Ensinar os filhos em casa ganha força no Brasil e gera polêmica

Uma nova batalha vem sendo travada dentro e especialmente fora das salas de aula

por Mariana Della Barba/ BBC Brasil

 

De um lado da trincheira estão pais que defendem o direito de eles próprios – e não o Estado – decidirem como e onde os filhos serão educados. Ao se dizerem insatisfeitos com o sistema educacional do país, eles mostram aprovações dos filhos em exames como o Enem para corroborar a eficácia da educação domiciliar.

No outro lado da disputa estão o governo e alguns juristas alegando que tirar uma criança da escola é ilegal, além de alguns educadores, que criticam a proposta, especialmente com argumento de que essa prática colocaria as crianças em uma bolha.

Mais sedimentado em países como os Estados Unidos, ohomeschooling (como também é conhecido pela expressão em inglês) vem ganhando fôlego no Brasil. Segundo a Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), há mil famílias associadas no grupo. Mas Ricardo Iene, cofundador do órgão, calcula que, pela quantidade de e-mails que recebe, sejam mais de 2 mil famílias educando seus filhos em casa no Brasil.

CliqueLeia mais: Educação domiciliar cresce nos EUA

O movimento também está conquistando espaço na esfera política. No próximo dia 12, haverá uma audiência pública em Brasília para discutir o tema, na Comissão de Educação e Cultura da Câmara. Na pauta, estará também o Projeto de Lei (PL) do deputado Lincoln Portela (PR-MG), que autoriza o ensino domiciliar.

Advogados da Aned veem na própria Constituição brechas que defendem o direito da família de educar seus filhos (veja box), mas a associação acredita que uma lei específica daria mais segurança aos pais que optam por esta modalidade de ensino.

Por que em casa?

“Quando meu filho tinha 7 anos, um garoto da escola, que tinha 10 anos, batia nele e o perseguia por causa do nosso sotaque baiano”, conta Ricardo Iene, cofundador da Aned (Associação Nacional de Educação Domiciliar), que é natural da Bahia, mas mora em Belo Horizonte (MG) há cinco anos. “Também havia um garoto que ficava assediando milha filha.”

Ricardo tirou os filhos Guilherme e Lorena da escola por estarem sofrendo bullying
Ricardo tirou os filhos Guilherme e Lorena da escola por estarem sofrendo bullying

“Fui várias vezes na escola, reclamar, conversar, tentar resolver esses problemas. Mas nunca adiantou.”
O bullying foi um dos motivos que, há três anos, influenciou Ricardo a tirar da escola, Guilherme, de 13 anos, e Lorena, de 15 anos. Mas certamente não foi a única motivação. Tanto para o publicitário que vive em BH como para outros pais ouvidos pela BBC, é sempre um conjunto de fatores que o impulsionam a tomar essa decisão.
Mas um deles parece estar sempre presente: o desejo de estar mais envolvidos e presentes na criação dos filhos.
Clique Leia mais: Mães relatam rotina de ensino domiciliar em apartamento de SP
“Vemos crianças hoje em dia que entram na escola às 7 da manhã e ficam até bem depois das 17h ou 18h, porque elas ficam fazem balé, natação e várias outras atividades. Além da agenda cheia como a de um adulto dessas crianças, mal sobra tempo para o convívio familiar”, diz M.L.C, mãe de 4 filhos, todos em homeschool, que não quis se identificar por temor de ser denunciada. Leia mais

Professor em greve. Quarenta dias no Mato Grosso

Chegou a hora de acabar com as greves de teatro, que elegeram vários pelegos deputados. E com as greves combinadas com os sindicatos patronais, que sempre terminam com o aumento das mensalidades escolares. O professor tem que defender o ensino público. Ter a coragem de fazer greve para valer, pela qualidade do ensino e salários dignos. Os professores de Goiás completaram quarenta dias de greve.

