Japão. 200 mil escravas sexuais para o “conforto” dos soldados

Papa Francisco consola ex-escravas sexuais da II Guerra Mundial

 

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Num momento comovente, no início da Missa pela Paz e a Reconciliação, nesta segunda-feira, 18, o Papa Francisco ajoelhou-se e cumprimentou sete mulheres que foram forçadas à escravidão sexual pelos militares japoneses durante a Segunda Guerra Mundial.

O Papa passou vários minutos segurando a mão de Kim Bok-dong, de 89 anos, que foi à missa em cadeira de rodas, e era uma das sete “escravas sexuais” que participaram da cerimónia. Kim, conhecida ativista pelos direitos deste grupo, entregou um ‘pin’ com uma borboleta a Francisco, que o colocou na sua lapela.

A borboleta é o símbolo das meninas e adolescentes que o Império Japonês recrutou nos países colonizados na Ásia como escravas sexuais para os seus soldados durante a Segunda Guerra Mundial, conhecidas eufemisticamente como “mulheres de conforto”.

Estima-se que até 200 mil mulheres, na sua maioria coreanas, foram vítimas da escravidão sexual do Japão, embora pouco mais de meia centena delas permaneçam vivas e todas têm mais de 80 anos. Estas, juntamente com outros seguidores da causa, se manifestam todas as quartas-feiras há 24 anos para exigir de Tóquio desculpas “sinceras”.

O Japão dominou a península coreana desde 1910 até 1945, quando perdeu a Segunda Guerra Mundial.

Estupro coletivo de meninas

Em 1992, o historiador Yoshiaki Yoshimi publicou matéria baseada em pesquisa nos arquivos do Instituto Nacional para Estudos de Defesa japonês, afirmando que havia um vínculo direto entre instituições imperiais como o Kôa-in e os “postos de conforto”. Quando foi publicada na imprensa japonesa em 12 de janeiro de 1993, causou sensação e forçou o governo a reconhecer alguns dos fatos no mesmo dia.

A controvérsia reacendeu em 1º de março de 2007, quando o primeiro ministro Shinzo Abe mencionou sugestões da Câmara dos Representantes do Estados Unidos no sentido de que o governo japonês “se desculpasse e reconhecesse” o papel dos militares do Japão Imperial na escravidão sexual durante a guerra. Abe negou que isso se aplicasse aos postos de conforto. Porém, um editorial do jornal The New York Times de 6 de março, dizia:

Não se tratava de bordéis comerciais. A força, explícita e implícita, era usada no recrutamento destas mulheres. O que acontecia lá dentro era estupro em série, não prostituição. O envolvimento do Exército Japonês está documentado nos próprios arquivos governamentais do Ministério da Defesa.

Foto para fins de propaganda registrada por Kumazaki Tamaki, correspondente do Asahi Shimbum em 10 de novembro de 1937, era publicada com a seguinte legenda: “Os japoneses arrebanhavam milhares de mulheres. A maioria delas era estuprada em massa ou forçada a entrar para a prostituição militar.”

No mesmo dia, o veterano de guerra Yasuji Kaneko admitiu ao The Washington Post que as mulheres “gritavam, mas não nos importava se elas viviam ou morriam. Éramos os soldados do imperador. Fosse nos bordéis militares ou nas aldeias, nós estuprávamos sem hesitação.”

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Vítimas da violência sexual sistemática, as "mulheres de conforto" eram obrigadas a manter cerca de 50 relações sexuais todos os dias
Vítimas da violência sexual sistemática, as “mulheres de conforto” eram obrigadas a manter cerca de 50 relações sexuais todos os dias

Quero que me ajude a aliviar a dor

Uma destas vítimas é Lee Yong-soo, uma fiel católica que recorda com dor os momentos sofridos nas mãos dos soldados japoneses quando tinha 15 anos. “Se tivermos a oportunidade de falar com ele, quero me aproximar chorando e pedir que nos ajude a aliviar a nossa dor”, disse em uma entrevista telefônica difundida pela agência AP. “Quero lhe pedir que nos ajude a colocar fim a este problema de maneira pacífica”, expressou.

