Sérgio Cabral derruba a terceira melhor escola municipal do Rio e o prefeito Eduardo Paes acha bom

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alunos em sala de aula

alunos na sala de aula

Alunos em sala de aula
Alunos em sala de aula
Alunos em festa junina. Aprendizado do folclore brasileiro
Alunos em festa junina. Aprendizado do folclore brasileiro

Representantes do Comitê Popular da Copa, do Museu do Índio e pais de alunos da Escola Municipal Friedenreich comandaram uma manifestação contra as demolições previstas pelo governo para o Complexo Esportivo do Maracanã.

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Aluno assino baixo-assinado contra os tratores de Sérgio Cabral
O abaixo-assinado dos alunos contra os tratores de Sérgio Cabral

— Desde 2010 estamos questionando esse processo de reformulação do Complexo do Maracanã, as remoções, as demolições. Mais do que um estádio, o Maracanã é um símbolo da cidade, junto com os aparelhos do seu entorno. O governo quer mudar a cara dele sem consultar a população. Nossa expectativa é a de conseguir marcar uma reunião com o governador para que nossas reivindicações sejam ouvidas — diz Marcelo Edmundo, coordenador da Central de Movimentos Populares e do Comitê Popular da Copa 2014.

Segundo o estudo de viabilidade econômica feito para o modelo de concessão do estádio para a iniciativa privada, seria necessário demolir e realocar o Parque Aquático Júlio Delamare, o Estádio Célio de Barros, o Museu do Índio e a Escola Municipal Friedenreich. Carlos Sandes, pai de uma aluna do colégio, é contra a transferência.

A escola é a quarta melhor do Rio e tem história com o Maracanã. Querem transferi-la para um endereço em São Cristóvão de difícil acesso e transporte precário. 
“A Escola Friedenreich dá um banho de qualidade em muita escola privada por aí. E retirá-la de seu local original vai influenciar muito no seu padrão, por uma série de motivos que não nos negamos a informar, caso queiram saber.”

Manifestação na Câmara Minicipal contra a passividade do prefeito do prefeito Eduardo Paes e cumplicidade da Câmara Municipal do Rio de Janeiro
Manifestação na Câmara Minicipal contra a passividade do prefeito Eduardo Paes e cumplicidade da Câmara Municipal do Rio de Janeiro

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Manifestação das ruas e avenidas
Manifestações nas ruas e avenidas

AUDIÊNCIA PÚBLICA SOBRE A PRIVATIZAÇÃO DO MARACANÃ CONTEXTUALIZADA

A manifestação de todos os membros da sociedade civil presentes na pseudo-audiência pública sobre o Maracanã era pelo cancelamento da audiência e não simplesmente para evitar a privatização. Os presentes queriam garantir uma discussão justa. Queríamos que tanto os a favor contra os contra a privatização pudessem discutir democraticamente o interesse público do projeto.

Mesmo que todos fôssemos a favor da privatização, isso teria que ser feito de forma responsável e que atendesse o interesse geral, mas os parâmetros desse edital são muito discutíveis.

Não vi um cidadão na pseudo-audiência que defendesse o projeto do governo. A questão pública tem que ser muito discutida. Antes de mais nada, se o serviço público que atende a um extenso público sob parcos recursos disponibilizados pelo governo – que não poupa em vantagens para o setor privado – é considerado de má qualidade, quem poderá dizer que o setor privado consegue ser melhor? Precisamos aprofundar esse tema.

A democracia se faz com discussão. E conhecer a realidade das demandas é necessário – porque um conhecimento futuro do real pode doer profundamente a quem defende uma ideia sem investigá-la a fundo! A Friedenreich, por exemplo, dá um banho de qualidade em muita escola privada por aí. E retirá-la de seu local original vai influenciar muito no seu padrão, por uma série de motivos que não nos negamos a informar, caso queiram saber. ~ Aurea Xavier

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CARTA DE UM ALUNA DE ONZE ANOS

“Meu nome é Beatriz Ehlers, tenho 11 anos, ( veja vídeo)  e quando crescer eu quero ser arquiteta. Eu estudo na Escola Municipal Friedenreich, que é a 4ª melhor escola do Rio mas o Governo quer demolir ela e construir uma quadra para o Maracanã. Eu amo a minha escola e todos os alunos, professores e pais também amam ela! Foi aqui que eu aprendi a ler, escrever, usar computador, filmar e editar vídeos e principalmente a respeitar as outras pessoas. Nossa escola é diferente, é um exemplo! Nós pedimos a todos os cariocas e todas as escolas do Rio que assinem a carta de apoio e nos ajudem a impedir que a nossa escola seja demolida. Meus pais, eu e outros alunos vamos entregar essa carta diretamente para quem pode impedir que a escola seja demolida durante um encontro no dia 08 de Novembro.”

Conversando com os pais da Bia, descobrimos que ela é uma das melhores alunas da Escola Municipal Friedenreich, considerada a 4ª melhor do município. Infelizmente o Governo planeja botar a escola da Bia abaixo e construir uma quadra antes de entregar o complexo Maracanã para ser administrado pela iniciativa privada.

Felizmente, ainda dá tempo de alterar o edital de concessão do Maracanã e evitar que a escola seja demolida, interrompendo um projeto pedagógico que se construiu em 20 anos.  Movimento Meu Rio.

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O MITO DE NERO

Depois do assassinato de Nero (ou suicídio para evitar uma morte com tortura), os romanos não acreditaram na sua morte. Por décadas ficaram esperando sua volta. Sua popularidade advinha de um governo de paz (este foi o principal motivo do complô militar). E por oferecer ao povo pão e circo.

