Aécio e Andréa Neves censuram e encabestram a imprensa mineira

Os irmãos Andréa e Aécio Neves
Os irmãos Andréa e Aécio Neves

Andréa, a dama de ferro de Minas Gerais, é uma espécie de faz tudo para o irmão, que não gosta muito de trabalhar. Governou Minas Gerais no vagar de Aécio Neves, e continua mandando nos três poderes. Tanto que ninguém fala do Mensalão tucano, uma quadrilha de bancos e agências de publicidade que promoveram o Mensalão petista. Que a corrupção é uma só, e eclética, pragmática e multipartidária.

Com a prisão dos petistas de forma despótica, caprichosa e ilegal, que o Brasil não tem leis para punir ladrão de colarinho (de) branco em regime fechado, a pressão nacional levará a justiça a desengavetar o Mensalão tucano.

Proximo-mensalão nani mensalão tucano

A única mídia que faz oposição, em Minas, continua sob o fogo dos irmãos das Neves.

Leia e fique imaginando o Brasil governado por Andréa:

Aécio e Andréa Neves determinam nova devassa no Novojornal

por Marco Aurélio Carone

Como dito em outras reportagens, fazer jornalismo em Minas Gerais transformou-se em atividade de alto risco, principalmente se a proposta for de uma linha editorial independente, não se sujeitando as determinações da censora oficial Andréa Neves.Em 2008, Novojornal foi empastelado por forças da Polícia Militar, por determinação do então Procurador Geral, Jarbas Soares, a serviço de Andréa Neves, comandada pela promotora Wanessa Fusco dirigente da recém criada Promotoria de Crimes Cibernéticos.

De posse de uma medida cautelar concedida pela Juíza da Vara de Inquéritos de Belo Horizonte, apreendeu todos os equipamentos da redação, arquivos contábeis e os servidores do portal jornalístico, tornando-o indisponível na internet na terminação .com.br.

Quatro anos depois, o TJMG reconheceu o crime cometido contra o portal jornalístico e condenou o MPMG a devolver os equipamentos apreendidos, assim como liberar o acesso ao .com.BR. O que até hoje não foi obedecido. No acórdão os desembargadores relatam a violência e o absurdo praticado contra o Novojornal.

Insatisfeito com a perda no TJMG e diante da intransigente prática de liberdade de imprensa exercida por Novojornal, que vem mostrando ao País o que realmente ocorreu e ocorre em Minas Gerais, Andréa e Aécio Neves deram início a um projeto de vingança no intuito de desmoralizar e fechar o Novojornal.

Utilizando-se de um novo inquérito, desta vez na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil, subordinada ao delegado Marcio Naback, conhecido por sua atividade criminosa em forjar provas e desaparecer com processos e documentos a serviço dos Neves e da conhecida “Gangue dos Castros”.

Neste processo depuseram o Procurador de Justiça, Jarbas Soares, o prefeito de BH, Márcio Lacerda, o Secretário do Governo Estadual, Danilo de Castro, o Desembargador José do Carmo e o Juiz Christiano de Oliveira Cesarino, relatando fatos que já se encontram sendo analisados pelo Poder Judiciário e na maioria já julgados de maneira favorável ao Novojornal.

Porém, como agora ficou provado o objetivo do inquérito não era analisar possíveis crimes de calúnia, injúria e difamação. E sim, servir de pretexto, para solicitar na já conhecida Vara de Inquérito outra medida cautelar, desta vez para quebra do sigilo, telefônico, fiscal, bancário, contábil e de e-mails, enfim promover uma devassa contra o Novojornal e seu diretor responsável.

