HSBC rima com FHC

por Gilmar Crestani

Como no samba do Gonzaguinha, “Não dá mais pra segurar”. Explode o coração do HSBC. E nele encontram a rima rica e outras aves de rapina.

É verdade que este costume de povo aculturado, colonizado, de investir em países do hemisfério norte é um ímã para “novo rico”. Que o diga o capitão-de-mato da Rede Globo, Joaquim Barbosa e sua Assas JB Corp. Contra qualquer princípio de ética, JB comprou um apartamento em Miami por U$ 10 (dez) dólares, dando o endereço funcional em Brasília. No que ele difere destes coxinhas pegos no HSBC?!

 

Cartazete que circula no Facebook
Cartazete que circula no Facebook

Tucano, nas mãos de alguns membros do Poder Judiciário, não é ave, é enguia. Liso. Cresce entre os dedos, se esvai e foge. Difícil encontra-los no autos. Veja se não é verdade.

Na Operação Rodin, a égua madrinha era tucana. Está solta. Na CPI da Petrobrás tinha dois tucanos. A Lava Jato pegou só o morto. O vivo, sobrevive sob ajuda de aparelhos. No Paraná

O catão das araucárias está sumido. Sumido da internet, do Congresso, do Paraná, dos jornais. Deve ter atravessado a Ponte da Amizade, afinal, como já dizia o Língua de Trapo, para o Paraguai tudo pode, pó de cocaína, pó de guaraná…

 

Márcio Fortes é FHC no HSBC

 

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A sugestão do dia, no google, é pesquisar “FHC, Serra e Márcio Fortes”.

Em 2002, Serra se viabilizou candidato do PSDB graças aos seus Fortes. Se o seu forte era Márcio, seu fraco era a arapongagem. Teria sido a arapongagem contratada, vejam só, pelo Márcio Fortes, que montou o flagra na Lunus. Foi isso que detonou sua principal concorrente no campo da direita, Roseana Sarney, naquilo que ficou conhecido como o Caso Lunus. Assim como na força tarefa da Lava Jato há os delegados aecistas, no Caso Lunus tinha os delegados serristas sob coordenação de Marcelo Itagiba…

O mesmo grupo viria a montar o caso que ficou conhecido como os aloprados do PT. Os aloprados caíram na armadilha, mas as Máfias dos Sanguessugas existiram. Claro, só não existiriam, segundo o deputado do PSDB gaúcho, Jorge Pozzobom, onde o PSDB não sofre punição…

Márcio Fortes, com o BNDES numa mão e o FHC na noutra, tinha tanta grana que comprou, só para si, uma capa da revista exame.

A Lista Falciani tem alhos e bugalho, mas bugalhos. A maioria fez parte da marcha dos zumbis, como o próprio Agripino Maia, égua madrinha do catão dos pampas, Onyx Lorenzoni…

Hoje, O Globo, tentando se antecipar à CPI, solta um pitadinha da biografia do tesoureiro desta gente emplumada sempre acobertada, que aparece de corpo inteiro no Swissleaks: “Fortes é empresário da construção civil e um tradicional doador de campanha. Em 2000, foi a pessoa física que mais doou ao PSDB — o equivalente a 21% do total arrecadado. Fortes já foi presidente do BNDES (1987-1989) e secretário municipal de Obras do Rio (1993-1994).” O Globo aplica a lei Rubens Ricúpero para esconder o nome por trás da prática, FHC. Era ele o presidente no período em que Márcio Fortes lubricava as engrenagens do PSDB, inclusive aquela que comprou a reeleição.

A compra da reeleição por FHC não deu tempo suficiente para nomear um Gilmar Mendes na Suíça. Em compensação, sempre há um Rodrigo De Grandis para engavetar as informações que a justiça da Suíça liberou ao MP, este Mistério Púbico que só chuta, na esquerda, com a direita. Robson Marinho é uma prova viva das falcatruas do PSDB, mas os arapongas dos pinhais só encontram peessedebista morto. Deve ser pelo cheiro. Urubu só encontra carniça pelo cheiro.

Essa massa cheirosa é muito engraçada. Hoje FHC sabe de tudo. Mas como confiar num cara que é traído até pela amante. FHC assumiu como seu um filho com a funcionária da Rede Globo, Miriam Dutra, que selou a sua captura pela Globo. Os filhos da D. Ruth, desconfiando daquele que, segundo a mãe, seria o pai, pediram exame de DNA. Bingo! Esse é o cara que, hoje, sabe de tudo e, por isso é onipresente no coronelismo eletrônico. Esta diuturnamente nas páginas dos grupos mafiomidiáticos tentando surfar na marcha golpista dos zumbis.

 

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Doleiro lava mais branco campanha presidencial do PSB

Capa de hoje
Capa de hoje

 

Até onde parte deste dinheiro financia a campanha de Marina Silva?  Paulo Câmara a governador de Pernambuco ou na campanha de Sérgio Cabral no Rio de Janeiro e candidatos apadrinhados por Roseana Sarney no Maranhão? De Roseana sócia do marido de Marina?

A refinaria de Abreu e LIma previa um investimento de 2 bilhões de dólares, divididos entre o Brasil e a Venezuela, conforme acertado no Recife entre os presidentes Lula da Silva e Hugo Chávez.

O nome da refinaria foi escolhido por Hugo Chaves. Abreu e Lima é herói da independência da Venezuela e outros países da América do Sul. Foi diretor do jornal da campanha da Independência, secretário particular e general de Símón Bolívar

 

Por várias vezes, Hugo Chaves cutucava que o dinheiro da Venezuela estava depositado, mas pressões dos Estados Unidos impediam a parceria. Inclusive Abreu Lima violava uma vergonhosa proibição colonial.

Denunciei essa dependência humilhante várias vezes. Escrevi em novembro de 2011:

PETROBRAS PROIBIDA DE CONSTRUIR REFINARIA

Makhmud Eshonkulov
Makhmud Eshonkulov

Desde 198o (governo de João Figueiredo),  a Petrobras não construía nenhuma refinaria no Brasil. Com o dinheiro do povo brasileiro ergueu refinarias nos Estados Unidos, Japão, Irão, Bolívia, Equador, Argentina, Iraque, países da África e outros da América do Sul e locais ignorados. Que tudo é segredo na Petrobras. Em 2008, atuava em 27 países. E todos os presidente da Petrobras foram corruptos, talvez escapem uns dois ou três.

O Brasil importava gasolina. Não tinha como refinar nosso petróleo que dava na canela.

Um crime que indicava a falta de nacionalismo, de patriotismo de vários governos.

