Alckmin secou São Paulo

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O novo presidente da Sabesp, Jerson Kelman, fez um alerta à população de São Paulo em relação à gravidade da crise hídrica que atinge o estado. “Se continuar uma situação muito ruim, vamos fechando a torneira. Isso significa maiores restrições à população. Podemos chegar ao rodízio, se necessário, mas não é o ideal”, afirmou.

Kelman falou que a companhia de abastecimento busca soluções emergenciais para suprir água às residências e empresas do estado mais rico do País.

Leia os links neste post para conhecer as safadezas  da Sabesp no desgoverno de Geraldo Alckmin, que tem a blindagem da justiça.

 

sabesp privatização

Industriais da seca estão tirando o pé da lama no governo de Alckmin. Mais de 40 cidades sem água

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A Sabesp vende ações na bolsa de Nova Iorque. Proprietários de poços artesianos negociam água. Donos de frota de caminhões-pipa abastecem palacetes e condomínios de luxo. Fábricas aumentaram o engarrafamento de água mineral. São Paulo é um estado rico em recursos hídricos: O mapa recortado por rios perenes, cascatas, fontes e aquíferos.

São Paulo, dispõe do segundo maior aquífero do planeta, é um estado exportador de água para o Brasil e exterior.

Água apenas falta nas torneiras dos pobres e da baixa classe média, que fazem fila para encher baldes nas torneiras dos caminhões-pipa. A água gratuita está garantida até o dia das eleições, que Alckmin precisa eleger Aécio.

A discussão do dia, se a água vai faltar antes ou depois de novembro, um bate-boca para despistar os bobos. A justiça PPV, existem 360 desembargadores no TJ-SP, carece intervir. Água é alimento, disse a ONU. Negar água ao povo, um crime de lesa humanidade. As outorgas estaduais e da ANA, prostituta respeitosa, precisam ser revistas.

Veja o valor das dez maiores empresas

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Jornal Hoje – Mais de 40 cidades de São Paulo enfrentam problemas no abastecimento de água. A forma que muitos moradores e empresários encontraram para não ficar sem é comprar água de empresas que têm poços artesianos.

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Quase oito milhões de pessoas têm motivos para se preocupar com a falta de água. O Sistema Cantareira, que abastece quase a metade da população da Grande São Paulo, está no nível mais baixo da historia: 3,9%. Hoje, tem apenas 40 bilhões de litros de água do primeiro volume morto. Ainda restam mais 106 bilhões de litros de uma segunda reserva que, agora, pode ser usada.

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O governo de São Paulo conseguiu derrubar na Justiça a liminar que impedia a retirada de água desse segundo volume morto. O uso das reservas técnicas só é possível com a transferência da água de um reservatório para outro.

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O Sistema Cantareira tem seis represas interligadas por 48 quilômetros de túneis. A Atibainha, em Nazaré Paulista, por exemplo, chegou na quinta-feira (16) ao nível zero pelo sistema de captação atual, mas ainda tem 26 bilhões de litros estocados.
De acordo com a Sabesp, a água é suficiente para garantir o abastecimento até março do ano que vem, mas casas, prédios e indústrias de São Paulo já têm sido obrigados a recorrer aos caminhões-pipa.

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“Uma pessoa que compra um caminhão-pipa de água tem que procurar saber a procedência, se ela realmente vem de um poço artesiano, se existe uma análise de água, se ela tem os padrões de potabilidade”, alerta Carlos Alberto de Freitas, presidente da Associação Brasileira de Águas Subterrâneas

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Saber se a água que sai debaixo do poço é de boa qualidade é só o primeiro cuidado. É preciso conferir também como está a manutenção do reservatório, da tubulação e ter certeza de que o tanque do caminhão-pipa, que leva a água até a casa, está limpo, não está enferrujado e se está livre de bactérias que possam fazer mal para a saúde.

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O movimento de uma empresa que vende água de poços artesianos dobrou desde o último fim de semana. O preço também. O dono garante que a água é de qualidade. “Em um dia do mês, nós atestamos todos os caminhões, pegamos amostras da água que já está dentro do tranque e fazemos o laudo”, afirma Antonio Belentani Neto, dono da empresa.

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Algumas empresas que vendem água de poço artesiano aumentaram bastante o preço. Um caminhão com 20 mil litros pode custar de R$ 500 a R$ 1.700.

água

Moradores das zonas Norte e Sul de São Paulo ouvidos pelo G1 nesta quinta-feira (16) dizem que já estão ‘acostumados’ com a falta d’água em suas casas. Uma dona de casa de 50 anos contou que o problema já virou ‘rotina’.

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“A gente vai se acostumando, já que não chove nunca. Já até virou rotina pra gente ficar sem água. Tem que ficar tomando banho de caneca”, lamentou Maria da Silva, que vive no bairro da Pedreira, na Zona Sul.

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Maria disse que, normalmente, falta água em sua casa todas as noites, mas que a situação se agravou nas últimas semanas. “Está tendo muita falta d’água. Uma vez foram dez dias, e dessa vez foram oito. Já estou todo esse tempo com torneira seca”, informou.

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No outro extremo da cidade, em Lauzane Paulista, na Zona Norte, a situação rotineira do comerciante Marco Aurélio Ferreira é praticamente igual a de Maria. “Normalmente a água para de chegar sempre de noite. Eu chego às 21h e já não tem mais, aí fica até de manhã. A gente já até se acostumou”, disse.

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“Fora essa rotina de não ter água de noite, não está tendo água desde ontem de manhã. Dessa vez já estamos há um dia inteiro sem água. O mais incrível é o governo falar que não tem racionamento. Tem sim, e muito”, completou Ferreira.

 

O drama de oito milhões de paulistanos

 

justiça água

Contribuições foram enviadas através do VC no G1.

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Quinta-feira (16): Denílson Pandolfo – Vila Clarice (Pirituba)
“Estamos nesse racionamento desde janeiro. Sempre no período da noite entre 6h e 18h não tem água e, quando vem, vem sem pressão e não enche a caixa. Há três semanas, a água começou a acabar à noite e ficamos sem durante o dia inteiro, já ficamos dois dias sem água. Quando ligamos para a Sabesp, dizem que é manutenção. O pessoal precisa pegar água da caixa d’água do condomínio com baldes para levar aos apartamentos diariamente. A gente sabe do problema. Eles podiam avisar que tem um rodízio, não mentir e falar que está em manutenção ou que não tem. É uma situação desagradável.”

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Quinta-feira (16): Marco Aurélio Ferreira – Lauzane Paulista (Zona Norte)
“Normalmente a água para de chegar sempre de noite. Eu chego às 21h e já não tem mais, aí fica até de manhã. A gente já até se acostumou. Fora essa rotina de não ter água de noite, não está tendo água desde ontem de manhã. Dessa vez já estamos há um dia inteiro sem água. O mais incrível é o governo falar que não tem racionamento. Tem sim, e muito”.

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Quinta-feira (16): Maria da Silva – Eldorado (Zona Sul)
“A gente vai se acostumando, já que não chove nunca. Já até virou rotina pra gente ficar sem água. Tem que ficar tomando banho de caneca. Está tendo muita falta d’água. Uma vez foram dez dias, e dessa vez foram oito. Já estou todo esse tempo com torneira seca”

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Quarta-feira (15): Nair de Souza Brun – Jardim Piratininga (Zona Sul)
“Na sexta, a água acabou, mas voltou depois. No sábado já não tinha mais. Ela só voltou hoje, umas 9h. Quando ligamos para reclamar, eles disseram que estavam fazendo reparos na rede. Mas, no meu entender, o racionamento já está acontecendo, sim. Tem dia em que a água vai e volta. Há um mês faltou três dias direto. Acho que se eles divulgassem o cronograma seria melhor, porque aí você se prepara um pouco”.