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Prova oral dos professores: governador e deputados correm risco de tirar zero

por Antero Paes de Barros

O governo Silval está perdido na condução da greve dos professores estaduais. Primeiro, deu uma demonstração de pouco-caso com os profissionais da educação, preferindo judicializar o movimento e depois só voltando a negociar porque foi pressionado. E mais: por inércia, o governador e o PMDB acabam chancelando a omissão do PT, que conduz há anos a Secretaria de Educação e nunca esboçou colocar em prática uma política pública para o setor. O quadro lamentável aponta para o “legado” negativo que Silval vai deixar nas áreas sociais do Estado.

E quando negociou com os professores, Silval usou de uma manobra que desrespeita a inteligência dos mato-grossenses. A última proposta, rejeitada pelos mestres, é um primor em empurrar o problema para frente, com promessa de aumentos que serão pagos pelos futuros governadores.

Na verdade, o atual governo desarrumou as finanças do Estado e essa situação se reflete na ponta mais fraca, nos servidores e nas áreas sociais, educação, saúde e segurança, que são administradas hoje aos trancos e barrancos, sem planejamento, sem metas, sem políticas públicas discutidas com a sociedade.

O maior exemplo do descalabro na aplicação do dinheiro público em Mato Grosso é o crescimento absurdo dos gastos da Assembleia Legislativa. Situação que é passivamente aceita e diligentemente cuidada pelo atual governo. A Assembleia recebeu em 2012 recursos na casa de 270 milhões de reais. Este ano, o governo vai repassar 500 milhões de reais para o L0egislativo estadual.

O governador e o presidente da Assembleia podem começar explicando para a população: qual é a justificativa para repassar, de um ano para outro, 230 milhões de reais a mais para a Assembleia? Não tivemos aumento no número de deputados. E a Assembleia não tem hospitais; não tem postos de saúde; não tem escolas; não tem creches; não tem delegacias e nem quartéis para administrar. Qual a razão para receber 230 milhões a mais de um ano para o outro? Com o que exatamente a Assembleia vai gastar 500 milhões de reais em 2013? Os professores deveriam perguntar.

A relação entre o parlamento milionário e os professores sem reajustes gera uma situação de completa incoerência. Os deputados “ajudam” os professores na negociação com o Executivo, pressionam para que o governador faça propostas, mas não abrem mão de suas benesses. Uma parte dos milhões da Assembleia Legislativa poderia servir já ao reajuste dos profissionais da Educação. Por que os deputados não colocam essa possibilidade na mesa de negociação? Os professores deveriam perguntar.

Os profissionais da rede de estadual de Educação reivindicam dobrar o poder de compra em até sete anos; realização imediata de concurso público; chamamento dos classificados do último concurso; garantia da hora-atividade para interinos; melhoria na infraestrutura das escolas; aplicação dos 35% dos recursos na educação como prevê a Constituição Estadual; autonomia da Secretaria de Estado da Educação na gestão dos recursos da área.

Os professores de Mato Grosso prestariam mais um grande serviço à sociedade, e de quebra ajudariam o próprio movimento, se fizessem uma prova oral com o governador e os deputados estaduais. O ponto da prova: o orçamento milionário da Assembleia. E a pergunta que não quer calar: com o que Legislativo vai gastar 500 milhões de reais em 2013? Silval e os deputados correm o risco de levar pau na prova. Sem explicação convincente, a nota é zero.

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Chile de novo nas ruas pelo ensino gratuito

Santiago

El lucro en la educación exhibió una crisis originada allí en donde un derecho se vuelve un negocio. También nuestra salud, dignidad y casi todo en la vida se transa en la bolsa. Sólo la organización colectiva nos puede ayudar a recuperar nuestros derechos. Este 2013 nos vemos en las calles.

Chile nas calles

 

El lucro en la educación exhibió una crisis originada allí en donde un derecho se vuelve un negocio. También nuestra salud, dignidad y casi todo en la vida se transa en la bolsa. Sólo la organización colectiva nos puede ayudar a recuperar nuestros derechos. Este 2013 nos vemos en las calles.

