“Leitura Crítica” continua fechado pela censura da justiça

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A justiça de Pernambuco descobriu um novo jeitinho de censurar um blogue: prender o jornalista responsável, por tempo indeterminado, em cadeia de segurança máxima.

A última notícia publicada no “Leitura Crítica” foi às 15h47m do dia 5 de outubro último, véspera das eleições. Menos de uma hora depois, Ricardo Antunes, desarmado, foi preso no luxuoso escritório do banqueiro, empresário, industrial, publicitário, assessor de imprensa e marqueteiro Antônio Lavareda. Confira 

Ricardo Antunes perdeu toda liberdade concedida para qualquer cidadão em um país democrático:

1. Liberdade de expressão

2. Liberdade de imprensa

3. Direito de defesa

Vejamos:

1. Nos dias 5 de sua prisão e 6 de outubro último foi publicado o mesmo release da polícia do governador Eduardo Campos, informando que Ricardo Antunes pretendia vender uma notícia por um milhão de dólares. Esta esdrúxula negociação (extorsão para os delegados investigadores) consta de um inquérito policial secreto. Para divulgar o encarceramento foi armada uma “grande rede” de comunicação. Dizem que a mesma rede que vem promovendo a campanha de Eduardo Campos a presidente da República.

2. Os delegados ludribiaram quando prometeram que Ricardo Antunes iria assinar uma nota para a imprensa.

3. A justiça, por sua vez, legitimou a ação policial, acusando Ricardo Antunes de criminoso de alta periculosidade, de constituir um perigo para a ordem pública, e jornalista inimigo.

4. E mais: teria ameaçado Antônio Lavareda de morte. Acontece que Ricardo compareceu a um encontro marcado por Lavareda, em um edifício super super vigiado. Que Lavareda sempre anda cercado de guardas, temeroso, neste Pernambuco de máxima violência na cidade e no campo, de um sequestro. Ricardo foi à fortaleza inimiga desarmado. Todo antagonista teme o outro. Por que Ricardo acreditou que não corria nenhum perigo, desde que republicou a notícia do Diário de Pernambuco de que Lavareda foi preso pela Polícia Federal por transportar armamento? Quem carrega balas possui arma de fogo, pode presumir qualquer um. Por que Ricardo, apenas Ricardo, correu todos os riscos?

5. Ricardo passou a ser acusado de agressor de mulheres: uma empregada doméstica e uma balconista de uma companhia aérea. Que polícia incompetente! Que justiça tarda e falha! Por que só agora esses crimes são revelados? Por que Ricardo estava solto antes ou durante as “ameaças” a Lavareda?

6. Ricardo é acusado de desacato a uma autoridade da Prefeitura do Recife. Dessa autoridade denunciou alguma ladroagem?

7. Idem de crime de infâmia e injúria. Ora, ora, depende da “vítima”. Assédio judicial e assédio extrajudicial podem ser uma indesejada honraria para um jornalista. Um criminoso de colarinho (de) branco, a ficha mais suja que a do juiz Lalau, é capaz de pagar um pistoleiro para ameaçar, espancar ou matar um jornalista. O bandido pé-rapado gosta de ser notícia policial, feito que lhe dá crédito de valentia, de poder, no mundo do crime.

8. É negado a Ricardo Antunes o direito de resposta. O direito de escrever. De qualquer defesa. Quando os principais livros da literatura mundial foram escritos no cárcere.

9. Nem precisava a polícia proibir, nem a justiça, que a imprensa de Pernambuco, e o omisso sindicato dos Jornalistas nada publicam em defesa de Ricardo Antunes. O Sinjope fez uma “visita humanitária”, que abafou os rumores de que Ricardo vem sofrendo tortura física e tortura psicológica. Foi mais uma visita que beneficiou a polícia. E justificou a não concessão de um habeas corpus. O medo dos jornalistas eu entendo. Um dos motivos de não ser concedido o habeas corpus, o crime de ser desempregado. Na ditadura Vargas existiam as delegacias de vadiagem. Por que fecharam? Se a justiça for prender os desempregados do Brasil…

Fica criado mais uma pérfida desclassificação para os blogueiros. A pecha de desempregado. Vale para os que assinam blogues hospedados na grande imprensa?

A piada é que a imprensa policial noticiou que Ricardo Antunes era empresário. Inclusive tiraram do YouTube os quatro comprometedores filmetes de Cardinot.

Quanto mais dinheiro ajunta um sujeito, mais fácil um habeas corpus. Daniel Dantas, que comprou uma revista de papel cuchê para limpar o nome, ganhou dois em uma semana.

