Quando o Brasil vai auditar a dívida de desconhecida origem e misterioso valor

Juros da dívida chegam a R$ 216,1 bilhões

O Banco Central (BC)  divulgou ontem que as despesas com juros incorporadas à dívida pública, que incluem o governo federal, os estados, os municípios e as empresas estatais, somaram R$ 216,1 bilhões entre janeiro e novembro, valor recorde para o período. A soma é equivalente a 5,72% do Produto Interno Bruto (PIB) do País.

Os gastos com juros neste ano são 22,9% superiores aos verificados entre janeiro e novembro do ano passado, quando essa despesa ficou em R$ 175,8 bilhões. No acumulado dos 12 meses até novembro de 2011, o pagamento de juros soma R$ 235,6 bilhões.

Inflação

De acordo com o chefe do Departamento Econômico do BC, Tulio Maciel, o aumento das despesas com os juros da dívida está relacionado à subida da inflação e à elevação da taxa básica de juros no início deste ano. Depois desse período, a taxa sofreu uma série de quedas. Segundo os dados do BC, dos R$ 235,6 bilhões pagos em juros da dívida pública, R$ 175,1 bilhões foram desembolsados pelo governo federal. Outros R$ 57,4 bilhões foram gastos por estados e municípios.

Soares defende “resposta muito violenta” contra agências de rating

 Mário Soares
Mário Soares

Questionado também sobre declarações de José Sócrates em Paris, segundo as quais o anterior primeiro-ministro considera que as dívidas soberanas são “eternas” e obrigar os pequenos países a pagá-las é “uma ideia de criança”, Mário Soares disse que “há dívidas e dívidas”.

O ex-chefe de Estado voltou a afirmar que é “contra as agências de rating”, considerando “ridículo” que a Standard & Poors tenha esta semana ameaçado baixar a classificação das dívidas alemãs e francesa. “Devia haver uma resposta muito violenta contra essas agências de rating que só fazem especulação. Mandá-las embora, não deixar que tivessem a importância que têm”, disse Soares.

 

Dicionário canalha

por Sebastião Nery

Miriam Leitão
Miriam Leitão

SARDENBERG

No “Globo”, o Carlos Alberto Sardenberg, pseudônimo da Miriam Leitão, faz o serviço dos banqueiros : – “No quesito dívida, isso que acontece com a Grécia – não ter dinheiro para pagar seus compromissos externos – já aconteceu com o Brasil, México, Coréia do Sul, Rússia, Argentina. Lembram-se dos pacotes da Era FHC? Eram programas de corte de gastos e aumento de impostos para quê? Fazer caixa para pagar dívida”.

“Lembram-se do início do governo Lula? Aumentou o superávit primário – fez quase o dobro do “neoliberal” FHC – para pagar juros e, assim reduzir o endividamento público. Isso mesmo, segurou gastos com a educação e saúde, para pagar juros. Só por que o mercado exigia”?

 


ROSSI

O mestre Clovis Rossi, na “Folha”, dá uma lição da crise grega:

– “O fato é que a Grécia, sob intervenção européia, só fez regredir nesse ano e meio, qualquer que seja o indicador para o qual se olhe. Cito um, talvez o mais dramático: o número de suicídios nos cinco primeiros meses do ano aumentou 40% na comparação com os cinco primeiros meses de 2010.

Robert Kuttner (“The American Prospect”) explica: -“Papandreou está cansado de ser o agente da destruição econômica de seu próprio país nas mãos dos banqueiros, Está também cansado da impopularidade política que vem com seu papel de corretor da austeridade”.

Kuttner desconfia, além disso, que o premiê resiste a eventual truque da banca para driblar o corte de 50% na dívida grega, decidida pelos europeus há uma semana…Ele está jogando a única carta que tem: se os banqueiros refugarem no alívio da dívida a que se comprometeram em princípio, a Grécia dará o calote. E Papandreou quer que a decisão seja feita pelo povo grego e não pelos burocratas. Do que se pode acusar Papandreou é de não ter tomado decisão parecida antes”.

“Tudo indica que ele se deixou levar pela infernal gritaria dos mercados de que, se a Grécia não pagasse integralmente sua dívida, estaria condenada aos infernos para todo o sempre – o mesmo cantochão que se gritou no caso da Argentina há dez anos e se revelou falso”.

A diferença é que a Argentina tinha um verdadeiro presidente. E continua com uma presidente verdadeira.

O governo ajuda a Europa e esquece o pobre brasileiro pobre desempregado e com fome

Um bom calote faz disparar a bolsa.
Eis a melhor explicação:

O Brasil devia seguir o exemplo. E não raspar o tacho dos ministérios para fazer déficit primário, isto é, fazer caixa para pagar os juros da dívida. Isso se faz com o sacrifício do povo brasileiro.

Daí porque não entendo: se falta dinheiro para a saúde, para a educação, para construir moradias populares; se falta grana para pagar um salário mínimo e pensões e aposentadorias que proporcionem as três refeições diárias prometidas por Lula… por que ajudar os colonos?

ACUADO POVO BRASILEIRO

Eles roubam lá em cima.
Os quadrilheiros do crime organizado pela corrupção política. O chamado crime de colarinho (de) branco continua com o jeitinho brasileiro do enriquecimento ilícito e rápido.
E o povo acuado.

Eles roubam cá em baixo. Os bandidos pés-raspados.
E o povo acuado.

Todos dividem o butim com a polícia, com os advogados de porta de palácio e os advogados de porta de cadeia.
E o povo acuado.

O governo aumenta os juros para enricar os banqueiros agiotas e os prestamistas gananciosos.
E o povo acuado.

O governo aumenta os impostos para fazer caixa. O chamado déficit primário. Para pagar a vassalagem da dívida. Uma dívida que jamais foi auditada. Uma dívida do Brasil colônia internacional.
E o povo acuado.

O governo pede dinheiro emprestado para pagar super faturados serviços fantasmas, obras inacabadas, Coliseus e outros elefantes brancos.
E o povo acuado.