Segundo o delegado Pedro Paulo Uchoa Fonseca Marques, o objetivo do procedimento havia modificado de calúnia e passara a investigar a possível pratica de extorsão. Durante o depoimento prestado pelo representante legal da empresa, Nova Opção, pessoa jurídica que edita o Novojornal, na presença do advogado Dr. Dino Miraglia o delegado informou:

“Nada foi encontrado a respeito de extorsão, nas gravações apareceram foram denuncias de práticas criminosas do delegado Marcio Naback em relação aos crimes ocorridos em Ipatinga por este motivo estarei enviando a questão para a corregedoria e Delegacia de Homicídios”.

Evidente que não era este o verdadeiro intuito das escutas telefônicas, elas visavam ter acesso às fontes do Novojornal o que se tornou inviável diante da maneira tradicional do diretor responsável do portal em contatar com suas fontes.  Porém diante de mais esta derrota, partiram em busca de novas acusações e investigações. Quem estaria financiando o Novojornal?

Durante dias, permaneceram no mais completo sigilo na empresa de contabilidade que atende o Novojornal, fazendo minucioso levantamento em busca desta resposta, constrangendo e causando medo nos profissionais. Novamente infrutíferas foram as ações, pois todas as movimentações financeiras do Novojornal estavam rigorosamente contabilizadas.

Além da pouca publicidade em função da atitude de Andréa Neves em ligar pessoalmente para os anunciantes informando que eles estariam patrocinando um jornal contra o Governo de Minas, a origem dos recursos que mantiveram os principais investimentos do Novojornal nos últimos cinco anos eram provenientes de contratos de empréstimos conhecidos como “mútuo”, de sua antiga sócia para sociedade. Recursos estes obtidos da venda de patrimônio que lhe havia sido doado por seu pai.

Gerentes dos bancos assustados, funcionários do Novojornal foram constrangidos e ameaçados chegando alguns a pedir demissão por medo, prestadores de serviços literalmente subornados em busca de alguma informação que pudesse criminalizar a atividade do Novojornal.

Na delegacia o diretor responsável do Novojornal ciente de que se tratava apenas de mais uma armação optou por só falar em juízo.

Este é o estado de insegurança jurídica que se vive atualmente em Minas Gerais, onde quem ousa noticiar fatos desabonadores da conduta do senador Aécio Neves é perseguido pelos ocupantes do Governo que agem impunemente, pois contam com a submissão e cumplicidade de quem deveria fiscalizá-lo.

 

Notícias relacionadas

“A Internet pode ajudar o jornalismo a ser mais profundo e mais sério”

press-and-money jornalista imprensa

 

O objectivo é mesmo provocar – diz o jornalista do PÚBLICO Paulo Moura, coordenador da conferência internacional, que pretende levar centenas de estudantes, jornalistas e “todos que acreditam no jornalismo” à Escola Superior de Comunicação Social, em Lisboa. “Há quem pense que o jornalismo está superficial e vai desaparecer por causa da Internet, nós queremos justamente mostrar o contrário que o jornalismo pode ser ainda mais profundo e mais sério com as ferramentas que a tecnologia trouxe”.

Estarão em Lisboa, desta sexta-feira até domingo, além de jornalistas e directores dos media portugueses, jornalistas e especialistas de vários países, principalmente dos EUA onde há mais novas experiências envolvendo os jornalismos narrativo e literário na Internet, que, segundo Paulo Moura, “quando aplicados ao formato digital, podem abrir enormes possibilidades”.

Mark Kramer – que fundou o programa para jornalismo narrativo da Fundação Nieman, na Universidade de Harvard – vem a Lisboa falar sobre jornalismo literário e não tem dúvidas de que o género tem um importante papel a desempenhar na realidade digital. Agora e no futuro. “Não importa qual é a tecnologia”, diz ao PÚBLICO. “O jornalismo literário pode ser muito, muito preciso e até mais informativo [do que o jornalismo comum], mantendo a integridade e a autenticidade.”

“A brevidade [dos artigos] não importa”, continua. “Quando se diz que o jornalismo online deve ser feito com textos curtos, é com base na ideia de que é desconfortável ler textos longos no computador. Mas já é mais confortável no iPad. E ainda mais no Kindle.” Para o escritor residente na Universidade de Boston, a tecnologia está a ajudar a esbater as diferenças entre os diferentes suportes em que se tem feito jornalismo – e assim vai continuar.