Injusta a censura prévia. Determinou o desembargador Eurico de Barros Correia Filho: que Ricardo Antunes (…) “se abstenha, imediatamente, de veicular qualquer notícia, sobre qualquer assunto, em nome do aqui recorrente José Antônio Guimarães Lavareda Filho e de suas empresas, Inteligência XXI Ltda, Jiquiá Desenvolvimento Imobiliário Spe Ltda, Mln Construção e Incorporação Ltda e Patrimonial Incorporação Ltda, no Blog Leitura Crítica ou em outro sítio de informação (página de internet), e ainda em mídia escrita, sob sua responsabilidade, comando, gestão ou gerência, até ulterior deliberação, diante das circunstâncias que o caso requer. Na hipótese de descumprimento da medida acima, fixo multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por cada inserção jornalística, em quaisquer das mídias citadas”.

Um desempregado pagar multa de cinco mil pratas?…

Esclarecedor que a polícia e Lavareda consideraram o preço de um milhão de dólares para uma notícia de Ricardo Antunes.

10. Jornalistas, radialistas, blogueiros, cinegrafistas, todo cuidado, vocês podem ser Ricardo Antunes amanhã. Desde que considerados um inimigo, e uma denúncia jornalística classificada como extorsão.

Polícia permite que o jornalista Ricardo Antunes receba “visita humanitária” do Sinjope

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[Depois de várias tentativas, o Sinjope consegue visitar o sócio jornalista Ricardo Antunes. Eis a nota sindical:]

A presidente do Sinjope, Cláudia Eloi, o vice-presidente, Chico Carlos e os diretores Geraldo Bringel e Graça Prado estiveram [nesta sexta-feira, 28 de dezembro] no Centro de Triagem Professor Everardo Luna (Cotel), para um encontro com o jornalista e filiado do Sinjope, Ricardo Antunes. A visita, de caráter humanitário, teve como objetivo ouvir o jornalista que, há dois meses está recolhido naquela unidade prisional.

A presidenta Cláudia Eloi procurou saber como Ricardo se encontra física e emocionalmente. [Esta tardia visita desmente os boatos de que o preso vem sofrendo tortura]. O jornalista revelou que está bem [Não está não! Vem padecendo tortura psicológica. E sob um clamoroso assédio policial. E assédio judicial. Encontra-se depressivo e temeroso de sofrer um atentado por parte de algum assassino].

A presidente explicou o intuito da visita e que, no caso em pauta, o Sindicato nada pode fazer no âmbito jurídico, visto que a acusação que pesa sobre ele não está relacionada com o exercício da profissão. [Está, sim, acusado de ter publicado informações injuriosas contra o bacharel em jornalismo Antônio Lavareda, além do crime de extorsão de venda de uma notícia por um milhão de dólares. Coisa que nenhum jornalista acredita. Que notícia vale tanto? Ricardo considera que está sendo vítima de um complô armado contra ele. Este precedente atinge todos os jornalistas que realizam o Jornalismo Investigativo e o Jornalismo Opinativo. Qualquer um pode ser preso, agora, por extorsão, crime hediondo, inafiançável].

Ricardo Antunes agradeceu o gesto do Sinjope e disse entender perfeitamente a posição do Sindicato. Como não tem antecedentes criminais e possui residência fixa, o jornalista, que está sendo assistido por um advogado, espera para os próximos dias o relaxamento da prisão.

Ricardo Antunes até o momento não deu sua versão pública sobre o caso e manifestou apreensão pelo fato de que o autor da denúncia contra ele conseguiu na justiça que ele seja impedido de se pronunciar em qualquer circunstância sobre o fato , nem mencionar o nome do autor do processo em qualquer publicação. Nesse sentido, Ricardo Antunes fez um apelo ao Sinjope em defesa da liberdade de expressão e contra a censura prévia. O caso será encaminhado para apreciação da Federação Nacional dos Jornalistas – FENAJ, em Brasília.

[Fui, durante seis anos, representante eleito do Sinjope na FENAJ, inclusive disputei a presidência com o maior líder sindical da época, Joezil Barros, e deu empate.

Reconheço a liderança e a exemplar vivência jornalística dos profissionais que visitaram Ricardo Antunes. Entendo a isenção do posicionamento do Sinjope, por envolver dois jornalistas: Antônio Lavareda e Ricardo Antunes. E os perigos que corre Ricardo como prisioneiro. Aqui fica ressaltada a importância de tornar o caso nacional, pela necessária e devida apreciação da FENAJ.

É inacreditável que, numa democracia, um réu fique “impedido de se pronunciar em qualquer circunstância sobre o fato, nem mencionar o nome do autor do processo em qualquer publicação”.  Parece os tempos da Santa Inquisição. Isto tem nome. E acontecia nas ditaduras de Hitler, de Stalin e de pequenos césares, como Franco, Salazar, Pinochet, Médici e outras almas sebosas, que mantinham a justiça cativa.

