Os partidos de mentirinha, de “brinquedos foram concebidos pelo Supremo Tribunal Federal”

In Ficha Corrida de Gilmar Crestani

Exageros à parte, posto que coloca nos ombros do Poder Judiciário os desmandos de dois ou três Ministros do STF, Cláudio Lembo tem disso uma voz dissonante no mundo do conservadorismo paulistano. Conhece como poucos os meandros das relações incestuosas entre empresários e políticos paulistas: “hoje não há conflito de ideias, há um conflito de consumidores, os que não têm capacidade de consumo agem de todas as maneiras possíveis e agridem

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“A crise é o poder Judiciário”

Bob Fernandes

 Lembo entende ser o PSDB “um partido reacionário como a antiga UDN”, um partido “sem raízes na sociedade” e crê “na vitória de Dilma em 2014 no primeiro turno”. Lembo diz que José Serra será “candidato a presidente”, mas ironiza:

– (…) o povo não quer, aí é um problema entre o Serra e o povo. Me parece que há aí uma situação difícil, ele terá problemas muito graves e terá que procurar um psicólogo para resolver isso, porque povo e Serra não se casam.

O senhor tem escrito nos últimos dias, se referido à “crise”. Onde, especificamente, o senhor percebe, localiza a crise?

A crise hoje está no poder judiciário. Se no passado eram militares que criavam crises, às vezes eram alguns políticos que criavam crises, hoje é o poder judiciário… O legislativo como um poder popular, com legitimidade popular, tem agido dentro dos parâmetros de um congresso, de um parlamento, agora os de cargos vitalícios, os ministros do Supremo, dos tribunais superiores, mesmo as cortes locais passam a ter uma visão aristocrática e acham que podem tudo e falam tudo equivocadamente e sem saber…

Há uma intromissão indevida do judiciário a todo momento  no parlamento. Param processos legislativos, agem criando normas, dizendo que há paralisia do legislativo. Não há paralisia no legislativo, o legislativo não é uma fábrica de salsicha. Uma lei para ser feita tem que haver grandes debates, fazer audiências públicas, um grande confronto com a sociedade, ouvir a sociedade… Agora, um homem sozinho em seu gabinete em Brasília dá um despacho e viola toda a…

O senhor está se referindo a Gilmar Mendes há algumas semanas…

Ele e o outros, os onze, hoje só são dez. agem, às vezes, um pouco abruptamente.

Há uma semana, em um texto, o senhor elogiava abertamente o ministro Joaquim Barbosa…

É verdade, eu elogiei, ele tinha feito, dito coisas interessantes, mas essa semana acha que ele escorregou… ele não podia chamar os partidos brasileiros de partidos de brincadeira, de brinquedo… Se são de brinquedo, estes brinquedos foram concebidos pelo Supremo Tribunal Federal. Os políticos cortaram na própria carne criando a clausula de barreira, ou seja, diminuindo o número de partidos de acordo com os votos que obtivessem… Quem criou o brinquedo foi o Supremo Tribunal Federal (ao liberar) não foram os políticos de mandato popular. Portanto, precisam tomar mais cuidado, ele e todos os demais, quando falam com a sociedade, senão criam um sentimento de hostilidade, ilegítimo, e de algo que não é real, não é verdadeiro.

Corrupção.  O que sempre se vê é a oposição do momento, o governo do momento, a mídia, tratando de maneira focal, localizada. Como o senhor percebe a corrupção?

A corrupção não é desse ou daquele partido, todos os partidos tem corruptos no seu interior e a sociedade também tem corruptos. A corrupção tem que ser combatida, e eu diria  a você que a legislação brasileira é boa para combater a corrupção… a lei de responsabilidade fiscal é notável, a lei de improbidade administrativa é notável. Estão em vigor no Brasil há 20 anos e tem sucesso. Portanto, hoje a corrupção é combatida.

O problema então é que haveria uma “justiça de classe”, assim como há a medicina, a saúde, a educação de classe?

Eu acho que sim. Só olham o parlamento, só olham os políticos e não olham a generalidade da sociedade. Isso é mau.

