O debate que a imprensa gosta: os candidatos apresentam propostas e a manchete fica para a corrupção na Petrobras

Fica esquecida a escandalosa e antinacionalista presidência do genro de Fernando Henrique na Petrobras. Um ladrão esquecido, podre de rico, e solto, e solto, que nem o sogro, o sogro, corrupto todo. 

E o debate corre assim: Dilma: -Fiz isso. Aécio: -Vou fazer mais.

Dilma apresenta obras de pedra e cimento e aço. Aécio promete castelos no ar.

Dos 1001 casos de corrupção da Petrobras, a imprensa fala apenas de um, o povo recorda apenas um
Dos 1001 casos de corrupção da Petrobras, a imprensa fala apenas de um, o povo recorda apenas um
Caso da Petrobras vem sendo destaque das manchetes diárias de todos os jornais, desde que começou o segundo turno. O caso é que todo sabe qual caso. É um caso único que a justiça vaza, e a imprensa destaca
Caso da Petrobras vem sendo destaque das manchetes diárias de todos os jornais, desde que começou o segundo turno. O caso é que todo sabe qual caso. É um caso único que a justiça vaza, e a imprensa destaca
Falar na Petrobras selecionando apenas um caso é um capcioso, avassalador e destrutivo ataque pessoal escolhendo uma vítima inocente
Falar na Petrobras selecionando apenas um caso é um capcioso, avassalador e destrutivo ATAQUE PESSOAL escolhendo uma vítima inocente
É um jornal safado, mas não esconde o nome de quem desonestamente ataca. Constatar não é assumir uma culpa. Aécio também reconhece que houve corrupção na Petrobras. Mas distingue apenas um caso, um único caso
É um jornal safado, mas não esconde o nome de quem desonestamente ataca. Constatar não é assumir uma culpa. Aécio também reconhece que houve corrupção na Petrobras. Mas distingue apenas um caso, um único caso

A mídia entreguista e a justiça eleitoral conseguiram impor o provinciananismo e a municipalização dos debates da campanha presidencial.

Dilma fala de creches, dever de prefeito.
Aécio de polícia, coisa de governador.

Um candidato a presidente discute patriotismo, nacionalismo, civismo, brasilidade.

O papel do Brasil como nação, como país independente (potência mundial versus complexo de vira-lata, quintal).

O bem-estar social e a felicidade do povo em geral.

 

 

 

 

Intolerável o domínio das finanças sobre os povos

Francisco denuncia o escândalo da especulação sobre os preços alimentares 

  Spiros Derveniotis
Spiros Derveniotis

Não se pode continuar a tolerar que os mercados financeiros governem o destino dos povos, em vez de os servir. E um dos efeitos mais nefastos é o escândalo da especulação sobre os preços alimentares, que se repercute gravemente no acesso à alimentação por parte dos pobres, denunciou o Papa durante o encontro com os participantes num congresso organizado pelo Pontifício Conselho «Justiça e Paz», recebidos na manhã de 16 de junho na sala Clementina.

«É urgente – frisou o Papa – que os Governos do mundo inteiro se comprometam a desenvolver uma ordem internacional capaz de promover o mercado do investimento a alto impacto social, de modo a impedir a economia da exclusão e do descartável».

Cristian Topan
Cristian Topan

‘Investir para os pobres’

O Papa Francisco recebeu em audiência ao fim da manhã desta segunda-feira os participantes no Congresso “Investing for the Poor” (‘Investir para os pobres’), como contribuição na busca de vias atuais e praticáveis para uma maior equidade social.

Nas palavras que lhes dirigiu, o Papa elogia antes de tudo esta iniciativa de investimento responsável e de solidariedade com os pobres e excluídos, que estuda formas inovadoras de investimento que possam trazer benefícios às comunidades locais e ao meio ambiente, para além de um lucro justo.

