Jornalistas mineiros denunciam “ação golpista e antinacional” da imprensa conservadora

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do Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais, enviado por Eliara Santana

Os ares da liberdade não estão circulando de forma desimpedida no Brasil.

Há pouco fôlego para o debate de ideias e menos espaço para o exercício meticuloso, criativo e responsável da busca da verdade.

O jornalismo, com sua tarefa civilizadora de consagrar o direito à informação, vem perdendo sua força em razão do domínio empresarial de um negócio em profunda crise de identidade por razões tecnológicas, econômicas e morais.

O setor deixou de lado suas bases históricas para se definir por meio de alianças cada vez mais incontestáveis com projetos econômicos liberais e de poder político conservador. O resultado tem sido uma perda de relevância do jornalismo. De fiador da liberdade a ator interessado, com visão particular de mundo, sociedade e política, a indústria da notícia ocupa hoje um lugar estranho à sua origem e razão de ser.

A realidade da divisão social foi transformada pela mídia em ambiente de doentia confrontação, que alimenta o golpismo contra a democracia real e estimula o ódio entre as pessoas.

A imprensa, nesse contexto, vem cumprindo a triste missão de desinformar para manipular melhor.

Os jornalistas, nessa hora nebulosa, precisam trazer seu raio ordenador: o sentido da verdade, a crença na pluralidade, a força do argumento contra o nivelamento rasteiro do pensamento único. O teste vigoroso da investigação jornalística, do conhecimento fundado nos fatos, do alimento à reflexão, da sensibilidade humana aos personagens da vida real.

É urgente a defesa das conquistas democráticas, com sua pletora de ideias dissonantes em livre e saudável embate, em lugar do autoritarismo dos colunistas orgânicos, homens e mulheres servis aos patrões, das repetições acríticas das análises prontas, e do silêncio constrangido. Ações deletérias que se armam a partir das mais torpes estratégias, como a mentira, o cinismo, a venalidade e a censura.

É hora do jornalismo responsável. Contra a lógica destrutiva do quanto pior melhor; em confronto com as simplificações que personalizam os problemas estruturais; em franco embate com a defesa do privilégio, do preconceito e da exclusão.

Um jornalismo feito com força moral para combater a corrupção em toda sua extensão. Com apuro técnico que desvele as antecâmaras de uma sociedade desigual e concentradora. Com ligações com o sentimento popular e as verdadeiras expressões de aprimoramento social e humano. Uma trincheira ética que todos reconheçam.

Para isso é preciso que se enfrentem grandes inimigos e estruturas seculares que construíram um dos mais lucrativos mercados do planeta que, se hoje claudica, não é por falta de privilégios, mas pela incapacidade de competir de forma honesta, já que foi nutrido em ambiente protegido. Uma flor de estufa que apodrece em praça pública. Mais que um sistema de ampliação de vozes, a imprensa brasileira confunde a voz do dono com o dono da voz.

Um setor que defende o mercado, mas que quer se eximir de seus controles. Que não aceita regulações nem mesmo quando exerce uma concessão pública por natureza precária e sujeita a renovações. Incapaz de compreender a dimensão pública do direito à informação. Que se arvora em cantar loas à competição enquanto luta ferozmente para manter privilégios na distribuição das verbas publicitárias públicas. Que, em ato repetido de má fé, confunde regulamentação com censura.

Uma indústria eivada de estereótipos, que não gosta do povo, que criminaliza a miséria, que promove o racismo e a violência contra minorias. Que parte de noções preconcebidas, que transforma ideologias em fatos, que vai ao mundo apenas para validar sua visão menor de realidade e seu desprazer em conviver com a diferença.

E nesse quadro de capitulação da imprensa conservadora diante dos poderosos, os jornalões e as cadeias de tevê e rádio lançam-se à mais implacável campanha de descrédito e desestabilização do governo da República. Não pelos seus possíveis erros, mas pelos seus muitos acertos. Os jornalistas denunciam mais essa ação golpista e antinacional da imprensa conservadora, explorando problemas conjunturais que o Brasil enfrenta (como de resto, tantos outros países), para a defesa de seus interesses e dos setores que representam.

É contra tudo isso que os jornalistas se unem em coro com a população brasileira. Pela liberdade de expressão, pela liberdade de informação, pela defesa da riqueza brasileira, na figura de sua maior e mais valiosa empresa, a Petrobras; pelos valores democráticos, pelos direitos humanos, contra todas as formas de golpe e de fascismo.