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NINGUÉM RECLAMA NO BRASIL. O ENSINO BRASILEIRO VAI BEM, OBRIGADO. OS ESTUDANTES CHAMAM O REITOR DE MAGNÍFICO. AS ESCOLAS PARTICULARES RECEBEM VERBAS E MAIS VERBAS DO GOVERNO E SÃO AS MELHORES DO MUNDO. E COBRAM BARATINHO, BARATINHO… NÃO EXISTEM NEGÓCIOS NA EDUCAÇÃO.

br_extra. ensino pago
o_dia. privatização do ensino

O brasiliense, preso no luxuoso armário, odeia as mulheres

BRA_CB lesbofobia

Precisamos divulgar o termo lesbofobia. O jornal estampa a agressão a uma universitária da UnB. Lembra o trote infame da Universidade Federal de Juiz de Fora, em 2012, quando uma garota teve de carregar um cartaz, pendurado no pescoço, com os dizeres “sou lésbica”.  Depois do trote, uma suruba no campus, e uma caloura estuprada.

“Tenho medo de sair de casa”, diz a estudante de 20 anos espancada no câmpus da UnB. Ela conta que abria a porta do carro quando um rapaz chegou por trás. “Sua lésbica nojenta”, ele falou. “Quando me virei, levei um soco e caí.” Casos como o dela são cada vez mais corriqueiros na capital do país. No ano passado, o Disque 100 da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República recebeu 236 queixas de agressões (…).

Depoimento

“Gravei o olhar dele”

“Eu estava indo embora da UnB em direção ao meu carro. Carregava o meu computador, a mochila, tinha muita coisa nas mãos e, por isso, não consegui reagir. Virei para abrir a porta do veículo quando o rapaz chegou por trás e falou: “Sua lésbica nojenta”. Quando virei de novo, levei um soco e caí. Ele me chutou e veio para cima. Como faço luta, consegui tirá-lo de cima de mim, mas levei outro soco no nariz e comecei a sangrar. Apaguei, fechei os olhos por alguns segundos. Quando vi, ele estava fugindo, escondendo-se entre os carros. Falei com a polícia que, se me colocarem de frente com ele, conseguirei reconhecê-lo. Gravei o olhar dele. Estou bem machucada, com hematoma no rosto, a boca cortada e a costela machucada. Estou tomando remédio para dor de cabeça e muscular, anti-inflamatório e para não desenvolver a síndrome do pânico. Também estou fazendo tratamento psicológico. Tenho medo de sair de casa, de voltar à UnB. O agressor tinha cara de estudante. O que desejo é que isso se transforme em uma revolução contra a homofobia, o racismo ou qualquer outro tipo de preconceito. Na UnB, homossexuais são ameaçados a todo o momento, temos que falar, temos que lutar.”

Estudante da UnB agredida na última segunda-feira

A população feminina é predominante no DF e também em Brasília, onde mulheres alcançam 53% e homens 46%. A população de idosos é de 21,9%.
Os agressores são sempre jovens. Da classe alta de barnabés, que Brasília tem o segundo maior PIB e nenhuma indústria. Os filhos de papai estupram e matam (relembrem o caso Ana Lídia), queimam índios e mendigos…
O psicopata social, uma doença do ensino privado. Impera o bulismo nas escolas mais ricas.

A boate de Santa Maria é uma metáfora da Escola brasileira: desprezo pela vida e pelo futuro

por Cristovam Buarque

Escola Municipal Friedenreich, Maracanã, Rio de Janeiro
Escola Municipal Friedenreich, Maracanã, Rio de Janeiro

Não é difícil perceber como as manchetes das revistas das últimas semanas se referem à tragédia humana da boate Kiss, de Santa Maria: “Quando o Brasil vai aprender?”, “A asfixia não acabou”, “Tão jovens, tão rápido e tão absurdo” e “Futuro roubado”. É também uma tragédia que pode ser associada às escolas de todo o Brasil. É como se a boate de Santa Maria fosse uma metáfora da escola brasileira.

