Carone preso incomunicável. ‘Ordens superiores’ impedem visita de deputados: ‘Segurança do Estado’

jornalista prisão

Tudo que o jornalista Marco Aurélio Carone denunciou faz parte de um inquérito judicial que levou Azeredo a renunciar o mandato de deputado, para não perder a legibilidade.

Que arbitrariedade leva a polícia do governador Antônio Anastacia impedir a visita de deputados a Carone, que dizem está sofrendo tortura moral, e ameaçado de morte?

Se a vida de Carone corre perigo, nada mais justo e humano que a Assembléia Legislativa investigue.

Denúncia do VioMundo: A Comissão de Direitos Humanos da ALMG esteve dia 12 úlimo, no presídio Nelson Hungria, em Contagem, para realizar uma visita oficial ao jornalista Marco Aurélio Carone, com o objetivo de verificar seu estado de saúde e colher depoimento sobre sua prisão.

Contudo, os deputados da comissão foram impedidos de colher qualquer depoimento de Carone ou de realizar qualquer registro do encontro.

A notícia chegou para o deputado Durval Ângelo (PT), presidente da comissão, através da Secretaria de Defesa Social do Estado, que disse estar cumprindo “ordens superiores” e que o assunto se tratava de “segurança do Estado”.

Com esta absurda restrição, os deputados cancelaram a atividade e irão cobrar do Governador esclarecimentos sobre este cerceamento de poderes da Assembleia Legislativa.

A visita havia sido acordada com deputados da base aliada do Governo, que concordaram com a ida ao presídio após o deputado Rogério Correia (PT) abrir mão de um requerimento de audiência pública na ALMG com a presença de Carone.

Agora que o acordo foi descumprido, o requerimento deve ser feito novamente, de forma a garantir o depoimento do jornalista para a Comissão de Direitos Humanos.

Na opinião do deputado Durval Ângelo, corroborada pelos colegas Rogério Correia e Adelmo Leão, este episódio trata-se de um caso explícito de censura e mostra o caráter de preso político dado ao jornalista Carone, que, através do Novo Jornal, denunciou o mensalão tucano e a Lista de Furnas.

Ambos os casos de corrupção tiveram suas provas principais periciadas e comprovadas autênticas por laudo da Polícia Federal.

mensalinho mineiro tucano minas gerais

Estiveram no presídio Nelson Hungria hoje, representando a Comissão de Direitos Humanos, os deputados Durval Ângelo (PT – presidente da comissão), Adelmo Leão (PT – Vice-presidente da comissão), Rogério Correia (PT), Duarte Bechir (PSD), Célio Moreira (PSDB) e Sebastião Costa (PPS),além da advogada de Marco Aurélio Carone, Dra. Sandra Moraes.

Assessoria de Imprensa – Raul Gondim

PS do Viomundo: Conversei com o deputado Rogério Correia logo após receber o e-mail acima da sua assessoria. “Nunca a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas foi impedida de fazer uma visita oficial a um preso no Estado. Foi a primeira vez que isso aconteceu. Até o Fernandinho Beira Mar nós fomos ouvir”, diz, ainda abismado. “A Secretaria de Segurança alegar ‘ordens superiores’ porque se trata de caso de ‘segurança do Estado’ só prova o que denunciamos desde o início: a prisão de Carone é armação política e ele, um preso político.” Conceição Lemes

SANTIAGO MORREU, CARONE ESTÁ PRESO, E AGORA MINAS GERAIS?

BRA^MG_EDM cinegrafista e agora Brasil

A polícia de Minas Gerais sempre joga bombas de efeito (i)moral e bombas de gás lacrimogêneo no povo, e atira com balas de borracha. O jornal Estado de Minas até festeja o terrorismo estatal com fogo de lágrima.

Agora com lágrimas de crocodilo o Estado de Minas pergunta: “Santiago morreu. E agora Brasil?”

Que choro hipócrita! Nenhuma palavra disse o Estado de Minas sobre a invasão policial da casa do jornalista Geraldo Elísio. Nem sobre Marco Aurélio Carone que continua preso.

