Pinheirinho, Cracolândia e USP: em vez de política, polícia!

 por raquelrolnik

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Domingo, 22 de janeiro de 2012, 6h da manhã, São José dos Campos (SP). Milhares de homens, mulheres, crianças e idosos moradores da ocupação Pinheirinho são surpreendidos por um cerco formado por helicópteros, carros blindados e mais de 1.800 homens armados da Polícia Militar. Além de terem sido interditadas as saídas da ocupação, foram cortados água, luz e telefone, e a ordem era que famílias se recolhessem para dar início ao processo de retirada. Determinados a resistir — já que a reintegração de posse havia sido suspensa na sexta feira  – os moradores não aceitaram o comando, dando início a uma situação  dramaticamente violenta  que se prolongou durante todo o dia e que teve como resultado famílias desabrigadas, pessoas feridas, detenções e rumores, inclusive, sobre a existência de mortos.

03 de janeiro de 2012, região da Luz,  centro de São Paulo. A Polícia da Militar inicia uma ação de “limpeza” na região denominada pela prefeitura como Cracolândia. Em 14 dias de ação, mais de 103 usuários de drogas e frequentadores da região foram presos pela polícia  com uso da cavalaria, spray de pimenta e muita truculência. Em seguida, mais de trinta prédios foram lacrados e alguns demolidos. Esta região é objeto de um projeto de “revitalização” por parte da prefeitura de São Paulo, que pretende concedê-la “limpinha” para a iniciativa privada construir torres de escritório e moradia e um teatro de ópera e dança no local. Moradores dos imóveis lacrados foram intimados a deixar a área mesmo sem ter para onde ir. Comerciantes que atuam no maior polo de eletroeletrônicos da América Latina, a Santa Efigênia , assim como os moradores que há décadas vivem ali, vêm tentando, desde 2010, bloquear a implantação deste projeto, já que este desconsidera absolutamente suas demandas.

08 de novembro de 2011, 05h10 da manhã, Cidade Universitária, São Paulo.Um policial aponta a arma para uma estudante de braços levantados, a tropa de choque entra no prédio e arromba portas (mesmo depois de a polícia já estar lá dentro), sem deixar ninguém mais entrar (nem a imprensa, diga-se de passagem), nem sair, tudo com muita truculência. Este foi o início do processo de desocupação da Reitoria da Universidade de São Paulo, ocupada por estudantes em protesto à presença da PM no Campus. Os estudantes são surpreendidos por um cerco formado pela tropa de choque e cavalaria, totalizando mais de 300 integrantes da Polícia Militar. Depois de horas de ação violenta, são retirados do prédio e levados presos mais de 73 estudantes. Camburão e helicópteros acompanham a ação.

O que estes três episódios recentes e lamentáveis têm em comum? (…) Nestas situações a suposta “ilegalidade” ( ocupação de terra/uso de drogas) é motivo suficiente para promover todo e qualquer  tipo de violação de leis e direitos em nome da ordem, em um retrocesso vergonhoso dos avanços da democracia no país.

(Transcrevi trecos)

Quantos sem teto trucidaram em Pinheirinho?

Ditadura militar de 64 criou cemitérios clandestinos.

Chacina de Pinheirinho. Onde o Tribunal de Justiça de São Paulo e o Governo do Estado de São Paulo estão escondendo os cadáveres da Ocupação de Pinheirinhos?

OAB de São José dos Campos diz que houve mortos em operação no Pinheirinho

por Bruno Bocchini e Flávia Albuquerque – Repórteres da Agência Brasil

São Paulo – O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto, disse hoje (23) que houve mortos na operação de reintegração de posse do terreno conhecido como Pinheirinho, na periferia da cidade. De acordo com ele, crianças estão entre as vítimas.

“O que se viu aqui é a violência do Estado típica do autoritarismo brasileiro, que resolve problemas sociais com a força da polícia. Ou seja, não os resolve. Nós vimos isso o dia inteiro. Há mortes, inclusive de crianças. Nós estamos fazendo um levantamento no Instituto Médico-Legal [IML], e tomando as providências para responsabilizar os governantes que fizeram essa barbárie”, disse, em entrevista à TV Brasil.

