O poder global sai do ocidente, para os países BRICS

Futura Nova Ordem Mundial? Não. Ela já está aqui

 

time-new-world-order.si.si

 

por Bryan MacDonald, Russia Today
Time for a “new world order?” No, it’s already here
Traduzido pelo pessoal da Vila Vudu

 

Putin falou da necessidade de uma “nova ordem mundial”, com o objetivo de estabilizar o planeta. Para ele, os EUA já abusaram demais, no papel de líder global. O que pouco se noticia, contudo, é que os pilares que sustentavam aquela velha ordem vêm ruindo há anos.

Antes, era tudo tão simples! O mundo estava dividido em dois campos: o ocidente e o resto. E o Oeste, o ocidente, era de fato o melhor. Há 20 anos, seis das maiores economias do planeta estavam integradas ao mundo pró-Washington.

O líder, os próprios EUA, estavam tão à frente, que o PIB, ali, era mais de quatro vezes maior que o da China e nove vezes maior que o da Rússia.

O país mais populoso do mundo, a Índia, tinha quase a mesma renda bruta que os comparativamente minúsculos Itália e Reino Unido. Qualquer noção de que a ordem mundial mudaria tão dramaticamente em apenas duas décadas soava como piada.

A percepção ocidental era que China e Índia eram atrasadas e se passaria um século antes que se tornassem concorrentes. A Rússia era vista como uma espécie de lata de lixo, de cócoras e governada pelo caos. Nos anos 1990s, boa parte disso tudo, sim, fazia algum sentido.

Aqui, um resumo da economia mundial, nos anos 1990s e hoje:

Maiores Economias, pelo PIB, ajustado por paridade do poder de compra (PPC) Fonte: Banco Mundial

 

1995 (PIB em bilhões de USD) 

EUA 7,664
Japão 2,880
China 1,838
Alemanha 1,804
França 1,236
Itália 1,178
Reino Unido 1,161
Indonésia 2,744
Brasil 1,031
Rússia 955

2015 (PIB estimado pelo FMI)

China 19,230
EUA 18,287
Índia 7,883
Japão 4,917
Alemanha 3,742
Rússia 3,643
Brasil 3,173
Indonésia 2,744
França 2,659
Reino Unidos 2,547

 

Crepúsculo dos EUA

Hoje, a piada é o ocidente. O Fundo Monetário Internacional (FMI) estima que, em 2015, quatro das principais economias do mundo estarão incluídas no grupo hoje conhecido como BRIC: Brasil, Rússia, Índia e China. A China substituirá os EUA como lobo guia da matilha. Pode até já ter acontecido: os números da economia sempre aparecem depois dos fatos da economia.

A Itália, a doente da Europa, já saiu dos “10 mais”; e o Reino Unido mal se mantém pendurado, por mais que Londres continue a ser promovida como poderoso centro financeiro. Só criancinhas, na Inglaterra, ainda creem nisso. O Reino Unido está convertido numa Julie Andrews da geopolítica – estrela que se vai apagando, depois de ter luzido com tanto brilho. A França é impotente, saltando de crise em crise, sempre com novas trapalhadas, até voltar a mergulhar em nova crise.

Ainda é cedo para descartar completamente os EUA. O império não se acabará assim, do dia para a noite, mas o sol já está bem baixo no horizonte. É menos culpa dos EUA e, mais, resultado da perda de importância relativa de seus tradicionais aliados.

De fato, os únicos aliados dos EUA que ainda se seguram são Alemanha e Japão – nenhum dos quais é ator militar importante. Grã-Bretanha e França foram, por muito tempo, fornecedoras da carga pesada para aventuras marciais. Verdade é que a Alemanha não é parceira lá muito entusiasmada, porque grande parte da classe política em Berlim tem sérias dúvidas quanto ao poderio dos EUA. Muitos, na intelligentsia alemã, sentem que seu aliado natural é Moscou, não Washington.