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Terça-feira (14): Maria Conceição Faustino – Americanópolis (Zona Sul)
“Nós estamos super revoltados, estamos comprando água mineral para tudo, para usar no banheiro, para lavar louça. Nós somos chiques, estamos tomando banho com Bonafont. Meu filho tem Síndrome de Down, tem que ter um cuidado extra com a higiene, e a roupa dele está suja desde sábado. Acabou a água até do mercado, está todo mundo comprando. E eu sou uma pessoa que economiza não por causa dos 20%, mas pela consciência”

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Terça-feira (14): Vileide Bueno – Americanópolis (Zona Sul)
“Eu estou gastando de R$ 50 a R$ 60 por semana com água mineral. Para banho, para louça, para escovar os dentes, tudo. É um dinheiro que faz muita falta. Você liga na Sabesp, eles falam que domingo à noite volta, aí ligamos ontem, diz que vinha ontem. Hoje de novo, e ainda não veio. Os vizinhos estão todos revoltados”

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Terça-feira (14): Valdira Santana – Santana de Parnaíba
“Estou há nove dias sem água. Liga na Sabesp, e eles não dão a mínima atenção para a gente, colocam uma gravação. É um absurdo, é uma vergonha. E eu não sei mais o que fazer para economizar, faço tudo o que mostram e falam para fazer. Eu só estou fazendo comida porque estou comprando água. A higiene pessoal não tem condição, está um absurdo”

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Segunda-feira (13): Alessandra Coelho – Campo Limpo (Zona Sul)
“Todos os dias, de noite, a gente fica sem água. Nesse final de semana ficou durante o dia também sem água. Fiquei das 20h do sábado até as 5h de segunda. A gente vai guardando água. Vou estocando em containers, em baldes, e vou me virando assim. E ainda tem que comprar água potável pra beber”.

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Segunda-feira (13): Gabriela Mendes – Jardim Conceição (Osasco)
“Normalmente o abastecimento para na sexta, de noite, e fica sem água até domingo de madrugada. Isso era o normal, mas agora estamos desde quinta sem água e ainda não voltou hoje, segunda. Está difícil, não tem água pra beber, pra tomar banho, pra dar banho nas crianças. Estamos tendo que comprar água. Meu marido ligou lá e a Sabesp disse que não tem água pra mandar”.

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Segunda-feira (13): Valter Fernandes Teixeira – Vila Dirce (Carapicuíba)
“Você não tem água pra lavar o rosto, pra escovar o dente. Trabalhei o dia inteiro ontem, naquele sol, a roupa chega a grudar no corpo. Aí cheguei em casa e não pude tomar um banho, tive que ir na casa da minha mãe. Está faltando com frequência, normalmente é de dia, às vezes volta de noite. Tem dia que não volta. Aí tem que ficar estocando”.

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Segunda-feira (13): Daniele Reis – Vila Santa Catarina (Zona Sul)
“Desde sexta-feira está assim, sem água direto. Normalmente para de dia, e volta a noite, de madrugada. Enche a caixa e no dia seguinte está sem de novo. Mas dessa vez não voltou ainda, ficou direto. No final de semana tivemos que comprar água, tem um pingo só pra tomar banho, aí não tem pra beber, pra cozinhar”.

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Segunda-feira (13): Tainá Andrade – Americanópolis (Zona Sul)
“Todos os dias durante a noite ficamos sem água, mas esse final de semana está direto. Desde sábado até agora estamos sem água, não voltou ainda. Final de semana todo sem nem uma gota. Tivemos que comprar água pra beber e pra poder fazer comida. De resto, ficamos sem fazer, a louça está amontoada na pia, tudo.”

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Segunda-feira (13): Caíque Ferreira – Jardim Santa Terezinha (Zona Leste)
“Estamos sem água desde sexta. Segundo a Sabesp, tiveram que fazer um conserto, mas não informaram onde e nem quando a água voltaria”.

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Segunda-feira (13): Joraci Veiga – Casa Verde (Zona Norte)
“Não é a primeira vez, nos últimos dois meses já foram várias vezes. Mas dessa vez está mais tempo. Desde sábado, acordei de manhã, fui pro banho e não tinha água. Hoje ainda não fui trabalhar porque estou sem banho. Parece que a água voltou na rua, mas ainda não chegou aqui porque a pressão está muito baixa. De que adianta mandar água com pressão fraca?”

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Segunda-feira (13): Ligia Silva Frazão – Luz (Centro)
“Hoje cedo abri a torneira e não saía água. Creio que esteja desde ontem, por que pra caixa do prédio ter secado, é porque não vem água da rua já faz tempo. Eu tenho duas crianças pequenas, a gente não se preparou nem nada, a Sabesp tinha que avisar quando for fazer isso. Meu marido ligou lá e eles assumiram que não tem água, disseram que é ‘uso excessivo de água na região”.

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Segunda-feira (13): Juliana Barbosa da Silva – Parque Santa Tereza (Carapicuíba)
“Ficamos sem água de sexta feira das 12h até domingo às 20h. Aí agora de manhã, umas 10h30 acabou e não voltou mais. Entrei em contato várias vezes [com a Sabesp], disseram que tinha passado o limite de gasto de água da região. Mas ninguém nos avisou disso. Agora, quando ligamos colocam uma gravação afirmando isso. Ela volta bem fraca, demorou um tempão para encher a caixa. É difícil, porque praticamente não podemos tomar banho, mal tínhamos como fazer comida. Precisamos tomar banho frio para poder cozinhar”.

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Segunda-feira (13): Marcília Olivieri – Granja Viana (Cotia)
“Desde ontem por volta das 10h [falta água] e até agora ainda não voltou. Eu e outros moradores entramos em contato com a Sabesp, que diz que não tem problemas de abastecimento de água na região. A gente já está acostumada a isso, sempre falta água aqui. É o racionamento que não existe, mas existe. Não dei banho na minha bebê hoje, não consegui nem lavar a louça”.

Admitir falta d’água só depois da eleição é “estelionato eleitoral do PSDB”, diz Padilha

 

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O ex-ministro da Saúde discursa em frente a fábrica da Volks em São Bernardo do Campo (SP)
O ex-ministro da Saúde discursa em frente a fábrica da Volks em São Bernardo do Campo (SP)

 

por Rodrigo Rodrigues / Portal Terra

Candidato derrotado ao Governo de São Paulo, o ex-ministro da Saúde, Alexandre Padilha (PT), chamou de “estelionato eleitoral do PSDB” o depoimento da presidente da Sabesp na CPI da Câmara Municipal, onde a mesma admitiu que a primeira leva do volume morto de água só deve durar até meados de novembro.

Segundo Padilha, o governador Geraldo Alckmin escondeu a real situação do Sistema Cantareira do contribuinte paulista durante toda a campanha para colher dividendos eleitorais.

“O governador Geraldo Alckmin não foi transparente durante toda a crise. Vocês vão se lembrar que no último debate ele teve a coragem e desfaçatez de dizer que não faltava água em São Paulo e, passado o primeiro turno, começou a ficar escancarado o estelionato eleitoral dele e o tamanho real do problema. Naquela ocasião, vários bairros já estavam sem água na periferia de São Paulo, em Osasco e Itapevi, por exemplo. Visitei a região de Campinas hoje e já há bairros que há uma semana não recebem água. É uma situação que só prova o estelionado eleitoral do PSDB”, declarou o petista, que na noite desta quarta-feira (15) esteve em evento da presidente Dilma com professores da rede pública de ensino.

Sobre as pesquisas de intenção de voto que dão empate técnico entre Dilma e Aécio Neves (PSDB), o candidato derrotado do PT em São Paulo diz que o eleitor não pode levar em conta esses números na hora de decidir o voto.

Segundo Padilha, os institutos de pesquisas perderam a capacidade de mostrar a real situação da intenção de voto dos brasileiros no País inteiro, em virtude dos erros cometidos no segundo turno.

Para o petista, as pesquisas do Instituto Paraná Pesquisas e do Instituto Sensus, que colocam Aécio Neves muito na frente de Dilma, foram desmontadas pelos próprios Datafolha e Ibope divulgados nesta quarta – e que dão empate técnico de 51% para Aécio e 49% para Dilma Rousseff:

“São pesquisas com critérios bem duvidosos, que já foram desmontadas. O primeiro turno mostrou que as pesquisas hoje têm muita dificuldade de captar a realidade da decisão do voto do eleitor. Fui fortemente prejudicado com as pesquisas que foram divulgadas aqui no estado de São Paulo. Me tiraram trinta dias da cobertura dos telejornais por conta dessas pesquisas e, na reta final, não mostraram que estávamos brigando com o segundo colocado para ir ao segundo turno. Mais uma vez parece que o indicador mais fidedigno atual é o Databolsa. Porque toda vez que a Dilma cresce ou vai bem no debate, a Bolsa de Valores cai no outro dia pela manhã”, destacou Alexandre Padilha.

