TRIPLO DESRESPEITO AOS GARIS DO RIO DE JANEIRO

por Chico Alencar

 

Garis

1 – Considerar que sua mobilização é de uma “minoria amotinada”;

2 – Achar que eles não têm capacidade de se organizar e reivindicar, só fazendo isso porque são “manipulados”;

3 – Dizer que o movimento tem caráter “partidário”, pelo fato de uma das lideranças ter disputado eleições no passado.

Melhor faria a prefeitura  em reconhecer que o pleito é justo e abrir o diálogo, ao invés de apelar para mentiras ridículas, demissões arbitrárias, ameaças e Batalhão de Choque.

Black blocs, o assassinato do menino Douglas e o inferno anunciado…

por Renato Rovai em Direitos Humanos

 

Latuff
Latuff

No dia 3 janeiro à noite, bem antes das Jornadas de Junho, uma chacina chocou São Paulo. Laércio de Souza Grimas, o DJ Lah, de 33 anos, do grupo Conexão do Morro, foi assassinado com outras seis pessoas num bar do Campo Limpo, zona Sul de São Paulo. Bar que ficava em frente ao local onde tinha sido assassinado o pedreiro Paulo Batista do Nascimento, numa execução que, filmada, acabou no Fantástico da Rede Globo.

No dia 7 de janeiro, ainda em férias, escrevi um post sobre o assunto. Um dos trechos:

“Segue um relato-reportagem, a meu pedido, feito pelo repórter Igor Carvalho sobre o caso do massacre de Campo Limpo e seu contexto. Igor esteve ontem no local da chacina e conversou com uma série de pessoas que pediram anonimato. O clima em Campo Limpo e em outros bairros da periferia é terrível. Misto de revolta e medo. Perfeito para produzir reações extremadas. Quem acha que a situação atual é ruim, vai ter saudades do hoje. São Paulo pode virar um inferno. Eu, acima assinante, responsabilizo Alckmin por isso. Foi ele quem disse que quem não reagiu está vivo. E que de certa forma autorizou a bárbarie.” Você pode ler a nota inteira aqui

Este texto não foi premonitório. Era simples análise jornalística com base em informações apuradas pelo repórter Igor Carvalho e por mim. Uns sessenta dias após escrevê-lo, encontrei-me com um personagem importante no contexto da periferia paulistana. No meio da conversa-entrevista ele me pediu para desligar o gravador e disse algo mais ou menos assim:“o povo vai reagir, a molecada tá se mexendo e vai para cima… A coisa vai ficar feia”.

Lembrei disso no dia 6 de junho, quando por acaso me encontrei no meio da conflito do primeiro ato do Movimento Passe Livre no centro de São Paulo. Fiquei impressionado com o olhar de raiva daqueles garotos e garotas que escondiam seus rostos sob camisetas e pedaços de pano. E registrei aqui no blogue um post do qual extraio o trecho abaixo:

“Eram garotos pobres, com muita raiva. Garotos e garotas indignados e revoltados. E que pareciam não estar ali só por conta do aumento da passagem, mas porque precisam gritar que existem (…) A periferia brasileira está em movimento e em disputa. E se a cidade não passar a ser pensada para esses milhões de jovens, em breve algo muito maior do que aconteceu na quinta vai estourar.”

No domingo, Douglas Rodrigues, de 17 anos, foi baleado de forma covarde por um Policial Militar. E antes de morrer, segundo seu irmão de 12 anos, perguntou: “Senhor, por que o senhor atirou em mim?

Ainda no domingo, as ruas da Vila Medeiros foram tomadas por pessoas revoltadas com este fato. Ontem à noite, foi a rodovia Fernão Dias que literalmente pegou fogo. Atacaram carros, caminhões, imóveis… Uma revolta generalizada escrita em sangue pelas últimas palavras de um garoto de 17 anos: “Senhor, por que o senhor atirou em mim?”

