Extorsão. O mapa da corrupção policial

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A Polícia Militar do Rio de Janeiro está no topo do ranking da extorsão policial no país. Do total de pessoas achacadas por policiais militares, 30,2% são do estado. O dado faz parte da Pesquisa Nacional de Vitimização, encomendada pelo Ministério da Justiça e pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento ao instituto Datafolha, e obtida com exclusividade pelo EXTRA. Segundo o levantamento, o estado tem mais vítimas desse crime do que todos os demais estados da Região Sudeste somados, inclusive São Paulo, que tem a maior população e a maior corporação militar do país. A PM de São Paulo aparece em segundo lugar na pesquisa.

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Veja abaixo a distribuição das vítimas de extorsão por estado

Rio de Janeiro: 30,23%

São Paulo: 18,22%

Pará: 6,49%

Pernambuco: 6,05%

Bahia: 5,08%

Goiás: 4,34%

Paraná: 4,15%

Minas Gerais: 4,10%

Amazonas: 3,07%

Ceará: 2,54%

Rio Grande do Norte: 2,34%

Alagoas: 1,85%

Maranhão: 1,66%

Mato Grosso: 1,56%

Rio Grande do Sul: 1,27%

Santa Catarina: 1,27%

Espírito Santo: 1,07%

Paraíba: 1,07%

Amapá: 0,78%

Distrito Federal: 0,78%

Mato Grosso do Sul: 0,58%

Piauí: 0,58%

Sergipe: 0,48%

Tocantins: 0,19%

Rondônia: 0,19%

Acre: 0,04%

Roraima: 0,04%
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A perfídia de acusar jornalista de cobrar propina e fazer chantagem

Qualquer semelhança com o caso Ricardo Antunes será mera coincidência? O cara precisa ser mestre em conto do vigário para extorquir um lobista. Agora virou moda: toda reportagem contra uma autoridade trata-se de um texto escrito por um jornalista inimigo. Ou chantagem de jornalista que vende notícias.

Publica hoje o Portal Imprensa:

O ex-assessor do governo de Mato Grosso e lobista Rowles Magalhães Pereira Silva afirmou que pagou propina ao repórter Vinícius Segalla, do UOL, para que ele não publicasse notícias negativas sobre o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT), informou o portal MidiaNews, nesta sexta-feira (22/2). O jornalista, também acusado de chantagem, negou as afirmações de Silva e disse estar “tranquilo”.
Reportagem
O lobista foi convocado a depor após reportagem de Segalla, que motivou seu afastamento do cargo de assessor especial do governo do MT. No texto, publicado em 17 de agosto de 2012, o jornalista relata que o consórcio vencedor da licitação do VLT já era conhecido um mês antes da divulgação. E que Silva afirmou que integrantes do governo receberam propina de R$ 80 milhões, dos três consórcios primeiros colocados na concorrência, para viabilizar o negócio.
Crédito:Reprodução/ Facebook
Vinícius Segalla nega as denúncias do lobista

Suposto acordo

Silva resaltou que ele e Segalla tiveram o primeiro encontro em São Paulo, quando teriam trocado e-mails e falado sobre as vantagens do VLT. Em novo encontro e “depois de alguns questionamentos”, o jornalista teria dito a “realidade dos fatos”. “Que, na verdade, ele recebia mensalmente vantagens econômicas para manipular informações na imprensa no sentido de denegrir o projeto do VLT e apoiar o BRT”, afirmou
Na ocasião, Segalla teria dito, sem revelar nomes, que por trás dessas ações estava um “empresário de Cuiabá”. O lobista afirmou ainda que, ao demonstrar interesses comerciais em uma Parceria Público-Privada (PPP), com o VLT como melhor opção para MT, ouviu o pedido. “O Vinícius solicitou algumas vantagens mensais e eu disse que pagaria R$ 7 mil por mês a ele, que ficou com o único compromisso de não publicar notícias negativas no UOL em desfavor do VLT”, disse.
Segundo Silva alegou, houve “oito ou nove” pagamentos nos meses seguintes, sendo alguns pessoalmente, um pela mãe de sua filha e por seu irmão.
Entre o final de 2011 e início de 2012, quando Silva soube que o VLT não seria feito por meio de uma PPP, mas sim por Regime Diferenciado de Contratação (RDC), disse ao jornalista que não lhe pagaria mais os R$ 7 mil mensais, e que Segalla teria ficado “puto, magoado”.
Conversa informal
Em março de 2012, um “último bate papo” teria sido marcado em um bar, onde os dois teriam tomado “algumas cervejas, descontraidamente”. Silva afirmou que, enquanto conversavam sobre VLT e BRT, suas vantagens e outras situações, o jornalista queria saber o que ele estava ganhando para trabalhar pela Ferconsult e se havia algum tipo de “armação” na licitação.
Após dizer que “nunca soube de esquemas envolvendo pessoas do governo”, o jornalista teria mostrado um guardanapo de papel com anotações de um anúncio cifrado, publicado no Diário de Cuiabá, com informações do vencedor da licitação do VLT.“Ele continuou me perguntando o que eu achava disso, e eu estava alcoolizado, de saco cheio, e mandei ele procurar o jornal. Então, blefei e disse mais ou menos isso: ‘uma empresa me ofereceu R$ 60 milhões, vai ver que ofereceram R$ 80 milhões, vai saber’… Falei isso de modo irônico, para encerrar o assunto e dizer que o processo de licitação foi transparente”, relatou.

