A corrupção alimenta a fome

Giacomo Cardelli
Giacomo Cardelli

 

Em uma cidade, mais pobre que seja, uma criança, um velho, um desempregado passar fome, comprova que o prefeito rouba; a Câmara de Vereadores virou um covil de bandidos; o juiz não tem nada de direito; o promotor outro iníquo; o delegado de polícia um capanga das autoridades e dos empresários. Uma cidade que existe fome, uma cidade sem Deus e sem lei, porque o Brasil é o maior produtor mundial de alimentos.

 

 

religião fome

 

 

 

 

Milhões de Lulas, Marinas e Erundinas continuam invisíveis na mais extrema pobreza

A vida de pobreza, quando crianças e adolescentes de Erundina, de Marina, de Magalhães Pinto, ex-governador de Minas Gerais e chefe civil do golpe de 64, do vice-presidente José Alencar, dos presidentes Lula e Café Filho, de uma multidão de governadores, senadores, deputados e prefeitos vamos encontrar em milhões de brasileiros invisíveis.

A pergunta para os políticos, legisladores e governantes é uma só: que fez para acabar a fome de ontem e de hoje? Não interessa o amanhã. Mas o aqui e agora.

Talita Bedinelli, do jornal El País, Espanha, acompanhou a procura do Governo por pessoas extremamente pobres que ainda não recebem o benefício do bolsa-família, concedido para um quarto da população brasileira. Ela escreve:

A busca pelos ‘excluídos do Bolsa Família’ encontra os brasileiros invisíveis
Antonilson dos Santos, 23, Maria Eliane Ribeiro da Silva, 22, e os filhos Lucas (esq.), Ludmila, Bruna e Luan (no colo da mãe), que não haviam se cadastrado no Bolsa Família por falta de documentos: ALEX ALMEIDA
Antonilson dos Santos, 23, Maria Eliane Ribeiro da Silva, 22, e os filhos Lucas (esq.), Ludmila, Bruna e Luan (no colo da mãe), que não haviam se cadastrado no Bolsa Família por falta de documentos: ALEX ALMEIDA

Na porta de uma das casas de barro da zona rural de Alto Alegre do Pindaré (no oeste maranhense), Lucas, de 3 anos, brinca com o cadáver de um pássaro jaçanã ao lado das irmãs Ludmila, 6, e Bruna, 5. Dentro da casa, a mãe, Maria Eliane da Silva, de 22 anos, cuida do filho mais novo de oito meses quando uma equipe da Secretaria de Assistência Social entra para conversar com ela sobre o Bolsa Família.

A família só se cadastrou no programa do Governo federal agora, porque antes não tinha os documentos necessários, apesar de nunca ter tido nenhuma fonte segura de renda na vida. O marido de Maria faz bicos e recebe, quando consegue trabalho, em média 30 reais por dia. Nos meses bons, paga os 50 reais de aluguel da casa de três cômodos e compra comida para os filhos. Nos meses ruins, todos passam dias à base de uma papa feita de farinha e água, contam eles.

No município, seis de cada dez pessoas vive na pobreza, sendo que quatro delas estão em famílias cuja renda per capita não chega a 70 reais –são as consideradas extremamente pobres. As opções de trabalho são escassas: uma pequena rede de comércio no centro e cargos na prefeitura. A maioria das pessoas trabalha como diarista em roças ou no “roço da juquira”, a limpeza de áreas desmatadas para o pasto do gado. Cerca de metade dos moradores depende da bolsa do governo.

A equipe da prefeitura de Alto Alegre do Pindaré que visitava a casa de Maria Eliane fazia a chamada “busca ativa”, que tem o objetivo de procurar pessoas em situação de extrema pobreza que ainda não estão incluídas no benefício. Estima-se que 25% dos pobres do município que teriam direito à bolsa ainda não a recebem.

O EL PAÍS acompanhou o trabalho da equipe por dois dias na semana passada. Nas visitas, presenciou casos como o de Antônia Costa, de 31 anos, que se prostitui para complementar a renda; de Francilene Araújo, uma adolescente de 14 anos recém-casada que nunca saiu do povoado onde mora, ou de Sara de Jesus, grávida de quatro meses, que passa fome ao lado da filha de quatro anos. Nenhuma foi atrás do benefício ou porque moram longe da secretaria, onde é possível fazer o cadastro, ou por não terem os documentos necessários (CPF ou título de eleitor). Ao identificar casos assim, a equipe cadastra as famílias, explica como o programa funciona e como tirar os documentos –muitos não sabem que a primeira via é de graça.

