O “chega de PT” e o vice terrorista do doutor Aécio da Cunha

No segundo turno, um plebiscito

por Elio Gaspari

 

‘Chega de PT’, ou ‘Mais PT’, essa será a escolha que o eleitorado fará daqui a três semanas

[Eleição (*) não é plebiscito (**) nem referendo. 

O sub-título, além de faccioso, expõe o voto de Elio Gaspari. Um jornalista, independente escreve o certo, baseado na contagem dos votos das urnas de Minas Gerais:

‘Chega de PSDB’. Nuca ‘mais PSDB’]

A doutora Dilma vai para o segundo turno sem uma plataforma clara.

[Dilma lançar um plano de governo seria admitir que governa sem nenhum. Ora, cara pálida, o plano de governo de Dilma começou a ser executado no dia 1 de janeiro de 2011]

Em junho, durante a convenção do PT para anunciar um “Plano de Transformação Nacional”, no qual, além de generalidades, ela prometeu uma reforma dos entraves burocráticos e um projeto de universalização do acesso à banda larga. Como? Não explicou. No seu lugar, entraram autolouvações e manobras satanizadoras contra os adversários. Delas, a mais mistificadora é aquela que confunde os oito anos de Fernando Henrique Cardoso com uma ruína econômica e social. Foi o período de esplendor da privataria, época em que um hierarca do Ministério do Trabalho dizia que o aumento do número de brasileiros sem carteira assinada era uma boa notícia, mas deve-se ao tucanato algo muito maior: o restabelecimento do valor da moeda. Sem isso, Lula, Dilma e o PT não teriam conseguido quaisquer avanços sociais. Por questão de justiça, reconheça-se que o DNA demofóbico de parte do tucanato seria um obstáculo para que fizesse o que Lula fez.

[Elio Gaspari parece Marina Silva. Denúncias contra o PSDB e Fernando Henrique são  “manobras satanizadoras”. O diabo é que FHC rasgou a CLT, e terceirizou os empregos públicos e privados.

Elio Gaspari para contrariar Itamar Franco, o verdadeiro criador, chama Fernando Henrique de pai do Plano Real]

 

 

A ideia segundo a qual o PT precisa continuar no poder porque no poder deve continuar é pobre e pode funcionar como uma armadilha.

[A idéia segundo a qual o PSDB precisa retomar o poder porque no poder deveria ter continuado é pobre e pode funcionar como uma armadilha]

Na noite de domingo, a doutora Dilma afirmou que o “povo brasileiro vai dizer que não quer os fantasmas do passado de volta”. Pode ser, desde que se entenda que o Brasil de FHC foi um castelo mal-assombrado. Mesmo nesse caso, o PT faz sua campanha pretendendo continuar no governo pelos defeitos do adversário e não pelas suas próprias virtudes. Colocando a questão dessa maneira, deu a Aécio Neves a oportunidade de responder: “O Brasil tem medo dos monstros do presente”.

[É isso aí: medo das monstruosidades do governo Fernando Henrique. Que elas retornem com Aécio Neves, que foi um governador irresponsável – a irmã Andréa governou no lugar dele – e corrupto. Para esconder os desmandos, comprou e prendeu jornalistas. Abusou da censura judicial. Minas é o único estado que ainda mantém um jornalista como preso político. Vide Marco Aurélio Carone

aécio governador

O desempenho da doutora no primeiro turno foi o pior desde 1998. Ficou em terceiro lugar em São Bernardo, no coração do ABC paulista. A bancada petista no Congresso perdeu 18 cadeiras. Em Pernambuco, foi dizimada. Boa notícia, o PT só recebeu de Minas Gerais, onde o eleitorado negou ao PSDB o mandato que lhe daria 16 anos de poder ininterruptos. É isso que o PT busca na esfera federal. Nunca na história deste país um grupo político homogêneo ficou no poder por 16 anos.