Basta de lamúrias fingidas! No ano passado dois jornalistas foram assassinados em Minas, e o Estadão não cobra as prisões dos assassinos: uma quadrilha repleta de policiais.

Quantos civis já morreram em Minas nos protestos de rua? Em Belo Horizonte, inclusive, existe um viaduto da morte.

CENSURA, ABUSO JUDICIAL E POLICIAL EM MINAS 

censura nas redes sociais _ prisão de jornalista _ minas sem censura

Divulga Minas Sem Censura:

O mês de janeiro começou mal para a liberdade de imprensa em Minas. O “empastelamento” do Novo Jornal, site de notícias crítico ao governo de Minas Gerais, teve ação do Ministério Público, Justiça e execução pela Polícia Civil para se efetivar.

Independentemene do que se pense ou se avalie da qualidade desse portal de notícias, de propriedade do polêmico Marco Aurélio Carone, o que se denuncia é o uso do aparato público mineiro para que seja promovido um ato de truculência jamais visto em Minas, desde os tempos do Regime Militar.

Primeiro: a entrada do Ministério Público na trama revela o “vício de origem”. O promotor de Justiça, André Pinho, é o signatário do pedido de prisão de Carone. Ora, Carone reportou no Novo Jornal, uma querela envolvendo o citado promotor e seu próprio irmão. A partir daí, Pinho resolveu usar de seus poderes de “parquet” para pedir a prisão do proprietário do Novo Jornal, sob a suspeita de que ele teria incendiado seu carro! Isso mesmo: o promotor, supostamente vítima de Carone, pede a prisão de Carone?

Segundo: o despacho da juíza Maria Isabel Flek pedindo sua prisão é uma peça rancorosa, que justifica o ato de detenção sob argumento de que ele, em liberdade, poderia pressionar testemunhas e destruir provas, atrapalhando as investigações sobre os supostos delitos a ele atribuídos! Ora, sabe-me muito bem que o Novo Jornal comprou brigas homéricas com setores da justiça mineira.

Terceiro: as autoridades policiais que efetivaram a prisão e a busca e apreensão de pertences em seu escritório e na residência de um histórico jornalista mineiro, Geraldo Elísio (há sete meses afastado do Novo Jornal), são também desafetos de Carone. No caso dos policiais, estes são subordinados à cúpula da Polícia Civil. Carone, inclusive, faz uma denúncia gravíssima: o delegado Nabak lhe propôs “delação premiada”, em troca de que ele – Carone – acusasse os deputados Sávio Souza Cruz, Rogério Correia, Durval Ângelo e o ministro Fernando Pimentel, como mentores editoriais e financiadores do Novo Jornal.

Ou seja, essa ação atabalhoada será, obviamente declarada nula nas instâncias superiores da justiça, por todos os vícios de origem acima resumidos. Ela tem fins políticos claros: intimidação e produção artificial de provas contra desafetos de Aécio e Andrea Neves, Danilo e Rodrigo de Castro, o delegado Nabak, o promotor André Pinho, Azeredo, desembargadores, juízes, barões da mídia mineira, empresários etc.

Perguntas e respostas sobre o caso

Por que as autoridades e personalidades, supostamente constrangidas por Carone, não pediram direito de resposta às denúncias contra eles lançadas no portal? Por que, já que o processaram, não aguardam o rito se concluir? Afinal, a justiça é célere quando se trata dos interesses de proeminentes aliados de Aécio.

Por que não desmentem o rumoroso caso da Lista de Furnas, com dados mais consistentes, já que a mesma foi considerada autêntica pela Polícia Federal e reconhecimento em, pelo menos, duas ações judiciais? Por que não respondem sobre o caso da modelo assassinada, como suposta queima de arquivo do mensalão tucano? Por que o promotor que se ameaçado por ele não se declarou impedido de pedir sua prisão? Enfim, os desafetos dele, ao invés de percorrer o legítimo e ordinário rito judicial para incriminá-lo, adotam a espalhafatosa operação de censura e pressão.

E agora?