Natural o medo de Ricardo, que se encontra sob o efeito de medicamentos antidepressivos. Que preso fala contra a polícia dentro de uma cadeia de segurança máxima? Veja o caso do jornalista  Mauri König, que se encontra escondido dos delegados do governador Beto Rocha do Paraná. De André Camarante, da Folha de S. Paulo, que se encontra exilado, ameaçado pela bancada da bala da Câmara Municipal de São Paulo. 

Impensável que um jornalista seja impedido de falar, de escrever, de mostrar (fotografar, filmar etc). A liberdade de imprensa no Brasil não é dos jornalistas. Pertence às empresas. Aos monopólios dos meios de comunicação de massa. Liberdade já para o preso político Ricardo Antunes. A prisão de Ricardo está ligada à campanha presidencial de 2014. Não esquecer que foi preso na antevéspera das eleições municipais.

Foi preso porque denunciou desvios e desperdícios de dinheiro público no governo estadual e prefeituras municipais, inclusive para a adultizacão de crianças, crime condenado por educadores, religiosos, verdadeiros sociólogos e psicólogos infantis].

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Para substituir o azedo da lei Azeredo, a censura na internet ganhou um nome doce

Renata Gaspar interpreta interpreta Carolina Dieckmann, cuja santa nudez virou lei de censura
Renata Gaspar interpreta interpreta Carolina Dieckmann, cuja santa nudez virou lei de censura

A atriz falou sobre a repercussão das suas fotos íntimas na internet que resultou na Lei Carolina Dieckmann.

– “O que aconteceu, independentemente de as fotos vazarem, com a extorsão e roubo a dados pessoais no meu computador, eu não tinha outra opção a não ser ir à polícia. Não sabia o que ia acontecer. Estava dançando conforme a música. Me fizeram uma extorsão. O que é que se faz nesse caso? Ir à polícia. Aí, no dia em que vazaram as fotos, o que tinha que fazer?  Contratar advogado. E vamos fazer tudo dentro da lei. Para mim era muito simples nesse sentido. Eu queria, principalmente, saber quem fez e como fez. Porque pra mim esse era todo problema da situação. Como alguém entra nos seus dados, e descobre coisas que estão ‘presas’ dentro do seu computador, e rouba aqueles arquivos todos? Alguém entrou na minha casa e roubou coisas minhas. Pra mim era essa a sensação, de invasão, e eu tinha que reclamar”.

Quem é esse alguém que colocou as fotos de Carolina Dieckmann na internet? Fotos de Carolina nua de antes do “roubo” existem várias. Idem leis punitivas contra o internauta. Inclusive a Lei Azeredo.

O deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), ex-ministro das Comunicações, criticou as propostas. “Não há necessidade de novas tipificações. Nenhum crime praticado na internet deixa de ser punido por falta de lei. Com essas leis você cria mais do mesmo e um embaraço para a consolidação das leis”, disse.

O presidente da Associação Brasileira de Internet (Abranet), Eduardo Neger, tem a mesma opinião de Teixeira. Ele afirma que as leis não trarão mudanças significativas, pois todas as condutas ilícitas observadas no ambiente virtual têm sido punidas com o atual código. Eduardo Neger disse ainda estar decepcionado com o Legislativo. “O Brasil avançou na tipificação dos crimes, mas não avançou na votação do marco civil da internet. Estamos criminalizando antes de garantir os direitos e os deveres dos usuários. Para nós, houve uma inversão na ordem de prioridades”, reclamou.

Precisamos de lei que impeça a varredura da polícia, o apagão de blogues, de imeios, a censura fácil, o assédio judicial etc. O acesso a internet e a liberdade de expressão são direitos humanos.
A Lei Azeredo visa impedir a divulgação, a investigação e a punição do Mensalinho mineiro tucano, que presenteou duas agências  de publicidade para Marcos Valério que, via estas duas empresas, criou o Mensalão petista.
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Jornalistas acusados de terrorismo soltos na España. O Brasil prende por extorsão

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Que crime, real e verdadeiramente, praticou o jornalista Ricardo Antunes? Ninguém sabe. De fonte segura, confiável, nada existe. Apenas circulou, na “grande rede”, um impreciso press release do governo de Pernambuco, informando que Ricardo foi  investigado, preso e sentenciado pela polícia do presidenciável Eduardo Campos.

Vai ser preciso romancear o inquérito (quanto mais volumoso mais convincente!) para provar a prática de extorsão.

Primeiro
demonstrar que uma notícia vale um milhão de dólares, quando o salário piso de um jornalista recifense não passa dos 900 reais (450 dólares).