É a partir de histórias como essa que as cenas de agressão ao coronel Reynaldo Rossi, que geraram comoção midiática, precisam ser entendidas. Vejam bem, não estou dizendo que precisam ser justificadas.

É a partir de histórias como a do assassinato de Douglas que muitas ações dos blacks blocs nas ruas do Rio de Janeiro e de São Paulo devem ser entendidas. Vejam bem, não estou dizendo que devem ser justificadas.

Os jovens de periferia não querem mais ver irmãos, parentes, amigos, colegas ou apenas conhecidos, serem enterrados porque cometeram o crime de terem nascido, em geral negros, e viverem nas periferias. Eles estão dizendo chega.

E a nossa democracia, sim, democracia, não tem dado conta de resolver esse problema. E eles perderam o medo de perder a vida se necessário for para mostrar que não irão bovinamente para covas rasas de cemitérios. Assassinados por polícias que deveriam preservar suas vidas. E vitimados por um Estado que não lhes garante futuro e nem paz.

A ação black block no Brasil (e ela é diferente de outros países), se alguém ainda tinha dúvida, é fruto, sim, também disso. E principalmente disso. Da violência policial. Os black blocs nunca lutaram por vinte centavos, por transporte melhor ou por melhores salários dos professores. Esses meninos têm ódio da polícia. Eles pulam de ódio da polícia. Eles querem derrotar a polícia. Não são só garotos e garotas de periferia. Mas os que não são também não aceitam como legítima a ação das forças policiais. E querem derrotar a polícia.

Se acho isso bom? Se acho isso ruim? Não acho nada. Quero que a democracia que construímos seja capaz de se relacionar com essa questão sem tentar eliminar fisicamente esses meninos e meninas. E sem criminalizar suas ações e reações.

E que a nossa inteligência seja capaz de ir além de simplismos como a de chamá-los de vândalos e fascistas.

Até porque a preguiça intelectual também é uma forma de violência dos que têm o poder de pautar o debate na sociedade. Os black blocs não precisam da minha defesa. Até porque não me associo às suas práticas. Mas entendo perfeitamente os garotos e garotas que têm ódio da polícia. Se Douglas, fosse seu filho, irmão, primo, amigo, será que você não entenderia?

– Senhor, por que o senhor atirou em mim…

PS: Se você ainda tem dúvida do quão essa história não começou em junho deste ano, leia esta pequena nota: Massacre do Carandiru, da ditadura ao DJ Lah, do Igor Carvalho.

PS: O PM assassino de Douglas alega que sua arma disparou de forma acidental porque a porta do carro da viatura bateu na sua mão. Na delegacia, ele foi preso por acidente culposo, quando não há intenção de matar. E seus amigos da PM há reuniram testemunham que se dispuseram a corroborar essa versão inverosímel e que é contestada por quem estava lá. Mas não é só isso. Enquanto a mãe de Douglas dava entrevistas, carros de polícia passavam na frente de sua casa numa clara demonstração de intimidação. E 90 pessoas foram presas porque se revoltaram ontem à noite com tudo isso. Não, o caso Amarildo não é uma exceção. E você ainda acha que o correto é ficar quieto e fazer de conta que tudo isso é coisa da vida?

 

soldado urina violência favela terrorismo polícia

[Excelente texto de Renato Rovai. Ele faz o chamado jornalismo a priori. O jornalismo que, baseado em fatos, busca prever o futuro. Um modelo de jornalismo opinativo difícil de escrever e, em algumas redações, proibido.
Qualquer um faz o jornalismo a posteriori, porque fácil, e não compromete:  aconteceu ontem, hoje, está marcado para amanhã. Um jornalismo limitado pelo tempo e pauta, e realizado por profissionais que recebem o salário piso].  T.A.

No governo de Eduardo Campos impera a condução debaixo de vara

Constitue uma duvidosa prática da polícia do governador Eduardo Campos ordenar o comparecimento de cidadãos livres à Sorbonne, sob pena de condução coercitiva. Isto é, na marra – o famoso manda quem pode, obedece quem tem juízo.