Na primeira delas, os jovens perderam a vida por inalarem um gás venenoso; na outra, as crianças perdem o futuro por não inalarem o oxigênio do conhecimento. A imprevidência de proprietários, músicos e fiscais levou à morte por falta de ar; a de políticos, pais e eleitores leva a uma vida incompleta por falta de educação. A tragédia despertou para os riscos que correm nossos jovens em seus fins de semana em boates, mas ainda não despertou para o que perdem nossas crianças e jovens no dia a dia de suas escolas.

Estamos fechando boates sem sistemas de segurança, mas ainda deixamos abertas escolas sem qualidade. Os pais começaram a não deixar seus filhos irem a boates inseguras, mas levam confiantemente suas crianças a escolas que não asseguram o futuro delas. Exigimos que as boates tenham portas de emergência, mas não exigimos que as escolas sejam a porta para o futuro das crianças.

A tragédia de Santa Maria provoca a percepção imediata da fragilidade vergonhosa na segurança de boates, mas a tragédia de nossa educação, apesar de suas vítimas, não é percebida. Isso porque ela é uma tragédia à qual nos acostumamos e que nos embrutece, ou porque são crianças invisíveis pela pobreza, ou ainda porque somos um povo sem gosto pela antecipação, só ouvimos o grito de fogo e vemos a fumaça depois que eles matam. Por isso fechamos os olhos à tragédia da educação que hoje devasta a economia, a política e o tecido social do Brasil.

ABANDONO DAS ESCOLAS

Passeata estudantil, México
Passeata estudantil, México

O abandono de nossas escolas não mata diretamente, mas dificulta o futuro de cada criança que não estuda. Se as escolas fossem de qualidade para todos, teríamos menos violência urbana, maior produtividade, mais avanços no mundo das invenções de novas tecnologias e um país melhor.

Por isso, ao mesmo tempo em que choramos as trágicas mortes dos jovens de Santa Maria, choremos também pelo futuro das crianças que não vão receber a educação necessária para enfrentar o mundo.

Choremos pelos que perderam a vida na boate ao respirar o ar venenoso e pelos que não vão receber nas escolas o ar puro do conhecimento.

Não vamos recuperar as vidas eliminadas na boate Kiss, podemos apenas chorar e nos envergonharmos. Mas podemos evitar o desperdício das vidas que estão hoje nas “escolas Kiss”: metáfora que une boate e escola, sobretudo quando nos lembramos de que a boate se chamava Kiss, nome que deveríamos dar também às nossas escolas de hoje: beijo do desprezo. Desprezo pelas vidas de jovens ou pelo futuro de nossas crianças.

(transcrito do jornal O Tempo)

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Privatizaram o ensino e o Brasil nem percebeu

Por Paulo Kliass

ensino educação

Ensino superior privado: mercantilização crescente
Na área do ensino superior, em dezembro passado, o Ministério da Educação proibiu 207 cursos de realizarem concursos vestibulares para novos alunos e no início do presente ano comunicou que outros 38 cursos haviam sido punidos com a proibição de expandirem o número de vagas, tal como solicitado pelas instituições proprietárias. A educação universitária também vem sendo objeto de profunda transformação empresarial e corporativa, de modo que o crescimento da parcela de setor privado no conjunto do sistema é bastante expressivo.

De acordo com os dados oficiais do INEP, existem 2.365 instituições de ensino universitário no Brasil. A repartição de tais faculdades e universidades revela que 88% do total são entidades privadas, restando apenas 12% no setor público (considerando o conjunto federal, estadual e municipal). Em termos numéricos: 2081 privadas e 284 públicas. Se a análise for para o total de alunos inscritos, o setor privado oferece 76% do total e o setor público fica com apenas 24%.

