“Leitura Crítica” continua fechado pela censura da justiça

polícia terror repressão indignados

A justiça de Pernambuco descobriu um novo jeitinho de censurar um blogue: prender o jornalista responsável, por tempo indeterminado, em cadeia de segurança máxima.

A última notícia publicada no “Leitura Crítica” foi às 15h47m do dia 5 de outubro último, véspera das eleições. Menos de uma hora depois, Ricardo Antunes, desarmado, foi preso no luxuoso escritório do banqueiro, empresário, industrial, publicitário, assessor de imprensa e marqueteiro Antônio Lavareda. Confira 

Ricardo Antunes perdeu toda liberdade concedida para qualquer cidadão em um país democrático:

1. Liberdade de expressão

2. Liberdade de imprensa

3. Direito de defesa

Vejamos:

1. Nos dias 5 de sua prisão e 6 de outubro último foi publicado o mesmo release da polícia do governador Eduardo Campos, informando que Ricardo Antunes pretendia vender uma notícia por um milhão de dólares. Esta esdrúxula negociação (extorsão para os delegados investigadores) consta de um inquérito policial secreto. Para divulgar o encarceramento foi armada uma “grande rede” de comunicação. Dizem que a mesma rede que vem promovendo a campanha de Eduardo Campos a presidente da República.

2. Os delegados ludribiaram quando prometeram que Ricardo Antunes iria assinar uma nota para a imprensa.

3. A justiça, por sua vez, legitimou a ação policial, acusando Ricardo Antunes de criminoso de alta periculosidade, de constituir um perigo para a ordem pública, e jornalista inimigo.

4. E mais: teria ameaçado Antônio Lavareda de morte. Acontece que Ricardo compareceu a um encontro marcado por Lavareda, em um edifício super super vigiado. Que Lavareda sempre anda cercado de guardas, temeroso, neste Pernambuco de máxima violência na cidade e no campo, de um sequestro. Ricardo foi à fortaleza inimiga desarmado. Todo antagonista teme o outro. Por que Ricardo acreditou que não corria nenhum perigo, desde que republicou a notícia do Diário de Pernambuco de que Lavareda foi preso pela Polícia Federal por transportar armamento? Quem carrega balas possui arma de fogo, pode presumir qualquer um. Por que Ricardo, apenas Ricardo, correu todos os riscos?

5. Ricardo passou a ser acusado de agressor de mulheres: uma empregada doméstica e uma balconista de uma companhia aérea. Que polícia incompetente! Que justiça tarda e falha! Por que só agora esses crimes são revelados? Por que Ricardo estava solto antes ou durante as “ameaças” a Lavareda?

6. Ricardo é acusado de desacato a uma autoridade da Prefeitura do Recife. Dessa autoridade denunciou alguma ladroagem?

7. Idem de crime de infâmia e injúria. Ora, ora, depende da “vítima”. Assédio judicial e assédio extrajudicial podem ser uma indesejada honraria para um jornalista. Um criminoso de colarinho (de) branco, a ficha mais suja que a do juiz Lalau, é capaz de pagar um pistoleiro para ameaçar, espancar ou matar um jornalista. O bandido pé-rapado gosta de ser notícia policial, feito que lhe dá crédito de valentia, de poder, no mundo do crime.

8. É negado a Ricardo Antunes o direito de resposta. O direito de escrever. De qualquer defesa. Quando os principais livros da literatura mundial foram escritos no cárcere.

9. Nem precisava a polícia proibir, nem a justiça, que a imprensa de Pernambuco, e o omisso sindicato dos Jornalistas nada publicam em defesa de Ricardo Antunes. O Sinjope fez uma “visita humanitária”, que abafou os rumores de que Ricardo vem sofrendo tortura física e tortura psicológica. Foi mais uma visita que beneficiou a polícia. E justificou a não concessão de um habeas corpus. O medo dos jornalistas eu entendo. Um dos motivos de não ser concedido o habeas corpus, o crime de ser desempregado. Na ditadura Vargas existiam as delegacias de vadiagem. Por que fecharam? Se a justiça for prender os desempregados do Brasil…

Fica criado mais uma pérfida desclassificação para os blogueiros. A pecha de desempregado. Vale para os que assinam blogues hospedados na grande imprensa?