Segundo Neto, a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal chegaram a atacar moradores que se refugiavam dentro de uma igreja próxima ao local. “As pessoas estavam alojadas na igreja e várias bombas foram lançadas ali, a esmo”, declarou.

O representante da OAB disse ter ficado surpreso com o aparato de guerra que foi montado em prol de uma propriedade pertencente à massa falida de uma empresa do especulador Naji Nahas. “O proprietário é um notório devedor de impostos, notório especulador, proibido de atuar nas bolsas de valores de 40 países. Só aqui ele é tratado tão bem”.

(…) PM cumpre uma ordem da Justiça Estadual para retirar cerca de 9 mil pessoas que vivem no local há sete anos e 11 meses. O terreno integra a massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas. A Justiça Federal decidiu contra a desocupação do terreno, mas a polícia manteve a reintegração obedecendo ordem da Justiça Estadual.

A moradora Cassia Pereira manifestou sua indignação com a maneira como as famílias foram retiradas de suas casas sem que ao menos pudessem levar seus pertences. “A gente está lutando por moradia. Aqui ninguém quer guerra, ninguém quer briga, a gente quer casa, nossa moradia. Todo mundo tinha suas casas aqui construídas, e tiraram de nós, sem direito a nada. Pegamos só o que dava para carregar na mão”, disse.

 (Transcrevi trechos)

A imprensa não relata o que realmente está acontecendo no Pinheirinho

Flávio Gomes

Os moradores do Pinheirinho usam pulseirinhas azuis que não são muito diferentes dos números tatuados nos braços dos judeus em campos de concentração. Moradores denunciam que crianças estão sendo separadas dos pais e enviadas ao Conselho Tutelar.

Casas são demolidas. A PM atira, fere, e diz que não houve confronto. Crianças são submetidas a terrorismo de Estado, tiroteios, bombas. A Prefeitura oferece passagens “para o Norte”. São 6 mil pessoas.

Até agora, a chamada grande imprensa não foi atrás de nenhuma dessas denúncias e deu voz às autoridades, que falam numa “desocupação pacífica” e bem-sucedida. Uma operação brilhante. Não há contestação.

Nenhum grande órgão de imprensa foi atrás de uma informação bem relevante: quais são os credores da massa falida da Selecta de Naji Nahas? No vídeo que divulgo no meu blog   há a informação que o único credor é a Prefeitura de São José. E o terreno tem dívidas que podem ser de 10 a 15 milhões de reais, dependendo da versão.

Por que a grande imprensa não pergunta às autoridades quem vai ficar com o terreno? Ou o que será feito dessa área?

A origem do terreno também não está sendo investigada pela grande mídia, que só repete comunicados oficiais. Aqui, parte da história. Em 1969, os irmãos Kubitsky, de origem alemã, foram assassinados em São José dos Campos. Eram os donos da chácara que é hoje o Pinheirinho. Quatro idosos, dois homens, duas mulheres. Não tinham herdeiros. Assim, a área deve ter passado ao Estado, ou ao Município, na época. Como foi parar nas mãos de Nahas?

Perguntas sem respostas, e não adianta esperar que elas apareçam nos grandes jornais, revistas ou nas emissoras de TV. Esses estão preocupados em ecoar o discurso do direito à propriedade privada, da decisão da Justiça que se cumpre, não se discute.

 

 

Massacre de Pinheirinho.Tribunal de Justiça de São Paulo e PSDB, tudo a ver

Tendo em vista o noticiário sobre o episódio do Pinheirinho, o presidente do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo informa:

1 – Toda mobilização policial na data de 22/1/12 se deu por conta e responsabilidade da Presidência do Tribunal de Justiça, objetivando o cumprimento de ordem judicial;

2 – O efetivo da Polícia Militar em operação esteve sob o comando da Presidência do Tribunal de Justiça até o cumprimento da ordem;

3 – O Executivo do Estado, como era dever constitucional seu, limitou-se à cessão do efetivo requisitado pelo Tribunal de Justiça.