A equipe de “busca ativa” atua na cidade há um ano, mas ainda não visitou todos os cerca de 200 povoados porque muitos só são acessíveis por meio de estradas precárias. A secretaria não tem carro adequado para chegar a esses locais, mas afirma que uma caminhonete chegará nos próximos meses. Um barco também foi comprado para que fosse possível alcançar as áreas ribeirinhas ou que alagam na temporada de chuva, mas o piloto ainda espera a chegada da habilitação para poder manejá-lo. No mês passado, 44 famílias foram “captadas” nas visitas.

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome diz que o governo lançou a ação há três anos e, neste período, as equipes municipais conseguiram localizar 1,35 milhão de famílias. Atualmente, 13,9 milhões de casas recebem o Bolsa Família (cerca de um quarto da população brasileira), quase um milhão delas no Maranhão, onde se concentra a maior proporção de pobres do Brasil.

Para a ONU, o programa teve uma importante participação na redução da fome no país, que nos últimos 20 anos caiu pela metade. Atualmente, 3,4 milhões de pessoas (o equivalente a 1,7% da população) não têm o que comer no Brasil.

 

“É só dormir que a fome passa”
Sara de Jesus Lima, 23, segura a foto do filho que nasceu morto: ALEX ALMEIDA
Sara de Jesus Lima, 23, segura a foto do filho que nasceu morto: ALEX ALMEIDA

Sara de Jesus Lima, 23, interrompe a conversa com a reportagem na área rural de Alto Alegre do Pindaré, vai até o quarto e volta com uma fotografia em mãos. É a imagem do filho, que morreu no trabalho de parto. A mãe de Samara, 4 anos, está grávida de quatro meses e não recebe o Bolsa Família. “Nunca fui atrás. Nem tirei os documentos”, conta. A família sobrevive do dinheiro que o marido recebe na roça e da ajuda de vizinhos. Não são poucos os dias em que todos passam fome ou comem apenas uma papa de farinha com água ou um mingau de arroz. Na tarde da última quinta, havia apenas quatro garrafas de água e uma de limonada na geladeira. A família mora em uma casa de barro, com teto de palha, mobiliada apenas por duas redes, um colchão de casal apoiado em pedaços de madeira e a geladeira, distribuídos em três cômodos –sala, quarto e cozinha. O banheiro, uma estrutura aberta cercada de palha, fica nos fundos do terreno: é um buraco no chão coberto por uma tampa removível de madeira–uma estrutura bastante comum na área rural da região. Logo ao lado, mora a mãe dela, Terezinha de Jesus Lima, que não sabe a própria idade. Ela, o marido, de 67 anos, e outros dois filhos sobrevivem dos 374 reais que ganham do Bolsa Família, mas não tinham conseguido sacar o rendimento do mês porque o dinheiro havia acabado na lotérica. “Tem dias que o velho pergunta: ‘Minha velha, o que vamos comer hoje?’ Eu falo: ‘Meu velho, é só dormir que a fome passa. E esperar amanhã por Deus”.

 

“Eu dou um rolê”

ALEX ALMEIDA

Em um canto da casa de Antônia, 31 anos, estão empilhados quatro grandes sacos de arroz, produto da roça que ela tem com a família. “Isso dá pra meses. Vou comer devagar”, comemora. Ela não recebe o Bolsa Família porque perdeu os documentos e nunca fez outros. A segunda via é paga. No final da tarde da última quinta-feira, ela se preparava para sair de casa para dar um “rolê”, forma como, timidamente, descreve os programas que faz. Na cintura, levava um canivete. Do lado direito do olho, tinha uma mancha escura, que ela diz ser consequência de uma queda. Antônia tem três filhos: o de 5 e o de 9 anos vivem com a mãe dela e estão incluídos no cadastro do Bolsa Família da avó. A de 15 vive sozinha. “Aqui é ruim, não tem como trabalhar”, conta ela, que há alguns anos voltou do Pará, onde exercia a função de cozinheira em um garimpo. Nos “rolês”, ela consegue entre 30 e 40 reais, conta. Quando não tem dinheiro, pesca peixe no rio. “Tem um velhinho também que eu ajudo e ele me ajuda, me dá as coisas.”

