A justiça de Pernambuco morre de medo no governo de Eduardo Campos

A DISPUTA DA FAZENDA GRILADA, QUE MATOU O PROMOTOR THIAGO FARIA AMORIM TEM UMA FONTE D’ÁGUA MINERAL QUE GERA O LUCRO DE UM MILHÃO POR MÊS, INFORMOU A POLÍCIA.

PARA A FUNAI É TERRA DOS ÍNDIOS, QUE O INCRA ESTAVA DESAPROPRIANDO PARA OS SEM TERRA.

CAUSA ESPANTO ESTA PROPRIEDADE TER SIDO LEILOADA POR CEM MIL REAIS. 

Escreve a procuradora Noelia Brito: Damázio e Eduardo deveriam mandar esses policiais valentões que ficam agredindo os jovens e os trabalhadores nos protestos aqui na Região Metropolitana lá pro Triângulo da Pistolagem, ali pras bandas de Itaíba e Águas Belas. Eles são tão corajosos pra enfrentar a meninada não é mesmo? Chamam a gurizada de vagabundos, terroristas, vândalos, prostitutas, dão tabefes, pescoção, gravata…Quero ver lá! Tá, que eu quero ver…

Com esses bandidos todos protegidos pelo poder político só mesmo uma legião de Promotores pra atuar na Região

Elite do MPPE na região

Força-tarefa formada por promotores locais e de atuação nacional vai passar a atuar em conjunto no AgrestePromotor Marcelo Grenhalgh foi transferido de São José da Coroa Grande para assumir Itaíba, onde chegou ontem

O grupo de promotores de Justiça escolhido para atuar no inquérito policial do assassinato do promotor de Itaíba, Thiago Faria Soares, foi escolhido a dedo. A equipe reúne especialistas nas áreas criminal, especialmente organizações criminosas, e conflitos agrários, pontos que se destacam nas investigações do crime, ocorrido segunda-feira. Para tratar do inquérito ou de pontos decorrentes dele, o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) designou 11 promotores com atuação no estado, em Rondônia e Minas Gerais. Antes mesmo da nomeação, prevista para hoje no Diário Oficial do Estado, o promotor Marcelo Grenhalgh de Cerqueira Lima e Moraes Penalva Santos circulou ontem em Itaíba. Ele será o titular da promotoria e também atuará na força-tarefa montada para dar celeridade aos processos civis e criminais dos 22 municípios da 5ª Circunscrição Ministerial, no Agreste.Ao todo, o procurador geral de Justiça Aguinaldo Fenelon designa em três portarias 17 promotores para atuar na região. O trabalho de investigação não individualizado diminui a atenção sobre um promotor como ocorreu aparentemente com Thiago. O promotor assassinado pediu a suspeição no julgamento de 16 processos envolvendo a família da noiva, a advogada Mysheva Martins. Ele, inclusive, seria transferido para Jupi,uma maneira de agilizar tais processos pendentes. Com as nomeações, uma das prioridades será analisar processos envolvendo a família Martins, de forte influência na região.

Em Itaíba, população está se acostumando a rondas

Alguns integrantes, no entanto, são apontados como responsáveis por crimes na região, como homicídios e roubo de carga. Essa rede criminosa levou a CPI da Pistolagem, instalada pela Assembleia Legislativa, que investigou a participação do clã, no ano 2000.

Outros dois grupos também foram investigados. Um deles seria comandado por José Maria Pedro Rosendo Barbosa, o Zé Maria de Mané de Pedo, suspeito de ser o mandante do assassinato de Thiago. Zé Maria, por sua vez, teria agido na morte de Thiago em parceria com Edmacy Cruz Ubirajara, cunhado dele e apontado como autor dos disparos contra o ex-promotor de Itaíba. Edmacir, segundo o Ministério Público de Sergipe, é suspeito de matar uma pessoa na Praia de Robalo, em 1990. Por aqui, ele tinha dois mandatos de prisão expedidos por roubo, datados de 1996 e 2000.

Revezamento

Dos 17 promotores, 10 vão trabalhar em ações ligadas ao inquérito policiail. Esse grupo inclui promotores do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC), que integra o Conselho Nacioanal de Procuradores Geral (CPG). Dois são de Rondônia, Eriberto Gomes Barroso e Otávio Xavier Junior, e um de Minas Gerais, Fábio Galindo Silvestre. Outros sete, onde também está incluído Marcelo Grenhalgh, vão atuar se revezar nos trabalhos nos 22 municípios da região. Esse novo modelo é uma tentativa de deixar mais impeesoal o trabalho dos promotores e prevenir ameaças e homicídios.

Perfis

Marcelo Grenhalgh de Cerqueira Lima e Moraes Penalva Santos
Antes de ser designado para Itaíba, o promotor de Justiç a atuou em São José da Coroa Grande, Tacaratu, Belém de São Francisco, Serra Talhada. A sua experiência no Ministério Público começou no Mato Grosso do Sul, onde trabalhou em Ponta Porã, muncípio conhecido por conflitos de terra.

Edgar Braz Mendes Nunes
Responde hoje pela 25ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital. No currículo, a subcoordenadoria do Grupo Nacional de Combate às Organizações Criminosas (GNCOC) Norte e Nordeste, investigação e denúncia de grupos de extermínios e acusação no caso Maristela Just, assassinada pelo marido José Ramos Lopes Neto.

Edson José Guerra
Atualmente trabalha na 31ª Promotoria de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital. É conhecido pela especialização em ações agrárias, tendo atuado em conflitos no Sertão do São Francisco e na Mata Sul, a exemplo do Engenho Vila Rica, em Xexéu.

Emmanuel Cavalcanti Pacheco
Promotor titular de Águas Belas desde janeiro deste ano. Embora esteja a menos de um ano no munícipio, conhece bem a realidade social e política da região.

Epaminondas Ribeiro Tavares
Está à frente da 3ª Promotoria de Justiça de Abreu e Lima. E tem participação no Ministério Público marcada pelo trabalho no Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco)

Guilherme Vieira Castro
Atua na Promotoria de Justiça de Sertânia, uma das mais importantes do Sertão do Pajeú. Teve papel destacado na região ao exigir, neste ano, que a prefeitura municipal respeitasse a lei do nepotismo.