Comunicação Social TJSP

http://www.tj.sp.gov.br/Institucional/CanaisComunicacao/Noticias/Noticia.aspx?Id=12936

O povo perdoa muitas coisas num político, inclusive coisas que não deveria, mas se tem coisa que não pega bem é covardia.
O poderoso governador de São Paulo dormiu sábado como o rei da esperteza, pois na manhã seguinte, a polícia teria exterminado 1.700 lares, expulsando crianças, mulheres e trabalhadores pobres, pegando-os de surpresa na calada da noite de um domingo, em uma operação relâmpago.
A coisa desandou no extermínio do Pinheirinho, e a cidade de São José dos Campos virou uma praça de guerra, com repercussão nacional e internacional.
Mesmo assim, o poderoso governador ainda dormiu se vendo no programa Fantástico, da TV Globo, com a imagem “triunfal” de um ditador mão-de-ferro, mantenedor da lei (que nem sempre tem a ver com justiça), que impõe a “ordem” sobre “baderneiros” e “bandidos”, coisa que agrada boa parte de seu eleitorado de índole fascista.
A coisa mudou de figura quando o telejornal “Bom Dia, Brasil” de segunda-feira (*) mostrou o mal-estar de uma mãe aflita com uma criança no colo, expulsa de sua casa por policiais do batalhão de choque, e que mal pôde pegar a mamadeira para o bebê, sem ter um lar para onde ir, só com a roupa do corpo.

O alerta vermelho dos marqueteiros tucanos soou no Palácio dos Bandeirantes.
Não há como um governador justificar a covardia de exterminar 1.700 lares com crianças e mães, deixando-as desalojadas, para entregar o terreno “limpo” à massa falida de um mega-especulador.
O governador Geraldo Alckmin (PSDB/SP) tornara-se irremediavelmente o “açougueiro do Pinheirinho”.
Então, na segunda-feita, o governador tucano quis abdicar do cargo retroativamente, por 24 horas, e voltar a ser apenas um “picolé de chuchu” durante o domingo.
O tribunal de Justiça soltou uma nota prá lá de esquisita, onde o Presidente do Tribunal disse que assumiu o comando da Polícia Militar naquela operação, tirando o poder de comando sobre a polícia das mãos do governador.
É constitucional isso?
O Poder Judiciário pode fazer uma intervenção no poder executivo, “destituindo” o governador do comando?
Que eu saiba o Poder Judiciário emite ordem judicial dizendo o quê tem que fazer. Como fazer é atribuição do Governador, pois a Polícia Militar está sob sua hierarquia.
Faltou coragem a Alckmin duplamente:
Faltou coragem para assumir a responsabilidade pela operação policial, que é intransferível.
E faltou coragem para desautorizar uma nota que o “destituiu” do cargo.
De hoje em diante, é o Presidente do Tribunal de Justiça quem decide quem governa São Paulo e quando. Basta uma ordem judicial, que Alckmin cede o comando para o desembargador Ivan Sartori governar, sem ter sido eleito para isso.
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(*) A TV Record podia passar sem essa. A reportagem do Bom Dia, Brasil foi a melhor e mais realista, apesar da matéria do Fantástico ser fascista, e a do Jornal Nacional ter estragado a boa edição da manhã para aliviar Alckmin.

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Esta vergonhosa nota não livra a cara do governador Geraldo Alckmin. Apenas revela que a TJ-SP, o maior tribunal do mundo, prefere ficar com o doleiro Naji Nahas contra o povo.

Observe: a nota não foi assinada. Mas que o povo não esqueça. Essa foi a primeira acão do desembargador Ivan Sartori como presidente do Tribunal de Justiça de São Paulo.

Faltam corregedor e procurador na Justiça do Trabalho do Rio de Janeiro?

O corregedor-geral da Justiça do Trabalho, ministro Barros Levenhagen, elogiou juízes da 2ª Vara do Trabalho de Brasília por terem bloqueado R$ 3 milhões de contas bancárias de servidores e possíveis envolvidos em um furto continuado, no qual uma funcionária do tribunal desviou, no mínimo, R$ 5 milhões de depósitos judiciais.