 

“Queria ser doutora, mas vou ficar quieta mesmo”
Francilene, 14 anos, ao lado de uma inscrição com o nome dela e do marido: ALEX ALMEIDA
Francilene, 14 anos, ao lado de uma inscrição com o nome dela e do marido: ALEX ALMEIDA

Francilene Mendes Araújo, de 14 anos, nunca percorreu os 29 quilômetros de estrada que afastam o povoado de Cajueiro, bairro repleto de pés de caju, do centro de Alto Alegre do Pindaré, onde está o cartório necessário para que ela retire os documentos que ainda não tem. Ela cursa a oitava série do Ensino Fundamental na escola do povoado, que atende 12 crianças em duas salas multisseriadas (que juntam alunos de séries distintas). No ano que vem, deixará de estudar porque só há Ensino Médio em outro povoado e ela tem que caminhar por mais de uma hora para chegar lá. “No inverno chove e ninguém passa”, conta. Quando questionada se tem algum sonho, ela para, pensa e, com um sorriso tímido, responde: “Queria ser doutora. Mas vou ficar quieta mesmo.”

A lógica de Deus é a partilha

O milagre da multiplicação dos pães, por Lambert Lombard (Liège, 1505-1566)
O milagre da multiplicação dos pães, por Lambert Lombard (Liège, 1505-1566)

 

Cidade do Vaticano, 03 ago 2014 (Ecclesia) – O Papa apelou no Vaticano a uma atitude de fraternidade para com as pessoas em necessidade, como forma de aplicar os ensinamentos de Jesus.

“Compaixão, partilha, Eucaristia: este é o caminho que Jesus nos indica neste Evangelho, um caminho que leva a encarar com fraternidade os necessitados deste mundo, mas que nos conduz para lá deste mundo porque parte de Deus Pai e regressa a Ele”, declarou Francisco, antes da recitação do ângelus, perante milhares de pessoas que enfrentaram a chuva na Praça de São Pedro.

A catequese partiu da passagem do Evangelho que é hoje proclamado nas igrejas em todo o mundo, que apresenta a multiplicação dos pães e dos peixes num ato de “compaixão” de Jesus pela multidão que o seguiu para um lugar deserto.

“Jesus não reage com irritação, mas sente compaixão, porque sabe que não o procuram por curiosidade, mas por necessidade”, precisou.

Segundo o Papa, este gesto mostra que é necessário “colocar as necessidades dos pobres” antes das de cada um.

“As nossas exigências, ainda que legítimas, não serão nunca mais urgentes do que as dos pobres, que não têm o necessário para vive”, acrescentou.

A partilha, disse ainda Francisco, é a “lógica de Deus”, cuja providência não faz faltar o “pão nosso de cada dia”.
OC

A multiplicação dos pães (Arte paleocristã)
A multiplicação dos pães (Arte paleocristã)

 

As necessidades dos pobres

Olhar para o outro lado diante dos pobres é «um modo educado» para dizer: «arranjai-vos sozinhos!». O Papa Francisco não usa meios-termos para alertar os cristãos contra o risco de se habitar à lógica do mundo, segundo a qual «cada um deve pensar em si mesmo», antepondo as suas exigências às dos mais necessitados. Mas «isto não é de Jesus, isto é egoísmo», disse no Angelus de domingo 3 de Agosto na praça de São Pedro, comentando o trecho evangélico da multiplicação dos pães e dos peixes.

Um episódio no qual o Pontífice convidou a ler «três mensagens». Antes de tudo, a compaixão, testemunhada pela atitude de Jesus que diante da multidão não reage «incomodado», mas identifica-se com «o sofrimento alheio a ponto de o assumir sobre si». Deste modo Ele ensina-nos a ter a consciência de que «as nossas exigências, embora sejam legítimas, nunca serão tão urgentes como as dos pobres», os quais «não têm o necessário para viver, não têm o que comer nem o que vestir, não dispõem de remédios».