É um país de corruptos sem corruptores?

Não é um é país de corruptos. É um país como todos os demais países. A Espanha é assim, Portugal é assim, os Estados Unidos são assim… E hoje se combate a corrupção, tem mecanismos de transparência que combatem a corrupção. O que há é uma deformação dos meios de comunicação, que não percebem com clareza as situações que deveriam reconhecer, universalizam coisas muito específicas, o que é mau. Continue lendo 

 

 

Não é verdade

beijo

por Gilmar Crestani

Dizer quer Dilma agrada a todas as classes é uma falácia. Sabemos muito bem que há duas classes que não estão contempladas: os mal informados e os mal intencionados. Veja-se, por exemplo, a baixa dos juros e tarifas bancárias. Todos saíram lucrando, de correntistas a bancos públicos. Mas os bancos privados ficaram para trás, fazem parte do grupo dos mal intencionados, pois, como fez oItaú, financia o Instituto Millenium, o CANSEI e ataca via The Economist e Financial Times. Quanto aos desinformados? Bem, para saber quem são basta verificar a lista de assinantes da VEJA…

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DILMA VENCE PRIMEIRO TEMPO

Por Vinicius Torres Freira

Oposição não tem treinador, reforço, esquema tático, torcida e tem medo de sair do vestiário

PRESIDENTES populares podem perder eleições? Decerto não levam para as urnas todos os seus votos de prestígio, como é fácil perceber pelos recorrentes segundos turnos das disputas presidenciais no Brasil.

Diz-se que o carisma de Lula elege postes. Mas o ex-presidente não teve carisma para vencer as eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998. A beatificação de Lula aconteceu em algum momento de seu primeiro governo.

Dilma Rousseff não tinha o jeitão e menos ainda o jeitinho da liderança carismática, mas é uma governante tão popular quanto Lula. Além de gostar de seu governo, o povo gosta dela também, indicam pesquisas recentes.

Quase carregado pelas ruas e sertões na campanha de 1994 (“meninos, eu vi”), reeleito em 1998 apesar de dois anos de tumulto econômico e agito social de PT e aliados, FHC viu seu prestígio desabar para sempre depois da desvalorização do real, em janeiro de 1999.

Mais ou menos um quinto do eleitorado que aprovou com louvor Lula ou Dilma não votou no ex-presidente ou não pretende votar na presidente. Quantos outros podem mudar de ideia?

A sorte da oposição depende da queda de um meteorito econômico ou escandaloso sobre Dilma? Quão forte é o vínculo da massa mais pobre com Dilma, Lula e/ou o PT?

Note-se de passagem que as políticas petistas populares vão muito além do clichê do Bolsa Família e do salário mínimo melhor; favorecem pessoas de classe muito variada.

Afora a grande expansão dos programas de transferências direta de renda, há o ProUni, as cotas na universidades, o Minha Casa, Minha Vida, os milhões de microcréditos para miniempresários, a formalização dos assalariados e dos autônomos e por aí vai, para programais mais capilarizados.

Isto posto, parte dessas pessoas não vota no candidato petista. Talvez o vínculo seja menos forte ainda devido ao fato de que a incorporação dos pobres se dê de forma em geral passiva, e não por meio de mobilização política forte.

Insatisfeitos de elite é o que não falta e há cada vez mais. Parecem, porém, passivos ou incapazes de oposição eficaz.

O “fenômeno Marina (Silva)” mostrou que há gente à procura de “terceira via”, além de eleitorados fulos com a relativa estagnação de sua renda (no topo da pirâmide).

Empresários têm demonstrado sua insatisfação com o governo “votando com o bolso”: investem pouco, em parte porque desconfiam do rumo que o governo dá à economia (há, ainda desafetos terminais, ideológicos ou programáticos).

Governadores e prefeitos estão irritados. Perdem receita devido às desonerações de impostos; pagam salário mínimo maior e salários maiores para professores também devido a políticas federais. A maioria dos Estados bateu Dilma no Congresso na votação dos royalties do petróleo.

