A imprensa bate panelas

por Luciano Martins Costa

 

 

Os jornais desta segunda-feira (9/3) fornecem um material precioso para a análise do processo que vimos observando, cuja principal característica é uma ruptura entre o chamado ecossistema midiático e o mundo real.

O noticiário e os penduricalhos de opiniões que tentam lhe dar sustentação têm como fato gerador o pronunciamento da presidente da República em rede nacional da TV, mas o que sai nos jornais com maior destaque é a reação de protesto que partiu das janelas de apartamentos nos bairros onde se encastelam as classes de renda média e alta das grandes cidades.

A presidente tenta seguir o protocolo que recomenda informar a população sobre as medidas econômicas que o governo está adotando – boa parte das quais foi insistentemente defendida pela imprensa antes de se tornar decisão de governo.

No entanto, não há uma conexão entre o conteúdo do ato oficial e as manifestações de ódio e intolerância que se ouviram na noite de domingo.

Mesmo que a presidente estivesse anunciando, por exemplo, que o custo das mensalidades nas escolas privadas poderia ser debitado integralmente do imposto de renda, ela seria vaiada e xingada com a mesma intensidade.

Há uma forte simbologia na imagem do cidadão que dá as costas para a tela da televisão, no momento em que a mensagem é endereçada, e põe a cabeça para fora da janela ou sai à sacada do apartamento para dizer que é contra.

Contra o que?

Contra as medidas anunciadas?

Não se pode responder que sim, porque quem estava protestando não podia ouvir o que anunciava a presidente.

Essa simbologia mostra que nesses apartamentos, curiosamente, a realidade estava falando sozinha na tela da TV, enquanto a perturbação emocional, diligentemente cultivada pela mídia nos últimos meses, produzia um novo fato político.

O fato é a radicalização das camadas da sociedade mais expostas ao discurso da mídia, com base num conteúdo jornalístico construído para produzir exatamente esse estado de espírito.

Não há como contar o número de pessoas que bateram panelas e gritaram palavrões, e os jornais são obrigados a admitir que não houve protestos nos bairros onde moram os menos afortunados.

 

Meme panela

choro água sao paulo

água torneira bico cano

panelaço 5 minutos fama panela dilma

Diferente do Uruguai e México, Brasil possui castelos e ilhas encantadas

AS FILHAS DA DIDATURA

indignados imperialismo burguesia

 

por Talis Andrade

 

(Primeiro ato)

Nada acontece de novo
no reino da Dinamarca
As filhas da ditadura
depois de brincarem
de guerrilha urbana
esposam católica angelicamente
os filhos dos amigos do pai
convidam burguesa orgulhosamente
o marechal presidente
para padrinho de casamento

Vestidas de branco
belas e joviais
as nobres murzelas
sobem o altar
ao som marcial
da música de Wagner

 

(Segundo ato)

Nada acontece de novo
no reino da Dinamarca
Desfilando em carrões negros
guiados por motoristas negros
as filhas da ditadura
cruzam fortuita perigosa
atordoante passeata estudantil
recordando suspirando heróicas trepadas
quando frequentavam a universidade
pichando muros panfletando
utópicos programas partidários

As consciências leves
as jovens esposas
retornam à militância política
patrocinando chás e bingos
de pública caridade
com fotos dominicais
de Sebastião Lucena
nas colunas sociais

 

(Terceiro ato)

Dona-patroa dispõe
desde menina-moça
das regalias de sangue
casa na praia
casa no campo
casa na corte
Em cada casa o conforto
a sujeição dos criados
para os serviços pesados
e secretos brinquedos
Em cada casa
o ritual preciso
para banquetear os amigos
encastelados no governo
Em cada casa
o ambiente propício
para as festas de santo
e feriados cívicos

No jogo do poder
dona-patroa se arma
de inatas inocentes
sedutoras artimanhas
para o esperto marido
colocar no pescoço
do convidado de honra
o macio mesurado
laço de lobista

Sendo preciso
o sacrifício
uma vítima
uma isca
dona-patroa
com muito jeito
máximo proveito
se enfeita
se perfuma
para dormir
com senadores e ministros
liberando o dinheiro
que o marido cobiça

 

(Quarto ato)

Uma ditadura
fatalmente dura
uma geração
não morre
nem antes
nem depois
Morre de podre
morre de velha
pelas passarelas
dos palácios
e quartéis

As balas da guerra interna
ricocheteiam nos marechais
um a um eliminados
torturados pela artrite
sufocados pela angina
o coração explodindo enfartado
o peito coberto de medalhas

 

(Publicado in O Enforcado da Rainha, 2009)

 

O DIREITO DO POVO SABER ONDE E COMO RESIDEM SEUS GOVERNANTES

 

A revista Caras costumava, sem a devida leitura da Receita Federal, publicar as mais belas e luxuosas residências do Brasil. Notadamente dos novos ricos. Mas sempre esqueceu os palácios oficiais e residências particulares dos presidentes da República, da Câmara dos Deputados, do Senado, das assembléias legislativas, dos governadores, dos prefeitos das capitais e grandes e médias cidades. E ainda dos presidentes dos tribunais de justiça, e dos mais ricos políticos da República Monarquista do Brasil, que realizaram este ano campanhas milionárias.