Um jornalismo de combate.

Um jornalismo de afirmação.

Jornalistas pela verdade.

Jornalistas por uma nova narrativa pública.

Jornalistas pela igualdade.

Jornalistas por um mundo mais humano.

Jornalistas pelo Brasil.

Casa do Jornalista, 8 de abril de 2015.

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Lula denuncia o Golpe de FHC e Moro

por Paulo Henrique Amorim

Lula, manda o PT ir ao CNJ contra o Moro!

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O Presidente Lula fez inspirado discurso – poderia ter citado e Dirceu e o Genoino entre os fundadores do Partido, mas ninguém é perfeito … – no aniversário do PT.

E, do seu jeito – parece a folha seca do Didi … – enfiou a faca nos peitos do Fernando Henrique, o Principe da Privataria, da compra da reeleição e do impeachment “mas não agora”.

E no presidente da República Morinha, que o PT deveria interpelar no Conselho Nacional de Justiça -, se tivesse …

Afinal, o tesoureiro do Partido dos Trabalhadores foi “conduzido coercitivamente” para Guantánamo, numa daquelas noites e dias trevosos.

Disse o Lula (mais claro é impossível !)

Nossos adversários não podem dizer qual é o seu projeto; porque é antinacional, contrário ao desenvolvimento, é um projeto que exclui milhões de pessoas do processo econômico e social.
Eles só podem atacar o PT e o nosso governo com as armas da irracionalidade e do ódio.

Não têm, nunca tiveram, autoridade para falar em nome da ética, mas é nesse campo que tentam desesperadamente nos atingir. Eles, que jamais investigaram a fundo uma denúncia de corrupção. Eles, que varriam escândalos para debaixo do tapete. Eles, que alienaram o patrimônio da Nação “no limite da irresponsabilidade”.

Foi o governo do PT que acabou com a impunidade que eles cultivaram por tanto tempo. Nenhum outro governo fez mais para combater a corrupção nesse País, conforme a presidenta Dilma deixou claro na campanha eleitoral.

Mas vejam o que está ocorrendo em torno da Petrobrás. Desde o início da campanha eleitoral, nossos adversários manipulam uma investigação institucional, com o objetivo de criminalizar o PT.

Esta investigação, como todas as outras iniciadas em nosso governo, deve ser levada até o fim, esclarecendo os fatos, apontando os responsáveis e levando seja quem fora a julgamento. É isso que a sociedade espera e é isso que vem ocorrendo nos governos do PT – ao contrário do que ocorria no tempo deles.

Mas estamos assistindo a repetição de um filme com final conhecido. Pessoas são acusadas, por meio da imprensa, com base em vazamentos seletivos de uma investigação à qual somente alguns têm acesso. Não há contraditório, não há direito de defesa. E quando o caso chegar às instâncias finais da Justiça, o pré-julgamento já foi feito pela imprensa, os condenados já foram escolhidos e bastará apenas executar a sentença.

Nossos adversários não se incomodam que essa campanha já tenha causado enormes prejuízos à Petrobrás e ao País. O que eles querem é paralisar o governo e desgastar o PT, a qualquer custo.

Mais uma vez eles falharam na tentativa de voltar ao poder pelo voto. Ao que tudo indica, não querem mais esperar outra derrota: partem claramente para a desestabilização, investem na crise, apostam no caos. Na falta de votos, buscam atalhos para o poder, manipulando a opinião pública e constrangendo as instituições.

Eles vão prestar contas à História sobre a maneira antidemocrática como vêm agindo.

Intolerável o domínio das finanças sobre os povos

Francisco denuncia o escândalo da especulação sobre os preços alimentares 

  Spiros Derveniotis
Spiros Derveniotis

Não se pode continuar a tolerar que os mercados financeiros governem o destino dos povos, em vez de os servir. E um dos efeitos mais nefastos é o escândalo da especulação sobre os preços alimentares, que se repercute gravemente no acesso à alimentação por parte dos pobres, denunciou o Papa durante o encontro com os participantes num congresso organizado pelo Pontifício Conselho «Justiça e Paz», recebidos na manhã de 16 de junho na sala Clementina.