Mas segundo o lobista, passado algum tempo, ele recebeu uma ligação de um número desconhecido. Ao atender, era o jornalista, que lhe perguntou se “fazia tempo que não abria o e-mail criado para se comunicarem”.
“Eu abri o e-mail e vi a mensagem: ‘Descobri que você foi nomeado assessor especial da vice-governadoria. Nossas conversas foram gravadas, vá a um orelhão e me ligue’. Eu fiquei puto e fui até um telefone público […]. Ele atendeu e disse que a gente precisava conversar. Eu falei: ‘Vai a puta que o pariu e faça o que quiser, não tem papo. E desliguei o telefone”, disse.
Horas depois, “de cabeça fria”, ligou para Segalla de novo. “Eu falei que aquilo não era justo, pois não havia lhe concedido nenhuma entrevista e que a conversa foi informal, em bate papo de bar, tomando bebida alcoólica, e que não havia nada de ilegal naquilo que eu fiz e presenciei. Ele falou que não queria saber, e que eu teria um prazo, até segunda-feira, porque, na terça-feira, ele faria a publicação da matéria e iria ‘me fuder’”, afirmou.
Supostas chantagem e ameaças
O lobista disse que foi aconselhado a ligar para o jornalista e saber o que ele queria. “Ele me disse que queria R$ 500 mil, até segunda-feira, para não publicar a matéria, que seria publicada na terça. Eu falei que seria impossível arrumar esse dinheiro, e pedi a ele que aguardasse uma semana. Ele concordou”, relatou.
Silva admitiu que na terça, nada fora publicado, mas que recebeu uma ligação perguntando do dinheiro, e após um encontro não cumprido, recebeu telefonemas ameaçadores de Segalla.
Algum tempo depois, já como assessor do governo, viu uma notícia no blog Prosa e Política, de Adriana Vandoni, em que era “francamente atacado”. No mesmo dia, ele teria recebido ligações de Segalla. “Eu não falei que ia te foder, você já viu a Adriana Vandoni hoje?”, teria dito o jornalista. O lobista afirmou Segalla falou para ele escolher no “sentido de ceder ao seu pedido de R$ 500 mil”.
Em novo encontro com o jornalista, Silva afirmou que levou um amigo, chamado Geraldo, para testemunhar a conversa. “O Vinícius exigia os R$ 500 mil e eu não cedi. Neste momento, tocou o telefone do Vinícius e ele disse: ‘Estou aqui com a pessoa e amanhã está de pé a nossa viagem a Cáceres’. Depois que ele desligou o telefone, ele disse que era Aldo Locatelli, e que no dia seguinte iriam à Cáceres atrás de um processo que envolvia Eder Moraes”, detalhou.
Durante a conversa, foi alertado que estava sendo “detonado” no blog da Adriana. “A matéria me denegria, falando de doações do projeto do VLT, da viagem que fiz a Londres para tratar da dívida externa do Estado. Eu mostrei a matéria [no celular] para o Vinícius e ele, ao ver a postagem, deu risada, dizendo que a Adriana era sua parceira”, disse.
Silva relatou que o jornalista aceitava diminuir o valor para R$ 200 mil. “Ele disse: ‘Você é quem sabe, já abaixamos o valor… Ou nós queremos algum documento, ou informação, contra Eder Moraes, pois se ele obtivesse esse documento, acertaria o valor diretamente com Aldo Localtelli, e eu não precisaria pagar mais nada, e teria meu nome preservado’”, afirmou.
