“Contra esse sistema … que há tanto nos oprime e tão pouco nos dá”

por Rafael Alves/ Jornal da USP livre

"E a juventude brasileira começa a despertar!", por Carlos Latuff
“E a juventude brasileira começa a despertar!”, por Carlos Latuff

 

Trabalhadores, punks, maloqueiros, marginais, vândalos, torcedores, partidários, moleques, senhoras, desempregados, favelados – oprimidos em geral, a maioria absoluta – faz-se extremamente necessário uma organização maior deste movimento – que começou com uma manifestação contra o aumento da passagem, organizada por poucos, e não tão atraente às grandes massas; transformou-se em um movimento de todos nós, agrupados ou isoladamente, graças às conversas de bar, debates na rua, cliques na internet; e pode se tornar maior ainda no ato de segunda, possivelmente a primeira de uma série de manifestações de rua que superem as das últimas décadas – é fundamental que estejamos preparados para as futuras agressões policiais, para ataques da mídia, do governo e do judiciário, pois estes enxergam em nós muito mais do que nós mesmos, veem nosso potencial, um movimento verdadeiramente transformador de nossa sociedade. Por isso, lutar somente pela passagem já não nos contempla mais, queremos mais, queremos tudo o que sempre quisemos e nunca tivemos força para exigir, queremos o que atos menores que nos antecederam não conseguiram (como os dos professores, dos servidores públicos, do movimento negro, de mulheres, homossexuais, dos estudantes universitários, dos trabalhadores sem terra, sem teto, dos índios!). Este é o momento, o povo já esta nas ruas, não devemos desperdiçar essa oportunidade, este momento tão favorável. Para isso não podemos nos entregar por ninharias, sucumbir a direções que traiam suas bases, ou entrar em ideias distracionistas, devemos seguir firme na luta, ampliar cada vez mais nosso movimento, redigir nossas pautas, articulá-las com a sociedade e nos fortalecermos cada vez mais contra esse sistema de merda que há tanto nos oprime e tão pouco nos dá, a não ser em forma desta violência institucionalizada que matou na ditadura, mata negros e pobres nas periferias e quer nos calar ao doce som de bombas e ao sutil toque das borrachas!

Um morador despejado na Espanha causa revolta. Para realizar a Copa do Mundo, o Brasil cordial vai desalojar 170 mil pessoas e ninguém liga ninguém

Despejo na Espanha

Um despejo na Espanha, do dia 4 último, causou a revolta do povo (vide foto). No Brasil os despejos da justiça são costumeiros. Só para a realizar a Copa do Mundo, e abrir espaço para a construção de estádios e obras de infraestrura, vão ser desalojadas mais de 170 mil pessoas.

Nada comove as frias autoridades, a justiça cega e o povo brasileiro é desunido em tudo. Ninguém ajuda ninguém.

Cartaz português
Cartaz português

Eta povo colonizado e vencido. Que receber o bolsa família – no máximo, cem dólares – significa pertencer à classe média.

O brasileiro só é solidário na hora de comer a mulher do próximo.

Comenta o grande pintor Leonhard Frank Duch: “Colonizado e vencido… isso soa brutal, mas… a história nos mostra repetidamente que um povo só se organiza quando está totalmente na merda, 100% na merda.

Isso significa que o brasileiro ainda está se sentindo confortavelmente bem, num berco esplendido…

A ilusão do egoísmo destrói a organização. Talvez só o tempo produza o remédio para este grandioso país. Eu ainda confio”.

Dos detenidos y multitud de heridos en el intento de desahuciar a una mujer de 70 años enferma de Alzheimer

Ayer, viernes 4 de abril, fue un día marcado por la violencia e ilegalidad contra quienes luchan por el derecho a una vivienda digna.

A las 11:45 de la mañana estaba previsto el desahucio de Mónica, una inquilina de 70 años enferma de Alzheimer que no debe un solo euro al propietario. El piso en el que vive desde hace 40 años, situado en el Paseo de la Castellana, constituye una oportunidad perfecta para la especulación. El propietario, tras años de pleitos y acoso inmobiliario, consiguió que una jueza decretase el desahucio, sin tener en cuenta el impacto que podía tener para la enfermedad de Mónica.