O Bloco Minas Sem Censura não entra no mérito da qualidade e editorial do Novo Jornal. Tudo que ali for escrito e documentado, independentemente do estilo, é material jornalístico, goste-se ou não de seu conteúdo e forma. E quem dele discordar pode e deve acionar os devidos canais judiciais regulares e não o uso da truculência estatal para calá-lo. O “Estado de exceção” que perdura em Minas Gerais é comprovado por esse gesto de autoridades e celebridades que gravitam em torno do clã Neves. Resistir a isso é um dever moral e uma necessidade republicana!

 

Polícia do governador Anastasia (PSDB) invade residências de jornalistas da oposição. A cumplicidade da justiça

A justiça e a polícia não param de atazanar os jornalistas que fazem oposição aos tucanos, em Minas Gerais, principalmente a Aécio Neves. Tudo se faz para anestesiar o povo. Com a cumplicidade dos jornais governistas, comprados a peso de ouro.

Escreve Conceição Lemes:

Os bastidores da política mineira estão em ebulição. Na Justiça, o delator do mensalão mineiro, Nilton Monteiro, o jornalista Marco Aurélio Carone e o advogado Dino Miraglia são acusados de formar quadrilha com o objetivo de disseminar documentos falsos, inclusive por meio de um endereço na internet, com o objetivo de extorquir acusados. Os dois primeiros estão presos. Houve busca e apreensão na casa do advogado.

Esta é a versão oficial, que tem sido noticiada em Minas Gerais.

Mas há outra, que deriva de um fato político: Nilton, Carone e Miraglia se tornaram uma pedra no sapato dos tucanos em geral e do senador Aécio Neves em particular, agora que ele concorre ao Planalto.

Nilton é testemunha nos casos do mensalão mineiro e da Lista de Furnas, esquemas de financiamento de campanha dos tucanos nos anos de 1998 e 2002. Carone mantinha um site em que fazia denúncias contra o ex-governador mineiro. Dino representou a família de uma modelo que foi morta em circunstâncias estranhas. O advogado sustenta que ela era a intermediária que carregava dinheiro vivo no esquema do mensalão mineiro e levou a denúncia ao STF.

Desde 20 janeiro, quando ocorreu a prisão de Marco Aurélio Carone, diretor-proprietário do site Novo Jornal, o bloco parlamentar de oposição a Aécio Neves na Assembleia Legislativa Minas Sem Censura (MSC) denuncia: a prisão preventiva do jornalista é uma armação e tem a ver com o chamado “mensalão tucano” e a Lista de Furnas no contexto das eleições de 2014.

Na última sexta-feira, 31 de janeiro, um lance evidenciou o roteiro. Segundo o Minas Sem Censura, há indícios de um amplo complô de políticos do PSDB e governo mineiro associados a setores do Judiciário e Ministério Público contra a oposição.

O plano A, de acordo com a oposição mineira, era prender o jornalista e pressioná-lo a assinar uma falsa acusação contra vários adversários.

A começar pelo ministro Fernando Pimentel, da Indústria e Comércio, que sempre foi muito próximo dos tucanos, mas se tornou uma pedra no caminho deles.

Na eleição de 2008 à prefeitura de Belo Horizonte, o senador Aécio Neves (PSDB) e Pimentel apareceram juntos na propaganda eleitoral na TV, apoiando Márcio Lacerda (PSB).

Porém, a relação começou a azedar, quando Aécio se colocou como candidato à presidência da República contra a presidenta Dilma Rousseff. E desandou de vez com disposição de Pimentel, nas eleições de 2014, ser o candidato do PT ao Palácio da Liberdade, ocupado há 16 anos pelo PSDB.

Na lista de “incriminados”, também estariam, entre outros:

* Rogério Correia, deputado estadual, líder do PT na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALEMG).

* Durval Ângelo (PT), deputado estadual e presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALEMG.

* Sávio de Souza Cruz (PMDB), deputado estadual, líder da oposição na ALEMG.

* Protógenes Queiroz, deputado federal (PCdoB-SP) e delegado licenciado da Polícia Federal (PF).

* Luís Flávio Zampronha, delegado da PF, responsável pelo relatório do mensalão tucano.

