Senadores protegem os traficantes de moedas do HSBC

CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito no Brasil sempre foi uma lavanderia de fichas sujas. Sempre lava mais brancos.

Ladrões do Brasil terminam todos com atestados de honestidade. Daí se diz que as CPIs acabam em pizza. Mais do que isso. Legalizam todo dinheiro chantageado, desviado, roubado, contrabandeado.

As CPIs terminam em festa nos paraísos fiscais.

imprensa mídia vendida HSBC

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“Nunca vi uma vergonha tamanha na história do Congresso”, diz Randolfe sobre CPI do HSBC

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Embora tenham sidos aprovados diversos requerimentos para a quebra de sigilos bancários de empresários poderosos, a CPI do HSBC resolveu voltar atrás. Isso despertou a fúria do vice-presidente da comissão, Randolfe Rodrigues (PSOL-AP), que diz estar avaliando seu futuro na CPI e a própria existência do grupo. Mesmo depois de o Supremo Tribunal Federal ter dado sinal verde para as quebras, os senadores resolveram não fazê-lo.

“O que aconteceu foi o sepultamento de uma CPI da forma mais escandalosa que poderia ser vista”, diz Randolfe. “Só pode ser isso, num jogo de compadres reveem a quebra de sigilo anterior. Ou seja, não querem investigar, querem o sepultamento da comissão”, critica ele. “Nunca vi uma vergonha tamanha na história do Congresso Nacional”, acrescentou o senador.

Na sessão do dia 30 de junho, A CPI havia aprovado requerimentos de quebras de sigilo bancário, mas na deliberação desta quinta-feira, a um dia do início do recesso parlamentar, alguns desses requerimentos foram revistos. Entre eles, o do empresário Jacob Barata, que controla parte significativa do transporte público do Rio de Janeiro. Outros três familiares dele foram poupados pelos senadores. Rosane Ferreira Barata, Jacob Barata Filho e David Ferreira Barata.

Também escaparam de ter seus sigilos bancários quebrados Jacks Rabinovich, ex-proprietário do Grupo Vicunha, e Paula Queiroz Frota, membro do Grupo Edson Queiroz, dono da TV Verdes Mares e do Diário do Nordeste. O aval do STF para as quebrar solicitadas pela CPI vieram justamente depois da análise de um mandado de segurança impetrado por Rabinovich.

“O que assisti hoje foi lobby de advogados na CPI. E o lobby ser vitorioso. O parlamento ser derrotado hoje. Os lobbies e o poder da pressão econômica. Não tem outro nome para isso, é pressão econômica. Um dos argumentos, pasmem, foi o de que grandes empresários não podem ter sigilo quebrado. Como se fossem intocados no estado democrático de direito”, declara Randolfe.

Em entrevista ao iG no dia 8 de junho, o vice-presidente da CPI do HSBC disse que não seria o entregador de uma pizza. “A pizza já está pronta”, afirma ele. “Ninguém tem vergonha de nada. Adverti, disse que não aceitaria isso, mas o que acontece hoje? Entregam (a pizza). Hoje chegou a ser proposta a suspensão da CPI. Não dar continuidade à investigação”, declara o vice-presidente. Transcrito do IG

HSBC mulher roberto marinho e mídias

Crime hediondo

Exemplos de crimes hediondos:

desviar dinheiro da saúde mata milhares e milhares de inocentes,

da educação destrói o futuro de milhões de jovens,

roubar o leite das crianças,

pagar aposentadorias, pensões e salários indignos,

promover despejos em massa,

prostituir crianças,

traficar pessoas,

propagar o ódio do racismo, do fanatismo religioso, da xenofobia, da homofobia,

vender sentenças,

promover a apologia da ditadura, da tortura, do linchamento, da lapidação,

propagar o fanatismo religioso,

traficar as riquezas da pátria.

crime hediondo

Informa o Conselho Nacional de Justiça (CNJ): São considerados crimes hediondos: latrocínio; feminicídio; estupro; extorsão qualificada pela morte; extorsão mediante sequestro e na forma qualificada; epidemia com resultado morte; homicídio quando praticado em atividade típica de extermínio e homicídio qualificado além da falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins terapêuticos ou medicinais e o crime de genocídio. A prática da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins e o terrorismo também são insuscetíveis de anistia, graça e indulto e fiança.