Desde las 10 de la mañana, más de 200 personas –entre vecinos y solidarios– se concentraban frente al portal para frenar esta injusticia. Poco después llegaban varias furgonetas de la UIP que, sin mediar palabra, desataron la violencia contra los presentes. En esta ocasión no hubo diálogo, negociación o requerimiento para abandonar voluntariamente la entrada. Los agentes arremetieron a empujones y golpes hasta que tomaron el control del portal, identificando a varias personas y deteniendo a un hombre de unos sesenta años. La dureza de la intervención se incrementó en el segundo acceso al portal, donde se sucedieron las cargas y las agresiones gratuitas. Numerosas personas fueron arrojadas y golpeadas contra el suelo; una mujer de 60 años tuvo que ser atendida por el SAMUR, fue trasladada al hospital y actualmente se encuentra ingresada en observación. Otra mujer de 50 años fue detenida mientras los periodistas que trataban de informar de lo sucedido fueron amenazados y agredidos. Cuando el desahucio se había paralizado y los concentrados abandonaban el lugar, una persona que volvía a casa fue retenida y el hijo de Mónica fue identificado.

Ayer también decenas de policías acudían a casa de Agripina y sus 3 hijos menores para echarlos de su vivienda, perteneciente a la EMVS. El desahucio se produce después de que la diputada Eva Durán se comprometiera a paralizarlo junto con otras 3 familias a las que van a desahuciar próximamente. La diputada mintió y ayer por la mañana Agripina y sus hijos han sido desalojados 20 días antes de la fecha fijada para el lanzamiento, quedándose literalmente en la calle al carecer de alternativa habitacional. La EMV ha cometido una manifiesta ilegalidad al ejecutar en el día de ayer un desahucio señalado para el 26 de abril.

Por último, la policía desalojó el centro social okupado Raíces, situado en un inmueble propiedad de Bankia abandonado desde hace años. El trabajo de construcción realizado durante meses por los vecinos, es arrojado por la borda para construir un hotel. Sabemos que los desalojos no frenarán la expansión de los centros sociales madrileños, que serán 10, 100, 1000.

Su represión no nos parará
¡Ni desahucios ni desalojos!

Veja vídeo

Pobre Brasil! Promotores de São Paulo criminalizam movimento estudantil

estudantes trabalho salário escravo indignados

 

Deu no Estadão, e transcrevo do Folha Corrida:

Ministério Público denuncia estudantes da USP por formação de quadrilha

72 pessoas, a maioria estudantes, foram denunciadas pelo Ministério Público por causa da ocupação do prédio da reitoria da universidade em novembro de 2011
Marcha de estudantes secundários no Chile
Marcha de estudantes secundários no Chile

 

Isadora Peron, Nataly Costa e Rodrigo Burgarelli – O Estado de S.Paulo

O Ministério Público Estadual denunciou 72 pessoas da Universidade de São Paulo (USP) – a maioria estudantes – que foram detidas após ocupar o prédio da reitoria em novembro de 2011. Eles foram denunciados por cinco crimes: formação de quadrilha, posse de explosivos, dano ao patrimônio público, desobediência e crime ambiental por pichação. Somados, os crimes podem render penas de até sete anos de prisão.

Veja também:
link RELEMBRE: Estudantes invadem Reitoria após assembleia votar fim de ocupação
link ‘TV ESTADÃO’: Veja como foi a reintegração de posse da reitoria da USP

A reportagem telefonou para todos os advogados de defesa dos estudantes registrados no Tribunal de Justiça, mas nenhum dos que atendeu ao telefone se dispôs a responder à acusação da Promotoria. Denunciados ouvidos pela reportagem afirmaram que a denúncia é um ataque histórico ao movimento estudantil e que não houve crimes durante a ocupação.