Por falar nisso, fazia tempo que o governo não levava tantas invertidas no Congresso, que Dilma sempre considerou um problema, tanto que seu governo evita quanto pode o Parlamento.

Esses setores insatisfeitos vão “ligar os pontos”, organizar uma candidatura e um programa que vá além de gestionices e hipocrisias “éticas”, quando não de ideias francamente reacionárias?

O “filho” pródigo de Lula ganhou Dilma como madrasta

 

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A gestão da presidente Dilma Rousseff derrubou repasses federais para financiar projetos apresentados por Pernambuco, do governador Eduardo Campos (PSB), potencial adversário da petista na eleição presidencial de 2014. Dilma alterou, assim, a trajetória de transferência desse tipo de recurso, iniciada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Segundo dados do Tesouro Nacional, em 2012, o valor repassado voluntariamente pelo governo federal chegou a patamar menor que o de 2006, último ano de gestão do então governador de Pernambuco, Jarbas Vasconcelos (PMDB), que fazia oposição ao governo do PT. As transferências voluntárias são aquelas em que não há obrigatoriedade prevista em lei, como nos repasses do Fundo de Participação dos Estados (FPE) ou do Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb). Compreendem recursos obtidos por meio de convênios ou acordos, mediante solicitação dos Estados. Também não incluem investimentos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), cujos projetos são definidos pelo governo federal.

Campos tem dado sinais de que pode ser candidato em 2014. Aumentou as críticas à política econômica de Dilma, num aceno ao empresariado, que está insatisfeito com as taxas de crescimento do PIB. Passou também a fazer reuniões políticas com maior frequência, inclusive com integrantes da oposição – embora aja como candidato, ainda analisará o cenário de 2014 para ponderar a conveniência de se lançar ou de negociar com o PT a retirada da candidatura.

De acordo com os dados do Tesouro, o governo federal aumentou o porcentual de verbas distribuídas ao governo pernambucano quando Lula e Campos estavam no poder. Em 2007, primeiro ano do mandato de Campos, a participação de Pernambuco no total das transferências voluntárias era de 5%. Em 2010, último ano de gestão Lula, alcançou 14,6%, a maior fatia de tudo o que foi repassado aos Estados no ano.

No mesmo período, caiu a participação de São Paulo, administrado pelo PSDB, maior partido de oposição. Em 2007, o Estado recebia 9,62% do total de transferências voluntárias do governo federal. Três anos depois, o porcentual caiu para 6,27%. Enquanto isso, os valores totais repassados pela União cresceram: de R$ 4,4 bilhões para R$ 6,8 bilhões.

Em 2010, Campos chegou a receber R$ 994 milhões dessas transferências voluntárias. O governador disputava a reeleição com o apoio do PT – e Lula usava Pernambuco como vitrine de projetos federais em infraestrutura e combate à pobreza para promover a candidatura de Dilma.

Os números do Tesouro mostram que a trajetória de crescimento dos repasses para Pernambuco foi interrompida por Dilma. Em 2011, as transferências caíram para R$ 318 milhões. O valor, no entanto, ainda era maior que o verificado em 2007, 2008 e 2009. Mas em 2012 os repasses diminuíram mais uma vez e chegaram a R$ 219 milhões, o menor desde 2006, ano em que o governador era Vasconcelos. As transferências voltaram a 4,88% do total enviado para os Estados, o mais baixo porcentual do governo Campos.

Em 2012, o PT e o PSB de Campos saíram rachados na eleição para a Prefeitura do Recife. Venceu o candidato do governador, Geraldo Julio. A partir daí, a relação com o PT começou a azedar.

Na semana passada, Lula chegou a criticar a postura de Campos, que integra a base governista, mas ensaia um discurso oposicionista. “Se alguém quiser romper conosco, que rompa. Não podemos impedir as pessoas de fazerem o que é de interesse dos partidos políticos”, disse. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

De olho em 2014, Eduardo Campos reforça cuidado com imagem

Folha Online

O governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), diz estar com a cabeça em 2013 e afirma que as eleições presidenciais serão discutidas só em 2014. Mas sua agenda e sua estratégia de comunicação já o indicam como candidato ao Planalto.

