Diário de Pernambuco reconhece o óbvio: Não deu tempo para escrever a grande obra literária da Copa Brasil 2014

O Diário de Pernambuco abrir espaço para escritores, a maioria deles renegados pelos Associados, causa espanto, que a cultura brasileira não participa do cotidiano da imprensa, notadamente dos jornalões, dos monopólios da televisão, e dos grandes portais na internet.

Sempre  ensino: a leitura dos jornais – depois da internet – depende de sua volta às origens. Realizar o jornalismo opinativo, promover debates, lançar romances em capítulos, ter uma redação que valesse este nome. No DP, convivi com Costa Porto, Gilvan Lemos, Paulo Fernando Craveiro, Paulo Azevedo Chaves, César Leal, Edmir Domigues, Mauro Mota, Raimundo Carrero, Waldimir Maia Leite, Selênio Siqueira, Edmundo Moraes, Antonio Camelo, Roberto Benjamin, Jaime Griz, Flávio Guerra, Potyguar Matos. E a redação do DP perdia feio para a do Jornal do Comércio.

Eis que, na sua campanha contra a Copa do Mundo (a finalidade é atingir Dilma Roussef, quando aqui o estádio foi construído na Mata de São Lourenço, por  Eduardo Campos), o DP publica a seguinte enquete, realizada por Fellipe Torres:

“NO CAMPOS LITERÁRIO, SEGUNDA COPA NO BRASIL PERDE FEIO PARA MUNDIAL DE 1950

Quando o país sediou o torneio pela primeira vez, há 64 anos, surgiam grandes obras literárias em todo o mundo. De olho em 2014, escritores, críticos e acadêmicos indicam quais livros podem (ou não) entrar para a história”

A Copa nem terminou, e o Diário de Pernambuco cobra uma grande obra literária. Parece piada. Ou aquela reportagem que se faz com adivinhos no final de cada ano…

Temos 64 anos de literatura desde a última Copa, não há como comparar com obras que ainda serão escritas. Temos mais 64 anos pela frente se queremos ser justos. Mas se apressa Luís Serguilha, poeta e crítico literário:

“Este ano sinceramente não vejo livros assim tão marcantes, nem no ano passado. São nomes marcantes no pensamento atual (literário-científico-filosófico): James Lovelock, Umberto Eco, Jacques Ranciere, Ernst Tugendhat, Noham Chomsky… Instigantíssimos! A literatura jamais poderá se separar deles. É contaminada por eles e muito”. Não citou nenhum brasileiro.

 

Condeno a enquete pelo título enganoso, safado, escandaloso e orquestrado. Quando o próprio Fellipe Torres reconhece:

“Ninguém seria capaz, naquela época, de antecipar a força de tais obras, como é corriqueiro no meio editorial. Agora, quando o país recebe o mundial pela segunda vez, ouvimos escritores, críticos literários e pesquisadores para – irresponsavelmente – ‘brincar’ de futurismo e refletir sobre a força da literatura contemporânea. Quais livros lançados em 2014 são capazes de entrar para a história a ponto de serem lembrados e reverenciados daqui a mais 64 anos? Façam suas apostas”.

Alguns entrevistados aproveitaram para mostrar que o Brasil, cujas livrarias não vendem livros de autores brasileiros, e as bibliotecas públicas são raras. No Brasil da corrupção existem várias bibliotecas fantasmas, como acontece em Jaboatão. Recife tem apenas uma, construída por Aderbal Jurema, salvo engano, no aterro do Parque 13 de Maio, para a realização do Ano Eucarístico em 1950, quando o América do poeta João Cabral de Melo Neto foi campeão de Pernambuco.

LOURIVAL HOLANDA, PESQUISADOR E PROFESSOR DA UFPE
“A RESERVA EM OURO ANTIGO [O QUE FICOU DOS ANOS 50] GARANTE O INVESTIMENTO DE AGORA”.

Lourival

Há distanciamento bastante que facilita ver o que valeu e ficou [em literatura] dos anos 50 — mas: os 5 ou 6 meses, deste 2014, é muito pouco pra apostar no que vai ficar…

Esse recentíssimo Mil rosas roubadas, de Silviano Santiago [já tem idade de clássico…], pode ficar — pelo frescor [ôpa!] da narração renovada, pela maestria da linguagem; O Mia Couto que saiu esse ano, só segue a linha ascendente, é bom também; ou: ainda; é possível que fique esse livro do Luiz Rufatto [Flores artificiais]: é bom; Carola Saavedra acaba de sair com livro novo, assim como o Marcelo Ferroni [Das paredes, meu amor, os escravos nos contemplam] — nada disso me impressionou.