O crescimento na importância dos BRICs e de outros países emergentes têm implicações imensas sobre o consumo, os negócios e os investimentos globais. Em 2020, pelas estimativas do FMI, a economia russa já terá ultrapassado a alemã, e a Índia terá deslocado, do quadro, o Japão. O mesmo FMI também prevê redução na fatia global dos EUA, de 23,7% em 2000, para 16% em 2020. Em 1960, os EUA representavam 38,7% da economia mundial. A China, por sua vez, mal chegava a 1,6%; no final dessa década, a China já terá chegado a 20%. O mundo não conhece mudança tão forte, em prazo tão relativamente curto.

 

A importância da estabilidade

O discurso de Putin no Valdai Club [em ing., no blog do Saker; (NTs)] não foi estocada no escuro. Vê-se ali compreensão nuançada sobre onde está o equilíbrio global hoje e em que direção andará nos próximos anos. A hegemonia dos EUA sempre se baseou no fato de que, com os seus aliados, os EUA controlavam o cerne do comércio global, além de sempre empunharem um gordo porrete militar. Isso, hoje, é história.

Mas a imprensa-empresa ocidental, em vez de aprofundar a discussão proposta por Putin, pôs-se a chutar as canelas do artista, em vez de chutar a bola. Muitas colunas apresentaram o discurso como “diatribe” e assumiram que Putin só teria focado a política exterior dos EUA, que, na opinião dele, seria anti-Rússia [1]. Nada mais longe do que realmente importa.

A preocupação de Putin é reencontrar e manter a estabilidade e a previsibilidade, exatamente a antítese do neoliberalismo ocidental moderno. Na verdade, a posição de Putin aproxima-se mais de outras visões para promover a ordem mundial, que brotaram da União Democrática Cristã [al. CDU] de Konrad Adenauer na Alemanha e dos Tories britânicos de Harold Macmillan – do conservadorismo europeu clássico.

Putin é quase sempre mal compreendido no ocidente. Suas declarações públicas, orientadas sempre mais para a audiência doméstica que para a grande vitrine internacional, não raro soam agressivas, quase chauvinistas. Mas os observadores bem fariam se não esquecessem que Putin é grande-mestre de judô, cujos movimentos são calculados para confundir e desequilibrar o adversário. Se se leem as entrelinhas, o presidente russo está interessado em engajamento, não em isolamento.

O presidente da Rússia vê seu país como parte de uma nova alternativa internacional, unido a outros países BRICs, para conter, onde seja possível, a agressão pelos EUA. Para Putin, conter a agressão norte-americana é necessário, para chegarmos à estabilidade mundial. Adenauer e MacMillan teriam compreendido exatamente isso, imediatamente. Mas líderes europeus e norte-americanos contemporâneos já não entendem nada. Embriagados pela dominação que exerceram durante os últimos 20 anos, ainda não lhes caiu a ficha, de que a ordem global já está em mudança e mudando rapidamente.

O modo como os EUA reajam à nova realidade é elemento vital do processo. Em dinâmica própria das histórias em quadrinho, o discurso de Washington só sabe focar a Agência de Segurança Nacional, correria de espiões para lá e para cá, governos “sombra”, um patético, desentendido 4º estado, aquela gigantesca força militar jamais usada produtivamente para nada e ninguém, e um crescente, aterrorizante nacionalismo.

Tanta imbecilidade juvenil-adolescente não vive sem um bandidão para chamar de seu. Em dez anos, o bandidão oficial dos EUA já passou de Bin Laden para Saddam; das batatas fritas na cafeteria do Congresso, para a russofobia. Se a elite norte-americana mantiver esse mesmo comportamento, a transição para um mundo multipolar pode não ser pacífica. Isso, sim, se deve temer, medo real.

 

Nota dos tradutores

[1] No Brasil, a imprensa-empresa apagou do universo essa fala de Putin. Foi como se não tivesse acontecido. O jornal o Estado de S.Paulo, que muito provavelmente é o PIOR jornal do mundo, publicou, sobre esse discurso, o que se pode ler (mas não vale a pena) em “Putin culpa ocidente por crise na Ucrânia e nega formação de império pela Rússia”, o que seria cômico, não fosse tão ridículo.