Repito o absurdo: O Brasil exportava petróleo bruto e importava gasolina com o custo nas alturas, o preço da guerra do petróleo no deserto árabe.

A proibição de construir refinaria durou os cinco anos do governo Sarney, cinco dos governos Collor e Itamar, oito do governo Fernando Henrique.

A Abreu e Lima é a primeira planta de refino construída no Brasil, depois da inauguração da Refinaria Henrique Lage (SP), em 1980. Nas piadas internas da Petrobras, foi batizada de “fábrica de diesel”, porque 70% de sua produção será dedicada ao combustível (para frear as importações do produto no Nordeste).

Ninguém sabe quanto foi gasto. Do custo inicial de 2 bilhões passou, oficialmente, para 17 bilhões de dólares. Também continua desconhecida a gastança com o estádio da Copa do Mundo, a Arena construída na Mata de São Lourenço, interior de Pernambuco. Vide links

EDUARDO CAMPOS FOI CONVOCADO A DEPOR NO PROCESSO DA “LAVA- JATO” DA ABREU E LIMA

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Valor Econômico (por André Guilherme Oliveira) – A Justiça federal aceitou no dia 23 de julho pedido da defesa do ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa e autorizou que o presidenciável Eduardo Campos (PSB) e o ex-ministro da Integração Nacional na gestão Dilma Rousseff, Fernando Bezerra – que concorre ao Senado pelo PSB pernambucano – , prestem depoimento na condição de testemunhas, com objetivo de esclarecer os motivos que levaram ao aumento do valor da obra da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco.

Eles deverão ser ouvidos no âmbito do processo criminal decorrente da operação Lava-Jato, ação deflagrada pela Polícia Federal (PF) em março deste ano, que identificou e estancou esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e evasão de divisas com vista à obtenção de contratos milionários em órgãos do governo federal, segundo o inquérito. Mais de R$ 10 bilhões foram movimentados, aponta a investigação.

A decisão é do juiz Sergio Moro, da 13ª vara criminal da Justiça Federal do Paraná. “Será muito dif ícil a oitiva de referidas testemunhas em período de campanha eleitoral”, assinalou. “Os motivos que implicaram no aumento substancial do valor da obra (Refinaria Abreu e Lima), poderiam ser obtidos de outra forma, com testemunha de mais fácil inquirição ou com requisição de informações e documentos à Petrobras”, considerou, antes de acatar o pedido: “De todo modo, a bem da ampla defesa, defiro a prova para a oitiva de tais testemunhas”.

Eduardo Campos faleceu logo depois da convocação, no dia 13 de agosto.

DINHEIRO SUJO NA CAMPANHA DA DUPLA CAMPOS E MARINA

doleiro

Publica 247 – A revelação mais surpreendente de Paulo Roberto Costa, em sua delação premiada, é o envolvimento de Eduardo Campos como um dos três governadores beneficiados pelo esquema de corrupção que seria operado pelo doleiro Alberto Yousseff – os outros dois são Sergio Cabral, que já deixou o cargo, no Rio de Janeiro, e Roseana Sarney, do Maranhão.

Essa ligação entre Paulo Roberto Costa, Eduardo Campos e Alberto Youssef lança luzes sobre a polêmica compra do jato Cessna, que desabou em Santos (SP), no dia 13 de agosto, matando o próprio ex-governador e outras seis pessoas. Já se sabe que o avião foi comprado com recursos de caixa dois. Especialmente porque parte da aquisição foi bancada com dinheiro procedente do doleiro.

De acordo com a apuração da Polícia Federal, a empresa Câmara e Vasconcelos pagou R$ 159,9 mil aos donos da AF Andrade, antigos proprietários da aeronave. Esta empresa, por sua vez, recebia recursos da MO Consultoria, empresa criada por Alberto Youssef para receber dinheiro das empreiteiras (leia aqui a reportagem original da Folha de S. Paulo sobre o caso).

Ao que tudo indica, Paulo Roberto Costa tinha noção exata da proximidade entre Eduardo Campos e o doleiro Alberto Youssef. Tanto que vinha pressionando o ex-governador de Pernambuco para que ele, já na condição de candidato à presidência da República pelo PSB, fosse sua testemunha de defesa. Costa só desistiu de levar Campos aos tribunais depois de um acordo judicial, conforme foi noticiado pela coluna Radar, na nota abaixo:

DOLEIRO YOUSSEF SURGE NO JATO DO PSB

 

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Dias antes de morrer, Eduardo Campos conseguiu que Paulo Roberto Costa abrisse mão de tê-lo como sua testemunha de defesa nas acusações a que o ex-diretor da Petrobras responde pela suspeita de superfaturamento da refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. A negociação foi feita pelos advogados de ambos.

Antes do acordo, Campos estava intimado a depor no caso na sexta-feira, dia 15.

Essa ligação entre Eduardo Campos e o esquema operado por Paulo Roberto Costa e Alberto Youssef torna mais delicada a situação da nova candidata do PSB, Marina Silva, que poderia explorar o escândalo em sua pregação por uma nova política. Especialmente porque ela realizou diversos voos no avião comprado com recursos de caixa dois, quando ainda era vice de Campos. A estratégia do PSB para desvencilhar Marina do caso foi levada adiante na semana passada, quando o partido trocou o CNPJ do comitê financeiro da campanha.

DINHEIRO DO MORTO CARREGANDO O VIVO

EDuardo marina dinheiro

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Uma das parcelas do jato em que voaram Eduardo Campos e Marina Silva no início da campanha eleitoral foi paga com recursos de uma empresa ligada ao doleiro Alberto Youssef, preso na Operação Lava-Jato; Polícia Federal investiga se aeronave foi comprada com recursos de caixa dois do PSB; recentemente, o deputado socialista Júlio Delgado (PSB-MG) pediu a cassação de André Vargas (sem partido-PR) alegando que ele pegou carona num avião do doleiro; como será encarado, agora, o caso em que os dois presidenciáveis do PSB usaram um jato pago com recursos de Youssef? Partido trocou o CNPJ do comitê financeiro da campanha para tentar desvincular Marina da polêmica.

Do caixa 1, em dinheiro vivo, pelo menos, bote menos neste jogo sujo, 2.5 milhões saíram do velho para o novo CNPJ.