A piada é que a imprensa policial noticiou que Ricardo Antunes era empresário. Inclusive tiraram do YouTube os quatro comprometedores filmetes de Cardinot.

Quanto mais dinheiro ajunta um sujeito, mais fácil um habeas corpus. Daniel Dantas, que comprou uma revista de papel cuchê para limpar o nome, ganhou dois em uma semana.

Injusta a censura prévia. Determinou o desembargador Eurico de Barros Correia Filho: que Ricardo Antunes (…) “se abstenha, imediatamente, de veicular qualquer notícia, sobre qualquer assunto, em nome do aqui recorrente José Antônio Guimarães Lavareda Filho e de suas empresas, Inteligência XXI Ltda, Jiquiá Desenvolvimento Imobiliário Spe Ltda, Mln Construção e Incorporação Ltda e Patrimonial Incorporação Ltda, no Blog Leitura Crítica ou em outro sítio de informação (página de internet), e ainda em mídia escrita, sob sua responsabilidade, comando, gestão ou gerência, até ulterior deliberação, diante das circunstâncias que o caso requer. Na hipótese de descumprimento da medida acima, fixo multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por cada inserção jornalística, em quaisquer das mídias citadas”.

Um desempregado pagar multa de cinco mil pratas?…

Esclarecedor que a polícia e Lavareda consideraram o preço de um milhão de dólares para uma notícia de Ricardo Antunes.

10. Jornalistas, radialistas, blogueiros, cinegrafistas, todo cuidado, vocês podem ser Ricardo Antunes amanhã. Desde que considerados um inimigo, e uma denúncia jornalística classificada como extorsão.

Manual para jornalistas denunciados por injúria e calúnia

O assassinato é a censura final. Na maioria das chacinas de onze jornalistas no Brasil, em 2012, teve participação de policiais. Acrescente stalkings, assédio moral, sequestros, prisões, espancamentos, inquéritos forjados, ameaças de morte. Dois dos principais jornalistas brasileiros estão exilados para não morrer nos quartéis do governo de Geraldo Alckmin e nas delegacias do governo de Beto Richa. A primeira matança de jornalista neste ano 13, nos quatro cantos deste mundo em guerra, tinha que acontecer no Brasil, no dia 8 último.

Outra grande ameaça vem da justiça:

Por não punir os assédios extrajudiciais (fora da justiça), assinados por advogados, e os magistrados que criam aberrações tipo: jornalista inimigo, nulidade do direito de resposta como reparação de um erro jornalístico.

Por aceitar doestas e ultrajantes denúncias de crimes de injúria e calúnia, transformando o Brasil em um país campeão de assédio judicial.

O Brasil mata mais jornalistas que a Colômbia, país em guerra civil. E disputa o primeiro lugar com o México, país também em guerra civil, na América Latina.

Fuera de Juicio

 

Fuera de Juicio. Manual para periodistas denunciados por injuria y calumnia

La Fundación para la Libertad de Prensa-FLIP- presenta su última publicación: “Fuera de Juicio”, una guía práctica para que los periodistas sepan cómo actuar cuando se enfrentan a denuncias por injuria y calumnia, o cuando son víctimas de acoso judicial.

Durante años la violencia ha sido el principal problema de la libertad de prensa en Colombia. Sin embargo, es evidente el aumento de procesos judiciales contra periodistas con el fin de censurarlos, en especial a través de denuncias por los delitos de injuria y calumnia.

Para descargar el documento completo, click aquí.

A Violência Contra os Jornalistas na Perspectiva dos Direitos Humanos

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Em uma Democracia real, a Imprensa sempre foi consagrada como o Quarto Poder. Que a Democracia não existe sem a Liberdade de Expressão.

