As redes sociais contra a gentrificação do Recife

do recife antigo para o recife do futuro

 

Em uma intercessão de diferentes grupos sociais, culturais e urbanos, Recife se aproxima de considerar a necessidade de organização popular e da participação ativa e efetiva dos cidadãos na construção de novos espaços urbanos.

O objetivo é abordar o chamado fenômeno da gentrificação: o processo de transformação urbana em que a população original de um bairro pobre é gradualmente forçada a mover-se, e substituída por outra de maior poder de compra, depois de uma reavaliação anterior da área para fins especulativos.

Um grupo atuante “Direitos Urbanos” visa: “discutir não só os problemas da cidade do Recife, mas também idéias, propostas, novos rumos. A proposta é reunir pessoas interessadas em um Recife realmente para as pessoas (não só nos slogans), um Recife com vida”. Participe.

A especulação imobiliária se volta para a conquista do Recife Antigo e da Bacia do Pina, cartões postais do Recife, pela beleza visual.

 

Bacia do Pina
Bacia do Pina

 

Veja um exemplo de luta que ora acontece na Espanha

O caro presente do presidenciável Eduardo Campos para a Fiat

por Noelia Brito

Fábrica Tacaruna, prédio principal
Fábrica Tacaruna, prédio principal

 

Como é que Eduardo Campos pode doar a Fábrica Tacaruna para uma empresa multinacional se esse imóvel foi desapropriado pelo governo do Estado para uma finalidade pública e por milhões? E tem mais: quando foi feita a desapropriação, para favorecer os proprietários da Fábrica tacaruna e prejudicar o Município do Recife, alguém deu uma certidão falsa afirmando que a Fábrica não devia IPTU, quando na verdade devia milhões.

Eu denunciei essa fraude à Corregedoria do TJPE, ao Ministério Público de Pernambuco e à Polícia Civil e agora Eduardo vem e doa o imóvel pra multinacional FIAT? Que história é essa? Cadê o resultado da investigação sobre a fraude tributária e administrativa no prédio da Fábrica Tacaruna?

Centro de Excelência, pois sim! Só se for Centro de Excelência em Fraudes Tacagota! Por que vocês acham que uma certa mafiazinha fez de um tudo pra me tirar da Procuradoria da Fazenda Municipal do Recife???

 

A DOACÃO DE EDUARDO CAMPOS

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Comenta o escritor, romancista e poeta Fernando Monteiro: Ele pode, sim, simplesmente na base do: “EU QUIS  – e ai e Ney e fim” (lembram?), um tipo de administração altamente “democrática” que corre o risco de ser levada, talvez, para todo o país…

 

A DIMENSÃO ESCONDIDA DO TACARUNA

O conjunto edificado do Tacaruna foi  tombado em 1994 como patrimônio histórico e artístico pelo Governo Estadual e, em 1996, é declarado de utilidade pública
O conjunto edificado do Tacaruna foi tombado em 1994 como patrimônio histórico e artístico pelo Governo Estadual e, em 1996, é declarado de utilidade pública

por Aluizio Câmara

 