Por sua parte, Kang Il-chul, de 87 anos, recordou que “os coreanos, homens e mulheres, foram arrebatados pelos militares japoneses”.

Nesse sentido, durante a entrevista difundida antes da Missa, disse que “embora esteja no meu leito de morte, estarei feliz sabendo que me encontrarei com este grande homem”.

Durante anos as autoridades japonesas negaram estes abusos, até que devido à contundência das provas teve que reconhecê-losm e desculpar-se em 1993. Entretanto, para Seul estas desculpas não foram sinceras e reclama indenizações para as vítimas. Atualmente há 54 mulheres sobreviventes maiores de 80 anos.

Toru Hashimoto, presidente da Câmara da cidade japonesa de Osaka, disse hoje que a prostituição forçada de milhares de mulheres asiáticas durante a II Guerra Mundial foi necessária para manter a disciplina no exército japonês. Para o autarca, o tempo passado com estas mulheres eram uma oportunidade de descanso para os soldados.

“Para soldados que arriscaram a vida quando as balas caíam como chuva, de modo a terem algum descanso era necessário arranjar uma ‘mulher de conforto’. Isto está claro para todo mundo”, defende Hashimoto, citado pelo “The Independent”.

O jovem autarca, que também é um dos líderes do conservador e emergente Partido Nacionalista da Restauração, disse ainda não haver evidências de que estas mulheres, eufemisticamente chamadas de ‘mulheres de conforto’, tenham sido forçadas a prostituírem-se. Afirmação que também já tinha sido feita na semana passada pelo primeiro-ministro Yoshei Kono.

Faltou essa alma sebosa considerar que a bomba de Hiroxima também foi necessária.

“Muitas meninas cometiam suicídio”, relata ex-escrava sexual na 2ª Guerra
Lee Ok-Seon passou três anos em um bordel militar japonês na China durante a 2ª Guerra Mundial, onde foi forçada à prostituição. Quase 70 anos após a rendição japonesa, ela visitou a Alemanha para divulgar seu segredo.

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Ela fala com coragem sobre o dia em que foi capturada nas ruas da cidade de Busan, no sudeste da Coreia do Sul, por um grupo de homens. Lee Ok-Seon, então com 14 anos de idade, foi jogada dentro de um carro e acabou indo parar em um bordel para militares japoneses na China, chamado de “posto de consolo”. Ali, sofreu estupros diários até o fim da guerra.
Lee Ok-Seon não tinha ideia de que jamais veria sua família novamente ou que sequer iria pisar em seu próprio país nos 60 anos seguintes. Ela também ignorava as torturas que teria de aguentar.
A senhora de 86 anos não fornece detalhes específicos de suas experiências. Apenas resume tudo em poucas palavras: “Não era um lugar para seres humanos; era um matadouro”. Sua voz fica mais exaltada quando diz a frase. Aqueles três anos a marcaram pelo resto de sua vida. “Quando a guerra acabou, outros foram libertados, mas eu não.”

Um outro nome para escravas sexuais

O caso de Lee Ok-Seon não é isolado, porém não se sabe exatamente quantas outras mulheres tiveram o mesmo destino. “De acordo com estimativas, devem ter sido em torno de 200 mil mulheres, mas esse total nunca foi confirmado”, explica Bernd Stöver, um historiador da Universidade de Potsdam, na Alemanha. Elas eram chamadas de “mulheres de alívio” ou de “conforto”, o que o pesquisador considera “um absurdo”. Trata-se de um eufemismo para o que elas realmente eram: escravas sexuais, diz Stöver.