Nesta sexta-feira, em Porto Alegre, os jornalistas da América do Sul e do Caribe realizam o Seminário Internacional Direitos Humanos e Jornalismo: A Violência Contra os Jornalistas na Perspectiva dos Direitos Humanos.

As formas de violência mais costumeiras são o stalking policial, a ameaça extrajudicial, o assédio moral, a agressão física. O assassinato é a solução final da censura.

Causa espanto o Brasil ser campeão em assédio judicial. Uma torpe realidade que macula a imagem do País. Sem esquecer que a justiça de Pernambuco criou a estranha persona do jornalista inimigo.

A função de censor pode ser legal, mas não tem legitimidade.

O Jornalismo não é um quarto do Poder da Justiça. Ou do Executivo.

Em 2012, onze jornalistas foram assassinados. Dois exilados. E um preso.

Este Brasil nada democrático precisa ser apresentado ao ministro Joaquim Barbosa, presidente do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho Nacional de Justiça.

E mais: as entidades internacionais de direitos humanos jamais culpabilizam os governadores, na maioria desconhecidos nomes fora de suas províncias. E sim, a Presidência da República. Portanto, que a presidenta Dilma Rousseff federalize os crimes contra os jornalistas.

Começa amanhã o Seminário Internacional de Direitos Humanos e Jornalismo. Que estude os casos de jornalistas presos e exilados

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No painel ‘Quando o Estado é o agente violador: as ditaduras e a atuação dos agentes de segurança pública nas democracias’. Que seja discutido o caso da prisão do jornalista Ricardo Antunes, que vem sofrendo censura prévia e uma repentina e suspeita onda de processos. É acusado de vender uma notícia por um milhão de dólares.

No painel ‘A violência contra jornalista na perspectiva dos direitos humanos’, o exílio dos jornalistas Mauri König e  André Caramante.

Nos três casos, a mesma polícia da ditadura de 64. Prova evidente de que não existe democracia no Brasil, e que jornalistas estão sendo assassinados (onze em 2012), presos e exilados.

O Seminário devia tentar ouvir os três jornalistas. Além de palavras previsíveis, chegou a hora de agir.

A ministra Maria do Rosário, da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, confirmou presença no Seminário Internacional de Direitos Humanos e Jornalismo, promovido pela Federação Internacional dos Jornalistas, Federação Nacional dos Jornalistas e Federação dos Jornalistas da América Latina e Caribe, com apoio do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul. Ela vai estar na abertura do evento, cujas atividades acontecem nos dias 18 e 19 de janeiro no Centro Cultural CEEE Erico Verissimo, em Porto Alegre. As inscrições podem ser feitas através do telefone 51-32260664.

Programação

18 de janeiro

8h30min – 9h15min – Saudações de boas vindas
* Celso Schröder – presidente da FEPALC (Federação dos Jornalistas da América Latina e Caribe) e presidente da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas)
* Beth Costa – Secretária Executiva da FIP (Federação Internacional dos Jornalistas)
* Jose Maria Rodrigues Nunes – Presidente do Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul e vice-presidente sul da FENAJ (Federação Nacional dos Jornalistas)

9h30min – 11h – Painel 1 ‘A violência contra jornalista na perspectiva dos direitos humanos’
* Beth Costa – Secretária executiva da FIJ (Federação Internacional dos Jornalistas)
* Gilney Viana – Coordenador Geral do Projeto Direito à Memória e à Verdade da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República do Brasil
* Liliam Chagas de Moura – Subchefe da Assessoria de Imprensa do Ministério das Relações Exteriores do Brasil – Itamaraty