Além do bloqueio de dinheiro em conta, foram bloqueados 10 veículos em nome da servidora e de seu parceiro e foi pedido um levantamento imobiliário aos cartórios de Brasília.

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O procurador Vinícius Fermino, do Ministério Público Federal no Distrito Federal, investiga outras duas pessoas sobre o desvio de pelo menos R$ 5,5 milhões de depósitos judiciais do Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 10ª Região, em Brasília. Além da denúncia apresentada por peculato contra a servidora Márcia de Fátima Pereira e Silva; o marido dela, José Aílton da Conceição; a mãe da funcionária pública, Maria Pereira Braga da Silva; e o irmão, Maurício Pereira da Silva, o MP pediu à Polícia Federal que investigue também a participação de pelo menos duas pessoas cujos nomes são mantidos em sigilo.
Foi presa e a foto publicada pela imprensa.
Márcia, no dia em que foi presa pela Polícia Federal: servidora ficou duas semanas na cadeia
Márcia, no dia em que foi presa pela Polícia Federal: servidora ficou duas semanas na cadeia

A lei sempre é dura para os pequenos. Não tem essa de sigilo bancário, sigilo fiscal, segredo de justiça, prisão especial, foro especial e justiça secreta.

Integrantes do Tribunal Regional do Trabalho da 1ª Região (TRT-1), sediado no Rio, movimentaram quase R$320 milhões em operações financeiras atípicas na última década.

Tem, pelo menos, um doleiro na jogada.
A Polícia Federal sabe quem é, que já prendeu o criminoso.
Conselho Nacional de Justiça sabe quem é, pois foi informado pelo Coaf.

A imprensa do Rio também conhece o sujeito. Basta procurar nos arquivos a notícia da prisão.

A presidente do Tribunal, desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry, afirmou desconhecer a identidade do servidor e criticou a postura do presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, ao pressionar o TRT-RJ para divulgar o nome do suspeito:

Essa notícia foi usada de forma leviana, em especial pelo presidente da OAB-RJ. Porque ele sabe que ainda que tivesse sido notificado pelo Coaf, o tribunal só poderia abrir uma sindicância sigilosa, em segredo de Justiça, porque nosso país não permite condenação sem o devido processo legal.

Traficar 320 milhões, e ninguém perceber… e não se abrir o devido processo…

COAF, PF, Eliana Calmon têm que dar nome do doleiro do TRT-RJ

Pedro do Coutto

 

Reportagem de página inteira de Pedro Dantas, O Estado de São Paulo de sexta-feira 20, revela que o superintendente da Polícia Federal no Rio de Janeiro, Vítor Hugo Poubel, abriu investigação para identificar o ator ou atores principais da corrupção desencadeada no Tribunal Regional do Trabalho, através da qual foram movimentados 282 milhões de reais de 2000 a 2010.

Na semana passada, o presidente do Conselho de Atividades Financeira, órgão da Fazenda, Antonio Gustavo Rodrigues, tornou pública a denúncia e a entregou à ministra Eliana Calmon. Esta, por sua vez, a encaminhou ao Supremo Tribunal Federal. O fato é gravíssimo porque, evidentemente, não envolve duas pessoas nos crimes praticados em série no espaço de uma década.

Entretanto, a desembargadora Maria de Lourdes Salaberry, presidente do TRT-RJ, afirmou, como a matéria assinala, desconhecer completamente o assunto, inclusive a identidade do doleiro ou doleiros executores das transações bancárias sob as quais se oculta a corrupção continuada. A foto que ilustra a reportagem de Pedro Dantas é de Marcos de Paula.

Assim, diante da declaração da desembargadora que preside o Tribunal Regional do Trabalho, tanto Antonio Gustavo Rodrigues, quanto Vitor Hugo Poubel e Eliana Calmon encontram-se no dever de divulgar oficialmente o nome do principal agente, ou principais agentes, das fraudes colossais. Sim. Porque não é possível que o doleiro ou doleiros possam ser personagens envoltos em mistério.

