Jango vigiado na Argentina por espias do Brasil. Operação Condor

BRA_ZH cia ditadura

Depois de terminada a programação oficial da visita, Jango confessou que estava triste, e queria tomar um porre, que aconteceu num fim de tarde no Aéreo Clube, em Natal. Eram cinco pessoas: o presidente, Darcy Ribeiro, Djalma Maranhão prefeito de Natal, deputado Djalma Marinho e eu, um foquinha. Não havia nenhum segurança. Não se conversou política. Apenas acontecimentos pitorescos envolvendo cada um. Ou casos de pessoas notáveis. Fui pelo parentesco com Djalma Marinho e amizade com Djalma Maranhão. Quatro figuras históricas da maior grandeza humana. Não possuía nenhuma revelação, terminei de porre. O único, que o silêncio é bêbado. Quem conversa não bebe. Não recordo mais todos os testemunhais. Mas ficou na lembrança, de Jango, seu jeito de sentar com uma perna estirada. Isso por conta de um tiro que teria levado. Não lembro quem contou, ou onde li. Nunca pesquisei para comprovar.  Isso aconteceu quando JK era presidente. Tinha uma antipatia sem motivo por Juscelino. Numa coletiva, dos jornalistas, me escolheu para estender a mão. Uma figura eletrizante. Isso faz a diferença. Nenhum brasileiro, hoje, tem este magnetismo. Noutra coletiva, Carlos Lacerda falou de um Rio de Janeiro cidade que dava como modelo do que poderia ser o Brasil. Provoquei: disse que só acreditava vendo. O governador ofereceu o avião “Esperança”, e os jornalistas da entrevista foram conhecer o aterro do Flamengo e túneis. Ficamos hospedados no Maracanã. Entre os jornalistas, Cristina Tavares. Maracanã e aterro do Flamengo que Sérgio Cabral deu para Eike Batista. No pacto de Lisboa, o acordo dos exilados Jango, Lacerda, Juscelino. Era um pacto de morte. Os três não veriam o fim da ditadura. Falta também investigar a morte de Djalma Maranhão, exilado no Uruguai.

Vigilado en Argentina por espías de Brasil

Nacido formalmente en 1975, el Cóndor ya actuaba como red de espionaje multinacional, sin llevar ese nombre de rapiña, desde algunos años antes y una de sus presas más anheladas era João Goulart, informan papeles secretos hallados por este diario.

Uno de esos documentos, con detalles de una conversación entre Goulart y el ex presidente Juan Perón en 1973, tiene el rótulo de “Secreto” y lleva el sello del Servicio Nacional de Informaciones brasileño. Otros reportes mencionan que la Argentina de 1973 era una plataforma de lanzamiento para el ex mandatario “populista”.

“Estos documentos de Goulart cuando era perseguido y espiado en Argentina, de los que usted me habla, muestran que hubo un plan perverso contra los demócratas y quienes amenazaron la permanencia de la dictadura”, observa la ministra Nunes en diálogo con Página/12.

Sectores del gobierno brasileño sostienen la hipótesis de que Goulart, un moderado capaz de encabezar una coalición por la restitución democrática, era una amenaza al modelo de transición vigilada ideada, y finalmente aplicada, por el germánico Ernesto Geisel. Goulart y Juscelino Kubtischek, otro ex presidente fallecido en un accidente turbio en 1976, así como el chileno Orlando Letelier, asesinado ese año, tendían a fortalecerse con la victoria del demócrata Jimmy Carter.

El Cóndor veía con horror el retorno de líderes bendecidos por Washington, tal como consta en una correpondencia de agosto de 1976, descubierta hace 20 años, enviada por el jefe de la DINA chilena Manuel Contreras a su par brasileño João Baptista Figueiredo.

El documento secreto que se refiere a los ex presidentes
El documento secreto que se refiere a los ex presidentes

(Transcrito do Página 12, Argentina)

“A história dos arquivos brasileiros deve ser revelada”

Pesquisador da ONG The National Security Archive, Peter Kornbluh é um especialista em obter documentos outrora secretos do governo dos Estados Unidos. Ele tem auxiliado o Brasil na obtenção destes relatórios, como o acervo de 270 páginas que Zero Hora teve acesso, informes entregues à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República.

Em entrevista concedida por e-mail a ZH, o pesquisador avalia a importância da abertura de arquivos, o primeiro ano da Lei de Acesso à Informação brasileira e a influência norte-americana nos regimes militares da América Latina. A seguir, os principais trechos.