11h – 11h15min – Intervalo

11h15min – 12h30min – Painel 2 – ‘Quando o Estado é o agente violador: as ditaduras e a atuação dos agentes de segurança pública nas democracias’
* Marcelo Duhalde – Diretor de Imprensa e comunicacão do Arquivo Nacional da Memória da Secretaria de Direitos Humanos da Argentina
* Ernesto Carmona – Investigador principal do livro ‘Morir es la Noticia’, sobre crimes contra jornalistas durante a ditadura Pinochet
* Jacques Alfonsin – Integrante da Comissão da Memória, Verdade e Justiça do RS

12h30min – 14h15min – Almoço

14h30min – 16min – Painel 3 ‘A ausência do Estado e a violência social contra jornalistas: do crime organizado aos detentores de poder localizado’
* Roger Rodríguez – Jornalista investigativo do Uruguai
* Sergio Murillo de Andrade – Diretor de Relações Institucionais da FENAJ e membro da Comissão Memória, Verdade e Justiça dos Jornalistas Brasileiros
* Delegado Protógenes Queiroz – Deputado autor do projeto da federalização dos crimes contra jornalistas

16h – 17h30min – Painel 4 ‘A violência cotidiana das redações: censura interna, autocensura, pressões políticas e econômicas que afetam a produção jornalística e a saúde dos jornalistas’
* José Pablo Peraza – Diretor de noticias da Rádio Progreso – Honduras
* Grisell Betancourth – Ex-presidenta do Colegio Nacional de Jornalistas do Panamá
* Carlos Alberto Kolecza – Jornalista e analista do comportamento da mídia

17h30min – 18h30min – Intervalo

19h – Solenidade de abertura oficial do Seminário Internacional Direitos Humanos e Jornalismo e de instalação da Comissão da Memória, Justiça e Verdade dos jornalistas brasileiros
* Maria do Rosário – Ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República
* Celso Schröder
* Beth Costa
* José Maria Rodrigues Nunes
* Fabiano Pereira –  Secretário de Justiça e Segurança do Estado do Rio Grande do Sul

19 de janeiro

9h – 10h30min – Grupos de Trabalho ‘O porquê da violência contra jornalistas e como enfrentar o problema: possíveis soluções para as causas mais comuns da violência’
Grupo 1 – Argentina, México, Brasil, Chile
Grupo 2 – Colômbia, Peru, República Dominicana, Panamá,
Grupo 3 – Costa Rica, Haiti, Paraguai, Venezuela, Uruguai

10h30min – Recesso

10h45min – 12h – Apresentação dos relatórios dos Grupos de Trabalho

12h – Encerramento.

Quando o jornalismo ameaça a ordem pública

Publica Jamildo Melo com o título: “Advogado de Lavareda lista todos os crimes cometidos pelo Jornalista Ricardo Antunes, antes de ser preso”

[Advogado no singular é uma contagem errada. São três advogados. Coisa de banqueiro, empresário e marqueteiro rico contra um jornalista pobre. A informação “todos os crimes” fica a impressão que Ricardo Antunes tem uma ficha mais suja que um Daniel Dantas, um Naji Nahas, um Carlinhos Cachoeira, endinheirados presos pela Polícia Federal e soltos. A carta dos advogados:]

“Recife, 07 de janeiro de 2013.

Prezado Senhor Jamildo Melo,

Tendo em vista a matéria veiculada no vosso conceituado blog, no dia 28.12.12, sobre a visita da sra. Ana Cláudia Eloi à pessoa de Ricardo Antunes (no COTEL), onde constou que o mesmo ‘não tem antecedentes criminais’ e por isso ‘espera para os próximos dias o relaxamento da prisão’, vimos, na qualidade de advogados criminais da vítima José Antônio Guimarães Lavareda Filho, esclarecer a V.Sa. e leitores do blog o que de fato ocorre no caso em tela:

Ricardo Antunes foi autuado em flagrante delito sob acusação de prática de crime de extorsão (art. 158, do CPB), cuja pena vai de 4 a 10 anos de reclusão e teve a prisão em flagrante convertida em preventiva, de forma fundamentada, por magistrado competente”.