Tem presidente que não tem medo de mostrar sua moradia.

JOSÉ MUJICA, PRESIDENTE DO URUGUAI, EM SUA CASA (FOTO: AGÊNCIA EFE)
JOSÉ MUJICA, PRESIDENTE DO URUGUAI, EM SUA CASA (FOTO: AGÊNCIA EFE)

 

O presidente José Mujica dirige seu Fusca, que vale mil dólares
O presidente José Mujica dirige seu Fusca, que vale mil dólares

 

Um bom exemplo é o presidente do Uruguai. Leia aqui

O Brasil sempre foi comparado ao México, principalmente quando da realização dos jogos da Copa do Mundo. Pela alegria e festividade do povo.

Também somos parecidos na corrupção política, na passividade da justiça, e no controle da mídia pelos barões, tendo cada governador seus soldados estaduais.

São Paulo possui um efetivo de cem mil militares, sendo uma PM considerada como a terceira força armada da Américas do Sul e Central. Coisa de dar inveja ao México. Pobre México!

Mas a mídia do México não chega a ser tão podre quanto a do Brasil. Os mexicanos conhecem como vivem o presidente e a primeira-dama.

 

A VIDA LUXUOSA DO PRESIDENTE DO MÉXICO EM UM PAÍS DOMINADO PELO MONOPÓLIO DA IMPRENSA 

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9 de noviembre de 2014.- La agencia de noticias de Carmen Aristegui comprobó que la residencia La Palma es “legalmente” propiedad de Higa, una de las empresas a las que el gobierno de Peña Nieto otorgó el contrato para construir un tren de alta velocidad del DF a Querétaro. El dueño es amigo y quien le alquilaba los helicópteros cuando era gobernador del Estado de México. Se sospecha que además, es su socio en varios negocios, la “casita” de las Lomas y el tren a Querétaro, entre ellos.

La construcción del tren de alta velocidad DF-Querétaro ha dado mucho de qué hablar esta semana. La licitación para esa obra, con valor superior a 50 mil millones de pesos, fue anulada el jueves pasado, 6 de noviembre, tres días después de ser emitido el fallo de la SCT, en medio de la crítica de firmas constructoras por el poco tiempo concedido para preparar el proyecto y de cuestionamientos de parte de la oposición sobre la transparencia del proceso.

El nuevo escándalo que involucra a Peña Nieto tiene que ver con la residencia conocida como La Palma, obra del arquitecto Miguel Ángel Aragonés, ubicada en Sierra Gorda número 150, en las Lomas de Chapultepec. Está valuada en siete millones de dólares, unos 94.5 millones de pesos y se encuentra registrada a nombre de Ingeniería Inmobiliaria del Centro, propiedad del Grupo Higa. La compañía que legalmente posee el inmueble controla una de las firmas que había obtenido del gobierno de Peña Nieto el contrato para construir el tren de alta velocidad a Querétaro, de acuerdo con la investigación, de la que un adelanto fue conocido por La Jornada.

La punta de la madeja de la que tiró el equipo de investigación fue una entrevista de la revista de nota rosa ¡Hola! a Angélica Rivera de Peña, esposa del presidente Peña Nieto, realizada en la residencia de La Palma.

En nuestra casa llevamos una vida de lo más normal posible, les he hecho saber que Los Pinos nos será prestado sólo por seis años y que su verdadera casa, su hogar, es ésta donde hemos hecho este reportaje, declaró Rivera de Peña a ¡Hola!, que acompañó la entrevista con varias fotos de la esposa del Presidente posando en la residencia, abunda la investigación.

La casa de La Palma, que no está incluida en la declaración patrimonial pública del presidente Peña Nieto, está interconectada con otra residencia ubicada a espaldas, en la calle de Paseo de las Palmas 125, Lomas de Chapultepec, que pertenece a Angélica Rivera de Peña. De esa propiedad salió la pareja cuando el presidente Peña Nieto tomó posesión del cargo el primero de diciembre de 2012, de acuerdo con los documentos en poder del equipo de investigación de la periodista Carmen Aristegui.

El Estado Mayor Presidencial, el cuerpo militar de élite responsable de la seguridad del Presidente y su familia, confirmó oficialmente al equipo de periodistas que custodia la casa de Sierra Gorda 150.

El propietario

La residencia de La Palma, a la que la esposa del Presidente se refirió comonuestra casa en la entrevista con ¡Hola!, está registrada a nombre de Ingeniería Inmobiliaria del Centro, una empresa propiedad del Grupo Higa (GH).