Zero Hora – Qual a importância de abrir arquivos secretos de países?

Peter Kornbluh – A abertura de arquivos governamentais é uma obrigação para a democracia. É o direito do cidadão saber, em qualquer país, o que seu governo tem feito em seu nome, mas sem seu conhecimento. Sem acesso à verdadeira história, pode não haver fundamento histórico para um debate público integral sobre o futuro. Particularmente, em países como o Brasil, onde existe um histórico de abusos de direitos humanos e repressão, as evidências nos arquivos são fundamentais para se chegar a um veredicto social, legal e histórico sobre o passado.

ZH – Qual foi a influência dos Estados Unidos nas ditaduras militares da América do Sul?

Peter – Os Estados Unidos ajudaram secretamente a criar os mais famosos regimes militares na região – do sanguinário regime guatemalteco em 1954 às juntas brasileiras em 1964, até o regime Pinochet em 1973. Nos Estados Unidos e na América Latina nós sabemos muito sobre a intervenção secreta americana na região em virtude da nossa capacidade de usar a lei de acesso à informação para obter documentos com acesso liberado.

ZH – Como o senhor avalia o regime militar no Brasil?

Peter – O Brasil é uma superpotência regional. A ditadura brasileira possuía uma política exterior muito intervencionista no Conesul – auxiliando na derrubada de Salvador Allende (Chile), participando no enfraquecimento do governo da Bolívia, influenciando as eleições no Uruguai etc. A história dos arquivos brasileiros deve ser revelada para o benefício da região latino-americana, como também o direito de saber de todos os brasileiros.

Livra-te do homem que não fala e do cão que não ladra

Liliana-Oliveira

 

A imprensa é o quarto poder
Edmund Burke

Imprensa é oposição. O resto é armazém de secos e molhados

Millôr Fernandes

A imprensa não é o Quarto Poder. É o contrapoder
Zuenir Ventura

A imprensa é a artilharia da liberdade
Hans Dietrich Genscher

O poder jamais careceu de quem lhe fizesse elogios
Elias Canetti

Onde está o poder estará, infalivelmente, o puxa-saco
Gustavo Krause

O que está em jogo neste lance é saber se poderemos praticar a Constituição, adotando métodos totalitários de sufocação à liberdade da palavra frouxamente, ou se defendendo esta liberdade, mesmo quando a palavra é injustamente usada, confiando em que possa ser contestada, não pela brutalidade do silêncio forçado, mas, pelo contrário, pela ampla discussão, a fim de que o abuso seja afinal corrigido
Djalma Marinho

A proibição futura de quaisquer textos representaria (…) censura à atividade jornalística, o que, definitivamente, não se coaduna com os princípios basilares do Estado Democrático de Direito, que elegeu a liberdade como um de seus pilares.
Catarina Vila-Nova Alves de Lima

“Fulano escreveu certo e você errado” ensinava, aos berros, a assessora, que é bem paga para fazer exatamente isso: Tirar da imprensa o que de “ruim” possa envolver o seu cliente
Ricardo Antunes

A liberdade de pensamento, de expressão e de informação são todas expressões de direitos individuais. Elas começam no artigo 5 da Constituição, os direitos e garantias individuais, são clausulas pétreas. Por isso não podem ser objeto de reforma nem por emenda constitucional
Ayres Britto

Essas críticas, quando emitidas com base no interesse público, não se traduzem em abuso de liberdade de expressão, e dessa forma não devem ser suscetíveis de punição. Essa liberdade é, na verdade, um dos pilares da democracia brasileira
Celso de Mello

Além de sermos seres que se emocionam, que têm sensações e vontades, somos seres pensantes e com pleno direito e, até, dever de compartilhar nossos conhecimentos e opiniões sobre e para o mundo. Somos todos livres, inteligentes e não podemos e nem devemos nos omitir e nem sermos repreendidos e censurados. E é disso que trata o Artigo XIX da Declaração Universal dos Direitos Humanos
Flavia Vasconcelos

liberdade-de-expressão2

Guerra interna no Espírito Santo. PCB adota castigo da Resistência Francesa contra amantes dos nazistas

 

Vitória. O Primeiro Comando da Capital, cumprindo ordem militar do comandante em chefe do Primeiro Comando do Brasil (PCB), começou a cortar (raspar) o cabelo de belas mulheres, principalmente das adolescentes, que namoram soldados da polícia militar. O fato lembra o caso do discurso do deputado Márcio Moreira Alves, no Congresso, que convocava um boicote às paradas militares e solicitava às jovens brasileiras que não namorassem oficiais do exército. O dia do golpe, 31 de março, era feriado nacional, e festejado com procissões do Povo que Reza Unido Permanece Unido e marchas militares e sermões de padrecos contra os comunistas ateus e oratória cívica de juristas e cientistas políticos da TFP, CCC e outras siglas guerreiras da direita golpista.