[Não revelaram o nome do “competente”. Prosseguem os missivistas:]
“Posteriormente Ricardo Antunes foi denunciado pelo Ministério Público do Estado de Pernambuco e se acha respondendo a processo criminal pela referida acusação, na 9ª Vara Criminal do Recife (Processo nº 0177254-89.2012.8.17.0001).

O flagrante não foi eivado de qualquer vício, como foi pontuado pelo il. magistrado na decisão que o converteu em preventiva, bem como, foi reconhecido pelos próprios advogados de Ricardo Antunes, na primeira petição onde foi requerida a liberdade do mesmo, a qual restou negada, devido à gravidade do delito e a vida pregressa do Ricardo Antunes.

Entendemos que certamente por desconhecer o processo criminal onde o Ricardo Antunes é réu e possivelmente por acreditar unicamente na palavra do citado jornalista, constou da matéria (na verdade, nota oficial do sindicato postada no blog) que o mesmo ‘não tem antecedentes criminais’ e por isso ‘espera para os próximos dias o relaxamento da prisão’.

Basta uma simples leitura do processo criminal para se comprovar o equívoco dessa afirmação, pois lá consta que Ricardo Antunes já foi condenado no 2º Juizado Especial Criminal da Capital – PE, pela prática de crime de lesão corporal, previsto no art. 129, do CPB, por agressão a uma mulher, funcionária de uma companhia aérea, pelo fato do mesmo não ter embarcado em vôo que não era o programado (processo nº 0000697-53.2011.8.17.8128).

Também consta dos autos que Ricardo Antunes responde a outro processo criminal, desta feita no 1º Juizado Especial Criminal de Jaboatão dos Guararapes e, segundo consta do Boletim de Ocorrência que originou o feito, ele teria agredido uma funcionária doméstica e arrastado-a pelos cabelos e ainda teria dado socos e tapas, inclusive teria feito uso de um cabo de vassoura na agressão e teria proferido palavras de baixo calão (processo nº 001211-23.2012.8.17.8014).

Ainda consta dos autos informes de que no 2º Juizado Criminal, Ricardo Antunes responde a outro processo crime por desacato a autoridade (processo nº 0000194-95.2012.8.17.8128)”.

[Sem um tostão furado, Ricardo Antunes tem advogados? Da Justiça Gratuita? Desconheço os nomes. Pelas datas dos processos, de repente, não mais do que de repente, Ricardo Antunes passou a ter uma vida pregressa]

Prosseguem os três advogados:

“Por fim, ainda consta dos autos que Ricardo Antunes responde a outro processo criminal, em curso perante a 9ª Vara Criminal da Capital-PE, onde foi preso em flagrante delito e solto mediante pagamento de fiança, sob acusação de prática de crime de dano qualificado, tendo como vítima a Prefeitura da Cidade do Recife (processo nº 0077003-97.2011.8.17.0001).

Sem falar que ainda consta que ele respondeu a outro processo criminal por injúria, no 4º Juizado Especial Criminal da Capital – PE, o qual foi extinto, ante a renúncia da vítima (processo nº 0000011-77.2010.8.17.8037).”

[Contra a Prefeitura, Ricardo Antunes denunciou vários crimes. Que jamais serão investigados. Um deles, a entrega de 200 mil reais, sem licitação, para um desfile de moda infantil, com entrada paga, que motivou um assédio extrajudicial de mais dois advogados de Antônio Lavareda a vários jornalistas e blogueiros. Isso no dia que Ricardo Antunes foi preso: 5 de outubro último, antevéspera das eleições. Vide tag extrajudicial]

Ainda os três advogados:

“Ademais, consta dos autos inúmeras provas dos fatos, inclusive gravações, onde em uma delas há ameaça de morte por parte do Ricardo em relação a vitima, além de depoimento prestado pela ex-namorada de Ricardo Antunes informando que ‘Ricardo não trabalha, é lobista, tem um blog e pelo que a declarante sabe ele foi pedir dinheiro a um marqueteiro para não falar mais dele em seu blog”.