El Grupo GH, a través de su filial Constructora Teya, fue parte del consorcio de empresas que el lunes 3 de noviembre obtuvo del gobierno federal el contrato –que no llegó a ser firmado– para construir el tren de alta velocidad de la ciudad de México a Querétaro, una obra valuada en 50 mil 820 millones de pesos –alrededor de 3 mil 755 millones de dólares.

El grupo de empresas que obtuvo la licitación –un fallo del que el gobierno federal reculó el jueves 6 de noviembre– estuvo integrado por ocho compañías. Entre ellas, China Railway Construction Corporation, paraestatal del gobierno chino, y las firmas mexicanas Prodemex, GIA+A, propiedad de Hipólito Gerard, cuñado del ex presidente Carlos Salinas, y Constructora Teya, filial del Grupo Higa.

La empresa propietaria de la residencia de La Palma, el Grupo Higa, obtuvo varios contratos del gobierno del estado de México cuando Peña Nieto era gobernador de esa entidad. También rentaba los helicópteros en los que el mexiquense, a la sazón candidato presidencial, se trasladaba durante la campaña electoral de 2012.

El arquitecto Miguel Ángel Aragonés hizo público que había estado al frente del proyecto de construir la residencia para el presidente Peña Nieto, según documentó el equipo de investigación. Fue durante una entrevista concedida al periodista Alberto Tavira, en el programaLos despachos del poder, que transmite Televisión Azteca.

En el programa el periodista Tavira preguntó al arquitecto Aragonés:

–Es público que hiciste la casa del ahora presidente de la República, Enrique Peña Nieto. ¿Fue un reto?

–Siempre es un reto trabajar para alguien con esa importancia y esa capacidad, con ese nivel de inteligencia, ¿no? Siempre es difícil tratar de captar lo que alguien específicamente necesita. Sí, se vuelve un reto, sobre todo que yo suelo trabajar para mí, no suelo tener clientes.

–El licenciado Peña Nieto y su esposa, ¿fueron clientes difíciles?

–No, yo creo que han sido de las personas más respetuosas y fáciles de trabajar. Ambos, sobre todo Enrique, se me hizo un personaje de primera, un tipo inteligente, sensible, respetuoso, amable, fue una delicia trabajar con él.

El inmueble

Pintada totalmente de blanco, la casa de La Palma tiene, según descripción del equipo de investigación de Carmen Aristegui, un estacionamiento subterráneo, planta baja, nivel superior con tapancos. Un elevador conecta todos los niveles. El jardín cuenta con sala y comedor techados.

La planta baja está cubierta con pisos de mármol. Mientras, en el primer piso se encuentran las recámaras para los seis hijos de la pareja y la habitación principal con vestidor, baños separados y área de spa. La casa cuenta con un sistema de luces para crear ambientes diversos: puede tornarse rosa, naranja o violeta. La propiedad está asentada en mil 440 metros cuadrados. Las fotos pueden verse en la página electrónica de Aragonés, http://www.aragones.com.mx, con el título Casa La Palma.

El equipo de investigación obtuvo además un certificado del Registro Público de la Propiedad que da cuenta que La Palma es propiedad de Ingeniería Inmobiliara del Centro, Sociedad Anónima.

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(La Jornada)

 

O Brasil precisa conhecer as residência de notáveis ladrões. A casa do capo Daniel Dantas já foi visitada pela Polícia Federal, que encontrou uma parede falsa; a de Paulo Maluf, traficante de dólares; dos doleiros; dos mágicos das falências fraudulentas; dos moradores de bilionárias, paradisíacas, encantadas  ilhas, doadas como concessões públicas; a pobre moradia do ministro Joaquim Barbosa em Miami, a do  juiz Lalau; de Sílvio Santos, no Brasil e nos Estados Unidos, por viver pegando dinheiro para um banco falido; dos irmãos Marinhos, dos principais acionistas da Vale, da Petrobras, da mineradora de nióbio em Araxá e outros piratas donos das riquezas do Brasil.

 

 

O debate que a imprensa gosta: os candidatos apresentam propostas e a manchete fica para a corrupção na Petrobras

Fica esquecida a escandalosa e antinacionalista presidência do genro de Fernando Henrique na Petrobras. Um ladrão esquecido, podre de rico, e solto, e solto, que nem o sogro, o sogro, corrupto todo. 

E o debate corre assim: Dilma: -Fiz isso. Aécio: -Vou fazer mais.

Dilma apresenta obras de pedra e cimento e aço. Aécio promete castelos no ar.