[Esqueceu Elio Gaspari de enfatizar que Aécio da Cunha perdeu em Minas Gerais, que ele considerava um feudo, um curral fechado]

Dilma vai para o segundo turno com a arma do favoritismo de quem ganhou no primeiro. Contudo, faltam-lhe dois amparos. Agora, o tempo de televisão será o mesmo e os debates serão mano a mano. Aécio, como fez o petista Fernando Pimentel em Minas, falará em desejo de mudança. É o “Chega de PT”. Dilma defenderá o “Mais PT”. Darão ao pleito um tom plebiscitário.

[Dilma, como fez o petista Fernando Pimentel em Minas, falará em desejo de salvação do Brasil e do povo. É o “Chega de PSDB”. Nunca mais PSDB. Votar em Aécio da Cunha é um retrocesso.  

O “Mais PT” ganhou em Minas. Basta mostrar para o Brasil que o mineiro expulsou Aécio. Isso näo é plebiscitário. Isso é polarização. Mostrar que o governo do doutor Aécio da Cunha foi um desastre. Tão nocivo quanto o governo entreguista de Fernando Henrique]

Seria melhor se discutissem propostas para os próximos quatro anos. O PT carrega êxitos e escândalos…

[Gaspari reconhece os êxitos dos governos Lula e Dilma. Mas não cita quais.

Sobre os escândalos teria que repetir as manchetes diárias do julgamento de Joaquim Barbosa, que teve sua filiação na OAB recusada. O Barbosa que julgou o mensalão do PT, e engavetou o mensalão tucano. Ou a delação premiada de Paulo Roberto Costa, que envolve os governadores Eduardo Campos, Roseana Sarney (que tem sociedade com o marido de Marina Silva, Fabio Vaz de Lima) e Sérgio Cabral, quando o mais escandaloso presidente da Petrobras foi Henri Philippe Reichstul, genro de Fernando Henrique, que disputa a taça da corrupção com Shigeaki Ueki (presidente no governo do ditador Figueiredo). Com Reichstul, a maior plataforma produtora de petróleo do mundo, a P-36, afundou, dando um prejuízo direto de US$ 350 milhões à companhia e causando 11 mortes. Foi responsável, também, pelo derramamento de cerca de 4 milhões de litros de óleo no Rio Iguaçu, destruindo a flora e fauna e comprometendo o abastecimento de água em várias cidades da região].

O governo Fernando Henrique afundou a maior plataforma do mundo, a P-36
O governo Fernando Henrique afundou a maior plataforma do mundo, a P-36

…porém, o programa de Aécio é mais uma coleção de platitudes e promessas. Seus capítulos para a educação e a saúde não enchem um pires.

[O programa do doutor Aécio, foi elaborado por Armínio Fraga, ex-empregado de George Soros, e presidente do Banco Central no governo de Fernando Henrique. De bancário, da noite para o dia, Fraga virou banqueiro. Fraga considera o salário mínimo muito alto. É uma Maria Alice Setubal. Da política do tudo para os banqueiros, e neca para o povo]

neca marina Itaú

Se Marina Silva obtiver dele [Aécio] a meta de implantar em quatro anos o tempo integral nas escolas públicas, terá justificado sua passagem pela disputa. Em qualquer país que tenha um sistema universal de saúde com uma clientela de 150 milhões de pessoas, suas deficiências seriam discutidas por todos os candidatos. O assunto ficou fora dos debates. Aconteceu a mesma coisa com os planos privados, que coletam recursos de 48 milhões de fregueses e financiam generosamente seus candidatos.

[Programas como mais escolas, mais hospitais são promessas para governadores. As elites costumam estadualizar e municipalizar as eleições presidenciais. Os presidenciáveis deveriam discutir saúde pública ou privada, educação pública ou privada, renacionalização das empresas estatais que Fernando Henrique doou. A defesa das riquezas nacionais. Retomar antigas campanhas como “O Petróleo é nosso”,  “Fora FMI”, “A Amazônia é brasileira”. 

Criar novas campanhas nacionalistas, patrióticas e cívicas. Evitar o tráfico do nióbio. Considerar, como já fez a ONU, a água um alimento.