O ex-ministro da Saúde diz que está convencido de que a briga pela vaga de presidente da República no segundo turno se dará em São Paulo e a intenção do PT é buscar os eleitores que voltaram em Marina Silva na primeira etapa.

“Queremos mostrar que o projeto que o PSDB tem para o País não deu certo em São Paulo e não dará certo no restante do Brasil. Vejam o problema da falta d’água, do transporte e da violência. As urnas fizeram do PT um fiscalizador incansável do que acontece em São Paulo e nós vamos continuar cobrando os tucanos pelas coisas ruins que estão acontecendo. A crise da falta de água não é uma preocupação do PT, mas da população que já faz fila para encher os baldes em várias cidades do interior do Estado”, declara o petista.

Proibido beber domingo dia das eleições. Lei Seca começou em São Paulo faz tempo

Osmani Simanca
Osmani Simanca

É uma vergonha que vem sendo noticiada nos principais jornais do planeta. No país mais rico em água, São Paulo só tem água engarrafada, para enriquecimento das multinacionais que possuem outorgas de valiosas fontes.

Beber água da torneira já era morte certa. É isso aí: um governo morto oferece água de volume morto.

Racionamento d’água, só agora?

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por Gilmar Crestani

 

O que a Folha não informa é que o racionamento d’água que abate sobre São Paulo é resultado de mais de 20 anos de PSDB no comando daquele Estado. Se, como dizem as pesquisas, Geraldo Alckmin deve ser eleito ainda no primeiro turno, boa parte se deve à forma como Instituto Millenium informa a população daquele Estado. A simbiose ou parasitismo entres Veja, Estadão e Folha e os Governos do PSDB se revela pela distribuição de assinaturas de revistas e jornais nas escolas públicas daquele Estado.

Todas as vezes que a informação sai, sempre retira a responsabilidade do Governo daquele Estado; usam eufemismos como “crise d’água”. Imagine se algo parecido estivesse acontecendo em algum governo petistas quais seriam as manchetes. É até engraçado, a Veja não deu nenhuma capa, nem entrevistou a água nas páginas amarelas…

Por isso que último bastião que falta ser enfrentado para construirmos uma democracia mais sólida é a democratização dos meios de comunicação. Hoje, o Instituto Millenium coordena o que devem mostrar, como mostrar; o que devem esconder e como esconder. Tomou para si a responsabilidade de fazer o que fez Rubens Ricúpero no famoso Escândalo da Parabólica. Enquanto estes bandidos não forem preso, o PCC manda, o PSDB sobrevive e, com Gilmar Mendes no STF, até Fernandinho Beira-Mar pode entrar para a política.

2,8 milhões vivem sob racionamento no Estado de SP

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Número de afetados é 32% maior do que em agosto; 25 cidades sofrem os efeitos da estiagem prolongada
Em Valinhos, que fica 18 horas sem água duas vezes por semana, rodízio deve durar mais um ano, diz a prefeitura

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tomar água

 

por João Alberto Pedrini, Camila Turtellide e William Cardoso

 

Apesar das chuvas que atingiram algumas regiões do Estado nos últimos dias, o racionamento oficial de água já atinge 2,77 milhões de pessoas em 25 municípios.

O número de habitantes afetados é 32% maior do que em agosto, quando levantamento da Folha mostrou que 2,1 milhões viviam sob rodízio em 18 cidades.

O racionamento oficial ocorre em municípios onde o abastecimento de água e o tratamento de esgoto são feitos pelas prefeituras.

Não há na lista cidades em que o sistema é gerenciado pela Sabesp, embora a empresa venda água para algumas dessas cidades. Em todas elas não há prazo para que a interrupção termine.

Segundo a Defesa Civil, as chuvas registradas de janeiro a setembro no Estado foram 21,3% menores do que a média histórica. Foram 12.972 milímetros ante uma média de 17.174 milímetros.

Em ao menos um caso, Valinhos, a prefeitura admite que o racionamento deve seguir por mais um ano. Duas vezes por semana, a cidade fica 18 horas sem água.

Metade da água é do sistema Cantareira. A prefeitura diz que investirá na ampliação do tratamento. Com o investimento, de cerca de R$ 3 milhões, será possível captar mais do rio Atibaia.

Cravinhos só capta de poços e vive a mesma situação. “Todo ano, em períodos secos, percebemos alta no consumo, mas nunca precisamos racionar. É a primeira vez”, disse Claudio Henrique Alves Cairo, superintendente do setor de água e esgoto.

GUARULHOS

O maior município com racionamento no Estado é Guarulhos. Lá, 13% da água é captada por meio de produção própria e 87% são comprados da Sabesp. A prefeitura diz que estuda ampliar a captação em novos mananciais.

Em Mauá, que também compra água da Sabesp, o racionamento começou na última quarta (1º). Segundo o município, desde julho o fornecimento da Sabesp caiu 22%.

Moradores dizem que já sofrem com o desabastecimento há ao menos três meses.

Oficialmente, a cidade foi dividida em cinco partes e cada uma fica sem água durante um dia da semana, de segunda a sexta-feira.

O aposentado Luiz Carlos Lissoni, 56, já chegou a ficar quatro dias sem água. Ontem (3/10), estava com a torneira seca. Para minimizar os problemas, comprou uma caixa de 1.500 litros por R$ 410 e tinha outra de 1.000 litros. “Tenho uma mulher doente, que precisa de mais de um banho por dia”, afirma.

A Sabesp informou que não houve redução do envio de água para Mauá no primeiro semestre. Sobre Guarulhos, diz que reduziu a vazão para a cidade porque a ANA (Agência Nacional de Águas) exigiu a diminuição da captação do sistema Cantareira.

Racionamento de água chega a 2,8 milhões de pessoas no Estado de São Paulo

 Jean Gouders
Jean Gouders

 

O racionamento oficial de água de São Paulo já atinge 2,77 milhões de pessoas em 25 municípios do Estado. De acordo com levantamento feito pelo jornal Folha de S. Paulo, o número de habitantes afetados pelo rodízio é 32% maior do que em agosto, quando 2,1 milhões de pessoas viviam sob essa condição.

Faltar água é uma soma de desgoverno+corrupção, que piorou com a privatização da Sabesp.

E sempre duas desculpas para enganar o povo tucanado de São Paulo: quando existem enchentes, choveu demais; quando falta água na torneira, choveu de menos.

Para governador malandro: tem que chover na medida.

 

convencer

Escreve Paulo Teixeira: O desgovernador Geraldo Alckmin acha que é assim, que basta repetir o mesmo bordão centenas de vezes para a população de São Paulo acreditar. Sabe de nada, inocente.

Bastou adotar a mesma estratégia no debate da Globo, para provocar uma reação à altura nas redes sociais. Não me refiro às campanhas dos adversários, mas a manifestação indignada de milhares de pessoas do movimento dos sem-água, os flagelados da seca urbana que atinge, por incompetência administrativa e má gestão dos recursos públicos, a maior cidade do país.

De ontem para hoje, no pouco tempo em que naveguei no Facebook, devo ter visto mais de duas dezenas de paulistanos reclamando que está sem água, que não pode tomar banho depois das 20h ou que sofre racionamentos diários.

Também vi diversos vídeos postados por gente que aparece abrindo a torneira de casa a troco de nada: não sai uma gota. A coisa está tão feia em diversos bairros da região metropolitana que achei ótimo o Alexandre Padilha ter lançado o “desafio da torneira”.

Hoje de manhã, em entrevista, convidou o desgovernador a percorrer com ele diversas regiões da cidade durante a noite para, juntos, fazerem um teste simples: abrir torneiras e ver se sai alguma coisa. Tenho certeza que grande parte delas, se não a maioria, estará seca. Coincidência à parte, outra coisa que anda secando rapidamente é a candidatura de Alckmin. Aliás, o secretário Mauro Arce, de Recursos Hídricos, já afirmou publicamente que o Sistema Cantareira estará seco em novembro, logo depois do segundo turno. Mas seu chefe continua repetindo a ladainha de sempre: não falta água em São Paulo, não falta água em São Paulo. A mim ele não engana.

