Bolsonaro, que se diz capaz de estuprar, ofende uma deputada e merece ser cassado

O que falta para que os partidos entrem no Conselho de Ética da Câmara com um pedido de abertura de processo para cassar o mandato e os direitos políticos de Bolsonaro?

 

Quinho
Quinho

por Ricardo Noblat

 

O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) não é apenas um falastrão como querem seus amigos. Nem apenas um bronco como reconhecem alguns dos seus colegas. É um sujeito indecente, obsceno e, com frequência, indecoroso.

Admiradores e desafetos dele na Câmara costumam fazer de conta que não ouvem seus insultos. Procedem assim alegando que confrontar Bolsonaro é fazer o seu jogo. Ele ganha votos quando se torna pivô de polêmicas.

Só que há limite para tudo. E Bolsonaro, na tarde de ontem, ultrapassou todos os limites. Se ainda houver um mínimo de vergonha na Câmara, será instalado um processo no Conselho de Ética para cassar o mandato de Bolsonaro.

Menos do que isso será compactuar com ele.

A deputada Maria Do Rosário (PT-RS), ex-ministra dos Direitos Humanos, foi gravemente ofendida por Bolsonaro. Mas não somente ela. Também todas as pessoas de bom senso que tomaram conhecimento do episódio.

A Câmara celebrava o Dia Internacional dos Direitos Humanos. E Maria do Rosário acabara de discursar quando Bolsonaro a sucedeu na tribuna. E disse para espanto da maioria dos que o ouviram:

– Não saia, não, Maria do Rosário, fique aí. Há poucos dias você me chamou de estuprador no Salão Verde [da Câmara] e eu falei que eu não estuprava você porque você não merece. Fique aqui para ouvir — disse Bolsonaro. E foi além:

– A Maria do Rosário saiu daqui agora correndo. Por que não falou da sua chefe, Dilma Rousseff, cujo primeiro marido sequestrou um avião e foi pra Cuba, participou da execução do major alemão? O segundo marido confessou publicamente que expropriava bancos, roubava bancos, pegava armas em quarteis e assaltava caminhões de carga na Baixada Fluminense. Por que não fala isso? Mentirosa, deslavada e covarde. Eu a ouvi falando aqui as asneiras dela. E fiquei aqui.

Em 2003, sem que nada tenha lhe acontecido, Bolsonaro disse a mesma frase e, e seguida, empurrou Maria do Rosário, chamando-a de vagabunda.

A reação da deputada foi enérgica, mas por si só não esgota a questão.

— Não me dirigi a esse senhor, tenho o direito de trabalhar. Peço à Mesa Diretora da Câmara que o mantenha distante e que ele não use meu nome. Não aceitarei. Talvez em alguns locais de tortura, essas palavras são típicas de quem fala em tortura.

No exercício do mandato, os parlamentares são imunes a processos. É o que determina a lei. Mas nem por isso eles podem cometer desatinos que configurem, por exemplo, a quebra do decoro parlamentar.

Luiz Estevão de Oliveira, o primeiro senador cassado da História do Congresso brasileiro, não perdeu o mandato porque embolsou dinheiro público destinado à construção do Fórum Trabalhista da cidade de São Paulo.

Perdeu porque mentiu a seus pares. Isso é quebra de decoro. Pela mesma razão, José Dirceu, ex-ministro do primeiro governo Lula, acabou cassado. Estevão está preso na Penitenciária da Papuda, em Brasília. Dirceu saiu de lá há pouco.

Por mais horror que isso represente, Bolsonaro pode, sim, defender o uso da tortura como método para extrair confissões. Já o fez. Pode, sim, defender uma ditadura militar como o melhor dos regimes. Também já o fez.

Mas nada disso equivale ao que ele fez ontem. Bolsonaro admitiu que seria capaz de estuprar uma pessoa. E ao se dirigir à deputada Maria do Rosário, afirmou que só não a estupraria porque ela não fizera por merecer.

(Em um passado nem tão remoto assim, o então deputado Paulo Maluf cunhou uma triste frase a respeito do uso de violência contra mulheres: “Estupra, mas não mata”. Ficou impune.)

O que as organizações de Direitos Humanos esperam para sair em defesa da honra agredida da deputada Maria do Rosário?

O que falta para que os partidos entrem no Conselho de Ética da Câmara com um pedido de abertura de processo para cassar o mandato e os direitos políticos de Bolsonaro?