Dos anos 50 houve/há ainda/sempre Hilda Hilst, Mário Faustino, a crônica de Paulo Mendes Campo; tudo isso ainda se lê bem. Nos próximos 50, será que Reprodução, de Bernardo Carvalho, fica? É um livro forte, sim; O drible, de Sérgio Rodrigues, muito surpreendente; e o Almir Bettega [Barreira]; esse, queria que ele ficasse, tempos a fora.

Enfim, essas são as apostas; incertas, claro, mas a reserva em ouro antigo [o que ficou dos anos 50] garante o investimento de agora.

URARIANO MOTA, ESCRITOR
“O QUE ESCREVEMOS E PUBLICAMOS AGORA SOMENTE VERÁ RECONHECIDO O SEU VALOR MUITOS ANOS OU DÉCADAS ADIANTE DESTE 2014”

Urariano

Do ponto de vista literário, a comparação entre os anos de 1950 e 2014 é impossível ou desvantajosa para o presente. Digo impossível porque olhamos para aquele 1950 com olhos que são filtros seguros, ou crisóis, que depuram e salvaram apenas o que se tornou obra permanente. E no entanto, não podemos fazer o mesmo com os lançamentos deste novo ano da Copa no Brasil.

Quero dizer, o que escrevemos e publicamos agora somente verá reconhecido o seu valor muitos anos ou décadas adiante deste 2014. A literatura é arte que subjuga o tempo. Mas o tempo dela se vinga escolhendo sem pressa o que será verdadeira literatura.

Digo também que a comparação entre a literatura dos anos de 1950 e de 2014 é desvantajosa porque não vemos, hoje, nada que se compare à revolução de Eu, robô, de Isaac Asimov, ou de Crônicas marcianas, de Ray Bradbury, ou à fecundação do Canto geral, de Pablo Neruda, ou de O cão sem plumas, de João Cabral, todas obras vindas à luz em 1950.

É até covardia a comparação. E covardia não tanto pela impossibilidade de construirmos grande literatura hoje, mas covardia porque iríamos medir com o metro da tradição os livros mais recentes, que não podem ser avaliados por nossos olhos viciados pelo já visto.

Mas não tenhamos dúvida: ainda superaremos 1950, no futebol e na arte. A literatura que será grande já se publica neste 2014. Quem e o quê sobreviverá? Amanhã saberemos. Lei mais 

[O Brasil tem excelentes romancistas. Começa pelos pernambucanos Urariano Mota, Fernando Carrero, Angelo Monteiro. E poetas que deveriam ter merecido o Prêmio Nobel: os “João, Joaquim e Manoel” de Carlos Pena Filho, poetas maiores que os direitistas Fernando Pessoa, Rainer Maria Rilke, influenciados pela Ordem Hermética da Aurora Dourada.

Não vou cobrar de Ivan Maurício, temos vários jornalistas – fora do batente – que deveriam ser musicados, para exaltação merecida da Poesia, e para combater a degeneração da MPB, e para tirar do esquecimento os ritmos pernambucanos.

Não vou cobrar de Ivan, exemplo do bom jornalismo, porque tem apenas mais cinco meses de secretariado.

Mas considero que a Secretaria de Imprensa, além de informar os atos e fatos do governo, deveria influenciar na dignificação dos jornalistas.

Outro grande jornalista, o potiguar Woden Madruga recomenda que o texto (crônica) de Ruy Castro, “”Cultura reduzida””, publicado na edição do dia 30, na Folha de S. Paulo, “deveria ser lido em todas as escolas deste vasto país. Lido e comentado. Lido, inclusive, pelas pessoas que dizem cuidar da cultura de sua terra, do gestor público ao artista de pose e de nariz arrebitado, “moderníssimo””. Certo Woden, gente que prefere citar autores estrangeiros, por conta do complexo vira-lata.

Diz Ruy Castro: “Há 50 ou 60 anos, os jovens ouviam toda espécie de ritmos – sambas, baiões, foxes, mambos, fados, boleros, tangos, canções francesas e napolitanas, valsas vienenses, jazz, calipso, rock’n’roll. Sabiam identificar qualquer instrumento que vissem ou ouvissem – distinguiam entre um trompete e um trombone, sabiam escalar a família inteira dos saxes, citavam pelo menos dez variedades de cordas e conheciam a maioria dos instrumentos de uma sinfônica. Aprendíamos com o cinema, o rádio ou nossos pais.