Troilando um candidato. Estudantes convidaram Alckmin para uma foto...
Troilando um candidato. Estudantes convidaram Alckmin para uma foto…

HIDROPIRATARIA. Para Alckmin sobram votos e água em São Paulo

São Paulo adora o domínio tucano. Está com uma sede braba de reeleger Geraldo Alckmmin. Quando alguém reclama que falta água nas torneiras, o governador diz que tem de sobra. E o povo acredita.

Podia buscar água no Rio Amazonas. De vários países, os piratas chegam para encher tanques e mais tanques com a água no Mar Doce.

Navios-tanque traficam água de rios da Amazônia

 
por Chico Araújo, da Agência Amazônia

 
É assustador o tráfico de água doce no Brasil. A denúncia está na revista jurídica Consulex 310, de dezembro do ano passado, num texto sobre a Organização Mundial do Comércio (OMC) e o mercado internacional de água. A revista denuncia: “Navios-tanque estão retirando sorrateiramente água do Rio Amazonas”. Empresas internacionais até já criarem novas tecnologias para a captação da água. Uma delas, a Nordic Water Supply Co., empresa da Noruega, já firmou contrato de exportação de água com essa técnica para a Grécia, Oriente Médio, Madeira e Caribe.

Conforme a revista, a captação geralmente é feito no ponto que o rio deságua no Oceano Atlântico. Estima-se que cada embarcação seja abastecida com 250 milhões de litros de água doce, para engarrafamento na Europa e Oriente Médio. Diz a revista ser grande o interesse pela água farta do Brasil, considerando que é mais barato tratar águas usurpadas (US$ 0,80 o metro cúbico) do que realizar a dessalinização das águas oceânicas (US$ 1,50).

Há trás anos, a Agência Amazônia também denunciou a prática nefasta. Até agora, ao que se sabe nada de concreto foi feito para coibir o crime batizado de hidropirataria. Para a revista Consulex, “essa prática ilegal, no então, não pode ser negligenciada pelas autoridades brasileiras, tendo em vida que são considerados bens da União os lagos, os rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seus domínio (CF, art. 20, III).

Outro dispositivo, a Lei nº 9.984, de 17 de julho de 2000, atribui à Agência Nacional de Águas (ANA), entre outros órgãos federais, a fiscalização dos recursos hídricos de domínio da União. A lei ainda prevê os mecanismos de outorga de utilização desse direito. Assinado pela advogada Ilma de Camargos Pereira Barcellos, o artigo ainda destaca que a água é um bem ambiental de uso comum da humanidade. “É recurso vital. Dela depende a vida no planeta. Por isso mesmo impõe-se salvaguardar os recursos hídricos do País de interesses econômicos ou políticos internacionais”, defende a autora.

Segundo Ilma Barcellos, o transporte internacional de água já é realizado através de grandes petroleiros. Eles saem de seu país de origem carregados de petróleo e retornam com água. Por exemplo, os navios-tanque partem do Alaska, Estados Unidos – primeira jurisdição a permitir a exportação de água – com destino à China e ao Oriente Médio carregando milhões de litros de água.

petroleiro

Nesse comércio, até uma nova tecnologia já foi introduzida no transporte transatlântico de água: as bolsas de água. A técnica já é utilizada no Reino Unido, Noruega ou Califórnia. O tamanho dessas bolsas excede ao de muitos navios juntos, destaca a revista Consulex. “Sua capacidade [a dos navios] é muito superior à dos superpetroleiros”. Ainda de acordo com a revista, as bolsas podem ser projetadas de acordo com necessidade e a quantidade de água e puxadas por embarcações rebocadoras convencionais.

Navios-tanque água

Há seis anos, o jornalista Erick Von Farfan também denunciou o caso. Numa reportagem no site eco21 lembrava que, depois de sofrer com a biopirataria, com o roubo de minérios e madeiras nobres, agora a Amazônia está enfrentando o tráfico de água doce. A nova modalidade de saque aos recursos naturais foi identificada por Farfan de hidropirataria. Segundo ele, os cientistas e autoridades brasileiras foram informadas que navios petroleiros estão reabastecendo seus reservatórios no Rio Amazonas antes de sair das águas nacionais.

Farfan ouviu Ivo Brasil, Diretor de Outorga, Cobrança e Fiscalização da Agência Nacional de Águas. O dirigente disse saber desta ação ilegal. Contudo, ele aguarda uma denúncia oficial chegar à entidade para poder tomar as providências necessárias. “Só assim teremos condições legais para agir contra essa apropriação indevida”, afirmou.

O dirigente está preocupado com a situação. Precisa, porém, dos amparos legais para mobilizar tanto a Marinha como a Polícia Federal, que necessitam de comprovação do ato criminoso para promover uma operação na foz dos rios de toda a região amazônica próxima ao Oceano Atlântico. “Tenho ouvido comentários neste sentido, mas ainda nada foi formalizado”, observa.

Águas amazônicas

Segundo Farfan, o tráfico pode ter ligações diretas com empresas multinacionais, pesquisadores estrangeiros autônomos ou missões religiosas internacionais. Também lembra que até agora nem mesmo com o Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam) foi possível conter os contrabandos e a interferência externa dentro da região.

A hidropirataria também é conhecida dos pesquisadores da Petrobrás e de órgãos públicos estaduais do Amazonas. A informação deste novo crime chegou, de maneira não oficial, ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM), órgão do governo local. “Uma mobilização até o local seria extremamente dispendiosa e necessitaríamos do auxílio tanto de outros órgãos como da comunidade para coibir essa prática”, reafirmou Ivo Brasil.

A captação é feita pelos petroleiros na foz do rio ou já dentro do curso de água doce. Somente o local do deságue do Amazonas no Atlântico tem 320 km de extensão e fica dentro do território do Amapá. Neste lugar, a profundidade média é em torno de 50 m, o que suportaria o trânsito de um grande navio cargueiro. O contrabando é facilitado pela ausência de fiscalização na área.

Essa água, apesar de conter uma gama residual imensa e a maior parte de origem mineral, pode ser facilmente tratada. Para empresas engarrafadoras, tanto da Europa como do Oriente Médio, trabalhar com essa água mesmo no estado bruto representaria uma grande economia. O custo por litro tratado seria muito inferior aos processos de dessalinizar águas subterrâneas ou oceânicas. Além de livrar-se do pagamento das altas taxas de utilização das águas de superfície existentes, principalmente, dos rios europeus. Abaixo, alguns trechos da reportagem de Erick Von Farfan:

O diretor de operações da empresa Águas do Amazonas, o engenheiro Paulo Edgard Fiamenghi, trata as águas do Rio Negro, que abastece Manaus, por processos convencionais. E reconhece que esse procedimento seria de baixo custo para países com grandes dificuldades em obter água potável. “Levar água para se tratar no processo convencional é muito mais barato que o tratamento por osmose reversa”, comenta.

O avanço sobre as reservas hídricas do maior complexo ambiental do mundo, segundo os especialistas, pode ser o começo de um processo desastroso para a Amazônia. E isto surge num momento crítico, cujos esforços estão concentrados em reduzir a destruição da flora e da fauna, abrandando também a pressão internacional pela conservação dos ecossistemas locais.

Entretanto, no meio científico ninguém poderia supor que o manancial hídrico seria a próxima vítima da pirataria ambiental. Porém os pesquisadores brasileiros questionam o real interesse em se levar as águas amazônicas para outros continentes. O que suscita novamente o maior drama amazônico, o roubo de seus organismos vivos. “Podem estar levando água, peixes ou outras espécies e isto envolve diretamente a soberania dos países na região”, argumentou Martini.

A mesma linha de raciocínio é utilizada pelo professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná, Ary Haro. Para ele, o simples roubo de água doce está longe de ser vantajoso no aspecto econômico. “Como ainda é desconhecido, só podemos formular teorias e uma delas pode estar ligada ao contrabando de peixes ou mesmo de microorganismos”, observou.

