O povo brasileiro conseguiu ser menos pobre que o guatemalteco, o hondurenho e o colombiano

Toda notícia sobre as mazelas do Brasil sempre começa com um “porém”. Que somos uma potência mundial, mas… Pelo que foi noticiado, com a entrada da Venezuela, o Mercosul forma a quinta potência mundial. Inclusive desarmada.

De acordo com relatório da ONU divulgado hoje, o Brasil possui 37 milhões de pobres. Isso não é verdadeiro.

Metade da população vegeta no atraso, na miséria, com um rendimento mensal que não passa de 135 dólares. Cem milhões de brasileiros passam fome, residem em favelas, têm uma vida de cão de rua.

O Brasil é um dos países mais desiguais da América Latina – situando-se em quarto lugar, atrás apenas de Guatemala, Honduras e Colômbia.

Já a lista dos países como menor grau de desigualdade era composta por Costa Rica, Equador, El Salvador, Peru, Uruguai e Venezuela –este último com a melhor marca, registrando um índice de Gini de 0,41. O indicador, porém, supera o dos EUA e de Portugal (nação mais desigual da União Europeia), ambos com índice de 0,38.

 

O Brasil, em 1990, detinha o título de país com maior nível de iniquidade da América Latina”. Com 22 anos de privatizações das estatais e desnacionalizações de empresas, temos que aprender que essa de PIB mais rico não indica uma vida mais digna e feliz.

De acordo com o pesquisador Erick Vittrup, oficial principal de assentamentos humanos da ONU-Habitat, hoje existem 124 milhões de pessoas pobres vivendo nas cidades, o que equivale a cerca de 25% da população total da América Latina. Destes, 111 milhões moram em favelas.

A ONU considera como pobre quem vive com menos de US$ 2 por dia (cerca de R$4). Pobre ou miserável? “Se nada for feito para mudar esse panorama, em nível mundial, toda a população urbana de hoje, que corresponde a 3,5 bilhões de pessoas, vai morar em favelas, em 2050”, afirmou. Atualmente, 1 bilhão de pessoas vivem em favelas, em uma população global de 7 bilhões de pessoas.

O Brasil é o 14ª país da América Latina, segundo o relatório, com mais pessoas vivendo em favelas. No país, 28% da população (?) moram em comunidades com infraestrutura precária, a grande maioria em situação informal. O índice de moradores de favelas no Brasil é mais alto do que a média latino-americana, de 26%.

Êxodo rural: 86,53% da população brasileira vivem em cidades.

 

 

Conheça o mais generoso programa social brasileiro

Indignados e a crise: a revolta dos movimentos sociais na Europa 

Os indignados na EspanhaOs indignados na Espanha e no Galo da Madrugada no BrasilOs indignados no Galo da Madrugada

O ditador Castelo Branco, em 1964, cassou a estabilidade no emprego, e impôs, como compensação, o FGTS – Fundo de Garantia por Tempo de Serviço.

Líderes sindicais & partidos políticos & igrejas consideram o feito justo e democrático.

Não existe mais emprego fixo. Todo emprego passou a ser temporário. E precário. Que Fernando Henrique prosseguiu com o rasga da CLT – Consolidação das Leis do Trabalho. E Lula da Silva finalizou a empreitada.

Consolidação significa permanência, segurança, solidez. A CLT virou uma piada. Desconheço qualquer direito dos trabalhadores.

O Brasil possui mais de três milhões de exilados econômicos

espalhados pelos quatro cantos do mundo. São retirantes da fome, do desemprego, do atraso.

Realizam os serviços sujos e pesados do primeiro mundo. A maioria emigrantes ilegais, vítimas do racismo, do preconceito, dos assédios moral e sexual e da perseguição policial. Recebem abaixo do mínimo de cada país. Como escravos da globalização unilateral. Escravos voluntários. Esta condição mostra a cara de um Brasil cruel.

Melhor ser escravo noutras terras. Que no Brasil das empresas desnacionalizadas

 O patrão é o mesmo. Mais desumano, pela condição de colono.

Esse êxodo constitui o nosso melhor programa social. Que o valor médio do Bolsa Família hoje, R$ 115, não passa dos 60 dólares. Os emigrantes mandam em média 250 dólares para o sustento dos pais, cônjuge e filhos no Brasil.

A esmola do Bolsa sustenta mais de 30 milhões de famílias, ou mais de 90 milhões de brasileiros, considerando uma estrutura nuclear mínima de três pessoas. O governo gasta R$ 16,5 bilhões por ano. Uma “extravagância”, um “esbanjamento”, criticam as elites e a imprensa conservadora.

Quanto o Brasil recebe dos emigrantes continua um dos segredos eternos do governo.

É melhor ser trabalhador ilegal no exterior, do que ter carteira assinada no Brasil. Carteira que perdeu a valia.

Acabou-se a semana inglesa, a santificação do domingo, as horas extras pagas em dobro. Não existe mais tempo para descanso.

O salário mínimo continua congelado, e as pensões e aposentadorias são degradantes

Na Matrix, os trabalhadores falam de crise. Um crise recente. “La crisis es estructural y responde a las contradicciones del sistema capitalista. También, en que estas contradicciones se han traducido en las últimas décadas en la agresiva implementación de políticas neoliberales que, entre otros efectos, han provocado una grave erosión de los derechos de los trabajadores y trabajadoras, han derivado en la devolución de una parte importante de la reproducción y el cuidado a las familias (léase mujeres), han disminuido la participación de los salarios en las rentas estatales y han facilitado la reducción de las inversiones productivas y la desregularización del mundo financiero”.