Segundo
que um criminoso, no caso um jornalista político, com formação universitária no Brasil e no exterior, concorda com a oferta astuta, esperta, perigosa, ardilosa, traiçoeira, matreira e sagaz de receber uma extorsão em trinta parcelas mensais. Assume ser um prestamista camarada e masoquista. Aceita a via-crucis de uma longa temporada de 1001 dias de medo, ciladas, tocaias, vigilâncias, e toda sorte de perigos. Firma uma negociação, um contrato incrível, que transforma o caçador em caça; o extorsionário, em extorsionado; o algoz, em vítima. Temos uma inversão bastante curiosa.

Pergunto: que bandido perigoso concorda com a imposição de receber uma extorsão em trinta meses? Significa ter de andar, durante trinta meses, sobre o fio de uma navalha. Ter de caminhar, trinta meses, em uma corda bamba. Ricardo podia cair no trigésimo mês.  Caiu logo no primeiro, na primeira cobrança.

Encontra-se, bem trancado, em um presídio de segurança máxima.

Terrorismo estatal
O que preocupa no caso Ricardo Antunes são os precedentes de terrorismo policial abertos. Vou listar apenas dois:

Qualquer jornalista pode ser acusado de extorsão e preso, sem fiança, incomunicável, por um longo e indeterminado tempo.

Fica criada a legenda de medo para quem faz jornalismo investigativo e jornalismo opinativo.

Estamos em uma época de terrorismo estatal e de terrorismo policial. Um terror que começou na ante-véspera das eleições municipais.

Um terror que faz parte das eleições presidenciais.

Fica o recado:

você, jornalista, pode ser Ricardo Antunes amanhã. Amanhã, e sempre.

Jornalistas presos
Quantos jornalistas foram presos e torturados e assassinados, no Brasil, durante a ditadura militar?

Conheça um escandaloso e imoral e iníquo julgamento de jornalistas na Espanha monarquista e “democrática”:

En febrero de 2003 el juez de la Audiencia Nacional Juan del Olmo dictaba el cierre del único diario íntegramente en esukera, Egunkaria, al considerar que estaba a las órdenes

de ETA.
Con la clausura también fueron detenidos diez de sus directivos, a los que acusaba de ser dirigentes terroristas. Siete años después, el 12 abril de 2010, en el primer juicio por esta causa todos los acusados fueron absueltos. Pero el daño ya estaba hecho, el director del diario, Martxelo Otamendi, y varios de sus compañeros denunciaron haber sido torturados por agentes de la Guardia Civil.

Egunkaria 2

Com a prisão de Ricardo Antunes, a policial fechou o Leitura Crítica.

Otamendi
esta semana vino a Madrid para participar en el Congreso Internacional contra la Represión que se ha celebrado en el Ateneo de la capital. En la ponencia relató cómo él, al igual que sus compañeros, fue incomunicado cinco días y en tres de ellos fue sometido a torturas. “Estuve los tres días sin dormir. Tenía que estar de pie mirando a una pared y sólo me dejaban sentarme 20 minutos cada cinco horas. Me golpearon, me sometieron a la técnica de la bolsa en la cabeza, tuve que hacer ejercicios físicos y sufrí vejaciones. Me pusieron un hierro en la cabeza que hizo ‘click’ y luego me hicieron tocar la pistola”. El periodista continuó relatando los malos tratos que sufrió en dependencias policiales.

Hace dos meses el Tribunal Europeo de Derechos Humanos de Estrasburgo condenó a España por no investigar las denuncias de tortura que había interpuesto. Dictaminó que el Estado había violado el artículo 3 del Convenio Europeo de Derechos Humanos (prohibición de tratos inhumanos o degradantes) y que la Audiencia Nacional “permaneció pasiva” ante las denuncias.

¿Cómo valora esta sentencia?

El Tribunal ha condenado al Gobierno español a pagar una indemnización de 24.000 euros, 4.000 por gastos de abogacía y 20.000 para resarcirme de los daños causados. Me parece una sentencia muy interesante porque necesitábamos un soporte judicial de una instancia europea que dijera que España no ha investigado. Nos hubiera gustado más que se dijera que se nos ha torturado y que se hubiera reproducido el juicio en un tribunal independiente para investigar las torturas.

Después de esta sentencia, ¿cree que cabe la posibilidad de que España rectifique o reabra el caso?

No, España no hará nada. En estos casos lo que hace es actuar como si no hubiera sucedido nada, ni siquiera sé cuando librará el pago de los 24.000 euros. El Gobierno no quiere ruido, ha puesto punto y aparte. No se va a meter a pelear o intentar recurrir, no le interesa que haya ruido mediático con estas cuestiones.

Habrá que esperar a que haya cambios políticos en el País Vasco y que allí se puedan investigar los casos de torturas. Si un día fuéramos un país independiente podríamos empezar a investigar estos casos, pero tampoco tengo muchas esperanzas.