Essa suposição também é tida como algo possível para Fiamenghi, pois o volume levado na nova modalidade, denominada “hidropirataria” seria relativamente pequeno. Um navio petroleiro armazenaria o equivalente a meio dia de água utilizada pela cidade de Manaus, de 1,5 milhão de habitantes. “Desconheço esse caso, mas podemos estar diante de outros interesses além de se levar apenas água doce”, comentou.

Segundo o pesquisador do Inpe, a saturação dos recursos hídricos utilizáveis vem numa progressão mundial e a Amazônia é considerada a grande reserva do Planeta para os próximos mil anos. Pelos seus cálculos, 12% da água doce de superfície se encontram no território amazônico. “Essa é uma estimativa extremamente conservadora, há os que defendem 26% como o número mais preciso”, explicou.

Em todo o Planeta, dois terços são ocupados por oceanos, mares e rios. Porém, somente 3% desse volume são de água doce. Um índice baixo, que se torna ainda menor se for excluído o percentual encontrado no estado sólido, como nas geleiras polares e nos cumes das grandes cordilheiras. Contando ainda com as águas subterrâneas. Atualmente, na superfície do Planeta, a água em estado líquido, representa menos de 1% deste total disponível.

A previsão é que num período entre 100 e 150 anos, as guerras sejam motivadas pela detenção dos recursos hídricos utilizáveis no consumo humano e em suas diversas atividades, com a agricultura. Muito disto se daria pela quebra dos regimes de chuvas, causada pelo aquecimento global. Isto alteraria profundamente o cenário hidrológico mundial, trazendo estiagem mais longas, menores índices pluviométricos, além do degelo das reservas polares e das neves permanentes.

Sob esse aspecto, a Amazônia se transforma num local estratégico. Muito devido às suas características particulares, como o fato de ser a maior bacia existente na Terra e deter a mais complexa rede hidrográfica do planeta, com mais de mil afluentes. Diante deste quadro, a conclusão é óbvia: a sobrevivência da biodiversidade mundial passa pela preservação desta reserva.

Mas a importância deste reduto natural poderá ser, num futuro próximo, sinônimo de riscos à soberania dos territórios panamazônicos. O que significa dizer que o Brasil seria um alvo prioritário numa eventual tentativa de se internacionalizar esses recursos, como já ocorre no caso das patentes de produtos derivados de espécies amazônicas. Pois 63,88% das águas que formam o rio se encontram dentro dos limites nacionais.

Esse potencial conflito é algo que projetos como o Sistema de Vigilância da Amazônia procuram minimizar. Outro aspecto a ser contornado é a falta de monitoramento da foz do rio. A cobertura de nuvens em toda Amazônia é intensa e os satélites de sensoriamento remoto não conseguem obter imagens do local. Já os satélites de captação de imagens via radar, que conseguiriam furar o bloqueio das nuvens e detectar os navios, estão operando mais ao norte.

As águas amazônicas representam 68% de todo volume hídrico existente no Brasil. E sua importância para o futuro da humanidade é fundamental. Entre 1970 e 1995 a quantidade de água disponível para cada habitante do mundo caiu 37% em todo mundo, e atualmente cerca de 1,4 bilhão de pessoas não têm acesso a água limpa. Segundo a Water World Vision, somente o Rio Amazonas e o Congo podem ser qualificados como limpos.

 

 

 

 

 

 

O maior colégio eleitoral do Brasil enfrenta uma crise histórica de abastecimento de água e segue votando no mesmo partido há 20 anos

São Paulo, o Estado-chave dessas eleições, acometido por uma seca

 

Seca atinge o sistema Cantareira, em São Paulo: REUTERS
Seca atinge o sistema Cantareira, em São Paulo: REUTERS
Reserva do volume morto da Represa Jaguari-Jacareí, em Joanópolis (SP), onde o volume de água armazenado é de apenas 16,6% da capacidade total: LUIS MOURA (ESTADÃO)
Reserva do volume morto da Represa Jaguari-Jacareí, em Joanópolis (SP), onde o volume de água armazenado é de apenas 16,6% da capacidade total: LUIS MOURA (ESTADÃO)

por Marina Rossi/ El País/ Espanha

Uma crise no abastecimento de água de um Estado inteiro nos meses que antecedem as eleições poderia ser desastroso para qualquer governante que pretendesse ser reeleito. Mas não em São Paulo, o maior colégio eleitoral do país, com 31,5 milhões de eleitores (22% do total nacional). Na última pesquisa do Instituto Datafolha, divulgada nesta quarta-feira, o governador e candidato à reeleição Geraldo Alckmin (PSDB) aparece com 49% das intenções de voto, contra 23% de Paulo Skaf (PMDB) e 10% de Alexandre Padilha (PT).

Embora Alckmin siga negando, 31 das 645 cidades paulistas já adotaram o racionamento de água por causa da crise hídrica, segundo um levantamento feito pelo jornal SPTV na semana passada. E as torneiras também estão secas em diversas outras cidades do Estado e em dezenas de bairros da capital paulista, numa espécie de racionamento silencioso. A única que se pronuncia é a população, que sai às ruas para se manifestar contra a falta d’água. Desde a semana passada, moradores de Itu (a 74 quilômetros de São Paulo) organizam protestos em frente à Câmara dos vereadores. O Governo trata de maneira seca o assunto. “Não falta água em São Paulo e não faltará”, disse Alckmin em debate nesta terça-feira na Rede Globo.

Grupo de sem-teto em protesto na zona oeste de São Paulo: NELSON ALMEIDA (AFP)
Grupo de sem-teto em protesto na zona oeste de São Paulo: NELSON ALMEIDA (AFP)
Protesto em Itu na terça contra a falta d'água: CASSIO ROOSEVELT (REUTERS)
Protesto em Itu na terça contra a falta d’água: CASSIO ROOSEVELT (REUTERS)

A situação no Sistema Cantareira é preocupante desde 2004, quando o Estado já era governado por Alckmin, que assumiu o cargo após a morte de Mario Covas. Na época, foi renovada a outorga que concedia o direito à Sabesp (Companhia de Saneamento Básico de São Paulo) administrar o reservatório. Para a renovação da outorga, uma das condições era que a Sabesp realizasse um estudo “para viabilizar a redução de sua dependência do sistema”, em um prazo de 30 meses. O documento foi entregue somente em outubro do ano passado, nove anos depois. E uma das conclusões desse estudo foi que “a região não dispõe de dispositivos hidráulicos capazes de garantir o suprimento de água bruta quando da ocorrência de eventos críticos de escassez”. Nesta quarta-feira, o volume útil do Cantareira continuava batendo recordes, registrando 6,7%.

“Estamos à beira de um desabastecimento por conta desse gerenciamento de risco que vem sendo feito desde 2004”, explica o especialista em hidrologia Antônio Carlos Zuffo, professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Segundo Zuffo, outra condição não cumprida na época da renovação da outorga foi a necessidade de se fazer um controle chamado Curvas de Aversão a Risco (CAR). Isso significa que o volume mensal do reservatório deveria ser calculado e, baseado nesse volume, se estabelecer a quantidade de água que poderia ser retirada para a distribuição. O que, segundo Zuffo, não foi feito.

Zuffo liderou um estudo que concluiu que o aumento de produção do sistema Cantareira desconsiderou períodos históricos de pouca chuva. O cálculo de quanto se pode tirar de água do Cantareira foi feito com base na média pluviométrica da década de 1970, que teve um aumento de 20% em relação à média anterior, calculada entre os anos 1936 e 1970. Ocorre que, de lá para cá, a média diminui novamente e o cálculo não foi refeito. E essa média não deve aumentar nos próximos anos. “Acho que entraremos em um período de umas três ou quatro décadas de menos chuvas a partir de agora”, diz Zuffo.

Enquanto isso, as manobras são feitas das mais diversas formas para que as eleições não sejam afetadas. Um plano de contingência para o Cantareira, produzido pela Sabesp, foi entregue no último sábado para a Agência Nacional de Água (ANA, órgão do governo federal). Porém, nesta segunda-feira, a Sabesp encaminhou um oficio à ANA avisando que “a proposta necessitava de algumas correções” e solicitou cinco dias úteis para entregar a nova versão. O prazo termina na próxima segunda-feira, exatamente um dia após as eleições que, em São Paulo, têm chances de serem decididas logo no primeiro turno.