«É urgente – frisou o Papa – que os Governos do mundo inteiro se comprometam a desenvolver uma ordem internacional capaz de promover o mercado do investimento a alto impacto social, de modo a impedir a economia da exclusão e do descartável».

Cristian Topan
Cristian Topan

‘Investir para os pobres’

O Papa Francisco recebeu em audiência ao fim da manhã desta segunda-feira os participantes no Congresso “Investing for the Poor” (‘Investir para os pobres’), como contribuição na busca de vias atuais e praticáveis para uma maior equidade social.

Nas palavras que lhes dirigiu, o Papa elogia antes de tudo esta iniciativa de investimento responsável e de solidariedade com os pobres e excluídos, que estuda formas inovadoras de investimento que possam trazer benefícios às comunidades locais e ao meio ambiente, para além de um lucro justo.

De fato, o ‘Impact Investor’ configura-se como um investidor consciente da existência de graves situações de iniquidade, profundas desigualdades sociais e dolorosas condições de desvantagem enfrentadas por inteiras populações. Refere-se sobretudo a institutos financeiros que utilizam os recursos para promover o desenvolvimento económico e social das populações pobres, com fundos de investimento destinados a satisfazer necessidades básicas relacionadas com a agricultura, acesso à água, possibilidade de dispor de alojamentos dignos e a preços acessíveis, bem como serviços básicos de saúde e educação.

Além disso, estes investimentos pretendem produzir um impacto social positivo para as populações locais, tais como a criação de postos de trabalho, o acesso à energia, a educação e o crescimento da produtividade agrícola e os retornos financeiros para os investidores são mais baixos em relação a outras tipologias de investimentos. Observou o Papa:

A lógica que impulsiona estas formas inovadoras de intervenção é aquela que “reconhece a ligação original entre lucro e solidariedade, a existência de uma circularidade fecunda entre ganho e dom … A tarefa dos cristãos é redescobrir, viver e anunciar a todos esta preciosa e originária unidade entre lucro e solidariedade. Quanto o mundo contemporâneo precisa de redescobrir esta bela verdade!”

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A economia da exclusão e do descarte

O Santo Padre considerou “importante que a ética reencontre o seu espaço na finança e que os mercados se coloquem ao serviço dos interesses dos povos e do bem comum da humanidade.

Não podemos tolerar por mais tempo que sejam os mercados financeiros a governar o destino dos povos, em vez de servir as necessidades destes, ou que alguns poucos prosperem recorrendo à especulação financeira, enquanto que muitos sofrem gravemente as consequências.

A inovação tecnológica  aumentou a velocidade das transacções financeiras, mas esse aumento só encontra sentido na medida em que se demonstra capaz de melhorar a capacidade de servir o bem comum.

Em particular a especulação sobre os preços alimentares é um escândalo que tem graves consequências para o acesso dos mais pobres à alimentação. É urgente que os Governos de todo o mundo se empenhem em desenvolver um quadro internacional susceptível de promover o mercado do investimento com elevado impacto social, de modo a contrastar a economia da exclusão e do descarte”.

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Por que os despejos no Brasil são com armas letais?

Imagem símbolo da Chacina de Pinheirinho
Imagem símbolo da Chacina de Pinheirinho

 

Todo despejo é desumano, e (pasmem!) tem que ser autorizado por um juiz.

O mundo civilizado condena os despejos involuntários, que jogam milhares e milhares de famílias nos quintos do inferno.

Nesta Copa do Mundo, governadores e prefeitos solicitaram – e foram prontamente atendidos pela justiça – a demolição de mais de 250 mil casas, no País dos Sem Teto.

Mas antes da Copa haviam despejos, rememore a chacina de Pinheirinho, comandada pelo presidente do maior tribunal do mundo, o de São Paulo, com 360 desembargadores. Isso para beneficiar um doleiro, um especulador imobiliário.

Depois da Copa os despejos continuarão, que o Brasil desconhece o que seja Justiça Social.

Todo lar é sagrado.

A sociedade e a família se parecem ao arco de um palácio; tiras uma pedra e tudo se derruba. El Talmud

Jesus, ao encarnar-se na casa de María e José, manifestou e consagrou a família como santuário da vida, e célula fundamental da sociedade. Juan Pablo II

 

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DESALOJO COM “ARMAS LETAIS”

Una jueza dejó en suspenso el desalojo de la toma por el desacuerdo entre la Metropolitana, que proponía la participación de efectivos con armas de fuego, y la Federal, que lo consideró “un atentado a la razón y una falla táctica”.