Conheça a Lei n. 8.072/1990, que dispõe sobre os crimes hediondos

Quadrilhas de agiotas financiam eleições de prefeitos ladrões

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O Maranhão é o estado da federação brasileira com o maior número de ações de improbidade administrativa, são 700 em curso. Em 2012 o estado ficou na frente do Rio Grande do Sul, Paraná e Santa Catarina, segundo dados do Ministério Público Federal.
Segundo do procurador da República Juraci Guimarães, integrante do 3° Ofício de Combate ao Crime de Improbidade do Ministério Público Federal é considerada agiotagem, a prática de emprestar dinheiro, com taxas de juro elevada e sem autorização legal. Esse método é comum principalmente para o financiamento de campanha eleitoral. “Não há um procedimento padrão. Nesse tipo de esquema pode haver variações na forma em que a fraude é executada”, acrescenta.
Em alguns casos investigados candidatos à reeleição que fazem o pacto com o agiota e não conseguem se reeleger sacam todo o dinheiro disponível nas contas do município para quitar a dívida e não prestam conta ao TCE. “Esse crime é a razão de todas as corrupções no Brasil que começam com o financiamento ilegal de campanha eleitoral”, enfatiza o procurador.
Lá no Maranhão, reveladas pelas investigações do assassinato do jornalista Décio Sá, atuam quatro quadrilhas de agiotas.
MPF revela como funciona a fraude envolvendo prefeituras
A agiotagem acontece durante o período de campanha, a partir do momento em que um candidato, que na maioria dos casos concorre ao cargo de prefeito, pede emprestado um valor exorbitante em dinheiro para um agiota, que é geralmente um empresário e, que já é conhecido no meio político. O dinheiro vai servir para bancar a campanha eleitoral do candidato que fez o empréstimo, ele escolhe como vai utilizar. Geralmente é com publicidade, pagamento de gráficas que produzem panfletos, equipes que vão trabalhar na divulgação da campanha, aluguel de comitês, carros de som e nos dias próximos da votação parte do dinheiro é gasto na compra de votos. Para não deixar rastro o pagamento é feito em espécie.
Esse valor não é declarado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), por isso é considerado um caixa dois – dinheiro que é movimentado fora da conta bancária que o candidato abre após o registro no Tribunal Regional Eleitoral (TER).
A conta é aberta a partir de um cadastro que é feito na Receita Federal, por onde deve entrar e sair todo o dinheiro que for utilizado em campanha. Após o termino do período de campanha é feita a prestação de conta com a justiça eleitoral, todo o valor depositado deve bater com o mesmo valor que foi gasto. O agiota disponibiliza o dinheiro visando ter acesso aos recursos da Prefeitura, após a eleição do candidato, que para pagar a dívida exorbitante começa a praticar os desvios de formas diferentes.

Empresas de fantasmas, cheques sem fundo e fraudes
O agiota tem ligação com empresas de fachada, que não existem, mas fornecem serviços e produtos com valores superfaturados, como por exemplo: merenda escolar. Essas empresas muitas vezes não passam por licitação, mas conseguem contratos com a Prefeitura.
A concorrência para a contratação de empresas que vão executar obras públicas pode ter a licitação manipulada, sendo beneficiada com o contrato apenas as empresas fantasmas do agiota envolvido no acordo com o gestor público, seja ele prefeito ou secretário. Neste caso a obra para qual foi lançada à concorrência é feita fora do padrão apresentado no projeto ou em muitos casos nem é executada.

Ou seja, o gestor público, o ordenador de despesas, assina cheques ou guias e repassa em branco para o agiota, que escolhe como vai administrar o recurso, podendo sacar o dinheiro quando e onde achar necessário, ou é firmado um novo acordo em que o agiota é nomeado a administrar alguma secretária.
O dinheiro utilizado para quitar o acordo pode ser proveniente de recursos municipal, estadual e federal. Na maioria dos casos investigados são utilizados fundos de programas federais onde a injeção de recursos tem valor elevado, como o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), criado para garantir por meio da transferência de recursos financeiros, a alimentação escolar dos alunos de toda a educação básica matriculados em escolas públicas e o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FUNDEB). “O agiota não que saber de onde vai sair o dinheiro ele quer o dinheiro dele de qualquer forma e o Ministério Público Federal, entrou no caso porque a maioria dos recursos desviados é federal”, afirma o procurador da República, Juraci Guimarães.
Dos 12 procuradores da república que atuam em São Luís, dez trabalham nas investigações de desvio de recursos públicos em parceria com a Polícia Federal, eles fazem parte do 3° Ofício de Combate ao Crime de Improbidade.
O trabalho do MPF na apuração de informações sobre desvio de dinheiro começa pelas análises de prestação de contas do Tribunal de Contas do Estado (TCE), que na maioria dos casos não são aprovadas. A investigação também pode ser feita através de denúncias feitas pelo site do Ministério Público Federal, que contém um ícone especifico para esse fim.