INVESTIGADO O CAIXA 2 DA CAMPANHA 

Paraná
Paraná

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Yoosef tem uma velha historia como doleito de vários partidos e governos. A justiça brasileira jamais conseguiu trancar ele por muito tempo. Jamais
Alberto Youssef tem uma velha historia como doleito de vários partidos e governos. A justiça brasileira jamais conseguiu trancar ele por muito tempo. Jamais. Quando chega um bando de oficiais – oficial da justiça, oficial da polícia, oficial de defunto = para prender ele, o doleiro sempre diz: – Calma, gente, tem dinheiro de sobra…

O “avião fantasma” usado na campanha dos presidenciáveis do PSB, Eduardo Campos e Marina Silva, é agora vinculado a um conhecido nome da Justiça: o doleiro Alberto Youssef. Preso na Operação Lava-Jato, ele é acusado de comandar um esquema de lavagem de dinheiro e suborno de servidores públicos que pode ter movimentado R$ 10 bilhões nos últimos anos.

A Polícia Federal investiga se a aeronave foi comprada com recursos de caixa dois do PSB. O uso do avião não constava na declaração de gastos do partido à Justiça Eleitoral.

Entre os 16 depósitos bancários recebidos pela AF Andrade, de Ribeirão Preto (SP), na venda do Cessna, que caiu com a comitiva de Campos em Santos, consta uma empresa que também fez negócios com uma consultoria de Youssef, considerada de fachada pela PF. A reportagem de Adréia Sadi aponta que a Câmara & Vasconcelos pagou R$ 159,9 mil à AF Andrade.

O PSB afirma que nem o partido nem Campos sabiam da relação de Youssef com uma das empresas que depositou para a AF Andrade.

Recentemente, o deputado socialista Júlio Delgado (PSB-MG) pediu a cassação de André Vargas (sem partido-PR) alegando que ele pegou carona num avião do doleiro.

Como será encarado, agora, o caso em que os dois presidenciáveis do PSB usaram um jato pago com recursos de Youssef?

O PSB tenta desvincular Marina Silva da polêmica. Trocou inclusive o CNPJ do comitê financeiro da campanha para jogar a responsabilidade do caso para o falecido Eduardo Campos. A mudança não é obrigatória por lei.

Marina Silva lava as mãos. Sempre deu uma de evangélica, que o marido peca por ela. Nunca vi um técnico agrícola ter tanta influência. Por ser príncipe consorte vem ocupando importantes cargos, que a santa dele é forte, por ter sido 16 anos senadora.

Fabio Vaz de Lima casou e descasou no Incra, na Sudan, no governo do Acre.

MAIS UMA NEGOCIATA DO MARIDO DE MARINA

Casal 20. Fábio 51 anos, Marina 56
Casal 20. Fábio 51 anos, Marina 56

AC 24 Horas – A candidata à Presidência da República, Marina Silva (PSB) desponta no cenário político nacional, com a proposta de implantar uma nova forma de fazer política, mas as ligações de seu marido Fábio Vaz de Lima, com alguns escândalos de improbidade e suspeita de corrupção, podem respingar em suas pretensões e provar que ela está ligada diretamente com a “velha política” que diz combater.

Fabio Vaz de Lima é acusado de irregularidades na extinta Sudam. Segundo os autos do processo que tramitou no Supremo Tribunal Federal (STF) e posteriormente foi encaminhado ao Juízo da 6ª Vara Federal da Seção Judiciária do Maranhão, o marido de Marina Silva, teria beneficiado ilegalmente a Usimar em São Luis, com recursos do Fundo de Investimentos da Amazônia.

O caso do desvio de R$ 44,2 milhões envolve 40 pessoas. Os nomes de Fabio Vaz e Roseana Sarney se destacam no processo. Os recursos liberados à época, para construção de uma fábrica de autopeças que nunca saiu do papel. Os recursos liberados na reunião de conselheiros da Sudam sumiram sem explicação. O valor aprovado durante a reunião que Fábio Vaz participou seria de R$ 600 milhões.

Em entrevista concedida ao jornalista Altino Machado, do portal terra, Fábio Vaz se defende e diz que seu nome foi colocado no processo “de maneira indevida”. Vaz destaca ainda que teria participado da reunião da Sudam, apenas como ouvinte. Ele afirma que Jorge Viana e Gilberto Siqueira seriam os membros do conselho deliberativo da Sudam, mas não puderam participar da reunião.

O marido de Marina Silva destaca que não votou para liberação de recursos para o governo de Roseana Sarney, pois não era titular e nem suplente do conselho deliberativo. Fábio Vaz afirma que assinou apenas a lista de presença no evento, mas acabou envolvido no processo por desvio de dinheiro público e improbidade administrativa. Vaz acredita que sua inocência ainda será provada.

O assunto ressurgiu após a participação de Marina Silva em debates com os demais candidatos. A ex-ministra que participou ativamente do governo do ex-presidente Lula, acusou os ex-companheiros de envolvimento em escândalos de corrupção. Dilma não deixou por menos e disse que o ministério conduzido por Marina também foi denunciado por corrupção e venda ilegal de madeira.

O número do processo que cita o nome do marido de Marina Silva, como um dos envolvidos no suposto esquema de desvio de dinheiro público e improbidade administrativa é 200137000080856. São 11 volumes com 3.097 folhas, 19 apensos. O requerente é o Ministério Público Federal. São 40 envolvidos, entre eles, Roseana Sarney, Fábio Vaz e Jorge Francisco Murad Junior.

Apesar de o processo tramitar há mais de 10 anos, até o momento, nenhum dos envolvidos foi indiciado pela Justiça. Mas este não é o único caso suspeito de corrupção que envolve o marido da ex-ministra Marina Silva. Fábio Vaz também é apontado em um caso de doação de seis mil toras de mogno apreendidos para a ONG Federação de Órgãos para a Assistência Social e Educacional (FASE).

À época, Marina Silva era ministra do Meio Ambiente. Fábio Vaz de Lima era secretario do Grupo de Trabalho Amazônico (GTA), um conglomerado de 200 ONGs que atua na Amazônia. Houveram denúncias de que a política de doação do Ibama, seria uma forma de esquentar madeira ilegal extraída da Amazônia. O Tribunal de Contas da União (TCU) condenou a doação.

O TCU alegou que a doação que teria contado com a participação de Fábio Vaz, teria sido promovida sem observar os princípios da isonomia, impessoalidade e publicidade. Nos autos, não teria ficado claros os motivos que levaram à escolha da ONG que Vaz era secretário, como donatária no processo que teria resultado na doação de seis mil toras de mogno.

Outra reportagem que chamou atenção, à época, foi publicada na revista Isto É – que denunciou superfaturamento num plano de manejo na Amazônia, em reservas extrativistas feito pelo Conselho Nacional de Seringueiros, ONG – que de acordo com a publicação de circulação nacional – teria ligações estreitas com Fábio Vaz de Lima, que também ocupou diversos cargos em governos do PT.