* William Santos, advogado, integrante da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil– seção Minas (OAB-MG).

Em troca da delação premiada, o jornalista ganharia a liberdade. A proposta teria sido lhe oferecida pelo promotor André Luiz Garcia de Pinho. O mesmo que pediu a sua prisão preventiva e já havia sido alvo de denúncia no site do próprio preso.

Marco Aurélio Carone fez essas e outras revelações na quarta-feira 29 a Rogério Correia e Durval Ângelo. Junto com eles, representando a OAB-MG,  estava o advogado Vinícius Marcus Nonato.

Os três ouviram-no no Hospital Biocor, onde ficou internado de 25 a 28 de janeiro, sob vigília policial.

A conversa durou 31min15s.  Foi gravada e dividida em duas partes (na íntegra, sem qualquer edição, ao final desta reportagem).  É que aos 7min28s, a pedido da enfermagem, teve de ser interrompida, para o jornalista receber medicação.

Carone recusou a delação premiada: “Sou filho de pai e mãe cassados, vou morrer, não tem problema. Mas de mim eles não conseguem nada, em hipótese alguma”.

Segundo a oposição mineira, fracassado o plano A, partiram para o plano B, devassar os documentos do jornalista e do Novo Jornal, cujas matérias desagradam politicamente a cúpula do PSDB e do governo mineiro, para descobrir suas fontes de informação.

Por determinação da 2ª Vara Criminal de Belo Horizonte, agentes da Polícia Civil (Depatri) realizaram busca e apreensão de agendas, computadores e documentos na sede do Novo Jornal.

Fizeram o mesmo na casa de Carone e na do jornalista Geraldo Elísio, Prêmio Esso Regional de Jornalismo e que trabalhou no Novo Jornal até sete meses atrás.

Harondo André Toscano de Oliveira

“Uma equipe composta por um delegado e três outros investigadores do Depatri visitou-me com ordem de busca e apreensão de meu netbook, minhas cadernetas de telefone, CD’s e anotações, principalmente em um livro no qual escrevo poesias”, postou na sua página no Facebook . “Fizeram uma relação de objetos levados perante testemunhas legais, mas nada me mostraram.”

“Esses atos são obra de Andréa [Neves] e seu irmão [senador Aécio Neves, PSDB-MG], para tentar desqualificar a Lista de Furnas e o mensalão tucano, para que não entrem em julgamento no STF”, afirma Geraldo Elísio ao Viomundo. “Para isso não estão titubeando em lançar mão de tentativas loucas e desmesuradas, inclusive incriminar os deputados Rogério Correia e Sávio Souza Cruz, que certamente o doutor Tancredo Neves reprovaria. Eles não herdaram a inteligência nem o bom senso do avô.”

Durval Ângelo: O “promotor André Pinho (foto acima) não tem isenção para atuar no caso, é suspeito”
Durval Ângelo: O “promotor André Pinho (foto acima) não tem isenção para atuar no caso, é suspeito”

LIBERDADE DE IMPRENSA VIOLADA COM A CUMPLICIDADE DA MÍDIA

Rogério Correia está perplexo: “É estranho uma ordem de busca e apreensão na residência do jornalista Geraldo Elísio. Evidencia o caráter de censura da operação em curso”.

O bloco Minas Sem Censura, integrado por PT, PMDB e PRB, denuncia:

O bloco parlamentar Minas Sem Censura vem a público mais uma vez registrar sua perplexidade e sua indignação com mais essa atitude do Judiciário mineiro, no caso do Novo Jornal.

A ordem de busca e apreensão expedida contra o diretor proprietário do Novo Jornal e contra o repórter Geraldo Elísio configura mais um absurdo do caso.

Depois de vários dias da prisão de Carone, sem fato concreto que pudesse incriminá-lo, vasculhar sua residência e a de Elísio, só tem sentido como ato de intimidação.

Se a credibilidade dessa atípica atitude de censura já era mínima, agora chega ao limite da desmoralização. Não conseguindo forjar a delação premiada, só restou essa truculência: busca e apreensão.