Ricardo Lapenda Figueiroa
Na 12ª Promotoria de Justiça Criminal da Capital, o promotor vai participar da força-tarefa tendo no currículo a participação no Caso Serrambi, processo que investigou as mortes das estudantes Maria Eduarda Dourada e Tarsila Gusmão.

Tathiana Barros Gomes
Hoje na Promotoria de Justiça do Cabo de Santo Agostinho, a promotora atuou nos municípios de Floresta, Inajá e Arcoverde, no Sertão pernambucano. Em Arcoverde, denunciou os três acusados pela morte do advogado Luiz Antônio Esteves Brito, na época vice-presidentee municipal do PSB.
(DIARIO DE PERNAMBUCO)

http://www.estadao.com.br/noticias/nacional,no-sertao-tucano-ajuda-novos-lideres-na-velha-politica,1084768,0.htm

http://noeliabritoblog.blogspot.com.br/2013/10/a-velha-politica-que-fez-de-eduardo.html?showComment=1382009283392

A advogada Mysheva Ferrão Martins
A advogada Mysheva Ferrão Martins e o promotor Thiago Faria Soares

Caso do promotor tem versão passional

Surge uma nova versão a respeito do assassinato do promotor Thiago Faria Soares, ocorrido na última segundafeira. Uma fonte ligada à família da noiva procurou a reportagem da Folha de Pernambuco e contou que o crime pode ter tido motivação passional. Temendo perigo de vida, a fonte pediu para não ser identificada, mas contou detalhes de como omotivo pode ter desencadeado a execução do jurista. De acordo com a fonte, um ex-noivo da advogada Mysheva Ferrão Martins, dono de uma funerária, teria tido vários desentendimentos com o promotor e motivos para matá-lo. Em uma das ocasiões, Thiago teria o chamado de moleque. O empresário teria mantido por dois anos um envolvimento amoroso comMysheva. O relacionamento, no entanto, teria terminado depois que a advogada conheceu o promotor, em janeiro deste ano. Segundo as informações repassadas com exclusividade à Folha de Pernambuco, este homem teria fornecido à advogada um empréstimo de R$ 100 mil para o arremate da Fazenda Nova, propriedade apontada como a causa da execução de Thiago Faria. O dinheiro teria sido devolvido a ele depois que o valor de uma casa hipotecada pela advogada foi liberado. A fonte também informou que o promotor e a advogada já haviam casado no civil, indicando que, a partir da morte dele, Mysheva seria beneficiária de um seguro de vida e de uma pensão mensal. A advogada, até então, não é considerada suspeita pela polícia. Ela e o tio estavam com Thiago quando o veículo dele foi atacado por pistoleiros. O promotor foi atingido por quatro disparos e morreu na hora. Mysheva e o tio conseguiram escapar ilesos. Se confirmadas durante as investigações, as novas informações podem gerar uma reviravolta no caso que chocou o Estado. Até agora, a Secretaria de Defesa Social (SDS) trabalha com a hipótese de que uma briga por terras tenha motivado o assassinato.

A morte do jornalismo e a morte do promotor

PROCURADO

por Roberto Numeriano

A cobertura noticiosa em torno do assassinato do promotor Thiago Soares é um dos mais fortes sinais de que o jornalismo está sendo reduzido ao registro do factual. Passados quatro dias do evento, os jornais repisam e reprisam as mesmas fontes, com ligeiras variações de hipóteses a respeito das causas. Em geral, os repórteres parecem tocados por uma onipresente e onisciente “voz do dono”, assumindo uma versão oficialista, sempre a toque de caixa. Parece-nos que, no afã de buscar a solução imediata do caso, subscrevem a tese (irrevogável) esposada pelo procurador-geral do MPPE, que desde o primeiro dia das investigações já tinha os culpados, faltando quase formular a pena ideal.

É compreensível a reação do MPPE, mas não é aceitável presumir nada, jornalisticamente falando, quanto ao caso. Também é compreensível a pressão exercida pelo sr. Eduardo Campos, pois esse crime expõe nacionalmente uma das fraquezas do programa “Pacto pela Vida”, que é a ocorrência anual, aos milhares, de assassinatos no estado de Pernambuco. Mata-se por aqui a três por quatro, mas a execução de um promotor público é, queiram ou não, um evento antes político do que criminal. (A morte dos mortais comuns é só mesmo mais uma morte nas estatísticas). No meio desses dois interesses é que temos a morte do jornalismo; ou, pelo menos, mais um óbito dentre tantos que eu lamento, como professor e cidadão.

O maior exemplo dessa pobre cobertura jornalística foi dado pelo MST, na pessoa do seu principal líder no estado, sr. Jaime Amorim, que precisou publicar um artigo no blog de Jamildo para se fazer ouvir. Claro, os jornais já faziam referência ao fato de haver acampados do MST no entorno da Fazenda Nova, em Itaíba. Mas nenhuma das reportagens foi ouvir o pessoal do Movimento, provavelmente a parte que poderia passar os dados mais relevantes sobre o litígio, dado que conhece os interesses de todas as partes. Contudo, ninguém, como manda uma das mais comezinhas regras de apuração jornalística, foi procurar os acampados.

Um outro aspecto desse jornalismo oficialista, manietado ou amordaçado nos desvãos dos muitos interesses políticos e empresariais, é o medo ou incapacidade de narrar um evento com isenção. Esse medo é tanto que, mesmo o emprego do verbo na condicional termina por evocar no eleitor uma sensação oposta ao que se quer resguardar. Vejam como isso ocorre, conforme li numa matéria publicada no dia 17: “A compra da terra foi questionada no Tribunal Regional do Trabalho pelo então morador da fazenda, José Maria e, segundo investigação da polícia, o promotor teria atuado nos corredores do judiciário para conversar sobre o processo. A dúvida é se essa atuação era enquanto promotor ou como noivo, de ordem pessoal”. Ora, se realmente o promotor andou nos corredores do Fórum para “conversar sobre o processo”, não haveria como agir, nesse caso, “como noivo”. Jamais seria possível se eximir da condição de promotor, sendo, ainda que indiretamente, interessado na causa. E o que dizer do verbo ter na condicional, por assim dizer, “emprestado” à investigação policial? O que faz com que um repórter nem à polícia atribua a certeza de um dado obtido numa investigação? Se a polícia não pode afirmar, cabe ao repórter levantar.