[A suicida fidelidade do eleitor de Alckmin]

 

água alckmin

O problema da Cantareira não manchou a candidatura de Alckmin, que, segundo Rafael Cortez, cientista político da consultoria Tendências, lidera as intenções de votos no Estado por três fatores importantes: a alta aprovação do Governo (avaliado como ótimo ou bom para 47% dos paulistanos e como ruim ou péssimo para 14%, segundo levantamento do Datafolha de agosto), o enfraquecimento do PT no Estado, principal partido de oposição ao PSDB, e a falta de familiaridade com Paulo Skaf, que disputa o mesmo eleitorado de Alckmin, um eleitor mais conservador e que dificilmente mudará de ideia. “Para o eleitor mudar de ideia, ele precisa primeiro estar insatisfeito com a administração, e, em segundo lugar, ser convencido de que a oposição governa melhor do que a atual administração”, diz Cortez.

Alckmin lidera as pesquisas tanto na capital (50%), quanto no interior (52%). Separando por grau de instrução, o tucano também vence nas quatro categorias pesquisadas, sendo a melhor aprovação entre os eleitores com ensino superior (53%). “A eleição é um plebiscito em relação ao desempenho do Governo. Essa lógica funciona independente do Estado e dessas condições estruturais”, diz Cortez.

 

Julio
Julio
Jota
Jota
Amorim
Amorim
Julio
Julio

São Paulo vai virar sertão. O sertão vai virar mar com a transposição do Rio São Francisco

 

 

Farhad Foroutanian
Farhad Foroutanian

 

Governo tucano é um mar de lama. Alckmin conseguiu enxugar a lama. Não restou uma gota d’água para o povo.

A crise no abastecimento d’água em São Paulo levou a prefeitura de Casa Branca, cidade a quase 230 quilômetros da capital paulista, a decretar estado de emergência. Desde maio, a prefeitura suspende o fornecimento das 6h às 21h. Além disso, houve aumento na tarifa, que passou de R$ 0,68 para R$ 1,76 o metro cúbico.

O decreto de estado de emergência tem o objetivo de facilitar repasse de verbas para execução de obras e melhoria no abastecimento na cidade. A prefeitura pede R$ 700 mil para tentar resolver o problema na região.

No início de julho, Tambaú, que fica a 255 quilômetros de São Paulo, também decretou estado de emergência por causa da crise hídrica.

Para piorar a situação da população de São Paulo, o nível do sistema Cantareira continua em queda. De acordo com a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), a capacidade do reservatório caiu para 17% nesta segunda-feira (21).

Desde o dia 15 de maio, parte da população paulista é abastecida com o volume morto do Cantareira. Estimativas apontam que a reserva dure até outubro.

SP seca

 

Tsunami água São Paulo

Tsunami tucano: Falta água em São Paulo

Segundo a OMS, 80% das doenças

são causadas pelo consumo

de água contaminada

 

 

SUJOU? A VELHA MÍDIA LIMPA!

por Gilmar Crestani

Onde o PSDB governa não é só a boca que é suja. Além de cometerem necrofilia hídrica, gostam de cuspir no prato em que comem. Se no país de maior quantidade de água doce do mundo e com chuvas que inundam e destroem, não conseguem garantir água, querem mais o quê?!

Duque
Duque

 

Depois do apagão nos tempos de FHC, agora o racionamento d’água que assola os paulistanos. Deve ser esta crise de abstinência que irritou o público VIP dos reis dos camarotes… Diarreia e vômito na população que não consegue comprar água mineral, como dito abaixo, não causa nenhuma indignação da elite paulistana.

Por que este assunto não ganha as manchetes dos jornais das cinco irmãs (Folha, Estadão, Veja, Globo & RBS) nem espaço nos telejornais? Será pelo mesmo motivo que um helicóptero com 450 kg de cocaína ganhe menos espaço que uma tapioca? O Uruguai, com Mujica legalizou a maconha. FHC até já faz campanha pela legalização no Brasil.

fhc-trip-maconha

E Aécio, será que ele teria coragem de desencadear uma campanha pelo tráfico livre para helipóperos pelo Brasil como já acontece em Juiz de Fora, Minas Gerais?!

Será mera coincidência que a cocaína vinda dos países limítrofes seja distribuída pelo Brasil a partir da cidade mineira de Juiz de Fora? Será por que a história com um helicóptero com 450 kg virá pó no noticiário dos velhos parceiros mafiomidiáticos?

Note que a Folha consegue tratar do assunto sem informar que é mais uma obra tucana, no estado mais rico da federação, onde o PSDB está no poder há mais de 20 anos. E o problema nem é a parceria entre os a$$oCIAdos do Instituto Millenium com a direita brasileira, pois se trata de uma tradição que encontrou seu ápice na ditadura e que pro$$egue na democracia, mas o espírito de manada de pessoas com curso superior que ou não conseguem ver ou veem e compactuam. Ou são mal informados ou mal intencionados!

água são paulo

 

COM MEDO, PAULISTANO TROCA TORNEIRA

POR GALÃO DE ÁGUA

 

* Apesar de Sabesp garantir qualidade, morador desconfia de cor e cheiro

* Após crise hídrica, vendedora de Yakult em um carrinho, que ganha R$ 900 por mês, passou a gastar R$ 70 para comprar água mineral

 

por Artur Rodrigues/ Eduardo Geraquede

Moradora da Vila Guilherme, na zona norte de São Paulo, a artesã Magda da Silva, 63, aposentou o filtro de barro que usava havia mais de 40 anos. “Tem aquele volume morto, né? Aquela água que fica no fundo da represa, com cheiro de fossa“, diz.

“Antes, lavando o quintal, eu até bebia água da torneira. Agora, nem para o meu cachorro eu dou”, diz ela, que gastou R$ 400 em um purificador de água superpotente.

Um mês após o governo Geraldo Alckmin (PSDB) anunciar o uso do chamado volume morto do sistema Cantareira para conter o risco de racionamento, é comum a desconfiança sobre a água que sai da torneira –apesar de a Sabesp garantir a qualidade.

O volume morto é formado pela água que fica no nível mais profundo dos reservatórios. Por estar abaixo da tubulação que capta o líquido, ela precisa ser bombeada para a superfície.

O termo “morto” contribui para a má impressão. Mas a maioria das queixas é ao cheiro de cloro e à cor esbranquiçada da água, que começaram antes do uso da reserva.

Na casa do professor Vitor Hugo Pereira, 53, na Vila Guilherme, a água chega branca feito leite. “Começamos a cozinhar com água mineral porque a da torneira dava gosto na comida e azia, chegaram até a vomitar”, diz.

A Sabesp afirma que a coloração se deve a um fenômeno relacionado ao cloro (leia texto na pág. C2).

A explicação não convence o comerciante Ademir Bueno, 54. “Estão usando água mineral para tudo. A da Sabesp, só para lavar roupa”, conta, mostrando um copo de água marrom recém-tirada da sua torneira.

Na Brasilândia (zona norte), o telefone dos depósitos de água também tem tocado mais. “Tem mais gente comprando galões pela primeira vez”, diz Juscelino Santos, 32.

No seu estabelecimento, o galão de 20 litros custa R$ 25 na primeira compra e R$ 9 se o cliente já tem o vasilhame.

O novo hábito afeta o bolso de gente como Ângela da Silva, 44, que trabalha vendendo  no bairro. Para comprar dois galões por semana, ela acaba gastando R$ 70 dos R$ 900 que ganha todo mês.

Alérgica a cloro, a aposentada Eliana Sabó, 64, moradora da Consolação, reclama. “Atacou o meu estômago. Acho que estão aumentando os bactericidas.”

A dona de casa Lucicleide Santos, 28, da Freguesia do Ó (zona norte), proibiu o filho de beber água na torneira.

“Ele teve diarreia, ânsia de vômito. Depois que começamos a comprar água, parou.”