Segundo o lobista, após um encontro em Cuiabá, o jornalista o teria procurado, por várias vezes, mas que não o atendeu. Dias depois, porém, ele disse que recebeu uma ligação de Segalla, e foi ao seu encontro, acompanhado de Geraldo.
Nessa conversa, o jornalista teria afirmado que conversou com Maurício Guimarães, presidente da Secretaria Especial da Copa (Secopa), e que ele queria envolver Silva em “rolos”. O lobista teria dito estar “cansado desta história” e que iria procurar a imprensa. “Provoquei o Vinícius a publicar as gravações na íntegra”, explicou. Após esse dia, não teriam se encontrado mais.
Silva afirmou, por fim, que após duas semanas, o UOL publicou a reportagem envolvendo seu nome, “insinuando o recebimento de propinas”, motivando seu afastamento imediato do cargo no governo.
Jornalista nega cobrança de propina
Ao MidiaNews, Segalla confirmou ter se encontrado, algumas vezes, com o lobista, além de ter conversado com ele via e-mail, mas negou que tenha cobrado propina. “É mentira dele. Eu nunca pedi nenhum tipo de propina a ele, nem de R$ 7 mil, nem de R$ 500 mil. O que ele falou é completamente desprovido de qualquer ligação com a realidade, com os fatos”, afirmou.
Segalla também negou que tenha se encontrado com a mãe da filha do lobista ou seu irmão, apontados por Silva como intermediadores de alguns pagamentos.
Sobre a conversa informal regada a “algumas cervejas”, o jornalista confirmou o encontro, mas negou que tenha sido em um bar. “Foi no Franz Café. Era de manhã, não tomamos cerveja, não consumimos bebida alcoólica. Ele, inclusive, levou a filha. Nós conversamos; foi onde ele deu as declarações, publicadas pelo UOL”, afirmou.
Sobre a embriaguez que o lobista relatou à polícia, o jornalista disse que só seria possível se ele tivesse consumido bebida antes, mas que não parecia alcoolizado. “Dá para ouvir a voz dele nessas falas, isso também foi publicado. Não falamos sobre o anúncio do Diário de Cuiabá, não é verdade. Essa informação, sobre o anúncio, me foi passada pelo Ministério Público semanas, ou meses, depois, conforme também publicamos. Eu não tinha essa informação à época”, afirmou.
Segalla comentou também o encontro em Cuiabá. “Nos encontramos para que ele me entregasse um vídeo, supostamente com informações sobre propina na Secopa. Ele não entregou o vídeo e não publicamos nada sobre o assunto. Nosso encontro foi para isso, jamais pedi propina”, afirmou.
Sobre Adriana Vandoni, o jornalista afirmou que trabalhou com ela na apuração da matéria. “Ela assina a matéria como colaboradora. Esse contato com ela jamais foi secreto. Houve troca de informações durante apuração. Nunca a usei como ameaça”, relatou.
Segalla admitiu também o encontro com o empresário Aldo Locatelli. “Conheço o Aldo. Me encontrei com ele. Fiz uma apuração intensa e extensa, e ele foi uma das pessoas que ouvi, entre muitas outras, como promotores, conselheiros do Tribunal de Contas e empresários”, explicou.
O jornalista, que também prestou depoimento ao delegado Capoani, em São Paulo, afirmou que “está tranquilo” em relação ao assunto. “Não fiz nada de comprometedor. Se ele gravou os encontros, acho bom, para poderem saber o que a gente conversou. Não tem nada a ver com o que ele alegou na polícia”, assegurou.Posicionamento UOL