De fato, o ‘Impact Investor’ configura-se como um investidor consciente da existência de graves situações de iniquidade, profundas desigualdades sociais e dolorosas condições de desvantagem enfrentadas por inteiras populações. Refere-se sobretudo a institutos financeiros que utilizam os recursos para promover o desenvolvimento económico e social das populações pobres, com fundos de investimento destinados a satisfazer necessidades básicas relacionadas com a agricultura, acesso à água, possibilidade de dispor de alojamentos dignos e a preços acessíveis, bem como serviços básicos de saúde e educação.

Além disso, estes investimentos pretendem produzir um impacto social positivo para as populações locais, tais como a criação de postos de trabalho, o acesso à energia, a educação e o crescimento da produtividade agrícola e os retornos financeiros para os investidores são mais baixos em relação a outras tipologias de investimentos. Observou o Papa:

A lógica que impulsiona estas formas inovadoras de intervenção é aquela que “reconhece a ligação original entre lucro e solidariedade, a existência de uma circularidade fecunda entre ganho e dom … A tarefa dos cristãos é redescobrir, viver e anunciar a todos esta preciosa e originária unidade entre lucro e solidariedade. Quanto o mundo contemporâneo precisa de redescobrir esta bela verdade!”

indignados fome

A economia da exclusão e do descarte

O Santo Padre considerou “importante que a ética reencontre o seu espaço na finança e que os mercados se coloquem ao serviço dos interesses dos povos e do bem comum da humanidade.

Não podemos tolerar por mais tempo que sejam os mercados financeiros a governar o destino dos povos, em vez de servir as necessidades destes, ou que alguns poucos prosperem recorrendo à especulação financeira, enquanto que muitos sofrem gravemente as consequências.

A inovação tecnológica  aumentou a velocidade das transacções financeiras, mas esse aumento só encontra sentido na medida em que se demonstra capaz de melhorar a capacidade de servir o bem comum.

Em particular a especulação sobre os preços alimentares é um escândalo que tem graves consequências para o acesso dos mais pobres à alimentação. É urgente que os Governos de todo o mundo se empenhem em desenvolver um quadro internacional susceptível de promover o mercado do investimento com elevado impacto social, de modo a contrastar a economia da exclusão e do descarte”.

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EM BUSCA DE UM NOVO TEMPO

por Miguel Sales

 

deusa da justiça

Uma nova luz,
Um novo Natal,
Um novo ano,
Um novo tempo,
Desejo de uma Justiça real e humana,
De um Direito que livre os oprimidos.
Terra que renasça um novo homem,
Cheio de paz, longe da violência.
É tempo de ter esperança:
Por um novo destino,
Um novo sentir, um novo pensar:
Harmonia entre tecnologias e natureza,
Na qual a vida respira mais forte.
Sonhos de construção de um novo lugar
Onde não falte o que essencial,
À dignidade da pessoa humana:
A morada, o trabalho, por exemplo.
Porém, apesar da fome,
Apesar do desabrigo,
Apesar do desemprego,
Apesar de tantos dias amargos,
De tanto descaso de certos governantes,
É preciso acreditar no homem.
É preciso acreditar no despertar do povo,
Na separação do joio do trigo,
Na vinda de um novo amanhã,
De novo significado para a vida.
De uma força que transforme o egoísmo de alguns
Em felicidade para cada um de nós.
Somente assim vale a nossa fé,
O amor pelo semelhante,
Que é a imagem de nosso Deus
E a medida de todas as coisas.

Manual para enfrentar o terrorismo policial

Diante dos últimos acontecimentos relacionados as repressões políticas nas manifestações, os Advogados Ativistas atualizaram o Manual Prático do Manifestante com novas orientações jurídicas.

Aroeira
Aroeira

Manual Prático do Manifestante (AA)
NA MANIFESTAÇÃO: Esteja SEMPRE com o seu documento/ Estar com o rosto coberto não é crime/ Não porte NADA ilegal/ Ande sempre em grupos grandes/ Cuidado com o retorno para casa, pois muitas prisões têm ocorrido neste momento/ Tenha o número de algum advogado, se possível.