Por que o presidente da Câmara, Henrique Eduardo Alves, não lidera essa iniciativa?

thiagolucas ditadura bolsonaro

 

Nepotismo eleitoral de Bolsonaro, mulher e filhos. “Com que moral vão me cassar aqui?”

Bolsonaro e a covardia de 24 partidos

 

bolsonaro estupro

por Juca Kfouri

Por enquanto apenas quatro partidos — PT, PCdoB, PSOL e PSB — entraram com pedido à Comissão da Ética da Câmara de Deputados para que seja cassado o mandato do deputado federal do PP-RJ, Jair Bolsonaro, que afirmou que só “não estupraria” a deputada, e ex-ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário (PT-RS) “porque ela não merecia”.

Será que PMDB, PSDB, DEM, PDT, PSD, PTB, PPS, o próprio PP de Bolsonaro, entre mais outros 16 partidos representados no Congresso Nacional, acham que o deputado não feriu o decoro parlamentar?

Será que não temem o julgamento da História nem mesmo depois do relatório da Comissão Nacional da Verdade com 377 nomes responsáveis pela covardia da tortura, contra crianças, inclusive, e estupros, durante a ditadura?

 

Bolsonaro é suplente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados

 

Juca Kfouri esquece que Bolsonaro, proclamou em 2019: “Estou me lixando para essas representações. Não vou ficar quieto. Falou mentira aqui, o bicho vai pegar. Eles não dizem que lutaram para ter liberdade de expressão? Por que agora querem cassar a minha. Com que moral vão me cassar aqui neste Congresso?”

Jair Messias Bolsonaro (Campinas, 21 de março de 1955) é um militar da reserva. De orientação política de direita, cumpre sua sexta legislatura na Câmara dos Deputados, eleito pelo Partido Progressista.

Aliou-se com Aécio Neves e Aloysio Nunes, do PSDB, para pedir o impeachment de Dilma Rousseff em cinco fracassadas marchas em São Paulo, realizadas depois do segundo turno.

Já foi filiado ao Partido Democrata Cristão, Partido Progressista Renovador, Partido Progressista Brasileiro, Partido Trabalhista Brasileiro, Partido da Frente Liberal e atualmente faz parte do Partido Progressista. Dificilmente esses partidos pedirão a cabeça de Bolsonaro, que ganhou notoriedade nacional após dar declarações sobre questões polêmicas, como homofobia, preconceito racial, sexismo, cotas raciais e defesa da tortura e do regime militar, sendo classificado por jornalistas e órgãos de imprensa como representante da extrema-direita.

É titular da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional e da de Segurança Pública Combate ao Crime Organizado. Parece ironia, piada, humor negro: é suplente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados.

 

Rio, curral eleitoral. Nepotismo de Bolsonaro

Aroeira
Aroeira

 

Foi casado com Rogéria Bolsonaro, a quem ajudou a eleger vereadora da capital fluminense em 1992 e 1996, com que teve três filhos: Flávio Bolsonaro — deputado estadual fluminense —, Carlos Bolsonaro — assim como o pai e mãe, vereador da cidade do Rio de Janeiro —, e Eduardo. De seu segundo casamento com Ana Cristina, teve Renan.

Em 1988 entrou na vida publica elegendo-se vereador da cidade do Rio de Janeiro pelo Partido Democrata Cristão. Nas eleições de 1990, elegeu-se deputado federal pelo mesmo partido. Seguiriam-se outros quatro mandatos seguidos. Foi filiado ao PPR (1993-95), PPB (1995-2003), PTB (2003-2005), PFL, hoje DEM (2005), e desde 2005 integra o PP. (Fonte Wikipédia)

 

Jornalista tem apoio dos funcionários contra senador que retirou a assinatura da CPI do cartel do metrô de São Paulo

por Rodrigo Pilha

Fernando Brito: Deprimente o gesto do senador Aloísio Nunes Ferreira, líder do PSDB, de assinar e depois riscar seu nome na lista para a criação de uma CPI para apurar a corrupção na compra dos trens do Metrô e da CTPM paulistas.
Fernando Brito: Deprimente o gesto do senador Aloísio Nunes Ferreira, líder do PSDB, de assinar e depois riscar seu nome na lista para a criação de uma CPI para apurar a corrupção na compra dos trens do Metrô e da CTPM paulistas.