Em termos de matrículas, a expansão quantitativa foi expressiva ao longo da última década. Em 2002 havia 3,5 milhões de matrículas no ensino superior e em 2011 atingiu-se o marco de 6,7 milhões de alunos inscritos. Porém, a maior parcela desse crescimento de 75% deveu-se ao setor privado. As matrículas no setor público cresceram 69% ao longo dos 10 anos, ao passo que as do setor privado cresceram 105%.

Esse crescimento expressivo das escolas particulares encontrou na própria formulação de políticas públicas um importante aliado. Por um lado, pelos longos períodos em que a orientação de contenção de gastos públicos provocou um verdadeiro sucateamento do modelo das universidades públicas, em especial as federais. Restrições orçamentárias em seqüência contribuíram para inviabilizar investimentos necessários da rede física e de seus equipamentos, Além disso, a política de recursos humanos não contribuía para atrair e manter pessoal qualificado.

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PROUNI: socialização dos custos da baixa qualidade
Por outro lado, o governo criou um programa de apoio a bolsas de estudos para as escolas privadas. Através desse modelo, as empresas do setor passaram a ter praticamente assegurada uma significativa da receita correspondente às vagas oferecidas. O discurso oficial soltava loas a um modelo que parecia agradar a todos, menos a um futuro com educação de qualidade assegurada. A população de baixa renda via finalmente chegar o sonho do diploma de ensino superior. As empresas operantes no sistema de educação privada reduziram de forma significativa o risco em suas operações e nem se preocupavam com os resultados obtidos, pois o Estado assegurava suas receitas operacionais, por meio das bolsas oferecidas.

Atualmente, o PROUNI custeia 1,1 milhão de bolsistas, sendo 740 mil na modalidade integral (100% do valor da mensalidade) e 360 mil na modalidade parcial (50% do valor da mensalidade). Além disso, existe a opção do financiamento a juros subsidiados. O programa FIES oferece recursos para pagamento de despesas com matrículas e mensalidades. As regras existentes prevêem um período de carência durante o curso e o reembolso posterior a juros anuais de 3,4%, quando o beneficiário teoricamente tiver obtido ganhos salariais derivados de sua formação. Com esse incentivo, as empresas que operam na educação universitária passaram a ter um mercado cativo para suas vagas.

Passeata estudantil no México
Passeata estudantil no México

Afinal, o que é o socialismo na América?

por  Paulo Solon

Acabo de ouvir na Fox News que os acontecimentos atuais dificultam a sobrevivência do GOP (Great Old Party, o Republicano). Que a Irmandade Muçulmana assumiu o controle do Egito, e que foi para isso que apoiou a queda de Mubarak. Que ela está por trás da conduta do Hamas a favor dos palestinos. Sem surpresa, portanto, o fato de o jornalista israelense Uri Avnery haver adotado a mesma posição.

O que é socialismo na América? Nacionalização dos bancos, nacionalização da indústria? A America está fazendo isto agora, mas não é a mesma coisa que socialismo na Europa, principalmente no país de François Hollande.

O que tenho notado é que radialistas e apresentadores da Fox News, antes bastante radicais, ou conservadores extremados, como Rush Limbaugh, estão bem mais moderados. Falam até em entendimentos diretos entre os Estados Unidos e o Iran. Não sei se em razão dos resultados eleitorais desfavoráveis aos Republicanos, ou se estão esperançosos com a eleição de Mohammad Bagher Qualifab, apontado como favorito para substituir o detestado Mahmoud Ahmadinejad em seu final de mandato.

Qualibaf já declarou que competição e colaboração, em seu governo, tomarão lugar de oposição e discordância, no que se refere a relações iranianas com os Estados Unidos. Como vemos, “Sic transit gloria mundi”.

Não sei se isto tem a ver com o fato de a globalização estar desagradando. Mas não é só isso. Em seu badalado livro “The Revenge of Geography “(O Revanche da Geografia), o autor Robert D. Kaplan sugere que uma guerra contra o Iran é absolutamente improcedente.