Se alguém estiver sendo preso não entre no meio. Questionar a abordagem, filmar a ação e os policiais não é desacato. Não ofenda os policiais, isso é desacato. Procure FILMAR a manifestação e as abordagens policiais, caso capture algo relevante procure algum Advogado Ativista e coloque o vídeo na Internet.

NA ABORDAGEM/PRISÃO: Você só pode ser preso em flagrante ou por ordem judicial. Por isso, pergunte o motivo da prisão, demonstrando que não está resistindo, levante a mão e diga literalmente que não está resistindo.

Não argumente com a PM, o trabalho deles é apenas conduzi-lo até a DP (Polícia Civil), ou seja, você não precisa responder perguntas deles, apenas as que se referem aos seus dados pessoais. Se você estiver sendo preso arbitrariamente isso será discutido depois, não xingue os policiais e não reaja.

Mantenha o seu celular bloqueado, pois isso evita que seus vídeos e fotos sejam apagados arbitrariamente. Você não é obrigado a fornecer senha ou liberar o conteúdo sem ordem judicial.

NA DELEGACIA: Você tem o direito de comunicar alguém da sua prisão, seja família ou advogado. O seu depoimento deve ser acompanhado obrigatoriamente por um advogado e você pode permanecer calado, porém, é recomendável que você dê a sua versão dos fatos. Relate os possíveis abusos, porém apenas na presença do seu advogado. Não fale com a PM, apenas forneça seus dados pessoais se for pedido. Seus pertences podem ser entregues ao seu advogado ou familiar caso você queira.

 

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Na santa paz, 99 por cento dos brasileiros protestaram no passo do frevo e com o samba nos pés. A fome do povo não é de bola. O país da ditadura das botinas e chuteiras nunca mais

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Por un sistema educativo contra el opresor

por Carolina Hernández Calvario
Investigadora de la Universidad Autónoma de México

“Soy sustantivamente político, y sólo adjetivamente pedagogo”
Paulo Freire

educação ensino

En su informe de evaluación de 2007, el Instituto Nacional para la Evaluación de la Educación (INEE), pone de manifiesto las condiciones de desigualdad en el servicio educativo en los diferentes sectores de la sociedad que habitan el territorio mexicano. Desigualdad que se presenta no solo en las oportunidades de acceso y en las trayectorias escolares, sino en los resultados mismos del aprendizaje. En este sentido, pese a que esta institución reconoce la necesidad de ofrecer una educación diferenciada que se adecue a las condiciones socioeconómicas y culturales de cada región, los hechos demuestran que este discurso apenas se ha concretado en la realidad.

Muestra de ello son los planteamientos que, recientemente, han generado ciertas organizaciones regionales pertenecientes al Congreso Nacional Indígena (CNI). Más allá de cuestionamientos sobre la calidad de los servicios educativos y la intersección entre las características contextuales de la demanda educativa y las condiciones de oferta, se comienza a manifestar de manera cada vez más formal la necesidad de establecer un sistema educativo que proteja y desarrolle los saberes de sus pueblos, que además de ser intercultural, multilingüe, democrático y autonómico, “combata el racismo, la explotación y ayude a enfrentar la amenaza neoliberal y las fuerzas homogeneizadoras de la globalización” (Rebolledo, 2002).

Para entender un poco más estas luchas en favor de una educación verdadera, merece la pena dirigir nuestra mirada a la organización impulsada por ciertos activistas indígenas: los maestros oaxaqueños del municipio de San Juan Guichicovi, cuyas poblaciones pertenecen a la Unión de Comunidades indígenas de la Zona Norte del Itsmo, y comunidades zapatistas. Al servicio de un objetivo de independencia educativa, han desarrollado materiales de enseñanza alternativos que ilustran una clara oposición a los programas educativos oficiales; planteándose como objetivo la auto-organización comunitaria para la transmisión de conocimientos, enmarcados en los proyectos de aprendizaje de sus propias culturas.