A Dimensão Escondida, de Edward T. Hall, procura abordar o território do humano sob a visão da utilização do espaço necessário ao seu equilíbrio. Acontece que para os homens, essa dimensão é cultural. Nesse ponto, precisamos conceber e gerenciar os modos como trocamos experiências nas cidades em que vivemos. Precisamos entender que as ações e transformações que acontecem em nossa cidade têm uma implicação direta no nosso modus operandi, na nossa evolução cultural (isso dito no sentido de mudança). Não podemos ignorar essa dimensão subliminar de nossas ações.
O projeto pensado para a antiga Fábrica Tacaruna previa um centro de referência ao lugar, contando sua história e, por consequência, a história da evolução industrial de Pernambuco. Além disso, pretendia-se um centro de referência cultural, abrigando um museu de arte contemporânea capaz de conjugar a junção e a gestão de importantes coleções, a exemplo das coleções pertencentes ao MAC-Olinda e a coleção Marcantonio Vilaça. Seria um lugar de formação e capacitação, com a criação do Centro de Formação de Profissionais da Cultura, com áreas de abrangência nas artes audiovisuais, cênicas e patrimônio. Treze profissionais foram selecionados por concurso e cumpriram formação, em convênio com a França, em grandes centros de formação de referência internacional (no meu caso específico o curso de Museologia da Escola do Louvre).
A proposta era que desenvolvêssemos o projeto pedagógico dos futuros cursos de formação, algo que foi feito sob a égide da AGECIF – um centro de formação de profissionais da cultura em Paris (http://www.agecif.com/), responsável por vários projetos de grande relevância. Estudei o exemplo de diversas “Friches Industrielles” (indústrias reabilitadas), na minha monografia de formação do primeiro ano do Louvre, sob a orientação de Michel Colardelle, então diretor do Museu de Artes e Tradições Populares da França, responsável por sua transformação em Museu da Civilização Europeia e Mediterrânea. Trabalhei juntamente com Roland May, então diretor do departamento de conservação preventiva dos Museus da França, para analisar e propor condições de condicionamento e conservação de nossas coleções.
Estive, ainda, com diversos profissionais envolvidos em projetos semelhantes ao da Fábrica Tacaruna, a exemplo de Anne Lacaton, arquiteta do Palais de Tokyo – site de creation contemporaine ( http://www.palaisdetokyo.com ) – e Jérôme André, responsável pelos projetos do Grand Hornu ( http://www.grand-hornu.eu/ ), uma antiga fábrica de refinamento de carvão, inscrita no inventário da UNESCO como Patrimônio Mundial. Além destas, pude acompanhar o funcionamento do Le Magazin de Grenoble ( http://www.magasin-cnac.org/ ), um centro de arte contemporânea instalado em um antigo atelier de Gustave Eiffel, construído no momento da exposição universal de Paris, e o Lieu Unique de Nantes (http://www.lelieuunique.com/ ), um centro cultural que funciona em uma antiga fábrica de biscoito L.U..
Tudo isso para dizer que dediquei quatro anos de minha vida à Fábrica Tacaruna, pensando um dia ver a luz iluminar a escuridão, possibilitando ver que a cultura é algo mais do que uma retórica vazia de significado nos discursos da atualidade. Mas a minha mágoa não vai muito além do que poderia significar o meu tempo despendido ao assunto, porque ele transpassa a pedra. O meu aprendizado trago comigo e tento aplica-lo nos projetos em que me envolvo. Resignado, esperava ao menos um lugar que possibilitasse a transformação das mentalidades e re-significasse o entendimento e o valor da cultura, como ponto forte da chamada economia criativa.
Acredito na Educação pela Arte, à maneira de Herbert Read. As pessoas que comemoram a entrega da Fábrica Tacaruna à FIAT, alguns de grande inteligência e que merecem todo meu respeito, parecem não querer compreender o valor e a importância do subjetivo, ao trocar a cultura pela indústria do automóvel. Não compreendem a reverberação dessa dimensão escondia. A NÃO SER QUE O ANÚNCIO DA TRANSFERÊNCIA PARA OUTRO SÍTIO DESSE GRANDE CENTRO CULTURAL, IDEALIZADO PARA O TACARUNA, AINDA VENHA A SER EFETIVADO, GARANTINDO RECURSOS DE MESMA GRANDEZA, DE FORMA QUE POSSA ENALTECER O PROTAGONISMO CULTURAL DE NOSSO ESTADO.
Consumado o centro de estudos automobilísticos, na Fábrica Tacaruna, NÃO NOS ESQUEÇAMOS DAS RUAS E DA CONVIVÊNCIA COMPARTILHADA DO AUTOMÓVEL COM TODOS OS OUTROS MEIOS DE DESLOCAMENTO. Deixemos de enxergar o carro apenas como objeto de valor. Podemos pensar mais! A Peugeot e a Citroen criaram o INSTITUTO PELA CIDADE EM MOVIMENTO (http://www.ville-en-mouvement.com/). Podemos desenvolver estudos que abranjam a totalidade dos elementos relacionados à mobilidade urbana. O CENTRO EM TELA PODERIA SER IGUALMENTE UM LUGAR DE DESENVOLVIMENTO DE DESIGN DE MOBILIÁRIO URBANO, DE BICICLETAS, DE TRANSPORTE COLETIVO. UM LUGAR QUE PENSASSE A RUA ENQUANTO ESPAÇO PÚBLICO DE EXCELÊNCIA. Seria uma contrapartida louvável da FIAT e um grande gesto de reconhecimento da integralidade da cidadania por parte do Governo de Pernambuco e da Prefeitura da Cidade do Recife.

