Papa Francisco: “É muito difícil de conduzir uma família para a frente sem ter uma casa”

Vaticano – O papa Francisco apelou hoje (22), nas vésperas do Natal, às autoridades políticas e aos serviços sociais do mundo inteiro para que façam “todo o possível para que todas as famílias possam ter uma casa”.

Da janela do apartamento, para milhares de fiéis reunidos para a Oração do Angelus, na Praça de São Pedro, o papa argentino disse: “Vejo lá em baixo, escrito em letra grande [numa faixa] ‘Os pobres não podem esperar’. É lindo isso!”, disse Francisco, que foi em seguida muito aplaudido.

“Há tantas famílias sem casa, seja porque nunca tiveram ou porque perderam por tantas razões diferentes. Famílias e casas andam de mãos dadas. É muito difícil de conduzir uma família para a frente sem ter uma casa”, disse o pontífice.

Francisco convidou “todas as pessoas, serviços sociais e autoridades a fazerem tudo ao seu alcance para garantir que todas as famílias tenham uma casa”.

O papa dirigiu-se, por fim, às dezenas de manifestantes que se reuniram contra a austeridade na Praça de São Pedro, apelando para que recusem o confronto. As forças policiais italianas tinham reforçado a segurança em torno do Vaticano, como medida de precaução.

No fim da sua curta aparição, o papa desejou a todos “um Natal de esperança, de justiça e de fraternidade”. (Agência Brasil)

SOLUCÃO À BRASILEIRA

VIADUTO

Comenta a TV Revolta: Então quer dizer que gastando milhares de reais dos cofres públicos com pedras para colocar em baixo do viaduto vai resolver a situação dos moradores de rua, né? E o pior que nós estamos bancando essas coisas sem poder opinar.
Estamos nas mãos desses canalhas! Até quando?
Indicação de vídeo: Vereador de Piraí diz que mendigo deveria ‘virar ração’http://www.youtube.com/watch?v=OtHMmlXJDUw
“A lei, no Brasil, só serve para político e vagabundo, não para trabalhador”, afirma catador de papelão. Assista:
http://www.folhapolitica.org/2013/06/a-lei-no-brasil-so-serve-para-politico.html

O CAMINHO DA FRATERNIDADE. MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO PARA A CELEBRAÇÃO DO DIA MUNDIAL DA PAZ: 1º DE JANEIRO DE 2014

Globalização

Em muitas partes do mundo, parece não conhecer tréguas a grave lesão dos direitos humanos fundamentais, sobretudo dos direitos à vida e à liberdade de religião. Exemplo preocupante disso mesmo é o dramático fenómeno do tráfico de seres humanos, sobre cuja vida e desespero especulam pessoas sem escrúpulos. Às guerras feitas de confrontos armados juntam-se guerras menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem nos campos económico e financeiro com meios igualmente demolidores de vidas, de famílias, de empresas.

A globalização, como afirmou Bento XVI, torna-nos vizinhos, mas não nos faz irmãos. As inúmeras situações de desigualdade, pobreza e injustiça indicam não só uma profunda carência de fraternidade, mas também a ausência duma cultura de solidariedade. As novas ideologias, caracterizadas por generalizado individualismo, egocentrismo e consumismo materialista, debilitam os laços sociais, alimentando aquela mentalidade do «descartável» que induz ao desprezo e abandono dos mais fracos, daqueles que são considerados «inúteis». Assim, a convivência humana assemelha-se sempre mais a um mero do ut des pragmático e egoísta.

Pobreza

Na Caritas in veritate, o meu Predecessor lembrava ao mundo que uma causa importante da pobreza é a falta defraternidade entre os povos e entre os homens. Em muitas sociedades, sentimos uma profunda pobreza relacional, devido à carência de sólidas relações familiares e comunitárias; assistimos, preocupados, ao crescimento de diferentes tipos de carências, marginalização, solidão e de várias formas de dependência patológica. Uma tal pobreza só pode ser superada através da redescoberta e valorização de relações fraternas no seio das famílias e das comunidades, através da partilha das alegrias e tristezas, das dificuldades e sucessos presentes na vida das pessoas.

