Os despejados de Eduardo Campos em Ipojuca

Em Pernambuco, as escolas públicas são os abrigos provisórios dos retirantes da seca, flagelados das chuvas e despejados da justiça. Os estudantes ficam sem aula, e o governo nem aí. Fosse uma greve de professores, logo apareceria a polícia com suas armas letais: bombas de gás, balas de borracha, pistolas laser. Eis o lema da justiça: as greves de professores e estudantes não podem prejudicar o ano letivo.

Um exemplo, entre muitos:

Removidos de terreno localizado em Porto de Galinhas, Ipojuca, homens, mulheres e crianças vivem em ginásio

Os despejados: crianças sem lar, sem creche, sem escola, sem nada, são jogadas no Ginásio Municipal de Ipojuca, que virou depósito humano
Os despejados: crianças sem lar, sem creche, sem escola, sem nada, são jogadas no Ginásio Municipal de Ipojuca, que virou depósito humano

Os desenhos colados na principal parede do Ginásio Municipal de Ipojuca, Grande Recife, resumem do apelo feito por 28 famílias que vivem no local. Denominado mural dos sonhos, o espaço foi decorado com papéis que expressam a esperança das crianças que residem no espaço improvisado. Todos revelaram o desejo de voltar a ter uma casa. As famílias estão desabrigadas há dois meses, depois ter sido retiradas de um terreno de 103 hectares, pertencente ao governo do Estado, na Praia de Porto de Galinhas, batizado de Vila do Campo.

Enquanto os despejados esperam alguma solução do poder público, na quadra coberta o sentimento é unânime: todos afirmam que foram esquecidos.

A desocupação aconteceu no dia 19 de março. A reintegração de posse terminou em muita confusão e na derrubada de 156 casas da comunidade, construída às margens da estrada que liga Porto de Galinhas a Maracaípe. A ordem foi assinada pelo juiz da Vara da Fazenda de Ipojuca, Haroldo Carneiro Leão Sobrinho. Os moradores protestaram e tentaram impedir a ação dos policiais, mas não conseguiram.

No dia da operação, quem não tinha para onde ir foi transferido para o ginásio de Ipojuca. Muitos continuam no local, porque estão sem emprego e sem um lugar para se abrigar.

É o caso de Mônica dos Santos Lima, de 38. Há 13 anos, ela morava na Vila do Campo com os cinco filhos, entre 5 e 21 anos. “Nos tiraram de lá mas não se preocuparam em saber para onde nos mandar. Agora, vivo aqui, nesse espaço improvisado. Esperando a boa vontade de alguém que possa nos ajudar”, disse.

A estrutura do ginásio é precária. O lugar apresenta vazamentos na cobertura e em dias de chuva a água invade o espaço. Outro problema é a falta falta de água nos dois únicos banheiros. “Uma das crianças, que chegou aqui recém-nascida, teve que ir embora. Começou a ficar cansada e a gripe virou uma pneumonia”, afirmou o ambulante Eduardo André. A Prefeitura de Ipojuca ajuda com a oferta de caminhões-pipa. A água é usada para cozinhar, beber e tomar banho.

No terreno de onde foram retiradas as famílias, sobraram apenas destroços das casas e o silêncio. Nada mudou e nem houve a colocação de cercas ou qualquer tipo de ação para impedir novas ocupações.

A Prefeitura de Ipojuca informou que cedeu o ginásio para que as famílias possam ficar até terem um lugar para onde ir. A Companhia de Habitação de Pernambuco (Cehab) informou que não tem responsabilidade sobre as pessoas que estão morando no local. (Texto do jornalista João Carvalho. Acrescentei legendas, título e comentários. T.A.).

Ipojuca é o segundo maior PIB de Pernambuco, depois do Recife. Não sei para onde vai tanto dinheiro. E também, ninguém sabe para que diabo o governador Eduardo Campos quer o terreno.

Eduardo Campos vai ficar na história de Pernambuco como  o governador dos despejos. Diferente de Marco Maciel que, em três anos e dois meses de governo, construiu cem mil casas populares.

Na rua, os despejados de Ipojuca
Na rua, os despejados de Ipojuca

Privatizaram o ensino e o Brasil nem percebeu

Por Paulo Kliass

ensino educação

Ensino superior privado: mercantilização crescente
Na área do ensino superior, em dezembro passado, o Ministério da Educação proibiu 207 cursos de realizarem concursos vestibulares para novos alunos e no início do presente ano comunicou que outros 38 cursos haviam sido punidos com a proibição de expandirem o número de vagas, tal como solicitado pelas instituições proprietárias. A educação universitária também vem sendo objeto de profunda transformação empresarial e corporativa, de modo que o crescimento da parcela de setor privado no conjunto do sistema é bastante expressivo.

De acordo com os dados oficiais do INEP, existem 2.365 instituições de ensino universitário no Brasil. A repartição de tais faculdades e universidades revela que 88% do total são entidades privadas, restando apenas 12% no setor público (considerando o conjunto federal, estadual e municipal). Em termos numéricos: 2081 privadas e 284 públicas. Se a análise for para o total de alunos inscritos, o setor privado oferece 76% do total e o setor público fica com apenas 24%.