Além de ter subido o tom em críticas recentes ao governo federal, Campos anda com a agenda repleta de encontros com empresários, políticos diversos e jornalistas e até lançou um perfil “nacional” no Instagram –rede social de compartilhamento de fotos.

Seu perfil, administrado por assessores, adotou o BR no nome, em vez do estadual PE: eduardocamposbr.

Até ontem pela manhã, 651 seguidores visualizavam 79 imagens do governador em momentos de trabalho e de descontração com a família.

Campos ainda mantém intactos dois hábitos: sempre olhar para as câmeras das TVs durante as entrevistas e sempre andar acompanhado de cinegrafista e fotógrafo.

MÍDIA

O grupo de comunicação do governo tem 41 funcionários. A equipe distribui textos à imprensa com destaque a declarações do governador e transmite ao vivo pelo site eventos oficiais.

Essa estrutura, segundo o governo, é a mesma desde 2007, quando Campos assumiu o primeiro mandato.

O governador e presidente nacional do PSB também tem cuidado da sua imagem. Nos eventos públicos, por exemplo, adota estratégia semelhante à do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Seu fotógrafo oficial sempre distribui cartões aos fãs que posam para fotos com o governador e depois querem uma cópia de recordação.

Esses eventos, antes acompanhados só pela imprensa local, agora contam com jornalistas de outros Estados, que passaram a ver Campos criticar o governo federal.

Entre os alvos estiveram o financiamento da saúde, o deficit habitacional, as desigualdades regionais e o desempenho da economia.

O governador ainda diz combater o que chama de velha política, numa crítica ao embate de PT e PSDB.

“Ele entrou [na mídia nacional] como o governador bem avaliado e com essa proposta do novo pacto federativo”, afirma Adriano Oliveira, cientista político e professor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

DEFINIÇÃO

Oliveira diz que o momento para Campos anunciar a candidatura está nas mãos da presidente Dilma Rousseff.

Caso ela dê um ultimato, Campos terá de informar sua decisão e antecipar o “fuso horário” do PSB, aliado do Planalto à frente de dois ministérios (Integração Nacional e Secretaria de Portos).

Segundo a legislação eleitoral, ele tem até o fim de março de 2014 para deixar o cargo e disputar a eleição.

Pesquisas de popularidade também podem acelerar o relógio socialista, caso apontem que Campos já está sendo reconhecido pelo país.

“Para não perder a identidade e o eleitorado não o ver como oportunista, traidor ou do mesmo campo do PT, ele vai ter de se posicionar”, diz o professor da UFPE.

Ex-rival e atual aliado, o senador Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) afirma que o próprio PT estimula Campos.

“As declarações de Lula [ao lançar Dilma à reeleição] aumentaram a disposição dele de disputar a eleição. Acho que fizeram uma tentativa de acuá-lo, de intimidá-lo, e aí a coisa foi pior, o estimulou”.

O sumidouro dos petrodólares
O sumidouro dos petrodólares

“Campos chegou a receber R$ 994 milhões dessas transferências voluntárias”

[Isso não é nada. Quantos bilhões receberam os bancos de Sílvio Santos e Ermírio de Morais?

Com a divisão dos royalties do petróleo para todo o Brasil, quanto receberá Pernambuco?

Os marqueteiros de Eduardo Campos erraram feio. Marqueteiro sempre quer mais dinheiro. O tempo que tem é para administrar o próprio dinheiro. E depois, e depois, em política, não existe marketing. Isso é coisa de publicidade comercial. Nenhum político é um produto ou serviço.

Acredito em propaganda política que visa propagar uma idéia. Qual o ideário político de Eduardo Campos, de Aécio Neves, de Marina Silva, que saiu do Partido Verde para criar uma Rede para se deitar?

Na propaganda existe a lei do inimigo único. Exemplo de uma campanha: os indefinidos “marajás” que elegeram Collor.