Não eram apenas as mulheres da península coreana – sob domínio colonial japonês entre 1910 e 1945 – que eram forçadas a se prostituir. Elas também vinham, entre outras regiões, da China, Malásia e das Filipinas.
Os bordéis, que se espalhavam por toda a área de ocupação japonesa, tinham como objetivo manter elevado o ânimo dos soldados e de evitar que as mulheres locais fossem estupradas.

Muitas das escravas sexuais, em sua maioria menores de idade, não sobreviveram aos tormentos. Estima-se que dois terços dessas mulheres morreram antes do fim da guerra.

Vergonha avassaladora

“Nós éramos frequentemente agredidas, ameaçadas e atacadas com facas”, relembra Lee Ok-Seon. “Tínhamos 11, 12, 13 ou 14 anos de idade e não acreditávamos que ninguém nos salvaria daquele inferno.” Ela explica que estava completamente isolada do mundo exterior e que não confiava em ninguém. Era um constante estado de desespero.

“Muitas meninas se suicidavam. Elas se afogavam ou se enforcavam”, conta. Lee afirma que também chegou a pensar que essa seria sua única saída. Mas não teve coragem. “É fácil dizer ‘eu preferia estar morta’. Mas é muito difícil fazê-lo”, explicou.

Lee Ok-Seon optou pela vida e acabou sobrevivendo à guerra. Após a capitulação japonesa em 1945, o dono do bordel desapareceu. As mulheres, de repente, estavam livres, porém confusas e desorientadas. “Não sabia para onde ir. Não tinha dinheiro. Estava sem casa, tive que dormir nas ruas.”

Ela sequer sabia como voltar para a Coreia, também não tinha certeza se de fato queria. O sentimento de vergonha era grande demais. “Decidi que preferia passar o resto dos meus dias na China. Como podia ir para casa? Estava escrito no meu rosto que eu era uma mulher de alívio. Jamais poderia olhar minha mãe nos olhos novamente.”

Vida nova na China

Lee Ok-Seon acabou conhecendo um homem de descendência coreana, com quem se casou e passou a cuidar de suas crianças. “Senti que era meu dever tomar conta daquelas crianças, cuja mãe tinha morrido. Eu não podia ter meus próprios filhos.”
Enquanto estava no bordel, ela quase morreu em decorrência de doenças sexualmente transmissíveis como a sífilis. Para aumentar suas chances de sobrevivência, os médicos retiraram seu útero.

Na China, ela viveu na cidade de Yanji. Manteve seu passado em segredo e tentou se recuperar, sempre por conta própria. Ela permaneceu assim durante décadas. Seu marido a tratava bem. “Se não, não teria ficado tanto tempo com ele”, comenta Lee, bem-humorada.

Muitas “mulheres de alívio” tiveram vida semelhantes às do cativeiro após o tempo em que viveram nos bordéis, sempre mantendo o silêncio sobre os horrores que tiveram que passar – na maioria dos casos, por medo de sofrer recriminações.
Segundo o historiador Stöver, o tema da prostituição forçada é um tabu absoluto. “Não havia apoio algum na sociedade a essas mulheres”, explica. Apenas décadas após o fim da guerra, começaram a surgir as histórias sobre as “mulheres de conforto” na Ásia.

O historiador Stöver conta que apenas em 1991 a primeira “mulher de alívio” divulgou sua história. Ela acabou por encorajar 250 outras mulheres, que finalmente falaram sobre suas experiências como escravas sexuais dos soldados japoneses, e exigiram o reconhecimento e as desculpas do governo do Japão.
Desde então, as mulheres e seus apoiadores se reúnem todas as quartas-feiras em frente à embaixada japonesa em Seul. Elas levam cartazes e gritam slogans, mas ainda não tiveram suas exigências atendidas.

De volta para casa, mas solitária

Lee Ok-Seon vive hoje na Coreia do Sul. Em 2000, após a morte de seu marido, ela sentiu que tinha que voltar para o seu país de origem e tornar pública a sua história. Ela mora próximo a Seul, nas chamadas “casas compartilhadas”, que dão assistência a ex-escravas sexuais. Foi lá que recebeu pela primeira vez cuidados psicológicos, e finalmente, um novo passaporte.