Poubel ainda pode esperar o desenrolar dos fatos e chegar aos nomes. Mas Gustavo Rodrigues e Eliana Calmon, não. Eles formalizaram a denúncia abertamente. Não podem mantê-la fechada. Sob pena de se lançarem no plano inclinado da desmoralização. Afinal o presidente do COAF e a ministra corregedora do STJ não podem se expor a isso.

Não se trata absolutamente de quebra de sigilo. E sim de acusação a um ou dois criminosos aparentes. E vários outros ainda ocultos. Uma vergonha.A caixa de segredos trazida ao palco por figuras de alta respeitabilidade precisa ser aberta. Revelada a superfície, o resto do elenco tem de emergir à luz da opinião pública. Aliás, no Brasil, o que equivale a uma condenação máxima, já que ninguém de colarinho branco vai para a cadeia.

Entre os magistrados, por exemplo, existem inúmeros casos, a pena tem sido de aposentadoria remunerada. Quando deveria ser o contrário. Porque um juiz, um desembargador ou ministro, desempenham atividades absolutamente singulares. Tem que decidir questões envolvendo quantias elevadíssimas. Tem que ser homens e mulheres acima de qualquer suspeita. Inclusive, como os titulares de cargos de direção nas escalas administrativas, deveriam apresentar anualmente a relação de bens e de sua movimentações financeiras.

O destino de impasses econômicos de porte concentra-se em suas mãos, após as controvérsias que colocam em confronto altos choques de interesses. Os doleiros não agem sozinhos. Não são mascarados: possuem face, expressão, intenções e realizam atos concretos. Assim não fosse, as movimentações na órbita do TRT-RJ não atingiriam 282 milhões de reais.

Uma outra reportagem, esta de Sheila Damorim, Folha de São Paulo de 19, sobre os juros cobrados pelos bancos e pelo comércio no país, mostra a impossibilidade de os beneficiados pelos depósitos poderem apresentar como justificativa a obtenção de financiamentos imobiliários ou créditos pessoais.

Os juros bancários estão em torno de 4% ao mês. E os juros do comércio na escala de 5,3. Portanto, não há possibilidade de os envolvidos na teia de aranha de 282 milhões poderem sequer tentar dizer que tal montante resulta de operações de crédito que conseguiram. Conseguir um financiamento, digamos, de 10 milhões de reais não é impossível. Mas como puderam pagar?

Nahas, outro doleiro protegido da justiça

Amigo de José Serra e do ditador Alckmin ganha propriedade ilegal, com o martelo da justiça e as metralhadoras da polícia

OAB de São José dos Campos diz que houve mortos em operação no Pinheirinho

O presidente da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de São José dos Campos, Aristeu César Pinto Neto, disse hoje (23) que houve mortos na operação de reintegração de posse do terreno conhecido como Pinheirinho, na periferia da cidade. De acordo com ele, crianças estão entre as vítimas.

“O que se viu aqui é a violência do Estado típica do autoritarismo brasileiro, que resolve problemas sociais com a força da polícia. Ou seja, não os resolve. Nós vimos isso o dia inteiro. Há mortes, inclusive de crianças. Nós estamos fazendo um levantamento no Instituto Médico-Legal [IML], e tomando as providências para responsabilizar os governantes que fizeram essa barbárie”, disse, em entrevista à TV Brasil.

Segundo Neto, a Polícia Militar (PM) e a Guarda Municipal chegaram a atacar moradores que se refugiavam dentro de uma igreja próxima ao local. “As pessoas estavam alojadas na igreja e várias bombas foram lançadas ali, a esmo”, declarou.

O representante da OAB disse ter ficado surpreso com o aparato de guerra que foi montado em prol de uma propriedade pertencente à massa falida de uma empresa do especulador Naji Nahas. “O proprietário é um notório devedor de impostos, notório especulador, proibido de atuar nas bolsas de valores de 40 países. Só aqui ele é tratado tão bem”.

Leia mais 

O Conversa Afiada publica textros do Viomundo e de Wálter Maierovitch.

