Gênova 2001: a memória indignada

genova2001

 

por Josep Maria Antentas e Esther Vivas

Tradução: Paulo Marques

Os protestos em Gênova significaram o momento culminante da fase de crescimento linear do movimento altermundialista depois do Encontro Ministerial da OMC em novembro de 1999 em Seattle, que representou o início de um novo ciclo internacional de mobilizações. Foi a constatação de que o movimento havia passado de, essencialmente uma força simbólica a possuir uma capacidade de mobilização real. Gênova chegou pouco depois da celebração do primeiro Fórum Social Mundial de Porto Alegre em janeiro de 2001, sob a hoje já consigna de “outro mundo é possível”, cuja pertinência é ainda mais evidente em plena crise global.

Os acontecimentos nesta cidade italiana capturaram o imaginário de milhões de pessoas e de múltiplos movimentos e lutas sociais de todo o planeta, que se sentiram identificados com a mensagem de crítica radical a globalização capitalista de protestos que viveram como seus próprios. A massividade das mobilizações, sua radicalidade e o elevado nível de confrontação entre @s manifestantes e o poder marcaram a dinâmica de dias decisivos, onde o tempo histórico pareceu acelerar-se de forma muito intensa na esteira da intenção d@s ativistas de “liberar” a cidade, de entrar na proíbida “zona vermelha”, e de desestabilizar a cúpula. “Nós somos milhões, eles 8” era o sentimento geral daquel@s que desembarcaram na histórica cidade portuária dispostos a desafiar os amos do mundo.

O assasinato do jovem Carlo Giuliani na jornada de ação direta do 20 de julho por um disparo da policia e o assalto policial a escola Díaz foram os episódios mais dolorosos das mobilizações marcadas por uma feroz repressão. Habilitada como um lugar para dormir e reunir-se por parte de alguns manifestantes estrangeiros, a escola Díaz se converteu na noite de 21 de julho em cenário de uma vendeta policial que deixaria um saldo de 63 feridos e dezenas de presos, ocasionando um grande escândalo político e midiático e um longo processo judicial.

Gênova marcou o início de um forte período de protestos sociais contra o governo Berlusconi. Uma verdadeira “geração Genova” emergiu na Itália, que passou a ser um dos epicentros da luta global.

As mobilizações sustentadas na Grécia e a ascenção do movimento d@s indignad@s no Estado espanhol, sem esquecer a vitória no referéndum da água na mesma Itália, são os sintomas mais destacados da ascenção de um novo período de lutas, cujo desafio é internacionalizar e “europeizar” as resistências emergentes.

(Transcrevi trechos)

O filme Diaz e Black Bloc

por Celamar Maione

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Sobre os Black Blocs, o grupo que vem agitando as manifestações. Eu tenho a minha opinião sobre: são um bando de garotos mimados, rebeldes sem causa, que sofrem com o descaso do poder público, como todo cidadão, mas acreditam que têm o direito de protestar e conseguir mudança na base da força.

São verdadeiras massas de manobra, manipulados por partidos políticos, sofrem de um vazio patológico e ainda se acham cheios de razão. Quem não concorda com os ideais “utópicos” dos “black blocs” são chamados de reacionários.

Eles acham-se o supra sumo da intelectualidade. Ontem eu estava vendo num vídeo, um discurso de um deles e deu vontade de rir. Total falta de noção. Discurso vazio. Sem conteúdo.

Tenho certeza que os políticos estão adorando os “Black Blocs”. São patéticos. A que ponto chegamos! Já deu! Mudança se faz com inteligência. O resto é presepada.

Brasil protesto

Concordo com Celamar Maione. Os “Black Blocs”, inclusive, justificam a ação brutal da polícia contra os manifestantes.

Existe um filme magnífico sobre esses extremistas, dependendo do regime, chamados de comunistas, anarquistas, capitalistas. Em Diaz, um grupo de jovens ativistas se reúne para o Fórum Social de Genova, que ocorre ao mesmo tempo que um encontro do G8. Eles ficam acampados na escola Diaz-Pascoli, e acabam surpreendidos com um ataque brutal da polícia, na noite de 21 de julho de 2011. Muitos vão parar no hospital e, mais tarde, acabam em um centro de detenção. A polícia planta dois coquetéis Motolov no local para justificar a ação. Mais informações aqui (clique). Inclusive trailer.

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É um filme que recomendo. A polícia em ação com seus cacetes, bate para matar; e chuta, e arrebenta estudantes e jornalistas. Até hoje nenhum policial foi preso pelo sangue derramado. As prisões, os interrogatórios são de um sadismo que lembra o fascismo. Do filme poderemos tirar várias lições.

Que sempre existirá infiltrados da polícia. Para motivar a violência dos jovens e, consequentemente, a resposta da ordem pública – o terrorismo policial, como legenda de medo, e assim afastar o povo das ruas – os manifestantes pacíficos.

Entre os vândalos existem, além dos policiais, agentes estrangeiros – a Primavera Árabe bem comprova essa participação.

O que difere um Black Bloc de um infiltrado, que este é um profissional pago.

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