Dos 1001 casos de corrupção da Petrobras, a imprensa fala apenas de um, o povo recorda apenas um
Dos 1001 casos de corrupção da Petrobras, a imprensa fala apenas de um, o povo recorda apenas um
Caso da Petrobras vem sendo destaque das manchetes diárias de todos os jornais, desde que começou o segundo turno. O caso é que todo sabe qual caso. É um caso único que a justiça vaza, e a imprensa destaca
Caso da Petrobras vem sendo destaque das manchetes diárias de todos os jornais, desde que começou o segundo turno. O caso é que todo sabe qual caso. É um caso único que a justiça vaza, e a imprensa destaca
Falar na Petrobras selecionando apenas um caso é um capcioso, avassalador e destrutivo ataque pessoal escolhendo uma vítima inocente
Falar na Petrobras selecionando apenas um caso é um capcioso, avassalador e destrutivo ATAQUE PESSOAL escolhendo uma vítima inocente
É um jornal safado, mas não esconde o nome de quem desonestamente ataca. Constatar não é assumir uma culpa. Aécio também reconhece que houve corrupção na Petrobras. Mas distingue apenas um caso, um único caso
É um jornal safado, mas não esconde o nome de quem desonestamente ataca. Constatar não é assumir uma culpa. Aécio também reconhece que houve corrupção na Petrobras. Mas distingue apenas um caso, um único caso

A mídia entreguista e a justiça eleitoral conseguiram impor o provinciananismo e a municipalização dos debates da campanha presidencial.

Dilma fala de creches, dever de prefeito.
Aécio de polícia, coisa de governador.

Um candidato a presidente discute patriotismo, nacionalismo, civismo, brasilidade.

O papel do Brasil como nação, como país independente (potência mundial versus complexo de vira-lata, quintal).

O bem-estar social e a felicidade do povo em geral.

 

 

 

 

Marina e o voto dos justiceiros

Genildo
Genildo

 

Nem bem a morte do candidato à Presidência da República Eduardo Campos em um acidente aéreo, nesta quarta (13), foi confirmada e surgiram comentários com afirmações de mau gosto ou inferências políticas bizarras nas redes sociais.

Pessoas pedindo para que, no lugar de Campos, naquele jatinho, estivesse Aécio ou Dilma. Ou colocando a culpa em um ou em outro pelo acidente.

Não, isso não é piada. Muito menos revolta contra a política.

O que não surpreende, pois tem o mesmo DNA das discussões estéreis e violentas levadas a cabo na internet, sob anonimato ou não. Mas não deixa de chocar.
Da mesma forma que choca alguns colegas jornalistas que no afã de prever o que vai acontecer com as eleições, analisam de forma desrespeitosa a situação, com ironias e sarcasmos que não cabem neste momento, desumanizando a cobertura da tragédia em busca de audiência.
Leonardo Sakamoto

 

O VOTO DE VINGANÇA

 

prisão liberdade mão bala jornalista Fadi Abou Hassan protesto

O pior é que foi criada uma teoria da conspiração. De que Eduardo Campos foi vítima de um atentado político.

O povo, no velório e no enterro de Eduardo, gritava por justiça. Assim nasceu o voto dos justiceiros.
Talis Andrade

O candidato [Eduardo Campos] em seus discursos falava sempre que enfrentar essa parada (campanha) tinha que ter ‘coragem’…
Evandro Lira 

Eles estão querendo transformar a tragédia num resultado eleitoral, estamos indignados com isso.
Silvio Costa

 

A MÃO DE DEUS

marina avião

 

Foi a proviência divina não estarmos naquele avião
Marina Silva

Boato. A morte do candidato Eduardo Campos (PSB) no dia 13 de agosto de 2014 não foi um mero acidente. O avião em que ele estava teria sido sabotado.

Uma tragédia que surpreendeu todas as pessoas.

No Twitter, o termo ‘Foi a Dilma’ também acabou chegando aos Trend Topics.

Entre os muitos textos que levantavam a bola para algum assassinato, um chamou atenção. O que apontava ‘algumas coincidências’ entre o número 13 e a morte de Eduardo Campos. Leia as versões:

Eduardo Campos tem 13 letras

Dilma Rousseff tem 13 letras

13 é o número do PT

Hoje é dia 13 de agosto

Avô morreu no mesmo dia

49 anos – 4+9 = 13

DDD de Santos – 13

Outro texto que circula na web é mais incisivo:

Grande maioria acredita que houve alguma sabotagem por parte dos concorrentes para que o avião caísse e o candidato a presidente não participasse na eleição.

Bem, agora vamos aos fatos. Claro que o acidente ainda é muito recente para se apontar qualquer informação mais exata a respeito. Porém, é improvável que Eduardo Campos teria sido assassinado.

Além disso, as primeiras informações sobre o acidente dão conta que o tempo em Santos estava ruim na hora do acidente. O piloto arremeteu antes do avião cair. Isso se dá por circunstâncias meteorológicas. As hipóteses que a polícia investiga são que o mau tempo, falha mecânica ou falha humana podem ter causado o acidente. Ou seja, não há hipótese de sabotagem. Sobre os números ’13’, não precisa nem comentar.

Muito provavelmente, novas teorias da conspiração devem aparecer com o tempo. Mas pode acreditar que elas são completamente falsas. Continue acompanhando novidades e desmentidos aqui no Boatos.org.
Edgard Matsuki

 

A SALVAÇÃO DAS ELITES 

Dinheiro Dilma Aécio Marina

O problema, para os órfãos da centro-direita, é que o candidato tucano já pode ser considerado carta fora do baralho. Este, inclusive, já começa a ser “cristianizado” pelos seus próprios correligionários e aliados de ocasião.