A partir dos anos 70, a vida reduziu a guitarras, teclados e percussão. Os outros instrumentos deixaram de existir. Os ritmos nacionais se evaporam e a música popular ficou igual em toda parte. A educação musical dos garotos empobreceu. E os pais não podem ajudar, porque, já nascidos nesta realidade, seu conhecimento não é muito maior que o dos filhos”.

Eis o que acontece quando jornalistas pernambucanos são musicados:

 

 

 

 

 

 

 

Ivan Maurício, um nome que exalta Pernambuco

Ivan Maurício, escritor, jornalista e político

Se Ivan Maurício participar do Secretariado do novo governador de Pernambuco, a partir de março, João Lyra prenuncia que vai formar uma excelente equipe.

Ivan é uma personalidade humana notável, mais estudioso da ciência Política do que um político profissional. Conhece profundamente a História do Brasil e a alma do povo. Basta ler os livros que já publicou.

Lembra Magno Martins:”Em 1986, o recém-fundado PSB em Pernambuco teve como candidato ao Senado o jornalista Ivan Maurício, que aparece na foto do panfleto ao lado de Miguel Arraes, à época filiado ao PMDB e que seria eleito Governador de Pernambuco. Na reta final da campanha Arraes pediu votos para Mansueto e Antônio Farias, ambos eleitos, enquanto Ivan obteve cerca de 80 mil votos. A foto foi enviada pelo jornalista Marcos Cirano, do site http://www.pe-az.com.br.”

ivan senador

Eram duas vagas de senador. Votei em Farias e Ivan. Fui o coordenador e planejei a estratégia e idealizei as peças de propaganda de Farias. Também criei o evento “Trem da Esperança”, que terminou imagem marca visual e símbolo da campanha de Arraes.

As pesquisas indicavam como candidatos a senador mais votados: primeiro, Roberto Magalhães; segundo, Mansueto Lavor; terceiro, Antônio Farias.

Ainda Magno: “O primeiro nome – Entre os nomes que João Lyra desenha para o secretariado está o nome do jornalista Ivan Maurício, cotado para a Casa Civil ou Imprensa. Ivan já passou por todas as redações dos mais importantes jornais do Estado, coordenou campanhas e disputou as eleições para o Senado em 1986. Em 1988 foi candidato a prefeito de Olinda pelo PSB”.

Jornalista, líder de redações desde garoto, formou várias gerações de célebres  profissionais da imprensa. Escritor, enciclopedista, artista plástico, pesquisador de História e folclore, Ivan pode exercer, também, as Secretarias do Governo, Planejamento, Turismo, Educação e Cultura. Bom para Pernambuco, um secretário culto, inteligente, honesto, e que ama o povo.

Cuatro entierros del periodismo

Por  

¿Ha cambiado tanto el periodismo? Un poco sí. Dos décadas atrás, salir en el periódico, en los papeles, tenía un prestigio notable. Cuando vio la luz aquel primer texto, ilustrado además con una foto mía de grandes dimensiones, mi madre recibió la felicitación de los vecinos y en la facultad varios compañeros vinieron a expresarme su amistoso reconocimiento. “¡Te he visto en el periódico!”, decían, y en cierto modo aquella fórmula sellaba una relación especial, la que se establece entre el lector y el autor.

Esa complicidad también funcionaba entre el lector y el objeto de la noticia. Mi admirado bailaor Juan Farina solía avisar a sus amigos: “Mañana compra el periódico, que me sacan una entrevista”, y si alguno le decía que no se preocupara, que lo compraba todas las mañanas, replicaba: “¡Pues mañana cómpralo antes!”. Había una expectativa, una sensación de encuentro aplazado pero seguro, que la era del flujo permanente de la información -todo llega continuamente, todo se va heraclitianamente- ha abolido casi por completo.