Esse jornalismo do factual fica a correr atrás do próprio rabo, escudando-se nas armadilhas das suposições e das dízimas de verbos na condicional, conforme podemos ver na mesma reportagem: “Toda a suposta negociação do promotor para ajudar a noiva na desocupação da fazenda, além do processo por crime ambiental que o promotor estaria investigando, e uma tentativa de assassinato que teria sido praticada no passado pelo pai de Mysheva contra José Maria, teriam provocado a fúria do fazendeiro, na avaliação da polícia”. Isso, no fim das contas, parece fofoca de comadres no batente de uma porta.

Ninguém foi ao fórum; ninguém foi ao MST; ninguém foi ao Incra; ninguém buscou, no MPPE, levantar quais os processos nos quais a vítima trabalhava (se não houver segredo de Justiça sobre os mesmos, são de consulta pública); ninguém procurou levantar o passo a passo do suposto autor, no dia do crime; ninguém procurou saber, em detalhes, a vida afetiva do casal, que há pouco tempo se conheceu e já estava com casamento marcado. A advogada Mysheva, uma mulher bonita, pode ter saído de uma relação recente e, por mais que para ela o antigo namorado fosse passado, pode ser que o mesmo não aceitasse a separação etc etc etc. Ou seja, falta/faltou ao caso, desde o início, a mais básica investigação jornalística. A “voz do dono” tem imperado nesse desastre de cobertura. À reboque da polícia e do MPPE, um batalhão de repórteres esconde-se atrás de “supostos”, “teriam”, “estariam”, “poderiam”, e assim por diante.

Me perdoem, caros leitores do blog, essa abordagem e crítica a um jornalismo que demonstra nossa regressão na apuração e redação de notícias. Sou professor de jornalismo. Dói muito ver esse jornalismo que gosta de alardear prêmios em concursos nacionais (é fácil fazer jornalismo com o tempo nas mãos), mas não consegue apurar com competência, a quente, um caso dessa importância e repercussão nacionais. Leia os comentários dos leitores

Posição do MST de Pernambuco sobre o assassinato do promotor Thiago Farias

por Jaime Amorim

A imprensa tem anunciado que os suposto assassino de Thiago Faria morto na segunda-feira (14/10), na PE-300, que liga o município de Águas Belas e Itaiba são os donos da fazenda Nova localizado no município de Águas Belas.

O mais esquisito ainda é que a imprensa tem dado conotação para o crime como conflito agrário tendo como origem um leilão de terra de 25 hectares promovido pela A justiça e arrematado pela noiva do promotor.

Primeiro uma correção: O crime não esta vinculada a questão agrária, pois o conceito de questão agrária é bem mais amplo, mas sim, na disputa de terra entre grandes proprietários da família Martins e o senhor Jose Pedro, ambas as famílias com muita posse e poder político na região.

Tudo poderia esta dentro da conformidade deste processo de disputa de terra se não fosse o fato fundamental que vem sendo esquecido pela imprensa, e pelo secretario de defesa social. A fazenda Nova esta ocupada por um grupo de 60 famílias de trabalhadores rurais. Desde abril de 2004, o INCRA vem tentando desapropriar o imóvel, o órgão já realizou a vistoria e a área foi classificada como grande propriedade improdutiva, portanto passiva de desapropriação para a Reforma Agrária.

Em 2004 as famílias foram violentamente despejadas da Fazenda Nova, por capangas do proprietário, em conjunto com a polícia militar. Durante o despejo o próprio proprietário determinou a prisão de dois dirigentes do MST, que foram levados à delegacia de Águas Belas, sendo transferidos para o presídio de Saloá, onde ficaram presos durante 30 dias.

Na época o proprietário fez questão de dizer publicamente que quem manda em Águas Belas, na prefeitura, no cartório de registro de imóvel, na delegacia de policia, no fórum, enfim é como todos grandes donos de terras se sentem nos pequenos municípios do interior.

Lembrando que os dois superintendentes do INCRA de Pernambuco são da região: Aberlado Siqueira e Luis Aroldo, atual superintendente, que é de Águas Belas. E por conhecer o problema agrário sempre foram a favor da desapropriação da fazenda Nova, bem como a importância política da desapropriação desse imóvel, para o município e região, o que se tem de mais atrasado na estrutura agrária e na cultura política brasileira.

A Fazenda Nova foi impossibilitada até hoje de sua desapropriação porque, a FUNAI considera como de interesse dos povos indígenas, portanto esta posição da FUNAI impede qualquer transação do imóvel. Seja desapropriação, compra e venda ou outras formas. Como se explica então que esse processo ocorre de forma legal no âmbito da justiça?

Não é estranho, que a justiça determine o leilão de uma terra que foi constatada como território indígena?

A família de um promotor público ligado a outros proprietários de terras arremata a terra em leilão, e o proprietário descontente com o processo manda assassinar. E ninguém fala do interesse do INCRA no processo, da forma como INCRA foi impedido (possivelmente o documento da FUNAI determinando o imóvel como terra indígena para impedir a desapropriação também foi comprado por influencia do proprietário). Leia os comentários no Blog de Jamildo

[Jaime Amorim esqueceu de citar a fonte de água mineral. “De acordo com o secretário Wilson Damázio, na fazenda existe uma fonte de água mineral que gerava um lucro mensal de R$ 1 milhão“.
Que suspeita autoridade assinou a outorga?
Era uma fonte clandestina?
Inacreditável uma fonte, que rende um milhão por mês, ser leiloada por cem reais.
E leiloada pela justiça que esqueceu de ouvir o Incra e a Funai.
Acreditando no secretário Damázio, a morte do promotor foi causada pela posse de uma fonte de água mineral, que a justiça corrupta colocou em leilão.]