Disseram-me que José Serra está que é ‘todo sorrisos’, pois acaba de escapar de uma ‘barca furada’ que soçobrou sinistrada por uma onda gigante, verdadeiro tsunami causado por um terremoto provocado pelo impacto devastador de um avião ‘Kamikaze’ que caiu em Santos, pondo um trágico ponto final na carreira de um político promissor e colocando providenciais reticências na carreira da sua então vice.

Eduardo morreu para que Marina pudesse vencer?! Não seria esse um preço demasiado alto e injusto a se pagar?
Lula Miranda

 

TERRORISMO DA CIA

Enio
Enio

Para a oposição de direita, a morte de Eduardo Campos foi uma grande oportunidade.

Claro que não faltou a mão amiga do oligopólio da mídia, que manipulou eleitoralmente a cobertura do desastre aéreo e do velório de Eduardo Campos.

As pesquisas publicadas no dia 26 de agosto deixaram exultantes as hienas.

Segundo tais pesquisas, Marina teria ultrapassado Aécio Neves e inclusive venceria Dilma no segundo turno.

Marina Silva converteu-se ao neoliberalismo (apoio ao ‘tripé,  e à independência do Banco Central) e converteu-se à política externa subalterna (vide a crítica que fez ao ‘chavismo do PT’).

Aliás, quem prestar atenção às críticas que ela faz ao agronegócio, perceberá que sua ênfase hoje está em pedir ‘aumento da produtividade’. Uma linguagem verde dólar.
Walter Pomar

Há inúmeros relatos de atentados, armações, armadilhas e toda sorte de delitos cometidos pela CIA desde há muito tempo atrás, e em vários países, todos visando manter o status quo e interesses dos Estados Unidos.

Num avião embrulhado como o de Campos, seria mamão com açúcar aprontar alguma.
Sim, é possível, mas não provável que tenha havido sabotagem.

O timing teria sido perfeito. Tentou-se de todas as maneiras levantar Aécio Neves. A mídia encarregou-se dessa missão, sem sucesso. O homem não sobe de jeito nenhum. Dilma levaria com certeza no 1° turno, o que significaria mais quatro anos sem neoliberalismo e, mais, com toda força ao BRICS (veja que o Brasil vai implementar as exportações para Rússia).

Faltando cerca de 50 dias para as eleições, a substituição de Campos por Marina seria como um strike na campanha. Depois se veria como arranjar as coisas novamente. Seria fundamental uma ação agora.

Restam algumas perguntas: Teriam Marina Silva e Aécio Neves consciência dessa tramóia?

Em que pese que em política não se descartam possibilidades, na opinião do blogueiro, Marina e Aécio seriam inocentes. Mas por via das dúvidas, já estão impondo a Marina as teses neoliberais que, se eleita, terá que implementar.
Haveria possibilidade de se provar a tese do jornalista Wayne Madsen? Improvável. A CIA é profissional. Não cometerá erros.

Wayne Madsen seria levado a sério? Veja que este blogueiro no ínicio não botou muita fé. A tendência, como sempre, é de desqualificação. É o que a CIA espera. Não sei ao certo.
Fernando Castilho

Há já uma tese defendida por site norte-americano (Strategic Culture) de que a queda do avião com Eduardo Campos, cuja providência divina, coincidentemente, avisou apenas Marina, teria sido derrubado pela CIA.

Teoria da Conspiração ou mera coincidência? O fato concreto é que, depois de alguns anos, como foi agora o caso da Primavera Árabe, a CIA acaba admitindo seu papel na desestabilização de governos.

O Pré-Sal é o tipo de coisa com a qual os EUA mantém sempre um intere$$e primordial, a ponto de desencadear guerras em todos os países produtores. Não é mera coincidência que Marina Silva tenha dito, acima de outros pontos de interesse de seu eventual governo, que não vai mais priorizar o Pré-Sal. Por quê?!
Gilmar Crestani

 

“A elite brasileira acha que o Estado é para ela, que não pode ter esse negócio de dar dinheiro para pobre”.

Dez anos após sua implantação, o Bolsa Família mudou a vida nos rincões mais pobres do país: o tradicional coronelismo perde força e a arraigada cultura da resignação está sendo abalada.

A conclusão é da socióloga Walquiria Leão Rego, 67, que escreveu, com o filósofo italiano Alessandro Pinzani, “Vozes do Bolsa Família” (Editora Unesp, 248 págs., R$ 36).

Durante cinco anos, entre 2006 e 2011, a dupla realizou entrevistas com os beneficiários do Bolsa Família e percorreu lugares como o Vale do Jequitinhonha (MG), o sertão alagoano, o interior do Maranhão, Piauí e Recife. Queriam investigar o “poder liberatório do dinheiro” provocado pelo programa.

