Jornalista Geraldo Ferreira sofre ameaça

por Ray Santos

Fundador e Editor-Chefe, jornalista Geraldo Ferreira (Gegê) e a nova sede do jornal O Arrastão
Fundador e Editor-Chefe, jornalista Geraldo Ferreira (Gegê) e a nova sede do jornal O Arrastão

O jornalista Geraldo Ferreira, mais conhecido por Gegê, proprietário e responsável pelo jornal impresso e site http://www.oarrastao.com.br da cidade de Antônio João em Mato Grosso do Sul foi ameaçado por um internauta desconhecido o qual postou a ameaça no próprio site e que se identificou comnome fictício. Confira o texto postado:

Nome: Antecartsson Ferreira Brugueth
Cidade: PONTA PORÃ/MS
Comentário: ESSE TRANCA , EDITOR DESSE JORNAL, FOI VC QUE DENUNCIOU, PARA PRF. VC SABE QUEM TRABALHA SÃO AS PESSOAS QUE MEXE COM O CONTRABANDO, VC CONHECE E FALA COM MUITOS DELES NÉ… POIS É EU TE CONHEÇO TAMBÉM, E IREI FAZER UMA VIZITINHA PRA VC, CABRA, TOMAR UM TERERÉ EM BAIXO DO TEU PÉ NE MANGA,SÓ ME AGUARDAR, VC NÃO PODE SE ASSUSTAR…

 

Em novembro Gegê publicou em seu site uma matéria intitulada “Policiais presos em Antônio João responderão a inquérito militar e correm risco de expulsão”. A ameaça foi postada na referida matéria o que leva a crer que a mesma é de autoria de alguém que se sentiu ofendido com o teor da matéria.

No entanto, a prisão dos referidos policiais deu-se em cima da Operação denominada “Alvorada Voraz” deflagrada pela Polícia Federal e que culminou com prisões de diversos policiais, inclusive de outras cidades sul-mato-grossenses.

Infelizmente nós jornalistas vivemos esse tipo de cotidiano. Somos ameaçados, perseguidos e incompreendidos e não são raras as vezes que sofremos com processos judiciais que em grande parte surgem por pessoas inescrupulosas e que estão mais enrolada do que fumo de corda com a própria justiça.

Recentemente tive que arcar com pesadas despesas com duas advogadas simplesmente para representar o jornal em uma instância judiciária em São Paulo cujo autor do processo, além de não levar nada e possuir mais de mil processos na justiça acabou causando me esse dessabor. Felizmente contei com a misericórdia dessas duas profissionais que realizaram um trabalho expecional e que custou me simplesmente o custo da defesa feita por elas.

Mas, quero aqui registrar o meu apoio ao colega e parceiro Geraldo Ferreira que está atravessando um mau momento e que simplesmente precisa de ajuda. Outrossim, aproveito para solicitar o apoio dos amigos jornalistas e proprietários de empresas de comunicação, inclusive da representação sindical regional de MS, afinal o assunto é grave e requer o mais urgente possível a severa apuração dos fatos com a imediata punição pelo responsável por essa ameaça.

Mortes encomendadas. Jornalistas na mira dos pistoleiros

Transcrevo artigo publicado no O Arastão, dirigido por Geraldo Ferreira, mais conhecido por Gegê, que também sofreu ameaça. Possivelmente da bandidagem policial.

Assassinato de jornalista na fronteira expõe insegurança da profissão

Ser jornalista está se tornando profissão de risco no Brasil. Após a morte do jornalista Paulo Rocaro em Ponta Porã, ainda sem esclarecimento e sem explicações por parte da Polícia e das demais autoridades, outros casos de agressão estão ficando cada vez mais comuns no Brasil.

Paulo Rocaro
Paulo Rocaro

 

No começo do mês, em Campinas, São Paulo, jornalistas que chegavam ao estádio Moisés Lucarelli foram agredidos por torcedores que estavam lá para assistir o jogo São Paulo e Ponte. Não se sabe ainda o motivo das agressões.

