Lavareda era uma espécie de mito na cabeça meio delirante de Ricardo Antunes

por Adalberto Ribeiro

Antônio Lavareda
Antônio Lavareda
Ricardo Antunes
Ricardo Antunes

Aproveito para falar sobre o caso de Ricardo Antunes. Mesmo tendo seus pecados, entendo que o castigo imposto a ele foi muito cruel.

Pelo que se soube, nos últimos tempos ele não está bem de cabeça. Vive em conflitos sérios até com a familia. Havendo a tentativa de chantagem, poderia ser repelido e até ameaçado de denúncia pública. Com certeza ele recuaria.

Ricardo vive o delírio de querer ser rico, mas no meu entender não mau caráter. Tem desvios de comportamento, para usar um eufemismo. Profissionalmente, é muito competente, noves fora os defeitos de conduta.

Ser preso em flagrante e encaminhado ao Cotel, significa uma morte civil e social, desmoralização pessoal e inviabilidade profissional. Faltou um choque de realidade para enquadrá-lo sem tanta crueldade, para ele cair na real. Não tenho maiores informaçoes sobre o caso, mas imagino que Lavareda, um cara muito rico e poderoso, mesmo sentindo-se chantageado, poderia ter repelido a tentativa de chantagem, aliviado o peso da mão para na ser tão implacável com Ricardo Antunes. Posso falar porque nunca fui chamado de corrupto nem de incompetente. Sou ficha limpa, uma obrigação de cidadania.

Trabalhei com Ricardo no Diário de Pernambuco, mas nunca tivemos relação profissional fora disso. Ainda hoje estou chocado com essa infelicidade que se abateu sobre Ricardo Antunes e os familiares que lhe são próximos. Ele tem 51 anos e espero que se lhe seja aberto um caminho da salvação profissional e pessoal para não ser morto em vida. Nesta terra dos altos coqueiros, seus pecados não são tão mortíferos nem são uma exceção na crônica dos costumes sociais.

Em alguns contatos que tive com Ricardo Antunes percebi Lavareda era uma espécie de mito na cabeça meio delirante dele. Era o seu delírio de riqueza que o levou aos caminhos da perdição. Meus sentimentos hoje é de desejar que Ricardo supere esta infelicidade na sua vida.

Grécia imita Pernambuco. Detido jornalista grego que publicou a “lista Lagarde”

 Kostas Vaxevanis
Kostas Vaxevanis

Um jornalista grego foi detido hoje por ter revelado os nomes de uma lista de cidadãos com contas bancárias na Suíça e vai ser presente ao procurador de Atenas, informou fonte policial citada pela agência France Presse.

O jornalista Kostas Vaxevanis publicou os 2.059 nomes da lista entregue ao Governo grego, em 2010, por Christine Lagarde, na altura ministra das Finanças de França.

O anúncio de que o gabinete de procurador de Atenas ordenou um inquérito à publicação da lista pela revista HotDoc indignou muitos gregos e dominou os comentários nas redes sociais.

“Em vez de prenderem os ladrões e os ministros que violam a lei, querem prender a verdade”, escreveu o jornalista na sua conta no Twitter no sábado à noite.

A lista faz parte de um conjunto de documentos revelado por um funcionário do banco HSBC na Suíça e foi entregue ao Governo grego em 2010 pela ex-ministra francesa e atual diretora do Fundo Monetário Internacional (FMI).

O ministro das Finanças grego à época, George Papaconstantinou, disse na quarta-feira passada no Parlamento não saber o que aconteceu ao original da “lista Lagarde”.

No mesmo dia, o atual ministro das Finanças, Yannis Stournaras, disse ter pedido a França que envie uma cópia.

O Governo de coligação grego saído das eleições de junho começou por afastar a possibilidade de agir judicialmente contra as pessoas que constam da lista, por evasão fiscal, alegando que ela foi obtida ilegalmente.

Mas a indignação de muitos gregos com o que consideraram ser uma tentativa de encobrimento do caso obrigou o Governo a recuar.