Qual será a próxima ousadia? Qual a credibilidade de supostas “provas” que eventualmente “apareçam”?

Invadir casas de jornalistas é um precedente perigoso. Em Minas não se respira liberdade.

Na verdade, nesse 31 de janeiro de 2014, Minas sofreu um atentado à liberdade de imprensa digno dos tempos da ditadura civil-militar no Brasil.

(Transcrevi trechos. Leia mais sobre o terrorismo tucano e a morte anunciada de Carone)

Juiz envolvido na morte de dois jornalistas de Minas Gerais

Justiça censura jornalista

Vários juízes substituíram os coronéis da ditadura militar nos serviços sujos de censura a jornalistas.

Sempre repito: a morte de um jornalista é a solução final da censura.

Que fique sabendo o Conselho Nacional de Justiça, CNJ, presidido pelo ministro Joaquim Barbosa, que tem um juiz acusado de participar da quadrilha que chacinou os jornalistas Walgney Carvalho e Rodrigo Neto.

Em Ipatinga, a sede de um grupo de extermínio com juiz, médico legista (Jose Rafael Miranda Americano), entre outras autoridades,  corre o boato do envolvimento do presidente da Câmara, Werley Glicério Furbino. Só tem gente fina. Os executores das mortes são policiais. Foi preso o investigador José Cassiano Guarda.

O Brasil precisa federalizar já! os inquéritos dos jornalistas martirizados, pela participação, em 99 por cento dos casos, de policiais ou ex-policiais.

Uma semana antes de morrer, Rodrigo Neto apresentou, para a Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais, uma relação de crimes em Ipatinga e outras cidades mineiras. O depoimento vazou. Que a AL divulgue o depoimento. Nele estão os nomes dos assassinos.

Na Assembléia, quando Aécio Neves era governador, um deputado deu um tapa na cara de uma jornalista diretora da assessoria de imprensa parlamentar. Um coronel da guarda do governador fez uma jovem jornalista ajoelhar, com um revólver engatilhado na cabeça.

Com coragem, idealismo e amor ao jornalismo, escreve Heron Guimarães:

jornalista ameaça censura

Extermínio em Ipatinga
 
A mais nova denúncia do presidente da Comissão dos Direitos Humanos da Assembleia Legislativa, deputado Durval Ângelo, que aponta a participação de um juiz no extermínio de jornalistas no Vale do Aço, lança mais um sinal de alerta para os poderes constituídos do Estado.

Isso porque os assassinatos dos dois repórteres no Vale do Aço não podem, de forma alguma, ser tratados como homicídios comuns, que, apesar de igualmente inadmissíveis, não despertam mais, na população e nos próprios órgãos de segurança pública, a comoção que deveriam.

Ao que tudo indica, o repórter Rodrigo Neto, acostumado a fazer coberturas policiais, encontrou uma linha investigativa que ligava policiais de Ipatinga a crimes bárbaros e a um grupo de extermínio. Acabou sendo fuzilado após deixar uma bar que tinha o hábito de frequentar. Morreu cedo e abreviou sua passagem pela vida, deixando esposa e filhos.

Um mês depois, seu colega de profissão, o fotógrafo Walgney Carvalho, morreu em circunstâncias semelhantes. Assim como Neto, deixou família e filhos. Assim como Neto, foi covardemente fuzilado após um momento de descontração. Ele também participava das “investigações” que deixariam em maus lençóis homens da “lei” que mudaram de lado.

Neto e Carvalho sabiam demais e, certamente, por saberem demais, escarafunchavam demais, aliás, o que todo bom jornalista, por convicção ou por dever de ofício, honraria em fazer, desde que munido de coragem.

A situação é bem mais grave e vai além da necessidade de se fazer a justiça tão rogada pelos familiares e pelos amigos dos dois profissionais mortos; assim como no caso Tim Lopes, quando traficantes cariocas popularizaram o termo “micro-ondas”, estamos diante de um verdadeiro atentado à liberdade de imprensa e à democracia.

Evidências que apontam para o envolvimento de policiais já seriam o bastante para que todas as forças de Minas se unissem e reforçassem as investigações, tirando de Ipatinga o comando central das investigações.