Holocausto no Brasil. Genocídio na Amazônia e campo de concentração em Minas Gerais. Os crimes escondidos, no Brasil, das mineradoras internacionais

A CHACINA QUE O MUNDO TODO VIU MENOS OS BRASILEIROS

Empalação

empalação 2

por Eduardo Bueres

Genocidio no Brasil. Campo de concentração em Minas Gerais,  aquela que depois se tornaria o grande ícone da imprensa no Brasil [ Tv Globo] dá um show de desinformação. Estrangeiros vêm no Brasil, filmam tudo e as imagens rodam o mundo. 

Expedição do SPI ao Xingu. Primeiro contato com os índios Mehinaku, 1944 | Heinz Forthmann: Museu do Índio:Funai
Expedição do SPI ao Xingu. Primeiro contato com os índios Mehinaku, 1944 | Heinz Forthmann: Museu do Índio:Funai

O grande ícone da grande imprensa brasileira, estrategicamente, acusa erroneamente garimpeiros brasileiros da chacina, mobilizando a opinião pública mundial contra o Brasil. A justiça brasileira investiga e, um mês depois, descobre que a culpa são de empresas como a Arruda e Junqueira, empresas terceirizadas por Nelson Rockefeller e pela CIA para o extermínio generalizado de centenas de tribos que vivem em regiões de interesse de mineradoras internacionais. Mas isso não é transmitido para o mundo e nem para o Brasil. Segundo decisão dos donos da grande emissora “para não gerar uma visão negativa do Brasil do exterior”. 

O ano é 1963. O padre Edgar Smith recebe em seu confessionário o genocida Ataíde Pereira que, prevendo a morte breve e atormentado pelos crimes que havia cometido, procura o padre para confessar seus pecados e tentar de alguma forma mudar o rumo das coisas. Todos seus companheiros já estão mortos, o chefe da expedição, Francisco Brito, o piloto do avião que bombardeara a tribo e até o próprio padre Edgar estariam mortos algumas semanas mais tarde. Além disso não havia recebido os quinze dólares prometidos pelo serviço. O padre convenceu Pereira de repetir sua confissão em um gravador e entregou a fita ao SPI, Serviço de Proteção ao Indio. O caso foi abafado no Brasil, mas não no mundo. Finalmente, com toda a pressão internacional o caso chega ao procurador geral de justiça que pede uma investigação completa do caso.

As provas do genocidio são incontestáveis, 20 volumes de provas são coletados e acusam que entre 1957 e 1968 cerca de 100 mil indios foram assassinados por mineradoras estrangeiras. Os que não resistiram a ocupação, tiveram a vida poupada e foram levados para Crenaque em M.G. onde existia um enorme campo de concentração onde mais alguns milhares morreriam de fome e maus tratos.
O detalhamento do genocídio é chocante: os Nambikuaras haviam sido mortos com metralhadoras, os Pataxós com varíola inoculada no lugar de vacinas, os Canelas mortos por jagunços, os Maxakalis drogados e mortos a tiros, os Beiços de Pau receberam alimentos com formicida e arsênico.
Todas as tribos estudadas pelo SIL haviam sido mortas. O Instituto Summer de Linguística aprendia a língua da tribo o suficiente para dar alternativa aos índios. Ou eles fugiam para o campo de Crenaque (origem do nome) ou morreriam. Trechos da confissão de Pereira mostram como era a vida do matador:
” …estavamos com bastante medo uns dos outros. Nesse tipo de lugar, as pessoas atiram umas nas outras, e são alvejadas, pode-se dizer, sem saber a razão. Quando abrem um buraco em você , eles tem mania de enfiar uma flecha na ferida, para colocar a culpa nos indios…”
As próximas vítimas eram os Cintas-Largas, uma pequena tribo indígena da Amazônia brasileira que havia cometido o erro de se instalar sobre uma mina de nióbio e se recusavam a sair.
O depoimento de Pereira da chacina dos Cintas- Largas mosta como era o cotidiano desses matadores. Após metralhar toda tribo, haviam sobrados somente uma jovem menina e uma criança que chorava abraçada a menina no centro da aldeia. Os matadores pedem pela vida da menina, alegando que pode ser usada para prostituição”. Chico atravessou a cabeça da criança com um tiro. Ele parecia descontrolado. Ficamos muito assustados. Ele amarrou a garota índia de cabeça para baixo numa árvore, as pernas separadas, e a rasgou ao meio com o facão. Quase com um único golpe, eu diria. A aldeia parecia um matadouro. Ele se acalmou depois de cortar a mulher, e nos disse para queimar as cabanas, jogar os corpos no rio.
Depois disso, pegamos nossas coisas e retomamos o caminho de volta, tomando cuidado para esconder nossas pegadas. Mal sabia que um dia a pegada a ser apagada seria ele.
No fim foi provado que o SPI estava diretamente envolvido nas chacinas com a distribuição de roupas contaminadas por varíola, alimentos envenenados, crianças escravizadas, mulheres prostituídas e muito mais.
Dos 700 funcionários, 134 foram processados, mas todos perdoados na ditadura, foram então treinados pela CIA aos moldes da Policia Tribal do Departamento de Assuntos Indios(BIA) dos EUA e colocados sob a chefia do ex-chefe do serviço militar de informações. Assim por mais alguns anos a FUNAI adotou a politica de arrendar terras indigenas para empresas mineradoras, encaminhando os índios para morrerem em Crenaque. [A tribo indígena Crenaque, na região do Vale do Rio Doce, Minas Gerais, em 2010, vivia em uma pequena reserva. Chamados de Aimorés, os cremaque estavam reduzidos à cerca de apenas 150 indivíduos]
Caçadores crenaque do Vale do Rio Doce, no Estado do Espírito Santo, posam com seus arcos e flechas, divertidos e receosos por serem fotografados, por volta de 1910. Os crenaques, aparentados aos botocudos, pertenciam a um dos grupos que mais resistiram à colonização portuguesa
Caçadores crenaque do Vale do Rio Doce, no Estado do Espírito Santo, posam com seus arcos e flechas, divertidos e receosos por serem fotografados, por volta de 1910. Os crenaques, aparentados aos botocudos, pertenciam a um dos grupos que mais resistiram à colonização portuguesa
Os militares do ministério do interior cooperavam com a agência americana de pesquisa geológica, mapeando a Amazônia.
Trechos do livro Seja Feita a Vossa Vontade de Gerard Colby com Charlotte Dennett. A grande e maior rede de TV do Brasil é  uma ferramenta criada pela CIA para esconder a operação Brother Sam e a extração de niobio do Brasil. Através de Nelson Rockefeller a CIA obtém, usando a CBMM do falecido amigo e sócio, Walter Moreira Salles o nióbio de Araxá praticamente de graça.
Quando Getulio Vargas descobriu, e tentou interromper esse processo, foi deposto no golpe militar que levaria a sua morte.
Quando Jango descobriu, cassou a Hanna Mineradora e anunciou as reformas de base, também morreu.
Em todos esses momentos Moreira Salles estava presente. Agora que o Ministério Público começou a investigar a relação desta emissora com a CBMM, surgiu a PEC 37. Se não colar, os tumultos estão ai nas ruas, como o IPES fez em 1964, criando o caos para justificar a intervenção militar.
Não podemos fazer protestos violentos, e a razão da luta não pode ser aumento do preço da passagem, e sim o fim da exploração oculta do nióbio. Isso é a origem de todo problema.
Precisamos mostrar aos EUA que nós sabemos o que está se passando para que ele libere ainda mais a famosa emissora e grande rede de TV brasileira da obrigação de nos manter desinformados, sempre sabotando o QI dos brasileiros com programas alienativos, condenando ao esquecimento nossos heróis e politicos honestos, e escondendo o extermínio sistemático dos nossos índios para beneficiar as empresas estrangeiras, facilitando seus interesses, até  tomarem posse de suas terras sem serem notadas. Acorda Brasil!
[Em 15 de maio de 2009, a jornalista Roberta Vieira informava que Shirley Krenak ia ser a atriz principal de um filme francês, tendo como cenário a aldeia da tribo indígena Crenaque na região de Valadares.
Skirley Krenak
Skirley Krenak
De acordo com Maria Tereza Alves, roteirista e diretora, o objetivo da película é mostrar o preconceito que existe por parte dos europeus em relação aos indígenas. Quando indagada se o nível de preconceito na Europa é alto, a resposta é rápida: “O mesmo nível de preconceito que existe no Brasil. O filme abordará o racismo que existe na Europa em relação às comunidades indígenas. Vai mostrar o que eles pensam a respeito dessas pessoas. O preconceito que existe na França é igual ao que existe no Brasil, no mesmo nível”, explicou.
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O príncipe alemão Maximilian Alexander Philipp Wied-Neuwied, esteve no Brasil em 1818, e escreveu sobre os costumes e a língua dos botocudos, inclusive um dicionário. Levou um índio com ele, Kuêk.