Em Pernambuco, o jornalista Ricardo Antunes foi preso pela polícia do governador Eduardo Campos. Está em prisão de segurança máxima, incomunicável. Não pode escrever para se defender da acusação de extorsão. Parece humor negro: inquérito policial contra jornalista corre em segredo de justiça. A acusação é de que Ricardo cobrou do jornalista, cientista político, sociólogo, banqueiro, construtor imobiliário, pesquisador de opinião pública etc Antônio Lavareda, um milhão de dólares por uma notícia. A “grande rede” noticiou a prisão, e não publicou mais nada. Eta rede encabrestada! Esta mesma rede vai ser estendida na campanha presidencial de 2014. Diante do espantoso silêncio da grande imprensa, correm entre jornalistas independentes e blogueiros tenebrosos boatos e rumores. É no que dá a censura.

Brasil tem jornalista preso. Apenas vale a versão da polícia do governador Eduardo Campos

Você jornalista, que publicou um release da polícia, isto é, a versão de uma única e suspeita fonte – que toda fonte é interesseira – procure descobrir a verdade. Não colabore com a censura de um blogue. Não seja cúmplice. Carcereiro de um jornalista.

Você acredita que uma notícia já publicada vale um milhão de dólares? Falo de uma notícia publicada em blogue desconhecido na Província de Pernambuco.

Kalvellido
Kalvellido

Vem a polícia e prende um jornalista por crime de extorsão. Um crime inafiançável. Fosse por crime de chantagem, de injúria, de calúnia até que entenderia. Mas mesmo assim se faz preciso saber qual mentira, qual boato, qual infâmia.

A polícia acorrentou Ricardo Antunes. Ele está incomunicável, em presídio de segurança máxima. Desde o dia 5 último.

Acrescente que, desde 2011, é o único jornalista preso nas Américas.

Quem é o dono da verdade: a polícia, Antônio Lavareda? Nem Antônio Lavareda fala. Procure entrevistá-lo. Justo que também seja apresentada a versão de Ricardo Antunes.

Este o endereço atual de um jornalista que tem direito a prisão especial:

CENTRO DE OBSERVAÇÃO E TRIAGEM PROF. EVERARDO LUNA – COTEL
Tipo de Segurança: Máxima
End: Rua Rivaldo Pinho Alves, 751 – Distrito Industrial – Caetes II – Abreu e Lima – Recife/PE –
CEP: 53.540-170
Fone: 3184-2297 – Permanência

Outros dizem que está em local desconhecido. Em algum outro porão da polícia do governador Eduardo Campos.

O blogue Leitura Crítica continua sem ser atualizado. Não há liberdade de expressão no Brasil.

Liberdade de imprensa ameaçada: Prisão de quatro a dez anos para jornalistas independentes

Denuncia a Sociedad  Interamerica de Prensa: En Brasil la justicia sigue fallando en contra de los medios para prohibir dar información.

O Google recebeu mais de 1.900 pedidos de governos em todo o mundo para retirar conteúdo de seus vários serviços no ano passado. O país com o maior número de pedidos não foi, como poderia facilmente se supor, China, Irã ou Síria, mas sim Brasil, revelam Craig Timberg e Paula Moura [The Washington Post,4/10/12]. Com 418 demandas, o país democrático, plural e economicamente vibrante foi o campeão de pedidos.

Quase 2/3 dos pedidos do Brasil ao Google para retirada de conteúdo vêm de cortes e não da polícia ou poder executivo.

É uma justiça campeã mundial em censura. Qualquer bandido, endinheirado, costuma apresentar queixas-crimes contra jornalistas. Transforma o jornalismo investigativo em crimes de injúria e calúnia. Políticos corruptos apelam que estão emocionalmente abalados. É uma gracinha! diria Hebe Camargo.

Até Fernandinho Beira-Mar ameaça processar jornalistas. Justificou o traficante: “Meu nome foi envolvido em uma polêmica, criada pelo repórter Danilo Gentilli, me comparando a um senador da República, cujo nome prefiro omitir”. Puro deboche. A verdade é que: quem compra uma blindada milionária banca de  advogados pode tudo.

Com a prisão do jornalista Ricardo Antunes, pela polícia do governador Eduardo Campos, criou-se um grave, danoso, ameaçador e iníquo precedente: qualquer jornalista independente pode ser acusado pelos crimes de extorsão e chantagem. São crimes inafiançáveis. Explica o delegado  Cláudio Castro, do GOE: não cabe à polícia Civil arbitrar a fiança, pois se trata de um crime com pena de quatro a dez anos de prisão. Ou melhor dito: o sujeito vai logo preso. Ricardo Antunes continua preso incomunicável.