Daqui deriva uma segunda mensagem: a partilha. Enquanto os discípulos — observou Francisco — aconselham Jesus a despedir a multidão, «a fim de que possa ir comprar alimento», Ele «raciocina segundo a lógica de Deus, que é a da partilha». E pede-lhes que dêem de comer à multidão «aqueles poucos pães e peixes» que, «compartilhados e abençoados por Deus, serão suficientes para todos». Um milagre que «não é uma magia, mas um “sinal” que convida a ter fé em Deus, Pai providente, que não nos faz faltar “o pão nosso de cada dia”, se soubermos compartilhá-lo como irmãos».

Por fim, a mensagem da Eucaristia, prenunciada pelo prodígio dos pães. A bênção que precede a distribuição ao povo «é o mesmo gesto – observou o Papa – que Jesus fará na última Ceia, quando instituirá o memorial perpétuo do seu sacrifício redentor». Com efeito, na Eucaristia Cristo «não dá um pão» mas «doa-se a si mesmo, oferecendo-se ao Pai por amor». E também nós, concluiu o Santo Padre, «devemos aproximar-nos da Eucaristia com os sentimentos de Jesus, ou seja, compaixão, e vontade de compartilhar».

Tv Globo contra os programas Bolsa Família e Fome Zero que beneficiam os 4 estados campeões em miseráveis: Bahia, São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco

Abdallah
Abdallah

 

Quem faz piada com o Bolsa Família ri da miséria de milhões de brasileiros que dependem do benefício, que considero uma esmola, porque devia ser justo o valor destinado às mães de famílias faveladas.

O Decreto 8.232/2014 define as situações de pobreza e extrema pobreza para entrada no rol de beneficiários.

Extrema pobreza, a família que tem renda per capita mensal até 77 reais.

Pobreza, renda per capita mensal até 154 reais. Este o teto. Ganhou além de 155 reais mensais deve ser família da classe média. Diferente de um desembargador, de um ministro do Supremo. Eles não possuem teto. São os maravilhosos sem teto. O céu é o limite dos salários deles lá em cima.

 

BAHIA

O estado mais beneficiado pelo sistema Bolsa Família está sendo o estado da Bahia. Este ano, 1.752.993 famílias estarão recebendo R$2.175.633.465,20. É governado pelo petista Jaques Wagner, que foi eleito em 2007.

 

SÃO PAULO

No quadro geral, São Paulo aparece em segundo lugar em número de famílias beneficiadas pelo programa (1.209.819). O governo federal gastou, em 2014, com os beneficiados paulistas R$ 1.434.918.066,62.

O Bolsa Família atende 8.098 nutrisses, e 2.214 grávidas em São Paulo, governado por Geraldo Alckmin.

Os tucanos governam São Paulo: Franco Montoro (de 1983 a 1987), Mário Covas (de 1995 a 2001), José Serra (de 2007 a 2010),  Alberto Goldman ( de 2 de abril 2010 a 1 de janeiro de 2011). Geraldo Alckmin desde 1 de janeiro de 2011, e é candidato à reeleição.

 

MINAS GERAIS

O terceiro Estado com beneficiados no programa é Minas Gerais, também governado pelos tucanos, com 1.159.172 famílias, que receberam, este ano, R$ 1.384.264.311,87.

São 9.361 mineiras que amamentam recebendo o benefício, além das 2.049 gestantes incluídas no programa em dezembro último.

Com Aécio Neves governador de 2003 a 2010, o PSDB iniciou seu reinado em Minas Gerais. Aécio fez Antonio Anastasia sucessor.

 

PERNAMBUCO

 

Pernambuco é o quarto com 1.115.851 famílias beneficiadas, que receberam, em 2014, R$ 1.410.095.940,13, incluindo as 7.511 nutrisses e 1.341 grávidas.

Pernambuco era governado por outro presidenciável, Eduardo Campos (de 2007  a 2014).

 

FOME ZERO

Fome é fome. Morrer de fome acontece em um país em guerra, ou colonizado, ou roubado pela corrupção. Em um país rico como o Brasil, onde impera o capitalismo selvagem, não há como justificar. É falta de governo, de justiça e de legislativo.

Existem, atualmente, 1,02 mil milhões de pessoas subnutridas no Mundo, o que significa que uma por cada seis não tem alimentação suficiente para ser saudável e manter uma vida ativa. E, em cada seis segundos, uma criança morre por causa da fome ou de doenças relacionadas.