Se ha dicho que ETA ordenaba a sus militantes denunciar torturas según eran detenidos. ¿Ha habido casos de denuncias falsas?

Se habla de un manual que dice eso, pero nadie lo ha visto nunca. Estamos hablando de más de 7.000 torturados vascos desde la aprobación de la Constitución por cuestiones políticas. Yo no pongo la mano en el fuego por todos, pero sí la voy a poner por un porcentaje altísimo de ellos. Es más fácil que alguien que ha sido torturado se lo calle que uno que no lo ha sido se lo invente. Yo conozco casos de gente que ha sido torturada y por el acojono que llevan encima no lo dicen.

Más de la mitad de los agentes condenados en el País Vasco por torturas han sido indultados

Por eso la tortura es estructural, porque se indulta. Es una manera de trabajar y si luego a última hora te pillan pues te indultan. Es el caso de Galindo, que tenía 75 años de cárcel y sólo cumplió cuatro. A Rafael Vera (condenado por financiar los GAL) lo pusieron en la calle porque estaba deprimido. Por lo visto era el único español deprimido en la cárcel.

El Estado no abandona a sus esbirros. Si no tiene otro remedio los juzga y los codena, pero luego siempre les puede dar un indulto. Continue lendo a entrevista de Martxelo Otamendi.

egunkaria

MANIFESTACIÓN

Hoje completa dois meses que a polícia do governador Eduardo Campos prendeu o jornalista Ricardo Antunes

Presidenciável Eduardo Campos
Presidenciável Eduardo Campos

 

Eduardo Campos faz que não sabe que Ricardo Antunes está preso. Faz que não sabe que Ricardo Antunes está preso, incomunicável, em uma secreta cadeia de segurança máxima da Sorbonne.

Ricardo Antunes, diz a polícia do governador, pretendeu vender uma notícia de um milhão de dólares para o bacharel em Jornalismo Antônio Lavareda.

“E ele sabe que eu sei que ele sabe que eu sei”, escreveu Ricardo Antunes.

Isso é chantagem! – acusou, prendeu e sentenciou a polícia.

Isso é extorsão! – justificou a polícia, para encarcerar, ad infinitum, um jornalista oposicionista, na antevéspera das eleições municipais, dia 5 de outubro último.

Que notícia vale um milhão de dólares?

Que terrível segredo sabe Ricardo?

Que danoso segredo vale um milhão de dólares?

Onde já se viu extorsão sem arma de fogo, balas de chumbo ou prata?  Ou frio aço de penetrante punhal? Ou faca de afiado gume?

Desarmado estava Ricardo quando foi preso. A única arma que tinha era a palavra. Ou pior, a temida frase:

“E ele sabe que eu sei que ele sabe que eu sei”.

 

 

 

Por que a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo não fala da prisão de Ricardo Antunes?

RICARDO ANTUNES O ÚNICO PRESO EM UM PAÍS CAMPEÃO EM ASSASSINATOS DE JORNALISTAS NO EXERCÍCIO DA PROFISSÃO

A Abraji comemora os dez anos de sua fundação com um seminário internacional em São Paulo no próximo dia 10 de dezembro. O evento será realizado na ECA-USP e celebrará uma década de trabalho da Associação em prol do jornalismo investigativo [e a prisão de um associado].

Mas a mesma Abraji chega a 2012 ainda se perguntando: o que é “jornalismo investigativo”.

Como parte das comemorações da primeira década de trabalho, a Abraji convida todos os jornalistas a mandarem sua contribuição.

As definições podem ser enviadas (por imeio) para a lista restrita a associados ou também pela página da Abraji no Facebook. A ideia é que haja um debate para que se chegue (ou não) a uma definição contemporânea e brasileira do significado desta expressão já consagrada em países de língua inglesa ou espanhola.

Alguns colegas da Abraji já declararam o que significa, para si, “jornalismo investigativo”:

Thiago Herdy: Jornalismo investigativo é bom jornalismo. Pode ser praticado em uma matéria sobre um acidente de carro ou o roubo do ministro. É melhor executado quando alia observação aguçada, determinação, dedicação (seja cinco horas ou dois meses) e fontes certas. Não pode cometer injustiça.

Angelina Nunes: Jornalismo investigativo é todo trabalho de jornalista que não se limita ao release, ao declaratório. O que o repórter deve fazer é cruzar dados, fuçar orçamento, ler editais, destrinchar leis, ouvir mais personagens, buscar as informações escondidas nas estatísticas. Uma boa matéria dá trabalho, requer tempo, algum dinheiro e capacitação.

Fernando Rodrigues: O termo jornalismo investigativo deriva de seu congênere em inglês, “investigative journalism”. Nos países de língua inglesa muitos também consideram essa designação um pleonasmo. Ainda assim, o investigative journalism consolidou-se no mundo todo como sinônimo de bom jornalismo, de reportagens profundas, alentadas, que procuram esgotar um determinado assunto.