O jornalista Jamildo Melo, conceituado colunista político deste Brasil de “jornalismo pusilânime (Millôr Fernandes)”, foi o único que relatou o real motivo da prisão de Ricardo Antunes. Escreveu:

“O jornalista pernambucano Ricardo Antunes, de 51 anos, foi preso pela Polícia Civil de Pernambuco nesta sexta-feira (5), por volta das 15h30. Ele é acusado de tentar extorquir o cientista político e marqueteiro Antônio Lavareda.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Civil, o blog Leitura Crítica, assinado pelo jornalista, vinha publicando matérias ofensivas contra o marqueteiro.

As matérias são referentes a uma denúncia do evento Shopping Day, em que teria havido uma dispensa de licitação por parte da Prefeitura do Recife para a empresa que fez a divulgação do evento, a Lead Assessoria. A empresa pertence à esposa de Lavareda, Carla Bensoussan.

Ricardo Antunes teria exigido R$ 2 milhões para deixar de produzir as matérias. Foi quando a vítima procurou a polícia.

Eles marcaram um encontro no escritório do cientista político, na Ilha do Leite, no Recife, na tarde desta sexta (5), para efetuar a primeira parte do valor. Neste momento, foi dada voz de prisão ao jornalista“.

A denúncia que rendeu a prisão de Ricardo Antunes:  “Uma das empresas do grupo do publicitário (Antônio Lavareda)  foi beneficiada com uma verba de R$ 200 mil reais pela Prefeitura do Recife. A contratação foi publicada no Diário Oficial da prefeitura e feita pelo regime de dispensa de licitação ou seja sem qualquer concorrência. O objeto é um evento de moda infantil.

‘É um patrocínio para uma ação de moda para inclusão dos artistas pernambucanas’, disse o presidente da Fundação de Cultura, André Brasileiro. Ao ser indagado o motivo da contratação  da empresa para o evento Shopping Day, que trata de moda infantil. Considerado competente e  com bom trânsito no setor, ele assumiu  depois das denuncias de superfaturamento de licitações promovidas pela então presidente, Luciana Felix que renunciou ao cargo em março desse ano.

Ex-mulher do senador Humberto Costa (PT), Luciana surpreendeu os petistas na semana passada ao ser nomeada pelo governador Eduardo Campos (PSB) para uma assessoria especial no Palácio das Princesas, mesmo respondendo a vários processos no TCE. A Lead Comunicação está registrada no nome de Carla Bensoussan, esposa do publicitário, que recentemente passou a fazer pesquisas eleitorais para a campanha do candidato do PSB, através do Ipespe, também de sua propriedade.

Mas o setor de eventos não é o único em que o marqueteiro Antonio Lavareda atua   com desenvoltura  na gestão do prefeito João da Costa. Uma de suas empresas de publicidade, a Blackninja, tem um contrato de cerca R$ 8 milhões com a Prefeitura, para cuidar da publicidade oficial. Outra,  dessa vez de engenharia e construção, a Conic, firmou também outro contrato milionário numa parceria com a PCR para um empreendimento imobiliário, na Várzea”. Transcrevi trechos 

Crime Inafiançável é aquele em que o acusado não pode ter a liberdade provisória mediante pagamento de fiança. Para o crime ser inafiançável a pena mínima tem que ser superior a 2 (dois) anos. São crimes inafiançáveis, dentre outros: tortura, tráfico de drogas, terrorismo, racismo e os considerados crimes hediondos.

Chantagem ou extorsão? Ricardo Antunes tem um segredo que vale um milhão de dólares

Vários países democráticos proíbem os assessores de imprensa, os relações públicas, os marqueteiros, os publicitários, os propagandistas de exercerem a profissão de jornalista. Inclusive os que possuem diploma de bacharel em Jornalismo.

São Paulo (16 de octubre de 2012) – La Sociedad Interamericana de Prensa (SIP) finalizó hoy su 68ª Asamblea General con las conclusiones que resumen los riesgos y las principales dificultades que enfrenta la prensa en las Américas. Más de 500 delegados se reunieron durante cuatro días en esta ciudad para evaluar el estado de la libertad de prensa en el hemisferio occidental.

O que pretende a SIP? Um comércio de notícias sem interferências da justiça e do governo. Confira  .

A polícia de Pernambuco prendeu o jornalista Ricardo Antunes por negociar notícias com Antônio Lavareda.

Primeiro noticiou que houve uma espalhafatosa negociação para Ricardo Antunes tirar notícias do blogue Leitura Crítica. Isso não é crime. E o exorbitante preço de um milhão de dólares desacredita a armação.

