SOBRE A OBRIGATOREDADE DE FURAR O DEDO DO SEU FILHO PROTAGONIZADA PELO DEPUTADO SÉRGIO LEITE (PT-PE)

por Fernando Mendonça Neto
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A lei nº 15058 de 03/09/2013 sancionada pelo governador Eduardo Campos foi originária de um projeto de lei do deputado Sérgio Leite (PT-PE).
O artigo 1° desta lei obriga que “todas as instituições de ensino público e privado, de quaisquer níveis do estado de Pernambuco deverão constar o tipo sanguíneo e o fator Rh nas fichas de matrículas dos seus alunos”.
O parágrafo único deste mesmo artigo complementa: “… deverão os pais ou responsáveis fornecer os exames que contenham o grupo sanguíneo e o fator Rh do aluno”.
Assim só conseguiremos matricular nossos filhos no ano que vem se estivermos com esse exame em mãos.
Como o referido deputado não pertence à área da saúde, e certamente foi muito mal assessorado, ele acabou de criar uma lei inteiramente inútil, que não vai salvar a vida de ninguém, mas que vai obrigar pais, já extremamente atarefados, a levar seu filho a um laboratório e vê-lo ser furado no dedo por uma lanceta.
Ficamos então assim: um deputado decide só porque “deu na telha” que todos os alunos de Pernambuco devem ter seus dedos furados para poderem conseguir uma matrícula.
Atenção, notem que os exames de tipagem sanguínea deve ser entregues na escola (não adianta dizer ”de boca” que o seu filho tem tal tipo de sangue).
Qualquer profissional de saúde, minimamente informado, sabe que só se faz transfusão de sangue em hospitais de porte ou hemocentros, e se uma pessoa chegar numa destas instituições com uma carteirinha ou exame de laboratório definindo seu tipo de sangue, o hospital vai, mesmo assim, colher sangue e fazer lá mesmo a tipagem sanguínea. Mais do que isso, este teste pode e deve ser repetido durante uma possível internação em um mesmo paciente que necessite de transfusões de sangue.
As possíveis explicações para se pedir uma tipagem sanguínea em estudantes nesta escala são: iminência de uma 3ª guerra mundial tendo os alunos como soldados, exclusão de paternidade em massa para poder flagrar possíveis pais ou mães não biológicos, falta de ter o que fazer ou aumento de ganhos para donos de laboratórios clínicos.

Fernando Mendonça Neto é médico