Além disso, se por um lado se verifica uma redução da pobreza absoluta, por outro não podemos deixar de reconhecer um grave aumento da pobreza relativa, isto é, de desigualdades entre pessoas e grupos que convivem numa região específica ou num determinado contexto histórico-cultural. Neste sentido, servem políticas eficazes que promovam o princípio da fraternidade, garantindo às pessoas – iguais na sua dignidade e nos seus direitos fundamentais – acesso aos «capitais», aos serviços, aos recursos educativos, sanitários e tecnológicos, para que cada uma delas tenha oportunidade de exprimir e realizar o seu projecto de vida e possa desenvolver-se plenamente como pessoa.

Reconhece-se haver necessidade também de políticas que sirvam para atenuar a excessiva desigualdade de rendimento. Não devemos esquecer o ensinamento da Igreja sobre a chamada hipoteca social, segundo a qual, se é lícito – como diz São Tomás de Aquino – e mesmo necessário que «o homem tenha a propriedade dos bens», quanto ao uso, porém, «não deve considerar as coisas exteriores que legitimamente possui só como próprias, mas também como comuns, no sentido de que possam beneficiar não só a si mas também aos outros».

 Economia

As graves crises financeiras e económicas dos nossos dias – que têm a sua origem no progressivo afastamento do homem de Deus e do próximo, com a ambição desmedida de bens materiais, por um lado, e o empobrecimento das relações interpessoais e comunitárias, por outro – impeliram muitas pessoas a buscar o bem-estar, a felicidade e a segurança no consumo e no lucro fora de toda a lógica duma economia saudável. Já, em 1979, o Papa João Paulo II alertava para a existência de «um real e perceptível perigo de que, enquanto progride enormemente o domínio do homem sobre o mundo das coisas, ele perca os fios essenciais deste seu domínio e, de diversas maneiras, submeta a elas a sua humanidade, e ele próprio se torne objecto de multiforme manipulação, se bem que muitas vezes não directamente perceptível; manipulação através de toda a organização da vida comunitária, mediante o sistema de produção e por meio de pressões dos meios de comunicação social».

As sucessivas crises económicas devem levar a repensar adequadamente os modelos de desenvolvimento económico e a mudar os estilos de vida. A crise actual, com pesadas consequências na vida das pessoas, pode ser também uma ocasião propícia para recuperar as virtudes da prudência, temperança, justiça e fortaleza. Elas podem ajudar-nos a superar os momentos difíceis e a redescobrir os laços fraternos que nos unem uns aos outros, com a confiança profunda de que o homem tem necessidade e é capaz de algo mais do que a maximização do próprio lucro individual. As referidas virtudes são necessárias sobretudo para construir e manter uma sociedade à medida da dignidade humana.

Guerra

Ao longo do ano que termina, muitos irmãos e irmãs nossos continuaram a viver a experiência dilacerante da guerra, que constitui uma grave e profunda ferida infligida à fraternidade.

Há muitos conflitos que se consumam na indiferença geral. A todos aqueles que vivem em terras onde as armas impõem terror e destruição, asseguro a minha solidariedade pessoal e a de toda a Igreja. Esta última tem por missão levar o amor de Cristo também às vítimas indefesas das guerras esquecidas, através da oração pela paz, do serviço aos feridos, aos famintos, aos refugiados, aos deslocados e a quantos vivem no terror. De igual modo a Igreja levanta a sua voz para fazer chegar aos responsáveis o grito de dor desta humanidade atribulada e fazer cessar, juntamente com as hostilidades, todo o abuso e violação dos direitos fundamentais do homem.

Por este motivo, desejo dirigir um forte apelo a quantos semeiam violência e morte, com as armas: naquele que hoje considerais apenas um inimigo a abater, redescobri o vosso irmão e detende a vossa mão! Renunciai à via das armas e ide ao encontro do outro com o diálogo, o perdão e a reconciliação para reconstruir a justiça, a confiança e esperança ao vosso redor! «Nesta óptica, torna-se claro que, na vida dos povos, os conflitos armados constituem sempre a deliberada negação de qualquer concórdia internacional possível, originando divisões profundas e dilacerantes feridas que necessitam de muitos anos para se curarem. As guerras constituem a rejeição prática de se comprometer para alcançar aquelas grandes metas económicas e sociais que a comunidade internacional estabeleceu».

Mas, enquanto houver em circulação uma quantidade tão grande como a actual de armamentos, poder-se-á sempre encontrar novos pretextos para iniciar as hostilidades. Por isso, faço meu o apelo lançado pelos meus Predecessores a favor da não-proliferação das armas e do desarmamento por parte de todos, a começar pelo desarmamento nuclear e químico.