Internet, y sobre todo la expansión de las redes sociales, han calado de tal modo que salir en los papeles ya no tiene ninguna gracia. Lo he comprobado con algunos artistas, a los que he tratado con cariño especial en las páginas de mi periódico, para luego tener casi que rogarles que fueran al kiosco a ver cómo había quedado la página. “Mándame el pdf” es la frase que actualmente más oímos al cabo de la semana: no se pierde del todo el gusto por la noticia maquetada a la antigua usanza, pero el objetivo es ahora difundirla en la red, mostrarla en el teléfono móvil, recibir ‘likes’ y comentarios, y en fin, ahorrarse el euro y medio de un artefacto que, por lo demás, ocupa espacio y apenas servirá para envolver el pescado de mañana. El papel no va camino de morir sólo porque los medios digitales sean más baratos, sino porque su viejo prestigio se ha apagado a una velocidad inimaginable hace apenas diez años.

También el prestigio del periodista vacila en estos tiempos como la luz de una brasa casi extinguida. Los nuevos medios han propiciado que todos seamos autores, en un espectacular proceso de democratización cuyo efecto más positivo ha sido el de descubrir talentos insospechados que de otro modo nunca habrían salido a la luz, al tiempo que se desposeía de su monopolio a una suerte de élite que no siempre mereció sus tribunas. El más negativo, confundir al bloguero con el informador, ignorar que el periodismo es un oficio con sus códigos y responsabilidades, y lo que es aún peor: arrastrar a la prensa hacia el territorio del blogger, esa figura que mi adorada Dubravka Ugrešić, en esa terrible profecía titulada Gracias por no leer, definió como “un monje loco que dirige sus charlas a un nuevo dios: Google”. Lo que no nos contaron es que este totum revolutum sin filtros, esta fuerza homogeneizadora, no sólo iguala a todos los autores, sino también todos los contenidos: tanto vale mi gato como Obama, un apagón en mi calle como la caída de la Bolsa, mi última ocurrencia como una reflexión de Enzensberger.

Dos

El primer paso para que desaparezca un oficio es la convicción de que los profesionales que lo ejercen son prescindibles. Una de las formas más efectivas para lograrlo es el consabido “hágalo usted mismo”. Cuando empezábamos en esto, un testigo era una fuente. El periodista acudía al lugar de los hechos -entonces había tiempo- e interrogaba a cuantos pudieran proporcionar información. Con todos esos testimonios, y otros que pudiera recoger levantando teléfonos y tomándose cafés, elaboraba una información cuya máxima consigna era la objetividad.

Ese viejo sistema de trabajo, que con variantes se reproducía en las secciones de Sucesos, Cultura o Deportes, empezó a ser tácitamente cuestionado algunos años atrás. Cuando uno de los grandes periódicos españoles inauguró una sección titulada Yo, periodista, en la que se animaba a los lectores a cruzar el espejo y sentarse en la silla del redactor, o ponerse el chaleco del fotero, no se estaba apostando por un periodismo close-up, sino colaborando con el descrédito de la profesión. ¿Quién necesita un periodista, cuando cualquier vecino con un ordenador y una cámara puede serlo? ¿Para qué la deontología, el saber, la experiencia, la concisión o el estilo, cuando se pone a nuestro alcance la fantasía de una información pura y sin refinar, unos medios sin intermediarios?

Otro síntoma de esta tendencia fue la creciente producción de información oficial por parte de los gabinetes de prensa, cada vez más numerosos -todos: instituciones, partidos políticos, empresas, artistas, entendieron que era imprescindible tener uno-, al mismo tiempo que se limitaba la posibilidad real del periodista de abordar por su cuenta el objeto de la noticia. Entrevistas precocinadas, cuestionarios pactados, dossieres propagandísticos han acabado ganando terreno, cuando no usurpando las labores propias del oficio. Hoy nuestra agenda está más dictada por las convocatorias que nos llegan que por las citas que urdimos, lo que da como resultado una escalofriante homogeneidad en los contenidos de unos medios y otros. La rueda de prensa sin preguntas, inimaginable hace apenas diez años, se ha convertido en una nefasta costumbre que atenta frontalmente contra la libertad de expresión.

Tres

La muerte de un oficio pasa, a menudo, por la dificultad para transmitirlo de una generación a otra.

Como mucha gente sabe, pertenezco a la última generación deintrusos, gente procedente de otras ramas que cayó en el periodismo por azar y tuvo su oportunidad en él. Al cabo de los años he tenido a mi cargo a bastantes estudiantes que, bajo la ambigua figura delbecario, necesitaban que alguien les fuera enseñando lo que no se aprende en la escuela: las rutinas de la redacción y las ruedas de prensa, la práctica de las normas de estilo, las habilidades para titular, componer noticias o preparar entrevistas, la creación de tu propia agenda… Pero sobre todo, necesitaban equivocarse, y aprender de sus errores.