Agora, com essa nova hipótese lançada por Durval, colocando no rol de suspeitos um membro do Judiciário, a gravidade aumenta. É preciso dar uma resposta ainda mais clara para a sociedade, apresentando, com o máximo de urgência, os responsáveis por tais barbaridades.

As vagas dos repórteres assassinados não estão sendo preenchidas por outros jornalistas por causa do temor que se abateu sobre a região de Ipatinga, mas o medo deve ser de todos. Não o medo de boçais que resolvem suas podres questões e escondem suas sujeiras matando e fazendo desaparecerem provas vivas, mas o medo de um Estado inerte, incapaz de agir.

 
 
 
 

Os últimos passos de Walgney Carvalho

Walgney Carvalho
Walgney Carvalho

 

Walgney Assis Carvalho denunciou o envolvimento da polícia do governador Antônio Anastasia na morte do jornalista Rodrigo Neto.

Em conversa pelo comunicador de uma rede social, há cerca de dez dias, ao ser indagado se tinha “notícias novas” sobre o andamento da investigação do assassinato do repórter Rodrigo Neto, disse que estava indignado por ser tratado como suspeito do crime.

“Ele disse que também estaria sendo investigado pela polícia que, inclusive cumpriu mandado de busca e apreensão em sua casa. Ao fim da nossa última conversa, o Carvalho deixou uma mensagem enigmática, sugerindo que poderia virar celebridade, mas não entrou em detalhes”, informou o amigo para a reportagem do Diário do Aço.

Na sua página no Facebook, Walgney colocou o seguinte recado no dia 12 último:

caladinho

Fica comprovado que Walgney vinha sofrendo stalking policial.

O Gazeta do Aço, onde os dois jornalistas trabalhavam, informa hoje:”A execução de Walgney Carvalho ocorre exatamente 37 dias depois da execução do repórter Rodrigo Neto. Os dois trabalhavam sempre em conjunto antes mesmo de Rodrigo Neto ser contratado para voltar ao impresso, no mês de março”.

Se a polícia de Anastasia, ao invés de promover terrorismo, estivesse procurando os assassinos de Rodrigo Neto, Walgney não estaria morto.

A polícia informou que identificara os suspeitos. Mas o que tranquilizava Walgneu era a fé. Ele postou no último dia de 12 no fb:

12 abril

Às 10h26m de domingo último  indicou o lugar em que seria morto. Os assassinos ficaram na tocaia.

E colocou na foto a seguinte legenda: DAQUI A POUCO, NESTE DOMINGÃO 14, ABRIL, 2013 ENCONTRO DE CAVALEIROS NO SÍTIO DO ROGÉRIO NO COCAIS DE BAIXO, EM CORONEL FABRICIANO...MUITA COMIDA...GENTE BONITA...É A UNIÃO DOS POVOS EM UMA GRANDE AMIZADE...VAMOS EMBORA PRA LÁ POVÃO...
E escreveu a seguinte legenda: DAQUI A POUCO, NESTE DOMINGÃO 14, ABRIL, 2013 ENCONTRO DE CAVALEIROS NO SÍTIO DO ROGÉRIO NO COCAIS DE BAIXO, EM CORONEL FABRICIANO…MUITA COMIDA…GENTE BONITA…É A UNIÃO DOS POVOS EM UMA GRANDE AMIZADE…VAMOS EMBORA PRA LÁ POVÃO…

Em com.br informa: Um homem encapuzado chegou armado e atirou três vezes à queima-roupa contra o fotógrafo, que atuava na área policial, conforme informou o veículo onde trabalhava. O suspeito fugiu em uma moto que o esperava na rua.

De acordo com a Polícia Militar (PM), testemunhas informaram que o atirador estava rondando o local desde o início da noite e fazia muitas ligações pelo celular. Mesmo assim, não levantou suspeita. Por volta de 22h, ele se aproximou de Walgney e atirou friamente. Uma bala atingiu a cabeça do fotógrafo e outra pegou na axila. O assassino fugiu a pé e, a cerca de 50 metros do pesque-pague subiu em uma moto NX preta. A polícia ainda apura se havia outro comparsa na moto. Os dois homens, segundo a PM, têm várias passagens pela polícia.