Nesta sexta-feira (22/2), Rodrigo Flores, diretor de conteúdo do UOL, disse à IMPRENSA que o portal pretende ir até às últimas instâncias jurídicas contra Rowles Magalhães Pereira Silva, por tentar manchar o trabalho do repórter Vinícius Segalla.
“Temos certeza da inocência do nosso profissional [Segalla] e acreditamos que esta denúncia é mais uma tentativa de intimidação da imprensa que faz o seu trabalho de trazer à tona informações de interesse público”, declarou Flores.
O diretor de conteúdo do UOL ainda revelou que, desde o início das apurações de Segalla, o departamento de jurídico do portal acompanhou o seu trabalho, garantindo que o mesmo fosse amparado juridicamente por se tratar de uma denúncia que poderia trazer contestações dos envolvidos.

 [Até hoje Ricardo Antunes não foi entrevistado por nenhuma mídia que reproduziu o press release da polícia de sua prisão. Inclusive permanece proibido de falar e de escrever. Trata-se de uma absurda censura judicial. Uma esdrúxula censura prévia. Coisa da justiça absolutista. Da ditadura do judiciário]
 

“Leitura Crítica” continua fechado pela censura da justiça

polícia terror repressão indignados

A justiça de Pernambuco descobriu um novo jeitinho de censurar um blogue: prender o jornalista responsável, por tempo indeterminado, em cadeia de segurança máxima.

A última notícia publicada no “Leitura Crítica” foi às 15h47m do dia 5 de outubro último, véspera das eleições. Menos de uma hora depois, Ricardo Antunes, desarmado, foi preso no luxuoso escritório do banqueiro, empresário, industrial, publicitário, assessor de imprensa e marqueteiro Antônio Lavareda. Confira 

Ricardo Antunes perdeu toda liberdade concedida para qualquer cidadão em um país democrático:

1. Liberdade de expressão

2. Liberdade de imprensa

3. Direito de defesa

Vejamos:

1. Nos dias 5 de sua prisão e 6 de outubro último foi publicado o mesmo release da polícia do governador Eduardo Campos, informando que Ricardo Antunes pretendia vender uma notícia por um milhão de dólares. Esta esdrúxula negociação (extorsão para os delegados investigadores) consta de um inquérito policial secreto. Para divulgar o encarceramento foi armada uma “grande rede” de comunicação. Dizem que a mesma rede que vem promovendo a campanha de Eduardo Campos a presidente da República.

2. Os delegados ludribiaram quando prometeram que Ricardo Antunes iria assinar uma nota para a imprensa.

3. A justiça, por sua vez, legitimou a ação policial, acusando Ricardo Antunes de criminoso de alta periculosidade, de constituir um perigo para a ordem pública, e jornalista inimigo.

4. E mais: teria ameaçado Antônio Lavareda de morte. Acontece que Ricardo compareceu a um encontro marcado por Lavareda, em um edifício super super vigiado. Que Lavareda sempre anda cercado de guardas, temeroso, neste Pernambuco de máxima violência na cidade e no campo, de um sequestro. Ricardo foi à fortaleza inimiga desarmado. Todo antagonista teme o outro. Por que Ricardo acreditou que não corria nenhum perigo, desde que republicou a notícia do Diário de Pernambuco de que Lavareda foi preso pela Polícia Federal por transportar armamento? Quem carrega balas possui arma de fogo, pode presumir qualquer um. Por que Ricardo, apenas Ricardo, correu todos os riscos?

5. Ricardo passou a ser acusado de agressor de mulheres: uma empregada doméstica e uma balconista de uma companhia aérea. Que polícia incompetente! Que justiça tarda e falha! Por que só agora esses crimes são revelados? Por que Ricardo estava solto antes ou durante as “ameaças” a Lavareda?

6. Ricardo é acusado de desacato a uma autoridade da Prefeitura do Recife. Dessa autoridade denunciou alguma ladroagem?

7. Idem de crime de infâmia e injúria. Ora, ora, depende da “vítima”. Assédio judicial e assédio extrajudicial podem ser uma indesejada honraria para um jornalista. Um criminoso de colarinho (de) branco, a ficha mais suja que a do juiz Lalau, é capaz de pagar um pistoleiro para ameaçar, espancar ou matar um jornalista. O bandido pé-rapado gosta de ser notícia policial, feito que lhe dá crédito de valentia, de poder, no mundo do crime.