Presidida pelo deputado Djalma Aranha Marinho, a Comissão de Constituição e Justiça negou o pedido de cassação de Márcio Moreira Alves.

Em 11 de dezembro de 1968 os deputados votaram o pedido, recusando-o. Foi um momento emocionante, em que todo o plenário da Câmara, após a conclusão da votação, levantou-se e cantou o hino nacional. Em represália, o governo determinou o fechamento (recesso) da Câmara, e os deputados tiveram que se retirar atravessando uma ameaçadora e humilhante fileira de soldados. Márcio Moreira Alves estava obviamente “jurado de morte” e teve que rapidamente exilar-se. Djalma Marinho veio para o Recife. Talvez só a esposa, Celina Cavalcanti Marinho, sabia onde ele estava. Djalma estava para decido pelo exílio. Foi no Recife, que ficou sabendo da cassação de todos os deputados considerados da ala Djalmista. Um grupo de jovens idealistas e libertários.

Djalma Marinho esperava a cassação. Ouviu pelo rádio a leitura da lista dos cassados.  Os olhos deles lacrimejavam. Depois ficou em silêncio. Um silêncio que me pareceu uma eternidade. Era naquele momento um velho leão ferido. Foi uma dura estocada.

A voz mansa e calma, disse: – Vou ficar. Para disputar a presidência da Câmara e apresentar um projeto de anistia.

Em julho de 2010, a França prepara a “Lista da Vergonha”. Informa o professor Hermínio Sexto:

O governo da França anunciou que, a partir de 2015, disponibilizará na internet uma lista com os nomes de todos os cidadãos que colaboraram com a ocupação alemã do país durante a Segunda Guerra. A data marca o fim do “prazo de validade” de 75 anos do sigilo legal dos registros produzidos durante o período de invasão nazista, entre 1940 e 1944.
Essas informações virão de relatórios policiais que até agora são mantidos em arquivos governamentais franceses e no Museu de Coleções Históricas da Prefeitura de Polícia, em Paris. O governo promete escanear todos os documentos do período, incluindo interrogatórios e registros de prisões.
As informações reveladas ajudarão a escrever novos capítulos da história da França na Segunda Guerra Mundial. Conforme apontou a jornalista Nabila Ramdani em nota no jornal inglês The Guardian, a existência de dados mais precisos sobre a colaboração francesa com o regime de Hitler e com a deportação de judeus e demais opositores do nazismo pode levar os pesquisadores a reavaliar a história da Resistência Francesa.
Colaboracionista punida por civis por ter mantido relações com um alemão durante a guerra
Cabeça raspada. Colaboracionista punida por civis por ter mantido relações com um alemão durante a guerra

Uma lembrança de Djalma Marinho

por Emanoel Barreto

Emanoel Barreto
Emanoel Barreto

“O futebol está tão lento que, 
quando a bola sai de uma área 
e chega à do adversário, já é noite.”
(Do legendário jogador espanhol Di Stéfano )

 

Djalma Marinho

O poeta Diógenes da Cunha Lima certa vez escreveu a respeito do deputado Djalma Marinho, a quem descreveu como “o homem que pintava cavalos azuis”. A imagem, plena de força de expressão, resumia de forma magistral a figura de Djalma, ou seja: ele tinha o vigor dos corcéis em seu galope desabrido e, ao mesmo tempo, trazia em si a grandiosidade do infinito, o sonho do horizonte. A descoberta do passo seguinte.

Pois bem: ainda recordo a minha última entrevista dom Djalma, num começo de tarde chuvoso, na casa de Márcio, seu filho, onde hoje é o edifício que leva o nome do deputado. Djalma estava com a mão direita enfaixada. Sua frágil e firme mão, tantas vezes brandida de tribuna da Câmara, em defesa de seus ideais.