 

 

“Menino! Passei a noite sem dormir e chorando preocupada com o que fizeram com você”.

Meu coração disparou e apertou quando escutei essas palavras espontâneas e sinceras de uma senhora de cabelos brancos que eu não conhecia, mas que testemunhou a violência que sofri dos policiais do Senado, dentro de um ônibus cheio de trabalhadores(as) que se dirigiam para a rodoviária do Plano Piloto.

Na noite da quinta-feira, ouvi essas palavras enquanto a senhora – com idade e carinho que poderiam ser da minha avó – me abraçava e me dava um beijo na bochecha vermelha de timidez e de surpresa, mas também de alegria por sentir o calor da solidariedade e da generosidade vindas de alguém que sabe o que é opressão e que, naquele ônibus do qual fui arrancado, se identificou comigo.

Enquanto a senhora falava e deixava meus olhos marejados, colegas dela, do setor de limpeza da Câmara, com o uniforme cinza que os caracteriza, se aproximavam e, com sorrisos largos, me passavam a sensação de receber um abraço enorme… de muitos braços e bem apertado…

Nos dias de hoje, dominados pela frieza pragmática e calculista, é até difícil imaginar uma cena como essa acontecer no mundo real. Pois eu tive a sorte e o privilégio de viver isso DOIS DIAS seguidos.

Na quarta-feira, menos de 24h após ter sido solto pela Guarda Pretoriana do Senado, fui abordado pelo Bruno Varão, um dos trabalhadores que estava no ônibus e que ME DEFENDEU dos policiais (“Peraí, não bate no cara, não!”). Bruno também trabalha na Câmara e, ao me ver no corredor, me cumprimentou e se disse arrependido de ter deixado me arrastarem do ônibus. Além disso, se dispôs a ser minha testemunha num eventual processo judicial.

Pra terminar esse texto que já está longo, tenho que dizer que estas pessoas humildes – invisíveis para a maior parte dos senadores, deputados e grande mídia – foram FUNDAMENTAIS para que eu não fosse espancado ali mesmo no ônibus pelos jagunços do Senado.

Trabalhadores salvando trabalhador!

“Minhas pernas são bastantes fortes
Como de todo trabalhador
Os meu braços são de aço
Como os de todo operário
Sou um trabalhador, sou sim!
Eu tenho uma alma que dseja e sonha”
(Mundo Livre S/A)

Senador Aloysio xinga e manda prender blogueiro

Blogueiro acusa Aloysio de envolvimento do cartel dos metrôs em São Paulo, que reage: ‘vai pra PQP’

Blogueiro abordou senador e questionou cartel
Blogueiro abordou senador e questionou cartel
Aloysio assinou requerimento de abertura de CPI para investigar cartel em São Paulo, mas depois retirou o nome
Aloysio assinou requerimento de abertura de CPI para investigar cartel em São Paulo, mas depois retirou o nome

 

por Heitor Mazzoco/ Diário da Região/ Rio Preto

 

O senador rio-pretense Aloysio Nunes Ferreira (PSDB) considera ter sido “vítima” do blogueiro Rodrigo Pilha, ex-assessor de uma deputada do PT, que o teria provocado ao questionar suposto envolvimento no cartel dos metrôs em São Paulo. Após fazer o questionamento ao senador, Pilha foi xingado: “Vai pra puta que o pariu. Vou te meter o cacete”, disparou Aloysio, que depois deu ordem de prisão ao militante.

Em vídeo divulgado na internet, Grassi aborda Aloysio nas galerias do Congresso Federal e pergunta sobre a importância das Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs).

Na sequência, pergunta o que levou o PSDB a arquivar 70 CPIs no governo de São Paulo. Aloysio disse que existem outros meios de investigação e encerra a entrevista. Pilha, então, fala sobre o suposto cartel de metrô e diz que o senador é suspeito. “Vá pra puta que pariu”, gritou o tucano, que ainda o chamou de “vagabundo”. Correndo, Pilha responde questionando o PSDB. “O que é isso? O senhor está querendo me agredir. Essa é a liberdade de imprensa do seu partido? Vai para a internet”, afirma.

