A Serra do Gandarela e o malfeito de Dilma

por José de Souza Castro

 

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Faltando 52 dias para encerrar meu contrato com o jornal “Hoje em Dia”, para redigir seus editoriais, publiquei ali, no dia 27 de abril deste ano, um texto intitulado “Pensando grande em Rio Acima”. Elogiava o prefeito Antônio César Pires de Miranda Junior, do PR, pelo tombamento municipal do Conjunto Histórico, Arquitetônico, Natural, Arqueológico e Paisagístico do Gandarela. Escrevi:

“O tombamento de 11.269 hectares da Serra do Gandarela localizados em Rio Acima relembra a luta entre Davi e Golias. A medida assinada pelo novo Davi ameaça um projeto de R$ 4 bilhões, valor trombeteado pelo gigante da mineração que, de fato, cobiça o tesouro de uma serra situada no centro do Quadrilátero Ferrífero de Minas Gerais, a aproximadamente 50 quilômetros da capital.”

E prossegui:

“O minério é o alvo, mas a serra tem outros tesouros. Ela abriga a segunda maior reserva de Mata Atlântica de Minas e meia centena de grutas e cavernas, ricas em fauna e flora. Mas sua principal riqueza é a água. Para protegê-la, o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade tenta criar o Parque Nacional da Serra do Gandarela. O tombamento se apresenta como estímulo ao projeto do ICMBio e jamais ao da Vale.

Os defensores do parque têm dificuldade para traduzir em dinheiro um valor intangível, como é a paisagem natural e o bem-estar de milhões de pessoas e a vida de animais que não se acham à venda no mercado.

E quanto valerá a água do Gandarela ameaçada pela mineração? Provavelmente, ela vale bem mais que os R$ 4 bilhões que a Vale ameaça não investir, se prevalecer esse projeto do parque.

O certo é que água doce será cada vez mais valiosa e sua falta no Gandarela afetará moradores de Belo Horizonte e cidades próximas. Em Rio Acima, a água já é um problema, pois a única estação de tratamento foi construída em 1979 e a rede existente não chega a todas as residências.”

Eu sabia dos riscos, pois já então o jornal pendia abertamente para apoiar a candidatura Aécio Neves à Presidência da República. Apesar disso, o editorial foi escrito e publicado. Mesmo que o projeto de R$ 4 bilhões da Vale tenha sido lançado em 2009, com apoio do então governador Aécio Neves (PSDB). Um apoio que não faltou por parte de seu sucessor Antônio Anastasia, também tucano, e do atual governador, Carlos Alberto Pinto Coelho, do PP.

O que eu não esperava é que, em plena campanha eleitoral, Dilma Rousseff, do PT, assinasse finalmente o decreto que, no dia 13 de outubro, criou o Parque Nacional do Gandarela, cedendo aos interesses da Vale. Aécio Neves, se presidente, não teria feito melhor.

A reação ao decreto demorou. Só no dia 10 de novembro, o Movimento Águas do Gandarela editou um informativo dando as verdadeiras dimensões do desastre ambiental que vem pela frente. O jornalista e blogueiro Carlos Cândido, do Jornalaico, republicou-o no mesmo dia, com uma pequena introdução:

“Dilma cria parque, mas deixa de fora dele o mais importante e autoriza a mineração que vai destruí-lo. ‘O desenvolvimento’ é prioridade, para o PT, como para o PSDB. Desenvolvimento é o outro nome do capital, cujos interesses prevalecem, sempre. A mineração e as divisas que proporciona são mais importantes do que o ambiente, as espécies animais, a vegetação, as nascentes, a água. A consequência é a seca, que está aí nos castigando.”

Acho que Carlos Cândido foi o primeiro petista declarado com quem trabalhei. Eu chefiava a redação da sucursal do “Jornal do Brasil” em Minas. Ele era recém-formado e iniciou ali sua carreira. Para mim, portanto, essa avaliação dele é de certo modo surpreendente. Não deve ter sido fácil, para ele, fazer esse tipo de comparação, depois de 12 anos do PT no governo.

A decepção parece clara, também, para o Movimento Águas do Gandarela. Tem tom de protesto o seu informativo:

“O Parque Nacional da Serra do Gandarela, pedido pela sociedade e em estudos pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) desde 2009, foi criado pela Presidência da República, com área de 31 mil hectares, conforme publicação no Diário Oficial da União (DOU) de 14 de outubro de 2014.