Kramer já publicou no New York Times, na National Geographicou na Atlantic Monthly, mas sublinha que é dos títulos mais pequenos e independentes que tem vindo muita da inovação. “É simplesmente impressionante” a quantidade de novos títulos a fazê-lo, juntamente com alguns dos maiores e mais importantes jornais do mundo. É também por isso que acredita que o jornalismo literário, sobretudo o que é feito através de narrativas multimédia, será lucrativo.

Amy O’Leary, do The New York Times, é outro dos nomes internacionais da conferência, que conta com 36 oradores e se divide sete mesas redondas e 14 conferências. O tema de abertura são as novas fronteiras do jornalismo digital.

“Quando havia escassez de boa informação no mundo (e um vasto público sedento dela), o jornalismo parecia ser uma indústria muito segura, com um futuro risonho”, diz Amy, em declarações ao PÚBLICO. “Chegados a este ponto da história humana, estamos a consumir mais media do que alguma vez aconteceu. Agora, o jornalismo tem de competir com muitas outras formas de entretenimento e informação pela atenção e pelo tempo do público. A surpresa pode ser uma excelente maneira de captar a atenção de alguém e de a manter”, adianta a jornalista, que vai também encerrar os três dias de debate respondendo à pergunta de como tornar o jornalismo viciante.

 Hugo Torres
 
 

Por que a imprensa ajuda a matar

por Raphael Tsavkko Garcia

Estudante Douglas Rodrigues, 17 anos
Estudante Douglas Rodrigues, 17 anos

Em apenas quatro dias, três assassinatos foram cometidos pela Polícia Militar de São Paulo. No dia 26/10, o cabeleireiro Severino de Oliveira Filho, de 49 anos, foi morto durante uma perseguição de policiais a um suposto assaltante. Ele apenas passava por perto quando foi baleado no ombro e morreu depois da polícia se recusar a prestar socorro imediato.

No dia seguinte, em 27/10, na Vila Medeiros, zona norte de São Paulo, Douglas Rodrigues, de 17 anos, foi baleado no peito por um PM, Luciano Pinheiro, que afirmou ter sido acidental o disparo – a porta da viatura teria disparado a arma, assim noticiou a mídia, garantindo ainda amplo espaço para sua defesa. As últimas palavras de Douglas foram “Por que o senhor atirou em mim?” Não há, ainda, uma resposta aceitável.

Na segunda (29/10), no Parque Novo Mundo, também na Zona Norte, o jovem Jean, de 16 anos, foi assassinado pela Polícia Militar, que o acusou de, desarmado, tentar assaltar um policial. Segundo testemunhas, ele teria levado dois tiros no abdômen e um na cabeça.

Todas as notícias acima têm algo em comum, e não apenas o fato de se encaixarem no que as comunidades da periferia chamam de “genocídio da população negra”, mas a cobertura enviesada da mídia, a desconfiança da inocência da vítima e a crítica tímida, senão inexistente, do uso da força policial nas “quebradas”. Continua

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Nota do redator do blogue. A imprensa tornou-se porta-voz da polícia que prende, arrebenta e mata.

PM que matou estudante na Zona Norte de SP é solto

USOU O MESMO TIPO DE ARMA DA CHACINA DA FAMÍLIA PESSEGHINI

O soldado Luciano Pinheiro Bispo, de 31 anos, estava detido desde o dia 27 de outubro no Presídio Romão Gomes da Polícia Militar, por ter atirado no estudante Douglas Martins Rodrigues, de 17 anos, que morreu. A defesa alega que o disparo foi acidental.

Informou o advogado Fernando Capano que 98 mil armas da corporação em São Paulo foram recolhidas entre abril a setembro deste ano para recall porque poderiam disparar sozinhas.

