Novo cerco ao Brasil

por Mauro Santayana

 

 

Querem-nos apenas como fornecedores de matérias primas. Ao usar o vocábulo commodities para designar nossos produtos primários, os neoliberais brasileiros engambelam-nos com a sonoridade britânica do termo, como antes os colonizadores nos engabelavam com os espelhos e miçangas. Continuamos exportando minérios e comprando máquinas; exportando soja e pagando royalties por tecnologia; exportando produtos de nossa singular biodiversidade, e importando medicamentos.

Se houvesse sido possível a exportação da cana em seu estado natural, não teríamos construído aqui os primeiros engenhos açucareiros. Só depois da Independência erigimos forjas para a fundição econômica do ferro; até então foices e enxadas vinham da Europa, por via de Portugal. A independência dos países latino-americanos foi de interesse da Grã Bretanha, que substituiu Madri e Lisboa. A partir de então, Londres se livrou dos intermediários e passou a disputar, com os Estados Unidos, que cresciam, o nosso mercado,como fornecedor de matérias primas e comprador de produtos manufaturados. Leia mais. É a história de como o Brasil foi promovido de Colônia de Portugal para Colônia Internacional.

Empresas sem lei, desrespeitam consumidores. Procon não é de nada

Eis as empresas. Veja se tem alguma brasileira. Para defender estas empresas a CUT fez passeata em Porto Alegre.

A Oi/Brasil Telecom havia sido a campeã de reclamações em 2010, em Santa Maria, com 153 casos. Em 2011, apresentou melhoria, caindo para 73 queixas e para o quarto lugar na lista. As dez empresas  campeães em queixas, em lucrativas safadezas contra os sonsumidores:

1o) Samsung
2o) Carrefour
3o) Magazine Luiza
4o) Lojas Colombo
4o) Oi/Brasil Telecom
6o) Hipermer- cado BIG
7o) Vivo
8o) Loja Deltasul
9o) Ponto Frio
10o) Claro

Existe indústria brasileira?

Indústria de grande porte não tem não.

Mais de setenta por cento das empresas estatais foram privatizadas por Fernando Henrique. O que sobrou Lula torrou, e Dilma completará o queima.

As empresas brasileiras foram desnacionalizadas.

Escreve Carlos Chagas:

OS MESMOS DE SEMPRE

Durante três horas, ao receber os 28 maiores empresários do país, quinta-feira, a presidente Dilma ouviu as mesmas ladainhas de sempre. Queixas sobre queixas a respeito da carga fiscal, de impostos ditos abusivos, da política de juros estratosféricos, das dificuldades de crédito, da falta de infra-estrutura de transportes, da deficiência dos portos, dos altos encargos trabalhistas, dos obstáculos ás exportações, do tamanho da máquina do estado e dos desperdícios do governo. Nada de novo, a cantilena se repete possivelmente desde os tempos do Brasil Colônia.

O que terá deixado decepcionada a presidente da República é que, como sempre, nenhum dos nossos grandes empreendedores trouxe uma só contribuição para o governo, à exceção de sugestões destinadas a melhorar a vida de cada um deles.

No jornal ABC, Madri, hoje:

El Rey pide a los empresarios que «arrimen el hombro para crear empleo»

El Rey Juan Carlos pidió el pasado martes a los principales empresarios que «arrimen el hombro para crear empleo porque la situación es muy seria».

Al CEC – Consejo Empresarial de la Competitividad – creado en febrero de 2011, pertenecen los presidentes de 17 de las mayores empresas españolas: Telefónica, El Corte Inglés, Mango, Grupo Barceló, Banco Santander, Acciona, La Caixa, BBVA, Inditex, Grupo Planeta, Mapfre, ACS, Ferrovial, Havas Media Group, Mercadona, Iberdrola y Repsol.

Todas essas empresas possuem filiais no Brasil chamadas de empresas brasileiras.

No Brasil, o grito PODEMOS GANHAR A COPA DO MUNDO. E vamos privatizar o que resta e construir doze Coliseus estádios e economizar para pagar a dívida
No Brasil, o grito PODEMOS GANHAR A COPA DO MUNDO. E vamos privatizar o que resta e construir doze Coliseus estádios de futebol e economizar para pagar a dívida