Deveria ser motivo para grande comemoração mas, infelizmente, não temos muito a festejar já que os limites da nova Unidade de Conservação federal, tão sonhada e batalhada por muitos, foram profundamente alterados.

Não respeitaram todo o processo de criação, as consultas públicas realizadas em 2012 pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), os objetivos de conservação e as demandas de comunidades locais. Esperamos que o governo federal reverta este fato!

Convocamos a todos a multiplicar estas informações para garantir a criação do Parque Nacional da Serra do Gandarela e da Reserva de Desenvolvimento Sustentável com os limites adequados.”

Recomendo a leitura na íntegra. Vale prestar atenção aos mapas e às demais ilustrações do informativo do Movimento Águas do Gandarela, com as respectivas legendas, que mostram bem a dimensão do problema.

Para mim, não está claro, ainda, é se, afinal, terá algum efeito o tombamento municipal feito pelo prefeito de Rio Acima, para proteger parte da serra localizada em seu território. Espero que ele também não tenha sido tratorado pelo decreto de Dilma.

 

 

História e paisagens do Recife roubadas pela “modernidade” espelhada e a cegueira do poder público

por Josué Nogueira

 

Rio Mar ocupa a cena onde existia mangue e divide a paisagem com igrejas do bairro de São José
Rio Mar ocupa a cena onde existia mangue e divide a paisagem com igrejas do bairro de São José

 

A preservação da história de um centro urbano passa pela manutenção de edificações, paisagens e peculiaridades que documentam o passado e dão fisionomia à localidade.

Infelizmente, a cara do Recife, cidade nascida sobre ilhas, braços de rios e canais cortados por pontes, tem desaparecido aos poucos.

Áreas que reuniam cenários naturais e construções antigas de valor arquitetônico inquestionável vem sumindo gradativamente.

 

Torres com Brasília Teimosa e Pina ao fundo
Torres com Brasília Teimosa e Pina ao fundo

Impossível reconhecer o Cabanga olhado a partir de São José e do Recife Antigo, por exemplo.

O shopping Rio Mar e empresarias substituíram um trecho grande do estuário que compõe a Bacia do Pina – um dos últimos indícios de que vivemos sobre o mangue.

Do mesmo modo, é estranho olhar para o centro a partir das pontes que ligam Cabanga e Pina.

O casario secular e igrejas históricas são engolidos pelas “torres gêmeas” levantadas no cais vizinho à antiga ponte giratória.

O cenário vai ficar ainda mais estranho com o tal do projeto do Novo Recife entre o Cais José Estelita e a Av Sul.

Nada contra a ocupação de zonas esquecidas que devem e merecem ser revitalizadas, abrigando gente, comércio e “povoando” a cidade.

Foto de Ricardo Fernandes
Foto de Ricardo Fernandes

Mas, tudo contra a especulação imobiliária que toma mangues, viola paisagens e faz brotar espigões de concreto onde a história da cidade é contada (por que não limitar o número de pisos?).

A falta de limites na altura dos edifícios, associada à cultura do exclusivismo (prédios e condomínios fechados em si, erguidos como se estivessem em territórios independentes da urbe), rouba a feição e a alma da cidade.

As fotos do post atestam um pouco do escrito aqui. As duas primeiras, postadas na página de uma amigo, me estimulara a escrever este post.

O tema pode não estar na ordem do dia, mas segue carente de debate e de atitude (e comprometimento com a história) por parte do poder público.

É triste ver a cidade perder DNA diariamente e ser convertida em mais uma entre tantas, com prédios espelhados – tidos como atestado de luxo e “desenvolvimento” – e desconectados com a realidade circundante.


Dos comentários ao oportuno texto de Josué Nogueira, destaco dois anônimos (Recife é a cidade do medo, das patrulhas, do pensamento único, assim fica justificado o anonimato.

1 – Pois é… nos roubam a paisagem em nome de uma “mudernidadhy” pra lá de atrasada. Difícil escutar – todo o tempo – de gente que se diz esclarecida, e que já viajou mundo afora: “mas vai crescer como?”. E que não consegue captar bons exemplos de cidade, e que tem a mente no caixote que só enxerga o mundo na caixa fechada de espelhos a 100 metros de altura.