Djalma, o mesmo que, citando Calderón de la Barca, enfrentou o poder devastador da ditadura, quando queriam cassar o deputado Márcio Moreira Alves. Disse ele: “Ao Rei tudo, menos a honra.” Seria o achincalhe total, o encurvamento da Casa, o abismo da Desmoralização. Ele disse não e veio o fechamento do Congresso, que quebrou-se mas não sucumbiu.

Sim, mas, voltemos à entrevista. Ele falava de democracia, resistência sem violência, coisas assim e lá para as tantas, sentenciou: “Devemos ser como Atenas e nunca servir a Cartago.” E foi, foi, foi, falando sempre de democracia, convivência de contrários. Atenas, onde nasceu a democracia, seria bem diferente de Cartago, um reino na África, de onde Aníbal partiu com seus elefantes, para combater seus eternos inimigos, os romanos.

Creio que Djalma queria dizer que, em vez de buscar a guerra, o homem deve buscar o auto-conhecimento, a ponderação, o equilíbrio, a serenidade. Creio que era isso.Terminei a entrevista e, tempos depois, morria Djalma. Fui incumbido de cobrir seu sepultamento.

Lembro bem da emoção das palavras do senador Dinarte Mariz, chorando o desaparecimento do suave guerreiro. Uma tarde de chumbo, a noite se estampando como um véu de luto, recobrindo o cemitério. Quem sabe, uma carpideira, como na Grécia.

O tempo passou e uma vez, na TV, vi uma matéria na Câmara dos Deputados. E lá ao fundo o retrato de Djalma, como que dizendo em seu silêncio fotográfico: “Lembrem-se: ao Rei tudo, menos a honra.”

O problema é que, para muitos deputados, honra é uma palavra que não consta do
vocabulário.

Eduardo Campos iniciou campanha presidencial

Neto de Arraes e protegido de Lula, governador de Pernambuco e candidato do PSB

por João Domingos/Estadão

Governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos fecha 2012 cacifado pelo ótimo desempenho nas eleições municipais. Mesmo batendo de frente com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e com o PT, conseguiu vencer as duas eleições que considerava estratégicas e abriu passagem para que seu nome se consolidasse como uma possibilidade real na corrida pelo Palácio do Planalto em 2014.

Mesmo enfrentando diretamente candidatos petistas, que tiveram apoio declarado de Lula e da presidente Dilma Rousseff, Campos foi bem sucedido ao ganhar a prefeitura do Recife, com Geraldo Júlio (PSB), interrompendo um longo ciclo de poder petista. A outra vitória foi em Belo Horizonte, numa espécie de consórcio político com o senador tucano Aécio Neves. Ambos bancaram a candidatura à reeleição do prefeito Marcio Lacerda (PSB) contra Patrus Ananias (PT) e foram bem sucedidos.

As duas vitórias deram a Campos a possibilidade de transitar entre a base governista e a oposição. Se opera politicamente em Minas ao lado de Aécio e no Paraná ao lado do governador Beto Richa, também do PSDB, preserva sua posição de integrante da base do governo Dilma.

Dom Quixote. A exemplo do xará Miguel de Cervantes, que em Dom Quixote conta as histórias do período em que foi prisioneiro em Argel, até a fuga para a Europa, Arraes gastava noites e noites falando de sua passagem pela capital argelina, o golpe sofrido pelo presidente Ben Bella (1918-2012), a guinada dos governos africanos para a esquerda sob influência da União Soviética, os longos 13 anos do governo de Houari Boumédiène (1932-1978), que nacionalizou empresas, principalmente as petrolíferas francesas.

Campos, então com 14 anos, era o maior ouvinte de tudo o que Arraes contava. Grudou-se no avô, perguntava, dava opinião, rebatia, complementava. Arraes comentou à época que via naquele garoto grandes chances de vir a se tornar um político.

Manteve-o por perto. Em 1985 o neto foi eleito presidente do Diretório Acadêmico da Faculdade de Economia da Universidade Federal de Pernambuco. Em 1986, Arraes candidatou-se ao governo e fez dele o dono de sua agenda. Eleito, Arraes chamou o neto para a sua chefia de gabinete. Campos estava então com 21 anos.

Comentário do editor do blogue: Arraes nunca foi um dom Quixote. Arraes era candidato a presidente desde seu primeiro governo. Disputava a presidência, pelas esquerdas, com Brizola. Havia até uma profecia, com apelo místico, para este feito.