Como en los gremios artesanos, la profesión va camino de quedar en manos de voluntariosos idealistas, esos que nunca han de faltar, pero sobre todo se cierne sobre ella la amenaza del amateurismo: la sensación de que la prensa es un hobby, un divertimento, un capricho, pero no una profesión que se aprende y se perfecciona con los años. De acuerdo, muchos empezamos con lo puesto, en periódicos universitarios, en boletines de barrio, en fanzines, en pequeñas emisoras pirata. Estuvimos mal pagados, sin medios, incluso sin audiencia. Pero nunca estuvimos solos.

Cuatro

El historiador Fernando García de Cortázar vino a verme en la redacción. Como demoré unos minutos en llegar, se entretuvo conversando en la entrada con Pepe, el portero, y cuantos iban asomando por allí a primera hora de la tarde. “No me ha reconocido nadie”, me dijo un poco herido en su orgullo. “Bueno, Fernando, ya sabes, por aquí pasa mucha gente”, balbucí. “No, no los defiendas, después de 60 libros alguien debería saber quién soy”, protestó con una sonrisa.

Hice ver entonces al historiador que los periódicos, todos, se han quedado sin memoria en muy poco tiempo. He oído a muchos directores presumir de plantilla joven, pero a ninguno hablar con orgullo de su contingente de veteranos. Hace aproximadamente una década, empezó a estar mal visto (por alguna razón que desconocemos) que los cuarentones fueran a ruedas de prensa. Las canas y las patas de gallo parecían chocantes, desde un punto de vista estético, en un contexto que cada vez iba a parecerse más a una clase de alumnos obedientes. Aquéllos fueron entonces recluidos a las redacciones, siguiendo otra tendencia del periodismo moderno: menos calle y más computadora. Además, ¿qué podían aportar los perros viejos del oficio? ¡Memoria! ¿Y quién sería el tonto dispuesto a pagar por la memoria en la era de la Wikipedia?

El paso del papel a internet -me parece estar viendo la oficina sumergida de El País en Miguel Yuste, como un hormiguero febril, cuando comenzaba el proceso- vino acompañado de una fe ilimitada en el CD-Rom y los nuevos dispositivos de almacenamiento. Hace un par de semanas, la red se movilizó para protestar contra la destrucción en París del archivo del fotógrafo Daniel Mordzinski. ¿Sabemos cuántos archivos fotográficos y documentales de periódicos se han perdido en los últimos veinte años? Yo conozco al menos dos, uno completo y el otro seriamente diezmado. Nadie soltó una lágrima por ellos: tocaba mirar hacia delante, hacia un futuro de banda ancha, intacto, listo para ser escrito desde cero.

A nadie extrañó que, con la llegada de la crisis, los veteranos fueran los primeros corderos del sacrificio: o bien resultaban demasiado caros (a fuerza de acumular trienios, algunos habían incluso trascendido su condición de mileuristas), o bien se les acusaba de haberse quedado atrás, incapaces de adaptarse a ese nuevo perfil de periodista que es a la vez redactor, fotero, blogger y community manager mientras barre a su paso con una escoba en el culo. Puestos fundamentales, como el de corrector, fueron erradicados por los nuevos gurús de Recursos Humanos: agradézcanles a ellos las faltas de ortografía que han leído en los últimos años. A otros veteranos que eran excelentes periodistas no hizo falta despedirlos: a algunos se les dio cargos de coordinación tan abrumadores que quedaba garantizado que no tuvieran tiempo para escribir un solo párrafo, pues ya sabemos que la estructura de los periódicos impide promocionar haciendo la misma tarea; otros muchos acabaron en gabinetes de prensa, poniendo su talento al servicio de una información orientada hacia intereses concretos, por muy legítimos que sean. Y así todo. Para sorpresa de García de Cortázar, en los periódicos sevillanos hoy cuesta mucho encontrar a alguien que fuera periodista durante la Expo’92, no digamos a gente que haya informado sobre la Transición española.