Os números são do Programa Alimentar Mundial, que alerta para o fato de a fome e a subnutrição serem o fator “número um” de risco para a saúde. Aliás, a fome “mata, em cada ano, mais pessoas do que a aids (sida), a malária e a tuberculose juntas”. E, dos cerca de mil milhões de pessoas que passam fome todos os dias, a maioria são mulheres e crianças.

Os números mais recentes mostram que 65% da fome mundial está localizada em sete países: Índia, China, República Democrática do Congo, Bangladesh, Indonésia, Paquistão e Etiópia.

Mais de 70% dos 146 milhões de crianças com peso a menos com idade inferior a 5 anos vivem em apenas dez países, mais de metade dos quais do Sudoeste asiático.

Nos países desenvolvidos, morrem, a cada ano, 10,9 milhões de crianças com menos de 5 anos. Subnutrição e doenças relacionadas com a fome causam 60% das mortes.

E  a vaca do Jô Soares faz piada

 

 

 

Para além da escravidão do lucro a qualquer preço

MENSAGEM DO PAPA PARA O DIA MUNDIAL DA ALIMENTAÇÃO

indignados fome

É intolerável o “escândalo” da fome num mundo onde um terço da produção alimentar “está indisponível devido às perdas e aos desperdícios cada vez maiores”. A denúncia veio do Papa Francisco, que numa mensagem enviada ao director-geral da Fao, José Graziano da Silva, por ocasião do dia mundial da alimentação, invocou uma mudança de mentalidade face à tragédia “na qual ainda vivem milhões de famintos e subalimentados, entre os quais muitíssimas crianças”. Uma tragédia que para o Pontífice não deve ser enfrentada segundo a lógica ocasional da emergência mas como “um problema que interpela a nossa consciência pessoal e social” e exige “uma solução justa e estável”.

Por isso, o bispo de Roma exortou a superar atitudes de indiferença ou habituais e a “abater com decisão as barreiras do individualismo, do fechamento em si mesmo, da escravidão do lucro a qualquer preço”, para “reconsiderar e renovar os nossos sistemas alimentares”. Em particular, deve ser superada “a lógica da exploração selvagem da criação” através do “esforço por cultivar e conservar o meio ambiente e os seus recursos para garantir a segurança alimentar e para caminhar rumo a uma alimentação suficiente e sadia para todos”.

Recordando que “os nossos pais nos educavam para o valor do que recebemos e temos, considerando tudo como dom precioso de Deus”, o Papa Francisco exortou todos a um sério exame de consciência “sobre a necessidade de modificar concretamente os nossos estilos de vida” alimentares, marcados com demasiada frequência “pelo consumismo, dissipação e desperdício de alimentos”. E voltou a advertir contra as consequências da “cultura do descartável”, que sacrifica “homens e mulheres aos ídolos do lucro e do consumo”, e da “globalização da indiferença”, que nos “faz “habituar” lentamente ao sofrimento do outro, como se fosse normal”. O problema da fome, substancialmente, não é só económico ou científico mas também, e sobretudo, ético e antropológico. “Educar-nos para a solidariedade – advertiu o Pontífice – significa educar-nos para a humanidade” e comprometermo-nos a edificar uma sociedade que mantenha sempre “a pessoa e a sua dignidade no centro”.

Siham Zebiri
Siham Zebiri

BRA_GDP trigo alimento fome

BRA_DN s alimentos

BRA_JP leite pão fome

O bolsa família evita o trabalho escravo, erradica a fome, evita o aumento da prostituição infantil (crianças que vendem o corpo por um pedaço de pão),
O bolsa família abole o trabalho escravo, erradica a fome, evita o aumento da prostituição infantil (crianças que vendem o corpo por um pedaço de pão), diminui os assaltos para comprar o pão de cada dia e a mendicância. O bolsa família para aumentar a qualidade de vida, não ser uma esmola, precisa aumentar os valores pagos às pobres famílias pobres. São contra o bolsa família os corações de pedra e as almas sebosas.  

Francisco: “Não existe comunicação pela metade. É tudo ou nada. Ou se fala tudo ou não se fala nada”

por Gilvandro Filho

papamontagem

Bela entrevista do repórter Gerson Camarotti com o Papa. Indiscutível o seu valor jornalístico, um furo internacional (foi a primeira entrevista individual desde que Francisco foi eleito Papa).