Corrupção

Penso no drama dilacerante da droga com a qual se lucra desafiando leis morais e civis, na devastação dos recursos naturais e na poluição em curso, na tragédia da exploração do trabalho; penso nos tráficos ilícitos de dinheiro como também na especulação financeira que, muitas vezes, assume caracteres predadores e nocivos para inteiros sistemas económicos e sociais, lançando na pobreza milhões de homens e mulheres; penso na prostituição que diariamente ceifa vítimas inocentes, sobretudo entre os mais jovens, roubando-lhes o futuro; penso no abomínio do tráfico de seres humanos, nos crimes e abusos contra menores, na escravidão que ainda espalha o seu horror em muitas partes do mundo, na tragédia frequentemente ignorada dos emigrantes sobre quem se especula indignamente na ilegalidade. A este respeito escreveu João XXIII: «Uma convivência baseada unicamente em relações de força nada tem de humano: nela vêem as pessoas coarctada a própria liberdade, quando, pelo contrário, deveriam ser postas em condição tal que se sentissem estimuladas a procurar o próprio desenvolvimento e aperfeiçoamento». Mas o homem pode converter-se, e não se deve jamais desesperar da possibilidade de mudar de vida. Gostaria que isto fosse uma mensagem de confiança para todos, mesmo para aqueles que cometeram crimes hediondos, porque Deus não quer a morte do pecador, mas que se converta e viva (cf. Ez 18, 23).

No contexto alargado da sociabilidade humana, considerando o delito e a pena, penso também nas condições desumanas de muitos estabelecimentos prisionais, onde frequentemente o preso acaba reduzido a um estado sub-humano, violado na sua dignidade de homem e sufocado também em toda a vontade e expressão de resgate. A Igreja faz muito em todas estas áreas, a maior parte das vezes sem rumor. Exorto e encorajo a fazer ainda mais, na esperança de que tais acções desencadeadas por tantos homens e mulheres corajosos possam cada vez mais ser sustentadas, leal e honestamente, também pelos poderes civis.

 Fome
De modo particular o sector produtivo primário, o sector agrícola, tem a vocação vital de cultivar e guardar os recursos naturais para alimentar a humanidade. A propósito, a persistente vergonha da fome no mundo leva-me a partilhar convosco esta pergunta: De que modo usamos os recursos da terra? As sociedades actuais devem reflectir sobre a hierarquia das prioridades no destino da produção. De facto, é um dever impelente que se utilizem de tal modo os recursos da terra, que todos se vejam livres da fome. As iniciativas e as soluções possíveis são muitas, e não se limitam ao aumento da produção. É mais que sabido que a produção actual é suficiente, e todavia há milhões de pessoas que sofrem e morrem de fome, o que constitui um verdadeiro escândalo. Por isso, é necessário encontrar o modo para que todos possam beneficiar dos frutos da terra, não só para evitar que se alargue o fosso entre aqueles que têm mais e os que devem contentar-se com as migalhas, mas também e sobretudo por uma exigência de justiça e equidade e de respeito por cada ser humano. Neste sentido, gostaria de lembrar a todos o necessário destino universal dos bens, que é um dos princípios fulcrais da doutrina social da Igreja. O respeito deste princípio é a condição essencial para permitir um acesso real e equitativo aos bens essenciais e primários de que todo o homem precisa e tem direito. Leia o texto integral aqui

Papa Francisco: não há, não devem haver “vidas descartadas”

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A revista Time elegeu o Papa Francisco Pessoa do Ano 2013, explicando que é raro que “um novo protagonista consiga tanta atenção no palco do mundo”.

“O que torna este Papa tão importante é a rapidez com que cativou milhões que tinham desistido de ter esperança na Igreja. […] Em escassos meses, Francisco elevou a missão de reconfortar da Igreja – a missão de servir e confortar os que mais precisam – acima da doutrina política que fora tão importante para os seus antecessores”, escreve a revista, justificando a escolha.

Lider da Igreja católica desde 13 de Março, o argentino Jorge Mario Bergoglio, de 76 anos, que sucedeu a Bento XVI, é o primeiro não-europeu a cumprir esta função suprema em cerca de 1300 anos.

Com o seu estilo modesto e próximo das pessoas, ele fez soprar ventos de mudança numa Igreja católica em crise, apesar dos seus 1.2 milhões de fieis.