O deputado Durval Ângelo, presidente da Comissão de Direitos Humanos de Minas Gerais, que vem acompanhando as apurações sobre a morte do jornalista Rodrigo Neto afirmou, por meio do Twitter, que o assassinato do fotógrafo tem relação com esse caso. Em mensagem encaminhada para o perfil da ministra Maria do Rosário, da Secretaria Nacional de Direitos Humanos da Presidência da República, o presidente da Comissão de Direitos Humanos afirma que o caso pode ser queima de arquivo. “A CDHumanos (Sic.), logo após a morte do R Neto, recebeu denúncias de q ele sabia autoria”, disse sobre Walgney. “ O Carvalho q (Sic.) foi agora assassinado tinha muitas informações. Falei dele quando você (Sic.) esteve no Vale”, comentou o deputado.

O assassinato de Rodrigo aconteceu em 7 de março quando entrava em seu carro, logo depois de sair de um churrasquinho que frequentava regularmente no Bairro Canaã, em Ipatinga, no Vale do Aço. Dois homens passaram em uma moto e atiraram no repórter.

O Jornal do Vale do Aço também pública denúncia de Durval Ângelo: “A Justiça Penal de Ipatinga é conivente com os policiais envolvidos nos crimes que o jornalista Rodrigo Neto denunciado. Juízes do Vale do Aço não concederam nenhuma prisão preventiva a policiais acusados de envolvimento com o crime organizado. Existem juízes que têm medo dos policiais, outros são escoltados pelos próprios policiais denunciados”, acusou.

O deputado lembrou o caso dos irmãos Caboclo, que foram condenados a 19 anos de prisão, mas continuam soltos. Segundo ele, os dois irmãos ofereceram R$ 100 mil pela morte do próprio deputado e R$ 60 mil pelo assassinato do delegado que apurava os crimes de que eram acusados, referindo-se ao ex-delegado Francisco Pereira Lemos, hoje ouvidor da Câmara Municipal de Coronel Fabriciano, da qual foi presidente em duas ocasiões na última legislatura. “O Judiciário fica em um olimpo inatingível, enquanto isso, temos policiais envolvidos em crimes bárbaros como o da moto verde”, completa Durval, disparando: “Hoje o Vale do Aço é o império da bandidagem e da criminalidade, e não da lei. Nós podemos ter mais mortes no Vale do Aço!”, alertou.

UMA FAMÍLIA DESTROÇADA PELA BANDIDAGEM MINEIRA

Também no dia 12 último, Walgney colocou as seguintes fotos:

1J

2 J

A história de uma dívida impagável

 por José de Souza Castro

Portal da Transparência do Estado de Minas Gerais não informa o total da dívida do Estado com a União, mas revela que o governo Antonio Anastasia (PSDB) gastou nos primeiros nove meses deste ano R$ 1,59 bilhão com a amortização da dívida e mais R$ 1,70 bilhão com o pagamento de juros e encargos dessa dívida. Isso dá, em média, R$ 366,56 milhões por mês.

A primeira questão: por que o governo tucano mineiro esconde do público o valor atual da dívida contraída quando o governador Eduardo Azeredo se curvou às exigências do governo federal, que tinha à frente o também tucano Fernando Henrique Cardoso, para renegociar as dívidas do Estado que eram roladas diariamente no mercado financeiro?

A segunda questão: por que uma dívida que somava R$ 18,6 bilhões em 31 de dezembro de 1998, quando Azeredo deixou o governo porque não conseguiu se reeleger, mesmo usando recursos públicos na campanha eleitoral, chegou a um patamar tão alto que o atual governador julga prudente não revelar?

Quem quiser conhecer a história desse endividamento pode ler o livro de Durval Ângelo “O voo do tucano”, publicado em 1999 pela editora O Lutador, de Belo Horizonte. Está disponível em PDF na Internet, nos seguintes endereços:

Transcrevi trechos