Ao pesquisar seu passado, ela soube que seus pais haviam morrido, mas que seu irmão mais novo ainda vivia. Ele inicialmente a ajudou, mas com o tempo o relacionamento se deteriorou. Foi exatamente o que ela temia: ele tinha vergonha de ser irmão de uma “mulher de alívio”, e não queria ter nenhuma ligação com ela.

Mulheres levadas na carroceria de um caminhão para um bordel oficial
Mulheres levadas na carroceria de um caminhão para um bordel oficial

Escravidão sexual. O monstro de Itapissuma

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Uma jovem de 15 anos mantida em cárcere privado por um pedreiro de 45 anos foi libertada pela Polícia Militar na noite desta segunda-feira (28). O cativeiro durava desde dezembro do ano passado.

A garota ficava trancada em uma casa no município de Itapissuma, no Grande Recife, e era abusada sexualmente pelo homem, que trabalha em Porto de Galinhas.

Erivaldo Pedro Pontes, segundo relatos da moça, abastecia a casa com comida e a deixava sozinha durante a semana, quando ia ao Litoral Sul na intenção de trabalhar.

Nas sextas-feiras, voltava para passar fim de semana com a adolescente. Na ocasião, a amarrava com cordas e a violentava. Quando a jovem se recusava a fazer sexo, aconteciam agressões. O pedreiro, de acordo com a vítima, é portador do vírus HIV.

A casa ficava trancada com muitos cadeados. A polícia chegou até o local por meio de uma denúncia.

A prisioneira contou que não tem família, e aceitou ajuda do pedreiro.

 

Associação Cristã da Nigéria pede jejum e orações pela libertação das alunas detidas por Boko Haram

A Associação Cristã da Nigéria recorre à fé dos nigerianos, convidando-os a observarem três dias de jejum e oração a fim de ajudar a encontrar a centena de alunas raptadas do dormitório dum liceu a 15 deste mês de Abril.

A libertação das alunas do liceu de Chibok, no Estado de Borno, nordeste do país, se faz esperar e a inquietação é cada vez maior no seio dos familiares das meninas de idade compreendida entre os 13 e os 17 anos.

As famílias de mais de uma centena de raparigas, alunas de um liceu de Chibok, no nordeste da Nigéria, pedem desesperadamente ajuda para encontrar as filhas, raptadas, mas têm também medo e refugiam-se no anonimato para evitar represálias.

O exército e uma milícia civil estão a vasculhar uma imensa área de floresta densa mas até agora nada se sabe sobre as buscas.

O rapto em massa foi realizado por um grupo de homens fortemente armados que poderão pertencer ao grupo extremista islâmico Boko Haram.

Mães das alunas

 

“Eles levaram a minha filha e não sei que fazer” lamentava-se uma mãe, suplicando ao Governo nigeriano que encontre os raptores: “Eles não podem deixar estes assassinos destruir os sonhos das nossas filhas!”

Outro pai angustiado diz que vive um verdadeiro “pesadelo.” “Toda a cidade está de luto” afirma.

Os guerrilheiros do Boko Haram e grupos de homens armados raptam por vezes raparigas no caminho entre a casa e a escola, para cozinharem e serem escravas sexuais dos combatentes. Mas nunca sucedeu um tal rapto em massa.

O convite da Associação Cristã da Nigéria à oração e jejum a favor da libertação das meninas é dirigido – segundo o jornal on line Afrik.com – de modo particular aos cristãos dos Estados de Borno, Yobe e Adanawa. Temos fé de que com a oração, Deus tocará os corações dos raptores para que os libertem as jovens – disse Titus Pona, Presidente da Associação.