8. É negado a Ricardo Antunes o direito de resposta. O direito de escrever. De qualquer defesa. Quando os principais livros da literatura mundial foram escritos no cárcere.

9. Nem precisava a polícia proibir, nem a justiça, que a imprensa de Pernambuco, e o omisso sindicato dos Jornalistas nada publicam em defesa de Ricardo Antunes. O Sinjope fez uma “visita humanitária”, que abafou os rumores de que Ricardo vem sofrendo tortura física e tortura psicológica. Foi mais uma visita que beneficiou a polícia. E justificou a não concessão de um habeas corpus. O medo dos jornalistas eu entendo. Um dos motivos de não ser concedido o habeas corpus, o crime de ser desempregado. Na ditadura Vargas existiam as delegacias de vadiagem. Por que fecharam? Se a justiça for prender os desempregados do Brasil…

Fica criado mais uma pérfida desclassificação para os blogueiros. A pecha de desempregado. Vale para os que assinam blogues hospedados na grande imprensa?

A piada é que a imprensa policial noticiou que Ricardo Antunes era empresário. Inclusive tiraram do YouTube os quatro comprometedores filmetes de Cardinot.

Quanto mais dinheiro ajunta um sujeito, mais fácil um habeas corpus. Daniel Dantas, que comprou uma revista de papel cuchê para limpar o nome, ganhou dois em uma semana.

Injusta a censura prévia. Determinou o desembargador Eurico de Barros Correia Filho: que Ricardo Antunes (…) “se abstenha, imediatamente, de veicular qualquer notícia, sobre qualquer assunto, em nome do aqui recorrente José Antônio Guimarães Lavareda Filho e de suas empresas, Inteligência XXI Ltda, Jiquiá Desenvolvimento Imobiliário Spe Ltda, Mln Construção e Incorporação Ltda e Patrimonial Incorporação Ltda, no Blog Leitura Crítica ou em outro sítio de informação (página de internet), e ainda em mídia escrita, sob sua responsabilidade, comando, gestão ou gerência, até ulterior deliberação, diante das circunstâncias que o caso requer. Na hipótese de descumprimento da medida acima, fixo multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por cada inserção jornalística, em quaisquer das mídias citadas”.

Um desempregado pagar multa de cinco mil pratas?…

Esclarecedor que a polícia e Lavareda consideraram o preço de um milhão de dólares para uma notícia de Ricardo Antunes.

10. Jornalistas, radialistas, blogueiros, cinegrafistas, todo cuidado, vocês podem ser Ricardo Antunes amanhã. Desde que considerados um inimigo, e uma denúncia jornalística classificada como extorsão.

Polícia permite que o jornalista Ricardo Antunes receba “visita humanitária” do Sinjope

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[Depois de várias tentativas, o Sinjope consegue visitar o sócio jornalista Ricardo Antunes. Eis a nota sindical:]

A presidente do Sinjope, Cláudia Eloi, o vice-presidente, Chico Carlos e os diretores Geraldo Bringel e Graça Prado estiveram [nesta sexta-feira, 28 de dezembro] no Centro de Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), para um encontro com o jornalista e filiado do Sinjope, Ricardo Antunes. A visita, de caráter humanitário, teve como objetivo ouvir o jornalista que, há dois meses está recolhido naquela unidade prisional.

A presidenta Cláudia Eloi procurou saber como Ricardo se encontra física e emocionalmente. [Esta tardia visita desmente os boatos de que o preso vem sofrendo tortura]. O jornalista revelou que está bem [Não está não! Vem padecendo tortura psicológica. E sob um clamoroso assédio policial. E assédio judicial. Encontra-se depressivo e temeroso de sofrer um atentado por parte de algum assassino].

A presidente explicou o intuito da visita e que, no caso em pauta, o Sindicato nada pode fazer no âmbito jurídico, visto que a acusação que pesa sobre ele não está relacionada com o exercício da profissão. [Está, sim, acusado de ter publicado informações injuriosas contra o bacharel em jornalismo Antônio Lavareda, além do crime de extorsão de venda de uma notícia por um milhão de dólares. Coisa que nenhum jornalista acredita. Que notícia vale tanto? Ricardo considera que está sendo vítima de um complô armado contra ele. Este precedente atinge todos os jornalistas que realizam o Jornalismo Investigativo e o Jornalismo Opinativo. Qualquer um pode ser preso, agora, por extorsão, crime hediondo, inafiançável].