 

por Eduardo Videla
La Justicia porteña decidió dejar en suspenso el desalojo del asentamiento Papa Francisco, en Villa Lugano, ya que la Policía Metropolitana y las fuerzas federales no se pusieron de acuerdo en la forma de abordar el operativo: la fuerza porteña proponía que parte de sus hombres utilizaran armas letales, a lo cual se opuso la conducción de la Policía Federal. “No repetir experiencias trágicas ni senderos que ya se demostraron errados es un acto de racionalidad y de prudencia. No resulta un tema menor el desacuerdo respecto del empleo de armas de fuego en la ejecución de un desalojo de estas características”, evaluó la jueza María Gabriela López Iñíguez, haciendo expresa referencia a lo ocurrido en el Parque Indoamericano, en 2011, al rechazar un nuevo pedido de la fiscalía para que ejecute el desalojo. La jueza también rechazó, con durísimos argumentos, la pretensión de que la causa pase al fuero Penal nacional porque –según la fiscalía– se habrían cometido, además del delito de usurpación de las tierras, los de asociación ilícita, tenencia de armas e infracción a la ley de drogas, ilícitos sobre los cuales el fiscal “no ofreció ninguna prueba”.

López Iñíguez, jueza en lo Penal, Contravencional y de Faltas de la Ciudad, adoptó esas decisiones en respuesta a una doble presentación del fiscal Carlos Rolero: el funcionario pidió, por un lado, que se dicte una nueva orden de desalojo del predio tomado el 24 de febrero último, y por otro, le reclamó a la jueza que se declare incompetente, ante la posibilidad de que se hubieran cometido delitos que son de competencia de la Justicia nacional.

De acuerdo con el fallo, que difundió el Departamento de Información Judicial del Consejo de la Magistratura porteño, la jueza subrayó la necesidad de no frustrar el avance del proceso de desalojo pacífico del predio, en el cual trabaja su colega, la jueza en lo Contencioso Administrativo y Tributario Elena Liberatori. Esta magistrada dispuso realizar un censo habitacional en el predio tomado así como en la Villa 20, en el marco de la causa por el cumplimiento de la Ley 1770, de saneamiento y urbanización de ese barrio. El censo se llevó a cabo días atrás y arrojó que en predio tomado viven 1900 personas.

En la resolución, la jueza sostiene la existencia de una “contradicción” en el planteo de incompetencia impulsado por la fiscalía: por un lado, se pide el cambio en la calificación legal –de un delito de “usurpación”, de competencia local, a “asociación ilícita”, “estafas”, “extorsión”, y “malversación de caudales”, entre otros delitos de competencia de la Justicia nacional–, y por otro, a Marcelo Chancalay, el único detenido en la causa, se le imputa sólo el delito de usurpación del predio tomado a partir del 24 de febrero de 2014. “No logra comprenderse por qué (el fiscal) no intimó a uno de los principales imputados de la causa en orden a tales supuestos típicos. Esto sólo, a mi modo de ver, ya debería señalarnos que la pretendida incompetencia no puede tener favorable acogida, por resultar cuanto menos infundada y prematura.”

En la sentencia también se resalta que “el fiscal no ofreció ni una sola prueba” que sostenga la hipótesis de existencia de una asociación ilícita, y remarca que “ni los allanamientos; ni las escuchas telefónicas; ni la declaración del único imputado; ni los testigos que fueron escuchados (en general, de modo informal y sin control de las Defensas) abonan esta hipótesis”.

Para López Iñíguez, resulta “temeraria” la descripción de los hechos realizada por el fiscal, quien pretende un cambio de competencia argumentando que “dentro del predio existiría una violación a la Ley 23.737 (de drogas)” y que “no pude descartarse la autoría de alguno de los imputados en esos delitos” (ya mencionados). Para la jueza, los argumentos del fiscal son “una forma de derecho penal de autor basada en un prejuicio por pertenencia socioeconómica”.