O Diário entrou em contato com a assessoria de Aloysio solicitando uma entrevista, mas não obteve retorno. Por meio de nota em seu site oficial, o tucano disse que foi ofendido com grave injúria. “Fui vítima do ex-assessor da deputada do PT Erika Kokay (DF), Rodrigo Grassi. Sob o pretexto de me entrevistar a respeito de Comissões Parlamentares de Inquérito, ofendeu-me com uma grave injúria, uma acusação mentirosa e insuportável. Diante da ofensa, tentei segurá-lo até que a segurança do Senado acudisse”, disse.

Pelo microblog Twitter, Aloysio disse ainda que o vídeo postado por Grassi foi editado para prejudicá-lo. O ex-assessor ficou conhecido por ofender o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, em um restaurante de Brasília.

O Diário procurou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE), que informou que, até então, nenhuma medida seria tomada, por meio de assessoria. Nesta quarta-feira, 7, Aloysio assinou requerimento de abertura de CPI para investigar cartel em São Paulo, mas depois retirou o nome, dizendo que assinou na esperança de que contratos da Alstom em outros estados, como Distrito Federal e Bahia, também seriam investigados.

 

As palavras do senador pornográfico correm pela internet
As palavras do senador pornofônico correm pela internet
VEJA CARICATURA DO SENADOR
VEJA CARICATURA DO SENADOR

No botequim do STF

por Leonardo Attuch

 

Mais do que servir à transparência, a transmissão ao vivo do julgamento mostrou quão frágil é a suprema corte

Winston Churchill bem que avisou: “Se as pessoas soubessem como são feitas as salsichas e as leis, não comeriam as primeiras e não obedeceriam às segundas.” Leis, pelo que se depreende do julgamento da Ação Penal 470, são escritas e aprovadas à base de mensalões. Salsichas, produzidas com carne de quinta categoria.

Caberia agora, no entanto, acrescentar algo a mais à frase de Churchill. Se as pessoas soubessem como as leis são apreciadas pela suprema corte brasileira, ficariam ainda mais perplexas. E o fato é que começamos a enxergar o que ocorre por trás das cortinas do Judiciário, graças à transmissão ao vivo do “julgamento do século” pela TV Justiça. Nada mais pedagógico: onde imaginávamos encontrar o notório saber jurídico de “vossas excelências”, passamos a ver um desfile de vaidades e discussões de mesa de bar.

Relator do processo, Joaquim Barbosa errou. Tentou aplicar penas a alguns réus, valendo-se de uma lei equivocada. E ao passar pelo constrangimento de ser corrigido por seus pares, em rede nacional de televisão, revelou, mais uma vez, seu destempero. Simplesmente agrediu o revisor Ricardo Lewandowski perguntando se o mesmo advogava para Marcos Valério.

Se, assim como os deputados, juízes do STF pudessem ser alvo de processos por “quebra de decoro supremo”, Joaquim Barbosa seria cassado pela agressão injusta a um colega. O que o socorreu foi o pedido de desculpas na retomada da sessão, mas ele ainda não comprovou ter o equilíbrio necessário para comandar o Poder Judiciário.

Por trás de tudo isso, há uma só palavra: demagogia. Tanto dos que escolhem os ministros como daqueles que buscam aplausos no Bracarense ou elogios rasgados nos meios de comunicação. Transcrevi trechos

Charges 

Despachos judiciais confundem forma e conteúdo de processos

Themis, deusa da Justiça. Foto João Garrigó
Themis, deusa da Justiça. Foto João Garrigó

por Pedro do Coutto

É isso aí. De uns tempos para cá magistrados têm concedido liminares que, no decorrer do tempo, não são apreciadas em definitivo e se eternizam, e na prática, substituem sentenças. Em outras situações, despachos confundem forma e conteúdo, com isso contribuindo para atrasar a solução de processos.

Veja-se por exemplo, o ex-presidente do Banco Central, Francisco Lopes, escândalo da venda de dólares a câmbio favorecido a Salvatore Cacciola. Demitido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em 97 ou 98, foi condenado dois anos depois. Primeiro a uma pena de 12 anos de prisão, em seguida reduzida para oito. Obteve habeas corpus concedido pelo ministro Marco Aurélio Melo há aproximadamente sete anos. Está solto até hoje. O Supremo ainda não apreciou a liminar de modo definitivo. Tempo não faltou.