Foto do príncipe Maximilian
Foto do príncipe Maximilian
A foto de empalação publicada por Eduardo Bueres, tudo indica, visou ilustrar o esquartejamento de uma índia. Este método de execução e punição foi introduzido no Brasil pelos portugueses. A empalação, também, era praticada nas Américas pelos espanhóis.
A foto de empalação acima não consegui identificar a origem. Recentemente, em novembro de 2011, em Salvador, Bahia, “o corpo de Fernanda Souza Mendonça, de 26 anos, foi encontrado no interior da sua casa na rua Antônio Martins de Lima, localizada no bairro de Bom Juá, segundo informações da 9ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM). O corpo da vítima, que morava sozinha, apresentava sinais de violência sexual e teria sido empalada com dois cabos de vassoura.
O pedaço de madeira atravessou a vagina e saiu no pescoço de Fernanda” .
CAMPOS DE CONCENTRAÇÃO
Em uma série de reportagens sobre a seca no Nordeste, Mauri Kónig fala de um campo de concentração em Fortaleza para os retirantes.  O padre Bianor Aranha me revelou a existência de um campo de concentração em Umbuzeiro, construído por João Pessoa, para os presos da Guerra de Princesa.
Pouco se fala, mas em Crenaque existiu um campo de concentração.]

UM CAMPO DE CONCENTRAÇÃO INDÍGENA A 200 QUILÔMETROS DE BELO HORIZONTE (MG)

por André Campos

Localizada poucas horas a nordeste de Belo Horizonte (MG), próxima à região da Serra do Cipó, a Fazenda Guarani foi, a partir do fim de 1972, uma continuação da experiência de confinamento de índios iniciada quatro anos antes, com a instalação do Reformatório Krenak em Resplendor (MG).

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O Posto Indígena Guido Marlière, que abrigava o reformatório e os índios krenaks, vinha há anos tendo partes de suas terras ocupadas por fazendeiros. Algo que ocorria com a anuência do Serviço de Proteção aos Índios (SPI), órgão federal que antecedeu a Fundação Nacional do Índio (Funai). Durante décadas, foi política oficial do SPI o arrendamento a terceiros de lotes nas áreas dos índios. “Esse foi o instrumento que patrocinou oficialmente a invasão de quase todas as terras indígenas até então demarcadas em todo o país”, escreve Egon Reck, experiente ativista do Conselho Indigenista Missionário (Cimi).

A pressão para que fosse extinto o Posto Indígena Guido Marlière levou à negociação de uma permuta entre a Funai e o governo mineiro. As terras foram cedidas aos fazendeiros, e, em contrapartida, o órgão federal recebeu a Fazenda Guarani, uma área pertencente à Polícia Militar, no município de Carmésia (MG).  Em 1972, concretizado o acordo, a Ajudância Minas Bahia, órgão regional da Funai, transferiu para lá todos os indígenas de Resplendor – os krenaks e os presos do reformatório.

“Fomos despejados dentro de um vagão de carga, que nem animais”, conta Edmar Krenak, que era criança quando ocorreu a transferência. “Eu lembro da tristeza dos índios mais velhos. Meu pai mesmo não queria sair de dentro da casa. Armou-se de arco e flecha, deu um trabalho e teve que ir algemado”. Nesse novo “lar”, os krenaks relatam diversas privações. “Lá era muito frio e não tinha nada para comer. Só banana”, lembra Maria Sônia Krenak..

NA LUTA PELAS TERRAS EM ARACRUZ

A Fazenda Guarani assumiu o papel, antes exercido pelo Reformatório Krenak, de central carcerária indígena da ditadura. Para o local passaram a ser enviados diversos os índios e comunidades envolvidos em litígios Brasil afora.