Nero construiu o Coliseu. Modelo para os estádios da Copa do Mundo. Isso explica a reeleição do prefeito Eduardo Paes (64, 60 dos votos).   E a popularidade do governador Sérgio Cabral.

Em Roma antiga foram presos e executados falsos Neros que reivindicavam o trono de imperador.  O historiador Tácito fala nos seus escritos de um panorama político muito mais complicado, segundo o qual a morte de Nero foi bem recebida entre os senadores, a nobreza e a classe alta, mas que, pelo contrário, a classe baixa, os escravos e os assíduos do teatro, que foram os beneficiários dos excessos do imperador, receberam a notícia com pesar. O exército, enquanto isso, estava na encruzilhada entre o dever obediência a Nero como o seu imperador e os subornos oferecidos para o derrocar.

Após o suicídio de Nero em 68, nas províncias orientais foi estabelecida a crença de que, na realidade, não estava morto e que em qualquer momento poderia voltar. Esta crença estendeu-se ata tornar-se autêntica lenda popular.

Ao menos três impostores surgiram após a morte de Nero: O primeiro surgiu em 69, durante o reinado de Vitélio e parecia-se fisicamente, cantava e tocava a lira. Após a captação de vários acólitos foi capturado e executado. Durante o reinado de Tito (79-81)  surgiu outro impostor que foi também executado. Vinte anos depois do suicídio de Nero surgiu, durante o cruel reinado de Domiciano, outro usurpador. Este terceiro pretendente foi apoiado pelos partos e o assunto tornou-se tão tenso que quase estouraram as hostilidades entre as duas nações.

A lenda de Nero sobreviveu durante muitos anos, tanto que Agostinho de Hipona a nomeia como uma importante crença popular. Mas a imagem de um Nero cruel,

O Nero Anticristo constitui uma vingança a posteriori dos cristãos, quando se tornou a religião oficial do império. Cristãos foram culpabilzados pelo incêndio da favela dos judeus, terreno cobiçado por Nero para construir o Coliseu e outras obras de modernização de Roma. Lembra os atuais incêndios das favelas de São Paulo e os despejos e demolições do governador Sérgio Cabral e prefeito Eduardo Paes para a construção dos elefantes brancos da Copa do Mundo e Olimpíada Rio.

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Dez por cento do PIB para a educação

por José Chaves

 

Depois de 18 meses de tramitação, a Câmara dos Deputados aprovou o Plano Nacional de Educação (PNE), para vigorar até 2020. A melhor notícia do texto é a destinação de 10% do Produto Interno Bruto (PIB) para investimentos no setor, percentual a ser alcançado no prazo de dez anos.

Inicialmente, o governo defendia o percentual de 7%, depois concordando com 8%, o que não se sustentou em face de novos debates e pressões no âmbito da Comissão Especial encarregada de apreciar a matéria. Conforme o texto aprovado, a determinação é que se ampliem os recursos para a educação dos atuais 5,1% do PIB, no prazo de cinco anos, até atingir os 10% ao fim da vigência do Plano. Trata-se de uma medida de excepcional importância para retirar a educação brasileira de um quadro ainda de lamentável pobreza e ineficiência, além de favorecer o professorado e a recuperação dos educandários, visando a disponibilizar os meios mais modernos para a aprendizagem.

No Senado, o Projeto de Lei nº 8.035/2010, do PNE, ainda deve sofrer alterações, mas os 10% para gastos em educação já estão assegurados. Naturalmente, os senadores não desconhecem que o Brasil ocupa o 53º lugar em educação entre 65 países selecionados. Mesmo com o programa social que concedeu incentivos a 98% de crianças de 6 a 12 anos, 731 mil crianças ainda estão fora da escola, segundo o IBGE. O analfabetismo funcional de pessoas entre 15 e 64 anos registrado 28% no ano de 2009: 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização ainda não conseguem ler. Por outro lado, 20% dos jovens que concluem o ensino fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam o uso da leitura e da escrita e professores ainda recebem abaixo do piso salarial definido pelo MEC.

Além do aumento nos investimento, o PNE prevê a ampliação de vagas em creches, a equiparação da renumeração dos professores com a de outros profissionais com formação superior, a erradicação do analfabetismo e a oferta de ensino em tempo integral, em pelo menos 50% das escolas públicas.

São metas arrojadas, mas absolutamente imprescindíveis para que o Brasil entre de uma vez por todas no bloco das potências emergentes, elevado a esse patamar por um sistema educacional no nível daqueles praticados por países do primeiro mundo.

Escola não é campo de concentração nazista

Nas escolas caixões tudo acontece.

As escolas públicas ficam cada vez mais parecidas com os internamentos penais na antiga Febem.

A corrupção no Ministério e secretarias estaduais e municipais da Educação começou a contaminar os alunos.

Que futuro oferecem os pardieiros de Realengo?

Qual a proposta indicada para moralizar o ensino?

Para o Estado de Minas, “a solução passa pela instalação de câmeras de segurança, detectores de metal e mais grades˜.

Se essa parafernália resolvesse, os bancos não eram assaltados nem os caixas eletrônicos explodidos. A bandidagem não treinaria tiro ao alvo nas guaritas policiais. Não haveriam fugas nos presídios.

A solução começa por leis contra o bulismo, o stalking, a prostituição infantil.
Pela prisão dos que roubam a merenda escolar.
Pela construção de prédios escolares com salas de aulas espaçosas e mobiliadas, e com equipamentos modernos de ensino. Com biblioteca, áreas de lazer e esportes, piscinas.

Com salário educação para pais e alunos.
Com a seleção de professores capacitados e bem pagos.

As escolas devem ser abertas. Abertas para a comunidade. Abertas para os pais. E para os alunos, nos finais de semana. A escola como uma segunda casa.

Falta a primeira casa.