Em termos de matrículas, a expansão quantitativa foi expressiva ao longo da última década. Em 2002 havia 3,5 milhões de matrículas no ensino superior e em 2011 atingiu-se o marco de 6,7 milhões de alunos inscritos. Porém, a maior parcela desse crescimento de 75% deveu-se ao setor privado. As matrículas no setor público cresceram 69% ao longo dos 10 anos, ao passo que as do setor privado cresceram 105%.

Esse crescimento expressivo das escolas particulares encontrou na própria formulação de políticas públicas um importante aliado. Por um lado, pelos longos períodos em que a orientação de contenção de gastos públicos provocou um verdadeiro sucateamento do modelo das universidades públicas, em especial as federais. Restrições orçamentárias em seqüência contribuíram para inviabilizar investimentos necessários da rede física e de seus equipamentos, Além disso, a política de recursos humanos não contribuía para atrair e manter pessoal qualificado.

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PROUNI: socialização dos custos da baixa qualidade
Por outro lado, o governo criou um programa de apoio a bolsas de estudos para as escolas privadas. Através desse modelo, as empresas do setor passaram a ter praticamente assegurada uma significativa da receita correspondente às vagas oferecidas. O discurso oficial soltava loas a um modelo que parecia agradar a todos, menos a um futuro com educação de qualidade assegurada. A população de baixa renda via finalmente chegar o sonho do diploma de ensino superior. As empresas operantes no sistema de educação privada reduziram de forma significativa o risco em suas operações e nem se preocupavam com os resultados obtidos, pois o Estado assegurava suas receitas operacionais, por meio das bolsas oferecidas.

Atualmente, o PROUNI custeia 1,1 milhão de bolsistas, sendo 740 mil na modalidade integral (100% do valor da mensalidade) e 360 mil na modalidade parcial (50% do valor da mensalidade). Além disso, existe a opção do financiamento a juros subsidiados. O programa FIES oferece recursos para pagamento de despesas com matrículas e mensalidades. As regras existentes prevêem um período de carência durante o curso e o reembolso posterior a juros anuais de 3,4%, quando o beneficiário teoricamente tiver obtido ganhos salariais derivados de sua formação. Com esse incentivo, as empresas que operam na educação universitária passaram a ter um mercado cativo para suas vagas.

Passeata estudantil no México
Passeata estudantil no México

Escolas públicas: ensino em tempo integral

por José Chaves

Depois de 18 meses de tramitação, a Câmara dos Deputados aprovou o Plano Nacional de Educação (PNE), para vigorar até 2020. A melhor notícia do texto é a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para investimentos no setor, percentual a ser alcançado no prazo de dez anos.

Inicialmente, o governo defendia o percentual de 7%, depois concordando com 8%, o que não se sustentou em face de novos debates e pressões no âmbito da Comissão Especial encarregada de apreciar a matéria. Conforme o texto aprovado, a determinação é que se ampliem os recursos para a educação dos atuais 5,1% do PIB, no prazo de cinco anos, até atingir os 10% ao fim da vigência do Plano. Trata-se de uma medida de excepcional importância para retirar a educação brasileira de um quadro ainda de lamentável pobreza e ineficiência, além de favorecer o professorado e a recuperação dos educandários, visando a disponibilizar os meios mais modernos para a aprendizagem.

No Senado, o Projeto de Lei nº 8.035/2010, do PNE, ainda deve sofrer alterações, mas os 10% para gastos em educação já estão assegurados. Naturalmente, os senadores não desconhecem que o Brasil ocupa o 53º lugar em educação entre 65 países selecionados. Mesmo com o programa social que concedeu incentivos a 98% de crianças de 6 a 12 anos, 731 mil crianças ainda estão fora da escola, segundo o IBGE. O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 64 anos registrado 28% no ano de 2009: 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler. Por outro lado, 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam o uso da leitura e da escrita e professores ainda recebem abaixo do piso salarial definido pelo MEC.

Além do aumento nos investimento, o PNE prevê a ampliação de vagas em creches, a equiparação da renumeração dos professores com a de outros profissionais com formação superior, a erradicação do analfabetismo e a oferta de ensino em tempo integral, em pelo menos 50% das escolas públicas.

São metas arrojadas, mas absolutamente imprescindíveis para que o Brasil entre de uma vez por todas no bloco das potências emergentes, elevado a esse patamar por um sistema educacional no nível daqueles praticados por países do primeiro mundo.

Sexo entre crianças chega à internet

Estão chamando de cyberbullying. Bulismo na Internet. Se um idoso guarda vídeos, fotos e textos e áudio, é preso por pedofilia. Segundo o critério da OMS, adolescente de 16 ou 17 anos também podem ser classificados como pedófilos, se eles tiverem uma preferência sexual persistente ou predominante por crianças pré-púberes pelo menos cinco anos mais novas do que eles.

Com tarja nos olhos, a imprensa divulga crianças tomando drogas, se prostituindo, realizando trabalhando infantil, a criança soldado, a criança armada, presa etc. Acho  importante. Mostra uma realidade. Esconder só faz piorar.