Aproveitando férias e folgas, eles pagaram do próprio bolso os custos das viagens. Sem se preocupar com estatística, a pesquisa foi qualitativa e baseada em entrevistas abertas.

Professora de teoria da cidadania na Unicamp, Rego defende que o Bolsa Família “é o início de uma democratização real” do país. Nesta entrevista, ela fala dos boatos que sacudiram o programa recentemente e dos preconceitos que cercam a iniciativa: “Nossa elite é muito cruel”, afirma.

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por Eleonora de Lucena

Folha – Como explicar o pânico recente no Bolsa Família? Qual o impacto do programa nas regiões onde a sra. pesquisou?
Walquiria Leão Rego – Enorme. Basta ver que um boato fez correr um milhão de pessoas. Isso se espalha pelos radialistas de interior. Elas [as pessoas] são muito frágeis. Certamente entraram em absoluto desespero. Poderia ter gerado coisas até mais violentas. Foi de uma crueldade desmesurada. Foi espalhado o pânico entre pessoas que não têm defesa. Uma coisa foi a medida administrativa da CEF (Caixa Econômica Federal). Outra coisa é o que a policia tem que descobrir: onde começou o boato. Fiquei estupefata. Quem fez isso não tem nem compaixão. Nossa elite é muito cruel. Não estou dizendo que foi a elite, porque seria uma leviandade.

Como assim?
Tem uma crueldade no modo como as pessoas falam dos pobres. Daí aparecem os adolescentes que esfaqueiam mendigos e queimam índios. Há uma crueldade social, uma sociedade com desigualdades tão profundas e tão antigas. Não se olha o outro como um concidadão, mas como se fosse uma espécie de sub-humanidade. Certamente essa crueldade vem da escravidão. Nenhum país tem mais de três séculos de escravidão impunemente.

Qual o impacto do Bolsa Família nas relações familiares?
Ocorreram transformações nelas mesmas. De repente se ganha uma certa dignidade na vida, algo que nunca se teve, que é a regularidade de uma renda. Se ganha uma segurança maior e respeitabilidade. Houve também um impacto econômico e comercial muito grande. Elas são boas pagadoras e aprenderam a gerir o dinheiro após dez anos de experiência. Não acho que resolveu o problema. Mas é o início de uma democratização real, da democratização da democracia brasileira. É inaceitável uma pessoa se considerar um democrata e achar que não tenha nada a ver com um concidadão que esteja ali caído na rua. Essa é uma questão pública da maior importância.

O Bolsa Família deveria entrar na Constituição?
A constitucionalização do Bolsa Família precisava ser feita urgentemente. E a renda tem que ser maior. Esse é um programa barato, 0,5% do PIB. Acho, também, que as pessoas têm direito à renda básica. Tem que ser uma política de Estado, que nenhum governo possa dizer que não tem mais recurso. Mas qualquer política distributiva mexe com interesses poderosos.

A sra. poderia explicar melhor?
Isso é histórico. A elite brasileira acha que o Estado é para ela, que não pode ter esse negócio de dar dinheiro para pobre. Além de o Bolsa Família entrar na Constituição, é preciso ter outras políticas complementares, políticas culturais específicas. É preciso ter uma escola pensada para aquela população. É preciso ter outra televisão, pois essa é a pior possível, não ajuda a desfazer preconceitos. É preciso organizar um conjunto de políticas articuladas para formar cidadãos.

A sra. quer dizer que a ascensão é só de consumidores?
As pessoas quando saem desse nível de pobreza não se transformam só em consumidores. A gente se engana. Uma pesquisadora sobre o programa Luz para Todos, no Vale do Jequitinhonha, perguntou para um senhor o que mais o tinha impactado com a chegada da luz. A pesquisadora, com seu preconceito de classe média, já estava pronta para escrever: fui comprar uma televisão. Mas o senhor disse: ‘A coisa que mais me impactou foi ver pela primeira vez o rosto dos meus filhos dormindo; eu nunca tinha visto’. Essa delicadeza… a gente se surpreende muito.

O que a surpreendeu na sua pesquisa?
Quando vi a alegria que sentiam de poder partilhar uma comida que era deles, que não tinha sido pedida. Não tinham passado pela humilhação de pedi-la; foram lá e compraram. Crianças que comeram macarrão com salsicha pela primeira vez. É muito preconceituoso dizer que só querem consumir. A distância entre nós é tão grande que a gente não pode imaginar. A carência lá é tão absurda. Aprendi que pode ser uma grande experiência tomar água gelada.