[Juan Assange foi acusado por duas ex-namoradas. Jornalistas desempregados conheço vários. E Boris Trindade, que conheci no Jornal Pequeno, aliás um excelente e exemplar jornalista, deve conviver com vários companheiros impossibilitados de exercer a profissão. Inclusive diz Ricardo Noblat que não existem mais jornalistas de cabelos brancos nas redações. Ser desempregado não é crime. Idem ser lobista.]

E finalizam:
“Diante desses fatos, aliados à gravidade do crime, o Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito João Guido Tenório de Albuquerque negou o pedido de liberdade ao denunciado Ricardo Antunes, convertendo o flagrante em preventiva, ressaltando ‘que apenas pelas circunstancias do crime em análise, restaria evidenciada a necessidade de garantia da ordem pública ante a periculosidade em concreto do autuado’.

Mencionou, ainda, na decisão, ‘que o autuado responde a outro processo perante este Juízo, por dano qualificado, segundo pesquisa realizada no Sistema Judwim’, além de que, considerou os informes constantes do processo no sentido de ‘que o autuado responde a outros processos em sede de Juizados Especiais Criminais, vejamos: 0697-53.2011.8.17.8128, 000194-95.2012.8.17.8128 – 2º Juizado Especial Criminal da Capital; 001211-23.2012.8.17.8014 – 1º Juizado Especial Criminal de Jaboatão dos Guararapes’

Por tudo isso, o il. magistrado entendeu que ‘qualquer outra medida cautelar que não a prisão seria inadequada para este caso em concreto’, especialmente após ter observado ‘ser o autuado afeito a se envolver em situações graves, as quais justificam em larga escala a permanência do autuado na prisão’.

Ademais, o Egrégio Tribunal de Justiça de Pernambuco não concedeu a liminar pleiteada por Ricardo Antunes em sede de habeas corpus.

Por outro lado, no que toca ao suposto cerceamento do direito de liberdade de expressão, tem-se que a vítima apenas buscou os meios legais para por fim aos abusos praticados pelo Ricardo Antunes e a responsabilização dele, tanto no campo penal quanto no civil.

Atenciosamente,
Eduardo Trindade, OAB-PE 16.427.
Boris Trindade, OAB-PE 2.032.
Fernando Lacerda Filho, OAB-PE 17.821”

 [“Periculosidade”, “garantia da ordem pública”… Ricardo Antunes tem 51 anos. Depois dos 49 anos passou a ser uma ameaça. Impossível acreditar nessa história de que cobrou um milhão de dólares por uma notícia… Se acertou esse mirabolante preço, enloqueceu. O desemprego tem causado suicídios na Europa.  Se Antônio Lavareda insinuou que ia pagar…
Até agora não apareceu nenhuma defesa de Ricardo Antunes. Temos, sim, um inquérito policial secreto.
Jornalistas importantes consideram o Sinjope omisso.
É mais um caso ditatorial de stalking, de assédio moral, de justiça absolutista, de polícia que prende e sentencia.
Reina em Pernambuco a censura prévia, e um explicável medo dos jornalistas. Espero não ser a próxima vítima]

Democracia à brasileira: Ricardo Antunes preso por transcrever uma notícia do Diário Oficial da Prefeitura do Recife

“Antunes teria pedido o valor de R$ 2 milhões a (Antônio) Lavareda para deixar de publicar uma série de denúncias sobre a empresa da vítima e também da esposa em seu blog, Leitura Crítica. O marqueteiro já foi vítima de extorsão no ano passado”. Foi mesmo? Por parte de quem?

Ricardo Antunes apenas transcreveu uma notícia publicada no Diário Oficial da Prefeitura do Recife. Não é crime. É uma prestação de serviço da mais alta relevância. Informar como está sendo gasto o dinheiro do povo.