 

água Alckmin São Paulo

Grupo de moradores e Ministério Público querem proteger o Parque das Águas de São Lourenço, em Minas Gerais, da exploração de multinacional

 EM GUERRA CONTRA A NESTLÉ

por Marina Almeida | Pública

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Da varanda do apartamento onde mora, Alzira Maria Fernandes olha para o Parque das Águas, em São Lourenço (MG), com tristeza. “Só acha bonito quem não viu como era antes. Eu frequentava muito ali. Era uma maravilha. Agora a Nestlé está acabando com tudo.” A principal preocupação da aposentada não está nos jardins planejados nem na mata nativa que o espaço, de 430 mil metros quadrados, abriga, mas no que ele esconde em seu subsolo: nove fontes de raras águas minerais e gasosas, com propriedades medicinais, que começaram a se formar há algumas dezenas ou centenas de anos.

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 Em São Lourenço, embate entre exploração comercial da água mineral para engarrafamento e seu uso medicinal opõe moradores à multinacional Nestlé (Foto: Marina Almeida)
Em São Lourenço, embate entre exploração comercial da água mineral para engarrafamento e seu uso medicinal opõe moradores à multinacional Nestlé (Foto: Marina Almeida)
Ampliação da fábrica da Nestlé, em 1998, destruiu a fonte Oriente, construída na década de 1930; réplica substituiu a original no parque (Foto- Marina Almeida)
Ampliação da fábrica da Nestlé, em 1998, destruiu a fonte Oriente, construída na década de 1930; réplica substituiu a original no parque (Foto- Marina Almeida)

 

“Água nenhuma mais tem sabor. A fonte Magnesiana chegou a secar, agora voltou, mas só cai uma tirinha, tirinha. E era bastante”, lamenta Alzira. No sul de Minas Gerais, ela e um pequeno grupo de moradores de São Lourenço acreditam que a exploração das águas para engarrafamento está afetando a qualidade do líquido e a vazão nas fontes. Reunidos na associação Amar’Água, eles tentam lutar contra a gigante multinacional e a legislação brasileira, guiada pela lógica da exploração comercial desse recurso mineral.

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Alzira hoje evita ir ao parque, “para não passar raiva”, mas se orgulha de conhecer sua história. “Olha como era bonito. Até o presidente Getúlio Vargas vinha aqui. E hoje está desse jeito…”, diz, ao mostrar fotos antigas, de quando a cidade, surgida em torno de suas águas minerais, era um grande polo de turismo e tratamentos medicinais no Brasil. Mas o saudosismo dá logo lugar ao senso prático. Ela se esquece dos turistas de chapéus e saias rodadas e de suas gavetas sai uma série de documentos que ela empilha sobre a cama. São pareceres ambientais, estudos, laudos e ofícios sobre a exploração das águas minerais de São Lourenço pela Nestlé.

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A maior parte dos documentos é do processo de 2001 que o Ministério Público Estadual moveu contra a empresa, depois de protestos da população sobre alterações no sabor e na vazão das águas do parque. Na ocasião, foram encontradas irregularidades na exploração de um poço, o Primavera – aberto sem autorização e cuja água passava por um processo de desmineralização, proibido pela legislação brasileira. O poço foi fechado, mas outras questões levantadas na época continuaram sem resposta – como a falta de um estudo maior sobre a região, que permita determinar com precisão a capacidade de reposição dos aquíferos e a quantidade segura de extração de água para garantir a sustentabilidade do recurso.

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Proteção cultural

 

Grupo de moradores reunidos na associação Amar’Água teme pela superexploração dos recursos hídricos; redução de vazão das fontes seria indício do problema (Foto- Marina Almeida)
Grupo de moradores reunidos na associação Amar’Água teme pela superexploração dos recursos hídricos; redução de vazão das fontes seria indício do problema (Foto- Marina Almeida)

“Uma água que cura as pessoas é um presente que a natureza nos oferece de graça. É muito especial e o que está acontecendo aqui é um sacrilégio. Essa é uma luta da sociedade civil, de quem está vendo o problema e não tem amarras”, diz a terapeuta Nair Ribas D’Ávila, que é da Amar’Água e participa das mobilizações contra a Nestlé desde 2001. Descontentes com a fiscalização existente – realizada pelo Departamento Nacional de Produção Mineral (DNPM) e pela Superintendência Regional de Regularização Ambiental (Supram) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável (Semad), responsável pelo licenciamento ambiental –, o grupo busca na cultura uma forma de garantir maior controle e proteção à área.

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A associação quer transformar o espaço num geoparque, uma área de significativo patrimônio geológico que serve ao desenvolvimento local, sobretudo pelo turismo, e também à proteção e à educação ambiental. “É pelo subsolo que nós estamos lutando”, resume Alzira. Para isso, a Amar’Água entrou com um pedido de tombamento do ‘recurso hídrico diferenciado’ no Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do governo federal. A ideia é, após essa fase, solicitar sua inclusão na Rede Mundial de Geoparques (Global Geoparks Network) da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco).

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O percurso, no entanto, não deve ser simples. “A água é um bem muito difuso. Também serve ao saneamento e ao abastecimento, por exemplo, por isso a consecução prática deste projeto é mais complicada. Envolve diferentes órgãos, como o Iphan e a Agência Nacional de Águas”, aponta o promotor Bergson Cardoso Guimarães, que coordena 79 promotorias ambientais da região da Bacia do Rio Grande, à qual São Lourenço pertence. Outra questão ainda sem resposta é se esse tombamento impediria a extração de água para o engarrafamento.

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Para o promotor, um passo importante, e mais simples, é o tombamento do parque – o único sem nenhum tipo de proteção cultural entre as cidades do chamado Circuito das Águas de Minas Gerais. As fontes foram descobertas numa área particular que nunca passou para a iniciativa pública e, quando a Nestlé adquiriu a Perrier, então proprietária da Companhia de Águas de São Lourenço, em 1992, tornou-se também a responsável pelo parque. Guimarães acredita que a fiscalização e a prestação de contas ao Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha) seria uma forma a mais de resguardar esse bem.

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“Hoje é possível juridicamente a empresa destruir todo o parque, porque não há um mecanismo que limite isso. O tombamento submete o bem a restrições, garante a segurança contra a demolição e a obrigação de manter um bom estado de conservação”, diz Marcos Paulo de Souza Miranda, da Promotoria de Justiça de Defesa do Patrimônio Cultural e Turístico de Minas Gerais, que entrou com o pedido no Iepha. Ele explica que o mecanismo deve proteger os fontanários, o balneário e o projeto urbanístico do parque, que tem valores culturais, arquitetônicos e históricos de relevância. “Descobrimos, por exemplo, que essas águas são utilizadas desde 1817 pelo menos, e não 1890 como se acreditava”, revela.

 

Polo regional de saúde, educação e serviços, município precisa controlar expansão urbana para não afetar áreas de recarga da água mineral (Foto- Marina Almeida)
Polo regional de saúde, educação e serviços, município precisa controlar expansão urbana para não afetar áreas de recarga da água mineral (Foto- Marina Almeida)

Além da preservação do parque e do estímulo ao turismo que um bem tombado pode trazer, a cidade também se beneficiaria com mais recursos do ICMS Patrimônio Cultural, também conhecida como Lei Robin Hood. Essa lei garante para os municípios mineiros com bens tombados um repasse maior do Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS).

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Os moradores que se mobilizam contra a exploração da Nestlé, entretanto, receiam que o tombamento só do parque se volte apenas para a preservação de aspectos arquitetônicos e históricos, quando o que eles mais temem é a exaustão do aquífero – o reservatório subterrâneo de águas.

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Identidade

São Lourenço desenvolveu-se ao redor do Parque das Águas. Hoje, o lago reflete os altos edifícios da Avenida Comendador Costa, onde o trânsito de charretes turísticas se mistura com o de carros e motos da cidade. Lá dentro, em suas novefontes, algumas dos anos 1930, é possível experimentar diferentes tipos de água: magnesiana, alcalina, sulfurosa, ferruginosa e carbogasosa, entre outras. Na Gruta dos Milagres, a imagem de Nossa Senhora dos Remédios, encontrada no local em 1936, guarda centenas de mensagens de agradecimento às curas alcançadas pelo uso das águas. Às portas do parque, em cestas de vime, ambulantes vendem copinhos coloridos para os turistas provarem os sabores característicos de cada água. Mas, nas ruas da cidade, é a garrafa de água São Lourenço que dá forma aos orelhões públicos – sinal de um embate entre os usos tradicional e comercial desse recurso natural.