José Roberto de Toledo: É mais fácil definir jornalismo investigativo pelo que ele não é: não é entrevista quebra-queixo, resumo de release, declaração de autoridade, curadoria de noticiário alheio. Investigar é procurar informações inéditas e socialmente relevantes, contextualizá-las no tempo e no conjunto de outras informações e contar uma boa história. Não precisa ser apenas sobre corrupção, não precisa mandar ninguém para a cadeia nem derrubar ministro. 

E para você? O que é jornalismo investigativo? 

Responda para a Abraji aqui 

O silêncio da Abraji na misteriosa prisão de Ricardo Antunes prova que não existe jornalismo investigativo no Brasil. Informe biográfico do Leitura Crítica: Ricardo Antunes, jornalista com especialização em jornalismo político pela UNB – Universidade de Brasília e pós-graduação na Universidade de Georgetown em Washington D.C. (EUA). Foi repórter dos principais jornais de Pernambuco e Brasília, tendo dirigido a sucursal do Jornal do Commercio na capital federal. Consultor de várias empresas públicas e privadas, se tornou especialista em comunicação de negócios e colaborador da Revista Brasileiros (SP) do jornalista e ex-ministro Ricardo Kostcho. Faz parte da Associação de Jornalistas Investigativos.  Colunista e comentarista de política do portal Leitura Crítica. Confira 

Se Ricardo Antunes faz parte da Abraji, esta associação não pode ficar calada diante da misteriosa prisão de um dos seus membros. O noticiário que existe foi plantado por realese da polícia do governador Eduardo Campos, e repetido por todo o Brasil, no dia da prisão, 5 de outubro, e no dia seguinte. Foi o maior esquema armado de cobertura de  mensagem instantânea, e baseada em uma única fonte. A polícia, fonte suspeita, por que interesseira e exclusiva, não é a dona dessa rede de informação. Tem que ser coisa de agência de publicidade ou de agência secreta de informações tipo bicheiro Cachoeira, que paga jornalistas “chaves” em diferentes empresas.  Repetindo: tudo que foi publicado “se limita ao declaratório”.

Compete a Abraji expulsar ou apoiar Ricardo Antunes. Pare renegá-lo precisa investigar: que notícia vale um milhão de dólares; como uma pessoa pode ser presa e, em menos de uma hora, todos os mcm noticiarem a ocorrência como se Ricardo Antunes fosse uma celebridade.

Prisão incomunicável de jornalista é coisa de ditadura. Brutal censura. Nem fala Ricardo Antunes. Nem qualquer advogado. O blogue de Ricardo nada noticia desde o dia da prisão. Essa mordaça tem nome. É um  atentado contra a liberdade de expressão. Constitui uma ameaça ao jornalismo investigativo.

Por que Ricardo está encarcerado em um presídio de segurança máxima? A Abraji conhece Ricardo. Trata-se de uma pessoa pacífica, que jamais andou armada.

Talvez tenha sido “cantado” para engavetar uma reportagem, e aceitou. Gravaram parte da negociação que ora é apresentada como extorsão ora como chantagem. Vender notícia não é crime. Caracteriza falta de ética profissional. Motivo para ser expulso da Abraji. Jamais ser preso.

Se existe uma reportagem que vale um milhão de dólares (preço exorbitante e que deve entrar no Guinness World Records), sua divulgação desperta a curiosidade de qualquer leitor e o desejo de todo jornalista descobrir tal fato ou ato, notadamente quem faz jornalismo investigativo.

 

Jornalista Ricardo Antunes preso. Policarpo Júnior, diretor da Veja, solto

Andressa Alves Mendonça de Moraes, mulher de Cachoeira, foi indiciada por corrupção ativa pela Polícia Federal por ter tentado chantagear o juiz Alderico Rocha Santos.

A notícia foi publicada no Globo no domingo e no portal G1, também da Globo, que protegeram tanto Veja, como Policarpo, assim como a Folha já havia feito no sábado.

“Segundo relato de Rocha Santos na época, Andressa esteve em sua sala e disse que havia um dossiê contra ele, envolvendo as pessoas cujos nomes foram escritos no pedaço de papel que ela entregou ao magistrado. De acordo com ofício enviado pelo juiz ao MPF, a tentativa de constrangimento tinha como objetivo ‘obter decisão revogando a prisão preventiva e absolvição’ de Carlinhos Cachoeira. Em troca, o suposto dossiê não seria divulgado pela imprensa”, diz a reportagem.

Ao sugerir a publicação do dossiê, Andressa não falou de forma genérica na imprensa. Ela foi específica. Disse com todas as letras que o jornalista Policarpo Júnior era “empregado de Cachoeira” e que as denúncias contra o juiz seriam publicadas na revista Veja – e não em outro veículo. Portanto, se Andressa está indiciada, não há razões para que Policarpo não o seja. Até para que possa se explicar.