“Em nove meses, ele soube colocar-se no centro das discussões essenciais da nossa época: a riqueza e a pobreza, a equidade e a justiça, a transparência, a modernidade, a globalização, o papel da mulher, a natureza do casamento, as tentações do poder”, resumiu a directora da Time, Nancy Gibbs.

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O fogo da misericórdia

por Giovanni Maria Vian

A publicação da mensagem do bispo de Roma para o dia mundial da paz logo depois da decisão da revista “Time” de declarar o Papa Francisco “homem do ano” é sem dúvida uma coincidência casual. Contudo, precisamente o texto pontifício que indica de novo a fraternidade como fundamento e caminho da paz explica o porquê da escolha da revista norte-americana, tão difundida quanto influente.
De facto, num ano marcado por um acontecimento sem precedentes como a renúncia de Bento XVI, o seu sucessor que veio “quase do fim do mundo”, soube impor-se em pouquíssimo tempo à atenção mundial sendo simplesmente, e portanto revelando, ele mesmo: um homem, um cristão, um bispo da Igreja preocupado unicamente testemunhar e anunciar o Evangelho. Com gestos e palavras que fazem admirar todos pela sua autenticidade.
Os exemplos já são muitíssimos, da atenção a cada pessoa encontrada a intervenções diversas, mas como invadidos por um fogo interior – o testemunho pessoal do Papa Francisco – do qual cada um sente imediatamente a credibilidade. Assim na Evangelii gaudium, verdadeira suma programática de um pontificado que quer a Igreja em estado permanente de missão, como na mensagem para o dia mundial da paz, e como no discurso a um grande número de embaixadores.
O texto sobre a paz começa desejando a indivíduos e povos “uma existência cheia de alegria e de esperança” porque reconhece em todos uma aspiração à fraternidade. Não é optimismo ingénuo porque na mensagem se segue a forte denúncia das contínuas violações dos direitos humanos, “sobretudo do direito à vida e à liberdade de religião”, das guerras visíveis e das “menos visíveis, mas não menos cruéis, que se combatem em âmbito económico” destruindo vidas e empresas.
Se é clara a indicação dos males que marcam o actual momento histórico, de igual modo clara é o seu diagnóstico. “As éticas contemporâneas mostram-se incapazes de produzir vínculos autênticos de fraternidade” porque “a raiz da fraternidade está contida na paternidade de Deus” ressalta de facto sem meios-termos a mensagem, que repete com clareza uma expressão muitas vezes reafirmada pelo Papa Francisco: não há, não devem haver “vidas descartadas”.
Iniciado por Paulo VI há quase meio século, o dia mundial da paz é desde então uma ocasião para que a Igreja recorde a todo o mundo palavras muitas vezes ouvidas, mas não por isso menos verdadeiras, sobre a necessidade de restabelecer relações fraternas nas famílias e nas comunidades humanas. Através de estilos de vida sóbrios, com a reconsideração dos modelos de desenvolvimento e o contraste de crimes vergonhosos como o tráfico de seres humanos, que o Papa Francisco denuncia incansavelmente.
Por estas denúncias claras, fruto de um testemunho em primeira pessoa, o bispo de Roma suscita interesse. Mas admira talvez mais ainda o anúncio da misericórdia de Deus porque o homem pode converter-se sempre, e portanto “nunca deve desesperar da possibilidade de mudar de vida”. E há provavelmente também este desejo escondido e contradito na base do reconhecimento do Papa como “homem do ano”.

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Papa Francisco na favela: “Nenhum esforço de ‘pacificação’ será duradouro, não haverá harmonia e felicidade para uma sociedade que ignora, que deixa à margem, que abandona na periferia parte de si mesma”

A visita do Papa Francisco a uma favela do Rio é destaque na imprensa internacional. Informa El País, Espanha: “O Papa avalia a luta dos indignados. O pontífice anima os jovens a  protestar contra a corrupção.  O Papa, até que enfim, chegou à periferia”.

Disse o Papa: Que bom poder estar com vocês aqui! Desde o início, quando planejava a minha visita ao Brasil, o meu desejo era poder visitar todos os bairros deste País. Queria bater em cada porta, dizer “bom dia”, pedir um copo de água fresca, beber um “cafezinho”, falar como a amigos de casa, ouvir o coração de cada um, dos pais, dos filhos, dos avós… Mas o Brasil é tão grande! Não é possível bater em todas as portas! Então escolhi vir aqui, visitar a Comunidade de vocês que hoje representa todos os bairros do Brasil.