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É importante saber: a Justiça divide com o governo a responsabilidade pelos presídios. Mais de mil presos desaparecidos no Ceará

Basta ler esta manchete para entender:

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A imprensa culpa a governadora Roseana Sarney pelas chacinas no presídio de Pedrinhas. É uma meia-verdade. A Justiça também é culpada. Assim acontece em todos os Estados. Que o Brasil possui campos de concentração espalhados por várias cidades. Inclusive cemitérios clandestinos. Em um deles, a Polícia Militar do Rio de Janeiro enterrou Amarildo.

Remember a luta do presidente do STJ, ministro Joaquim Barbosa, para nomear um juiz de sua máxima confiança para o presídio de Brasília onde estão presos os condenados do Mensalão Petista. Local que ficarão – quiçá, quicá, quicá – os condenados do Mensalão Tucano.

Aprovado relatório final do Mutirão Carcerário no Ceará

por Jorge Vasconcellos/ Agência CNJ de Notícias
Presídio no Ceará. Foto CNJ
Presídio no Ceará. Foto CNJ

O Plenário do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) aprovou, por unanimidade, nesta terça-feira (11/2), durante a 182ª Sessão Ordinária, o relatório final sobre o Mutirão Carcerário no Ceará, realizado no período de 6 de agosto a 6 de setembro de 2013. O documento traz uma série de recomendações às autoridades do estado, entre elas a construção de unidades prisionais e investimentos na melhoria da gestão das varas criminais e de execução penal.

A decisão plenária se deu no exame da Petição Avulsa 0000676-84.2014.2.00.0000, relatada pelo conselheiro Guilherme Calmon, supervisor do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e do Sistema de Execução de Medidas Socioeducativas (DMF).

As recomendações ao governo do estado incluem a construção de cinco unidades prisionais, medida necessária para reduzir a superlotação das celas. Uma das unidades deverá ser de segurança máxima, no município de Pacajus, região metropolitana de Fortaleza, “evitando-se, desta forma, a contaminação de presos com menor periculosidade com aqueles de maior periculosidade”, segundo o relatório, que fixa prazo de seis meses para a conclusão de todas as cinco obras.

Outra recomendação é pela reforma e aparelhamento da Colônia Agrícola do Cariri Padre José Arnaldo Esmeraldo de Melo, “que atualmente se encontra sucateada e com apenas cinco presos”. O prazo para a conclusão da reforma é de 90 dias.

O CNJ também orienta o governo local a realizar concurso público para o provimento de cargos de Defensor Público, com a lotação dos aprovados em todas as varas criminais de Fortaleza e do interior do Ceará. O prazo, nesse caso, é de dois anos.

Diante da necessidade, identificada pelo mutirão, de ampliação do número de agentes penitenciários, o relatório recomenda ainda a realização de concurso público. A medida deve ser planejada de forma que haja, no prazo de um ano, a proporção de um agente para cada 5 presos, conforme estabelecido pelo Ministério da Justiça.

Sobre denúncias relacionadas a constrangimentos enfrentados por visitantes de unidades prisionais, a orientação do CNJ é para a administração penitenciária “providenciar a adequação da revista aos visitantes dos apenados, de forma a não permitir atos degradantes e humilhantes”. Nesse caso, as providências devem ser tomadas em 90 dias.

Judiciário – Entre as medidas a serem adotadas pelo Poder Judiciário estadual, segundo o Mutirão Carcerário, está o envio de anteprojeto de lei à Assembleia Legislativa que propõe a criação de mais uma Vara de Execução Penal na Comarca de Fortaleza, com competência exclusiva para a fiscalização das unidades prisionais e das transferências de presos. Há também a orientação pelo envio de anteprojeto de lei que prevê a criação de mais uma câmara criminal no Tribunal de Justiça do Estado do Ceará (TJCE).

O Judiciário local deve ainda, conforme o relatório, promover curso de capacitação de servidores locados nas varas criminais e de execução penal, com o objetivo de padronizar as rotinas nessas unidades e, assim, qualificar a gestão dos processos judiciais. O prazo é de 90 dias.

Outra recomendação é pela implementação de ferramentas que permitam o acompanhamento da execução das penas, entre elas a calculadora virtual disponível no portal do CNJ. Com prazo de 30 dias para ser adotada, essa medida é considerada necessária para prevenir atrasos na concessão de benefícios previstos na Lei de Execução Penal, como, por exemplo, progressão de regime de cumprimento de pena e liberdade.

O documento também destaca a obrigatoriedade de os juízes com competência em execução penal realizarem, mensalmente, inspeções em unidades prisionais, incluindo carceragens de delegacias de polícia, conforme previsto na Resolução CNJ n. 47/2007. Segundo o relatório, essa situação deve estar regularizada no prazo de 30 dias.

Veja aqui a íntegra do relatório.

Os infernos de Roseana, Aécio e Eduardo Campos

Parecem que pretendem esconder o Brasil do Carandiru. De repente, o inferno do corrupto sistema carcerário fica em Pedrinhas, no Maranhão.

Há um ano a CPI Carcerária identificou os piores presídios do país

Os piores
01) Presídio Central de Porto Alegre (RS)
02) Colônia Penal Agrícola de Campo Grande (MS)
03) 2º Distrito de Contagem (MG), Delegacia de Valparaíso (GO), 52ª Delegacia de Nova Iguaçu (RJ), 53ª Delegacia de Mesquita (RJ)
04) Presídios Lemos de Brito, em Salvador (BA), Vicente Piragibe (RJ), Aníbal Bruno, de Recife (PE), penitenciária masculina Dr. José Mário Alves, o Urso Branco (RO) e Complexo Policial de Barreirinhas (BA)
05) Centro de Detenção de Pinheiros, em São Paulo
06) Instituto Masculino Paulo Sarasate, em Fortaleza (CE)
07) Penitenciária Feminina Bom Pastor, em Recife (PE)
08) Penitenciária Feminina de Santa Catarina (SC)
09) Casa de Custódia Masculina do Piauí (PI)
10) Casa de Detenção Masculina da Sejuc (MA)

Os melhores
01) Apac de Nova Lima (MG)
02) Unidade Prisional Feminina Ana Maria do Couto May (MT)
03) Presídio da Papuda, em Brasília
04) Penitenciária de Ipaba (MG)
05) Centro de Detenção Provisória de São Luís (MA)
06) Penitenciária de Segurança Máxima do Espírito Santo (ES)
07) Penitenciária Feminina de São Paulo (SP)
08) Penitenciária Feminina do Rio de Janeiro (RJ)
09) Presídio do Piauí (PI)
10) Presídio de Segurança Máxima de Presidente Bernardes (SP)

Rebelião no Aníbal Bruno, Recife
Rebelião no Aníbal Bruno, Recife

 

Em família, por Ricardo Noblat

Roma falou. Ou melhor: Brasília.