“O disparo foi acidental. O que ocorreu foi um acidente e meu cliente lamenta o ocorrido”, falou o defensor do soldado.

Segundo o advogado, o recall nas pistolas .40 usadas pela PM foi solicitado pela própria corporação. Documento da Polícia Militar pedia um “plano de revisão do armamento institucional de calibre .40 pistola Taurus – série 640 a 24/7” usada para “correção, concerto e prevenção”. Os policiais militares admitiam ocorrências de “disparos acidentais (…) envolvendo as armas”. Naquela ocasião, se requereu estudo “criterioso” sobre os casos. O prazo de entrega das armas iria até 27 de setembro.

Apesar de a arma de Bispo não ser desse mesmo lote que passou pela revisão da Taurus, seu advogado sustenta que, diante de tantas queixas é possível que a pistola de seu cliente também tenha falhado.

Questionada, a assessoria de imprensa da PM confirmou a “inspeção” nas armas. Por meio de nota, a PM afirmou que, “no caso em questão, ao qual responde o Sd PM Luciano Pinheiro Bispo, a arma dele foi submetida à inspeção preventiva citada, contudo, independentemente da manutenção da fabricante, ela também será submetida à perícia pela Polícia Técnico Científica, sendo certo que, se houve falha mecânica no equipamento, este fato será pontuado pelo Instituto de Criminalística.”

Estas informações são do G1. Com arma idêntica o menino Marcelo, 13 anos, doente do pulmão e flágil, matou o pai sargento, a mãe cabo, a avö e a tia avó. A arma não folhou. Foram cinco balas e cinco cadáveres, incluindo o de Marcelo Pesseghini.

Comprar armas defeituosas que incompetência! Os testes deviam ter sido realizados antes, e não depois, tendo o povo como alvo.

Deu no Jornal da ImprenÇA do romancista Moacir Japiassu

 

O considerado Talis Andrade, jornalista de escol e um dos mais inspirados poetas do Brasil, envia um, como direi, desabafo de seu refúgio no Recife:

 medo morte jornalista legenda

(…) fui anticandidato a presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais de Pernambuco, e tive quatro votos dos cinco mil filiados.

Topei a parada para ter motivação para meter o pau nos pelegos. Foi uma eleição comandada pela Central Única dos Trabalhadores – CUT, única no mentiroso nome, que existem mais outras cinco ou seis centrais para comer o imposto sindical, que arrecada, na marra, mais de 2 bilhões de reais, e ninguém presta contas dessa dinheirama. Eta Brasil corrupto.

Na antevéspera do pleito a “democracia radical” de ser impedido de entrar no Jornal do Comércio, onde comecei como foca e terminei diretor responsável e redator chefe. Terminei entrando, por força da lei, para descobrir o lugar que aterrissou uma das urnas volantes.

Mudados tempos: as redações eram abertas, e os jornalistas viviam nas ruas. Sem medo e sem nojo do povo.

As redações viraram gaiolas de ouro para uma meninada que recebe o salário da fome e do medo. Na atual cultura de rejeição dos idosos, como condenou o Papa Francisco, a Chapa Você Sabe Porquê, que encabecei, terminou sendo chamada dos “Velhinhos”. A danação desta contrapropaganda escancara uma cruel realidade. Mas tudo tem seu lado bom. Fez recordar minha vaidade de garoto de trabalhar ao lado de decanos. De Câmara Cascudo, Mauro Mota, Costa Porto, Eugenio Coimbra Jr., Veríssimo de Melo.

Os jornalistas de  40, 50 anos, viviam o batente como se tivessem a mesma idade dos noviços. Ninguém teria a petulância de chamar Newton Navarro, Carlos Pena Filho, Audálio Alves, Abdias Moura, Ladjane Bandeira de encalhe, de imprestáveis. Qual o futuro de uma profissão de beletristas que, aos 30/35 anos, entra na ancianidade?