Erradicar os transgênicos.  Nacionalizar os meios de comunicação de massa e acabar com os monopólios dos barões da mídia. Criar conselhos de redação.

Promover as reformas de base,  impedidas pelo golpe de 64. Restaurar as conquistas dos trabalhadores, que a CLT foi rasgada por Fernando Henrique, inclusive a estabilidade no emprego cassada pelo ditador Castelo Branco.

Promover as reformas do executivo, do judiciário, do legislativo, via plebiscito e referendo.

Realizar um governo para todos, e que contemporize os sem terra, os sem teto, os sem nada. E não exclusivamente as elites e os 1% ricos, representados pelos bancos, indústrias e empresas que financiaram a ditadura militar e, agora, marcham unidas para eleger Aécio Neves, e seu vice Aloysio Nunes Ferreira, tucano que, em 1964, ingressou na Ação Libertadora Nacional (ALN), organização guerrilheira liderada por Carlos Marighella e Joaquim Câmara Ferreira, o Toledo].

aécio programa FHC

obra PSDB

 

(*) Eleição, ensina Wikipédia, é todo processo pelo qual um grupo designa um ou mais de um de seus integrantes para ocupar um cargo por meio de votação. Na democracia representativa, é o processo que consiste na escolha de determinados indivíduos para exercerem o poder soberano, concedido pelo povo através do voto, devendo estes, assim, exercerem o papel de representantes da nação. A eleição pode se processar com o voto de toda a comunidade ou de apenas uma parcela da comunidade, os chamados eleitores.

O processo eleitoral pode ser basicamente dividido em dois modelos: eleição direta e indireta.

(**) Plebiscito (do Lat. plebiscitu – decreto da plebe) , voto ou decreto passados em comício. O plebiscito é convocado antes da criação da norma (ato legislativo ou administrativo), e são os cidadãos, por meio do voto, que vão aprovar ou não a questão que lhes for submetida…

Ainda in Wikipédia: Podemos dizer que plebiscito é uma consulta ao povo antes de uma lei ser constituída, de modo a aprovar ou rejeitar as opções que lhe são propostas; o referendo é uma consulta ao povo após a lei ser constituída, em que o povo ratifica (“sanciona”) a lei já aprovada pelo Estado ou a rejeita. Maurice Battelli, de fato, define plebiscito como a manifestação direta da vontade do povo que delibera sobre um determinado assunto, enquanto que o referendo seria um ato mais complexo, em que o povo delibera sobre outra deliberação (já tomada pelo órgão de Estado respectivo).

 

 

SANTIAGO MORREU, CARONE ESTÁ PRESO, E AGORA MINAS GERAIS?

BRA^MG_EDM cinegrafista e agora Brasil

A polícia de Minas Gerais sempre joga bombas de efeito (i)moral e bombas de gás lacrimogêneo no povo, e atira com balas de borracha. O jornal Estado de Minas até festeja o terrorismo estatal com fogo de lágrima.

Agora com lágrimas de crocodilo o Estado de Minas pergunta: “Santiago morreu. E agora Brasil?”

Que choro hipócrita! Nenhuma palavra disse o Estado de Minas sobre a invasão policial da casa do jornalista Geraldo Elísio. Nem sobre Marco Aurélio Carone que continua preso.

Basta de lamúrias fingidas! No ano passado dois jornalistas foram assassinados em Minas, e o Estadão não cobra as prisões dos assassinos: uma quadrilha repleta de policiais.

Quantos civis já morreram em Minas nos protestos de rua? Em Belo Horizonte, inclusive, existe um viaduto da morte.

CENSURA, ABUSO JUDICIAL E POLICIAL EM MINAS 

censura nas redes sociais _ prisão de jornalista _ minas sem censura

Divulga Minas Sem Censura:

O mês de janeiro começou mal para a liberdade de imprensa em Minas. O “empastelamento” do Novo Jornal, site de notícias crítico ao governo de Minas Gerais, teve ação do Ministério Público, Justiça e execução pela Polícia Civil para se efetivar.