Não deixe de ler  “PM e Justiça de SP devolvem a Nahas propriedade ilegal”

Leia também: A lógica do dinheiro grosso contra o povo miúdo

Editorial de Carta Maior, por sugestão de ZePovinho

Qual o sentido em se despejar violentamente cerca de 1.660 famílias pobres, que já estão construindo suas casas, que mal ou bem abrigam-se sob um teto e erguem uma comunidade, para depois cadastrá-las nas intermináveis filas dos programas de habitação social que para atendê-las terão que adquirir ou desapropriar glebas, viabilizar projetos, contratar obras até, finalmente, um dia –- se é que essa dia chegará -– devolver um chão e alguma esperança de cidadania a essa gente?

Mas, sobretudo, qual o sentido dessa enorme volta em falso quando o único beneficiário da ação policial violenta contra a ocupação de ‘Pinheirinho’, em São José dos Campos (SP), chama-se Naji Nahas?

Dono do terreno, com dívidas de R$ 15 milhões junto à prefeitura local, Nahas é um especulador notório, preso em julho de 2008 pela Polícia Federal, na operação Satiagraha, junto do não menos notório banqueiro Daniel Dantas, ambos acusados de desvio de verbas públicas, corrupção e lavagem de dinheiro.

Qual o sentido do ‘desencontro’ entre o manifesto desejo de um acordo favorável aos moradores de ‘Pinheirinho’, expresso pelo governo federal, e a engrenagem política-judicial repressiva e desastrada do governo paulista? Qual o sentido? O sentido é justamente esse, apenas esse: a supremacia do dinheiro grosso contra o povo miúdo.

Milícia de Alckmin
Milícia de Alckmin

Pinheirinho, e o uso precipitado da força pública

Numa ação de reintegração de posse de área grande e com muitos ocupantes, a regra orientadora básica do juiz do processo é a Justiça, e buscar à exaustão as conciliações em audiências. Em outras palavras, promover negociações voltadas à desocupação e, para tanto, envolver governos (municipal, estadual e federal) para encontrar soluções alternativas. Afinal, créditos tributários são habilitados para pagamento pela massa falida.

A reintegração coercitiva, com oficiais de Justiça e força policial, só deve ocorrer excepcionalmente e não era o caso da executada no domingo em imóvel pertencente à massa falida da empresa Selecta. Uma empresa que pertenceu ao megaespeculador Naji Nahas.

A falência foi declarada em 2004 e se arrecadou, como bem da massa, uma área de 1,3 milhão de metros quadrados, situada em São José dos Campos, em lugar conhecido por Pinheirinho.

Na reintegração, não estava em jogo apenas o interesse dos cerca de 6 mil ocupantes da área do Pinheirinho. Como todos sabem, os valores arrecadados com a massa falida pagam os créditos de trabalhadores tungados pelos gestores da Selecta. Mais ainda, existem créditos fiscais, previdenciários e até dos credores quirografários. Os pagamentos obedecem a uma ordem legal e, muitas vezes, os quirografários ficam a ver navios.

Desapropriar a área para solucionar o problema dos ocupantes e não deixar os credores desamparados poderia ter sido uma das soluções. Lógico, passada pelo crivo do Ministério Público por meio da curadoria de massas falidas e Judiciário. No caso da falência da Salecta, e como informado pelos jornais, havia um protocolo de intenções em curso no Ministério da Cidade para solucionar o problema dos ocupantes da área.

Sempre conforme o informado pela mídia, existia ainda um acordo para adiar a reintegratória. Esse acordo teria sido celebrado entre o representante da massa falida e uma comissão de moradores. Fora isso, no âmbito Judiciário, havia um conflito de competência entre Justiça estadual e a federal. Por incrível que possa parecer, o conflito foi resolvido, em sede do Superior Tribunal de Justiça, no domingo, quando a Polícia Militar, com bombas e balas de borracha, já havia praticamente promovido a desocupação.

O conflito poderia ter sido usado pela Justiça paulista como bom motivo para adiar a reintegração coercitiva e buscar novas tentativas conciliatórias. Pelo que se sabe, o governo federal tinha um representante na área. E esse representante chegou a ser atingido por projéteis de borracha disparados pela Polícia Militar.