Existe bulismo nas escolas com estupros de meninos e meninas. E o sexo consentido. Idem assédio sexual, assédio moral, o stalking, assaltos, ameaças, espancamentos, crimes rotulados de bullying.

A verdade, a verdade é que as crianças estão fazendo sexo mais cedo, e os pais nem aí, desde que seja uma “brincadeira infantil”. Como esconder esta realidade?

O sexting é uma nova forma de cyberbullying, cada vez mais frequente entre os jovens. Na semana passada, um rapaz britânico de 14 anos foi preso por publicar um vídeo pornográfico que ele e a namorada protagonizavam, no Facebook.

O sexting tem-se tornado um problema cada vez mais frequente. Trata-se de uma nova forma de cyberbullying, uma prática que afeta adolescentes por todo o mundo. Em 2009, um estudo revelou que um terço dos jovens já teria sofrido bullying no mundo cibernáutico.

Sexting consiste em enviar conteúdos sexuais provocatórios como imagens, mensagens ou clips de vídeo, através do telefone ou da internet. De acordo com Sherry Adhami, membro do grupo de caridade britânicoBeatbullying, que se destina a prevenir atos de bullying, sexting tornou-se uma epidemia que ataca cada vez mais jovens por todo o mundo.

Em declarações ao jornal britânico, “The Telegraph“, vários jovens revelaram que esta realidade é bastante mais comum do que aquilo que se pensa. Amy, de 16 anos, disse, inclusive, que “se perguntar por aí, eu conseguiria, provavelmente, obter entre 10 a 20 fotografias que foram enviadas ou postas no Facebook, em menos de uma hora”.

Escola com tablet. E com tabefe

Fico imaginando quanto custa a mensalidade desta escola. No valor e na origem do dinheiro dos pais. Lá nos Estados Unidos foi notícia.

Webb School, Estados Unidos
Webb School, Estados Unidos

O objetivo disso é substituir os livros didáticos pelo tablet, por motivos até mesmo de saúde dos alunos, pois segundo o diretor da instituição, Jim Manikas, os alunos chegam a carregar quase 20 quilos de livros em uma mochila, enquanto o iPad pesa menos de um.

Acontece que Eiomar Lima informa:

Propaganda em Fortaleza
Propaganda em Fortaleza

Por aqui, Fortaleza, propaganda de colégio particular sobre tablet.

“O Ministério da Educação (MEC) vai distribuir tablets – computadores pessoais portáteis do tipo prancheta, da espessura de um livro – a escolas públicas a partir do próximo ano. A informação foi divulgada hoje pelo ministro da Educação, Fernando Haddad, durante palestra a editores de livros escolares, na 15ª Bienal do Livro. O objetivo, segundo o ministro, é universalizar o acesso dos alunos à tecnologia.
Haddad afirmou que o edital para a compra dos equipamentos será publicado ainda este ano. “Nós estamos investindo em conteúdos digitais educacionais. O MEC investiu, só no último período, R$ 70 milhões em produção de conteúdos digitais. Temos portais importantes, como o Portal do Professor e o Portal Domínio Público. São 13 mil objetos educacionais digitais disponíveis, cobrindo quase toda a grade do ensino médio e boa parte do ensino fundamental.”
O ministro disse que o MEC está em processo de transformação. “Precisamos, agora, dar um salto, com os tablets. Mas temos que fazer isso de maneira a fortalecer a indústria, os autores, as editoras, para que não venhamos a sofrer um problema de sustentabilidade, com a questão da pirataria.”
Haddad não soube precisar o volume de tablets que será comprado pelo MEC, mas disse que estaria na casa das “centenas de milhares”. Ele destacou que a iniciativa está sendo executada em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT).
“O MEC, neste ano, já publica o edital de tablets, com produção local, totalmente desonerado de impostos, com aval do Ministério da Fazenda. A ordem de grandeza do MEC é de centenas de milhares. Em 2012, já haverá uma escala razoável na distribuição de tablets.”

Que bonito! Onde ficam estas escolas do MEC? 

Cada menino, filho de mãe que recebe o bolsa família, de pai que ganha salário mínimo, vai ter agora seu tablet

Quando as escolas municipais do Brasil estão caindo aos pedaços. Sob o peso da corrupção generalizada dos prefeitos.

Falo isso por que fui secretário de Educação e Cultura do maior município de Pernambuco, Jaboatão dos Guararapes, com mais de um milhão de habitantes. Apenas seis meses. Era um mundão de dinheiro. Deu para eu ser o melhor secretário por várias décadas. Basta dizer que proclamei a independência financeira das escolas. Promovi a eleição das diretorias. Comprei geladeira e fogão para todos os educandários. Como era possível oferecer merenda escolar sem cozinha?

Fui demitido porque não roubava. E investigado por todas as polícias e tribunais. Motivo: sou honesto. E por ser honesto, várias vezes ameaçado de morte.

O que ganhei? Sou considerado “carta fora do baralho”. Frase de um procurador.

Eta Brasil piada. Queria conhecer um aluno de Haddad. Um com tablet.

Existe escola, informa o MEC, nem água potável tem