“Quando começamos a lutar pela demarcação das terras aqui no município de Aracruz (ES), eles levaram a gente para lá”, revela Toninho Guarani, indígena guarani mbyá que passou parte de sua adolescência em naquele local. “Eles colocavam a própria polícia militar para vigiar. Ninguém podia entrar e ninguém podia sair.”

Os guaranis, explica Toninho, caminham pelo mundo seguindo revelações. E foi uma revelação de sua avó que levou seu grupo a iniciar, ainda na década de 1940, uma caminhada de contornos épicos, partindo do sul do país em busca da chamada “terra sem males” – o local onde, segundo a crença da etnia, é possível alcançar um estado de perfeição e ascender a uma espécie de paraíso.

Já na década de 1960, eles chegaram em Aracruz (ES), então um município litorâneo com boa parte da sua fauna e mata preservados. Mas sobre aquele lugar, uma terra supostamente propícia para a busca da “terra sem males”, também repousavam planos para viabilizar enormes plantações de eucalipto. E o choque de interesses levou os indígenas, sob pressão e a contragosto, para a Fazenda Guarani.

“Em Minas Gerais e no Espírito Santo, se houve alguma resistência de um povo indígena, eles pegavam essas pessoas e levavam pra lá”, diz Toninho, que perdeu um irmão na Fazenda Guarani, morto devido a uma picada de cobra.

O confinamento, avalia ele, foi uma tentativa de impor o sedentarismo aos guaranis, cujas contínuas migrações pelo sul do continente, frequentemente associadas a motivações espirituais, são amplamente documentadas desde o século XIX. “Foi uma violação dos direitos sagrados dos nossos líderes religiosos. Nós lutamos para que o Estado brasileiro reconheça o direito do nosso povo de fazer essas caminhadas”, reivindica Toninho.

Depois de alguns anos, os guaranis fugiram da fazenda e empreenderam nova peregrinação – percorrendo longos trechos de carona ou mesmo a pé. Em 1983, a Justiça determinou a homologação da área indígena ocupada pelos guaranis naquele município.

A ANUÊNCIA DOS ALTOS ESCALÕES

Em 1973, pouco após a transferência do Reformatório Krenak para a Fazenda Guarani, mudou também a chefia da Ajudância Minas Bahia da Funai. Assumiu o posto João Geraldo Itatuitim Ruas, um quadro histórico do SPI e um dos primeiros servidores de origem indígenas a integrarem o serviço público brasileiro.

Itatuitim conta ter sido salvo da morte por uma missionária católica, após sua mãe morrer no parto – segundo a tradição de sua etnia, do Alto Xingu, as crianças que não recebiam o leite materno supostamente eram sacrificadas. Entregue ao Marechal Rondon, foi criado entre brancos e estudou com a mãe de Darcy Ribeiro antes de ingressar nas fileiras do órgão indigenista.

Com essa biografia, Itatuitim, sofreu ao se tornar encarregado da Fazenda Guarani ao assumir a Ajucância. “Imagina o que era para mim, como índio, ouvir a ordem do dia do cabo Vicente (policial militar e chefe local do posto indígena), botando todos os presidiários em fila indiana, antes de tomarem um café corrido, ameaçando baixar o cacete em quem andasse errado. E alertando que, para aquele que fugisse, havia quatro cachorros policiais, treinados e farejadores, prontos para agir”, exemplifica. “Eles não trabalhavam no sábado, que era dia de lavar a roupa, costurar, essas coisas todas. Mas, durante a semana, era trabalho escravo!”

Itatuitim conta ter procurado o general Bandeira de Mello, então presidente da Funai, para discutir o fim da instituição correcional. Do general, diz ele, ouviu a seguinte pergunta: “Por que você vai salvar 50 índios que já estão condenados à morte?”.

Não satisfeito, o chefe da Ajudância Minas Bahia procurou o então ministro do Interior – o engenheiro Maurício Rangel Reis, morto em 1986. “Ao invés de me tratar com educação, ele me maltratou. Disse que eu queria perdoar, e ameaçou me demitir”, relembra.

Mesmo assim, Itatuitim afirma ter começado a enviar diversos índios que estavam confinados na Fazenda Guarani de volta às suas aldeias de origem. Algo que, de acordo com ele, teria contribuído para a sua demissão da Funai, pouco tempo depois.

Além dos “infratores”, a Fazenda Guarani também recebia indígenas para “tratamento mental”. Apesar, no local, de não haver nenhum atendimento psiquiátrico disponível.

Um deles foi um índio da etnia campa que, segundo diz sua ficha individual, já havia sido clinicamente diagnosticado como esquizofrênico. Entre outras excentricidades, ele dizia ser dono de vários automóveis e aviões, além de amigo íntimo do mandatário supremo da nação. “Sempre que um avião passa sobre esse reformatório ele pula e grita, dizendo que é o presidente vindo buscá-lo”, escreveu o chefe de posto a seu respeito.

Cela do casarão da fazenda Guarani
Cela do casarão da fazenda Guarani
Grade de entrada na cela
Grade de entrada na cela

As denúncias sobre o uso da Fazenda Guarani como local de prisão, confinamento ou despejo de índios “sem terra” seguiram até o final da década de 1970. Atualmente, lá vive apenas um grupo pataxó, cujos primeiros representantes foram remanejados por conta de conflitos fundiários em Porto Seguro (BA), acompanhados de novas levas após a “desmilitarização” da fazenda. Hoje, a comunidade pataxó na Fazenda Guarani é composta por 280 pessoas.

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Como resquícios da presença da polícia militar, o local ainda conserva as ruínas da antiga capela e do engenho. O casarão que servia como sede para os destacamentos policiais foi convertido em moradia para alguns dos indígenas. E a antiga solitária – um cubículo de, no máximo, quatro metros quadrados – virou um depósito onde se empilham os cachos de banana colhidos nas redondezas.