Ou a lei do exemplo. Que obra realizou Aécio Neves para mostrar ao povo brasileiro: “Fiz em Minas e vou fazer no Brasil”.

Existem outras leis. Que Eduardo Campos releia o livro que o avô traduziu. E que foi censurado pela ditadura militar. Um livro que fala da guerra de símbolos.

No mais, os jornalões – sem candidato que polarize com Dilma – jogam com o nome de Eduardo Campos que entrou, sem projeto, sem estratégia, e apressadamente, na campanha presidencial de 2014.

 

 

 

 

Dona Dilma, acuada e intimidada, não sabe se o relacionamento com Lula é de coalizão ou de colisão. Lula, de passaporte médico já autenticado, nunca esteve tão feliz. O PSDB tem vários nomes e nenhum candidato. Eduardo Campos, de protagonista a mero personagem divulgador de confidências

por Helio Fernandes

 

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Nos últimos 60 dias, mudança completa no roteiro da sucessão de Dona Dilma, os personagens se hostilizam e se contradizem abertamente. Há dois meses, Dilma dizia e insistia em jornais e televisões. “2013 não é ano de eleição e sim de administração”. Não passou muito tempo, a própria presidente, sem o menor constrangimento, se desdiz e se desmente.

No Nordeste, vestida de vaqueira, (que horror, fica mais deselegante do que o habitual) retumba sem a menor restrição: “Serei candidata à reeleição, já decidi”. Além da mudança radical de posição, esqueceu que precisa do aval e do referendo de Lula e do PT.

Ela não pertence ao PT, sua carreira foi feita no PDT, e mais elementar, no PT estadual. Só veio para o plano nacional e virou predileta do Lula, quando este percebeu que não conseguiria modificar os mandatos do Executivo, Legislativo e Judiciário. Seria o terceiro mandato.

Ministros do STF passariam à compulsória com 75 anos, governadores seriam prorrogados. Era muito, mesmo para Lula, teve que entregar o cargo a ela, depois de elegê-la.

Lula considerava Dilma inofensiva. Tinha certeza absoluta de que voltaria em 2014, altivo e altaneiro. Só que os planos e o planejamento de longo prazo têm obstáculos e inconvenientes. O de Lula foi o mais cruel, impiedoso e invencível: o câncer do esôfago, da laringe, da garganta.

LULA QUASE SOME ELEITORALMENTE,
SE RECUPERA, VOLTA ÀS MANCHETES

Para um homem que ascendeu politicamente e eleitoralmente pela palavra, mesmo intuitivo, perder a voz, não podendo mais discursar, significa o fim. Lula foi salvo pela obsessão da ambição, ficou bom. Como informamos há tempos, recebeu passe livre dos médicos do Sírio Libanês, “pode fazer o que quiser”.

Logo fez a declaração voltado diretamente para o Planalto: “Vou disputar qualquer coisa em 2014”. Analisei aqui que poderia ser o governo de São Paulo, se ganhasse (ou se ganhar, o projeto não está fechado), dominaria inteiramente o estado, governador e prefeito.

A propósito, por falar em prefeito: a invasão da privacidade do prefeito Haddad não foi por acaso, imprevisto ou coincidência, “eu estava perto”. Foi tudo planejado, levou fotógrafos, sentou no centro da mesa, quase sem olhar para o prefeito, se dirigindo (e ordenando) diretamente para os secretários.

Lógico, não tinha nada a ver com a prefeitura, o cargo está ocupado, nada com seus objetivos, era um recado (ou intimidação) para mais alto, mais longe e mais distante. Ou seja: o Poder para ele, o controle de tudo.

A INTIMAÇÃO OU INTIMIDAÇÃO
FOI ENTENDIDA E ACEITA

Dona Dilma, que já vem percebendo as coisas e não é de hoje, não queria a luta de frente, viu que não havia outra forma, reagiu duas vezes. A primeira, com roupa de vaqueira, garantindo que seria reeleita em 2014. E logo a seguir da forma política, usando o dócil e servil governador de Pernambuco: “Só para você, como prova de confiança. Haja o que houver serei candidata à reeleição em 2014”.