Em novembro de 2011, um grupo de estudantes, funcionários e outras pessoas ocupou a reitoria da USP após três alunos da Geografia serem detidos pela Polícia Militar em um estacionamento da universidade. A ocupação era um protesto contra a presença da PM dentro do campus. Depois de oito dias, o grupo se recusou a sair do prédio após ordem judicial e a Tropa de Choque da PM cumpriu a reintegração de posse. Laudos policiais afirmaram que móveis e partes do prédio foram danificados e que havia pichação, explosivos e líquidos inflamáveis no local.

A diretora do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) e uma das acusadas, Diana de Oliveira, afirmou que a denúncia é um ataque histórico ao movimento estudantil e dos trabalhadores. De acordo com ela, o resultado do processo interno da USP contra os manifestantes saiu na última semana e grande parte recebeu suspensão de 5 a 15 dias. “Essas penas leves mostram que o reitor estava arquitetando com o governo esse ataque para criminalizar estudantes e trabalhadores”, diz. A USP não comentou. / COLABORARAM WILLIAM CASTANHO, CARLOS LORDELO E JULIANA DEODORO

Ministério Público denuncia estudantes da USP por formação de quadrilha – saopaulo – saopaulo – Estadão

Passeata estudantil no Chile
Passeata estudantil no Chile

A fala emocionante de Marilena Chauí em ato na USP (com vídeo)

Tropas da PM hoje (15 de junho de 2012) contra a greve estudantil que dura 81 dias. A polícia de Ackmin prende estudantes na USP e Unifesf. Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes
Tropas da PM hoje (15 de junho de 2012) contra a greve estudantil que dura 81 dias. A polícia de Ackmin prende estudantes na USP e Unifesp. Tudo continua como dantes no quartel de Abrantes

 

Eu me lembro que em 1975 a Unicamp fez um congresso internacional de historiadores, e convidou Hobsbawn, Thompson, enfim, a esquerda internacional. Houve as exposições dos brasileiros e os estrangeiros disseram: Nós não estamos conseguindo entender nada do que vocês dizem, não entendemos as exposições e sobretudo não estamos entendendo os debates entre vocês.

Então, nos demos conta que falávamos em uma língua cifrada para não sermos presos. A esquerda acadêmica criou um dialeto, uma linguagem própria na qual dizia tudo que queria dizer e não dizia nada que fosse compreensível fora do seu próprio circulo.

Foi uma forma de auto defesa e uma forma de continuar produzindo, pensando e discutindo. Ao mesmo tempo, essa forma nos fechou num circulo no qual só nós nos identificávamos com nós mesmos. Isso é uma coisa importante, que a Comissão da Verdade traga o fato de você criar um dialeto, criar um conjunto de normas, de regras, de comportamento em relação aos outros, tendo em vista não ser preso, torturado e morto, durante anos a fio.

Costumo dizer aos mais novos que eles não avaliam o que é o medo, pânico. Sair e não saber se volta, sair e não saber se vai encontrar seus filhos em casa, sair e não saber se vai encontrar seu companheiro, ir para a escola e não saber se encontrará seus alunos e colegas. Você não sabe nada. Paira sobre você uma ameaça assustadora, de que tem o controle da sua vida e da sua morte. Isso foi a USP durante quase dez anos, todos os dias. Além das pessoas que iam desaparecendo, desaparecendo…  Ao lado das cassações. Leia mais

Universidades são dos estudantes. Desalojamentos da USP visam aterrorizar

Juízes para a Democracia

Nota Pública Sobre os Estudantes da USP e a Reação das Autoridades

ASSOCIAÇÃO JUIZES PARA A DEMOCRACIA – AJD sente-se na obrigação de desvelar a sua preocupação com os eventos ocorridos recentemente na USP, especialmente em face da constatação de que é cada vez mais frequente no país o abuso da judicialização de questões eminentemente políticas, o que está acarretando um indevido controle reacionário e repressivo dos movimentos sociais reivindicatórios.

Com efeito, quando movimentos sociais escolhem métodos de visibilização de sua luta reivindicatória, como a ocupação de espaços simbólicos de poder, visam estabelecer uma situação concreta que lhes permita participar do diálogo político, com o evidente objetivo de buscar o aprimoramento da ordem jurídica e não a sua negação, até porque, se assim fosse, não fariam reivindicações, mas, sim, revoluções.