Su lucha se encamina al poder de decidir y vigilar lo que se transmite en las escuelas impartiendo la enseñanza conforme a un determinado contexto geopolítico y sociocultural; es decir, de acuerdo a las aspiraciones y necesidades de cada núcleo etnoterritorial. De esta manera, se concibe la educación como un conjunto de relaciones sociales, y, como tal, determinada socialmente por las contradicciones materiales que revolucionan la historia de la humanidad.

En razón de lo anterior, la educación verdadera se consigue a través del diálogo que considera al hombre como una totalidad, como emisor y receptor, como hombre con práctica y conciencia crítica; que se preocupa por el desarrollo de la técnica y la ciencia para que estas le sirvan como vehículo de construcción de su palabra y su historia. Justo lo contrario de lo que hoy en día se presenta como educación “oficial”, la cual se caracteriza por deshistorizar al hombre, reduciéndolo a la concepción de un ente abstracto, que rechaza al sujeto como un ser histórico inserto en la lucha de clases.

Estos planteamientos encuentran su base teórica en Paulo Freire, quien además de contar con reconocidas aportaciones a la pedagogía, que le han valido un amplio reconocimiento en temas de enseñanza, plantea una propuesta de praxis, de transformación, de creación y recreación del mundo. En su afán por desmitificar lo que denomina “cultura de la opresión”, el brasileño concibe la educación como el mecanismo por medio del cual la cultura de la opresión se reproduce convirtiendo al hombre-sujeto en hombre-objeto, es decir, como una de las principales herramientas que permite a las clases dominantes afianzar su dirección cultural y control político sobre la sociedad.

Un buen ejemplo de lo que significa la construcción de un sistema educativo que se contrapone a la concepción pedagógica hegemónica de las escuelas oficiales lo encontramos en la Zona Altos de Chiapas, con el denominado Sistema Educativo Rebelde Autónomo Zapatista (SERAZ). Han puesto en marcha la primera escuela rebelde autónoma zapatista, llamada “1º de enero”; cuenta con 62 escuelas primarias distribuidas en toda la región, con la participación de más de 3300 estudiantes (135 en el nivel secundario) y unos 300 promotores y promotoras. Su plan de estudios comprende las áreas de aprendizaje que han sido elaboradas a través de las demandas de las comunidades, intentando dar respuesta al tipo de educación que las comunidades necesitan (pues parten de priorizar la cultura propia y todos aquellos elementos que son parte de la cosmovisión indígena).

Movimientos como este entienden que su organización no va encaminada a pedir mejoras en el ámbito educativo al gobierno mexicano, porque saben que, si lo hicieran, carecerían de autonomía y se negarían la posibilidad de crear un sistema educativo propio. Más bien sus esfuerzos se dirigen a trabajar de manera organizada por una educación que sirva como un método y una táctica contrahegemónica a la clase dominante; esto es, como una forma de lucha en contra de las instituciones políticas e ideológicas que le son favorables a las clases dominantes, que enfocan sus esfuerzos en el mantenimiento de la reproducción de la cultura y la condición de opresión en las clases oprimidas.

Jornalismo investigativo em um país amedrontado

Por Víctor Gabriel Rodríguez

(…) Canto de sereia do julgamento das Altas Cortes, que conheço razoavelmente bem, não pode atrair toda a atenção de um professor de Direito Penal da rede pública. Por isso não é incomum que eu entrave passeios pela Baixada do Glicério para observar o movimento do tráfico às barbas do Tribunal de Justiça e do 1º Distrito Policial de São Paulo, ou à noite na Praça da República apenas para escutar a gíria, a sonoridade da linguagem e algumas experiências, por assim dizer, de hiperrealismo. À periferia vou muito raramente.

A polícia estava matando – e muito

Mas uma tarde dessas um ex-cliente e agora amigo me ligou para dizer que lá na Zona Sul paulistana a polícia estava matando – e muito. Coisa que eu já sabia, mas como tinha tempo disponível atendi ao convite velado, tomei o metrô que agora chega ao ponto maquiado do bairro e ficamos ali perto, em uma lanchonete, porque ele queria me falar das novidades. Sua principal vontade era narrar que havia morto um amigo que tinha sido também meu cliente quando eu era recém-formado, mas eu não me lembro dele. Claro que aproveitei para questionar a fundo acerca dos motivos daquelas mortes, e sua resposta foi muito além de o que eu esperava.

