram a isso tudo aqui [no Brasil].” Fonte: BBC

ar_pagina Evo não tenho medo

Um jornal britânico defende brasileiro preso em Londres

Latuff
Latuff

 

Um porta-voz do gabinete do primeiro-ministro britânico, David Cameron, afirmou nesta terça-feira que o gabinete estava “a par” da decisão de deter o brasileiro David Miranda, companheiro do jornalista Glenn Greenwald, que revelou o esquema de espionagem eletrônica do governo americano.

 

Miranda foi detido e interrogado no último domingo no aeroporto internacional de Londres (Heathrow) pela Scotland Yard, a polícia metropolitana. Ele voltava de uma viagem de Berlim e fazia uma escala de duas horas na capital britânica.

 

Nesta terça-feira, o brasileiro afirmou que vai entrar com um processo contra o governo do Reino Unido para impedir que a polícia examine os dados de seu laptop e equipamentos eletrônicos que foram confiscados.

 

O repórter de Assuntos Domésticos da BBC, Danny Shaw, disse que o processo tem o apoio moral do jornal britânico The Guardian.

 

Para a ministra do Interior, Theresa May, que afirmou ter sido informado sobre a detenção de Miranda, a atitude da polícia foi correta.

 

Já o editor do The Guardian Alan Rusbridger definiu a detenção de Miranda como “suspeita”.

 

“Acho suspeito que ele tenha sido parado em Heathrow, porque o ato de terrorismo é normalmente feito de maneira aleatória”, disse ele em entrevista à BBC.

 

Episódio ‘incomum’

 

David Miranda ficou preso por quase nove horas no domingo no aeroporto de Heathrow, em Londres. Durante este tempo, ele foi questionado com base na lei antiterror do país, que permite parar qualquer pessoa em trânsito pela Grã-Bretanha.

 

O brasileiro voltava de Berlim, onde esteve com a cineasta americana Laura Poitras, que trabalha com seu companheiro, Glenn Greenwald, nas investigações do material vazado por Edward Snowden, ex-agente da Agência Nacional de Segurança americana (NSA, sigla em inglês).

 

Greenwald, que trabalha para o diário britânico The Guardian, confirmou que seu companheiro teve a viagem para Berlim paga pelo jornal. O objetivo da viagem teria sido levar informações e receber documentos a respeito do trabalho que o jornalista e a cineasta fazem sobre os documentos vazados por Snowden, exilado na Rússia.

 

O jurista britânico David Anderson, revisor independente da legislação sobre terrorismo no Reino Unido, disse à BBC que o fato de o brasileiro ter sido detido por quase nove horas foi “incomum”.

 

Anderson, cuja função é opinar junto à Scotland Yard sobre a aplicação da Lei Antiterrorismo, vai se reunir com a polícia nesta terça-feira para discutir o caso do brasileiro.

 

Além dele, políticos da oposição demonstraram insatisfação com o uso da lei antiterror para interrogar uma pessoa que não estaria ligada a atividades terroristas.

 

Violência psicológica

 

Miranda teve equipamentos eletrônicos que carregava confiscados pela polícia, incluindo um laptop, telefone celular, câmera fotográfica, cartões de memória, DVDs e consoles de videogame. Mas afirmou não saber se entre os arquivos que transportava, alguns deles codificados, estavam documentos secretos da NSA.

 

“Eu estava levando alguns arquivos para Laura e estava trazendo alguns arquivos para o Glenn. Eu não sei o que continha naqueles arquivos, porque eles são jornalistas, eles trabalham em várias histórias.”

 

Ao Jornal Nacional, Greenwald afirmou que tem cópias de todos os documentos que foram confiscados pela polícia britânica.

 

Em artigo publicado nessa segunda no Guardian, o jornalista chegou a afirmar que o episódio “nos encoraja ainda mais” a “continuar relatando agressivamente o que esses documentos revelam”.