Afrk.com informa ainda que o número das meninas raptadas é incerto. Algumas fontes de informação falam de umas 200, outros de 129. Segundo as mesmas fontes, algumas delas teriam conseguido fugir, mas não se sabe ao certo quantas.

 

Segurança ineficaz

as alunas

 

As alunas preparavam-se para realizar exames no dia do rapto o que explica que estivessem tantas à mesma hora no liceu e que este tivesse as portas abertas. Dezenas de soldados tinham sido chamados para garantir a segurança durante as provas.

 

Os raptores fortemente armados entraram pela cidade dentro, em camiões e motociclos, dirigindo-se de imediato ao liceu. Atacaram os soldados e mataram um a um, conseguindo entrar no recinto, afirmam testemunhas.

 

Pelo menos 200 das raparigas presentes foram forçadas a sair das salas e a entrar nos camiões que depois se enfiaram entre a vegetação densa da região remota da Nigéria. A cidade foi incendiada.

Boko Haram

Boko Haram (figurativamente, “a educação ocidental ou não-islâmica é um pecado”) é uma organização fundamentalista islâmica de métodos terroristas, que busca a imposição da lei Sharia nos estados do Norte da Nigéria.

 

Ditadura Argentina: “Las mujeres eran reducidas a la servidumbre. Eran obligadas a trabajar, a ser esclavas sexuales”

Los genocidas de La Perla

 

La Perla foi denominada pelo responsável pela acusação, o promotor Carlos Gonella, como a “Auschwitz cordobesa”, por ter funcionado como epicentro de prisão, tortura e extermínio de presos políticos entre 1975 (um ano antes do golpe de Estado) e 1978.

Para Gonella, o julgamento “é uma mostra importante do que a repressão foi na província, da que surgirá a dimensão de um genocídio, pensando que foram 500 vítimas”, afirmou à imprensa local.

O acusado mais famoso do julgamento é o ex-comandante do Terceiro Corpo do Exército, Luciano Benjamín Menéndez, que aos 85 anos acumula seis sentenças perpétuas pelos crimes cometidos durante a ditadura. Outros acusados são os ex-comandantes de “La Perla” e membros da Inteligência militar na época, Ernesto Barreiro, Jorge Acosta e Luis Diedrichs.

Suicídio

O número inicial de processados era 46, mas no último domingo (02/12), o major retirado de Artilharia, Aldo Carlos Checchi, se suicidou em um hospital da província de Buenos Aires, antes de ser transferido para Córdoba. O militar, de 67 anos, se matou com um tiro e teria deixado uma carta na qual revela que não suportaria enfrentar o julgamento. A existência da carta, no entanto, não foi confirmada oficialmente.

Organizações de Direitos Humanos manifestaram indignação pelo suicídio de Checchi, que, entre 1976 e 1979, atuou no departamento de Inteligência que funcionava na prisão clandestina La Perla. Em comunicado, organizações como Avós da Praça de Maio, Associação de Ex-Presos Políticos de Córdoba e H.I.J.O.S (Filhos pela Identidade e Justiça, contra o esquecimento e o silêncio, na sigla em português), afirmaram ser “inconcebível” que acusados estejam em condições de “continuar atentando contra a vida, seja a própria ou a dos demais”.

“Perguntamos como é possível que um preso da periculosidade de Checchi, que se encontrava processado por 103 crimes contra a humanidade, tivesse acesso a meios que lhe permitissem não só atentar contra sua vida, mas também impedir o normal desenvolvimento de um julgamento por crimes cometidos há mais de 36 anos”, questionam, no comunicado.

Para as organizações, o major retirado “morreu impune, sem poder ser condenado, conservando assim seu grau militar e sua pensão com honras, como se nada tivesse acontecido durante os anos em que atuou como membro da ‘Patota’ de La Perla”, afirmam, ressaltando o pedido histórico das organizações de que os repressores aguardem os julgamentos em prisões comuns.