Os policiais corruptos

Começa com uma possível declaração de guerra da Rota contra os policiais corruptos, que morrem porque estão comprometidos com o crime organizado “mas já não conseguem segurar a bronca”, porém se aprofundou (meu ex-cliente fala muito bem) com a revolta dos moradores que não gostam de bandidos, mas odeiam o destrato total das autoridades, bem como o esquema de pagamento para polícia, para o comando, a forma de arrecadação de irmãos e primos, e disciplinas, e armeiros, e outros nomes que o crime conseguiu alçar como instituição, com hierarquia e algum saber litúrgico.

Clamor popular

Aproveitei o diálogo para transcrevê-lo no tal jornal jurídico, sem qualquer compromisso com qualidade das fontes, perguntando-me por que nenhum meio de imprensa até hoje levantou detalhadamente essa história, a partir de personagens e fatos que seriam tão facilmente identificados. Com nomes e identidade.

A resposta me veio do modo que eu menos queria, como uma dessas neuras que tiram o sono à noite, tanto que tive de, na madrugada, alterar o tal texto, para que a narrativa do crime organizado ficasse muito mais velada.

Fui acometido de um medo agudo de ser vítima da repressão disciplinar por falar dele demais, mesmo em um jornal jurídico, e não era eu mesmo que escrevia que a tal facção criminosa estava capilarizada a ponto de atingir postos de poder, dentre os quais se destacariam vários bacharéis que, se hoje são os intelectualmente limitados, no futuro podem ser os grandes governantes?

Para evitar novo arrependimento, desvio o rumo deste texto para o tema que aqui nos interessa: a liberdade material, real, da imprensa na cobertura da criminalidade violenta, e as implicações dela, sob minha ótica, para o Direito penal.

Como jurista (palavra pretensiosa demais, convencida demais), sou obrigado a pontuar que a liberdade de imprensa tem um fim em si mesma. Então, encontrar para ela uma função, ainda que seja uma função a mais, importa adotar uma premissa constritora, que não é a minha. Aqui é, portanto, mais exato dizer que uma relevante consequência da liberdade de imprensa é a persecução eficaz à criminalidade.

Para investigar o mensalão
fomos livres para tudo

Voltando ao caso do mensalão, ficará evidente que a livre cobertura da imprensa fora determinante ao resultado do julgamento: embora eu não concorde com quem diga que a decisão condenatória foi eminentemente política, essa questão é lateral. Importa notar que, ao comentar o mensalão, fomos livres para tudo: investigar passado dos juízes, apontar corrupção ao menos moral, fazer algumas charges engraçadas e muitas sem graça, todas parcialmente à custa da honra de alguém, enaltecer o resultado condenatório. Tudo isso diluiu-se em uma ampla abertura que colocou a sociedade no encalço dos julgadores, portanto alerta a eventual pacto de silêncio e tolerância.

É esse tal pacto que o crime violento pôde a seu modo concretizar, tanto que, creio, não está levantado como pauta primeira do jornalismo investigativo, que, diz o próprio Observatório da Imprensa, é a coluna vertebral da profissão.

Vídeos do crime organizado

As pautas produzidas acerca da guerra do crime apontam apenas números, cenas esparsas e esquemas genéricos. E as notícias televisivas – se me permitem dizê-lo – assim divulgadas servem apenas como mais um daqueles vídeos que o próprio crime organizado fabrica para evidenciar sua força, porém com repercussão muito mais garantida. A investigação que poderia levar ao clamor popular, único que alerta as autoridades para a urgência dos problemas e, principalmente, para a necessidade de depurar sua própria corrupção, é assombrada pelo fantasma de Tim Lopes, talvez o mesmo que me causara aquela insônia. Leia mais. Transcrevi do Observatório da Imprensa