Este o modelo ditatorial que Eduardo Campos – ele que odeia ser chamado de “Imperador” – oferece aos brasileiros se eleito presidente. O caso da estudante de direito Vatsyani Ferrão é um exemplo, entre outros.

Reclama o advogado André Fonseca:  “A Polícia Civil é um dos órgãos mais corporativos. Até hoje, não nos foi fornecido os nomes nem as matrículas dos agentes envolvidos na agressão”.

Eis a cena tenebrosa: dois desconhecidos pegam uma pessoa na rua, e sem se identificar, e comprovar que são policiais, jogam a presa em um carro. Qual deve ser a reação dessa vítima , neste Brasil de sequestros?

O secretário de Defesa Social de Pernambuco Wilson Damázio: ”Os agentes apresentaram o documento, [mas] ela rasgou o mandado e resistiu à prisão, chegando a dar uma tapa em um dos agentes. Saíram lesionados os próprios agentes, que foram encaminhados para corpo de delito. Eles tiveram arranhões e hematomas inclusive. Esperamos os laudos das perícias para poder saber a extensão das lesões”
 Vatsyani Marques Ferrão, 41 anos, além de estudante de direito, deve praticar artes marciais. “Uma tapa” dela causa hematomas em dois homens.
Cenas de prisões em protestos de rua:
Barcelona
Barcelona
Chile
Chile

Acho impressionante dois policiais treinados levar uma pisa de uma mulher de 41 anos, considerada parte fraca.

Vatsyani Ferrão escreve hoje no Facebook: “Nunca recebi nenhuma intimação. Vão ter que comprovar”, desmentido a afirmação de que rasgou o mandato de condução coercitiva.

Somente por Mandado Judicial pode-se Intimar sob pena de Condução Coercitiva: Privativo do Poder Judiciário

Habeas corpus concedido para obstar ordem de comparecimento sob pena de condução coercitiva. (TRF – 3ª Região, Hábeas Corpus nº 12399 (2002.03.00.000731-1), 2ª Turma, Relª. Juíza Federal Conv. Marianina Galante, Rel. p/acórdão Juiz Federal Conv. Souza Ribeiro, DJU 26.03.2004)

Muito do que ocorre, com a truculência policial, advém dos longos 450 anos de nossa história ser totalitária e absolutista. Somados os períodos esparsos de Estado de Direito, o Brasil conta apenas 50 anos, e na história recente, apenas 32 anos.

Assim, muito das normas policiais que eram legítimas no Estado Novo de Getúlio Vargas (época de nosso Código de Processo Penal), não mantém substrato perante a nova Ordem Constitucional.

Assim não pode a Polícia Civil, nem a Militar, nem o Órgão do Ministério Público expedir mandado de intimação para comparecimento em data, hora e local determinado, sob pena de condução coercitiva, pois fere o direito inviolável de liberdade de ir e vir.

Somente os órgãos judiciais têm essa atribuição constitucional.

Ademais, como pode a Polícia Civil expedir um Mandado de Intimação, SOB PENA DE CONDUÇÃO COERCITIVA (também chamado de condução DEBAIXO DE VARA) determinando que o indivíduo saia de sua casa, trabalho ou lazer, para comparecer a determinado local, sob pena de desobediência e condução coercitiva.

E todos os dias é o que vemos. Pessoas sendo tolhidas no seu direito constitucional de liberdade de ir e vir, de exercer a plena defesa, e de permanecer calada.

No entanto a Polícia Civil expede Mandados de Intimação de Comparecimento sob pena de condução coercitiva (debaixo de varas), tanto às testemunhas, quanto ao ofendido ou contra o agente.

