Brasil ainda vive de explorar seus recursos naturais

por Guilherme Almeida

 

Tjeerd Royaards
Tjeerd Royaards

 

Brasil continua sendo uma colônia que vive da exploração de suas riquezas, ferro, petróleo, agricultura, papel, etc.

A empresa que mais patenteou produtos nos últimos 3 anos foi a Natura, cosméticos.

Hoje, ainda, pagamos “royalties” para sabonetes, sabão em pó e liquido, desodorantes, pasta de dentes, carros, geladeiras, maquinas de lavar, televisores, fio dental, etc. etc.

A única indústria que exporta alguma tecnologia é a Embraer. Mas, mesmo na Embraer alumínio aeronáutico, turbinas, reversores, trens de pouso, freios, aviônicos, resinas, etc. são importados.

E para exportar, dependendo do modelo de avião, precisamos pedir autorização aos americanos.

Copa, Olimpíada, ilusões e subdesenvolvimento no Brasil de hoje

Pedro Ricardo Maximino

 

banqueiros ganância povo pobre salário escravo capitalismo canabibalismo

A história econômica do Brasil, desde a sua formação, tem sido a história da dependência, do subdesenvolvimento, da infundada euforia e das crises e das falências, sempre penitenciando as classes que se formavam na base.

A concentração de renda nos remete ao ciclo da cana-de-açúcar, primeira atividade produtiva de elevada lucratividade, empreendida pelos portugueses com a sua experiência nas ilhas do Atlântico, em associação com os holandeses por meio do financiamento e da adequada distribuição.

Sua instalação permitiu a ocupação efetiva do território, mas não abriu espaço para um mercado interno, focava-se na mão-de-obra escrava, na grande propriedade voltada à exportação, na importação de insumos e de artigos de luxo e na remessa dos lucros para o exterior, sem viabilizar uma salutar circulação de riquezas.

A crise do próspero sistema produtivo açucareiro, oportunizada pela quebra do monopólio e pela redução drástica do preço no mercado internacional, delineou o caminho do retrocesso. O Brasil passa então a se concentrar na mineração, que viabilizou um débil mercado interno, com expansão da pecuária.

Mas a produção mineral também sofreu sua decadência e amargamos mais uma vez a crise típica do subdesenvolvimento e da cômoda concentração e da ausência de defesa dos interesses locais.

SEM OPÇÕES

Permanecíamos sem opções políticas para a industrialização e desenhávamos os caminhos da dependência econômica. A inferioridade técnica e a acomodação sempre estiveram presentes. Desde então, sucessivas crises e guerras internacionais geraram oportunidades, aproveitadas com relativo sucesso, mas local e limitadamente.

O algodão, o café e a borracha foram seguidamente desperdiçados como oportunidades históricas de desenvolvimento. A própria independência política custou caro e vinculou-se a acordos de privilégios para a Inglaterra.

A industrialização concentrada, limitada, tardia e de tecnologia e propriedade estrangeira (fontes de dependência e subjugação) representou mais uma oportunidade para o riquíssimo, mas assaltado, amarrado e espancado país. As amarras financeiras também funcionaram como armadilhas, bem como a importação excessiva, inclusive ideológica, sem a devida adaptação, desconstruindo as perspectivas de autonomia e defesa dos interesses nacionais.

RODOVIAS

A opção rodoviária, cara e ineficiente, também faz parte desse jogo de enriquecer os outros, traindo a sua própria pátria. O colapso educacional e ausência da saúde educativa (preventiva) também são ferramentas para o enfraquecimento e derrota da pluripotente nação, condenada à condição de colônia dos novos tempos.

Por intermédio de uma integração inspirada nos textos de Celso Furtado, podemos inferir que o momento atual repete mais uma vez a um ciclo de oportunidades externas, com preços elevados para as exportações, mas com a economia sujeita à extrema cobiça internacional e à frouxidão corrupta, com graves problemas de infraestrutura, bolhas de crédito e juros ainda exorbitantes para um mercado interno louvável, mas ainda bastante limitado.