Em síntese, existiam bons motivos para adiar o emprego da força policial. Uma solução determinada pela Justiça, que requisitou a força policial. Portanto, não cabia à Polícia Militar deixar de cumprir a determinação judicial.

Ao governo federal, por meio do Ministério das Cidades, faltou agilidade para fazer valer o protocolo celebrado.

Por outro lado, diante do problema social, o governo do Estado, pela Secretaria de Justiça e Defesa da Cidadania, deveria ter buscado uma solução amigável. Não falta ao governo estadual experiência, basta lembrar a região do Pontal do Paranapanema, em encontrar soluções em conflitos possessórios.

Não há dúvida que a questão judicial é antiga, pois a falência foi decretada em 2004. Mas o imóvel teve grande valorização e a lentidão da Justiça em solucionar conflitos é bem conhecida. No caso do Pinheirinho, nem todas as “portas” conciliatórias estavam fechadas. Lamentavelmente, a Justiça optou pelo uso da força.

Pano rápido. Por telefone, tentei buscar informação sobre se a falência da Selecta foi fraudulenta e se existe algum processo por crime falimentar contra o megaespeculador Naji Nahas ou algum dos gestores. Isso tudo para no Brasil, onde crimes falimentares costumam prescrever.

Wálter Fanganiello Maierovitch

Povo defende os moradores de Pinheirinho contra os capangas de Nahas
Povo defende os moradores de Pinheirinho contra os capangas de Nahas

Quem é o traficante de moedas do Tribunal Regional do Trabalho do Rio Janeiro?

Toda vez que tem incêndio em prédio público, o fogo começa nos arquivos da tesouraria.

Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro, nesta última década, está repleto de escândalos. Além de um incêndio, nomeou um ex-presidiário doleiro, para prestar valiosos serviços.

O presidente da Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no Rio de Janeiro (OAB-RJ), Wadih Damous, precisa pedir que a Procuradoria-Geral da República (PGR) investigue a movimentação de R$ 282,9 milhões, realizada em 2002.

“Pelo relatório do Coaf ou se trata de um servidor ou de um magistrado. Nenhuma dessas categorias, ainda que acumule seus vencimentos por toda a vida, chegaria sequer perto de uma quantia dessas. Não tem cabimento convivermos com essa dúvida que não faz bem à magistratura e à democracia”, disse o presidente da OAB-RJ.
Ele alega que, se a suposta prisão do doleiro se deu no âmbito de um processo penal, que “como regra, é público”, não há motivo para a Procuradoria Regional manter o sigilo em torno do episódio, o que, segundo ele, “só contribui para as especulações acerca de possíveis desvios de verbas públicas e envolvimento de magistrados nessas movimentações.

Publica O Globo hoje:
No TRT, outra dúvida diz respeito à admissão do servidor. Se ele entrou depois de ser preso, como diz o Coaf, como o processo de seleção do tribunal deixou que ele passasse? Os frequentadores do tribunal, entre os quais advogados, questionam o fato de um doleiro que, em um ano, movimentou R$ 282 milhões, ter rendimento de assalariado no tribunal.

A presidente do Tribunal, desembargadora Maria de Lourdes Sallaberry, afirmou desconhecer a identidade do suposto servidor e criticou a postura do presidente da OAB-RJ, Wadih Damous, ao pressionar o TRT-RJ para divulgar o nome do suspeito.

Tem mais dinheiro desviado.

Mas o muro é muito alto
Olê, olê, olá!
Mas o muro é muito alto
Olê, seus cavalheiros!

Vou tirando uma pedra
Olê, olê, olá!
Vou tirando uma pedra
Olê, seus cavalheiros!

Uma pedra não faz falta
Olê, olê, olá!
Uma pedra não faz falta
Olê, seus cavalheiros!

Vou tirando duas pedras
Olê, olê, olá!
Vou tirando duas pedras
Olê, seus cavalheiros!

Duas pedras não faz falta
Olê, olê, olá!
Duas pedras não faz falta
Olê, seus cavalheiros!

Vou tirando três pedras…

Vou tirando 320 milhões.
Escute a música