ASSASSINOS DE DÉCIO SÁ ENVOLVIDOS COM VERBAS FEDERAIS, ESTADUAIS E MUNICIPAIS. E COM O TRÁFICO DE DROGAS, AGIOTAGEM, PROSTITUIÇÃO E PISTOLAGEM

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[A VIDA DE LUXO E LUXÚRIA DE AGIOTAS, DEPUTADOS E PREFEITOS.

OS EMBALOS DOS SHOWS PROMOVIDOS PELAS PREFEITURAS]

POR OSWALDO VIVIANI

Em meio às milhares de horas de escutas da operação “Blogueiro” – na qual mais de 30 pessoas tiveram seus telefones “grampeados” com autorização judicial, entre maio e junho de 2012, no bojo das investigações sobre o assassinato do jornalista Décio Sá –, a polícia maranhense descobriu, além de indícios de envolvimento com o crime propriamente dito, que parte dos investigados levava uma vida de farra permanente – não raro “incrementada” pela companhia de prostitutas caras e traficantes “donos” de bairros inteiros de São Luís. O Jornal Pequeno teve acesso às degravações das escutas.

Indiciado pela polícia e denunciado pelo Ministério Público por participação no crime, mas ainda em liberdade, o advogado Ronaldo Henrique Santos Ribeiro – tido, ainda segundo a polícia, como “braço jurídico” de agiotas que atuam em várias prefeituras do Maranhão – foi flagrado nas escutas acertando um “programa” de prostituição com um intermediário.

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R$ 250 o ‘frete’ – Em duas conversas, “grampeadas” no dia 22 de junho de 2012, Ronaldo Ribeiro fala com Wallen de Sousa (conhecido produtor de eventos de São Luís).

As conversas dão a entender que aquele tipo de “serviço” já fora prestado a Ronaldo outras vezes.

No primeiro diálogo, que durou cerca de dois minutos (das 12h16min40s às 12h18min27s), Wallen diz que tem “uma novidade” para Ronaldo e quer saber se ele tem tempo naquele dia à tarde.

Ronaldo responde que “estava precisando mesmo” e Wallen quer saber para que horas ele pode “organizar tudo”.

Ronaldo, então, afirma a Wallen que “um bom local seria o Ibis Hotel (perto da Associação Atlética Banco do Brasil)” e pergunta: “Quanto seria o ‘frete’”.

Wallen procura valorizar o “produto”. Diz que a mulher “é belíssima” e que vai ver “se ela está de folga”. “Ela é do seu estilo. Não é de cabaré, é de residência”, afirma Wallen a Ronaldo.

Pouco mais de três horas depois (às 15h42min58s), Wallen liga para Ronaldo novamente e conta que conseguiu falar com a mulher. Acerta um encontro com Ronaldo no Bairro do São Francisco, às 18h30, onde estaria já com a mulher. Ronaldo pergunta se Wallen já acertou o “frete”.

Wallen diz que já acertou “tudo direitinho” e que “não é coisa alta, não”. Orienta Ronaldo a pagar R$ 250 – “R$ 200 para ela e R$ 50 para o táxi”.

‘Chegado’ – Já Fábio Aurélio do Lago e Silva, o “Buchecha” – que, segundo a polícia, ajudou na operacionalização do assassinato de Décio Sá, por trabalhar para José Raimundo Sales Chaves Júnior, o “Júnior Bolinha”, apontado como um dos mandantes do crime –, foi “grampeado” comentando a respeito de um traficante que teria conhecido recentemente.

A conversa reveladora deu-se em 14 de maio de 2012, uma segunda-feira. Nela, “Buchecha” e um homem identificado apenas como Roberval falam, primeiramente, de um show que acontecera no sábado anterior (12), no espaço “Tapete Vermelho” do Marafolia.