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“O jornalista Ricardo Antunes, preso na tarde desta sexta-feira (5 de outubro último), acusado de extorquir o marqueteiro e cientista político, Antônio Lavareda, foi encaminhado agora à noite ao Centro de Triagem (Cotel), em Abreu e Lima”. Onde se encontra injustificadamente preso, incomunicável.

Neste mesmo 5 de outubro último (esse tipo de prisão sempre acontece num dia sem expediente na judiciário), Antônio Lavareda ameaçou outros jornalistas e blogueiros. Com uma intimação, intimidação extrajudicial. Um absurdo ametrontamento, um atemorizamento extra em vários sentidos. Inclusive se tornou um anteprojeto da Lei Lavareda.

Extrajudicial, no Dicionário Informal: Feito sem processo ou formalidade judicial; extrajudiciário. Sinônimo: ilegal.

No Dicionário Online de Português: Que acontece fora do âmbito judicial. Que não é feito perante a autoridade judicial. Que é realizado fora da via judicial.

Dicionário Web: Que se não refere a processo ou formalidade judicial.

Dicionário Priberam: Feito ou obtido sem a intervenção da justiça.

Dicionário Aulete: Que ocorre fora dos trâmites judiciais.

Leia a ameaça (Veja que foi enviada no mesmo dia da prisão de Ricardo Antunes. Não mera coincidência. Constitui um abuso bem calculado. Um assédio extrajudical):

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A jornalista Priscila Rezende respondeu a tentativa de censura, de mordaça, de assédio extrajudicial com inteligente humor.

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Jornalistas repudiam ameaças de Lavareda

No dia que Ricardo Antunes foi preso, 5 de outubro último, Antônio Lavareda promoveu assédio judicial a vários blogueiros, que desprezaran e enjeitaram as ameaças.

Isso significa que tudo foi planejado para a mesma data.

Inclusive enviou à blogueira Priscila Rezente o anteprojeto da Lei Lavareda de Censura prévia no presente e no futuro e, pasmem diante do kaftaniano absurdo, no passado, pela retirada de noticias. Retirada gratuita. Veja:

No dia que Ricardo Antunes foi preso

O coletivo Trilhos Urbanos  (leia a documentação completa e os comentários dos leitores), decidiu não acatar a solicitação feita pelos advogados da Lead Assessoria em uma notificação judicial enviada à Priscilla Rezende: – “Por entendermos que essa é uma tentativa de intimidação à liberdade de expressão e que, em nenhum momento, acusamos alguém de algum crime ou cometemos alguma ilegalidade, o pedido não será acatado”, dizem os autores. Sobre a acusação de “conduta pouco profissional”, o Trilhos Urbanos esclarece que horas antes de publicar a matéria, foram enviados emails para a prefeitura de Recife, Lead Assessoria e Camila Coutinho, proprietária do blog Garotas Estúpidas, mas que o único retorno foi a notificação extrajudicial.

– “A ditadura acabou no Brasil há algumas décadas. Cabe a nós, pessoas comuns, mostrarmos que a censura através da intimidação nao tem espaço em um país democrático. Nos recusamos a permitir que as leis sejam usadas como mordaça. Elas existem para garantir o que temos de mais caro: a liberdade para questionar”, encerra o comunicado no Trilhos Urbanos, assinado por Priscilla Rezende, Joao Varella, Renato Elias, Felipe Agne, Cecilia Arbolave, Thiago Blumenthal, Fred Costa e Devanir Amâncio.

Blue Bus também teve acesso a fac similes do documento – veja abaixo destaques.

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Aprecie os preços, para o povo, da liquidação que o prefeito João de Costa deu 200 mil pratas (ajuda cultural):
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A Shopping Day teve, sim, promoções de adultização de crianças. Veja peça publicitária:
Foto do blogue do Garotas Estúpidas, que recebeu os 200 mil cruzeiros, via empresa de Lavareda
Foto do blogue do Garotas Estúpidas, que recebeu os 200 mil cruzeiros, via empresa de Lavareda