Agora, há poucos dias, o ministro da Corte Suprema, Antonio Dias Tofoli, acolhe petição do advogado do senador Demóstenes Torres e adia, por 72 horas, a sessão da Comissão de Ética do Senado que aprecia o projeto de cassação de seu mandato por falta de decoro parlamentar. Não tem cabimento.
Alegou a defesa que o réu não conseguiu ainda tomar conhecimento das acusações. Falso. Demóstenes Torres conhece muito bem do que pesa contra si próprio.

Mas o problema não é só este. A Comissão de Ética não tem poder de cassar parlamentar algum. Ela, antes de mais nada, conclui um projeto de resolução e encaminha ao plenário, através da Mesa Diretora.

Se fosse o caso, o ministro do STF poderia suspender a votação, por parte do plenário, se considerasse a defesa do acusado prejudicada em sua atuação. Não o trabalho da Comissão de Ética. Uma coisa nada tem a ver com outra. A tramitação da iniciativa na Comissão de Ética é apenas uma escala para a decisão final. Um absurdo suspendê-la.

É por essas e muitas outras que a Justiça brasileira é de uma lentidão enervante. Questões se arrastam há mais de vinte e trinta anos. Em alguns casos há mais de quarenta. Como a luta entre os herdeiros de Ademar de Barros e Chagas Freitas pela propriedade do jornal A Notícia que não circula mais. Foi ajuizada em 1962.

A indenização à Tribuna da Imprensa, ajuizada em 79, julgada pelo Supremo em 81 ou 82. Até hoje a empresa aguarda a execução da sentença. Os processos contra o INSS demoram, pelo menos, vinte anos. Os devedores, de modo geral, jogam com a idade dos credores. Incrível. O país assiste a tudo isso. Os governos que passam nada fazem para modernizar o sistema judicial.

Também há poucos dias, o despacho da juíza Maria da Penha Nobre Mauro. Aceitou o pedido de recuperação judicial da Delta Construções. Algo difícil, na medida em que o ministro chefe da Controladoria Geral da União, Jorge Hage, declarou a empresa de Fernando Cavendish inidônea. Se o governo Dilma Rousseff considerou a Delta inidônea, como poderá ela se recuperar se está proibida de obter novos contratos de obras públicas e não está pagando seus compromissos?

Uma coisa choca-se frontalmente com a outra. Para conceder a recuperação judicial, a magistrada teria, primeiro, que anular a medida do ministro Jorge Hage. Não definindo o tema assim, como poderá a Delta recuperar-se? A juíza afirmou em seu despacho, Folha de São Paulo de 19 de junho, que agia para preservar uma unidade produtiva e geradora de emprego, além de contribuinte fiscal.

Mas a empresa demitiu 800 empregados e ainda não os indenizou. Quanto à situação de contribuinte fiscal seria necessário, antes de decidir, consultar a Receita Federal. E também as Secretarias de Finanças dos Estados onde atua ou atuou. Mais um caso de colisão entre a forma e o conteúdo da matéria.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

Corrupção e pistolagem em São João da Barra. A primeira vez ninguém esquece

Prefeita Carla Machado
Prefeita Carla Machado

A prefeita Carla Machado, de São João da Barra, deve muitas explicações sobre o contrato, que selou, para matar uma assistente social da Apae.

Fica claro, bem explícito, que conhecia o covil de malfeitores, e tinha uma antiga e íntima relação com um bandido.

Tanto que chegou no bar ou boteco e, na primeira fala para o Samuca, diz:

“Que que (sic) está havendo, meu bichinho, que você tá diferente comigo”.

Chama de “meu bichinho”, nada mais amoroso.

Samuca dá uma desculpa besta para a impassibilidade.

Quem fala é uma prefeita (uma autoridade) para um criminoso (um indivíduo qualquer), que está vendendo cerveja para um bando de alcoólatras. Gente do submundo. Num local barra pesada. Não se sabe se Samuca é o dono ou mero garçom do botequim reles. Tudo indica que as duas coisas.

Samuca larga uma desculpa besta para o desprezo.  E responde com a mesma intimidade. Fica constatado que conhece a prefeita até demais:

“Não tá havendo nada não, Carla. Eu só tava com dor de cabeça na hora que você chegou”.

A prefeita esperava ser recebida com o sorriso de Eike Batista. Encontrou um Samuca de cara fechada.

CARLA CONHECE A PROFISSÃO SECRETA DE SAMUCA

A prefeita abre o jogo. Isso imediatamente. Sem rodeios.

Carla: “Eu vim aqui conversar com você (sic) se você pode dar uma surra numa pessoa”.