Ricardo Antunes agradeceu o gesto do Sinjope e disse entender perfeitamente a posição do Sindicato. Como não tem antecedentes criminais e possui residência fixa, o jornalista, que está sendo assistido por um advogado, espera para os próximos dias o relaxamento da prisão.

Ricardo Antunes até o momento não deu sua versão pública sobre o caso e manifestou apreensão pelo fato de que o autor da denúncia contra ele conseguiu na justiça que ele seja impedido de se pronunciar em qualquer circunstância sobre o fato , nem mencionar o nome do autor do processo em qualquer publicação. Nesse sentido, Ricardo Antunes fez um apelo ao Sinjope em defesa da liberdade de expressão e contra a censura prévia. O caso será encaminhado para apreciação da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, em Brasília.

[Fui, durante seis anos, representante eleito do Sinjope na FENAJ, inclusive disputei a presidência com o maior líder sindical da época, Joezil Barros, e deu empate.

Reconheço a liderança e a exemplar vivência jornalística dos profissionais que visitaram Ricardo Antunes. Entendo a isenção do posicionamento do Sinjope, por envolver dois jornalistas: Antônio Lavareda e Ricardo Antunes. E os perigos que corre Ricardo como prisioneiro. Aqui fica ressaltada a importância de tornar o caso nacional, pela necessária e devida apreciação da FENAJ.

É inacreditável que, numa democracia, um réu fique “impedido de se pronunciar em qualquer circunstância sobre o fato, nem mencionar o nome do autor do processo em qualquer publicação”.  Parece os tempos da Santa Inquisição. Isto tem nome. E acontecia nas ditaduras de Hitler, de Stalin e de pequenos césares, como Franco, Salazar, Pinochet, Médici e outras almas sebosas, que mantinham a justiça cativa.

Natural o medo de Ricardo, que se encontra sob o efeito de medicamentos antidepressivos. Que preso fala contra a polícia dentro de uma cadeia de segurança máxima? Veja o caso do jornalista  Mauri König, que se encontra escondido dos delegados do governador Beto Rocha do Paraná. De André Camarante, da Folha de S. Paulo, que se encontra exilado, ameaçado pela bancada da bala da Câmara Municipal de São Paulo. 

Impensável que um jornalista seja impedido de falar, de escrever, de mostrar (fotografar, filmar etc). A liberdade de imprensa no Brasil não é dos jornalistas. Pertence às empresas. Aos monopólios dos meios de comunicação de massa. Liberdade já para o preso político Ricardo Antunes. A prisão de Ricardo está ligada à campanha presidencial de 2014. Não esquecer que foi preso na antevéspera das eleições municipais.

Foi preso porque denunciou desvios e desperdícios de dinheiro público no governo estadual e prefeituras municipais, inclusive para a adultizacão de crianças, crime condenado por educadores, religiosos, verdadeiros sociólogos e psicólogos infantis].

pensamento censura jornalista jornalismo apagão

Para substituir o azedo da lei Azeredo, a censura na internet ganhou um nome doce

Renata Gaspar interpreta interpreta Carolina Dieckmann, cuja santa nudez virou lei de censura
Renata Gaspar interpreta interpreta Carolina Dieckmann, cuja santa nudez virou lei de censura

A atriz falou sobre a repercussão das suas fotos íntimas na internet que resultou na Lei Carolina Dieckmann.

– “O que aconteceu, independentemente de as fotos vazarem, com a extorsão e roubo a dados pessoais no meu computador, eu não tinha outra opção a não ser ir à polícia. Não sabia o que ia acontecer. Estava dançando conforme a música. Me fizeram uma extorsão. O que é que se faz nesse caso? Ir à polícia. Aí, no dia em que vazaram as fotos, o que tinha que fazer?  Contratar advogado. E vamos fazer tudo dentro da lei. Para mim era muito simples nesse sentido. Eu queria, principalmente, saber quem fez e como fez. Porque pra mim esse era todo problema da situação. Como alguém entra nos seus dados, e descobre coisas que estão ‘presas’ dentro do seu computador, e rouba aqueles arquivos todos? Alguém entrou na minha casa e roubou coisas minhas. Pra mim era essa a sensação, de invasão, e eu tinha que reclamar”.

