Alckmin deu suspeito tapa na cara do Ministério Público

por Wálter Fanganiello Maierovitch

 

Para a chefia do Ministério Público estadual

O governador paulista escolheu, na lista tríplice apresentada e a quebrar salutar tradição democrática e republicana,  o segundo mais votado. Ou melhor, ele preferiu o mais palatável pela proximidade com a sua equipe de governo e com a do candidato a prefeito municipal José Serra, que lidera as pesquisas de intenção de votos.

O falido sistema brasileiro centraliza, com exclusividade e na figura do procurador-geral, a legitimidade para a iniciativa de procedimentos e ações criminais em face de detentores de foros privilegiados.
Só para lembrar, o procurador-geral da República é escolhido pela presidente da República. A recondução do atual procurador-geral da República, Roberto Gurgel, foi cuidada, junto à presidente Dilma, pelo então ministro Antonio Palocci, de triste memória. No governo FHC, o procurador-geral da República reconduzido ficou conhecido pelo apelido de “engavetador-geral da República”.
Como sabem até as portas dos auditórios dos fóruns e dos tribunais, a independência do Ministério Público é vital num Estado Democrático de Direito. São relevantíssimas as suas atribuições de representar a sociedade civil e em nome dela, por exemplo, ser o titular da ação penal pública.
Alckmin não poderia ter errado tanto. Vale frisar, ainda, que deu o tapa na cara dos promotores e dos procuradores de Justiça do estado de São Paulo num momento em que o mundo civilizado recorda os 20 anos da célebre Operação Mãos Limpas (Mani Pulite), de sucesso absoluto na repressão à corrupção político-partidária italiana.
Pano Rápido. O governador Geraldo Alckmin não quis um procurador-geral independente e deixou de lado a regra democrática de escolher o mais votado, em um sistema que tem o vício de deixar ao fiscalizado (chefe do Executivo) a escolha do fiscalizador.
(Transcrevi Trechos)
Enquanto procurador-geral da república do governo FHC, Geraldo Brindeiro foi fartamente criticado por sua inação. De 626 inquéritos criminais que recebeu, engavetou 242 e arquivou outros 217. Somente 60 denúncias foram aceitas. As acusações recaiam sobre 194 deputados, 33 senadores, 11 ministros e quatro ao próprio presidente FHC. Por conta disso, Brindeiro recebeu o jocoso apelido de “engavetador-geral da república”.

Governar é cobrar impostos

Depois que o Brasil vendeu suas empresas e indústrias, entregou suas riquezas em leilões quermesses, os governos dependem dos impostos. Esta fome começou no governo de Fernando Henrique. Governar passou a ser cobrar impostos. Nos tempos bíblicos o coletor de imposto era uma profissão maldita.

Em alguns casos, pagar o IPTU e o imposto de terreno de marinha constitui pagar duas vezes o mesmo imposto. Isso chamo de roubo. Sacanagem grossa.

Com a entrega das empresas de energia, as ruas estão mais escuras. Com postes de luz bunda de vagalume.
Com a entrega da telefonia, cortaram os telefones das escolas, dos postos de saúde, dos hospitais, dos centros sociais e outros serviços públicos. Estão tirando inclusive os orelhões das ruas.

A globalização unilateral de FHC criou o estado mínimo e o imposto máximo.