Finalmente, la jueza abordó el pedido de libramiento de una nueva orden de desalojo, formulada por el fiscal el 13 de mayo, la misma fecha en la que se planteó la incompetencia. Sobre este punto, la magistrada menciona que en el Plan Estratégico diseñado por la Policía Metropolitana con miras a un operativo de desalojo, el jefe de esa fuerza, Horacio Jiménez, sostuvo que la “disponibilidad operativa” de la Metropolitana “está mermada en lo que respecta a recursos humanos con experiencia en equipos de combate”, por lo que se requeriría de “elementos suficientes y adecuados de otras fuerzas federales”, sin los cuales “esta manda judicial se torna inviable”. La jueza advierte que en su informe, la Metropolitana se refiere a las personas a desalojar como “el oponente”.

También se incorpora en la resolución la posición de las fuerzas federales que, en un dictamen técnico, desaconsejan el plan elaborado por la policía porteña. Para la Superintendencia de Seguridad Metropolitana de la Federal, constituye “un atentado a la razón y una falla táctica de ejecución portar ese tipo de armas” (letales).

Ante la falta de acuerdo, la jueza resolvió que dictará “una nueva orden de allanamiento”, cuya fecha quedará “supeditada a que se encuentren reunidas las condiciones para garantizar la vida y la integridad física de las personas”.

Papa: idosos não sofrem com a doença, mas com o abandono e a exclusão

Os idosos são as primeiras vítimas de uma lógica econômica que exclui e, às vezes, mata: é o que escreve o Papa Francisco na mensagem à Pontifícia Academia para a Vida, por ocasião dos seus 20 anos de atividade.

 

A mensagem, endereçada ao Presidente da Academia, Mons. Carrasco de Paula, recorda seu idealizador, o Beato João Paulo II, que instituiu o organismo com o Motu proprio “Vitae mysterium”. Como especificado neste documento, sua missão é mostrar aos homens de boa vontade que ciência e técnica contribuem ao bem comum se colocadas a serviço da pessoa humana e de seus direitos.

 

A seguir, o Pontífice comenta o tema da Assembleia em andamento nesses dias no Vaticano: “Envelhecimento e deficiência”.

 

“Com efeito, nas nossas sociedades se constata o domínio tirânico de uma lógica econômica que exclui e, às vezes, mata, da qual hoje muitas são as vítimas, a começar pelos nossos idosos”, escreve Francisco.

 

Citando sua Exortação Apostólica Evangelii gaudium, o Papa recorda que a cultura do descartável não somente explora e oprime, mas produz outro fenômeno: a exclusão. Os excluídos não são “explorados”, mas são “resíduos”, sobras. A situação sociodemográfica do envelhecimento revela claramente esta exclusão da pessoa idosa, principalmente se doente, deficiente ou vulnerável. “Com frequência, se esquece que as relações entre os homens são de dependência recíproca, que se manifesta em diferentes graus durante a vida e emerge de maneira mais evidente em situações de doença, deficiência e de sofrimento em geral.
Para o Pontífice, na base das discriminações e das exclusões há uma questão antropológica, do valor do homem e no que se baseia este valor – e a saúde não pode ser considerada um critério. “A falta de saúde ou a deficiência jamais são boas razões para excluir, ou pior, para eliminar uma pessoa; e a privação mais grave que os idosos sofrem não é o enfraquecimento do organismo e suas consequências, mas o abandono, a exclusão e a falta de amor.”
Francisco aponta a família como mestra de acolhimento e solidariedade, porque é em seu seio que se aprende a não cair no individualismo e a equilibrar as relações sociais. “O testemunho da família se torna crucial diante de toda a sociedade em reconfirmar a importância do idoso como sujeito de uma comunidade, que tem sua missão a cumprir”, afirma ainda o Papa, recordando que os anciãos são também “esperança dos povos”, contribuindo com sua memória e a sabedoria da experiência. E conclui:
“Queridos amigos, abençoo o trabalho da Academia para a Vida, muitas vezes difícil porque requer ir contracorrente, sempre precioso porque atento a conjugar rigor científico e respeito pela pessoa humana.”

A riqueza ao serviço de todos

Mensagem do Papa Francisco para o encontro de Davos

 

logo papal

Agradeço imensamente o seu gentil convite para me dirigir ao encontro anual do World Economic Forum, que, como de costume, se realizará em Davos-Klosters no final do corrente mês. Confiando que o encontro será ocasião para uma reflexão mais profunda sobre as causas da crise económica que atingiu todo o mundo nos últimos anos, gostaria de oferecer algumas considerações na esperança de que possam enriquecer os debates do Fórum e fornecer um contributo útil para o seu importante trabalho.