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DEPOIS DE DUAS DÉCADAS SEM USO

Desde o governo do avô Miguel ao do neto Eduardo Campos e outros governadores, que a fábrica Tacaruna está abandonada. Certo que havia pressão dos construtores de shoppings e centros de convenções, para que o prédio não fosse usado para atividades culturais, educacionais e de lazer, como teatro, cinema, centro de convenções e feiras internacionais, de esportes, museu, universidade, biblioteca, parque, passeio público etc. E, principalmente, mercado público.

Publica o blog de Jamildo, destacando fotos os “desgastes” do prédio, justificando assim a doação do prédio e do imenso terreno arborizado:

CENTRO DE PESQUISA DA FIAT

Governador Eduardo Campos termina o governo assinando a doação do conjunto arquitetônico Tacaruna e terrenos para a Fiat
Governador Eduardo Campos termina o governo assinando a doação do conjunto arquitetônico Tacaruna e terrenos para a Fiat

por Marcela Balbino

Desativado há 21 anos, o prédio da antiga Fábrica Tacaruna, no bairro de Campo Grande, Zona Norte do Recife, ganhará nova utilidade com a implantação de um Centro de Pesquisa, Desenvolvimento, Inovação e Engenharia Automotiva. Ao menos esta foi a promessa pactuada nesta quinta-feira (3) pelo governo do Estado, Prefeitura do Recife, Fiat Chrysle e Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife (Cesar).

A unidade irá abrigar cerca de 500 profissionais, entre engenheiros, pesquisadores e técnicos. O local também será integrado aos demais centros mantidos pela montadora italiana.

Atualmente, as marcas da situação de abandono estão presentes na edificação. Portas quebradas e mato crescendo nas janelas denunciam o abandono do edifício, tombado como patrimônio histórico estadual. As paredes pichadas denunciam a falta de cuidado com o lugar, que está sem uso desde 1992. Apenas um vigia faz a segurança do local.

A doação do terreno foi uma contrapartida do governo do Estado para Fiat, que havia prometido um espaço para abrigar o centro. Segundo o vice-presidente mundial de manufatura em Pernambuco, Stefan Ketter, o novo espaço era o ponto que faltava para completar o ciclo da implantação da Fiat no Estado.

Inicialmente, o centro deve funcionar nas dependências do C.E.S.A.R. A estrutura consistirá em escritórios de projetos e galpões para bancos de provas e laboratórios destinados ao desenvolvimento de motores e veículos. A previsão para o início das obras ainda não está acertada.

Quando entrar em funcionamento, o Centro de Pesquisa Automotivo vai compor o eixo de desenvolvimento tecnológico do segmento, que abrange o Porto Digital e a Faculdade Automotiva do Senai.

No ritmo frenético de inaugurações, o governador Eduardo Campos fez questão de comparecer ao evento para assinatura da carta de intenções com a Fiat. “Na hora que chega um centro de inovação, nós ajudamos a consolidar outros setores, como por exemplo a indústria naval. Esse tipo de iniciativa consolida os esforços de aumentar a participação industrial na economia”, pontuou Campos.