Desde o primeiro instante em que toquei as terras brasileiras e também aqui junto de vocês, me sinto acolhido. E é importante saber acolher; é algo mais bonito que qualquer enfeite ou decoração. Isso é assim porque quando somos generosos acolhendo uma pessoa e partilhamos algo com ela – um pouco de comida, um lugar na nossa casa, o nosso tempo –
não ficamos mais pobres, mas enriquecemos. Sei bem que quando alguém que precisa comer bate na sua porta, vocês sempre dão um jeito de compartilhar a comida: como diz o ditado, sempre se pode “colocar mais água no feijão”! E vocês fazem isto com amor, mostrando que a verdadeira riqueza não está nas coisas, mas no coração! E povo brasileiro, sobretudo as pessoas mais simples, pode dar para o mundo uma grande lição de solidariedade, que é uma palavra frequentemente esquecida ou silenciada, porque é incômoda.

Na hora que Francisco visitava uma casa que recebe o bolsa-família, a Imprensa brasileira não perdoa. Um jornaleco conservador circulava com sua manchete de ódio e desprezo pelo povo:

BRA_NOTA camapnha contra o bolsa-família

Diferentemente da imprensa brasileira, escreve o jornalista espanhol Pablo Ordaz: El papa Francisco llegó por fin a la periferia. Después de repetir una y otra vez desde hace cuatro meses que la Iglesia debe abandonar el centro —los cómodos palacios del ensimismamiento— y buscar los arrabales del mundo, allá donde falta el pan y la justicia, Jorge Mario Bergoglio llegó a una favela de Río de Janeiro, se mezcló con su gente y lanzó un mensaje muy nítido: “Ningún esfuerzo de pacificación será duradero para una sociedad que ignora, margina y abandona en la periferia a una parte de sí misma. La medida de la grandeza de una sociedad está determinada por la forma en que trata a quien está más necesitado, a quien no tiene más que su pobreza”.

Después de recorrer Varginha, una barriada de unas 2.000 personas en el corazón de la favela de Manguinhos, el Papa dirigió un mensaje a los jóvenes, verdaderos protagonistas de las últimas protestas en Brasil, para pedirles que no se abandonen al desánimo: “Ustedes tienen una especial sensibilidad ante la injusticia, pero a menudo se sienten defraudados por los casos de corrupción, por las personas que, en lugar de buscar el bien común, persiguen su propio interés. A ustedes y a todos les repito: nunca se desanimen, no pierdan la confianza, no dejen que la esperanza se apague. La realidad puede cambiar, el hombre puede cambiar. No se habitúen al mal, sino a vencerlo”.

Desde que emprendió el viaje a la Jornada Mundial de la Juventud (JMJ), las principales intervenciones de Bergoglio —las palabras a los periodistas en el vuelo papal, la homilía en el santuario de Aparecida, su mensaje ante los drogodependientes del hospital de San Francisco de Asís y su discurso en la favela— han estado caracterizadas por un marcado contenido social. Sus intervenciones no pretenden circunscribirse a la comunidad cristiana, sino ir mucho más allá. El Papa argentino utiliza con habilidad el altavoz de su popularidad para tratar de influir, de cambiar las cosas. Una y otra vez, Bergoglio presenta a la Iglesia como acompañante de los buenos propósitos, nunca como único y excluyente camino. Ante los muchachos golpeados por las drogas o los desheredados de las favelas, utiliza la misma fórmula: “La Iglesia no es ajena a sus fatigas, sino que los acompaña con afecto”.

El Papa de la sonrisa y el utilitario no presenta jamás a Jesús como el Todopoderoso que todo lo ve, dispuesto a condenar al infierno a quien se pase de la raya, sino como un Cristo que dudó y sufrió en la cruz, dispuesto siempre a echar una mano. Tal vez pertenezcan a la misma empresa y vendan el mismo producto, pero el cardenal español Rouco Varela —por poner solo un ejemplo— y el obispo argentino de Roma utilizan aromas muy distintos. De las bolas de alcanfor al agua fresca. De la resignación cristiana a la santa indignación.