La memoria no es sólo una suma de datos objetivos ordenados: también existe una memoria sentimental, una memoria de lo visto y lo vivido, que no puede reemplazarse con fondos documentales más o menos verificados. Y sin embargo, se ha reemplazado. El Alzheimer ha conquistado los medios a una velocidad que pondría los pelos de punta a cualquier gerontólogo, al tiempo que -como traté de contar ayer- se frustra el proceso de aprendizaje de los chavales que salen de la Facultad. La situación ha llegado a tal extremo, que no conozco a ningún periodista en su sano juicio que esté convencido de poder jubilarse dentro de la profesión. Perdón, ¿he dicho jubilación? ¿Quién se acuerda ya de eso?

[Transcrevi trechos. Alejandro Luque me lembra as redações de quando eu era foca. A presença dos decanos: em Natal: Câmara Cascudo, Veríssimo de Melo, Jurandyr Barroso; no Recife, Nilo Pereira, Costa Porto, Eugenio Coimbra Jr., Mauro Mota. Os veteranos: Abdias Moura, Antonio Camelo, Edmundo Moraes, Newton Navarro, Carlos Pena Filho, J. Gonçalves de Oliveira, Audálio Alves. Os da minha geração: Selênio Siqueira, Sanderson Negreiros, Ticiano Duarte, Woden Madruga, Ivan Maurício, Roberto Emerson Benjamin, Rosalvo Melo e Francisco Bandeira de Mello.
As redações eram machistas. As meninas apareceram com o Curso de Jornalismo da Universidade Católica de Roberto Benjamin, e o fã clube de Ivan Maurício.
Naqueles tempos os jornalistas eram desprendidos, boêmios, liam livros, fumavam e gostavam de fazer sexo.
As portas e janelas dos jornais eram abertas. As autoridades, humildemente, e o povo entravam nas redações sem pedir licença. Os jornalistas não tinham medo de caminhar pelas ruas]
Natal
Natal. A varanda gradeada é da Casa de Câmara Cascudo, que eu frequentava para beber conhaque e fumar charuto. 
Recife
Recife
Diário de Pernambuco
Diário de Pernambuco

A tradição do carnaval de Garanhuns tem festival de jazz. Nada mais pernambucano

BRA^PE_JDC A tradição do carnaval de Garanhuns tem festival de jazz. Nada mais pernambucano

Tremeis historiadores da Cultura de Pernambuco – um Roberto Benjamin, um Leonardo Dantas, um Ivan Maurício -, o governador e prefeitos gastam fortunas com camarotes e contratações de artistas de fora. Que Pernambuco se tornou, oficialmente, um vazio musical. Aliás, o Brasil. Que o Rio é a capital do rock, título disputado por Brasília. Que São Paulo é a capital do jazz, título disputado por Garanhuns.

Roberto Benjamin
Roberto Benjamin

O professor Roberto Emerson Câmara Benjamin nasceu no Recife, em 1943. É graduado em Jornalismo e em Direito. Exerceu o Ministério Público. É professor da Universidade Federal Rural de Pernambuco.

Professor visitante da Universidade de Poiters, França.

Preside a Comissão Pernambucana de Folclore.

Tem numerosas publicações de artigos em revistas e periódicos científicos sobre a temática da cultura afro-brasileira.

Coordenou as publicações “Contos populares brasileiros” e “A fala e o gesto: ensaios de folkcomunicação sobre narrativas orais”.

É autor dos livros “Arte-educação em Pernambuco”, “Folguedos e danças de Pernambuco”, “Folkcomunicação no contexto da massa” e o “Pequeno dicionário do Natal”.

Afora outros exemplares da série A África está em nós, alguns deles escritos em coautoria com as professoras Janete Lins Rodriguez e Maria Carmelita Lacerda, tem publicados, também, “Carnaval – cortejos e improvisos” em coautoria com Maria Alice Amorim, “A festa do Rosário de Pombal” em coautoria com Oswaldo Meira Trigueiro, a série de paradidáticos “Ali e os camelos”, “O mansa Musa”, “A rainha Ginga” e “A serpente de sete línguas”, ilustrados por Antônio Jirônimo Bizerril Neto e Alzir Alves de Pontes Júnior.

Considerado um dos maiores teóricos da follkcomunicação, Roberto Benjamin destaca os contextos populares como protagonistas das práticas comunicacionais. 

Formou várias gerações de jornalistas, e introduziu cursos de Jornalismo em universidades no Brasil e no exterior. Inclusive dirigiu os cursos de Jornalismo, Relações Pública e Turismo da Universidade Católica de Pernambuco.