E nessas intimações policiais nenhum fundamento, motivo ou tipo penal é expresso. É um chamado às escuras, onde o Intimado deve comparecer sem saber do que se trata: Se é testemunha; réu; ou vítima; ou se existe ou não Inquérito Oficial instaurado; e contra quem; ou sobre o quê. Leia mais

Papa Francisco. Por que a imprensa brasileira esconde o discurso de Dilma?

O Papa Francisco e Dilma Rousseff escutam os hinos do Vaticano e do Brasil
O Papa Francisco e Dilma Rousseff escutam os hinos do Vaticano e do Brasil
Francisco quebra protocolo ao beijar Dilma
Francisco quebra protocolo ao beijar Dilma

 

Que disse a presidente Dilma Rousseff que tanto incomodou a imprensa conservadora?

Destaco trechos do discurso:

 

A presença de Sua Santidade no Brasil nos oferece a oportunidade de renovar o diálogo com a Santa Sé em prol de valores que compartilhamos: a justiça social, a solidariedade, os direitos humanos e a paz entre as nações. Conhecemos o compromisso de Sua Santidade com esses valores. Por seu sacerdócio entre os mais pobres, que se reflete até mesmo no próprio nome escolhido como Papa, uma homenagem a São Francisco de Assis, sabemos que temos, diante de nós, um líder religioso sensível aos anseios de nossos povos por justiça social, por oportunidade para todos e dignidade cidadã.

Lutamos contra um inimigo comum: a desigualdade, em todas as suas formas.

Em seu discurso de 16 de maio, Vossa Santidade manifestou preocupação com as desigualdades agravadas pela crise financeira e o papel nocivo das ideologias que defendem o enfraquecimento do Estado, reduzindo sua capacidade de prover serviços públicos de qualidade para todos. Manifestou sua preocupação com a globalização da indiferença, que deixa as pessoas insensíveis ao sofrimento do próximo.

Compartilhamos e nos juntamos a essa posição. Estratégias de superação da crise econômica, centradas só na austeridade, sem a devida atenção aos enormes custos sociais que ela acarreta, golpeiam os mais pobres e os jovens, que são pelo mundo afora as principais vítimas do desemprego. Geram xenofobia, violência e desrespeito pelo outro. O Brasil muito se orgulha de ter alcançado extraordinários resultados nos últimos dez anos na redução da pobreza, na superação da miséria e na garantia da segurança alimentar à nossa população.

A juventude brasileira tem sido protagonista nesse processo e clama por mais direitos sociais: mais educação, melhor saúde, mobilidade urbana, segurança, qualidade de vida na cidade e no campo, o respeito ao meio ambiente. Os jovens exigem respeito, ética e transparência. Querem que a política atenda aos seus interesses, aos interesses da população e não seja território dos privilégios e das regalias. Desejam participar da construção de soluções para os problemas que os afetam.

Os jovens querem viver plenamente. Estão cansados da violência que muitas vezes os tornam as principais vítimas. Querem dar um basta a toda forma de discriminação e ver valorizadas sua diversidade, suas expressões culturais. Tal como em várias partes do mundo, a juventude brasileira está engajada na luta legítima por uma nova sociedade.

IMPRENSA DO EQUADOR
IMPRENSA DO EQUADOR

Belo Horizonte uma zona. Uma zona de guerra

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Manifestantes foram ouvidos na tarde desta terça-feira (25) em uma reunião extraordinária na Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). Segundo o deputado Durval Ângelo, os militantes denunciaram abusos policiais praticados durante o protesto do último sábado (22) em Belo Horizonte.

Ainda segundo o parlamentar, denúncias muito sérias foram apresentadas na reunião. Uma delas foi um depoimento do médico Giovano Iannotti que afirmou ter tido uma arma apontada para si quando atendia o primeiro manifestante a cair do viaduto José Alencar e que a polícia negou socorro à vítima. “Além disso, ele denunciou que havia um policial mascarado que inclusive deu garantia para que ele atendesse ao ferido”, afirmou o deputado.