Que Eduardo Campos aprendeu com o avô foi a ciência da propaganda política (conforme teoria de Pavlov). Estudo do comportamento que Skinner pretendeu o status de ciência.

O projeto de Arraes ser presidente foi cassado pelo golpe de 64. O mito Arraes cresceu quando estava no exílio.

Em 1986 foi novamente eleito governador. Criei o slogan da esperança, inclusive o trem da esperança que marcou sua propaganda de tv. Este evento propus para as campanhas vitoriosas de Roberto Magalhães governador, Gustavo Krause vice-governador, Marco Maciel senador, em 1982, mas foi uma idéia rejeitada. Só fiz a mudança do roteiro do trem: para Roberto, um trem que vinha do interior (reduto macielista) para a capital (reduto de Arraes). Copiei da campanha de Lincoln  . Filme biográfico.

A esperança da campanha de Aluísio Alves a governador, em 1960.

Era arrasador ver o povo nas ruas vestido de verde, com bandeiras na cor verde, ou galhos de verdes folhas nas carreatas e passeatas.

Até a estátua de São Pedro, no alto da estratégica igreja do Alecrim, em Natal, foi pintada toda de verde. A estátua no lugar da cruz ou do galo.

Igreja de São Pedro, no bairro do Alecrim, Natal
Igreja de São Pedro, no bairro do Alecrim, Natal
Igreja de Santo Antonio (Igreja do Galo), Natal

Na Revolução Francesa, o povo tomou a Bastilha carregando os galhos verdes das árvores que encontravam pelas ruas de Paris.

O povo estonteado, tomado pelo fanatismo, derrotou Djalma Marinho. Não idealizei a campanha de Djalma. Fui secretário do jornal O Nordeste, repórter especial do jornal A República, e orador estudantil nas carrocerias de caminhões, improvisadas como palanques de comício.

Djalma, o grande tribuno do Congresso Nacional, o jurista, recusava baixar o tom. Eu dizia: – baixe o nível, fale o que povo quer ouvir. Ele me respondia: – Não sou demagogo.

A campanha de Djalma estava toda errada. Tanto que o slogan “Não minto, não roubo”, que acusava Aluízio, parecia mais uma defesa de Djalma, quando Aluízio denunciava, caluniosamente, o governador Dinarte Mariz de ter dito: – “Todo homem se vende, e sei o preço de cada um”. Uma manchete do Jornal do Comércio do Recife, repetida nos comícios e jornais do Rio Grande do Norte.

Não existe uma receita certa em propaganda. Evo Morales derrotou os brancos com o lema indígena: “Não minto, não roubo e não sou frouxo (ou não mato)”.

Propaganda é plágio. O que há de novo são os meios (os antigos sempre serão usados) e a propaganda subliminar, que muitos confundem com propaganda implícita e propaganda indireta.

Minhas propostas apresentei na estratégia da campanha de senador de Antonio Farias.

Arraes eleito governador em 1986, em 1994, o “Arraes está voltando” teve como inimigo o tempo, e Ulisses Guimarães que também se lança candidato a presidente, tendo Jarbas Vasconcelos como vice.

Finalmente Arraes perde a reeleição, em 1998, para seu ex-aliado e ex-prefeito do Recife Jarbas Vasconcelos, que obteve mais de 64% dos votos válidos.

Arraes considerava a propaganda, hoje chamada de marketing pelos marreteiros, uma guerra de símbolos. Usou a pá de pedreiro (da Maçonaria), a pomba da Paz, o “A” de Arraes, que lembrava o “A” do anarquismo e o da campanha de Allende. A vassoura de Jânio, outro símbolo copiado de uma campanha presidencial chilena.

Falta para Eduardo Campos o símbolo, e um slogan. Se conseguir espalhar que o Arraes da profecia não era o avô, mas o neto…  (T.A.)

Símbolo Anarquismo
Símbolo Anarquismo

De Djalma Marinho

Deputado Federal Djalma Marinho
Deputado Federal Djalma Marinho

O TEMPO

E quando meu tempo estiver
terminado
E alguém indagar
“O que fez do seu tempo?”
Direi:
Repartio-o
Muito com que amei
E também com os demais.
O tempo é brando
Quando carregado por muitas
mãos


Transcrito do livro O Homem que Pintava Cavalos Azuis, p. 123, de Diógenes da Cunha Lima, biografia do Deputado Federal DJalma Aranha Marinho, ed. Forense-Universitária