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No Vale do Rio Verde, não apenas a cidade cresceu em torno das águas como também seus moradores, que aprenderam desde cedo a valorizá-las. O turismo ainda emprega boa parte deles, mas sua relação com a região vai além do trabalho e desenvolvimento econômico. Em São Lourenço, água mineral é saúde. A palavra foi a primeira a ser citada como sinônimo do recurso natural por 64,08% dos 412 moradores entrevistados por Alessandra Bortoni Ninis, que estudou o tema em sua pesquisa de mestrado, defendido na Universidade de Brasília em 2006. Em seguida vieram vida (16,99%) e turismo (14,32%).

MP pede tombamento do parque de São Lourenço, que tem diferentes águas minerais e construções da década de 1930, mas para grupo de moradores, medida é insuficiente para a preservação dos recursos hídricos (Foto- Marina Almeida)
MP pede tombamento do parque de São Lourenço, que tem diferentes águas minerais e construções da década de 1930, mas para grupo de moradores, medida é insuficiente para a preservação dos recursos hídricos (Foto- Marina Almeida)

O estudo também mostrou uma forte relação da população com o consumo desse recurso: 82% dos moradores tinham o costume de beber água mineral, 64% deles diariamente. Poucos, no entanto, eram os que compravam garrafas ou galões da bebida nos mercados: 85,44% deles buscavam a água nas fontes. “A cidade dá um valor altíssimo a sua água, mas não tem acesso”, diz Alessandra, referindo-se à entrada paga do parque. No município, há ainda uma fonte externa que é a mais usada pela população local (60,19% dos entrevistados).

Atento a essa relação diferente da população com suas águas, identificada no levantamento histórico realizado para o pedido de tombamento do parque, o Ministério Público também deve recomendar o registro da utilização das águas minerais na cidade – um mecanismo de preservação da tradição imaterial. “É inédito o registro do uso da água como bem cultural imaterial no Brasil, talvez até no mundo. Esse instrumento pode garantir o direito de eles manterem um relacionamento diferenciado com essas águas, facilitando o acesso dos moradores às fontes e à água do parque, por exemplo”, explica o promotor Miranda.
O registro de bens imateriais, segundo ele, é uma tendência internacional. Em Minas, já foram registrados, por exemplo, o toque dos sinos de São João del-Rei e o modo de fazer o queijo da Serra da Canastra. A promotoria deve recomendar o registro após a conclusão do tombamento do parque, que Miranda acredita estar concluído ainda este ano.

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Polêmica

Para Alessandra, a proteção cultural talvez seja uma saída para a região. “É preciso cuidado com esse patrimônio, que é mundial. Um lugar que concentra nove tipos de água mineral é único. Esse pode ser também um mecanismo de proteção da água mineral, já que não temos um eficiente para a água subterrânea no Brasil”, diz.

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A crítica à legislação – que trata o recurso como um minério, regulamentado pelo Código de Mineração, e não segue às diretrizes da Política Nacional dos Recursos Hídricos – também é feita pelo promotor Guimarães. “É preocupante porque as leis muitas vezes são dominadas por um padrão econômico de exploração e crescimento a qualquer custo. A água mineral não é só um minério a ser explorado, é igualmente um bem sociocultural importante para a identidade dessa comunidade”, diz o coordenador regional das promotorias de Justiça e Meio Ambiente da Bacia do Rio Grande. (leia mais sobre a legislação aqui).
Prefeito de São Lourenço pelo segundo mandato, José Sacido Barcia Neto (PSDB), o Zé Neto, como é conhecido, é contrário a esses mecanismos que, para ele, podem burocratizar a gestão. “O tombamento vai engessar melhorias no parque. Precisamos é de uma boa política de relacionamento com a Nestlé e com os órgãos fiscalizadores.” Zé Neto se diz favorável apenas ao tombamento da cobertura vegetal das áreas de recarga. “No aspecto fisiográfico, sim, acho que tem de ter uma caracterização desse tombamento: um prédio naquela mata não pode.”

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Exploração

“Nestlé-free zone” (área sem Nestlé) diz o cartaz, com o sinal de proibido sobre o logo da empresa, na porta da casa de Alzira. “Aqui não entra mais nada da Nestlé. Proibi, e quando saio também nunca tomo água da Nestlé. Tomo qualquer outra se for preciso.” Na disputa entre a multinacional e o grupo de moradores, a dificuldade de acesso às informações da empresa alimenta sua revolta. “A gente não tem controle de nada, não sabe quanto sai de água para o engarrafamento, não sabe nem se eles pagam ICMS para cá.”

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Entre os documentos que Alzira guarda em sua casa está a cópia de um estudo sobre a região do Circuito das Águas, publicado, em 1998, pela Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais Serviço Geológico do Brasil (CPRM) – uma empresa pública federal vinculada ao Ministério de Minas e Energia. Entre as conclusões apontadas na época estava o rebaixamento contínuo dos níveis estáticos das fontes. Ou seja, a distância entre a superfície do terreno e o nível da água dentro do poço, antes de ser iniciado o bombeamento, tinha aumentado. Com isso, a água da fonte alcalina, por exemplo, que antes brotava na superfície, já estava a três metros do chão. Também mostrou que o nível da água no aquífero, o nível piezométrico, havia sofrido rebaixamento.

 

infografico

 

O estudo ainda apontou que os aquíferos tinham produtividade limitada e que, portanto, as demandas deveriam “limitar-se às adequações existentes”. Também comparou a qualidade química e a vazão das águas de então com um estudo realizado no início do século 20. Os resultados indicaram que houve diminuição em peso dos principais componentes das águas, além de acentuada redução de vazão em duas fontes de São Lourenço. Diz o documento: “possivelmente este fenômeno esteja associado a ações antrópicas como desmatamento em áreas de recarga e à superexploração dos aqüíferos através dos poços em explotação [extração para fins econômicos] e dos novos poços perfurados”.

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O promotor Guimarães conta que há muitos questionamentos em torno disso, pois embora o estudo indique a exploração das águas como causa possível dos problemas identificados, não afirma isso com certeza. A conclusão do documento apontou a necessidade de estudos complementares, que permitissem um maior conhecimento da dinâmica dos aquíferos, o controle de fontes potencialmente contaminantes na região e a determinação das reservas de água mineral, com o que seria possível estabelecer “um regime de exploração racional dos aquíferos”.

“É uma área muito sensível, que possui uma condição geológica muito particular, por isso a necessidade de um estudo maior e mais completo”, explica Décio Antônio Chaves Beato, que é hidrogeológo da CPRM e trabalhou na pesquisa de 1998. “O resultado das ações de hoje muitas vezes é percebido apenas no longo prazo e, se descobrirmos o problema só muitos anos depois, talvez seja tarde ou fique mais difícil de revertê-lo”, ressalta. Ele conta que um estudo desse tipo pode levar até quatro anos. Outro risco, diz, vem do fato de a área urbana da cidade estar muito próxima das fontes, por isso seria necessário um grande controle ambiental na cidade.

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Novo estudo

A pesquisa mais completa sobre a área, sugerida em 1998, nunca foi feita. “Vamos ao parque e sentimos que a água está diferente. Precisamos de um estudo que compare a qualidade da água hoje com o que era antes, para saber o que está acontecendo, mas parece que isso não é óbvio”, contesta Nair, do Amar’Água.

Em 2001, passeatas da população local pela preservação das águas mobilizaram a cidade que ainda tem boa parte de sua economia voltada para o turismo (Foto- Marina Almeida)
Em 2001, passeatas da população local pela preservação das águas mobilizaram a cidade que ainda tem boa parte de sua economia voltada para o turismo (Foto- Marina Almeida)

 

O promotor Guimarães aponta outras questões importantes sobre a região que precisariam ser esclarecidas, como a determinação de onde fica a área de recarga de água dos aquíferos, das áreas que não podem ser urbanizadas por conta disso e se há algum problema de contaminação. “Só que esses estudos ficam caros e precisa haver uma demanda política para a CPRM, pois se trata de uma empresa pública”, diz.