André Campos, 31 anos, é autor de reportagens e documentários investigativos e pesquisa há cinco anos as cadeias indígenas da ditadura.  Esta reportagem foi realizada através do Concurso de Microbolsas de Reportagem da Pública. André Campos não faz referência ao relatório do Edgar Smith (In Pública)

Memoria de un genocidio

El Relatorio Figueiredo es un informe de 1968 que recoge la sistemática violación de derechos humanos sufrida por las poblaciones indígenas de Brasil. Durante decenios estuvo perdido. Su reciente descubrimiento ha vuelto a poner de actualidad una realidad trágica con más de quinientos años de historia.

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por Juanma COSTOYA

Alo largo de cuarenta años se habló en Brasil del Relatorio Figueiredo como de una leyenda. Se le consideraba perdido o censurado y la versión más difundida estimaba que toda la comprometida documentación agrupada bajo este nombre se había quemado en un incendio ocurrido hace decenios en el Ministerio de Agricultura brasileño. La incomodidad de su contenido y el destino había determinado que las cincuenta cajas que contenían las más de siete mil páginas del Relatorio Figueiredo hubieran permanecido simplemente ignoradas, acumulando polvo en un oscuro almacén gubernamental. La donación por parte del organismo gubernamental FUNAI (Fundación de Ayuda al Indio) del conjunto de cajas sin catalogar y su traslado al Museo del Indio de Río de Janeiro permitieron, hace escasas semanas, su localización por uno de los abogados que trabajan para la Comisión Nacional de la Verdad, creada en 2012, a fin de esclarecer los crímenes cometidos contra la población indígena del país carioca entre los años 1946 y 1988.

Como hace siglos, la realidad de los indígenas americanos sigue en el centro del huracán. La prensa brasileña habla del auge del lobby ruralista, compuesto, en una parte importante por terratenientes y compañías mineras. Su influencia es grande en el Congreso y Dilma Rousseff, la actual presidenta del país, no puede desdeñar casi ningún apoyo.

Jader de Figueiredo

El Relatorio Figueiredo lleva el nombre de su autor, el procurador Jader de Figueiredo Correia. Siguiendo los dictados del Ministerio de Interior brasileño, el funcionario Figueiredo inició a comienzos de 1967 un viaje de 14.000 kilómetros por el interior de su inmenso país, visitando 18 estados y contactando con 130 puestos indígenas. En su transcurso fueron entrevistados docenas de miembros del SPI (Servicio de Protección al Indio) y se tomaron gran número de fotografías. Las conclusiones del colosal informe fueron espeluznantes.

En esas páginas, que se muestran amarillentas a día de hoy, redactadas a máquina y a doble espacio y presididas por el escudo del Ministerio del Interior brasileño, se habla de desvío de recursos, de la venta ilegítima de tierras indígenas, de asesinatos masivos y torturas, de envenenamientos y secuestros, de prostitución de las jóvenes indígenas, de esclavitud y de todo un catálogo de horrores coronados por la impunidad más absoluta.

Medios internacionales como «The New York Times» o «Der Spiegel» se hicieron en su día eco del informe poniendo a la dictadura brasileña del presidente Emilio Garrastazu (1969-74) en una situación incómoda. Jader de Figueiredo, por su parte, fue amenazado de muerte en repetidas ocasiones, sufrió atentados, y su familia en Fortaleza precisó de escolta durante varios años.

El propio Figueiredo se reveló como un verso suelto en la polarizada sociedad brasileña de la época. Tenaz e incorruptible, denostado por la derecha y, sobre todo, por los representantes de estancieros, empresas mineras y terratenientes, tampoco se hizo querer por la izquierda debido a su condición de funcionario de la dictadura.

Figueiredo moriría en 1976, a los 53 años, en un accidente de autobús. La última etapa de su existencia fue amarga. El colosal esfuerzo invertido en su Relatorio y los riesgos corridos se saldaron únicamente con unas cuantas dimisiones y algún cese. Ningún responsable de las matanzas y de los terribles abusos cometidos conoció la prisión. El siniestro Servicio de Protección al Indio fue refundado y se convertiría en el FUNAI.

En el fondo, nada trascendente había sucedido y los abusos simplemente se enmascararon para poder continuar.

Norman Lewis

A pesar de todo, el Relatorio Figueiredo cayó como una bomba en determinados ambientes. Lo que era un secreto a voces acabó por tener confirmación oficial. Un decenio antes de que se hiciera público el informe, el antropólogo francés Claude Lévi-Strauss ya había denunciado en su obra «Tristes Trópicos» (1955) prácticas criminales al servicio de intereses especuladores, los grao fino de la sociedad brasileña de 1930. De los hospitales, por ejemplo, se recolectaba ropa de enfermos infectados por la viruela. Estas prendas envenenadas eran después donadas a tribus o abandonadas, en forma de presentes, en los caminos frecuentados por los indígenas. Se buscaba una mortandad inmediata y devastadora. Strauss también recoge que los mismos que toleraban y hasta fomentaban estas prácticas mantenían una doctrina oficial de lamento y escándalo por las matanzas perpetradas por los exploradores europeos del XVI en su país.

El Relatorio tampoco pasaría desapercibido en Europa. El escritor Norman Lewis (1908-2003) redactó, en 1969, para «The Sunday Times», un largo reportaje en el que reflejaba sus experiencias viajeras por América del Sur contrastándolas con las conclusiones del informe Figueiredo al que consideraba verídico hasta en sus últimos detalles. El reportaje provocó tal conmoción en Europa que fue el detonante de la formación de Survival International, la organización no gubernamental que nació con la vocación de velar por los derechos indígenas en el mundo.

El encabezamiento del reportaje de Lewis ha quedado como una lección de historia resumida en dos líneas. «Del fuego a la espada al arsénico y las balas, la civilización condenó a seis millones de indios a la extinción». En su largo artículo, Lewis incluía al padre Las Casas, el dominico sevillano autor de la celebérrima «Brevísima relación de la destrucción de las Indias» (1552) y a Lévi Strauss como autoridades intelectuales que habían denunciado el silencioso genocidio indígena con casi cinco siglos de diferencia. Lewis incluía en su escrito una reveladora declaración literal del antropólogo francés: «Los indígenas no son gente del pasado o retrasados, por el contrario atesoran un genio para la acción y la invención que se sitúa muy lejos de muchos logros de la gente llamada civilizada».