Li que a sra. teria apurado que o Bolsa Família, ao tornar as mulheres mais independentes, estava provocando separações, uma revolução feminina. Mas não encontrei isso no livro. O que é fato?
É só conhecer um pouco o país para saber que não poderia haver entre essas mulheres uma revolução feminista. É difícil para elas mudar as relações conjugais. Elas são mais autônomas com a Bolsa? São. Elas nunca tiveram dinheiro e passaram a ter, são titulares do cartão, têm a senha. Elas têm uma moralidade muito forte: compram primeiro a comida para as crianças. Depois, se sobrar, compram colchão, televisão. É ainda muito difícil falar da vida pessoal. Uma ou outra me disse que tinha vontade de se separar. Há o problema de alcoolismo. Esses processos no Brasil são muito longos. Em São Paulo é comum a separação; no sertão é incomum. A família em muitos lugares é ampliada, com sogra, mãe, cunhado vivendo muito próximos. Essa realidade não se desfaz.

Mas há indícios de mudança?
Indícios, sim. Certamente elas estão falando mais nesse assunto. Em 2006, não queriam falar de sentimentos privados. Em 2011, num povoado no sertão de Alagoas, me disseram que tinha havido cinco casos de separação. Perguntei as razões. Uma me disse: ‘Aquela se apaixonou pelo marido da vizinha’. Perguntei para outra. Ela disse: ‘Pensando bem, acho que a bolsa nos dá mais coragem’. Disso daí deduzir que há um movimento feminista, meu deus do céu, é quase cruel. Não sei se dá para fazer essa relação tão automática do Bolsa com a transformação delas em mulheres mais independentes. Certamente são mais independentes, como qualquer pessoa que não tinha nada e passa a ter uma renda. Um homem também. Mas há censuras internas, tem a religião. As coisas são muito mais espessas do que a gente imagina.

O machismo é muito forte?
Sim. E também dentro delas. Se o machismo é muito percebido em São Paulo, imagina quando no chamado Brasil profundo. Lá, os padrões familiares são muito rígidos. É comum se ouvir que a mulher saiu da escola porque o pai disse que ela não precisava aprender. Elas se casam muito cedo. Agora, como prevê a sociologia do dinheiro, elas estão muito contentes pela regularidade, pela estabilidade, pelo fato de poderem planejar minimamente a vida. Mas eu não avançaria numa hipótese de revolução sexual.

O Bolsa Família mexeu com o coronelismo?
Sim, enfraqueceu o coronelismo. O dinheiro vem no nome dela, com uma senha dela e é ela que vai ao banco; não tem que pedir para ninguém. É muito diferente se o governo entregasse o dinheiro ao prefeito. Num programa que envolve 54 milhões de pessoas, alguma coisa de vez em quando [acontece]. Mas a fraude é quase zero. O cadastro único é muito bem feito. Foi uma ação de Estado que enfraqueceu o coronelismo. Elas aprenderam a usar o 0800 e vão para o telefone público ligar para reclamar. Essa ideia de que é uma massa passiva de imbecis que não reagem é preconceito puro.

E a questão eleitoral?
O coronel perdeu peso porque ela adquiriu uma liberdade que não tinha. Não precisa ir ao prefeito. Pode pedir uma rua melhor, mas não comida, que era por ai que o coronelismo funcionava. Há resíduos culturais. Ela pode votar no prefeito da família tal, mas para presidente da República, não.

Esses votos são do Lula?
São. Até 2011, quando terminei a pesquisa, eram. Quando me perguntam por que Lula tem essa força, respondo: nunca paramos para estudar o peso da fala testemunhal. Todos sabem que ele passou fome, que é um homem do povo e que sabe o que é pobreza. A figura dele é muito forte. O lado ruim é que seja muito personalizado. Mas, também, existe uma identidade partidária, uma capilaridade do PT.

Há um argumento que diz que o Bolsa Família é como uma droga que torna o lulismo imbatível nas urnas. O que a sra. acha?
Isso é preconceito. A elite brasileira ignora o seu país e vai ficando dura, insensível. Sente aquele povo como sendo uma sub-humanidade. Imaginam que essas pessoas são idiotas. Por R$ 5 por mês eles compram uma parabólica usada. Cheguei uma vez numa casa e eles estavam vendo TV Senado. Perguntei o motivo. A resposta: ‘A gente gosta porque tem alguma coisa para aprender’.

No livro a sra. cita muitos casos de mulheres que fizeram laqueadura. Como é isso?
O SUS (Sistema Único de Saúde) está fazendo a pedido delas. É o sonho maior. Aliás, outro preconceito é dizer que elas vão se encher de filhos para aumentar o Bolsa Família. É supor que sejam imbecis. O grande sonho é tomar a pílula ou fazer laqueadura.

A sra. afirma que é preconceito dizer que as pessoas vão para o Bolsa Família para não trabalhar. Por quê?
Nessas regiões não há emprego. Eles são chamados ocasionalmente para, por exemplo, colher feijão. É um trabalho sem nenhum direito e ganham menos que no Bolsa Família. Não há fábricas; só se vê terra cercada, com muitos eucaliptos. Os homens do Vale do Jequitinhonha vêm trabalhar aqui por salários aviltantes. Um fazendeiro disse para o meu marido que não conseguia mais homens para trabalhar por causa do Bolsa Família. Mas ele pagava R$ 20 por semana! O cara quer escravo. Paga uma miséria por um trabalho duro de 12, 16 horas, não assina carteira, é autoritário, e acha que as pessoas têm que se submeter a isso. E dizem que receber dinheiro do Estado é uma vergonha.

