“Batalha no céu” e o segredo eterno

O filme “BATALLA EN EL CIELO” , que se passa no México, podia ter sido rodado no Brasil, por denunciar a corrupção, ou melhor, abordar a reação de uma filha que descobre que o pai é corrupto.

Este medo de como a família vai conviver com a revelação de que o pai foi um torturador na ditadura militar, ou um ladrão na ditadura econômica, fez o presidente Fernando Henrique criar o foro especial, ou a justiça secreta; e o presidente Lula da Silva decretar o segredo eterno.

Um bandido que tortura e/ou rouba não tem vergonha na cara, mas teme a indignação dos filhos.

“Batalha no céu” é um filme que provoca, que choca, que mistura cenas sexuais com procissões e marchas militares. Vale assistir. Baixei hoje da internet.

Não é uma obra de arte.  O filme é lento, talvez demasiado lento pela espera de uma cena que denuncie o terrorismo estatal, ou a corrupção do governo, mas a tortura fica restrita à penitência religiosa; e a ganância, o desejo de obter dinheiro fácil e ilícito, é de um motorista, de um miserável cidadão comum, personagem principal do drama, que participa com a esposa, fisicamente horrenda, de um sequestro frustado de uma criança.

Este mundo miserável, pobre e feio contrasta com a beleza de  Anapola Mushkadiz, a jovem rebelde. Numa das cenas de sexo, a mostra de que o sexo pelo sexo não traz o prazer, por um único gesto de ternura: Quando a bela aperta a mão do parceiro sexual Marcos Hernández, um artista amador que, na vida real, é também motorista.

Eis a resenha: cinta mexicana que, de entrada, ya comienza con la felación de su feo, gordo y viejo protagonista a cargo de una adolescente guapa. Acto seguido yacen en el lecho tocándose en una estampa no para todos los paladares, pero que no deja de tener su morbo. La bella y la bestia en pleno apogeo carnal, y precisamente el exceso de carne, michelines y vello son iconos del film. La chica es la hija de un general corrupto que castiga a papi prostituyéndose. El gordete es el chófer del militar. Sus escarceos sexuales son una especie de grito (no silencioso, aunque se corran a veces sin hacer ruido) contra la sociedad, la vida que se nos escapa. La secuencia seleccionada (v. link) ilustra a la perfección uno de estos encuentros sin sentimentos, pero mucho humor (si eres él espectador, no los protagonistas).