 

como-vai-ser-terceira-guerra-mundial-citacao

CRITICAS DESDE CHINA. “Con el ciberespionaje se desmorona la apariencia de libertad y democracia en Estados Unidos”

Una nota editorial de Xinhua, la agencia oficial de noticias de China, dio hoy la bienvenida a Edward Snowden, el técnico que informó sobre el espionaje en Internet de los servicios secretos de Estados Unidos, descartando la posibilidad de que lo extraditen a su país natal.

China

“Esa gente es demasiado brillante como para que sean encerrados”, escribió Xinhua refiriéndose a Snowden, al que comparan con el informante de WikiLeaks Bradley Manning y el fundador de la famosa web de filtraciones, Julian Assange.

“Todos ellos están a favor de la lucha contra el sistema”, agregó.

Snowden, ex empleado de la CIA y de una empresa que trabajaba para la Agencia de Seguridad Nacional (NSA) estadounidense, se encuentra actualmente en Hong Kong, una región administrativa especial de China.

“La apariencia de Estados Unidos de `democracia, libertad y derechos humanos` se desmorona”, apuntó Xinhua. “Estados Unidos defiende sus programas de vigilancia mientras sigue acusando a otros países, incluido China, de realizar ciberataques”, agregó la agencia.

El caso de espionaje “muestra la hipocresía y arrogancia de Estados Unidos”, afirmó por su parte el diario chino Global Times, según refleja la agencia de noticias DPA.

El diario afirma además que “el gobierno chino debería recibir más información de peso por parte de Snowden, si es que la tiene, para utilizar las pruebas en negociaciones con Estados Unidos”.

Según afirmó Snowden en entrevista al diario hongkonés South China Morning Post, la NSA intentaba desde 2009 tener acceso a miles de objetivos en China y Hong Kong.

EUA lançam 2000 ratos tóxicos para combater praga de cobras em Guam

serpiente-guam-

 por Fátima Mariano

A força aérea dos EUA vai lançar nos bosques de Guam dois mil ratos infetados com uma substância mortal para evitar a expansão de cobras que têm destruído a fauna da ilha norte-americana no Pacífico, informou hoje a agência de notícias espanhola EFE.

A missão na ilha de Guam terá lugar entre abril e maio e consiste no lançamento de ratos mortos aos quais foram anteriormente administrados em cada um deles 80 miligramas de paracetamol, mortal para as cobras castanhas arborícolas, que atingem até três metros de comprimento e cujas populações se tenta controlar.

Para evitar que outros animais também sejam envenenados, os ratos serão lançados “um a um” numa espécie de míni-paraquedas que ficam presos nas árvores onde as serpentes habitam, afirmou o biólogo da base militar dos EUA Jesse Guerrero, citado pela agência espanhola EFE.

Segundo os peritos, este réptil, proveniente na costa nordeste da Austrália e da ilha de Papua, é responsável pela extinção de nove das 12 espécies de aves autóctones de Guam e chegou ao país nos navios da Marinha dos Estados Unidos da América (EUA), durante a II Guerra Mundial.

Além das consequências para o ambiente, o Governo local está preocupado porque não consegue evitar que as cobras entrem em instalações elétricas e causem problemas de abastecimento de energia.

Segundo os especialistas, cerca de 2 milhões de cobras castanhas arborícolas habitam nos 541 quilómetros quadrados de Guam.

Na já denominada “ilha das cobras”, a ausência de predadores naturais para este réptil e a abundância de alimentos têm levado ao incremento desta espécie, onde há entre 50 a 100 cobras castanhas arborícolas por hectare.

Alguns roedores, além de infetados com um veneno mortal que dura 72 horas, também vão usar um sistema de transmissão de rádio para acompanhar os movimentos das cobras antes da sua morte.

Os pesquisadores americanos que desenvolveram este teste em Guam pretendem medir o sucesso da missão nos próximos 14 meses e preparar novos projetos para combater o flagelo desta espécie de réptil, cujo veneno não é letal em humanos.

Daniel Vice, do departamento americano de agricultura e da vida selvagem para o Havai, Guam e Ilhas do Pacífico, afirmou ao jornal Pacific Daily News que os organizadores querem “ter a certeza” de que estão a fazer o procedimento correto.