E é bom investigar os EIV’s (estudos de impactos de vizinhança) e os EIA’s (estudos de impactos ambientais) desses empreendimentos

2 – Engraçado, o blogueiro mora onde?
Deve morar em Boa Viagem ou em outro bairro nobre da cidade. Recife tem que se desenvolver e ficar uma cidade bonita. É muito fácil para esses intelectuais, com suas roupas de grifes, quererem que a cidade fique feia, enquanto eles moram na parte bonita.


[O comentarista n. 2 não diz em que lugar e que tipo de moradia deve residir o despejado pela justiça dos ricos e pelo braço armado da polícia que prende e arrebenta. Que todo arranha céu que aparece ocupa espaços antes habitados pelos pobres, pelos sem teto, pelos sem nada.

Quem são esse altos moradores que ocupam as novas altas torres?

Nada se faz que preste para o povo. Não há espaço para a vida e a morte das populações. Recife não tem um passeio público. Os hortos, parques e praças estão abandonados. Não se constrói mercado público. Centros de lazer, de cultura, de esportes. Nem cemitérios. O recifense não tem onde viver, nem onde morrer]

Brasil não entra na lista das 90 melhores cidades do mundo. Perde para Argentina, Chile, Uruguai e Peru

O Brasil possui as piores cidades, porque não faz nada que preste para o povo. Os prefeitos são ladrões. As cidades ideais para se viver são selecionadas pelos indicadores: saúde, violência e estabilidade,  educação, infra-estruturas e meio ambiente, e  entretimento.

A América Latina não aparece entre as  50.

Na América do Sul estão listadas Buenos Aires – é a melhor – no posto 62; seguida por Santiago de Chile no 63. Montevideo ficou no 65, Lima no 81.

O Brasil quase não entra na lista das cem melhores cidades para se viver no mundo. Río de Janeiro está no 92 lugar, Bogotá 111, e Caracas 118.

A investigação anual é realizada pela Unidade de Inteligência da revista inglesa The Economist.

Em ordem decrescente, as dez cidades ideais são: Melbourne (Australia), Viena (Áustria),Vancouver, Toronto e Calgary (as três no Canadá), Adelaida e Sidney (ambas australianas), Helsinki (Finlândia), Perth (Austrália) y Auckland (Nova Zelândia).

As grandes fortunas brasileiras residem no exterior, e possuem dupla nacionalidade (ou três).

Por dever de ofício, residem no Brasil os mandatários do executivo, do legislativo e do judiciário. Até o presidente do Superior Tribunal de Justiça comprou apartamento em Miami.

Para essa classe de tecnocratas e burocratas, os prefeitos constroem guetos de luxo, e ilhas de fantasia para os turistas.

As obras faraônicas da Copa do Mundo deste ano, e das Olimpíadas em 2016, possuem o jeitinho brasileiro dos lá de cima levar vantagem em tudo.

Para o povo viver melhor nada se faz. Veja a proposta mais recente:

BRA^ES_AT edifícios presidios família

Os edificios kitinetes – a verticalização das casas populares – lembram os túmulos carneirinhos, que no Brasil imenso não existe espaço para a construção de cemitérios.

O povo em geral, os zumbis do capitalismo selvagem e depredador, vai agora viver em edifícios sardinhas de 30 a 60 metros quadrados.

Diferentemente das cinzentas cidades brasileiras, os prédios argentinos pagarão menos impostos por ter jardins nos telhados.

arboles en buenos aires

Informa uma reportagem de Marcia Carmo, para BBC Brasil: “Arquiteto com especialização em economia urbana, Chain lembrou que Buenos Aires integra o grupo chamado C40 (Climate Leadership Group, que reúne cidades que debatem saídas para preservação do meio ambiente) e que a nova meta de Buenos Aires será a exigência de que os novos edifícios já sejam erguidos com os jardins no telhado.

“A medida sancionada é optativa e pretende estimular a criação destes pontos de vegetação. Mas neste ano enviaremos outro texto à Legislatura com a exigência de que novos prédios já tenham esses espaços verdes”, afirmou.

A ideia, afirmou, é que a medida seja aplicada nos bairros onde são registradas as concentrações de construções na cidade. “Quanto maior o numero de construções, maior a necessidade (de áreas verdes) para vivermos melhor”, afirmou.

Buenos Aires é uma cidade conhecida por seus parques, que começaram a surgir entre os séculos 19 e 20, e pela preservação de áreas verdes entre os prédios, chamadas de “pulmón de manzana” (quadra verde).