TACARUNA UM EDIFÍCIO TOMBADO

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Em 1890 são iniciadas as obras de implantação da Usina Beltrão, a primeira e mais moderna refinaria da América do Sul, na área conhecida por Tacaruna, limítrofe entre os municípios de Recife e Olinda. O projeto da usina primava pela qualidade estética e técnica da edificação observando, na sua concepção e construção, detalhes até então pouco ou nunca utilizados como: uso do concreto armado em um estabelecimento industrial; instalação de luz elétrica; criação de cooperativa com sistema de atendimento médico e construção de moradia para os funcionários e operários da usina; e sistema de água canalizada para a operação das máquinas da empresa. Em 1895 as obras da Usina são concluídas.

Entre 1897 e 1899 a Usina Beltrão é comprada pela firma Cunha & Gouveia, liderada pelo empresário Delmiro Gouveia. A perseguição política a Delmiro Gouveia e sucessivas crises no setor açucareiro, forçam a Usina a fechar suas portas, assim permanecendo por 27 anos.

O conjunto edificado é adquirido, em 1924, pela Companhia Manufatora de Tecidos do Norte que o transforma em indústria têxtil, passando a se chamar Fábrica Tacaruna. Seu funcionamento é considerado favorável no período de 1925 a 1955. O uso se mantém até 1980 quando a produção diminui vertiginosamente.

Em 1975 o controle acionário da Fábrica é assumido pela Tecelagem Parayba do Nordeste. Em baixa produtividade, a Fábrica passa a produzir cobertores a preços populares encerrando definitivamente suas atividades industriais em 1992.

O conjunto fabril é tombado em 1994 como patrimônio histórico e artístico pelo Governo Estadual e, em 1996 é declarado de utilidade pública para fins de desapropriação.

Finalmente a partir de 1998 iniciam-se os estudos para a implantação do novo uso – Centro Cultural – no conjunto da fábrica.

Estas transformações no uso do edifício são emblemáticas e simbólicas, coincidindo com os ciclos econômicos vividos pela região nos últimos 100 anos. O primeiro uso – usina de açucar – representa o período agrícola; o segundo – indústria textil – a transformação econômica para a produção industrial de manufaturados; e, finalmente, a proposta atual – centro de cultura – representa o setor de serviços, aliando a produção cultural com a moderna indústria do turismo. Esta proposta cultural foi desaprovada pelo governador Eduardo Campos.

 

Via Mangue destrói o verde e o azul, acinzentando o Recife, “Cidade das Águas”

Um americano que morou em São Paulo por três anos resolveu criar um lista com motivos pelos quais odiou viver no Brasil. Ele é casado com uma brasileira e não gostou muito da experiência. A lista inicial tinha 20 motivos, mas um fórum gringo resolveu continuá-la.

Transcrevo dois ítens:

39- Tudo é construído para carros e motoristas, mesmo os carros sendo 3x o preço de qualquer outro país. Os ônibus intermunicipais de luxo são eficientes, mas o transporte público é inconveniente, caro e desconfortável para andar. Consequentemente, o tráfego em São Paulo e Rio é hoje considerado um dos piores da Terra (SP, possivelmente, o pior). Mesmo ao meio-dia podem ter engarrafamentos enormes que torna impossível você andar mesmo em um pequeno trajeto limitado, a menos que você tenha uma motocicleta.

40- Todas as cidades brasileiras (com exceção talvez do Rio e o antigo bairro do Pelourinho em Salvador), são feias, cheias de concreto, hiper-modernas e desprovidas de arquitetura, árvores ou charme. A maioria é monótona e completamente idênticas na aparência. Qualquer história colonial ou bela mansão antiga é rapidamente demolida para dar lugar a um estacionamento ou um shopping center.

Shopping construído na Bacia do Pina, Recife
Shopping construído na Bacia do Pina, Recife

Conheça os outros dezoitos motivos. No Recife, o sonho da classe média alta é viver no alto de uma alta torre. E a vida acontece assim: Pega o carro e vai para um escritório. E depois pega o carro para a viagem de retorno. Quando o trânsito piorar deve fazer de helicóptero este percurso de ida-e-volta. Como já acontece em São Paulo. E no Rio de Janeiro. O governador Sérgio Cabral vive trepado em um helicóptero. Do alto a paisagem permanece sempre linda. Que as elites não sofrem do medo das alturas. Apenas têm medo do povo. Medo e nojo.