Mientras en la audiencia de la jornada, una de las víctimas del centro clandestino de detención y exterminio de Córdoba, María Patricia Astelerra, secuestrada el 1 de julio de 1976 junto con su pareja, Gustavo Adolfo Contemponi, denunciaba que “la condición de mujer significaba, además de las torturas habituales, el plus de la violencia sexual” y que su embarazo de cinco meses no impidió que sus captores la manosearan, los imputados, entre ellos el exjfe del III Cuerpo del Ejército, Luciano Benjamín Menéndez, con fluidos contactos con el entonces cardenal Raúl Primatesta, exhibieron una escarapela amarilla y blanca.

Durante su testimonio Astelarra advirtió también que los represores “sentían placer con lo sádico y lo morboso” y muchas veces “éramos víctimas de esos juegos”. “Ser mujer significaba un plus de vejación y violación”, agregó. Luego de denunciar que “los episodios de abusos sexuales siempre fueron episodios tortuosos y degenerados, en los que participaban oficiales y suboficiales del Ejército”, Astelarra le solicitó al Tribunal Oral Federal 1 que dichos delitos “deberían considerarse de orden público y no solamente de instancia privada, porque fueron cometidos por funcionarios públicos”.

Más adelante, la sobreviviente identificó como habituales responsables de esas “aberrantes” prácticas a los represores Ernesto Barreiro, Hugo Herrera, José “Chubi” López, Jorge Exequiel “Rulo” Acosta, Héctor “Palito” Romero y el ya fallecido Roberto Nicanor “Cura Magalí” Mañay `. También mencionó el nombre de varias secuestradas “vejadas y violadas”, muchas de ellas asesinadas, pero prefirió no extenderse sobre el tema al considerar que se tratan de situaciones “muy delicadas”.

“Las mujeres eran reducidas a la servidumbre. Eran obligadas a trabajar, a ser esclavas sexuales. Hoy quizás muchas no lo puedan contar”, manifestó Astelarra, quien, a instancias del fiscal Facundo Trotta aceptó promover una investigación penal independiente a la causa principal, por lo cual el Tribunal deberá girar las actuaciones a la Fiscalía Federal de turno.

Luego de pasar por el Campo de La Ribera, en setiembre de 1976 fue traslada a la cárcel de mujeres del Buen Pastor, a disposición del Comando del III Cuerpo, donde nació su hijo, quien fue entregado a su abuelo materno, José Leandro Astelarra, en enero de 1977, quien consiguió la liberación de su hija dos meses después a cambio de 10.000 dólares.

Los 44 represores acusados por delitos de lesa humanidad cometidos en La Perla entraron a la sala exhibiendo en su pecho una escarapela con lazos amarillos y blancos
Los 44 represores acusados por delitos de lesa humanidad cometidos en La Perla entraron a la sala exhibiendo en su pecho una escarapela con lazos amarillos y blancos

por Marta Platía (Desde Córdoba?

Ayer los 44 represores acusados por delitos de lesa humanidad cometidos en el campo de concentración de La Perla entraron a la sala exhibiendo en su pecho una escarapela con lazos amarillos y blancos: los colores del Vaticano. Imputados por el secuestro, tortura y desaparición de cientos de personas, el ex jefe de Tercer Cuerpo de Ejército Luciano Benjamín Menéndez, Ernesto “Nabo” Barreiro, Pedro Vergés y el resto de sus cómplices inflaron sus pechos debajo de sus trajes no bien los fotógrafos les apuntaron con sus cámaras: un hábito –el de la foto diaria– del cual se han quejado siempre en éste y en otros juicios, pero que ayer les sirvió para festejar su alegría por el nombramiento de Francisco.