Quem é esse alguém que colocou as fotos de Carolina Dieckmann na internet? Fotos de Carolina nua de antes do “roubo” existem várias. Idem leis punitivas contra o internauta. Inclusive a Lei Azeredo.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), ex-ministro das Comunicações, criticou as propostas. “Não há necessidade de novas tipificações. Nenhum crime praticado na internet deixa de ser punido por falta de lei. Com essas leis você cria mais do mesmo e um embaraço para a consolidação das leis”, disse.

O presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), Eduardo Neger, tem a mesma opinião de Teixeira. Ele afirma que as leis não trarão mudanças significativas, pois todas as condutas ilícitas observadas no ambiente virtual têm sido punidas com o atual código. Eduardo Neger disse ainda estar decepcionado com o Legislativo. “O Brasil avançou na tipificação dos crimes, mas não avançou na votação do marco civil da internet. Estamos criminalizando antes de garantir os direitos e os deveres dos usuários. Para nós, houve uma inversão na ordem de prioridades”, reclamou.

Precisamos de lei que impeça a varredura da polícia, o apagão de blogues, de imeios, a censura fácil, o assédio judicial etc. O acesso a internet e a liberdade de expressão são direitos humanos.
A Lei Azeredo visa impedir a divulgação, a investigação e a punição do Mensalinho mineiro tucano, que presenteou duas agências  de publicidade para Marcos Valério que, via estas duas empresas, criou o Mensalão petista.
indignados lei azeredo e outra sopas azedas

Jornalistas acusados de terrorismo soltos na España. O Brasil prende por extorsão

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Que crime, real e verdadeiramente, praticou o jornalista Ricardo Antunes? Ninguém sabe. De fonte segura, confiável, nada existe. Apenas circulou, na “grande rede”, um impreciso press release do governo de Pernambuco, informando que Ricardo foi  investigado, preso e sentenciado pela polícia do presidenciável Eduardo Campos.

Vai ser preciso romancear o inquérito (quanto mais volumoso mais convincente!) para provar a prática de extorsão.

Primeiro
demonstrar que uma notícia vale um milhão de dólares, quando o salário piso de um jornalista recifense não passa dos 900 reais (450 dólares).

Segundo
que um criminoso, no caso um jornalista político, com formação universitária no Brasil e no exterior, concorda com a oferta astuta, esperta, perigosa, ardilosa, traiçoeira, matreira e sagaz de receber uma extorsão em trinta parcelas mensais. Assume ser um prestamista camarada e masoquista. Aceita a via-crucis de uma longa temporada de 1001 dias de medo, ciladas, tocaias, vigilâncias, e toda sorte de perigos. Firma uma negociação, um contrato incrível, que transforma o caçador em caça; o extorsionário, em extorsionado; o algoz, em vítima. Temos uma inversão bastante curiosa.

Pergunto: que bandido perigoso concorda com a imposição de receber uma extorsão em trinta meses? Significa ter de andar, durante trinta meses, sobre o fio de uma navalha. Ter de caminhar, trinta meses, em uma corda bamba. Ricardo podia cair no trigésimo mês.  Caiu logo no primeiro, na primeira cobrança.

Encontra-se, bem trancado, em um presídio de segurança máxima.

Terrorismo estatal
O que preocupa no caso Ricardo Antunes são os precedentes de terrorismo policial abertos. Vou listar apenas dois:

Qualquer jornalista pode ser acusado de extorsão e preso, sem fiança, incomunicável, por um longo e indeterminado tempo.

Fica criada a legenda de medo para quem faz jornalismo investigativo e jornalismo opinativo.

Estamos em uma época de terrorismo estatal e de terrorismo policial. Um terror que começou na ante-véspera das eleições municipais.

Um terror que faz parte das eleições presidenciais.

Fica o recado:

você, jornalista, pode ser Ricardo Antunes amanhã. Amanhã, e sempre.

Jornalistas presos
Quantos jornalistas foram presos e torturados e assassinados, no Brasil, durante a ditadura militar?