A crise da segurança Pública no Maranhão agravou-se desde o mês passado. Finalmente, na última sexta-feira, a presidente Dilma Rousseff postou sete mensagens consecutivas em seu twitter.

Para dizer que acompanha a crise, que despachou para São Luís seu ministro da Justiça e que providências para controlá-la começaram a ser tomadas. Citou algumas. E voltou a se calar.

Todo cuidado é pouco. Dilma é candidata à reeleição. Há quatro anos, depois do Amazonas, foi o Maranhão, feudo da família Sarney há meio século, o Estado a lhe conferir a maior vantagem de votos sobre Serra (PSDB) – 79% dos válidos no segundo turno.

Primeiro cacique a se incorporar em 2002 à campanha de Lula, José Sarney foi o único a acompanhá-lo no avião que o devolveria a São Paulo oito anos depois.

Lula aprendeu a gostar dele. No passado, em comício no Maranhão, chamou Sarney de “ladrão”. No governo, encantado com seu apoio, batizou-o de “homem incomum” e fez-lhe quase todas as vontades.

A crise da segurança pública que provocou até aqui a decapitação de presos, atentados contra delegacias e a morte de uma criança queimada por bandidos, veio em má hora para os Sarney – e, por tabela, para Dilma.

Há um candidato favorito ao governo do Maranhão e ele é adversário da família – Flávio Dino, advogado, ex-deputado federal, filiado ao PC do B e atual presidente do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur).

No plano nacional, o PC do B está com a candidatura Dilma e não abre. No Maranhão, Dino está com a candidatura a presidente de Eduardo Campos (PSB), governador de Pernambuco. E também não abre.

Ali, na mais recente eleição municipal, o PSB apoiou Edivaldo Holanda Junior (PTC) para prefeito de São Luís, e indicou seu vice. Eduardo participou ativamente da campanha de Edivaldo. Que agora é eleitor de Dino.

Em Pernambuco, empurrada por Lula e Eduardo, Dilma teve três quartos dos votos. Agora não terá mais.

Minas Gerais presenteou-a no segundo turno com quase 60% dos votos válidos.
O candidato majoritário de Minas Gerais à vaga de Dilma é o senador Aécio Neves (PSDB). Que espera colher em São Paulo, com a ajuda do governador Geraldo Alckmin, candidato à reeleição, uma vitória igual ou maior do que a de Serra em 2010.

Detentos passam por revista após fim de uma rebelião, que durou 31 horas, na Penitenciária Nelson Hungria em Contagem.   Em fevereiro de 2013
Detentos passam por revista após fim de uma rebelião, que durou 31 horas, na Penitenciária Nelson Hungria em Contagem. Em fevereiro de 2013

A luz amarela está acesa nos bastidores da campanha por ora informal de Dilma. Vê só por que ela aparenta estar alheia ao que acontece no Maranhão?

Alguém viu por aí a ministra dos Direitos Humanos? Ela não deveria ter viajado ao Maranhão? Roseana vetou – e Dilma acatou o veto.

O procurador geral da República deverá pedir intervenção federal no Maranhão. A ministra dos Direitos Humanos empenhou-se para que seus conselheiros não pedissem. Foi bem-sucedida.

Roseana deixará o governo em abril próximo para ser candidata ao Senado.

Somente na semana passada ela quebrou o silêncio e falou sobre a crise.

Foi um desastre. Agrediu o bom senso. Revelou-se despreparada para o exercício do cargo que ocupa pela segunda vez. Traiu a arrogância de quem está acostumada a não dar satisfações ao distinto público.

Cometeu a frase desde já candidata à frase do ano: “Um dos problemas que está piorando a segurança é que o Estado está mais rico”.

O Maranhão tem a pior renda per capita entre os 27 Estados brasileiros. Está em 26º lugar em matéria de Índice de Desenvolvimento Humano. Quase 40% de sua população são pobres.

Ali, manda a família comum de um homem incomum.

OEA: Brasil deve proteger a vida de presos em Pernambuco

Presídio Aníbal Bruno, Recife
Presídio Aníbal Bruno, Recife

 

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) determinou ao governo brasileiro a adoção de medidas cautelares que protejam “a vida, integridade pessoal e saúde das pessoas privadas da liberdade” no Presídio Professor Aníbal Bruno, em Recife, Pernambuco. O Presídio Aníbal Bruno é uma das maiores prisões da América Latina, com cerca de 4.800 presos em espaço para 1.448. A decisão, divulgada no dia 8 de agosto, atende solicitação enviada em junho de 2011 pelas organizações Pastoral Carcerária de Pernambuco, Serviço Ecumênico de Militância nas Prisões, Pastoral Carcerária Nacional, Justiça Global e Clínica Internacional de Direitos Humanos da Faculdade de Direito de Harvard. O prazo para que o Estado brasileiro prestasse informações sobre o cumprimento das medidas cautelares terminou no dia 24 de agosto.

Superlotação, insalubridade, homicídios e tortura

A população atual do Presídio Aníbal Bruno equivale a três vezes mais que sua capacidade. Desde 2008 ocorreram ao menos 52 mortes violentas dentro da unidade, segundo um cruzamento de dados oficiais com outras provas colhidas pelas entidades que fizeram a denúncia. Somente em julho de 2011, dois presos foram mortos e vários outros ficaram feridos em decorrência de uma rebelião.

Antes de enviarem a denúncia à OEA, as organizações peticionárias realizaram diversas visitas ao presídio e constataram diretamente abusos sistemáticos e condições deploráveis de detenção. Foram registrados casos de presos que exibiam marcas de tortura, incluindo ossos quebrados e facadas na pele, e de presos portadores de graves problemas de saúde ou doenças contagiosas que não recebiam assistência médica.

Presos atuam como agentes de segurança

As organizações denunciaram o fato de certos presos designados pela administração do Aníbal Bruno desempenharem funções de agentes de segurança do presídio. Segundo a apuração dos peticionários, os “Chaveiros”, como são chamados, têm autoridade para supervisionar e controlar a os pavilhões, e são muitas vezes presos acusados de pertencerem a grupos de extermínio em Pernambuco.

O documento da OEA requer que o Estado brasileiro adote “as medidas necessárias para aumentar o pessoal de segurança do Presídio Professor Aníbal Bruno e garantir que sejam os agentes das forças de segurança do Estado os encarregados das funções de segurança interna, eliminando o sistema dos chamados ‘chaveiros’ e assegurando que não lhes sejam conferidas às pessoas privadas da liberdade funções disciplinarias, de controle ou de segurança”.