Durval Ângelo disse também que um cadeirante denunciou ter sido alvo de várias balas de borracha da Polícia Militar (PM) durante os protestos e foi atingido na barriga quando algumas pessoas tentavam ajudá-lo a sair do local. Outra denúncia foi de uma manifestante que afirma ter sido atendida com grosseria por um médico do Instituto Médico-Legal (IML). “Estamos tentando agora identificar esse médico”, garantiu. (R7)

Investigação

Membros da Comissão também demonstraram preocupação com o fato de que profissionais como advogados, médicos e jornalistas possam ter sua atividade cerceada durante os atos. Para viabilizar o trabalho dos advogados e a assessoria jurídica aos participantes, foi levantada a possibilidade de que seja indicado um local único para onde seriam levados os detidos durante as manifestações.

Paralelo ao trabalho da comissão, a Promotoria de Direitos Humanos do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) abriu processo investigatório sobre as denúncias de abuso. Estão sendo analisados mais de 1.500 vídeos e diversos depoimentos de manifestantes e policiais para que as responsabilidades sejam verificadas. Uma das medidas foi solicitar à Prefeitura que disponibilize as imagens gravadas pelo sistema “Olho Vivo” ao longo dos trajetos das passeatas de sábado. (Jornal O Tempo)

Policiais são baderneiros?

Policiais queimam o caixão do governador de Minas Gerais
Policiais queimam o caixão do governador de Minas Gerais

Cerca de 250 policiais civis fecharam a Praça Sete, no Centro de BH, em manifestação na tarde desta terça-feira. De acordo com a BHTrans, a passeata saiu da Praça da Assembleia Legislativa, na Avenida Álvares Cabral, e seguiu pelas avenidas Professor Antônio Aleixo, Bias Fortes e São Paulo até a Avenida Afonso Pena, onde os dois sentidos ficaram interditados. Os protestantes penduraram faixas em torno do Pirulito e queimaram caixões no meio da via.

A categoria, que anunciou greve em 10 de junho, realizou assembleia geral no pátio da Assembleia Legislativa às 14h30 e, em seguida, decidiu seguir em passeata pela capital. Eles reivindicam a revisão da Lei Orgânica da Polícia Civil, que define o plano de carreira da corporação, que já foi entregue à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) para avaliação dos deputados estaduais.

Adilson Bispo, diretor de mobilização do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil de Minas Gerais (Sindpol/MG), afirma: “Decidimos que, enquanto a lei não for sancionada, não voltaremos ao trabalho normal. A greve está na mão do governo”. De acordo com o diretor, a greve está respeitando a legislação, que determina a escala mínima de 30%.

A manifestação durou pouco mais de uma hora e complicou o trânsito no Centro da capital. Militares do Batalhão de Trânsito da Polícia Militar (BPTran) , agentes da BHTrans e da Guarda Municipal foram até o local acompanhar o protesto e alertar motoristas sobre a interdição da via. (Jornal O Estado de Minas)

Nota do redator do blogue: A polícia militar foi para a manifestação sem cavalo, sem cachorro, sem metralhadora, sem cacete. Deu uma de guarda de trânsito. Foi uma manifestação pacífica.

Enquanto o governador Antônio Anastasia queimava simbolicamente na fogueira de seu própria polícia uma manifestante contra a corrupção lutava pela vida

A guerreira Júlia Paulinelli

guerreira Júlia Paulinelli

Para quem conhece ou não a grande guerreira Julia Paulinelli . Ela foi atingida na cabeça por uma bomba em Belo Horizonte, em um confronto com a Policia Militar. Teve tímpanos estourados e traumatismo craniano ( com um pequeno coágulo ). Felizmente não será preciso cirurgia .