Ninguém defende Ricardo Antunes, preso pela polícia do governador Eduardo Campos por tentar “vender” uma noticia de um milhão de dólares (?) ao bacharel em Jornalismo Antônio Lavareda.

Extorsão, chantagem, censura, transformação da imprensa em balcão de negócios, assédio judicial, stalking da polícia e jornalismo marrom podem ser ou não ser crimes. Tudo depende das pessoas envolvidas. Ricardo Antunes é pobre. Um simples blogueiro. Preso permanece, incomunicável.

Polícia de Pernambuco fecha blogue político a sete chaves

Ricardo Antunes e a grana de Antônio Lavareda
Ricardo Antunes e a grana de Antônio Lavareda

A última notícia publicada no Leitura Crítica data de 5 de outubro último, às 15h47m, dia que o editor do blogue jornalista Ricardo Antunes foi preso. Confira

Não sei em que local Ricardo Antunes escreveu. Pegou um transporte, e partiu para um encontro marcado com o bacharel em Jornalismo Antônio Lavareda, para receber a primeira parcela das trinta prestações de uma “extorsão”.

Botou 50 mil reais em alguma capanga. Desceu o prédio e terminou pescado na rua pela polícia do governador. Ele e as notas marcadas. Cinquenta mil reais são quantos peixinhos azuis?

Quanto tempo levou Ricardo Antunes no trajeto redação-escritório de Antônio Lavareda-prisão na rua?

Quem mais veloz: Ricardo Antunes ou a polícia?

Recordando: Ele editou o blogue às 15h e 47m. Às 16h29m, Severino Bittencourt (confira) reproduzia o seguinte press release:

Instantaneamente esses foguetes, disparados pela polícia civil, foram publicados no Brasil inteiro. Blogues, portais, jornalismo on line, rádios, televisões. Tal rapidez talvez possa reacontecer com a morte de um figurão da República, de um artista global, de um jogador de futebol da seleção.

Não sabia que Ricardo Antunes era tão famoso! Disse a polícia que ele era dono de uma grande “rede de notícias”. Quando acredito que essa rede tem outro dono. Que Ricardo foi preso na antevéspera das eleições.

Um jornalista acusado de fazer “pedidos estranhos” sabe o valor monetário de suas notícias. Tanto que padece uma pobreza de Jó. Puro surrealismo cobrar um milhão de dólares. E muita burrice aceitar – coisa de chantagista mequetrefe, primário, insano –  o pagamento em 30 prestações.

Tão absurda essa história da prisão de Ricardo Antunes que merece um estudo psicossocial forence. Tão inacreditável que a Sorbonne não conseguiu fechar o inquérito. Por causa dessa demora – e falta de cobrança da imprensa vendida – Ricardo continua incomunicável em um cárcere de segurança máxima. Por ser um louco perigoso.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, afirmou nesta terça-feira que prefere a morte a cumprir uma pena de longa duração no atual sistema penitenciário brasileiro, qualificado por ele como ‘medieval’.

O que dizer do Aníbal Bruno, o pior presídio do mundo?

"Qualquer pessoa que negocia contra o relógio leva desvantagem." (Giampaolo Baglioni)

“Qualquer pessoa que negocia contra o relógio leva desvantagem.”
(Giampaolo Baglioni)

Ilustrações: Telas de René Magritte

Depois de trinta dias em silêncio, a imprensa vai censurar o novo cativeiro de Ricardo Antunes?

Amanhã (a imprensa irá noticiar?), a polícia do governador Eduardo Campos vai pedir mais trinta dias de detenção para o jornalista Ricardo Antunes, em presídio de segurança máxima, e incomunicável.

A polícia incompetente ainda não conseguiu descobrir:

1. Que notícia vale um milhão de dólares.
2. Não descobriu os nomes do senador, do deputado e do secretário de Estado que vinham recebendo “estranhos pedidos” de Ricardo Antunes.
3. Quais os jornalistas da “grande rede” de extorsão de Ricardo Antunes.

Esta imperícia dos mosqueteiros do “Imperador” foi reconhecida por um juiz, que afirmou ser “muito cedo” para conceder um habeas corpus para Ricardo Antunes.

Procurei na “grande rede”, e não encontrei nenhuma notícia favorável a Ricardo Antunes.

Veja só:

In Jornal do Comércio do Recife e Diário de Pernambuco:

“O jornalista pernambucano Ricardo Antunes, 51 anos, foi preso pela Polícia Civil de Pernambuco, nesta sexta-feira (5), por volta das 15h30 . Ele é acusado de tentar extorquir o cientista político e marqueteiro Antônio Lavareda”.