A venda de ilusões para os incautos, com a Copa do Mundo e a Olimpíada, em meio à  incompetência gerencial, sobrecarga tributária, desperdício estatal, falta de planejamento e crescimento das importações por manutenção da dependência tecnológica – enfim, prepara-se para o próximo período de crise internacional, e o maior preço sempre foi e será pago pelas populações mais pobres dos países fraudulentamente subdesenvolvidos.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

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Eis uma campanha que merece nosso apoio: dedicar 0,7 % do imposto de renda à ciência. Exportação de cérebros

 

 

 

Uma campanha que teve início na Espanha. Veja no Actuable.

Quanto os Governos Federal e estaduais investem na ciência? Deve ser zero. Que o Brasil é o país das fábricas e oficinas estrangeiras. Dos medicamentos importados. Dos hospitais de luxo com senzalas para a freguesia do SUS, para os aposentados e pensionistas da previdência dos pobres.

Ahora queremos que se nos unan todos los colectivos posibles.
Si formas parte o conoces gente de asociaciones, clubs, de matemáticos, físicos, biólogos,ingenieros o cualquier investigador de cualquier ámbito (natural o social) o agrupación ciudadana de otro tipo favorable a esta PNL,
¡haznos llegar un contacto!

La investigación y la innovación son pilares fundamentales para el desarrollo de una sociedad moderna.

La Ciencia es un camino hacia el conocimiento, pero no es sólo algo altruista; la Ciencia es útil y necesaria. Sólo mediante la investigación subvencionada desde el Estado pueden los científicos trabajar independientemente y en beneficio de la sociedad. España necesita a estos profesionales de alta cualificación trabajando en buenas condiciones en beneficio de nuestro país. Una inversión en alta tecnología colaboraría a que España se colocase entre la élite mundial.

Pois é, como o Brasil pode ser sexta potência sem cientistas?

Quando vai terminar a importação de cérebros brasileiros para os países do Primeiro Mundo?

O Brasil perde com a exportação de cérebros

O físico Fred Melo Paiva Francisco Antonio Doria, professor emérito da UFRJ, diz a “O Estado de SP” que o problema não é o apagão de energia elétrica, mas o apagão intelectual, desastre capaz de interromper qualquer projeto de desenvolvimento

Francisco Antonio Doria já tinha se cansado dos discursos sobre a perda de competitividade das indústrias brasileiras. Foi então que, diante do espetáculo dos que não cresceram, pediu a palavra:

“Temos tido um sucesso inesperado e certamente não desejado em outro aspecto de nosso comércio exterior: a exportação de cérebros”.

Ministros franziram a testa, empresários e sociólogos cruzaram olhares de interrogação.

Francisco foi em frente: contou primeiro a história de um doutor em física que foi dar aulas nos EUA, já tem o green card e deve se tornar em breve um cidadão americano.

Depois fez um relato pessoal da frustrada tentativa de conseguir uma bolsa para seus estudos na área de Lógica.

Terminou lembrando um personagem histórico que de tão esquecido ninguém na sala dava notícia de sua existência:

“Temos um precedente trágico. Peter Medawar, o Prêmio Nobel cuja cidadania brasileira o Brasil cassou. Trata-se de evitar, daqui a dez anos, um apagão intelectual que vai afetar a fundo o desenvolvimento do Brasil”.

Chico Doria, 60 anos, é doutor em Física pela UFRJ. Já foi, ele próprio, um cérebro tipo exportação – como pesquisador das Universidades de Rochester e Stanford, ambas nos EUA, resolveu os dois problemas matemáticos que o consagraram como grande nome da ciência no mundo.

Embora sua praia sejam os números, foi um dos fundadores da Escola de Comunicação da UFRJ nos anos 80, “quando sua proposta era a convergência entre exatas e humanas”.

Segue entrevista de dezembro de 2005, completamente atual, só que o cenário piorou.

Ele responde as seguintes perguntas:

Existe realmente uma perigosa evasão de cérebros para o exterior?

Além dos baixos salários, o que mais favorece a migração de cientistas brasileiros para o exterior?

Os motivos que fazem o Brasil ser mais atrasado do que, por exemplo, a Índia?

Quais os prejuízos dessa saída dos cientistas brasileiros para o exterior?

BRASIL HOJE 

Na entrevista (leia)  eis a útima pergunta, com uma resposta curta, mas que se tornou uma profecia realizada:

O senhor arriscaria uma projeção do país para o dia em que aqui não tivermos mais nenhum pesquisador?

– Voltaremos a exportar matéria-prima e importar manufaturados.