O Carnaval mais sujo da história do Rio de Janeiro

Os garis unidos contra o Sindicato submisso
Os garis unidos contra o Sindicato submisso
 
O Rio de Janeiro teve o Carnaval mais sujo de sua história. Sujeira do prefeito que mandou demitir 300 garis. Sujeira do Sindicato que traiu a classe. Sujeira da Polícia Militar e guardas municipais que bateram nos grevistas.
Prais do Leblon, hoje no Rio. (Foto: Renata Soares/G1)
Praia do Leblon, hoje no Rio. (Foto: Renata Soares/G1)
 A resposta dos garis, que decidiram escapar do mando da pelegada do Sincato, foi que o prefeito Eduardo Paes fosse varrer as ruas. Os lá de cima da Prefeitura não são de pegar no pesado. E sim noutras coisas. E o Rio foi uma sujeira só desde sábado de Carnaval. 
 

Por decisão do prefeito Eduardo Paes, escoltas armadas estão acompanhando todos os caminhões da Comlurb para garantir a coleta. Para  Paes, a maioria dos garis compareceu ao trabalho durante o carnaval, mas foi impedida de trabalhar por “delinquentes”, inclusive grupos armados. Isso não é verdade.

Os garis realizaram vários protestos. A polícia de Sérgio Cabral jogou bombas de gás lacrimogêneo e atirou com balas de borracha. Os líderes grevistas foram presos. 

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Ato contra demissão garis

Paes também disse que vai suspender a todas as demissões para os garis que retornarem ao trabalho. Derrotado, prometeu atender todas as reivindicações dos garis: uma alta salarial para R$ 1.200, o pagamento de horas extras e outros benefícios. 

salário gari

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████████████████ Brasil realmente tem vivido tempos interessantes. Com a mais pura estratégia, garis paralisaram seus trabalhos durante o Carnaval no Rio de Janeiro, período de maior atenção e turismo na Cidade Maravilhosa. Ao parar, a Cidade fedeu, os lixos acumularam e o debate sobre a greve acendeu.

Direito a greve é mais do que uma garantia inscrita na Constituição Federal. Ao parar a exploração de seu trabalho, clama-se pelo reconhecimento da importância da função e acontraprestação oferecida. É um ativismo político dos mais sangrados, mas que, ainda hoje, oferece resistência e grandes resultados.

“Garis não são diplomados” – dirá a pessoa contra o aumento de salários. Para essa pessoa, a desigualdade é algo tão natural quanto o nascer do sol, e não imposto pelo sistema econômico. Além disso, menospreza-se o valor do trabalho pela ausência de diploma, como se a graduação fosse indicativo de nobreza, na pura tradução do pensamento aristocrático. Típico sintoma da alienação intelectual, onde acredita-se que o trabalho material não exige conhecimento, enquanto o trabalho intelectual é responsável unicamente pela criação de toda sabedoria, e portanto, merece a maior das remunerações. 

Argumenta-se ainda que os “Garis foram chantagistas”, ao escolher a fatídica época para interromperem a função. Ora, greve nada mais é do que parar as atividades para atrapalhar o funcionamento da máquina, tudo para forçar o debate sobre a valorização da função.

Infelizmente, no caso dos garis, em razão do elo fraco no cabo de guerra, os grevistas foram demitidos, numa clara demonstração de arbítrio e falta de diálogo. Hoje, funcionários intimidados pela demissão foram trabalhar, sob o protesto dos grevistas. Além disso, o Tribunal Regional do Trabalho julgou a greve ilegal. Ao que parece, a Greve não é permitida no carnaval da Democracia brasileira.

 
 

Policiais em greve ocupa Assembléia e pede piso de R$ 7.250

BRA^GO_HOJE Goiás greve piso de 7.250

Juiz pode fazer greve sim.

Cobrador de imposto pode sim.

Polícia pode sim, senhor.

E ninguém puxa o gatilho para atirar balas de borracha, bombas de gás lacrimogêneo, bombas de efeito moral.

O único gatilho que se puxa é o salarial.

São as três únicas categorias com direito de greve garantido no Brasil, de greve na mais santa paz, e com plano de carreira. Quando sobe o salário do soldado raso, o do coronel passa do teto constitucional. Quando o piso do juiz sobe, o desembargador pisa nas nuvens – que o céu é o limite. Também ninguém fiscaliza o salário do fiscal.