A operação militar tem um orçamento de 1 milhão de dólares (cerca de 770 mil euros), financiados pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos e aprovado pela Agência de Proteção Ambiental americana.

Em Guam, ex-colónia espanhola até 1898 localizada a sul das Ilhas Marianas, no oeste do Oceano Pacífico, vivem 160 mil pessoas com passaporte norte-americano, sendo um território associado não incorporado nos EUA.

A principal atividade económica da ilha é o turismo, tendo ainda importância para os EUA enquanto ponto estratégico militar na região.

 

Cannabis as an investment. A perseguida no Brasil rende uma grana legal nos Estados Unidos

The audacity of dope

images2

O financiamento da indústria de cannabis assenta em duas coisas. A primeira, a sua escala.  A maconha já é um negócio estabelecido. Avaliado, no mercado norte-americano, em US $ 50 bilhões.
A segunda, o status legal da droga continua confuso, embora a maconha medicinal é legal em 18 estados e no Distrito de Columbia.  
Suprimir náuseas, uma das principais razões porque a maconha é usada por pacientes com câncer submetidos à quimioterapia.
***
yes-we-cannabis
BRENDAN KENNEDY received an engineering degree, started a software firm and sold its assets to Boeing, studied for a Yale MBA and then joined a Silicon Valley bank reviewing new-business proposals. His latest venture takes a sharp turn off the beaten path. Mr Kennedy has become an investor in the marijuana business.

The business case for funding the cannabis industry rests on two things. The first is its scale. Many of the novel ideas Mr Kennedy appraised during his job in Silicon Valley, from electric cars (Fisker and Tesla) to daily coupons (Groupon), had potentially large markets. Marijuana is already an established business. After six months of research and interviews with growers, dispensaries, trade publications and political organisations, Mr Kennedy believes the American market to be worth $50 billion.

The second is that despite its heft, the cannabis industry operates like, well, a grass-roots movement. The drug’s legal status is messy: although medical marijuana is legal in 18 states and in the District of Columbia, cannabis is illegal elsewhere in America. For social reasons, too, the industry is unfinanceable through normal channels. People in the business lack expertise in everything from branding to staffing.

Data are scarce. Formal benchmarks for quality, such as tests for the presence of contaminants including mould, mildew and pesticides, do not exist. Neither do proper classifications for the different varieties of the drug. Thousands of strains of cannabis can be grown, many with odd names like Apollo 11, Sour Kush, Broke Diesel and the less-than-mellow Chernobyl. Characteristics vary, too. Some strains depress; some stimulate; some suppress nausea, a key reason why marijuana is used by cancer patients undergoing chemotherapy. Consumers cannot compare what is legally produced in California with what is legally produced in Colorado— to say nothing of what is illegally sold in New York’s Washington Square Park (where a small army of salesmen all have the same patter: “Smoke. The good stuff”).

At first, Mr Kennedy wanted to create a cannabis-focused venture-capital fund but concerns about legal liabilities, as well as a desire to take majority stakes in portfolio firms, led him and a few partners to set up a different sort of fund, called Privateer Holdings. Its first investment is a website, Leafly, which offers user reviews on dispensaries and varieties of cannabis. An app was created for both Android and iPhones and there are now 50,000 downloads a month (for the forgetful, the password hint is “favourite strain”). Work is proceeding on how to add information on things like each variety’s content of tetrahydrocannabinol (THC), the active chemical in cannabis.

Mr Kennedy says Privateer has received over 200 investor pitches since November: potential acquisitions include a testing lab and a clothing company. The fund is now raising another $7m privately, and a public offering is possible once the Securities and Exchange Commission finalises new rules on “crowd-sourced funding” and small public flotations. That will write a new chapter in the story of high finance.

The Economist

us_policy_medical_marijuana

EUA: Um registro raro e cruel

guerra deserto, EUA, indignados

* Jimmy Carter (The New York Times)

Revelações de que altos funcionários do governo dos Estados Unidos decidem quem será assassinado em países distantes, inclusive cidadãos norte-americanos, são a prova apenas mais recente, e muito perturbadora, de como se ampliou a lista das violações de direitos humanos cometidas pelos EUA.