Entretanto, segmentos da sociedade, que ostentam parcela do poder institucional ou econômico, com fundamento em uma pretensa defesa da legalidade, estão fazendo uso, indevidamente, de mecanismos judciais, desviando-os de sua função, simplesmente para fazer calar os seus interlocutores e, assim, frustrar o diálogo democrático.

Aliás, a percepção desse desvio já chegou ao Judiciário trabalhista no que se refere aos “interditos proibitórios” em caso de “piquetes” e “greves”, bem como no Judiciário Civil, como ocorreu, recentemente, em ação possessória promovida pela UNICAMP, em Campinas, contra a ocupação da reitoria por estudantes, quando um juiz,

demonstrando perfeita percepção da indevida tentativa de judicialização da política, afirmou que “a ocupação de prédios públicos é, tradicionalmente, uma forma de protesto político, especialmente para o movimento estudantil, caracterizando-se, pois, como decorrência do direito à livre manifestação do pensamento (artigo 5º, IV, da Constituição Federal) e do direito à reunião e associação (incisos XVI e XVII do artigo 5º)”, que “não se trata propriamente da figura do esbulho do Código Civil, pois não visa à futura aquisição da propriedade, ou à obtenção de qualquer outro proveito econômico” e que não se pode considerar os eventuais “transtornos” causados ao serviço público nesses casos, pois “se assim não fosse, pouca utilidade teria como forma de pressão”.

(Transcrevi trechos).

Domingo de carnaval. Polícia de Alkmin despeja estudantes de suas moradias na USP. Voyeurismo no IML. Médico tarado manda as adolescentes tirar a roupa

por Aline Scarso

Conjunto Residencial da USP (Crusp). Tarde da sexta-feira (24). Cinco dias depois da Polícia Militar do estado de São Paulo ter realizado a reintegração de posse do espaço conhecido como Moradia Retomada, na madrugada do domingo de Carnaval na Universidade de São Paulo (USP).

O local de encontro é um apartamento estudantil. Apertado. São três quartos e uma pequena sala que atualmente abrigam sete pessoas, quatro delas estudantes desalojados pela PM. De forma solidária, moradores do Crusp oferecem abrigo provisório para os mais de 40 estudantes despejados.

A reportagem do Brasil de Fato conversou com três estudantes que foram presos durante a desocupação e uma caloura que desde o início de fevereiro estava na Moradia Retomada por não ter onde ficar. Eles são Rosi Santos e Augusto Rolim Saraiva. Os outros dois preferem não revelar os nomes por medo de represálias.

Rosi Santos – As pessoas estavam dormindo, com exceção de Augusto e eu. A gente percebeu uma movimentação e avisamos os moradores, mas os PMs já estavam dentro da casa. Em nenhum momento eles bateram na porta e pediram para a gente sair para fazer vista do pedido de reintegração de posse.

Augusto Rolim – Foi um aparato de guerra utilizado contra a gente. Com certeza eram mais de 200 homens da Tropa de Choque, tinha helicóptero, e há relatos de que um batalhão da cavalaria no Portão 1 esperava para agir caso o comandante acionasse. Além de toda essa operação de guerra eles bloquearam a entrada de vários blocos do Crusp para impedir que os moradores descessem para socorrer o pessoal que estava na Moradia. Eles também entraram em andares do Bloco G, vizinhos à Moradia, e obrigaram os moradores a sair dos apartamentos, alguns até [saíram] com roupas íntimas e não deram nenhuma justificativa para isso. Revistaram os apartamentos em busca de algum estudante “subversivo” ou algum fato que pudesse incriminá-los. Uma questão muito marcante foi que, quando eles entraram na Moradia, além de exigirem o RG de todo mundo, também exigiram a carteirinha USP, o que mostra que eles estavam querendo provar que a Moradia Retomada era algo estranho à universidade, ocupado por pessoas que não têm vínculo com a USP, o que é uma grande mentira que o coordenador da Coseas, Waldir Antônio Jorge, vem reproduzindo há muito tempo.

E como foi o tratamento dado a vocês na delegacia?