As novas pontes são feias. As ruas e estradas de uma monotonia de dar sono no motorista e passageiros. Não proporcionam nenhuma beleza. Pior ainda: destroem a beleza da paisagem.

A Via Mangue, ora em construção, para facilitar o acesso do Aeroporto Guararapes a um shopping de João Paes Mendonça, e às altas torres que serão erguidas na Bacia do Pina, tornou-se um super, super faturado mostrengo de cimento. Que é fácil diferenciar o que é belo e o que é feio, horrendo, nocivo, aberração.

Via Mangue, Recife
Via Mangue, Recife
Estrada da Graciosa (1873), Brasil. Fotografia: Mauro Nogueira
Estrada da Graciosa (1873), Brasil. Fotografia: Mauro Nogueira

Os engenheiros (não pode ser coisa de um arquiteto, de um artista) pegam um mapa, colocam uma régua em cima, e traçam uma linha reta. Não entendem que Iara é a Senhora das Águas. Que a Mãe-d’água tem curvas.

IARA

Vive dentro de mim, como num rio,
Uma linda mulher, esquiva e rara,
Num borbulhar de argênteos flocos, Iara
De cabeleira de ouro e corpo frio.
Olavo Bilac

Iara
Iara

Eles não entendem das curvas de uma mulher. Nem amam a Mãe Terra.

Encosta o ouvido
no morno ventre
da Mãe Terra.

(…)
Se queres sentir
o cheiro fresco do verde,
o doce gosto de chuva.
Se teu sexo anseia
arranhar-lhe o ventre,
arando a vida.
Se tuas penetrantes mãos
cavar-lhe o útero –
onde a semente
será jogada,
onde a semente
encontrará abrigo -,
sejas amigo.
Porque quando teu corpo
não mais te servir,
a Terra Mãe te desobrigará
de tão enfadonha
pesada carga.
Talis Andrade

A linha reta da Via Mangue
A linha reta da Via Mangue
Tianmen Mountain Road – Hunan, China
Tianmen Mountain Road – Hunan, China

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Serra do Rastro, Santa Catarina
Serra do Rastro, Santa Catarina

A BELEZA ROUBADA

O meio ambiente devastado pela especulação imobiliária, pela grilagem de terras e de águas, pelos aterros para a construção de shoppings e de altas torres & toda estrutura urbana presenteada com o dinheiro dos cofres públicos, apenas para atender esse novo Recife, sem povo, das elites provincianas e turistas da classe média baixa dos países do Primeiro Mundo.

O acesso ao shopping Rio Mar, construído com o dinheiro do povo
O acesso ao shopping Rio Mar, construído com o dinheiro do povo
POLUIÇÃO VISUAL. Via Mangue, afeando o Rio, encobrindo o azul - a beleza das águas que dão nome ao Recife, chamada de "Cidade das Águas", "Veneza Brasileira"
POLUIÇÃO VISUAL. Via Mangue, afeando o Rio, encobrindo o azul – a beleza das águas que dá nome ao Recife, chamada de “Cidade das Águas”, “Veneza Brasileira”

Noruega 1

The Atlantic Road, Noruega
The Atlantic Road, Noruega
Ponte de Dhongal, China
Ponte de Dhongal, China

A Via Mangue teve seu nome mudado para Celso Furtado, para não lembrar os manguezais destruídos pelos aterros clandestinos e oficiais. Uma proposital destruição do verde. Da natureza.

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Foto do Blog de Priscila Krause
Foto do Blog de Priscila Krause

Especulación inmobiliaria y la fuerte conflictividad social que se registra en torno de la cuestión de la vivienda

por Natalia Cosacovi  y Guillermo Jajamovich

de terras nas cidades e no campo
de terras nas cidades e no campo

Nos interesa puntualizar una serie de aspectos especialmente problemáticos en relación con la ampliación de derechos urbanos y sociales dentro de la ciudad.