“Tava toda a ‘galera’ lá”, diz “Buchecha”, informando Roberval sobre quem o acompanhava na mesa: “Carlos Filho [deputado estadual], Rômulo, a irmã de Rômulo”.

Depois, “Buchecha” e Roberval comentam sobre um traficante conhecido como “Chegado”, do Cohatrac.

“Todo mundo sabe que é ele quem abastece São Luís”, diz Roberval. “Buchecha” afirma: “Só conheci ele [‘Chegado’] esses dias”.

Uma observação da polícia na degravação informa que o traficante “Chegado” teria uma loja de equipamentos de carros.

Truculência – Em vários dos diálogos “grampeados” na operação “Blogueiro” vem à tona a forma truculenta pela qual os alvos das escutas conduziam seus negócios – caracterizados por misturar contravenção (agiotagem) e atividades à primeira vista lícitas (compra e venda de veículos).

Um trecho de uma conversa, ocorrida em 7 de maio de 2012, entre “Buchecha” e Fernando da Silva, conhecido como “Bracinho”, é revelador. No “grampo”, “Buchecha” ameaça dar “uma pisa” em “Bracinho”, pelo fato de este estar “falando dele pela rua” e ter ameaçado “quebrar” Davi (um amigo de “Buchecha”).

“Quem ganha dinheiro nessa cidade sou eu e quem manda dar ‘pisa’ sou eu. Tenho os ‘meninos’ pra ‘fazer’, diz “Buchecha” para “Bracinho”.

Em outro “grampo”, de 12 de junho de 2012, é “Júnior Bolinha” quem ameaça “matar no meio da rua” um irmão de “Buchecha”, Adriano do Lago e Silva, por causa de um suposto débito de R$ 30 mil que este teria com “Bolinha”. “Você vai perder seu irmão por causa disso bem aí [o débito]”, vocifera “Bolinha”. (Transcrito do Jornal Pequeno)

 

ESCUTAS AUTORIZADAS DA INVESTIGAÇÃO DO ‘CASO DÉCIO’

Ao menos outros 3 supostos agiotas – entre eles um juiz e um deputado estadual – aparecem nas escutas da polícia feitas após o assassinato de Décio Sá; as interceptações foram denominadas ‘Operação Blogueiro’

No bojo das escutas da ‘Operação Blogueiro’, também aparecem os nomes do juiz de Caxias Sidarta Gautama Farias Maranhão e do deputado estadual Marcos Antonio de Carvalho Caldas (PRB).

Em janeiro de 2010, o magistrado foi flagrado em ‘grampos’ da Polícia Federal em conversas com ‘Eduardo DP’ que revelavam indícios de agiotagem.

Por envolver um juiz, o caso foi levado à Corregedoria do Tribunal de Justiça do Maranhão, que em fevereiro passado decidiu arquivar o pedido de abertura de processo administrativo disciplinar contra Sidarta.

Nas escutas da ‘Operação Blogueiro’, o juiz Sidarta Gautama teve ‘grampeado’ um diálogo que teve em 17 de junho de 2012 com Pedro Teles. ‘O Charles sumiu do mapa (…) e ficou me devendo um monte dinheiro’, afirma Sidarta. Não fica claro na conversa quem é Charles. Pedro Teles responde que ‘aquele que mataram lá em Teresina [Fábio Brasil] também deu um monte de prejuízo’ e diz que quer falar com Sidarta pessoalmente.

Pedro Teles foi condenado, no início do mês passado, a 21 anos de prisão, como mandante da morte do líder comunitário Miguel Pereira Araújo, o ‘Miguelzinho’, assassinado em 1998, em Barra do Corda. Seus advogados recorreram e ele espera o resultado do recurso em liberdade. No dia do assassinato de Décio Sá, Pedro Teles entrou em contato telefônico com Raimundo Chaves Sales Júnior, o ‘Júnior Bolinha’, um dos principais envolvidos no homicídio.

Quanto a Marcos Caldas, que tem sua base política no município de Brejo, ele já foi sócio de ‘Júnior Bolinha’ numa loja de revenda de carros na Avenida dos Africanos (São Luís).

Segundo o que disse à polícia Patrícia Gracielli Aranha Martins, viúva do negociante de carros Fábio dos Santos Brasil Filho, o ‘Fabinho’ (assassinado em Teresina no fim de março de 2012), o parlamentar fazia empréstimos a juros. Ele teria emprestado R$ 60 mil a ‘Fabinho’ – um dos muitos que o empresário morreu sem quitar.