En su discurso en la favela, Jorge Mario Bergoglio dijo: “Me gustaría hacer un llamamiento a quienes tienen más recursos, a los poderes públicos y a todos los hombres de buena voluntad comprometidos en la justicia social: que no se cansen de trabajar por un mundo más justo y más solidario. Nadie puede permanecer indiferente ante las desigualdades que aún existen en el mundo. Que cada uno, según sus posibilidades y responsabilidades, ofrezca su contribución para poner fin a tantas injusticias sociales. No es la cultura del egoísmo, del individualismo, que muchas veces regula nuestra sociedad, la que construye y lleva a un mundo más habitable, sino la cultura de la solidaridad; no ver en el otro un competidor, sino un hermano”.

Al llegar a la favela de Varginha, el papa Francisco tardó dos frases en meterse a la gente en el bolsillo. Dijo que, ya desde el principio, al programar el viaje a Brasil, su deseo era visitar los barrios: “Habría querido llamar a cada puerta, decir buenos días, pedir un vaso de agua fresca, tomar un cafezinho, ¡no un poco de cachaza [aguardiente de caña]!, hablar como amigo de casa, escuchar el corazón de cada uno, de los padres, los hijos, los abuelos. ¡Pero Brasil es tan grande! Así que elegí venir aquí…”. Al corazón de la pobreza y la violencia. Hasta hace siete meses, el control de la favela de Manguinhos lo ejercían los narcos locales, a tiro limpio contra la policía y los sicarios vecinos. Ahora existe una paz precaria, artificial, impuesta a culatazos.

De las 500 favelas de Río, solo unas 20 han sido pacificadas. Son la excepción. La realidad es más dura. El 6% de los brasileños —unos 11 millones de personas— sigue viviendo en favelas donde los servicios más básicos son artículos de lujo. La visita cordial del papa Francisco los sacó de la invisibilidad por unas horas. Amara Oliveira, de 82 años, incluso se hizo la manicura. Su casa fue una de las preseleccionadas para recibir al Papa. En los días anteriores a la visita contó que toda su vida trabajó de taquillera en un cine, pero que ni siquiera le alcanzó para ver una película. Es el destino de una estirpe que tiene prohibido hasta soñar.

Niños se acercan a Francisco en un favela de Río. / YASUYOSHI CHIBA (AFP)
Niños se acercan a Francisco en un favela de Río. / YASUYOSHI CHIBA (AFP)

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Papa Francisco foi a Lampedusa, porto de abrigo de milhares de emigrantes, “chorar os mortos que ninguém chora”

A gust of wind lifts up Pope Francis' mantle as he stands onboard a boat at Lampedusa Island

Francisco fez uma peregrinação a Lampedusa, Itália, para combater a “globalização da indiferença”. Esse encontro do Papa com os emigrados foi censurado pela grande imprensa brasileira. Principalmente os jornais golpistas que são contra o povo nas ruas, e qualquer plebiscito ou referendo. Uma imprensa elitista que, inclusive, vem inventando que o Papa teme os atuais protestos brasileiros.

Quem chorou hoje no mundo?

“Senti que devia vir hoje aqui para rezar e manifestar a minha proximidade”
É o hábito do sofrimento do outro que alimenta a globalização da indiferença e adensa o número de “responsáveis sem nome nem rosto”. Foi duríssima a condenação do Papa Francisco, ao falar de Lampedusa, no extremo sul da Europa; mas ele dirigia-se ao mundo, chamando-o às suas responsabilidades diante do drama de quantos são obrigados a fugir da própria terra em busca de paz e dignidade. O Papa explicou que a primeira viagem do seu pontificado é precisamente para eles, para estas vítimas de uma violência inaudita.

Quando, há algumas semanas, recebeu a notícia de mais uma tragédia do mar, recordou: “senti que devia vir aqui hoje para rezar, para realizar um gesto de proximidade, mas também para despertar as nossas consciências a fim de que o que aconteceu não se repita”. E invocou o Senhor, pedindo “perdão pela indiferença em relação a tantos irmãos e irmãs; por quantos adormeceram, fechando-se no próprio bem-estar que leva à anestesia do coração, e por aqueles que, com as suas decisões a nível mundial, criaram situações que levam a estes dramas”.

Escreve o jornal Público de Portugal:

O Papa Francisco escolheu Lampedusa para a primeira viagem apostólica do seu pontificado e a primeira de sempre de um Papa à ilha italiana do Mediterrâneo, ponto de passagem para milhares de imigrantes que tentam chegar à Europa.

