A nova linguagem telegráfica

Na televisão, o anúncio de uma marca de cerveja: “Você veio aqui beber ou conversar?”. Nem precisava o alerta. Que nas boates o som é tão alto que ninguém escuta ninguém. A comunicação se faz por sinais.

 Mohammad Saba'aneh
Mohammad Saba’aneh

 

 

 

A conversa nos sítios de relacionamentos precisa ser telegráfica. As palavras abreviadas. Em c.b. Ou substituídas por emoticons.

 

Quem desconhece o internetês se trumbica.

 

Nos Sertões de Dentro e de Fora reinava o silêncio marcado pelo espaço. O silêncio dos descampados. Os povoados distantes um do outro. O isolamento das fazendas.

 

A juventude vive pendurada em um celular. Escreve com um dedo só no teclado de uma iluminada caixa mágica do tamanho de um maço de cigarro. O cata milho dos jornalistas na máquina de escrever. Que o curso de datilografia era coisa de secretária.

 

Cada edifício das metrópoles cabe a gente de uma cidade inteira. Das pequenas cidades dos municípios criados para comer verbas federais.

 

Os moradores evitam conhecer os vizinhos.

 

Dos apartamentos, intermitentes sons na madrugada: o bater de uma porta, o pisado de algum sapato de salto alto, a descarga do banheiro e, raramente, algum gemido de amor. Jamais alguma fala.

 

Na frente dos arranha-céus, os caminhões de mudança. Nunca se sabe se alguém morreu ou se foi despejado.

 

Todos os dias lançam novidades eletrônicas de comunicação, e “ninguém fala com ninguém”, registra Helio Fernandes.

 

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