E o professor, por exemplo, tem plano de carreira? Tem. Fez greve tem de correr da repressão policial. É uma carreira sem fim para não apanhar, não ser preso, quando faz passeata e piquete. Que lugar de professor é na sala de aula, formando o futuro do Brasil, educando crianças e jovens que vão ser amanhã ministros dos tribunais supremos, cobradores de impostos, fiscais, delegados, coronéis das polícias militares, oficiais das forças armadas, legisladores e governantes da Ordem e do Progresso.

A polícia ocupar a Assembléia um direito. Quando é um estudante, os crimes horrendos de terrorismo, vandalismo e anarquismo.

São José do Rio mais do que Preto
São José do Rio mais do que Preto

Professor em greve. Quarenta dias no Mato Grosso

Chegou a hora de acabar com as greves de teatro, que elegeram vários pelegos deputados. E com as greves combinadas com os sindicatos patronais, que sempre terminam com o aumento das mensalidades escolares. O professor tem que defender o ensino público. Ter a coragem de fazer greve para valer, pela qualidade do ensino e salários dignos. Os professores de Goiás completaram quarenta dias de greve.

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Prova oral dos professores: governador e deputados correm risco de tirar zero

por Antero Paes de Barros

O governo Silval está perdido na condução da greve dos professores estaduais. Primeiro, deu uma demonstração de pouco-caso com os profissionais da educação, preferindo judicializar o movimento e depois só voltando a negociar porque foi pressionado. E mais: por inércia, o governador e o PMDB acabam chancelando a omissão do PT, que conduz há anos a Secretaria de Educação e nunca esboçou colocar em prática uma política pública para o setor. O quadro lamentável aponta para o “legado” negativo que Silval vai deixar nas áreas sociais do Estado.

E quando negociou com os professores, Silval usou de uma manobra que desrespeita a inteligência dos mato-grossenses. A última proposta, rejeitada pelos mestres, é um primor em empurrar o problema para frente, com promessa de aumentos que serão pagos pelos futuros governadores.

Na verdade, o atual governo desarrumou as finanças do Estado e essa situação se reflete na ponta mais fraca, nos servidores e nas áreas sociais, educação, saúde e segurança, que são administradas hoje aos trancos e barrancos, sem planejamento, sem metas, sem políticas públicas discutidas com a sociedade.

O maior exemplo do descalabro na aplicação do dinheiro público em Mato Grosso é o crescimento absurdo dos gastos da Assembleia Legislativa. Situação que é passivamente aceita e diligentemente cuidada pelo atual governo. A Assembleia recebeu em 2012 recursos na casa de 270 milhões de reais. Este ano, o governo vai repassar 500 milhões de reais para o L0egislativo estadual.

O governador e o presidente da Assembleia podem começar explicando para a população: qual é a justificativa para repassar, de um ano para outro, 230 milhões de reais a mais para a Assembleia? Não tivemos aumento no número de deputados. E a Assembleia não tem hospitais; não tem postos de saúde; não tem escolas; não tem creches; não tem delegacias e nem quartéis para administrar. Qual a razão para receber 230 milhões a mais de um ano para o outro? Com o que exatamente a Assembleia vai gastar 500 milhões de reais em 2013? Os professores deveriam perguntar.

A relação entre o parlamento milionário e os professores sem reajustes gera uma situação de completa incoerência. Os deputados “ajudam” os professores na negociação com o Executivo, pressionam para que o governador faça propostas, mas não abrem mão de suas benesses. Uma parte dos milhões da Assembleia Legislativa poderia servir já ao reajuste dos profissionais da Educação. Por que os deputados não colocam essa possibilidade na mesa de negociação? Os professores deveriam perguntar.

Os profissionais da rede de estadual de Educação reivindicam dobrar o poder de compra em até sete anos; realização imediata de concurso público; chamamento dos classificados do último concurso; garantia da hora-atividade para interinos; melhoria na infraestrutura das escolas; aplicação dos 35% dos recursos na educação como prevê a Constituição Estadual; autonomia da Secretaria de Estado da Educação na gestão dos recursos da área.

Os professores de Mato Grosso prestariam mais um grande serviço à sociedade, e de quebra ajudariam o próprio movimento, se fizessem uma prova oral com o governador e os deputados estaduais. O ponto da prova: o orçamento milionário da Assembleia. E a pergunta que não quer calar: com o que Legislativo vai gastar 500 milhões de reais em 2013? Silval e os deputados correm o risco de levar pau na prova. Sem explicação convincente, a nota é zero.

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As greves no Brasil são escondidas pela imprensa. E criminalizadas

A imprensa é contra todas as greves dos empregados. Primeiro por ideologia. Segundo por defender os interesses das elites. Terceiro por pagar salários de fome.