Leia a integra dos requerimentos feitos pela Comissão da OEA ao Brasil:

1. adotar todas as medidas necessárias para proteger a vida, integridade pessoal e saúde das pessoas privadas da liberdade no Presídio Professor Aníbal Bruno na cidade de Recife, Estado do Pernambuco;

2. adotar as medidas necessárias para aumentar o pessoal de segurança do Presídio Professor Aníbal Bruno e garantir que sejam os agentes das forcas de segurança do Estado os encarregados das funções de segurança interna, eliminando o sistema dos chamados “chaveiros” e assegurando que não lhes sejam conferidas às pessoas privadas da liberdade funções disciplinarias, de controle ou de segurança;

3. assegurar o provimento de uma atenção médica adequada aos beneficiários, oferecendo atendimento médico que permita a proteção da vida e da saúde dos beneficiários;

4. adotar todas as medidas necessárias para evitar a transmissão de doenças contagiosas dentro do Presídio Professor Aníbal Bruno, inclusive através de uma redução substantiva da superpopulação das pessoas ali privadas de liberdade;

5. adotar estas medidas em consulta com os representantes dos beneficiários; e

6. informar sobre as ações adotadas a fim de diminuir a situação de superpopulação verificada no Presídio Professor Aníbal Bruno.

Fonte: Justiça Global

De janeiro de 2006 a agosto de 2007,  Pernambuco era o estado brasileiro com o maior número de mortes nas penitenciárias: 35 mortes naturais, 3 suicídios, e 164 mortes criminais.

Eduardo Campos assumiu o governo de Pernambuco em 2007.  O que mudou?

 

 

 

Vídeo de decapitação faz mídia internacional olhar Maranhão

REBELIAO cabeça cortada

cabeças

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“É uma cena horrível, mesmo em um país que tem visto sua quota de violência”, diz texto no site da CNN.

Em um primeiro momento, a rede norte-americana de TV descreve as cenas sem citar que se trata de um presídio. E acrescenta: “A parte mais surpreendente? O ataque aconteceu dentro de uma prisão”.

O Brasil caminha para ser conhecido como o país das prisões de condições sub-humanas. Depois da Organização das Nações Unidas (ONUcobrar investigação sobre as horríveis cenas de violência no sistema carcerário do Maranhão, veículos internacionais abordaram o vídeo, divulgado ontem pela Folha de S. Paulo, que mostra corpos de presos decapitados no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís.

Já o Wall Street Journal chamou a filmagem de macabra e destacou que os eventos podem afetar a família Sarney.

“A imprensa local descreveu o incidente como um golpe para a família Sarney – liderada pelo senador e ex-presidente do Brasil, José Sarney, pai de Roseana – que tem dominado a política do Maranhão por meio século” diz o WSJ.

O jornal mais incisivo, no entanto, foi o espanhol “El País”, que diz que cenas como essa não são nenhuma novidade por aqui.

“Uma prisão construída para 1.700 pessoas tem 2.500. Uma área que deveria ser monitorada por agentes penitenciários é dominada por gangues criminosas. Vigilantes que deveriam impedir as irregularidades se abstém e, em alguns casos, são facilmente corrompidos. Tudo isso acontece no complexo penitenciário de Pedrinhas, o maior do Maranhão, mas pode muito bem ilustrar o que acontece na grande maioria das 1.478 prisões no país”, afirma o início da reportagem – bem completa – do jornal.

A repercussão tem causado choque não apenas pelas imagens brutais, mas também pela informação – sempre presente – de que mulheres e irmãs de presos estavam sendo obrigadas a fazer sexo para que seus companheiros não fossem assassinados, como ressaltou o francês Libération.

O tablóide britânico Daily Mail reproduziu muitas imagens do vídeo, com várias tarjas.

Fora a imprensa e a ONU, a Anistia Internacional também se manifestou pedindo que o Brasil aja para melhorar seu sistema carcerário, onde as violações aos direitos humanos constam há tempos em relatórios de organismos internacionais. (Fontes Revista Exame/ Google)

 

Presídio do Maranhão. Dos mortos degolados aos estupros de mulheres de presos

rebelião

Depois da visita, na última sexta-feira (20/12), do juiz auxiliar da Presidência do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) Douglas Martins, mais um preso foi assassinado no Complexo Penitenciário de Pedrinhas, em São Luís, e os assassinatos sobem para 59 só este ano. E vai morrer mais gente este ano.

pedrinhas

Informa Manuel Carlos Montenegro: Douglas Martins cobrou providências do governo maranhense para acabar com a violência cometida a familiares de presos durante as visitas íntimas realizadas nos presídios do complexo. Esposas e irmãs de presos [estão] sendo obrigadas a ter relações sexuais com líderes das facções criminosas, que ameaçam de morte os presos que se recusam a permitir o estupro das mulheres.

“As parentes de presos sem poder dentro da prisão estão pagando esse preço para que eles não sejam assassinados. É uma grave violação de direitos humanos”, afirmou o juiz, que é coordenador do Departamento de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (DMF) do CNJ. Ele vai incluir a informação no relatório sobre a situação de Pedrinhas que vai entregar ao presidente do CNJ, ministro Joaquim Barbosa esta semana. A visita ocorreu após a morte de um detento quinta-feira (19/12). Seria o 58º preso morto este ano no Complexo de Pedrinhas, segundo a imprensa maranhense.

A violência sexual seria facilitada pela falta de espaço adequado para as visitas íntimas, que acontecem em meio aos pavilhões, uma vez que as grades das celas foram depredadas. A lei determina que haja espaço adequado para esse tipo de visita. Sem espaços separados, as galerias abrigam cerca de 250 a 300 detentos que passam dia e noite juntos, o que estimularia brigas e uma rotina de agressões e mortes, segundo o juiz-auxiliar da presidência do CNJ.

“Por exigência dos líderes de facção, a direção da casa autorizou que as visitas íntimas acontecessem no meio das celas. Sou totalmente contrário à prática e pedi providências ao secretário da Justiça e da Administração Penitenciária (Sebastião Uchôa), que prometeu acabar com a prática em Pedrinhas”, disse Douglas Martins.

Rotina – Desde 2011, quando houve o Mutirão Carcerário do CNJ no Maranhão, o Conselho recomenda ao Poder Executivo maranhense a construção de unidades prisionais, especialmente no interior, para acabar com a superlotação do Complexo Penitenciário de Pedrinhas, o único do estado. Em outubro, após uma rebelião matar 9 detentos em Pedrinhas, o CNJ voltou ao estado para reiterar a necessidade de mudanças urgentes no sistema prisional local. Na ocasião, a governadora Roseana Sarney prometeu construir 11 unidades prisionais, das quais 10 no interior.