Una cuestión general que atraviesa la concepción del Modelo Territorial es la preponderancia que asume la dimensión física de la ciudad por sobre la social. Esto no es menor, porque a partir de los indicadores utilizados, se evalúa la situación actual y se orientan las intervenciones futuras. Así, se llega a afirmaciones autocelebratorias como éstas: “Hay un escenario de partida prácticamente óptimo evidenciando que la CABA no posee problemas serios de hábitat e infraestructuras”. De esa manera, a partir del criterio de construcción de los indicadores, se invisibilizan problemáticas clave como la del acceso a la vivienda y al suelo urbano.

En sintonía con lo anterior, la sobrevaloración de lo físico por sobre lo social desemboca en una celebración del boom constructivo como indicador de desarrollo. Se menciona el crecimiento de la construcción, pero nada se dice respecto de los destinatarios de tales construcciones. En ningún momento se menciona la creciente distancia entre las necesidades habitacionales y la orientación de los permisos, destinados hacia vivienda de alto standard. Tampoco se señala que paralelamente al celebrado boom constructivo ha crecido la población con problemas habitacionales.

Sin medidas paliativas (como ser, políticas de vivienda, créditos hipotecarios, control de alquileres, uso de instrumentos de recuperación de plusvalías urbanas, etc.) los aumentos del precio del suelo traen aparejados fenómenos de desplazamiento de población de menores recursos.

Así, cabe interpretar indicadores como el de “equitatividad en el valor del suelo”.

Del modo en que está construido ese indicador, si el valor del suelo crece en las zonas “deprimidas”, estamos ante una situación de mayor equitatividad. Esto deja de lado lo que acontece con las posibles “víctimas” de ese aumento del valor, es decir, la población de menores recursos imposibilitada de afrontar aumentos de alquileres o gentrificaciones comerciales. El desplazamiento de parte de esa población no sería algo accidental o aleatorio. Existe abundante bibliografía y experiencias de gestión que indican que, para evitarlo, el Estado debe actuar antes de que se dispare la valorización del suelo ya que, posteriormente, las actuaciones se vuelven más complejas en términos políticos y económicos.

En síntesis, lo que podría pensarse como una política habitacional insuficiente es en realidad parte de una visión más general sustentada en una idea excluyente de ciudad que entiende que hay desarrollo urbano si hay expansión inmobiliaria y se registran procesos de valorización del suelo, quedando opacados los efectos sociales y urbanos de tal valorización.

Transcrevi trechos.

A sesmaria da fábrica Bacardi vira shopping no Recife

Torres de luxo cercarão o shopping
Pertinho do mar, para o deleite dos ricos
Vista panorâmica dos moradores das torres

Escrevi hoje no faceboox:

Todo o dinheiro da prefeitura visa criar uma estrutura para o Coliseu da Copa do Mundo e para mais um shopping de João Paes Mendonça na Bacia do Pina.

Um shopping com várias torres de apartamentos de luxo, do mais alto luxo. Próximas já existem duas. Com histórias bem suspeitas.

Um shopping em um terreno doado pelo governo para a Bacardi. A doação foi justificada na época: Uma destilaria de rum salvaria a lavoura da cana de açúcar. Como a Bacardi correu de Cuba, com a vitória da luta armada de Fidel Castro, fez parte de uma propaganda que preparava o golpe de 64.

A Bacardi fechou. De quem é esse terreno, que passou a valer bilhões com as obras de infraestrutura construídas e que estão sendo realizadas também pelos governos do Estado de Pernambuco e da União?

Qual o interesse público nesse shopping, ou futuro condomínio fechado, com cais, heliporto, jardins e mais jardins e parque?

Que seja uma agressão aos cofres públicos tudo bem. Faz parte dos costumes brasileiros. E o que dizer do meio, ou melhor de todo ambiente?