Viajaram, cada um para o seu lado. Eduardo Campos pensou (?) que fazia uma grande jogada, cumpria o objetivos de Dona Dilma. Chamou jornalistas, informou: “A presidente Dilma me confidenciou que disputará a reeleição em 2014”.

Dilma respondeu a Lula, enfraqueceu o governador de Pernambuco, que passou de personagem a fofoqueiro, e ainda mais, perdendo a confiança dos possíveis interlocutores. E Dona Dilma ficou aparentemente parecida com um estrategista, pelo menos fez o que ninguém esperava.

O ex-presidente não se considera atingido ou alijado, ficou um pouco surpreendido, logo deu uma gargalhada de satisfação, comentou com Okamotto: “A Dilma está sendo aconselhada e assessorada por quem? Eu ainda nem havia decidido o que disputaria em 2014, ela aplainou meu caminho”.

O PSDB TEM VÁRIOS CANDIDATOS,
NENHUM GANHA DE DILMA OU LULA

Depois de 2002, quando Lula assumiu, o PSDB não encontrou mais o caminho de casa. Perdeu a presidência três vezes, duas com Serra, uma com Alckmin. E agora os dois nomes voltam ao noticiário, lógico, em companhia de Aécio Neves, sempre cogitado como o “candidato jovem”. Pelo jeito, chegará aos 80 anos, não mais como cogitado, e sim o candidato indigitado, que palavra.

Serra perdeu duas vezes, na segunda teve mais de 40 milhões de votos, foi para o segundo turno. O desastre para sua candidatura e biografia foi a pressa de não completar mandatos. Se não tivesse perdido tão feio para prefeito, estaria ameaçando seriamente o ex-governador de Minas.

Alckmin já perdeu uma vez para presidente, afirma: “Tenho o direito de tentar outra vez, como Serra”. Mas tem um pacto de permanência com São Paulo, está no Poder lá desde 1994. Só saiu em 2006 para ver o Planalto mais distante. Foi vice de Covas doente em 1994. Em 1998, perderam para Lutfatta Maluf no primeiro turno, ganharam no segundo.

Covas nem governou, Alckmin exerceu, Covas morreu, Alckmin emplacou a terceira eleição seguida, na época me fartei de dizer que era ilegal e inconstitucional. Perdeu no plano nacional, voltou em 2010, SP não aguenta mais, quase certo que espere 2018. Lula e Dilma terão cumprido seus destinos. Aparecerão outros. Como Serra, Alckmin não será presidente.

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PS – Avulsos, ninguém. Tenho a maior simpatia por Dona Marina, mas ela não tem legenda, não tem votos, não tem caminhos presidenciais.

PS2 – Ao contrário do que todos diziam, 2014 está, agora, bom para a Dilma “gerentona”, se livra do 2013, administrativo.

PS3 – Alckmin tentará outro mandato em SP. Mas está em pânico com a possibilidade de ter Lula como adversário. Sabe que não ganha dele. Prefere Lula presidenciável, se ganhar termina o mandato com 72 anos. Para Alckmin, Lula não é um adversário, e sim um espantalho assustador.

PS4 – Como o futebol é a pátria de chuteiras (Nelson Rodrigues), não podemos desprezar a convocação da seleção. Ainda mais porque Maluf está em alta. Seu “vice-governador” na ditadura, José Maria Marin, anunciou os jogadores para a Copa de 2014. Feita por Scolari, que por suas vezes publicamente manifestou seu admiração pelo ditador-perseguidor-torturador Pinochet.

PS5 – O treinador que rebaixou o Palmeiras e foi promovido a treinador da seleção, manteve quase todas as indicações de Mano Menezes. Fez 4 “invenções”, chamou Ronaldinho Gáucho. (Não o melhor do mundo de 2002, e sim o de hoje, 11 anos depois).

PS6 – Reconvocou Julio Cesar, que era da Inter de Milan. “Saído” dela, está na Segunda Divisão da Inglaterra. Justificativa do goleiro: “Eu queria aprender inglês”. Não era melhor continuar na Primeira Divisão da Itália e contratar um professor de inglês?