A situação, no entanto, segue precária. Segundo o magistrado do CNJ, foi possível visitar todas as unidades do complexo, mas não entrar em todas as áreas dos presídios por falta de segurança. “Como as celas não ficam fechadas, os agentes de segurança recomendaram não entrar porque os líderes das facções não teriam permitido e o acesso às dependências seria muito arriscado”, disse. A governadora do estado, Roseana Sarney, prometeu prestar informações sobre a crise no sistema prisional até terça-feira (24/12) ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

(Agência CNJ de Notícias)

O pra lá de complexo de Pedrinhas é conhecido internacional pelas rebeliões com cabeças degoladas. 

 

 

PROFISSÃO PERIGO. Blogueiros na mira

Na esteira dos assassinatos, o governo da presidente Dilma Rousseff tentou atenuar a noção de que o Brasil está se tornando uma zona vermelha para jornalistas. (…) A Copa do Mundo de 2014 vai ocorrer em 12 cidades por todo o Brasil e que, em meio a um maior escrutínio internacional, o governo está tentando defender a idéia de que o país é pacífico e amistoso para repórteres. 

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Em 23 de abril de 2012, Décio Sá, o jornalista e blogueiro mais influente do Maranhão, foi baleado três vezes na cabeça por um atirador que fugiu de motocicleta. Sá foi morto dois meses depois do assassinato de Mário Randolfo Marques Lopes, um combativo blogueiro que era editor de um site de notícias em Barra do Piraí, cidade localizada a 145 quilômetros a noroeste do Rio de Janeiro.

As mortes de Sá e Randolfo, os primeiros blogueiros brasileiros a serem mortos devido ao seu trabalho informativo, fazem parte de um aumento mais amplo no número de assassinatos de jornalistas no país desde 2011. O caso de Randolfo também é emblemático da difícil situação dos repórteres interioranos no Brasil: sem vínculos com os principais meios de comunicação de grandes centros urbanos, esses jornalistas não têm visibilidade e o apoio de colegas em nível nacional.

“Quando ocorre qualquer tipo de violência contra jornalistas, ela ameaça outros repórteres que poderiam querer fazer o mesmo tipo de trabalho”, afirmou Marcelo Moreira, editor-chefe da TV Globo no Rio de Janeiro e presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo(Abraji). “Isso é especialmente verdadeiro no Brasil, onde o número de ataques está aumentando. É por isso que estamos tão preocupados.”

Repórteres e agentes encarregados de manter a lei disseram ao Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ), durante visitas realizadas em setembro de 2012 às cidades de São Luís, Barra do Piraí e Rio de Janeiro, que Sá e Rodolfo provavelmente foram visados por suas enérgicas reportagens sobre a corrupção política local e o crime organizado; histórias que foram, em grande parte, ignoradas pela grande mídia estabelecida no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Novo padrão

Jornalistas de rádio foram amiúde baleados em áreas remotas do Brasil devido a reportagens agressivas e, muitas vezes, politicamente tendenciosas. Mas, os blogueiros que produzem notícias, vistos como mais independentes do que repórteres de rádio, vêm ganhando influência em muitas das pequenas e médias cidades do país. Dessa forma, eles se tornaram os alvos mais recentes daqueles que querem silenciar a mídia brasileira.

Não há estimativas oficiais do número de blogs noticiosos no Brasil. Uma pesquisa realizada em 2011 pelo Comitê Gestor da Internet no Brasil, criado pelo governo brasileiro, mostrou que 16% dos usuários online em áreas urbanas e 11% em áreas rurais haviam criado blogs. Os dados nada revelavam sobre a natureza das postagens, mas está claro que blogs e sites de notícias sérios, focados em eventos atuais, estão se reproduzindo por todo o país. Por exemplo, na cidade de São Luiz, capital do estado do Maranhão, onde Sá foi morto, cerca de 20 blogs com ampla difusão abordam notícias e política, segundo Marco Aurélio D’Eça, blogueiro que era um dos amigos mais próximos de Sá.

D’Eça contou ao CPJ que blogs e sites de notícias suplantaram o rádio como a mídia mais importante em muitas cidades e capitais no interior. Nestas regiões, frequentemente faltam jornais ou canais de TV locais com cobertura agressiva e estas são amplamente ignoradas pelos grandes e massivos meios de comunicação brasileiros.

As estações de rádio já supriram algumas dessas lacunas, mas muitas emissoras pertencem a políticos, e seus repórteres frequentemente produzem relatos que favorecem seus chefes, disse ele. Embora alguns blogueiros também estejam alinhados e sejam e pagos por políticos, comentou D’Eça, ele e muitos outros blogueiros independentes “têm mais liberdade para investigar” assuntos como tráfico de drogas, tráfico de pessoas e crimes ambientais.

Além disso, o noticiário de rádio geralmente visa audiências menos sofisticadas e fica no ar só por alguns minutos antes de desaparecer. Em contraste, disse D’Eça, notícias locais e comentários publicados online podem ter maior impacto porque as postagens são normalmente voltadas a uma audiência mais letrada, composta por políticos, líderes empresariais e formadores de opinião. Além disso, textos de blogs ficam disponíveis na internet por meses e podem ser reproduzidos e enviados por e-mail para atingir um público mais amplo. O resultado é que casos de corrupção, escândalos políticos e rumores em áreas rurais de Pernambuco, Mato Grosso, Bahia e outros estados – histórias que no passado teriam permanecido no âmbito local – podem agora ser lidas por usuários de internet em todo o país e repercutidas pela grande mídia.

Alvo de retaliação

Sá, de 42 anos, era um repórter político veterano do maior jornal da região, O Estado do Maranhão, pertencente à família Sarney, uma dinastia política liderada pelo ex-presidente brasileiro e ex-presidente do Senado José Sarney, cuja filha, Roseana Sarney, é governadora do estado. Sá tornou-se conhecido fora do jornal em 2006, quando iniciou seu independente Blog do Décio, que vigorosamente abordava a intersecção entre a política e o crime organizado.