O Sumo Pontífice quis manter a sobriedade dos actos para “chorar os mortos” dos naufrágios de embarcações que transportam imigrantes do Médio Oriente e Norte de África – os mortos que ninguém chora, disse. E para tal, fez-se acompanhar apenas dos seus secretários particulares, dos seus guarda-costas e do porta-voz do Vaticano Federico Lombardi, nota a AFP, e sem responsáveis políticos num barco que percorreu parte da costa até à Porta da Europa, monumento erguido em memória de todas as vítimas de naufrágios.

O Papa lançou ao mar uma coroa de crisântemos (brancos e amarelos, cores do Vaticano) antes de se recolher em silêncio. Depois, saudou a multidão que o esperava no cais enquanto os navios ao largo da ilha faziam ressoar as suas sirenes em sinal de luto pelos mortos, descreve a AFP.

Lampedusa flores

O barco que usou é o mesmo que, desde 2005, socorreu 30 mil pessoas apanhadas em naufrágios na travessia do Mediterrâneo. Também para celebrar uma missa, usou um barco que em tempos naufragou, como altar. “Os mortos no mar são como um espinho no coração”, disse frente a habitantes da ilha e imigrantes.

O Papa Francisco quis, com esta visita, sensibilizar a ilha de 6000 habitantes e o país para a necessidade de acolher essas pessoas e garantir os seus direitos. “Tende a coragem de acolher aqueles que procuram uma vida melhor”, pediu, ao mesmo tempo que elogiou Lampedusa como “exemplo para todo o mundo” precisamente por ter “a coragem de acolher” essas pessoas.

Apelou a um despertar das consciências para contrariar a “indiferença” relativamente aos imigrantes. “Perdemos o sentido da responsabilidade fraterna e esquecemo-nos de como chorar os mortos no mar”, lamentou. “Ninguém chora estes mortos”, criticando “os traficantes” que “exploram a pobreza dos outros.”

“Oremos pelos que hoje não estão aqui”, disse o Papa a um pequeno grupo de imigrantes acabados de chegar, no domingo, a este primeiro porto seguro para milhares de pessoas que tentam chegar à Europa. “Fugimos dos nossos países por motivos políticos e económicos. Pedimos a ajuda de Deus depois dos nossos longos sofrimentos”, acrescentou.

A escolha de Lampedusa para a primeira deslocação fora de Roma é altamente simbólica para um Papa que colocou os pobres e os excluídos no centro do seu pontificado e lançou um apelo à Igreja para que regresse à sua missão de os servir, nota a Reuters, acrescentando que esta viagem coincide com o início do Verão quando se intensificam as travessias. “O resto da Itália e a Europa têm de ajudar-nos”, disse à AFP a presidente da câmara de Lampedusa, Giusi Nicolini.

A ilha italiana do Mediterrâneo, entre a Sicília e a costa da Tunísia e da Líbia, é uma das principais portas de entrada para a União Europeia, juntamente com a fronteira entre a Grécia e Turquia. Desde Janeiro, 4000 imigrantes chegaram já à ilha – esse número é três vezes maior do que os do ano passado, segundo a AFP. 2011, com as Primaveras Árabes, foi particularmente movimentado. Nesse ano, cerca de 50 mil imigrantes e refugiados desembarcaram em Lampedusa, metade dos quais vindos da Líbia e da Tunísia, cuja costa fica a pouco mais de 100 quilómetros da ilha.

Muitos atravessam em condições precárias e perigosas. De acordo com números das Nações Unidas, referidos pela Reuters,  desde o início do ano, 40 terão morrido na travessia entre a Tunísia e a Itália, um número menor que em 2012 quando houve registo de quase 500 mortos ou desaparecidos.

 Transcrevo do L’Osservatore Romano:

Uma viagem que interroga as consciências

Desde o anúncio de surpresa o significado da viagem do Papa Francisco a Lampedusa foi fortíssimo: não são palavras vazias as que o bispo de Roma vindo “quase do fim do mundo” vai repetindo desde o momento da eleição em conclave. A primeira viagem do pontificado, tão breve quanto significativa, quis de facto alcançar – daquele centro que deve ser exemplar ao presidir “na caridade a todas as Igrejas”, como recordou apresentando-se ao mundo – uma das periferias, geográficas e existenciais, do nosso tempo.