“Yo pienso que así se ve quiénes están muy entusiasmados con la elección de este Papa”, le dijo a Página/12 Guillermo “Quito” Mariani: el cura rebelde que fue echado de su parroquia por publicar un libro en el que contaba, entre otras cosas, sus amores de juventud, y es uno de los principales integrantes del grupo de curas tercermundistas de Córdoba, formado por sacerdotes disidentes, o que dejaron los hábitos para poder casarse. “También creo que (los represores) se van a equivocar si creen que Bergoglio estará plenamente de acuerdo con ellos. Pienso que él no puede identificarse con la causa de los torturadores. Pero, de todos modos, ellos lo intentan. Hacen este gesto para fabricar una especie de popularización de sus conductas, de santificación de lo que hicieron.” Para Mariani “eso es lo que trataron de hacer desde un primer momento: afirmaban su represión durante el golpe militar motivándola en una supuesta defensa de la sociedad argentina, ante todo lo diabólico de una infiltración comunista. Con eso justificaron todo el terrorismo de Estado”. Mariani apuntó que sería un error, de parte del flamante papa, insistir con “el mantenimiento de la vicaría castrense”.

Por su parte, Hugo Vaca Narvaja, uno de los abogados querellantes del megajuicio, opinó que “Bergoglio ha sido su padre espiritual después de (Raúl Francisco) Primatesta, que estaba en la cúspide y el resto comulgaba con estas ideas. Ellos le dieron sustento ideológico a la represión. El terrorismo de Estado sustento: el civil, que les dio la parte económica; el militar, que fue la mano de obra que se encargó de aniquilar, y el ideológico-religioso, que les dio el amparo espiritual para que cometieran sus crímenes en pos de la defensa de la civilización occidental y cristiana”. Vaca Narvaja agregó: “No me sorprende para nada esto que ha pasado hoy. Ellos esperan pronunciamientos de Bergoglio y de la Iglesia que él representa, azuzando a la famosa reconciliación nacional”.

Violadores ofendidos

Durante toda la jornada de ayer una sobreviviente, Patricia Astelarra, dio un testimonio tan completo como desgarrador sobre sus propios padecimientos y los de decenas de compañeros que vio sufrir y morir en La Perla. Uno de los momentos más tensos que se vivieron fue cuando ella denunció las violaciones y vejaciones de las que habían sido objeto sus compañeras y ella misma. “El cura Magaldi –tal el apodo del torturador Roberto Nicanor Mañay– me vejó, a pesar de que yo estaba embarazada de cinco meses. Me desnudó y me ató a un catre. Después de la tortura me sacó la venda y me dijo ‘es para que veas lo que te voy a hacer’. Las más jovencitas y lindas eran las que peor lo pasaban. No sólo nos habían reducido a la esclavitud. También a muchas a la esclavitud sexual. Era un deporte morboso que practicaban habitualmente. Astelarra señaló –algunos hasta con su dedo– a quienes mencionó como “los principales violadores”. Fue entonces cuando nombró a Ernesto “Nabo” Barreiro, Hugo “Quequeque” Herrera, José “Chubi” López a quien, dijo, “le gustaba quemar los senos de sus víctimas con cigarrillos”; a Jorge Exequiel “Rulo” Acosta, Héctor “Palito” Romero, y Roberto Nicanor Mañay. Dicho esto, desencajado y furioso, el represor Chubi López comenzó a gritarle “¡Mentirosa!”; por lo que el juez Jaime Díaz Gavier ordenó a la policía que lo sacara de la sala y lo expulsó de las audiencias hasta que él “considere necesario” que se presente en su banquillo. Astelarra consideró que “estos delitos deberían ser considerados de orden público, porque fueron cometidos por funcionarios públicos”. A esta altura de las cosas, quedaban pocos represores sentados en sus butacas todavía exhibiendo, claro está, la insignia con los colores del Vaticano.

 

Parentes de vítimas da repressão no centro clandestino de La Perla, em Córdoba, esperam início de julgamento de acusados
Parentes de vítimas da repressão no centro clandestino de La Perla, em Córdoba, esperam início de julgamento de acusados