As postagens que podem ter levado ao assassinato de Sá diziam respeito ao homicídio, ocorrido em março, de um empresário local. Mendes disse que Sá se antecipou à investigação policial ao conectar o caso a uma rede maranhense de agiotas que frequentemente emprestava enormes quantias para candidatos políticos em troca de contratos governamentais quando seus clientes fossem eleitos. O empresário morto, Fábio Brasil, aparentemente não pagara sua dívida, disse Mendes. Embora Sá não tenha publicado nomes, diversos comentários publicados sob sua postagem original sugeriam que o assassinato tinha sido encomendado por Gláucio Alencar e seu pai, José de Alencar Miranda Carvalho – renomados líderes do grupo de agiotas.

Como os líderes da quadrilha contavam com policiais corruptos e políticos em sua folha de pagamento, disse Mendes, eles estavam mais preocupados com o que Sá poderia revelar em seu blog do que com a investigação oficial da polícia. Assim, contrataram o mesmo atirador que assassinara Brasil para matar Sá, contou Mendes. Sá levou um tiro enquanto estava sentado em um bar em São Luís. Ele deixou esposa, que na época estava grávida, e uma filha.

Mendes contou ao CPJ que solucionar o crime era uma enorme prioridade. Sá não apenas trabalhava para a família Sarney, que exigia respostas, como era o jornalista mais conhecido do Maranhão. “Havia a sensação de que se eles podiam matar o Décio, podiam matar qualquer um”, afirmou Mendes. Um homem foi logo preso, confessou ser o atirador, e disse que o crime havia sido encomendado pela família Alencar, segundo Mendes. Gláucio Alencar, seu pai, e sete outros suspeitos – incluindo um subcomandante da Polícia Militar que supostamente forneceu a pistola usada para matar Sá – foram presos. Alencar e os outros suspeitos negaram as acusações e, assim como o suposto atirador, aguardam julgamento.

O assassinato de Sá atraiu grande atenção da imprensa brasileira e foi considerado solucionado em 50 dias. Em contrapartida, o assassinato de Randolfo permanece sob investigação e pouco chegou aos noticiários, segundo Moreira, presidente da Abraji. Ao contrário de Sá, Randolfo não trabalhava para um grande jornal e não tinha conexões políticas de peso. Ele também vivia em uma cidade muito menor, Vassouras, no estado do Rio de Janeiro, onde era fundador, editor-chefe e o principal blogueiro do site de noticias Vassouras na Net.

[Sequestrados e torturados]

Como muitos jornalistas de internet independentes, Randolfo se sustentava com a venda de publicidade em seu site para empresas locais, de acordo com Wilians Renato dos Santos, repórter policial para a RBP Rádio, na cidade de Barra do Piraí, onde Randolfo foi assassinato. Em suas postagens, Randolfo frequentemente acusava funcionários locais de corrupção e havia noticiado sobre uma suposta rede de assassinos de aluguel liderada por um ex-chefe de polícia de Vassouras. “Ele desafiava todo mundo”, disse Santos. “Denunciava crimes. Ele pôs muita gente em uma situação difícil, e queriam silenciá-lo.”

Ele descreveu Randolfo como um repórter honesto e ético. J. C. Moreira, amigo de Randolfo e presidente do sindicato dos jornalistas, disse que o blogueiro proclamava com frequência: “Ninguém pode me comprar”. Mas o chefe de polícia de Barra do Piraí, José Mário Salomão de Omena, contou ao CPJ que Randolfo também publicou boatos e investigou a vida pessoal de funcionários públicos, até escrevendo sobre seus casos extraconjugais. “Ele era como um franco-atirador desarmado. Não tinha limites”, disse Omena, que não era um dos alvos das investigações de Randolfo.

Em julho de 2011, um desconhecido entrou na redação do Vassouras na Net e disparou contra a cabeça de Randolfo, deixando-o em coma por três dias com uma bala alojada atrás de sua orelha direita. Ele sobreviveu e posteriormente denunciou em seu site que fora alvo de retaliação por ter revelado irregularidades na investigação de um assassinato. Ninguém foi acusado ou preso pelo atentado. Para sua segurança, Randolfo se transferiu em janeiro de Vassouras para Barra do Piraí, uma cidade de 88.000 habitantes. Mas as duas cidades estão a apenas 25 quilômetros de distância, e Randolfo não parou de escrever em seu site.

Randolfo foi assassinado em 9 de fevereiro de 2012 junto com sua companheira, Maria Aparecida Guimarães. Omena disse que os corpos foram encontrados na beira de uma estrada, nos arredores de Barra do Piraí. Ambos foram raptados da casa de Randolfo na noite anterior e mortos a tiros no início da manhã.

Coragem de escrever

Na esteira dos assassinatos de Sá e Randolfo, o governo da presidente Dilma Rousseff tentou atenuar a noção de que o Brasil está se tornando uma zona vermelha para jornalistas, de acordo com Moreira, presidente da Abraji. Ele assinalou que a Copa do Mundo de 2014 vai ocorrer em 12 cidades por todo o Brasil e que, em meio a um maior escrutínio internacional, o governo está tentando defender a ideia de que o país é pacífico e amistoso para repórteres. Mas pelo menos sete jornalistas brasileiros foram mortos por motivos diretamente relacionados ao seu trabalho entre janeiro de 2011 e outubro de 2012, tornando o país um dos mais letais para a imprensa.

Sá e Randolfo se apraziam em cutucar os poderosos, mas nenhum deles tomou qualquer medida especial para se proteger, de acordo com amigos e companheiros de profissão. Seus colegas blogueiros reagiram às mortes de maneiras diversas. Gildean Farias, editor online de O Imparcial, o jornal diário mais antigo de São Luís, disse que o assassinato de Sá o persuadiu a passar ao largo de política no blog que escreve para o jornal. D’Eça, ao contrário, tem usado seu blog para continuar a investigação de Sá sobre os agiotas do Maranhão.

Moreira disse que repórteres no Rio de Janeiro e São Paulo frequentemente veem jornalistas do interior como tendenciosos, corruptos e coniventes com políticos locais. Dessa forma, explicou, a grande mídia presta menos atenção quando esses repórteres e blogueiros são alvos de ataques. O assassinato de Randolfo nem chegou ao principal noticiário da TV Globo no Rio de Janeiro, apesar de o blogueiro ter sido morto numa cidade próxima. “Se não estão escrevendo para os grandes meios de comunicação, são praticamente inexistentes”, disse Moreira ao CPJ. “Mas esses blogueiros tiveram a coragem de escrever sobre as coisas ruins que estavam acontecendo em suas comunidades.”

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[John Otis, correspondente do Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) nos Andes, também trabalha como correspondente para a revista Time e para o Global Post. Este artigo foi adaptado de uma análise do relatório “Ataques à Imprensa: Jornalismo sob Fogo Cruzado”, que será lançado dia 14 de fevereiro. Transcrito do Observatório da Imprensa]