Vientos de Brasil. La magia verde y la salud

Por Juan Arias | 14 de agosto de 2013

Magia verde en brasil
A pesar de que Brasil es aún una especie de paraíso natural por su grandes espacios de bellezas entre bosques vírgenes y playas aún incontaminadas, el hacinarse de la gran mayoría de los cerca de 200 millones de personas en ciudades de cemento, empieza a preocupar a los responsables por la salud pública.

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Vuelve así a ser estudiada la llamada “magia verde” como terapia de medicina preventiva. Se multiplican los estudios científicos sobre los efectos favorables para la salud física y metal del contacto con el verde, que produce, al parece, efectos directos sobre una serie de índices de nuestro organismo, como disminución del estrés; aumento de los glóbulos blancos,  y por tanto aumento de la inmunidad , mayor oxigenación; regulación de la presión arterial y disminución del colesterol entre otras cosas.

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Esta semana, en Amanhâ, el suplemento del diario O Globo, Manuela Andreoni, analiza los resultados de toda una serie de estudios que desde 1984 se están realizando en el mundo sobre la influencia  que el contacto con la naturaleza verde tiene en nuestra salud.

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La última investigación fue realizada por Mathew White, de la Universidad de Exeter, en el Reino Unido. El estudio, que acompañó el comportamiento de diez mil personas durante 17 años,  demostró, por ejemplo, que quién vive rodeado de verde, presenta menos problemas psíquicos que los que pasan la vida entre el cemento, a veces sin tener contacto con un árbol o una simple flor.

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Aún no existen, es cierto, resultados completamente científicos sobre el efecto de la magia verde sobre nuestro organismo, ni se sabe si esas ventajas que van apareciendo en los primeros estudios al respecto son debidos a un factor cultural o genético.

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Cada vez más, sin embargo, se camina en la dirección de que el contacto con lo verde está relacionado con nuestra genética, ya que el Homo sapiens, vivió como primado millones de años adaptándose a la naturaleza en la que estaba siempre sumergido.

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Lo que cada vez aparece más claro a los empeñados en los estudios de la medicina preventiva es que la aparición, en nuestro camino, de un pedazo de magia verde produce efectos positivos en nuestro bienestar y, al revés, su ausencia, aporta un plus de estrés y malestar físico

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Ha sido probado que en un hospital, un simple ramo de flores que recibe un enfermo aumenta su bienestar general. Que los que pasan el día encerrados en un cuarto sin ventanas y sin ver ni una flor ni una rama verde, acaban más estresados que el que tiene a su lado un simple vaso de geranios.

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El tema es tan importante que ya hay gobiernos que incluyen en sus programas de salud elementos de la magia verde. Por ejemplo, en Japón, desde hace ocho años existen locales donde se puede practicar una especie de terapia floral, es decir un simple paseo por áreas verdes para disminuir los índices de estrés.

Ha sido probada que existe una gran diferencia en el organismo entre pasear por la calle o avenida de una gran ciudad en medio del tráfico y del cemento y el hacerlo en un parque verde.

3 hoy

Los primeros revelaron una disminución de un 16% de cortisol, un indicador del estrés, además de una disminución de un 5% de los latidos cardiacos y de una disminución de la presión arterial.

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Mientras en Brasil, en las calles, la gente presenta sus protestas por la falta de servicios en la atención a la salud pública, empieza a sentirse al mismo tiempo la necesidad de la búsqueda de nuevas terapias de medicina preventiva contra el estrés, entre ellas la aplicación diaria de la magia verde.

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Si hasta ayer el encuentro con la naturaleza verde producía una simple sensación de bienestar físico, a veces con sólo ver imágenes de esa naturaleza virgen, hoy se está llegando científicamente a la conclusión de que el ser humano, que fue proyectado para vivir rodeado de verde, recupera parte de su salud perdida en el cemento y en el asfalto con la vuelta a sus raíces, a sus bosque, ríos y mares aún no prostituidos por nuestra civilización plastificada

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Al revés, perdemos aquellas raíces cuando, por ejemplo, nuestros niños, enclaustrados en la dureza gris de las ciudades, ya no conocen la sensación de placer del olor que produce, por ejemplo, la hierba recién cortada. O la sensación de paz y bienestar que nos brinda la música producida por las agua de un río de montaña al danzar sobre las piedras limpias de su cauce.