O Papa é, realmente, uma figura histórica muito diferenciada e que merece todo respeito e toda a admiração. E toda a atenção. A sua pontuação sobre a idolatria pelo dinheiro e o descarte de velhos e idosos pelo capitalismo foi perfeita. Que mundo é este que nega oportunidade aos jovens (e criança) e aos idosos por não serem “produtivos”? “Os jovens são o futuro do mundo e os velhos estão aí para passar sua experiência e sabedoria”.

Sobre a idolatria ao dinheiro e a sua manipulação pela imprensa, ele foi na mosca!!!! “Milhares de crianças morrem de fome e isso não é notícia. Se a bolsa cair 2 ou 3 pontos, tratam como uma catástrofe mundial”.

Também gostei da imagem que ele criou: sem jovem e sem idosos o mundo cai. Que os jovem precisam ser escutados e que os idosos precisam passar a sabedoria deles. E sobre os protestos dos jovens, no Brasil: “Não tenho conhecimento dos motivos pelos quais protestam os jovens daqui. mas, jovem que não protesta não me agrada”.

Outra boa foi a questão de a Igreja Católica estar perdendo fiéis. “Uma mãe tem que cuidar, alimentar e amar os seus filhos. A Igreja precisa ser mãe. E falar diretamente com os seus filhos. Ela não pode se descuidar do filho e falar com ele por documentos. Seria como uma mãe falar com seu filho apenas por carta”. Bingo!

Outra ótima: “Não tenho medo. A hora que tiver que me acontecer alguma acontecerá. Como eu vinha ver um povo que amo e andar com vidros levantados? Não existe comunicação pela metade. É tudo ou nada. Ou se fala tudo ou não se fala nada”.

Outra: independentemente de igreja ou de religião, todos os lideres religiosos devem lutar contra a fome e o analfabetismo das crianças. Nesse ponto, um diferencial do Papa, que é o respeito pela outras religiões. Que sirva de lição a alguns dos nossos pastores e a certos manifestantes que misturam protesto com insanidade mental.

E, para não dizer que gostei de tudo, senti falta de uma pergunta sobre direitos humanos e sobre a ditadura argentina. Poxa, estava ali, a bola batendo e pedindo pra ser chutada. Não era para o repórter ter perdido esta oportunidade. Eu tenho impressão de que ele falaria na boa.

Mas, claro, foi um feito histórico e jornalístico. Veja a entrevista

 

A corrupção é mãe de todos os crimes hediondos

corrupção indignados

 

Dilma propôs uma nova legislação que considere a corrupção como crime hediondo. Isso depende de um plebiscito. Que o povo diga sim.

SIM. A corrupção pariu as quatro bestas do Apocalipse: a fome, a morte, a peste, a guerra. Só um corrupto, obviamente, defende a impunidade, uma justiça que não prende bandido de colarinho (de) branco: os empresários de obras super, super faturadas, ou inacabadas, e os negociadores de serviços fantasmas.

O Brasil precisa acabar com as chacinas dos fins de semana. A morte dos jovens pobres, dos negros pobres, dos moradores de rua (Belo Horizonte, em dois anos, trucidou cem filhos da rua).

policia terrorista 2

Quem rouba as verbas do SUS mata os doentes nas filas e dentro dos hospitais. Rouba as verbas para erradicar as doenças terceiro-mundistas como a dengue.  Quem rouba a merenda escolar mata os pobres estudantes pobres das escolas públicas.

Os principais vândalos desviaram o dinheiro da construção de mais escolas, mais hospitais, mais moradias populares, para edificar, a toque de caixa, estádios luxuosos, elefantes brancos e palácios com rachaduras como aconteceu com a sede do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, com o estádio Engenhão, que pode ser derrubado com uma ventania.

Estes ladrões, sim, são os vândalos invisíveis, que destroçam os prédios públicos. O prefeito e o governador do Rio de Janeiro vão demolir um parque aquático, um estádio, um museu, uma escola, a décima melhor do Brasil, para doar os terrenos a um grupo de empresários liderados por Eike Batista.

A corrupção só acaba se for considerada um crime hediondo.

 

corrupção