 

Em pleno Natal de 2012, a única data imaginada e desejada é 2014

Helio Fernandes
Helio Fernandes

por Helio Fernandes

A República nasceu militar, militarista e militarizada, praticamente sem oportunidade para os civis. Deodoro e Floriano, que vieram brigados da estranha Guerra do Paraguai, apaixonados por Dom Pedro II, traíram o Imperador e a República. Ficaram com o Poder para eles.
Os dois altamente ambiciosos e dominados pela mais destruidora egolatria, brigaram rapidamente. Deodoro era o número 1 e Floriano o número 2, mas este, além de vice era Ministro da Guerra e a superioridade das armas transformou-o de número 2 para número 1, não respeitada nem a Constituição.

Floriano ficou no Poder inconstitucionalmente, ameaçou Rui Barbosa (que não se rendeu), intimidou o Supremo (que se ocultou no silêncio e na subserviência), só tratou dele mesmo e da permanência na presidência. (Ainda não no Catete e sim no belíssimo Palácio Itamaraty, então na Rua Larga, perto da Central do Brasil e do Ministério da Guerra.

O tempo passou, os políticos se entenderam, decidiram: o substituto de Floriano seria o presidente do Senado, Prudente de Moraes. Naquela época, a eleição era em março, a posse em novembro. Mesmo com Prudente já eleito, Floriano se julgava eterno, não providenciou coisa alguma para transmissão do cargo (o que Figueiredo repetiria com Sarney).

A posse ocorreu no dia 15, em pleno verão. Prudente (e os ministros) de casaca, num tilbury (Ford lançou seu primeiro carro nesse mesmo 1894, o que fazer?), suava desesperadamente, Floriano nem apareceu. Mas houve a transmissão do cargo, coisa que não haveria com muita frequência.


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2012 E 2014

Cortemos rapidamente, deixemos de lado as eleições fraudadas e a “nenhuma” eleição (nas duas ou três ditaduras), passemos para hoje, 2012, com toda cara de amanhã, 2014 ou até 2018. Cronologicamente, faltam dois anos. Para alguns, muito menos, por causa da desincompatibilização.

Excluindo Lula e Dona Dilma, muitos precisam deixar os cargos que ocupam, um problema. Só que problemão mesmo é a existência e o domínio de um partido. Candidatos praticamente deles mesmos, são vários, como também são vários os candidatos dentro de um mesmo partido. E outros, que pela pouca idade, pretendem se lançar em 2014, mas tendo 2018 como objetivo.

Examinemos os candidatos, pela ordem de entrada (no Poder), por já terem partido garantido, não precisarem de desincompatibilização, e por terem apreço e consideração pelo Poder. Só quem tem tudo isso é Dona Dilma, e pela soma dos fatores é colocada aparentemente como favorita.

Não faz um grande governo, mas quem é que faz, procurando estado por estado, e até no Congresso? Na República, os presidentes (exatamente como nos EUA) vinham do Senado. Hoje, senadores brigam pelo 14º e 15º salário, e aceitam até a vice-presidência da “casa”, por causa dos holofotes.

Dona Dilma não pode garantir a permanência por mais 4 anos, por causa da imprevisibilidade do tempo. Que aconteceu a favor dela com o câncer de Lula. Se este, mesmo doente, não se define, o que dizer se não tivesse tido o obstáculo médico?

Dona Dilma já entrou, como os economistas, no caminho das adivinhações. Estes, em janeiro, falam sobre inflação, crescimento, consumo, mas vão se desdizendo com o passar do tempo. Vejam o que aconteceu em 2012. A inflação muito mais alta do que a prevista, o desenvolvimento (PIB) tão pequeno, Nossa Senhora.

Dona Dilma já saiu na frente dos economistas oficiais: “Em 2013 teremos um PIBÃO GRANDÃO”. Depende da sua definição de “Pibão”. Repetir o “Pibinho”, tragédia nacional. E pessoal.