Jorge* – Quando a gente chegou à delegacia, ficamos na sala de espera aproximadamente uma hora, sem saber o que ia acontecer. Daí separaram homens e mulheres e nos levaram para celas. Elas eram muito pequenas, cerca de 2,5 metros por 3 metros, e o cheiro horrível de creolina e fezes, e havia sangue nas paredes. Ficamos ali todo o dia, com exceção dos períodos em que chamavam para pegar os dados pessoais. Em meu caso específico, eles perguntaram meu nome e eu respondi que todos os meus dados estavam no documento de identidade que estava com eles. Perguntaram mais coisas e eu me neguei a falar porque queria conversar antes com um advogado. Foi quando um policial me chamou de “filho da puta”, e começou a me chacoalhar. Eu fiquei quieto, e o delegado ria. Quando estava entrando na cela, me tiraram as coisas do bolso e me deixaram ficar com o cigarro e o isqueiro. Quando saímos para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer o exame de corpo de delito, me revistaram novamente, acharam o isqueiro e perguntaram: ‘o que isso faz aqui?’. Oras, foram eles mesmos que permitiram. Fomos até o IML sentados na parte de trás do camburão e que eles chacoalhavam constantemente. Sem ter onde segurar, eu fiquei todo machucado. No IML os PMs estavam presentes na sala do médico, que perguntou de onde provinha a ferida nas minhas costas e eu disse que havia sido no camburão, mas não podia me manifestar livremente, estava constrangido com eles ali. Diziam para não lhes interpretarem mal, que a polícia não era violenta. Depois disso, nós voltamos às celas

Augusto Rolim – Outra questão ilegal é que tinha uma menor de idade com a gente e ela ficou encarcerada por cerca de 3h em uma cela como se fosse uma pessoa maior de idade. Além disso, tem a forma como a polícia tratou a Paula, uma estudante grávida de seis meses. Primeiro ela foi arrastada da Moradia Retomada até o ônibus da PM simplesmente pelo fato de que queria que o Oficial de Justiça lesse a ordem de reintegração de posse, eles se negaram e então a arrastaram até o ônibus. Chegando à delegacia eles a colocaram nas mesmas celas que a gente ficou, que estavam em condições horríveis, sujas de dejetos humanos, não conseguíamos nem respirar. Ela começou a passar mal e a gente começou a fazer um estardalhaço porque poderia acontecer alguma coisa mais grave com o feto. Gritamos e batemos nas grades até que eles vieram e a levaram para um hospital. Ela chegou inclusive a desmaiar por conta da situação que passou.

Rosi Santos – Outra questão que realmente nos marcou foi o fato de que o médico do IML nos obrigou a ficar nuas. Dizia às mulheres que se elas não fizessem isso, ele não faria o exame e elas seriam obrigadas a voltar para a cela. Quando eu fui presa na desocupação da reitoria [da USP, em 8 de novembro de 2011], a gente foi examinada por uma médica mulher e os meninos por um médico homem. Foi super tranquilo e tudo foi fotografado. A gente levantou as partes onde tinha machucado. Dessa vez, não foi assim. Uma menina estava de vestido e mostrou as pernas. Aí o médico falou para ela levantar todo o vestido. E ela disse que estava sem sutiã. E ele respondeu que não havia problema, que teria que examinar todas nós nuas. A gente foi contra, mas não teve o que fazer e todas nós ficamos nessa situação. Eu acredito que tem um respaldo legal para fazer com que as pessoas se dispam, mas a questão é se havia necessidade. Não faz sentido para uma pessoa que foi presa pela PM por esconder machucados provocados por essa mesma polícia. É estranho esse procedimento, totalmente desnecessário, serviu para nos deixar em uma posição vexatória. Além disso, o exame foi super mal feito, ele não tirou foto, só olhou e anotou coisas que não pudemos nem olhar.

* Jorge e Patrícia são nomes fictícios. O anonimato acontece para evitar novas prisões e expulsão da USP. Desde 1964 que a USP continua a mesma. Caçando subversivos e cassando estudantes “esquerdistas”. Transcrevi trechos. Leia mais, Veja vídeo