Quantos serão necessários ficar assim? Por uma luta tão óbvia?!
Peço que compartilhem, pois sei que ela se torna um símbolo contra essa tirania perversa que vários dos nossos estão enfrentando, principalmente nas grandes capitais.
A coragem é Contagiosa (Túlio Torri)

Terrorismo policial

Veja vídeo

 

 

 

 

Construção do ser humano se realiza na sociedade, mas não é só isso

por Leonardo Boff

povo

Em 1845, Karl Marx escreveu suas famosas 11 teses sobre Feuerbach, publicadas somente em 1888, por Engels. Na sexta tese, Marx afirma algo verdadeiro, mas reducionista: “A essência humana é o conjunto das relações sociais”. Efetivamente, não se pode pensar a essência humana fora das relações sociais, mas ela é muito mais que isso, pois resulta do conjunto de suas relações totais.

Descritivamente, sem se querer definir a essência humana, ela emerge como um nó de relações voltadas para todas as direções. O ser humano se constrói à medida que ativa esse complexo de relações. Sente em si uma pulsão infinita, embora encontre somente objetos finitos. Daí a sua permanente implenitude e insatisfação.

Não se trata de um problema psicológico que um psicanalista ou um psiquiatra possa curar. É sua marca distintiva, ontológica, e não um defeito. Mas, aceitando a indicação de Marx, boa parte da construção do humano se realiza, efetivamente, na sociedade. Daí a importância de considerarmos qual seja a formação social que melhor cria as condições para o ser humano poder desabrochar mais plenamente nas mais variadas relações. Sem oferecer as devidas mediações, diria que a melhor formação social é a democracia: comunitária, social, representativa, participativa, de baixo para cima e que inclua todos.

PARTICIPAÇÃO

Na formulação de Boaventura de Souza Santos, a democracia deve ser um ser sem fim. Como numa mesa, vejo quatro pernas que sustentam uma democracia mínima e verdadeira.

A primeira perna reside na participação: o ser humano, inteligente e livre, não quer ser apenas beneficiário de um processo, mas ator e participante. Só assim se faz sujeito e cidadão. Essa participação deve vir de baixo para não excluir ninguém.

A segunda perna consiste na igualdade. É a igualdade no reconhecimento da dignidade de cada pessoa e no respeito a seus direitos que sustenta a justiça social.

A terceira perna é a diferença. Ela é dada pela natureza. Cada ser, especialmente o ser humano, é diferente. São as diferenças que nos revelam que podemos ser humanos de muitas formas, todas elas humanas e, por isso, merecedoras de respeito e de acolhida.

A quarta perna se dá na comunhão. Aqui aparece a espiritualidade como aquela dimensão da consciência que nos faz sentir parte de um Todo e como aquele conjunto de valores intangíveis que dão sentido às nossas vidas pessoal e social e também a todo o universo.

EQUILÍBRIO

Essas quatro pernas vêm sempre juntas e equilibram a mesa – sustentam uma democracia real. Esta nos educa para sermos coautores da construção do bem comum. Em nome dela, aprendemos a limitar nossos desejos por amor à satisfação dos desejos coletivos.

Essa mesa de quatro pernas não existiria se não estivesse apoiada no chão e na terra. Assim, a democracia não seria completa se não incluísse a natureza, que tudo possibilita. Ela fornece a base físico-química-ecológica que sustenta a vida e a cada um de nós.

Pelo fato de terem valor em si mesmos, independentemente do uso que fizermos deles, todos os seres são portadores de direitos. Merecem continuar a existir, e a nós cabe respeitá-los e entendê-los como concidadãos. Serão incluídos numa democracia sem fim sociocósmica.

Esparramado em todas essas dimensões, realiza-se o ser humano na história, num processo ilimitado e sem fim.

 

GUATEMALA. 80 años de prisión para el dictador Rios Montt

El exdictador guatemalteco José Efraín Ríos Montt ha sido condenado a 80 años de prisión por el genocidio perpetrado contra los maya ixil. La sentencia apunta directamente a las Fuerzas Armadas y salpica al actual presidente, Otto Pérez Molina, negacionista del genocidio y ex militar acusado de participar en estos hechos en los años del gobierno de facto de Ríos Montt.