Há vontade de deixar o Bolsa Família?
Elas gostariam de ter emprego, salário, carteira assinada, férias, direitos. Há também uma pressão social. Ouvem dizer que estão acomodadas. Uma pesquisa feita em Itaboraí, no Rio de Janeiro, diz que lá elas têm vergonha de ter o cartão. São vistas como pobres coitadas que dependem do governo para viver, que são incapazes, vagabundas. Como em “Ralé”, de Máximo Gorki, os pobres repetem a ideologia da elite. A miséria é muito dura.

A sra. escreve que o Bolsa Família é o inicio da superação da cultura de resignação? Será?
A cultura da resignação foi muito estudada e é tema da literatura: Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, José Lins do Rego. Ela tem componente religioso: ‘Deus quis assim’. E mescla elementos culturais: a espera da chuva, as promessas. Essa cultura da resignação foi rompida pelo Bolsa Família: a vida pode ser diferente, não é uma repetição. É a hipótese que eu levanto. Aparece uma coisa nova: é possível e é bom ter uma renda regular. É possível ter outra vida, não preciso ver meus filhos morrerem de fome, como minha mãe e minha vó viam. Esse sentimento de que o Brasil está vivendo uma coisa nova é muito real. Hoje se encontram negras médicas, dentistas, por causa do ProUni (Universidade para Todos). Depois de dez anos, o Bolsa Família tem mostrado que é possível melhorar de vida, aprender coisas novas. Não tem mais o ‘Fabiano’ [personagem de “Vidas Secas”], a vida não é tão seca mais.

Ditadura de Alckmin: ocupação militar da USP

A apatia do brasiliero, a condenação da justiça de São Paulo (o maior tribunal do mundo) e a repressão policial aos movimentos libertários e sociais. A criminalizacão das greves. A ditadura de Alckmin, das elites. A inexistência no Brasil das marchas, das ocupacões e dos acampamentos dos indignados. A marginalização do povo. O atraso. A razão de ser o Brasil um país de corruptos. Neste ensaio de Matheus Pichonelli

Ocupação patétia, reação tenebrosa

as respostas

A ocupação da reitoria da maior universidade do País deu munição para que boa parte da opinião pública (inclusive estudantes) testemunhasse, graças à transmissão ao vivo das emissoras, a legitimação de seus desprezos contra estudantes que, diferentemente deles, ainda ousam apontam o dedo para o alto e dizer que alguma coisa está errada.

Originários de uma multidão crescida sob o mito do self made man (“minhas conquistas são fruto do meu próprio trabalho, e o Estado muito ajuda quando não me atrapalha”), muitos usaram canais de manifestação, como as redes sociais, para despejar os argumentos mais covardes contra todo (todo mesmo) universo estudantil, sobretudo o sistema público de ensino, do “bem feito” ao “viva a legalidade”. Como se os ritos democráticos tivessem sido respeitados desde o começo, quando o então governador José Serra (PSDB) decidiu justamente desprezar a vontade da comunidade acadêmica e nomear João Grandino Rodas, o segundo candidato mais votado, para o cargo. Como se fosse legítimo, também, determinar, de cima para baixo, que a Polícia Militar transferisse para o campus o seu modus operandi.

Estudante é retirado a força de ocupação na reitoria da USP. Foto: André Lessa/AE
Estudante é retirado a força de ocupação na reitoria da USP. Foto: André Lessa/AE

O que é estranho dessas reações todas de ojeriza aos uspianos é que elas partem de quem muito cedo na vida já se apropriou do discurso dos pais, criados num clima de “Brasil: Ame-o ou Deixo-o” herdado do regime militar; e que, portanto, veem na obediência, no não-engajamento, na docilidade, na adaptação a um mundo já pronto o único caminho possível para salvar as próprias peles em um jogo arbitrário de saída.

Tenho, para isso, uma tese de botequim: a de que minha geração, nascida em meados dos anos 80 e criada nos 90, foi o maior baby boom de bundões que o Brasil já testemunhou; crescemos com medo da violência, das doenças sexualmente transmissíveis e do outro (do favelado ao muçulmano) e, por este motivo, decidimos nos enclausurar em bolsões de segurança (o shopping, a escola particular e os condomínios fechados) para poder nascer e morrer em paz, sem grandes objetivos na vida a não ser aceitá-la. Por isso aceitamos abrir mão de uma relativa liberdade (porque ela nunca é absoluta) para viver em segurança. E se amanhã algum policial resolver matar algum suspeito (ela chama de “meliante”) entre uma aula e outra na FFLCH ou na FEA, paciência, bola pra frente. Faz parte do jogo.