Independentemene do que se pense ou se avalie da qualidade desse portal de notícias, de propriedade do polêmico Marco Aurélio Carone, o que se denuncia é o uso do aparato público mineiro para que seja promovido um ato de truculência jamais visto em Minas, desde os tempos do Regime Militar.

Primeiro: a entrada do Ministério Público na trama revela o “vício de origem”. O promotor de Justiça, André Pinho, é o signatário do pedido de prisão de Carone. Ora, Carone reportou no Novo Jornal, uma querela envolvendo o citado promotor e seu próprio irmão. A partir daí, Pinho resolveu usar de seus poderes de “parquet” para pedir a prisão do proprietário do Novo Jornal, sob a suspeita de que ele teria incendiado seu carro! Isso mesmo: o promotor, supostamente vítima de Carone, pede a prisão de Carone?

Segundo: o despacho da juíza Maria Isabel Flek pedindo sua prisão é uma peça rancorosa, que justifica o ato de detenção sob argumento de que ele, em liberdade, poderia pressionar testemunhas e destruir provas, atrapalhando as investigações sobre os supostos delitos a ele atribuídos! Ora, sabe-me muito bem que o Novo Jornal comprou brigas homéricas com setores da justiça mineira.

Terceiro: as autoridades policiais que efetivaram a prisão e a busca e apreensão de pertences em seu escritório e na residência de um histórico jornalista mineiro, Geraldo Elísio (há sete meses afastado do Novo Jornal), são também desafetos de Carone. No caso dos policiais, estes são subordinados à cúpula da Polícia Civil. Carone, inclusive, faz uma denúncia gravíssima: o delegado Nabak lhe propôs “delação premiada”, em troca de que ele – Carone – acusasse os deputados Sávio Souza Cruz, Rogério Correia, Durval Ângelo e o ministro Fernando Pimentel, como mentores editoriais e financiadores do Novo Jornal.

Ou seja, essa ação atabalhoada será, obviamente declarada nula nas instâncias superiores da justiça, por todos os vícios de origem acima resumidos. Ela tem fins políticos claros: intimidação e produção artificial de provas contra desafetos de Aécio e Andrea Neves, Danilo e Rodrigo de Castro, o delegado Nabak, o promotor André Pinho, Azeredo, desembargadores, juízes, barões da mídia mineira, empresários etc.

Perguntas e respostas sobre o caso

Por que as autoridades e personalidades, supostamente constrangidas por Carone, não pediram direito de resposta às denúncias contra eles lançadas no portal? Por que, já que o processaram, não aguardam o rito se concluir? Afinal, a justiça é célere quando se trata dos interesses de proeminentes aliados de Aécio.

Por que não desmentem o rumoroso caso da Lista de Furnas, com dados mais consistentes, já que a mesma foi considerada autêntica pela Polícia Federal e reconhecimento em, pelo menos, duas ações judiciais? Por que não respondem sobre o caso da modelo assassinada, como suposta queima de arquivo do mensalão tucano? Por que o promotor que se ameaçado por ele não se declarou impedido de pedir sua prisão? Enfim, os desafetos dele, ao invés de percorrer o legítimo e ordinário rito judicial para incriminá-lo, adotam a espalhafatosa operação de censura e pressão.

E agora?

O Bloco Minas Sem Censura não entra no mérito da qualidade e editorial do Novo Jornal. Tudo que ali for escrito e documentado, independentemente do estilo, é material jornalístico, goste-se ou não de seu conteúdo e forma. E quem dele discordar pode e deve acionar os devidos canais judiciais regulares e não o uso da truculência estatal para calá-lo. O “Estado de exceção” que perdura em Minas Gerais é comprovado por esse gesto de autoridades e celebridades que gravitam em torno do clã Neves. Resistir a isso é um dever moral e uma necessidade republicana!