 Carter, um exemplo de homem público

Esse desenvolvimento começou depois dos ataques terroristas de 11/9/2001; e tem sido autorizado, em escala crescente, por atos do executivo e do legislativo norte-americanos, dos dois partidos, sem que se ouça protesto popular. Resultado disso, os EUA já não podem falar, com autoridade moral, sobre esses temas cruciais.

Por mais que os EUA tenham cometido erros no passado, o crescente abuso contra direitos humanos na última década é dramaticamente diferente de tudo que algum dia se viu. Sob liderança dos EUA, a Declaração Universal dos Direitos do Homem foi adotada em 1948, como “fundamento da liberdade, justiça e paz no mundo”. Foi compromisso claro e firme, com a ideia de que o poder não mais serviria para acobertar a opressão ou a agressão a seres humanos. Aquele compromisso fixava direitos iguais para todos, à vida, à liberdade, à segurança pessoal, igual proteção legal e liberdade para todos, com o fim da tortura, da detenção arbitrária e do exílio forçado.

Aquela Declaração tem sido invocada por ativistas dos direitos humanos e da comunidade internacional, para trocar, em todo o mundo, ditaduras por governos democráticos, e para promover o império da lei nos assuntos domésticos e globais. É gravemente preocupante que, em vez de fortalecer esses princípios, as políticas de contraterrorismo dos EUA vivam hoje de claramente violar, pelo menos, 10 dos 30 artigos daquela Declaração, inclusive a proibição de qualquer prática de “castigo cruel, desumano ou tratamento degradante.”

FORA DA LEI

Legislação recente legalizou o direito do presidente dos EUA, para manter pessoas sob detenção sem fim, no caso de haver suspeita de ligação com organizações terroristas ou “forças associadas” fora do território dos EUA – um poder mal delimitado que pode facilmente ser usado para finalidades autoritárias, sem qualquer possibilidade de fiscalização pelas cortes de justiça ou pelo Congresso (a aplicação da lei está hoje bloqueada, suspensa por sentença de um(a) juiz(a) federal). Essa lei agride o direito à livre manifestação e o direito à presunção de inocência, sempre que não houver crime e criminoso determinados por sentença judicial – mais dois direitos protegidos pela Declaração Universal dos Direitos do Homem, aí pisoteados pelos EUA.

Além de cidadãos dos EUA assassinados em terra estrangeira ou tornados alvos de detenção sem prazo e sem acusação clara, leis mais recentes suspenderam as restrições da Foreign Intelligence Surveillance Act, de 1978, para admitir violação sem precedentes de direitos de privacidade, legalizando a prática de gravações clandestinas e de invasão das comunicações eletrônicas dos cidadãos, sem mandato. Outras leis autorizam a prender indivíduos pela aparência, modo de trajar, locais de culto e grupos de convivência social.

Além da regra arbitrária e criminosa, segundo a qual qualquer pessoa assassinada por aviões-robôs comandados à distância (drones) por pilotos do exército dos EUA é automaticamente declarada inimigo terrorista, os EUA já consideram normais e inevitáveis também as mortes que ocorram ‘em torno’ do ‘alvo’, mulheres e crianças inocentes, em muitos casos. Depois de mais de 30 ataques aéreos contra residências de civis, esse ano, no Afeganistão, o presidente Hamid Karzai exigiu o fim desse tipo de ataque.

Mas os ataques prosseguem em áreas do Paquistão, da Somália e do Iêmen, que sequer são zonas oficiais de guerra. Os EUA nem sabem dizer quantas centenas de civis inocentes foram assassinados nesses ataques – todos eles aprovados e autorizados pelas mais altas autoridades do governo federal em Washington. Todos esses crimes seriam impensáveis há apenas alguns anos.

TERRORISMO

Essas políticas têm efeito evidente e grave sobre a política exterior dos EUA. Altos funcionários da inteligência e oficiais militares, além de defensores dos direitos das vítimas nas áreas alvos, afirmam que a violenta escalada no uso dos drones como armas de guerra está empurrando famílias inteiras na direção das organizações terroristas; enfurece a população civil contra os EUA e os norte-americanos; e autoriza governos antidemocráticos, em todo o mundo, a usar os EUA como exemplo de nação violenta e agressora.