O nosso tempo é caracterizado por mudanças notáveis e progressos significativos em diversos âmbitos, com consequências importantes para a vida dos homens. Com efeito, «devem ser louvados os sucessos que contribuem para o bem-estar das pessoas, por exemplo no âmbito da saúde, da educação e da comunicação» (Evangelii gaudium, 52), assim como em muitos outros contextos da acção humana, e é preciso reconhecer o papel fundamental que a classe empresarial moderna desempenhou em tais mudanças epocais, estimulando e desenvolvendo os enormes recursos da inteligência humana. Contudo, os sucessos alcançados, apesar de terem reduzido a pobreza para um grande número de pessoas, com frequência levam também a uma difundida exclusão social. De facto, a maior parte dos homens e mulheres do nosso tempo ainda continua a viver uma precariedade diária, com consequências muitas vezes dramáticas.

Nesta sede, desejo evocar a importância que têm as diversas instâncias políticas e económicas na promoção de uma abordagem inclusiva, que tenha em consideração a dignidade de cada pessoa humana e o bem comum. Trata-se de uma preocupação que deveria caracterizar todas as escolhas políticas e económicas, mas às vezes parece só um acréscimo para completar o discurso. Quantos têm incumbências nesses âmbitos possuem uma responsabilidade específica em relação aos outros, particularmente aqueles que são mais frágeis, débeis e indefesos. Não podemos tolerar que milhares de pessoas morram de fome todos os dias, embora haja disponíveis quantidades enormes de alimentos, que muitas vezes simplesmente são desperdiçados. Ao mesmo tempo, não podemos ficar indiferentes diante dos numerosos prófugos em busca de condições de vida minimamente dignas, que além de não receber acolhimento, muitas vezes encontram a morte em viagens desumanas. Estou convicto de que estas palavras são fortes, até dramáticas, contudo elas pretendem acentuar, mas também desafiar, a capacidade que essa assembleia tem de influir. Com efeito, aqueles que com o próprio empenho e habilidade profissional, foram capazes de criar inovação e favorecer o bem-estar de muitas pessoas, podem oferecer um ulterior contributo, pondo a própria competência ao serviço de quantos ainda vivem na indigência.

Portanto, é preciso um renovado, profundo e amplo sentido de responsabilidade por parte de todos. «A vocação de um empresário — de facto — é um trabalho nobre, se se deixa interrogar por um significado mais amplo da vida» (Evangelii gaudium, 203). Isto permite que muitos homens e mulheres sirvam com mais eficácia o bem comum e tornem os bens deste mundo mais acessíveis a todos. Todavia, o crescimento na igualdade exige algo mais do que o crescimento económico, embora o pressuponha. Antes de tudo, requer «uma visão transcendente da pessoa» (Bento xvi, Caritas in veritate, 11), porque «sem a perspectiva de uma vida eterna, o progresso humano neste mundo permanece sem respiro» (ibid.). Por outro lado, requer decisões, mecanismos e processos que visem uma distribuição mais equilibrada das riquezas, a criação de oportunidades de trabalho e uma promoção integral dos pobres que não seja mero assistencialismo.

Estou convicto de que a partir de tal abertura à transcendência poderia formar-se uma nova mentalidade política e empresarial, capaz de guiar todas as acções económicas e financeiras na óptica de uma ética verdadeiramente humana. A comunidade empresarial internacional pode contar com muitos homens e mulheres de grande honestidade e integridade pessoal, cujo trabalho é inspirado e guiado por elevados ideais de justiça, generosidade e solicitude pelo autêntico desenvolvimento da família humana. Por conseguinte, exorto-vos a haurir destes grandes recursos morais e humanos, e a enfrentar este desafio com determinação e clarividência. Sem ignorar, naturalmente, a especificidade científica e profissional de cada contexto, peço-vos que façais de modo que a riqueza esteja ao serviço da humanidade e não a governe.

Senhor Presidente, queridos amigos!

Confiando que nestas minhas breves palavras possais encontrar um sinal de solicitude pastoral e um contributo construtivo a fim de que as vossas actividades sejam cada vez mais nobres e fecundas, desejo renovar os meus votos pelo feliz êxito do encontro, enquanto invoco a bênção divina sobre Vossa Excelência, sobre os participantes no Fórum, e também sobre as vossas famílias e actividades.