Um itinerário simples no seu desenrolamento, que surgiu de mais uma notícia perturbadora da morte de imigrantes no mar – que permaneceu “como um espinho no coração” do Papa Francisco – e realizada para rezar, fazer um gesto concreto e visível de proximidade e despertar “as nossas consciências”, mas também para agradecer. Na celebração penitencial diante do mundo e da solidariedade com os mais pobres, acrescentaram-se várias vezes expressões não protocolares e espontâneas de gratidão por quem há anos sabe acolhê-los e abraçá-los, oferecendo deste modo silencioso e gratuito “um exemplo de solidariedade” autêntica.

Desta porta da Europa, continente demasiadas vezes perdido no seu bem-estar, o bispo de Roma dirigiu ao mundo uma reflexão exigente sobre a desorientação contemporânea, marcada pelas perguntas de Deus que abrem as Escrituras hebraicas e cristãs: “Adão, onde estás?” e “Caim, onde está o teu irmão?”. Perguntas bíblicas que vão à raiz do humano e que o Papa Francisco repetiu diante de muitos imigrados muçulmanos, aos quais tinha acabado de desejar que o iminente jejum do Ramadão dê frutos espirituais, com uma oferta de amizade que evidentemente supere os confins da pequena ilha mediterrânea.

Sempre as mesmas perguntas, hoje dirigidas a um homem que vive na desorientação, frisou o Pontífice: “Muitos de nós, incluo-me também a mim, estamos desorientados, já não prestamos atenção ao mundo no qual vivemos, não nos ocupamos, não preservamos o que Deus criou para todos e nem sequer somos capazes de nos preservarmos uns aos outros”. A ponto que milhares de pessoas decidem abandonar as suas terras e caem desta forma nas mãos dos traficantes, “daqueles que se aproveitam da pobreza dos outros, estas pessoas para as quais a pobreza dos outros é uma fonte de lucro”, denunciou o bispo de Roma recordando as palavras de Deus a Caim: “Onde está o sangue do teu irmão que clama da terra até mim?”.

Ninguém se sente responsável porque – disse o Papa Francisco – “perdemos o sentido da responsabilidade fraterna”. Aliás, a cultura do bem-estar “faz-nos viver em bolhas de sabão, que são bonitas, mas nada mais”: em síntese, trata-se de uma ilusão que no mundo globalizado de hoje levou a uma “globalização da indiferença” privando-nos até da capacidade de chorar diante dos mortos. Repete-se assim a cena evangélica do homem ferido, abandonado à beira da estrada e do qual só um samaritano se ocupa. Como acontece na “pequena realidade” de Lampedusa, onde tantos encarnam a misericórdia daquele Deus que se fez menino obrigado a fugir da perseguição de Herodes.

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Toda ditadura fecha o legislativo. Por que a justiça não condena e prende político corrupto? Compete ao povo votar certo. Viva a democracia

preso político Ricardo Antunes indignados

Corrupção não se combate com corrupção. Principalmente com a corrupção de uma ditadura. Toda ditadura nega todos os direitos humanos. Toda ditadura é contra a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade.

O primeiro ato de uma ditadura é cassar os direitos do povo. Encarcerar ou matar os libertários. E proibir os protestos de rua.

Nunca mais ditadura. Nunca mais sequestro e tortura. Nunca mais Operação Condor.

Toda manifestação, todo protesto, passeata, caminhada, parada, greve, todo movimento do povo é um ato político.

Política se faz nas ruas. E não nos gabinetes fechados, nos palácios e nos quartéis.

Desconfie de toda campanha que visa culpar, exclusivamente, o legislativo.

Por que a Globo não denuncia os gastos do judiciário? Para falar com a justa é preciso contratar um advogado como intermediário.

 

 

 

Quem vota nos políticos?

Eu.

Você.

Eles.

Nós votamos.

O voto errado é falta de informação. Que a justiça eleitoral censura os debates. Não permite que o povo conheça a ficha suja dos candidatos corruptos. Bandidos togados existem para fazer esse serviço sujo. O Brasil não pode continuar sendo o campeão do mundo em censura judicial.

O voto errado existe porque a imprensa manipula pesquisas de opinião pública, faz jornalismo marrom, orquestra as notícias e esconde as sujeiras. Várias empresas de comunicação são propriedades de políticos.

Reforma já no judiciário, no legislativo e no executivo.

Que um referendo pergunte ao povo o que precisa mudar.

Svitalsky Bros
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