Simultaneamente, vivem hoje 169 prisioneiros na prisão norte-americana de Guantánamo, em Cuba. Metade desses prisioneiros já foram considerados livres de qualquer suspeita e poderiam deixar a prisão. Mas nada autoriza a esperar que consigam sair vivos de lá. Autoridades do governo dos EUA revelaram que, para arrancar confissões de suspeitos, vários prisioneiros foram torturados por torturadores a serviço do governo dos EUA, submetidos a simulação de afogamento mais de 100 vezes; ou intimidados sob a mira de armas semiautomáticas, furadeiras elétricas e ameaças (quando não muito mais do que apenas ameaças) de violação sexual de esposas, mães e filhas. Espantosamente, nenhuma dessas violências podem ser usadas pela defesa dos acusados, porque o governo dos EUA alega que são práticas autorizadas por alguma espécie de ‘lei secreta’ indispensável para preservar alguma “segurança nacional”.

Muitos desses prisioneiros – mantidos em Guantánamo como, noutros tempos, outros inocentes também foram mantidos em campos de concentração de prisioneiros na Europa – não têm qualquer esperança de algum dia receberem julgamento justo nem, sequer, de virem a saber de que crimes são acusados.

Em tempos nos quais o mundo é varrido por revoluções e levantes populares, os EUA deveriam estar lutando para fortalecer, não para enfraquecer cada dia mais, os direitos que a lei existe para garantir a homens e mulheres e todos os princípios da justiça listados na Declaração Universal dos Direitos do Homem. Em vez de garantir um mundo mais seguro, a repetida violação de direitos humanos, pelo governo dos EUA e seus agentes em todo o mundo, só faz afastar dos EUA seus aliados tradicionais; e une, contra os EUA, inimigos históricos.

Como cidadãos norte-americanos preocupados, temos de convencer Washington a mudar de curso, para recuperar a liderança moral que nos orgulhamos de ter, no campo dos direitos humanos. Os EUA não foram o que foram por terem ajudado a apagar as leis que preservam direitos humanos essenciais. Fomos o que fomos, porque, então, andávamos na direção exatamente oposta à que hoje trilhamos.

* Jimmy Carter é Prêmio Nobel e ex-presidente 
dos EUA. Matéria enviada por Sergio Caldieri.Transcrito da Tribuna da Imprensa

armas-eua-240712-cardow-humor-politico-internacional-580x399

O prêmio por denunciar a tortura: 30 meses de cadeia

por Paulo Nogueira (Diário do Centro do Mundo)

John Kiriakou, 48 anos, é um nome importante na história moderna dos Estados Unidos. Kiriakou, que chefiou o serviço americano de contraterrorismo no Paquistão depois do 11 de Setembro, foi a primeira voz a admitir o uso do waterboarding nos interrogatórios de suspeitos.

 John Kiriakou, um homem de verdade

E em consequência disso foi processado pelo governo americano. A sentença veio hoje: 30 meses de prisão. Numa mensagem no Twitter ele agradeceu a solidariedade. E pediu apoio a Bradley Manning, o soldado acusado de ter passado documentos secretos para o Wikileaks e que está sob  risco de receber pena de prisão perpétua.

Kiriakou se tornou assim o único agente da CIA condenado no capítulo da tortura sob o governo Bush — sem ter jamais torturado ninguém.

Waterboarding é uma forma de tortura que simula afogamento. Quando o tema veio à tona, em 2007, houve inicialmente, nos Estados Unidos, um debate sobre se era ou não tortura. Depois que o falecido colunista Christopher Hitchens se submeteu a uma sessão a pedido do editor da revista para a qual ele trabalhava, a discussão acabou. Hitchens suportou alguns segundos, e saiu massacrado da experiência.