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Veja o preço de uma superpraça. O desverdizado Recife não tem nenhum passeio público

As praças existentes no Recife estão encurtando. Uma foi transformada em supermercado. Um parque foi cimentado. A especulação imobiliária está trocando o verde das árvores pelo verde dólar. Fico a pensar, com o dinheiro do estádio na mata de São Lourenço, quantas praças, parques e passeios públicos poderiam ser construídos?

Qual é a política de lazer (não confundir com ócio) do Governo do Estado e da Prefeitura do Recife?

Sei, nada se faz que preste para o povo.

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Turquia, uma país em guerra para defender 600 árvores. Quantos parques, bosques e matas o Brasil já devastou este ano?

Una manifestante levanta el puño en una manifestación en Ankara.- UMIT BEKTAS (REUTERS)
Una manifestante levanta el puño en una manifestación en Ankara.- UMIT BEKTAS (REUTERS)
MEU RESPEITO AOS TURCOS!

Estou em Istambul em visita à minha filha, Teté, que mora em Beshiktas, um bairro próximo de Taksim.

Como está sendo noticiado aí no Brasil, um projeto de reurbanização do governo pretende derrubar 600 árvores de um parque na Praça Taksim, no coração de Istambul, para a construção de um shopping center no local.

Muitas pessoas ocuparam o parque para impedir o corte das árvores, e sexta-feira passada, 31 de maio, a polícia invadiu o parque para expulsar os manifestantes com bombas de gás lacrimogêneo, jatos d’água e muita violência.

O que aconteceu depois, e continua acontecendo, é emocionante.

Uma manifestação popular que foi crescendo ao longo dos dias, o protesto foi tomando o país! Parece que quanto mais a polícia reprime, mais gente aparece e a ameaça da derrubada das árvores acabou se transformando num protesto político sem precedentes nos últimos 90 anos do país.

Trouxe à tona uma série de insatisfações contra o governo que os turcos não querem mais calar: se fala em autoritarismo, na arbitrariedade nas tomadas de decisão, na falta de escuta, em algumas questões econômicas, em posições retrógradas e muito conservadoras em relação… E isso contra um governo com popularidade baseada no sucesso da política econômica.

Milhares de pessoas tomaram as ruas em muitas cidades do país!
Como a casa da Teté é no meio do caminho, sábado acabamos participando de parte da passeata do pessoal que veio do lado asiático pela ponte em direção à Praca de Taksim (fala-se em 40.000 pessoas que atravessaram a ponte a pé!).

Foi das coisas mais bonitas e emocionantes que já vi: pessoas de todas as idades, cantando, empunhando bandeiras da Turquia, uma festa. Vinha mais gente das ruazinhas laterais, os carros que passavam no sentido oposto buzinavam em apoio, muita gente batia panela nas janelas dos prédios… incrível!

A polícia está reprimindo as manifestações com uma violência absurda, muito gás lacrimogêneo e canhões de água. Mesmo assim, os protestos continuaram durante o final de semana inteiro, em muitos pontos da cidade. Vale dizer que são pacíficos até a ação da policia começar: aí surgem as barricadas, pedras, etc…

O movimento foi organizado através das redes sociais, não tinha nenhum partido político por trás da mobilização popular. Tive a oportunidade de presenciar cenas incríveis: gente distribuindo água, máscaras, limão e leite com água (que dizem amenizar os efeitos do gás). Panos brancos em alguns estabelecimentos sinalizavam abrigo possível em caso de necessidade.
As bandeiras nas janelas das casas, nas vitrines das lojas também se transformaram numa marca do protesto.

A partir da segunda-feira, os protestos voltaram a se concentrar na Praça de Taksim, o início marcado para as 9 horas da noite. Além disso, diariamente às 9 da noite em ponto uma barulheira danada continua tomando as ruas: panelas batendo, buzinas, apitos e vuvuzela durante muitos minutos. Para lembrar que podem não estar presentes na Praça, mas continuam mobilizados, insatisfeitos, querendo mudanças.

Ontem à noite bati panelas em sinal de apoio, quis mostrar meu respeito e admiração pelos turcos. Confesso que senti uma pontinha de inveja!

Manifestantes en la Plaza Taskim de Estambul, 06 de junio de 2013- REUTERS
Manifestantes en la Plaza Taskim de Estambul, 06 de junio de 2013- REUTERS
Secuencia en la que un policía dispara gases lacrimógenos contra una mujer en la Plaza Taksim. REUTERS
Secuencia en la que un policía dispara gases lacrimógenos contra una mujer en la Plaza Taksim. REUTERS

Veja A revolta turca em imagens