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OS OUTROS

Eduardo Campos vem a seguir, não pelo excesso de credenciais, mas pela coincidência de fatores positivos, não para ganhar, mas para concorrer. Moço, com o partido garantido, só tem dois objetivos para 2014. A vice com a própria Dilma (tipo megasena) ou a presidência contra a presidente Dilma. A vice, só passando pelo cadáver do PMDB, que detesta a presidência, tem paixão pela vice.

Concorrendo ao grande prêmio agora, Campos sabe que não ganha, mas acha que fica na vez para 2018. Ora se é difícil uma análise para 2014, o que dizer para 2018? Nas duas hipóteses, campos terá que deixar o cargo em março de 2014, perde enormes possibilidades de eleger o sucessor. Frase nada enigmática, mas esdrúxula do governador de Pernambuco: “Estou firme com a presidente Dilma para 2014, mas depende de 2013”. Que República.

O PSDB tem ambições, faltam candidatos. Muito antes dos 50 anos, Aécio Neves era favoritíssimo. Presidente da Câmara, duas vezes governador, senador, foi deixando pelo caminho as certezas e esperanças.

Tem o apoio de FHC, quase nada, e a inimizade de Serra, quase tudo. Este articula (ou sonha articular) a segunda campanha presidencial de Alckmin. Não é por amor ao atual governador, mas sim pela vontade de ser novamente governador. Em se tratando de Serra, tudo é possível ou impossível. FHC suspira entre amigos: “Se eu tivesse menos 6 ou 7 anos, voltaria triunfante”. Ha!Ha!Ha!

Dona Marina não tem partido, diz: “Vou fundar o meu”. Mas quando? E como? Com que apoios? A ex-ministra baseia todo o otimismo num passado, presente e futuro, rigorosamente equivocado. No finalzinho da eleição de 2010, entre Dilma e Serra, os descrentes, desanimados e desesperançados despejaram os votos obrigatórios em Dona Marina.

Chegaram a quase 20 milhões, que ela registrou em seu nome. De 2010 até agora, passa regularmente pelo cartório eleitoral. Os votos, segundo ela, continuam e são facilmente transferíveis. Uma pena que não sejam, nem o partido conseguirá fundar.

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PS – Deixei Joaquim Barbosa e Lula para o fim, pelo tamanho das impossibilidades. Acho que Joaquim Barbosa não cometerá o ato insensato de trocar tudo pelo quase nada. Tenho a impressão de que, além da passagem pelo STF, gostará de atravessar a História como “o homem que não quis a presidência”. Quem irá desmenti-lo?

PS2 – Lula é o contrário, quer praticamente tudo. Teve o obstáculo não previsível da doença, que abalou seus alicerces. Mas sua carreira não está encerrada, longe disso.

PS3 – Como elegeu o poste Fernando Haddad, se olha no espelho, vê um poste crescendo diante de si mesmo. E como mora em São Paulo, desenha na imaginação uma eleição que lhe daria um cargo altamente cobiçado: governador de São Paulo. Com isso, mais a prefeitura e a reeleição de Dona Dilma, começará a pensar em 2018.

PS4 – Afinal, estará apenas com 72 anos, nenhum adversário dentro do PT. E pode proclamar: “Meu nome é Luiz Inácio Lula da Silva, e quem impõe meus limites sou eu mesmo”. Podem não acreditar, mas como desacreditar?

(Transcrito da Tribuna da Imprensa)

 

A campanha presidencial dos netos de Tancredo e Arraes

Em Pernambuco o cenário para 2014 é outro: O PSB usará o PMDB para eleger o presidente, repetindo a campanha para prefeito deste ano.

Espera Eduardo Campos concorrer contra o PT e o PSDB. E disputar o segundo turno com o apoio de Aécio Neves ou Dilma.

Hoje, hoje, Dilma derrotaria os dois no primeiro turno.

Amanhá é outro dia.

Em política, dois anos demoram uma eternidade.

A Persistencia da Memória, por Dalí
A Persistencia da Memória, por Dalí