O ESPIÃO RELUNTANTE

A vida de Kiriakou na CIA está relatada em seu controvertido livro de memórias, “O Espião Relutante”, lançado nos Estados Unidos em 2010. No livro, ele conta histórias como a de um afogamento simulado, no Paquistão, de um líder do Al-Qaeda. No dia seguinte a uma sessão de tortura aquática, o extremista disse que Alá apareceu em seu sonho e o aconselhou a colaborar com os inquisidores. (Depois se soube que foram mais de 80 sessões, e que as informações dadas eram mentirosas.)

Kiriakou se casou com uma colega da CIA, com quem tem cinco filhos. Sua mulher acabou sendo demitida depois que ele expôs o waterboarding e se tornou uma figura pública. Kiriakou deixou a CIA em 2004, depois de acumular dez prêmios por “desempenho excepcional”. Posteriormente ele teve trabalhos diversos, como o de consultor em terrorismo para uma rede de televisão, e hoje é sócio de uma empresa que calcula o risco político para investidores.

Vai-se formando um consenso segundo o qual o presidente Barack Obama vem perseguindo, como nenhum de seus antecessores, os chamados whistleblowers – as pessoas ou entidades que fiscalizam o governo, fundamentais no funcionamento de uma democracia.

Basicamente, Obama adotou a estratégia de classificar um número excepcional de documentos como confidenciais. Caso vazem, a caça a quem os trouxe à luz é intensa.

Kiriakou é um personagem a mais neste capítulo nada inspirador da administração de Barack Obama, o homem que prometeu mudar e fez mais do mesmo.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

 

Victoria Socialistas en Venezuela

ve_nacional.v

Un homenaje a Chávez y otra derrota de EEUU

 

por Patricio Montesinos

El abrumador triunfo del Partido Socialista Unido de Venezuela (PSUV) en las elecciones de este domingo en ese país constituyó sin duda alguna un merecido homenaje al Presidente Hugo Chávez, y otra derrota contundente en menos de dos meses para la derecha ultraconservadora latinoamericana y para sus patronos de Estados Unidos.

La victoria de los Socialistas en 20 de las 23 gobernaciones de esa nación fue además una respuesta contundente a declaraciones indignas del inquilino de la Casa Blanca, Barack Obama, sobre Chávez, quien se encuentra en proceso de recuperación en Cuba, luego de ser sometido a una compleja y delicada operación.

Venezuela volvió a propinarle otro duro guantazo a Washington que ha hecho lo imposible, a través de sus conocidos métodos de subversión, por lograr que las tradicionales fuerzas políticas neoliberales vuelvan al poder en ese estado de nuestra región, y se interrumpa la Revolución liderada por su actual mandatario.

El régimen norteamericano encabezado por Obama ya había sufrido otro contundente revés con el triunfo de Chávez en las elecciones presidenciales de noviembre pasado, en las cuales liquidó al candidato promovido y financiado por la Casa Blanca Henrique Capriles.

Tras los recién celebrados comicios regionales, el PSUV controla ahora más del 94 por ciento del territorio venezolano, lo que le permite consolidar el proyecto independentista y soberano emprendido por Chávez, y que se extiende hoy como pólvora por toda America Latina.

No es un secreto para nadie que la conquista de los Socialistas venezolanos constituye asimismo un espaldarazo a los procesos de cambios que tienen lugar en un grupo de países latinoamericanos, como Ecuador, Bolivia, Uruguay, Argentina y Nicaragua, por citar algunos.

Al mismo tiempo, es un importante empuje para la consolidación de la unidad regional a través de organizaciones integracionistas creadas en los últimos años, como la Alianza Bolivariana para los Pueblos de Nuestra América (ALBA), la Comunidad de Estados Latinoamericanos y Caribeños (CELAC), y El Mercado Común del Sur (MECOSUR).

De otro lado, la victoria del PSUV evidencia claramente el fortalecimiento del liderazgo de Chávez, no solo en su país, sino también internacionalmente, algo que le preocupa mucho a Washington, y que ha dejado claro, al apostar hasta por una eventual desaparición física del presidente.

Pero las muestras de solidaridad en todos los rincones del planeta hacia el mandatario venezolano y líder latinoamericano han opacado los deseos perversos del régimen de Estados Unidos, que una vez más ha demostrado que no tiene ni gota de humanidad, y carece totalmente de escrúpulos.