Vaticano, 17 de Janeiro de 2014

Rolezinho. Onde uma criança e um jovem negro devem passar as férias escolares?

Goiânia
Goiânia

Pela oferta de segurança e atrações, as crianças e jovens brancos da classe média – quando os pais não estão em férias no exterior, nas casas de campo ou de praia – vão ao shopping.

No Recife não existe passeio público, e quando um grupo de negrinhos e/ou negrinhas se reúnem na rua que mora, nas periferias da cidade, sofrem batidas policiais, as costumeiras pauladas e bolinagens.

Quanto mais afastado o lugar, mais violenta a abordagem da polícia. Isso o governo chama de patrulha nos bairros.

Que espaço urbano, os prefeitos e governadores oferecem para rolar os rolezinhos dos negros neste Brasil em que nada se faz que preste para o povo?

Rolezinho jovem permitido
Rolezinho jovem permitido

ROSANA PINHEIRO MACHADO (professora de antropologia na Universidade de Oxford)

“De racismo cordial e velado não temos nada”

Roseana Pinheiro Machado
Rosana Pinheiro Machado

O rolezinho é um evento de jovens da periferia que se reúnem para passear nos shoppings das cidades, cantar funk e se divertir. Em grupo, os jovens da periferia sempre foram aos shoppings. Não é um processo novo, a não ser em sua dimensão e intencionalidade. Mas o rolezinho hoje é muito mais do que isso: é um dos mais importantes fenômenos da sociedade brasileira, não pelo evento em si, mas pelo seu poder de reação, entre amor e ódio. Poucas vezes tivemos um momento tão especial para pensar o Brasil como agora por tudo que isso traz à tona.

É muito difícil dizer se são protestos conscientes. De alguma forma todos são. Há uma reinvindicação clara de ocupar espaços urbanos privilegiados, de marcar presença. É um basta na invisibilidade. Toda a marcha, em maior ou menor medida, é uma reivindicação ao “direito à cidade”, como diria o filósofo francês Henri Lefebvre.

É um evento político consciente que tem relação com outras práticas da periferia, como as pichações, que tem por objetivo marcar os espaços e transmitir uma mensagem. Mas o grau da intencionalidade é impossível definir: ele varia de grupo para grupo, de cidade para a cidade.

O resultado político do rolezinho, no entanto, é muito interessante, seja pelo ponto de vista de como ele reflete a sociedade brasileira, seja como esse reflexo volta para os grupos, que se vão dando conta do tremendo papel político que desempenham. É evento vinculado ao culto ao consumo de ostentação. Nesse sentido, é importante evitar romantizações de que se trata de um evento de luta de classes de esquerda. Por outro lado, o resultado disso se assemelha a um processo muito semelhante, em que as camadas populares descem o morro e tomam conta de espaços que lhes foram negados. Ai então a sociedade reage, com raiva e rancor. A periferia sente na pele a exclusão, sente que não é benvinda e assim vai tomando cada vez mais conta de seu papel político.

A programação desses jovens não é nada novo também. Pelo Orkut ou pelo Facebook, jovens da periferia sempre se reuniram para passear, como acontecia no caso dos “bondes” que, pelo Orkut, se encontravam nos shoppings e nas praças. Eles se reúnem porque isso faz parte dos processos de pertencimento peculiares à cultura juvenil de grupos urbanos.

Se levarmos em consideração que o rolezinho é um processo e não algo novo, fica difícil perceber relação direta com os eventos do ano passado. No entanto, é claro que essa atmosfera de um Brasil injusto, que não pode mais se calar, acaba afetando e dando uma nova dimensão ao fenômeno. Ele vem a calhar em um momento em que a sociedade brasileira está se dividindo. De um lado, uma parte da população tem se revelado preconceituosa, racial e socialmente, e vem a pedir maior repressão (infelizmente essa massa vem de todas as classes sociais). Isso não é novo. Apenas isso está ficando evidente para mostrar ao mundo que de racismo cordial e velado não temos nada: temos um sistema cruel e perverso. De outro lado, onde eu acredito que está a grande maioria da população, tem uma parte esperançosa, cansada e sedenta por democracia. Essa parte é a mesma que apanhou da polícia em junho de 2013, que defende as populações indígenas, que é contra as remoções forçadas da Copa e que, finalmente, entende que os jovens da periferia tem o direito de ir e vir. ((Transcrito El País, Espanha)