Na cidade de Barreiras, Bahia o jornalista Carlos Alberto Sampaio, acusa o vereador Sidnei Giachini (PP) de tentá-lo agredi-lo e de preferir palavras de baixo calão, precisando ser contido por populares e funcionários da Prefeitura de Luís Eduardo Magalhães para evitar que o ato se consumasse.

No final de janeiro em São Paulo o repórter Felipe Frazão, da TV Estadão, foi agredido por um manifestante enquanto cobria protesto em São Paulo contra ações do governo na cracolândia e em Pinheirinho.

O fotógrafo e diretor do site Nossacara, de Eunápolis, Bahia, Urbino Brito, foi agredido no dia 05 de fevereiro por um jovem de vulgo “Dingo”, filho de um comerciante local do ramo automobilístico, que ainda feriu mais duas pessoas com garrafas de cerveja. Motivo: fotografou o jovem bloqueando a passagem de pedestres com o carro.

Mais casos

Já o jornalista André Luiz de Oliveira, da Rádio Frequência Garopaba, Santa Catarina apanhou porque estava registrando as atividades de um caminhão utilizado em limpeza de fossa, em um restaurante à beira mar. Levou 10 dez pontos no rosto e ainda corre o risco de perder parcialmente a visão do olho direito.

Em Caxias do Sul, o ex-deputado federal e ex-prefeito da cidade gaúcha, Paulo Marinho ameaçou o editor da coluna Caxias em Off, do Jornal Pequeno, Jotônio Vianna, que o deixou irritado com as análises do jornalista sobre a sucessão municipal. No blog que mantém lembrou a morte de um jornalista de Caxias ocorrido em 1992 e disse que o fato poderia se repetir agora com Jotônio Vianna, que registrou boletim de ocorrência contra o acusado.

Ex-prefeito Paulo Marinho
Ex-prefeito Paulo Marinho

 

Em Campo Grande quem foi agredido foi o jornalista Ademar Cardoso, 49 anos, durante o evento de Desfile de Fantasias do Armazém Cultural. A assessoria da empresa privada que prestava serviço à prefeitura da capital disse que os seguranças estavam apenas se defendendo do jornalista.

No Carnaval de Recife quem levou a pior foi o repórter do NE10, Nilton Villanova que fazia a cobertura dos desfiles de blocos nas ladeiras de Olinda, no início da tarde de domingo (19), quando foi surpreendido por um grupo de jovens. Além de levarem o equipamento de trabalho do jornalista (um IPhone), os jovens o cercaram e o agrediram com socos na barriga e empurrões.

Já Paulo Rocaro foi o segundo jornalista morto no Brasil este ano. Antes dele, haviam assassinado no Estado do Rio de Janeiro, na cidade de Vassouras, Mário Randolfo Marques Lopes e de sua companheira Maria Aparecida Guimarães, ambos executados com um tiro no ouvido.

Mário havia sofrido um atentado em julho de 2011, quando recebeu cinco disparos de um homem encapuzado, no seu antigo endereço em Vassouras. O atentado não foi esclarecido pela polícia e ele mudou para Barra do Piraí. Ele veiculava denúncias de corrupção e escândalos políticos no site “Vassouras na net”, de sua propriedade.

Em 2011, a ONG Repórter Sem Fronteiras registrou a queda do Brasil, em 41 posições, no ranking mundial da liberdade de imprensa elaborado pela entidade.

A insegurança presentes em todas as regiões foi determinante para o país ocupar a 99ª posição. A cobertura de temas como a corrupção, meio ambiente e crime organizado foi apontada como a mais perigosa para jornalistas e blogueiros brasileiros. Foram assassinados quatro jornalistas no ano passado e o cinegrafista Gelson Domingos foi alvejado por um tiro durante uma cobertura no Rio de Janeiro. Nenhum dos crimes foi solucionado.

Federalização já!

Em nota, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) defende que a apuração dos crimes contra jornalistas seja federalizada, conforme previsto no Projeto de Lei 1.078/11. “Avançar para uma rápida tramitação e aprovação de tal proposta, diante dos dois recentes casos de violência contra profissionais de imprensa, hoje se impõe não como um desejo corporativo, mas como uma necessidade premente de um país que realmente reconheça na liberdade de imprensa um pilar fundamental para o efetivo exercício da cidadania e da democracia”.