Samuca: “Uma surra? Em quem?”

Carla: “Mas tem que ser até a morte (risos)”.

É muita frieza, uma proposta de assassinato ser feita com sorrisos de prazer, de contentamento, de gozo antecipado.

POR QUE MATAR UMA ASSISTENTE SOCIAL?

Samuca: “Quem é a pessoa?”

Carla: “Ela trabalha lá na Apae. É assistente social”

Samuca: “Entendi”.

Qual o interesse da prefeita em eliminar uma assistente social? Fala-se que se trata de uma profissional que trabalha com moradores das terras que a prefeitura está desapropriando para Eike Batista. Vários moradores estão sendo assistidos e aconselhados pela Apae. Um trabalho que incomoda os planos milionários da prefeita, e bilionários de Eike Batista.

MAIS PESSOAS ENVOLVIDAS NA EMPREITADA

Carla Machado explica com detalhes como o crime está planejado, e fornece informações que obteve via pessoas que usou para espionar a vítima, o marido e o filho da vítima. Idem  locais de trabalho, residência, toda a vida de uma família que, covarde e cruelmente, programou destruir.

Samuca aprova a trama assassina.

Carla: “Isso, por isso gosto de conversar com você Samuca, você entende da situação”.

Este prazer da prefeita “por isso gosto de conversar com você”, sinaliza conversas outras entre os dois criminosos; e  “você entende da situação”, pode ser mais que um elogio, e sim uma referência a outras empreitadas realizadas”.

O INSTINTO ASSASSINO E PERVERSIDADE

Carla: “Você espanca ela, mas deixa ela bem caída”.

Samuca: “Mas Carla, não é até a morte, né?”

Carla: “Não, mas se caso acontecer, eu vou fazer o quê? Se caso acontecer, aconteceu”.

Samuca: “Tá certo”.

Carla: “Aí você pega, faz isso,  espanca ela, dá nela…”

 SAMUCA É UM MATADOR OU UM AGENCIADOR?

Carla: “Não é você que vai fazer o serviço. Você quer falar para mim, Samuca? Você vai mandar uma pessoa fazer”.

Samuca: “É, mas como eu falei com você, isso é comigo, né?

Carla: “Quando você me cobraria para fazer esse serviço?

Samuca: “É dois mil. Dois mil. Não é até a morte, né?”

Carla: “Não. Mas se acontecer… fazer o quê, né?”

TUDO TEM A PRIMEIRA VEZ

Este foi o primeiro contrato da prefeita Carla Machado?

Esta foi a primeira empreita do Samuca?

As respostas ficam para a polícia do governador Sérgio Cabral, para o judiciário do Estado do Rio de Janeiro, para os políticos e empresários que dependem do apoio e favores da prefeita, e para o povo de São João da Barra.

Veja gravação da conversa de Carla com Samuca

Veja quanto a prefeita gasta para limpar as sujeiras

A prefeita responde a vários processos de corrupção. Roubou até o dinheiro da festa do santo padroeiro da cidade:

“Num levantamento recente, com base em convênios firmados pelo Ministério do Turismo, o governo identificou irregularidade em dezenas de contratos com municípios e entidades diversas, inclusive para a realização das tradicionais festas de São João. Já são mais de R$ 13 milhões sendo cobrados de prefeituras. Entre os municípios reprovados, São João da Barra, no Rio de Janeiro, recebeu mais R$ 500 mil para organizar o 6o Circuito Junino. Os responsáveis, segundo a CGU, não apresentaram documentos para comprovar o correto uso de todo o dinheiro” (revista Época).

Produtores rurais são retirados à força de terras em São João da Barra. Veja vídeo. É muita violência. Bandidagem legal. Uma nova Pinheirinho de São José dos Campos. Um imenso Pinheirinho. Compreendendo matas nativas, bosques, pequenas e médias fazendas, lagos e praias.  Este o Brasil que vivemos para que Eike Batista fique cada vez mais rico. Malditos sejam. São terras desapropriadas pelo governador Sérgio Cabral e pela prefeita Carla Machado. Para aproveitadores nacionais e internacionais. E como ninguém faz nada de graça… vai ser um desmatamento com muito toco. Disse Eike, que ele e mais trinta empresários nacionais e estrangeiros vão investir 40 bilhões. E quanto vale cem quilômetros de praias?