Rios Monti

Por Equipo Otramérica / Varias fuentes

La situación de Guatemala es paradójica. Mientras el actual Gobierno del ex militar Otto Pérez Molina regresa a las prácticas de militarización de territorios indígenas [con la declaración de estado de sitio], la presidente del Tribunal Primero A de Mayor Riesgo, Jazmín Barrios, confirmó anoche la sentencia de 80 años de prisión para el que fuera dictador del país [1982-1983] por genocidio [30 años] de los ixiles [1,771 asesinadoe a manos del Ejército]  y otros delitos de lesa humanidad [30 años].

Según la justicia, “Ríos Montt tuvo conocimiento” de las matanzas perpetradas por las Fuerzas Armadas bajo su mando, y que “no lo detuvo a pensar de tener el poder para evitarlo”. Así, por fin, el dictador y ex militar es considerado “responsable” del genocidio perpetrado en contra de los indígenas ixiles “en calidad de autor”. Hay que recordar que durante su gobierno fue asesinado el 5,5 % de los ixiles.

La sentencia supone, además, que Ríos Montt abandone la “detención domiciliar”  y anoche fue trasladado a un cuartel militar que funciona como prisión preventiva para ciudadanos cuya integridad podría estar en peligro en una prisión regular.

El histórico fallo salpica de gorma directa a las Fuerzas Armadas  de Guatemala, que “utilizaron el hambre como arma militar” para destruir a los ixiles, los cuales fueron declarados “enemigos internos del Estado”, y que todas las acciones represivas contra los indígenas tenían como objetivo su ” aniquilación” . Durante los 36 años de guerra contra-insurgente en Guatemala, y especialmente entre los años 1978 y 1983, cerca del 98% de las 7.000 personas que fueron asesinadas en esta región pertenecía al pueblo ixil. El Ejército arrasó su territorio: al menos el 70% de sus comunidades fueron destruidas. La mayoría de la población huyo a las montañas, muchos murieron de hambre, frío y de distintas enfermedades.

Según las investigaciones de la Iglesia Católica guatemalteca (Nunca Más) y de la ONU (Memoria del Silencio), el Estado fue responsable del 93% de las atrocidades y de 626 masacres. Hasta 1996, unas 200.000 personas fueron asesinadas o desaparecidas. De ellas, el 83% pertenecía a pueblos indígenas. El 12% de la población fue desplazado.

El tribunal, sin embargo, absolvió al general retirado José Rodríguez Sánchez, exjefe de Inteligencia Milita, y ordenó a la Fiscalía investigar a las demás personas que pudieron haber participado en los hechos juzgados. La defensa anunció que va a apelar la sentencia, que se espera que llegue hasta la máxima instancia, la Corte de Constitucionalidad.

El presidente de Guatemala, el general Otto Pérez Molina, cambió el tono de sus declaraciones. Hace dos años, en campaña electoral, en una entrevista a este medio que alguien le demostrara que hubo genocidio. Este mes negó que hubiera genocidio y aseveró que el juicio amenazaba la paz. Poco antes de conocer esta sentencia el tono del que fuera conocido como ‘Capitán Tito‘ ya era otro: “Nosotros somos respetuosos. Vamos a respetar lo que digan los tribunales” cual fuera que sea su sentencia. Otto Pérez Molina es el mismo que en junio de 2012 cerró los Archivos de la Paz, una oficina encargada de recuprar, custodiar y analizar los documentos oficiales, incluidos los del Ejército, relacionados con la violación de derechos humanos durante el conflicto. El actual presidente ha sido acusado por las organizaciones de Derechos Humanos de ser uno de los oficiales al mando de las brutales masacres en el departamento del Quiché en los años 1982 y 1983, en plena guerra del estado contra la guerrilla y durante el gobierno de facto de Ríos Montt.

Esta es la primera vez en la historia de Guatemala que un exjefe de Estado es procesado por las graves violaciones a los derechos humanos ocurridas durante la guerra interna.

Rios Montt