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NO ALMOÇO

Ao ser convidado para almoçar na casa de uma familia brasileira que vive aqui, no desenrolar da conversa não fiquei surpreso de o anfitrião haver declarado que é contra as atitudes socialistas que estao vicejando nos Estados Unidos. Claro, por questão de cortesia, como convidado, me abstive de comentar.

O tempo passou, o almoço terminou, mas a conversa continuou rolando. E então fiquei sabendo que o filho do casal está terminando engenharia em uma universidade particular, mas que quem paga é o governo federal, já que o rapaz ganhou uma bolsa. Não pude me conter e falei: “Mas isto se chama socialismo!“

Ficaram em silêncio e logo mudaram de assunto.

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

 

 

 

Paulo Vieira e os lucrativos negócios das fábricas de diplomas

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A educação é um excelente negócio. Começa pelo lucro dos salários pagos aos professores e altas mensalidades reguladas pelas Anas. O ensino privado é uma fábrica de diplomas e dinheiro.

O ministro Aloizio Mercadante determinou a instauração de um processo de supervisão administrativa na Faculdade de Ciências Humanas de Cruzeiro (Facic) e a suspensão cautelar de quaisquer processos em trâmite referentes à entidade no sistema interno da pasta. A Facic pertence a Paulo Vieira, um dos presos pela Polícia Federal na Operação Porto Seguro. A PF de que Paulo Vieira teria tido acesso à senha do MEC para entrar no sistema de tramitação eletrônica de regulamentação de cursos, o e-MEC.

Quanta dinheirama pegou do MEC?

Veja lista de patrocinadores e preço promocional
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Francisco da Silva e  Nuno Moniz denunciam: O financiamento do ensino privado por parte do estado vai continuar sem cortes. Quando se fala neste tipo de financiamento, vem logo ao de cima o superior interesse dos alunos, a quem os proprietários dos colégios privados fazem o favor de providenciar ensino. Digo ensino e não educação, porque são duas coisas distintas e que não devem ser confundidas.
Se não fosse este apoio que o estado dá aos colégios, os miúdos não poderiam lá estudar, como se de uma escola pública se tratasse. Bem hajam estes mercadores do ensino, certo? Errado. Primeiro, quem explora uma instituição de ensino privada tem um negócio, tão legítimo como qualquer outro. Logicamente, o seu objectivo é o lucro e não providenciar o melhor ensino possível, o que também é perfeitamente legítimo. O que não faz sentido aqui é o estado pagar um valor “x” para cobrir as despesas do aluno, acrescidas de um “y” que representa lucro. O estado está a pagar mais do que apenas o ensino do aluno, ou seja: sai mais caro providenciar este ensino via privado, do que apostar na escola pública.

BRA^GO_HOJE goiânia ensino educação

BRA^GO_DDM mensalidades mal educadas

As pesquisas no Brasil estão sempre desatualizadas. O governo e as entidades patronais preferem contratar institutos de opinião  e encomendar pesquisas fajutas super super faturadas, enchendo os bolsos de um bando de picaretas. A PF precisa investigar esses Institutos de Pesquisas. Todos mamam nas tetas dos cofres públicos. O Brasil esta empestado de Marcos Valério, o “Carequinha” do Mensalão.

Carolina Mandl escreveu para “Valor Econômico”:

Mesmo as instituições privadas de ensino superior com pior desempenho financeiro registraram lucro em 2004. É o que mostra um levantamento feito pela Ideal Invest, empresa que concede empréstimos a escolas, e pelas consultorias Hoper Educacional e CM com 78 Universidades de todo o país com mais de mil alunos.

O estudo separou as escolas em três categorias de performance: melhor, intermediária e pior. As instituições do primeiro grupo registraram uma margem líquida média – índice que aponta quanto da receita se transformou em lucro – de 26,48%, superior à registrada por companhias como Vale do Rio Doce, Gerdau e Petrobras. A terceira categoria, de desempenho mais fraco, obteve uma lucratividade de 3,83%.