Conheça um escandaloso e imoral e iníquo julgamento de jornalistas na Espanha monarquista e “democrática”:

En febrero de 2003 el juez de la Audiencia Nacional Juan del Olmo dictaba el cierre del único diario íntegramente en esukera, Egunkaria, al considerar que estaba a las órdenes

de ETA.
Con la clausura también fueron detenidos diez de sus directivos, a los que acusaba de ser dirigentes terroristas. Siete años después, el 12 abril de 2010, en el primer juicio por esta causa todos los acusados fueron absueltos. Pero el daño ya estaba hecho, el director del diario, Martxelo Otamendi, y varios de sus compañeros denunciaron haber sido torturados por agentes de la Guardia Civil.

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Com a prisão de Ricardo Antunes, a policial fechou o Leitura Crítica.

Otamendi
esta semana vino a Madrid para participar en el Congreso Internacional contra la Represión que se ha celebrado en el Ateneo de la capital. En la ponencia relató cómo él, al igual que sus compañeros, fue incomunicado cinco días y en tres de ellos fue sometido a torturas. “Estuve los tres días sin dormir. Tenía que estar de pie mirando a una pared y sólo me dejaban sentarme 20 minutos cada cinco horas. Me golpearon, me sometieron a la técnica de la bolsa en la cabeza, tuve que hacer ejercicios físicos y sufrí vejaciones. Me pusieron un hierro en la cabeza que hizo ‘click’ y luego me hicieron tocar la pistola”. El periodista continuó relatando los malos tratos que sufrió en dependencias policiales.

Hace dos meses el Tribunal Europeo de Derechos Humanos de Estrasburgo condenó a España por no investigar las denuncias de tortura que había interpuesto. Dictaminó que el Estado había violado el artículo 3 del Convenio Europeo de Derechos Humanos (prohibición de tratos inhumanos o degradantes) y que la Audiencia Nacional “permaneció pasiva” ante las denuncias.

¿Cómo valora esta sentencia?

El Tribunal ha condenado al Gobierno español a pagar una indemnización de 24.000 euros, 4.000 por gastos de abogacía y 20.000 para resarcirme de los daños causados. Me parece una sentencia muy interesante porque necesitábamos un soporte judicial de una instancia europea que dijera que España no ha investigado. Nos hubiera gustado más que se dijera que se nos ha torturado y que se hubiera reproducido el juicio en un tribunal independiente para investigar las torturas.

Después de esta sentencia, ¿cree que cabe la posibilidad de que España rectifique o reabra el caso?

No, España no hará nada. En estos casos lo que hace es actuar como si no hubiera sucedido nada, ni siquiera sé cuando librará el pago de los 24.000 euros. El Gobierno no quiere ruido, ha puesto punto y aparte. No se va a meter a pelear o intentar recurrir, no le interesa que haya ruido mediático con estas cuestiones.

Habrá que esperar a que haya cambios políticos en el País Vasco y que allí se puedan investigar los casos de torturas. Si un día fuéramos un país independiente podríamos empezar a investigar estos casos, pero tampoco tengo muchas esperanzas.

Se ha dicho que ETA ordenaba a sus militantes denunciar torturas según eran detenidos. ¿Ha habido casos de denuncias falsas?

Se habla de un manual que dice eso, pero nadie lo ha visto nunca. Estamos hablando de más de 7.000 torturados vascos desde la aprobación de la Constitución por cuestiones políticas. Yo no pongo la mano en el fuego por todos, pero sí la voy a poner por un porcentaje altísimo de ellos. Es más fácil que alguien que ha sido torturado se lo calle que uno que no lo ha sido se lo invente. Yo conozco casos de gente que ha sido torturada y por el acojono que llevan encima no lo dicen.

Más de la mitad de los agentes condenados en el País Vasco por torturas han sido indultados

Por eso la tortura es estructural, porque se indulta. Es una manera de trabajar y si luego a última hora te pillan pues te indultan. Es el caso de Galindo, que tenía 75 años de cárcel y sólo cumplió cuatro. A Rafael Vera (condenado por financiar los GAL) lo pusieron en la calle porque estaba deprimido. Por lo visto era el único español deprimido en la cárcel.

El Estado no abandona a sus esbirros. Si no tiene otro remedio los juzga y los codena, pero luego siempre les puede dar un indulto. Continue lendo a entrevista de Martxelo Otamendi.

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MANIFESTACIÓN