«Dios contra los indios»

Norman Lewis, al que el Graham Greene calificó como uno de los mejores escritores del siglo XX, fue, al igual que Jader de Figueiredo, otro verso suelto. A diferencia de los grandes escritores británicos de viajes no vino al mundo en el seno de una familia de aristócratas o funcionarios coloniales. Desde muy joven hubo de trabajar para ganarse la vida y lo hizo en los más variados oficios, desde paragüero hasta fotógrafo o vendedor comercial. Ni rastro en su biografía de la elitista camaradería de los happy few, los educados a caballo entre Eton y Oxford o Cambridge. En una entrevista dejó clara su visión del mundo al afirmar que en sus viajes a alguna de las regiones más remotas del mundo nunca se había sentido superior a la gente a la que trataba.

Las sociedades indígenas de América del Sur le causaron honda conmoción. En sus largos y continuos viajes a esta zona del mundo pronto descubrió que el genocidio indígena no era solo cosa del pasado. Una nueva hecatombe se estaba produciendo en esos mismos momentos y por obra de aquellos a quienes la sociedad consideraba como garantes de los derechos de los más débiles: los misioneros. De Guatemala a Paraguay y de Bolivia a la cuenca amazónica las sectas evangelistas norteamericanas actuaban con inmunidad y letal eficacia. Arrastrados por un celo fanático e ignorante y en connivencia en muchas ocasiones con intereses económicos y estratégicos por completo ajenos a las sociedades indígenas, los misioneros lograban en tiempo récord la aculturización de los nativos, paso previo a una desorientación vital y a una apatía generalizadas, lo que, más temprano que tarde, desembocaba en patologías que segaban la vida de sociedades enteras.

Testigo impotente de esta situación, Norman Lewis escribió un libro memorable «Misioneros. Dios contra los indios» (1988). Esta obra, publicada en su día por la editorial Herder y hoy descatalogada y a la que solo es posible acceder por medio de librerías cuyos fondos se exhiban en la red, destila humanidad y sentido común frente al cerrilismo criminal y obtuso de los misioneros evangelistas norteamericanos.

Como si no hubieran pasado cinco siglos desde que Las Casas advirtiera de las tropelías de la colonización española en América, volvían a repetirse a finales del siglo XX la esclavitud encubierta, el tráfico de seres humanos, las indagaciones en busca de materias primas y minerales estratégicos y los trapicheos con plumas de aves y pieles de jaguares, todo ello mezclado y encubierto con una teología medievalizante, mercantilizadora y puritana que sería cómica de no ser tan trágica.

Claude Lévi-Strauss

Lévi-Strauss (1908-2009) pasa por ser uno de los intelectuales de referencia del siglo XX. Fundador de la antropología estructural y de la Asociación Internacional de Lingüística, su público más amplio le conoce por su obra «Tristes Trópicos». Es célebre y polémica la frase que da origen a esta obra: «Odio los viajes y los exploradores». De forma paradójica, en este ensayo novelado reflexiona sobre las expediciones científicas que llevó a cabo en algunas de las áreas más apartadas del Brasil de finales de los años 30. El jurado del Premio Goncourt dijo lamentar no poder premiarlo ya que, en rigor, no era una obra de ficción.

El autor afirma haber conocido a muchos misioneros y sentir aprecio por la labor humana y científica de muchos de ellos. Hace, sin embargo, una salvedad clara, la de los misioneros norteamericanos que trataban de introducirse en su área de estudio entonces, el Mato Grosso central. Asegura de ellos que provenían de familias campesinas educadas en los ambientes rurales de Nebraska o Dakota, creyentes en la literalidad del infierno bíblico y los calderos de aceite hirviendo; convencidos de su salvación «como se contrata un seguro». Dueños de un fanatismo y una ignorancia proporcionales, Lévi-Strauss les acusaba también de una crueldad y de una falta de humanidad escandalosa en el trato con los indígenas.

A corrupção na Funai e o “selvagem” índio brasileiro

Mapa do Século XVI
Mapa do Século XVI

 

Por que o índio brasileiro tem que ser diferente do índio boliviano? Mais de 50% da população da Bolívia é indígena; menos de 40 % mestiços dos povos originários; 9 % brancos. Não esquecer que Evo Morales é o primeiro presidente índio depois da invasão e conquista européia.

A política de tratar o índio como selvagem, bugre, negro da terra, um colonialismo disfarçado de bondade ou negação de tudo que a Bolívia oferece, depois do fim do apartheid indígena. (T.A.)

 

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Governo precisa fazer uma limpeza na Funai

por Nélio Jacob

Em recente comentário, Valmor Stédile tocou num fato intrigante, que merece atenção. Nem otimismo, nem pessimismo, apenas realismo. Pelos caminhos tomados pela carruagem, tem-se ideia aonde se quer chegar.

Acordo assinado na ONU dando as tribos indígenas autonomia
política e administrativa, logo depois juntando as diversas tribos que fazem fronteira com outros países, numa área contínua com o nome de Nação Ianomami, agora a movimentação dos índios querendo mais terras, com apoio da Funai, de setores religiosos e principalmente ONGs estrangeiras.

Tendo em vista os acontecimentos no mundo atual, em que vale tudo para um país roubar a riqueza de outro, não custa nada ter cautela. As grandes potências, não precisam tomar as riquezas do Brasil à força, enquanto conseguirem isso devagar, mas sem custo, na base da conversa, aproveitando-se da falta de nacionalismo de nossos governantes.

Também o comentarista Jorge Jerônimo está certíssimo. Se o governo defendesse os interesses nacionais, expulsaria essas dezenas de milhares de ONGS estrangeiras, que são na verdade eficientes espiãs, e proibiria o acesso de pregadores religiosos às tribos indígenas.

São essas organizações civis e religiosas que fazem a cabeça das tribos, levando-as a crer que quanto maior a área que possuírem, melhor será sua vida. Qual a necessidade de uma tribo indígena, com uma população ínfima, ter áreas quilométricas, não faz sentido.

O desejo de todo ser humano é melhorar de vida, ter acesso a modernidade etc., e é isso que os índios querem e precisam, só que para conseguir isso, influenciados, estão tomando um
um caminho que vai de encontro à soberania nacional.

Cabe ao governo tomar providências, começando por uma limpeza profunda na Funai.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

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