Relatório: Copa e Olimpíada criam Rio dos excluídos

Documento questiona aplicação de R$ 17 bilhões em eventos que serão assistidos por poucos e têm significado o deslocamento da população carioca para bairros afastados e sem estrutura

Foto de Lucas Duarte de Souza
Foto de Lucas Duarte de Souza

Relatório reforça a leitura de que a Copa de 2014 e a Olimpíada de 2016 servirão para criar um Rio de Janeiro excludente, com remoção de famílias, criação de bairros exclusivamente turísticos e de classe alta, infraestrutura concentrada e sem acesso da população aos eventos esportivos.

O dossiê “Megaeventos e violações dos direitos humanos no Rio de Janeiro”, elaborado pelo Comitê Popular da Copa e Olimpíadas do Rio de Janeiro, considera que há uma conotação cada vez mais clara de benefício do setor privado em detrimento dos reais interesses da população. “Em síntese, pode-se afirmar que a importância da Copa do Mundo e das Olimpíadas está menos ligada à realização desses megaeventos em si mesmos (a Copa, as Olimpíadas), e mais ao processo de reestruturação da dinâmica urbana na cidade do Rio de Janeiro, legitimada e possibilitada pelo discurso em torno das oportunidades de desenvolvimento econômico e do legado que esses eventos podem deixar”, aponta.

O documento expõe especial preocupação com a atuação da prefeitura da capital fluminense. Os organizadores do trabalho apontam que a questão das famílias removidas pelas obras é o caso mais sério de violação de direitos. A estimativa é de que 1.860 famílias já tenham deixado as casas por conta das obras voltadas aos megaeventos e outras 5.325 estão ameaçadas de sofrer o mesmo destino. Construções para promoção do turismo, infraestrutura e instalação de equipamentos esportivos são os principais motivos para a desapropriação. “É muito maior o dado real. Não temos a informação relativa às futuras obras. Há uma falta de transparência nos projetos que estão sendo desenvolvidos na cidade”, afirmou Orlando dos Santos Júnior, integrante do comitê e professor do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), em entrevista àRádio Brasil Atual.

O relatório acusa a administração municipal de se valer de um artifício para facilitar as remoções. Aproveitando-se da fragilidade jurídica de loteamentos irregulares, a prefeitura de Eduardo Paes (PMDB) não citaria nos processos os reais ocupantes dos locais afetados. “A ação desapropriatória movida na Justiça faz citação de pseudo-proprietários, ou seja, ou já faleceram ou já reconhecem que não são mais proprietários”, aponta o dossiê, que fala em um “jogo de faz-de-conta”. Os valores das indenizações também estaria bastante abaixo dos praticados pelo mercado, levando em conta simplesmente benfeitorias realizadas pelos moradores nos imóveis, sem considerar a apreciação da área em que estão inseridos.

A relatora da ONU para o Direito à Moradia, Raquel Rolnik, vai receber uma cópia do documento e avaliar a necessidade de encaminhá-lo às autoridades envolvidas. Em entrevista à Rádio ONU, ela lembrou que em 2010 enviou uma carta ao governo federal falando sobre o desrespeito ao pagamento do valor de mercado nas ações de desapropriação e, desde então, o teto das compensações aumentou para R$ 80 mil. “Obtive a informação que o governo estaria discutindo um protocolo, uma legislação, para regular os procedimentos a serem adotados durante as remoções. Infelizmente, também, até o momento, esse protocolo não foi publicamente anunciado, nem sequer decretado, ou encaminhado através de projeto de lei para o Congresso.”

Outro problema seria o pouco diálogo prévio às remoções, que se soma à falta de transparência sobre os projetos que estão nos planos da prefeitura até 2016. Para o Comitê Popular, é exercido sobre os moradores um processo de pressão para que aceitem rapidamente a remoção mediante o pagamento de uma pequena indenização, sem que exista a possibilidade de apresentação de proposta de regularização de áreas ocupadas. “O procedimento da prefeitura de desenvolver intervenções urbanas sem uma discussão com a sociedade é um fato muito grave. O processo de relacionamento do poder público com as classes pobres é marcado por autoritarismo e desrespeito à vida dessas pessoas”, diz Orlando Júnior.