Segunda versão: um milhão de dólares para  deixar de produzir matérias. O preço continua  desmedido,  demasiado, elevado, exagerado, excessivo, imódico.

Terceira versão: “publicava matérias que denegriam a imagem” de Antônio Lavareda. Acusa o delegado Darlson Macedo: “Ele (Ricardo Antunes) jogava informações falsas na ‘grande rede’ no intuito de sujar o nome do empresário (Antônio Lavareda). Desta forma, qualquer pesquisa feita com o nome do cientista político estaria ligada a algo negativo”.

“Grande rede”, em informática:

O termo genérico “rede” define um conjunto de entidades (objectos, pessoas, etc.) interligados uns aos outros. Uma rede permite assim circular elementos materiais ou imateriais entre cada uma destas entidades, de acordo com regras bem definidas.

Pode-se referir a palavra rede a vários assuntos, entre os quais: rede social. Relação entre os seres humanos. Ficou sugerido um bando de jornalistas criminosos. Uma quadrilha. Por que apenas Ricardo Antunes encontra-se preso incomunicável e proibido de escrever? Tem que prender toda rede, e já!

“Informações falsas” caracterizam crimes de injúria e/ou calúnia. Por que Lavareda não apresentou uma queixa-crime na justiça? Ficou esperando dias, meses, anos pela “extorsão”, enquanto seu nome estava sendo enlameado?  “Uma grande rede no intuito de sujar”.

No “intuito”.

Aquilo que se tem em vista:

1. alvodesejo, desígnio, escopofimfinalidade, fito, ideiaintenção, intento,metaobjetivoplanoprogramaprojetopropósito, tenção, vontade.

Intenção:

2. plano.

Quer dizer que não sujou. Ficou no “intuito”.

O “intuito” era melar as pesquisas de Lavareda. Ora, ora, praticamente todos os colunistas, comentaristas e editorialistas políticos criticam as pesquisas eleitorais. Inclusive cientistas políticos. Por que  Ricardo Antunes não pode fazer o mesmo? A maioria das pesquisas são fajutas. E  compradas, pagas por empresários, partidos políticos e candidatos.  Vide links.

Publica a Folha de Pernambuco: “Acusado de extorsão, o jornalista, blogueiro e colunista Ricardo Antunes foi preso  pela Polícia Civil (PC). Durante coletiva à Imprensa realizada na sede do Grupo de Operações Especiais (GOE), a polícia revelou que o profissional chantageava o cientista político e empresário Antônio Lavareda, publicando matérias que denegriam sua imagem”.

“Teoricamente, chantagem não deve ser confundida com extorsão, processo ao qual recebe-se dinheiro ou outro bem material por sob coerção física, psicológica ou até mesmo sequestro ou outro meio não menos criminoso, no entanto a diferenciação pétrea que separa esses dois crimes estão cada vez mais aproximados. A extorsão precisa de uma complementação por trás (como sequestro, tortura ou qualquer outra forma de coação) enquanto a chantagem dispensa completamente qualquer imposição.

Na maioria das vezes, chantagem é o processo em que uma pessoa (chantagista) faz com que outra (chantageado) faça algo para ela por meio do medo, geralmente para não revelar um segredo ou algum outro dado que possa ser comprometedor.

O termo chantagem vem do francês – chanter, isto é, cantar. Da gíria de malandros passou para a linguagem jurídica. Na realidade quem canta é a vítima sob ameaça”

Qual era o medo do banqueiro, empresário, cientista política, bacharel em política, sociólogo, pesquisador Antônio Lavareda?

Por que Lavareda, conselheiro de presidentes da República e ministros e secretários de Estado, governadores e prefeitos, em vez de procurar o conselho de um advogado, foi pedir o conselho da polícia do governador Eduardo Campos, com quem jantou na semana da prisão de Ricardo, dia 5 último, logo na antevéspera das eleições municipais?

“O delegado Darlson revelou como se deu a operação que prendeu o blogueiro. ‘O empresário nos procurou informando que estava sendo extorquido. Nós o orientamos sobre a postura a ser tomada diante a situação. Começamos a monitorar a negociação e levantamos vários materiais probatórios incontestáveis. Chegou a alegar que Lavareda devia dinheiro a ele, mas não há qualquer documento que comprove a afirmativa”.

É isso aí: falta comprovar que notícia, segredo ou dossiê vale um milhão de dólares.