O salário universitário no Brasil é cada vez mais humilhante. Não existe mais profissional liberal. Nem classe média. Nem emprego fixo.

Apenas as categorias que podem realizar greve ganham bem: os fiscais, os magistrados, os policiais. Isto é, quem fiscaliza e multa, quem investiga e prende, e quem julga e condena. E todos são funcionários públicos. Deles a estabilidade no emprego.

Qualquer outra greve termina na ilegalidade. Condenada pela justiça. Os sindicatos recebem multa. A polícia espanca e prende os grevistas.

Greve Geral no Ensino Federal

A greve nos Institutos Federais de Ensino [IFE’s] parou mais de 50 universidades e mais da metade dos Institutos Federais de Ensino Tecnológico [IFET’s]. Destas, cerca de 40 universidades estão em estado de greve ou mobilização estudantil o que demonstra a insatisfação de docentes, técnicos e estudantes com a estrutura, falta de professores, RU’s, bolsas precárias, carreira, entre tantos outros problemas do ensino federal.

A pauta transversal é contra o REUNI – aprovado por Lula-PT em 2007 e defendido pela UNE pelega – que realizou uma expansão no número de vagas que não foram acompanhadas no aumento de professores, técnicos, estrutura e assistência estudantil entre outros. Em 2007 os estudantes responderam com um surto de ocupações de reitorias, e hoje respondem com uma greve estudantil que já atinge mais de 40 das 59 universidades federais.

Ao cancelar pela segunda vez uma reunião de negociação (a primeira foi cancelada dia 28/05 e a segunda dia 19/06) com os sindicatos Sinasefe, Andes-SN, Fasubra e os governistas/pelegos do Proifes, o governo Dilma-PT acaba por inflamar ainda mais a greve, já que demonstra que não tem proposta a apresentar aos docentes e técnicos-administrativos, evidenciando que educação não é prioridade. A irresponsabilidade de cumprir os prazos acordados em reunião, como a apresentação conclusiva da proposta da carreira docente para o dia 31 de março (que já está em discussão desde 2010), foi o estopim para o início da greve docente, o que o governo chama de “precipitada”.

Cabe aos professores, estudantes, servidores e terceirizados responder com a organização de comandos de greve por campi federalizando-se em um comando de greve nacional unificado com a participação destes setores e criar situações que imponham dificuldade ao Governo, como ocupações de ministério ou paralisações de órgãos essenciais Só assim teremos condições efetivas de exigir que as pautas sejam atendidas.

Era só o que faltava. A Justiça, que já anda a passos de tartaruga, pode entrar em greve para aumentar os próprios salários

por Carlos Newton

A pressão continua implacável. Aproveitando a ausência da presidente Dilam Rousseff, que faz discurso nas Nações Unidas, representantes do Judiciário e do Ministério Público Federal foram ao Palácio do Planalto para tentar o apoio do vice-presidente da República, Michel Temer, exigindo reajuste salarial.

Como Michel Temer não tem o que fazer, esta foi a primeira vez que o Planalto recebeu entidades de classe para tratar do assunto, depois que o governo cortou as propostas de aumento previstas para o Orçamento de 2012.

O encontro com o vice-presidente ocorreu depois de ser anunciado que está sendo preparada por juízes e membros do Ministério Público em Brasília uma macromanifestação de protesto. A expectativa é que o evento reúna 1,3 mil profissionais para exigir não só a reposição integral das perdas inflacionárias – que consideram superiores a 20% nos últimos seis anos – mas também por mais segurança no trabalho. Há hipótese de greve caso as demandas não sejam atendidas.

De acordo com o representante da Associação dos Juízes Federais do Brasil, Fernando Tourinho Neto, Temer não fez promessas e se limitou a ouvir as demandas. Também participaram da reunião a Associação dos Magistrados Brasileiros, a Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho e a Associação Nacional dos Procuradores da República.

A pressão das entidades de classe é vista com receio pelo Supremo Tribunal Federal, que negocia paralelamente com o Executivo e com o Legislativo. Um dos motivos é a intransigência na cobrança de reajustes integrais, que estaria prejudicando a negociação de índices próximos dos demais Poderes.

O problema é que o reajuste do Judiciário tem efeito dominó sobre a administração pública, praticamente com um todo. Como se sabe, o limite constitucional é o salário dos ministros do Supremo. Quando ele sobe, podem apostar que as remunerações dos outros podres poderes também acabam sendo reajustadas. Como diz a gíria, aonde a vaca vai, o boi vai atrás.