 

Polícia do governador Anastasia (PSDB) invade residências de jornalistas da oposição. A cumplicidade da justiça

A justiça e a polícia não param de atazanar os jornalistas que fazem oposição aos tucanos, em Minas Gerais, principalmente a Aécio Neves. Tudo se faz para anestesiar o povo. Com a cumplicidade dos jornais governistas, comprados a peso de ouro.

Escreve Conceição Lemes:

Os bastidores da política mineira estão em ebulição. Na Justiça, o delator do mensalão mineiro, Nilton Monteiro, o jornalista Marco Aurélio Carone e o advogado Dino Miraglia são acusados de formar quadrilha com o objetivo de disseminar documentos falsos, inclusive por meio de um endereço na internet, com o objetivo de extorquir acusados. Os dois primeiros estão presos. Houve busca e apreensão na casa do advogado.

Esta é a versão oficial, que tem sido noticiada em Minas Gerais.

Mas há outra, que deriva de um fato político: Nilton, Carone e Miraglia se tornaram uma pedra no sapato dos tucanos em geral e do senador Aécio Neves em particular, agora que ele concorre ao Planalto.

Nilton é testemunha nos casos do mensalão mineiro e da Lista de Furnas, esquemas de financiamento de campanha dos tucanos nos anos de 1998 e 2002. Carone mantinha um site em que fazia denúncias contra o ex-governador mineiro. Dino representou a família de uma modelo que foi morta em circunstâncias estranhas. O advogado sustenta que ela era a intermediária que carregava dinheiro vivo no esquema do mensalão mineiro e levou a denúncia ao STF.

Desde 20 janeiro, quando ocorreu a prisão de Marco Aurélio Carone, diretor-proprietário do site Novo Jornal, o bloco parlamentar de oposição a Aécio Neves na Assembleia Legislativa Minas Sem Censura (MSC) denuncia: a prisão preventiva do jornalista é uma armação e tem a ver com o chamado “mensalão tucano” e a Lista de Furnas no contexto das eleições de 2014.

Na última sexta-feira, 31 de janeiro, um lance evidenciou o roteiro. Segundo o Minas Sem Censura, há indícios de um amplo complô de políticos do PSDB e governo mineiro associados a setores do Judiciário e Ministério Público contra a oposição.

O plano A, de acordo com a oposição mineira, era prender o jornalista e pressioná-lo a assinar uma falsa acusação contra vários adversários.

A começar pelo ministro Fernando Pimentel, da Indústria e Comércio, que sempre foi muito próximo dos tucanos, mas se tornou uma pedra no caminho deles.

Na eleição de 2008 à prefeitura de Belo Horizonte, o senador Aécio Neves (PSDB) e Pimentel apareceram juntos na propaganda eleitoral na TV, apoiando Márcio Lacerda (PSB).

Porém, a relação começou a azedar, quando Aécio se colocou como candidato à presidência da República contra a presidenta Dilma Rousseff. E desandou de vez com disposição de Pimentel, nas eleições de 2014, ser o candidato do PT ao Palácio da Liberdade, ocupado há 16 anos pelo PSDB.

Na lista de “incriminados”, também estariam, entre outros:

* Rogério Correia, deputado estadual, líder do PT na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALEMG).

* Durval Ângelo (PT), deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALEMG.

* Sávio de Souza Cruz (PMDB), deputado estadual, líder da oposição na ALEMG.

* Protógenes Queiroz, deputado federal (PCdoB-SP) e delegado licenciado da Polícia Federal (PF).

* Luís Flávio Zampronha, delegado da PF, responsável pelo relatório do mensalão tucano.

* William Santos, advogado, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil– seção Minas (OAB-MG).

Em troca da delação premiada, o jornalista ganharia a liberdade. A proposta teria sido lhe oferecida pelo promotor André Luiz Garcia de Pinho. O mesmo que pediu a sua prisão preventiva e já havia sido alvo de denúncia no site do próprio preso.

Marco Aurélio Carone fez essas e outras revelações na quarta-feira 29 a Rogério Correia e Durval Ângelo. Junto com eles, representando a OAB-MG,  estava o advogado Vinícius Marcus Nonato.