Leonardo Dantas
Leonardo Dantas

Leonardo Antônio Dantas Silva nasceu no Recife, em dez de dezembro de 1945.

Dedicou-se desde jovem ao jornalismo, tendo sido redator do Jornal do Commercio (Recife) e Diario de Pernambuco, seguindo-se da pesquisa histórica sendo Leitor [PESQUISADOR]do Arquivo Nacional da Torre do Tombo (Portugal) e de outros arquivos europeus. Exerce, na atualidade, a função membro efetivo do Conselho Estadual de Cultura e Consultor do Instituto Ricardo Brennand (Recife), bem como Assessor da Companhia Editora de Pernambuco – CEPE.

Atualmente é colaborador das Revistas do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (Rio), Notícia Bibliográfica e Histórica (PUC – Campinas), Continente Multicultural (Recife), Ciência & Trópico (Fundação Joaquim Nabuco – Recife), Planeta (São Paulo), Nossa História (Rio de Janeiro), Jornal do Commercio e Diario de Pernambuco (Recife), dentre outros periódicos.

Conferencista, no Brasil e no exterior, colaborador em diversas revistas e jornais, vem se firmando no âmbito editorial e da pesquisa histórica, sendo responsável pela edição e publicação de 373 títulos, pertinentes aos estudos sociais na área do Norte e Nordeste do Brasil, 31 dos quais de sua autoria e/ou por ele organizados, no período compreendido entre 1975 e 2006.

No âmbito da administração pública, Leonardo Dantas dirigiu o Departamento de Cultura da Secretaria de Educação e Cultura do Estado de Pernambuco (1975-1979), foi o primeiro diretor-presidente da Fundação de Cultura Cidade do Recife (1979-1983), ocupou a Diretoria de Assuntos Culturais da Fundarpe (1983-1987), exerceu a função de Diretor Geral da Editora Massangana da Fundação Joaquim Nabuco (1987-2003). Foi ainda o criador do Baile da Saudade (1972), do Festival Nacional do Frevo e do Maracatu – Frevança (1979), da Frevioca (1980), organizador do Carnaval do Recife (1980-1983), dentre outras promoções culturais.

Leonardo reeditou os mais importantes livros da História de Pernambuco, notadamente os tempos coloniais. Livros raros, existentes apenas em mãos de colecionadores e bibliotecas nacionais do Brasil, Portugal, Espanha, França e Holanda.
Na redação do Diário da Noite
Na redação do Diário da Noite
Ivan Maurício
Ivan Maurício
Ivan Maurício Monteiro dos Santos nasceu no Recife em 19/6/1951.
Repórter e editor do “Diário da Noite” (Recife, 1969). Estudou jornalismo na Universidade Católica de Pernambuco, mas começou a profissão aos 17 anos.
Repórter, editor e diretor de redação do “Diário da Noite”, foi líder de uma turma de repórteres ainda muito jovem, que também se tornaram celebridades da imprensa.

Repórter de “O Globo”, “Surcursal Nordeste” (1972-1973), “Opinião” (1972-1976), “Manchete” (1974), “Movimento” (1976), Prêmio Esso de Jornalismo – Região Nordeste (1978). Editor do Caderno C do “Jornal do Commercio” (1978-1983). Editor do jornal “Vanguarda” (Caruaru, 1992). Editor-geral do “Diário de Pernambuco” (1994-1995).

Foi Presidente da Empresa de Urbanização e Desenvolvimento Integrado de Olinda – URB Olinda e diretor-geral do Centro de Preservação dos Sítios Históricos da Prefeitura de Olinda.

Coordenador Geral da MCI – Marketing, Estratégia e Comunicação Institucional Ltda. (Fortaleza, CE). É editor-proprietário da Editora Coqueiro, especializada na publicação de folhetos da Literatura de Cordel e livros sobre o Nordeste.

Publicou, entre outros, A vida de Frei Damião, Lampião: vida e morte em dez gravuras de literatura de cordel e O caso de Pernambuco – Do movimento de cultura popular ao movimento armorial (com Marcos Cirano e Ricardo Almeida).

Na política, foi candidato a senador pelo PSB, partido que fundou, sendo co-autor do seu espectro ideológico. Disputou o Senado com o monsenhor Mansueto de Lavor, prefeito Antonio Farias (vitoriosos) e os governadores Cid Sampaio e Roberto Magalhães.

Escritor, Ivan Maurício é um dos mais importantes enciclopedistas do Brasil.