Preso às 15h30m.

Às 17h03m a detenção era divulgada pela Folha de Pernambuco.

Quase imediatamente no Acerto de Contas, que às 19h36m  registra um comentário do leitor Arthur Lima.

O Blogue do Cachorrão publicou às 16h29m. Isto é, uma hora depois.

Diário do Grande ABC, em São Paulo, às 17h45m.

Nunca vi uma notícia ser estendida tão rapidamente – prova de muito poder – na grande rede, e por todo o Brasil.

E a polícia informa que foi Ricardo Antunes quem montou uma “grande rede”. Isso não existe. Quem dorme nela é Antônio Lavareda. Todas as notícias publicadas são dos dias 5 e 6. Depois um trevoso silêncio. Suspeito silêncio, que classifico de cumplicidade. Que foi publicada apenas a suspeita versão da polícia.

Blogues, portais, jornais, revistas, rádios, televisões do Brasil noticiaram que Ricardo Antunes foi preso em flagrante. Mas não publicaram nenhuma foto. Nenhum testemunho. Foi uma prisão secreta. O processo corre em segredo de justiça. O segredo encobre tudo. Ninguém sabe o que Ricardo Antunes vem sofrendo.

Ensina a Wikipédia:

O termo flagrante é associado ao crime que está sendo concebido no momento em que autoridades policiais ou qualquer do povo podem visualiza-lo, e determinar a prisão sem necessidade de provas ou inquéritos.

A prisão em flagrante delito (espécie de prisão cautelar), mesmo que legal, não é suficiente para manter alguém preso durante todo o processo. Se nao estiverem presentes os requisitos da prisão preventiva ou estiverem presentes excludentes de ilicitude, deve ser concedida a liberdade provisória: verdadeiro direito público subjetivo (art. 310, CPP).

No Brasil, a prisão em flagrante é especificada pelo CPP (Código de Processo Penal) a partir do artigo 301. Pode-se considerar flagrante, segundo a legislação brasileira, quem está cometendo a infração penal ou acaba de cometê-la; é perseguido, logo após, pela autoridade, pelo ofendido ou por qualquer pessoa, em situação que faça presumir ser autor da infração e, ainda, é encontrado, logo depois, com instrumentos, armas, objetos ou papéis que façam presumir ser ele autor da infração.

Pode ser arbitrada fiança criminal no valor que o delegado achar necessário e de acordo com a gravidade do crime, se o crime for afiancável. Extorsão não é. Por ser comparado a sequestro. Tem que haver coersão física. Ricardo Antunes não anda armado. Quem foi preso por porte de arma foi Antônio Lavareda, em São Paulo, pela Polícia Federal.

Quando o infrator não possui defesa, ou seja, advogado, o delegado tem a obrigação de encaminhar cópia integral do flagrante delito para a Defensoria Pública do Estado. Até hoje se desconhece o nome do advogado de Ricardo Antunes. Deve ser alguém de poucas palavras. Ou nenhuma.

De acordo com o professor Aury Lopes Jr. a prisão em flagrante “não é uma medida cautelar pessoal, mas sim pré-cautelar, no sentido de que não se dirige a garantir o resultado final do processo, mas apenas destina-se a colocar o detido à disposição do juiz para que adote ou não uma verdadeira medida cautelar.” (LOPES JR, Aury. Direito Processual penal e sua conformidade com a Constituição. p.63).

Jornalistas poderão ter imunidade… para escapar da fúria da polícia, do assédio judicial, da censura antecipada

O novo Código Penal em discussão no Senado poderá dar mais garantias legais á atividade de jornalista no país.

A comissão de juristas que faz a atualização CPB aprovou a imunidade para os jornalistas não serem punidos ao fazer críticas: a partir do texto, o profissional de imprensa poderá emitir “opinião desfavorável” sem correr riscos de ser condenado por injúria ou difamação.

A proposta coloca a imprensa no mesmo patamar de críticos literários, de arte e ciência, que já têm essa mesma imunidade.

No caso, os crimes de injúria e difamação só serão levados em conta quando for comprovada a ”inequívoca intenção de injuriar ou difamar”.

– Nesses casos, o ônus da prova fica invertido: quem se diz ofendido é que terá que provar na Justiça que aquela crítica não é jornalística, que há outra motivação de má-fé – afirma o desembargador José Muiños Piñeiro, integrante da comissão.

O relator do grupo de juristas, procurador Luiz Carlos Gonçalves, disse que “a liberdade de imprensa compreende inclusive o direito de fazer uma manifestação crítica”.

A comissão de reforma do Código Penal é formada por 17 especialistas.

Caberá ao Senado a discussão, após conclusão do estudo.

FONTE: Marco Aurélio D’Eça/ Zezinho Casanova