Os três ouviram-no no Hospital Biocor, onde ficou internado de 25 a 28 de janeiro, sob vigília policial.

A conversa durou 31min15s.  Foi gravada e dividida em duas partes (na íntegra, sem qualquer edição, ao final desta reportagem).  É que aos 7min28s, a pedido da enfermagem, teve de ser interrompida, para o jornalista receber medicação.

Carone recusou a delação premiada: “Sou filho de pai e mãe cassados, vou morrer, não tem problema. Mas de mim eles não conseguem nada, em hipótese alguma”.

Segundo a oposição mineira, fracassado o plano A, partiram para o plano B, devassar os documentos do jornalista e do Novo Jornal, cujas matérias desagradam politicamente a cúpula do PSDB e do governo mineiro, para descobrir suas fontes de informação.

Por determinação da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, agentes da Polícia Civil (Depatri) realizaram busca e apreensão de agendas, computadores e documentos na sede do Novo Jornal.

Fizeram o mesmo na casa de Carone e na do jornalista Geraldo Elísio, Prêmio Esso Regional de Jornalismo e que trabalhou no Novo Jornal até sete meses atrás.

Harondo André Toscano de Oliveira

“Uma equipe composta por um delegado e três outros investigadores do Depatri visitou-me com ordem de busca e apreensão de meu netbook, minhas cadernetas de telefone, CD’s e anotações, principalmente em um livro no qual escrevo poesias”, postou na sua página no Facebook . “Fizeram uma relação de objetos levados perante testemunhas legais, mas nada me mostraram.”

“Esses atos são obra de Andréa [Neves] e seu irmão [senador Aécio Neves, PSDB-MG], para tentar desqualificar a Lista de Furnas e o mensalão tucano, para que não entrem em julgamento no STF”, afirma Geraldo Elísio ao Viomundo. “Para isso não estão titubeando em lançar mão de tentativas loucas e desmesuradas, inclusive incriminar os deputados Rogério Correia e Sávio Souza Cruz, que certamente o doutor Tancredo Neves reprovaria. Eles não herdaram a inteligência nem o bom senso do avô.”

Durval Ângelo: O “promotor André Pinho (foto acima) não tem isenção para atuar no caso, é suspeito”
Durval Ângelo: O “promotor André Pinho (foto acima) não tem isenção para atuar no caso, é suspeito”

LIBERDADE DE IMPRENSA VIOLADA COM A CUMPLICIDADE DA MÍDIA

Rogério Correia está perplexo: “É estranho uma ordem de busca e apreensão na residência do jornalista Geraldo Elísio. Evidencia o caráter de censura da operação em curso”.

O bloco Minas Sem Censura, integrado por PT, PMDB e PRB, denuncia:

O bloco parlamentar Minas Sem Censura vem a público mais uma vez registrar sua perplexidade e sua indignação com mais essa atitude do Judiciário mineiro, no caso do Novo Jornal.

A ordem de busca e apreensão expedida contra o diretor proprietário do Novo Jornal e contra o repórter Geraldo Elísio configura mais um absurdo do caso.

Depois de vários dias da prisão de Carone, sem fato concreto que pudesse incriminá-lo, vasculhar sua residência e a de Elísio, só tem sentido como ato de intimidação.

Se a credibilidade dessa atípica atitude de censura já era mínima, agora chega ao limite da desmoralização. Não conseguindo forjar a delação premiada, só restou essa truculência: busca e apreensão.

Qual será a próxima ousadia? Qual a credibilidade de supostas “provas” que eventualmente “apareçam”?

Invadir casas de jornalistas é um precedente perigoso. Em Minas não se respira liberdade.

Na verdade, nesse 31 de janeiro de 2014, Minas sofreu um atentado à liberdade de imprensa digno dos tempos da ditadura civil-militar no Brasil.

(Transcrevi trechos. Leia mais sobre o terrorismo tucano e a morte anunciada de Carone)