Com mapas, o relatório mostra que existe um deslocamento massivo dos estratos mais carentes para a zona oeste do Rio, desprovida de estrutura para receber novos contingentes. Os organizadores do estudo acreditam se tratar de uma mudança intencional para criar a cidade dos excluídos e a cidade dos incluídos. Os investimentos em transporte público, concentrados na zona sul e na Barra da Tijuca, já servidas de melhor estrutura, e a instalação de Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) se somariam a esta lógica. Outras frentes seriam a internação compulsória de dependentes químicos e a criação temporária de zonas de exclusão controladas exclusivamente pela Fifa, a entidade mundial do futebol, durante o Mundial de 2014.

Ao lembrar o exemplo dos Jogos Panamericanos de 2007, o Comitê Popular alerta para a possibilidade de que se repita o uso de pesados investimentos públicos em um evento curto e de legado tido como duvidoso. Lembra-se que os aparelhos esportivos, no geral, pouco foram desfrutados pela população, e alguns foram destruídos ou tiveram a entrada sujeita ao pagamento de ingressos caros. “Além do mais, a localização das instalações olímpicas, em geral, favorece áreas da cidade que já têm bastante infraestrutura esportiva”, diz o documento, novamente em referência à orla e a parques e praças. “Se isso não bastasse, seus moradores têm poder aquisitivo para frequentar academias de ginástica e clubes esportivos.”

No geral, estima-se que os dois eventos irão consumir R$ 16,7 bilhões, a maior parte em investimentos públicos federais. “Efetivamente a valorização fundiária decorrente dos investimentos públicos vai ser apropriada por outros agentes econômicos. Essa transferência da posse das classes populares para agentes imobiliários é evidente”, critica Orlando Júnior, ressaltando a existência de transferência direta de terrenos públicos para empresas privadas.

O caso do Pan é novamente abordado ao colocar em foco o Maracanã. Somando as reformas para o evento de 2007 e para o torneio de 2004, o estádio terá consumido R$ 1,43 bilhão – e provavelmente sofrerá novo fechamento para a Olimpíada. Entre 2005 e 2013, terá ficado fechado durante quatro anos, metade do tempo, e estará sujeito a um projeto de privatização planejado pelo governo estadual. A tomar em conta os ingressos cobrados pela Fifa nas últimas edições da Copa, o relatório conclui que é pouco provável que a massa da população brasileira tenha acesso às partidas, coroando um processo de elitização do futebol em que o torcedor das classes mais baixas importa pouco aos clubes e aos dirigentes esportivos. “Assim, pode-se perguntar se a Copa do Mundo e as Olimpíadas terão como legado uma cidade mais justa, com melhores equipamentos de saúde, educação e esportes, especialmente para a população mais carente, ou se esse legado será representado por mais policiamento, mais vigilância, mais repressão e mais lucros para empresas que não pagarão impostos?”, questiona o dossiê, sugerindo que haja uma abertura ao debate público.

O povo nas ruas bonito de se ver

Quando o povo decide marchar nas ruas contra a ditadura econômica,
não existe justiça PPV que proíba,
não existe polícia gorilesca que evite,
não existe governo tirano que segure.

A imprensa vendida procura diminuir o número de participantes.
Baba de raiva. Destaca qualquer exaltação, qualquer provocação – distúrbios provocados por espias e agitadores e traidores e delatores e quintas-colunas e outras almas sebosas a serviço dos quatro poderes.

O povo é sempre compassivo, indulgente e submisso nas Américas.
São cinco séculos de domínio dos conquistadores do Velho Mundo.
São cinco século de colonialismo.
São cinco séculos de escravidão.
São cinco séculos de apartheid social.
São cinco séculos de fome, miséria, atraso e servidão.