A Universidade Anhembi Morumbi, por exemplo, com 25 mil alunos, teve um lucro de R$ 52,8 milhões em 2003, o que representou uma margem líquida de 30,1%. No Ibmec SP, com 2.300 alunos em cursos de administração e economia, o índice foi de 11,8%.

O que também colabora para o bom desempenho do ramo é o fato de ele estar pouco endividado. O endividamento com bancos e com debêntures varia de 1% a 18,7% do patrimônio líquido das instituições.

“Esse é um dos setores mais lucrativos da economia brasileira”, afirma Ryon Braga, presidente da Hoper. Esse resultado, de acordo com Braga, se deve ao investimento baixo (sala de aula, laboratórios e professores) e às classes cheias, que diluem os custos já pequenos. O maior gasto de uma instituição de ensino superior é com professores, que absorvem cerca de 55% das despesas totais. O salário do professor faz parte do lucro. Assim contratam professores que aceitam baixos salários.

ensino

Un giro radical en la naturaleza de las universidades

Entrevista en profundidad a John Holmwood y Gurminder Bhambra, académicos defensores de la U. Pública en el Reino Unido. 

Medina
Medina

¿Cómo surge la idea de esta “Campaña por la Universidad Pública”?

Gurminder Bhambra: El 2010, el gobierno anunció que impulsaría una nueva forma de financiar la educación superior para enfrentar la crisis de los euros. Esta idea implicaba por un lado, la posibilidad de aumentar los aranceles estudiantiles sin tope alguno y por otro, una serie de recortes presupuestarios a las universidades, haciendo que los incrementos de los aranceles reemplazaran los fondos gubernamentales.

En este contexto comenzamos la campaña, originalmente sólo con la intención de instalar la idea de los recortes, conversar al respecto y también para señalar que lo que proponía el gobierno era en un giro radical en la naturaleza de las universidades.  No creo que hayamos pensado tan claramente la idea de universidad pública antes de esto, pero una vez que se empezó a promover la idea de recortar fondos a las instituciones y habilitar un sistema con fines de lucro, comprendimos que teníamos un sistema de universidades públicas, que posee beneficios particulares que necesitamos destacar, orientar y desarrollar.

John Holwood:Hasta entonces, todas las universidades privadas que conocíamos en Gran Bretaña eran sin fines de lucro. Había declaraciones de principios que las diferenciaban, pero cada universidad contaba con el mismo arancel para el mismo curso o carrera. Lo que involucran los cambios que se están proponiendo, es la creación de diferentes montos para el financiamiento entre las distintas universidades, por lo que algunas instituciones podrían cobrar aranceles muy altos y conseguir mejor financiamiento. Esto nos llevó a preocuparnos por las consecuencias en términos de desigualdades y justicia social, reconociendo que si bien las universidades contarán con fondos privados, esos fondos provendrían de los aranceles universitarios y sin garantía alguna de que las funciones de orientación pública de las universidades siguieran siendo desarrolladas y reconocidas.

O jogo das ofertas das universidades

Que o ensino seja gratuito. Que a universidade não esteja sucateada. Que os professores e alunos tenham a coragem de lutar pela qualidade do ensino, e contra a corrupção das reitorias e a magnífica vida dos reitores.

Veja só um exemplo: este ano, uma menor de 17 anos, virgem, religiosa, filha exemplar, residente em uma pequena cidade de São Paulo sem ensino superior, passou em cinco vestibulares: em três universidades federais e duas particulares. Decidiu estudar no Instituto de Artes e Design (IAD) da Universidade Federal de Juiz de Fora. Em 13 de abril último, em uma festa de recepção aos calouros, foi desflorada no campus.

A jovem estudante escolheu a faculdade errada, a universidade errada e a cidade errada.