Um raro caso em que a agiotagem nas prefeituras aparece é num diálogo, ocorrido em 26 de junho de 2012, entre ‘Eduardo DP’ e um homem identificado apenas como ‘Zé’. Na conversa ‘grampeada’, fala sobre seis cheques de R$ 600 mil cada da merenda escolar de Dom Pedro, que estariam nas mãos de Gláucio Alencar e foram apreendidos pela polícia. (Transcrevi trechos)

 

“PRA FAZER TODO MUNDO SOFRER”

Truculenta também foi a reação do ex-prefeito de Barra do Corda, Manoel Mariano de Sousa (PV), dois dias depois de seu afastamento do cargo, pelo Tribunal de Justiça do Maranhão (TJ-MA), em 19 de junho de 2012.

Numa conversa com seu filho Pedro Teles, “grampeada” em 21 de junho de 2012, “Nenzim” o manda organizar o fechamento à população de todos os 11 postos de saúde do município.

“Não é pra deixar nenhum funcionário dentro. É pra dar o choque… pra fazer todo mundo sofrer”, diz “Nenzim” ao filho. Pedro Teles responde que vai “tomar as providências”.

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No “grampo”, “Nenzim” conta a Pedro que Sandra Maria Teles de Sousa, também filha do ex-prefeito, sugeriu a pessoa para realizar a maldade: “Sandra diz que seu Raimundo é bom pra fazer isso. Ele é danado…”

No mesmo dia do fechamento dos postos de Barra do Corda, a mando de “Nenzim”, ele conseguiu derrubar, no Superior Tribunal Federal (STF), em Brasília, a decisão do TJ-MA, e voltou ao cargo.

 

“Qual é a fatia do bolo que cada empresa leva por escola?”

Carta aberta ao secretário de educação do estado de São Paulo

Medina
Medina

por Herman Voorwald

Estamos nós, professores, neste dia, reunidos a fim de tentar mais uma vez assegurar que direitos básicos nossos e daqueles que são assistidos por nós, alunos, sejam cumpridos.

Poucas são as pessoas que tem a oportunidade de ocupar um cargo público de tanta responsabilidade e prestígio, como o que o senhor ocupa neste momento. Será que o senhor tem consciência de que toda decisão sua, está diretamente ligada aos inúmeros destinos de crianças e adolescentes de nosso estado?

Condições perversas

Não se trata aqui, de uma luta de classes, do empregado (professores) versus patrão (Estado), se trata, sobretudo, de uma força motriz capaz de mudar toda estatística, em todos os níveis mais preocupantes, nas próximas décadas.

Paulo Freire em seu livro A pedagogia da autonomia confirma: “O professor tem o dever de dar suas aulas, de realizar sua tarefa docente. Para isso, precisa de condições favoráveis, higiênicas, espaciais, estéticas, sem as quais se move menos eficazmente no espaço pedagógico. As vezes as condições são de tal maneira perversas que nem se move”. E é isso, o que pedimos enquanto classe… condições favoráveis para o nosso exercício profissional.

O chefe espião
Há um programa estrangeiro de televisão que se chama UNDERCOVER BOSS, ou o chefe espião. A dinâmica desse programa se baseia na experiência que o dono, o responsável, o administrador principal, o prefeito de uma cidade, vai adentrar-se entre os seus funcionários a fim de descobrir o que se passa de fato, nos bastidores da empresa ou como é o caso, entre os servidores.

Nesse programa, o chefe espião, passa a exercer temporariamente os diversos cargos, oferecido pela empresa ou a administração, a fim de que ocorra a inversão de papéis e a possibilidade daquele sentimento tão esquecido: a empatia, isto é, o colocar-se no lugar do outro.

O resultado é que todas as vezes, em que o programa foi exibido, o chefe espião, se dava conta de quão levianas, as decisões que ele tomava na sala de reuniões, se tornavam diante da realidade.

Seria uma excelente ideia, que o senhor, despido de seu cargo de secretário, atuasse um dia na pele de um servidor público, na educação.

Estaria, o senhor Herman Voorwald disposto a se tornar um chefe espião? Teria o senhor coragem o suficiente para ser professor por um dia? Teria o senhor coragem o suficiente para ser professor eventual por um dia? Estaria o senhor aberto a essa possibilidade de ampliar o seu campo de visão além daquilo que o seu cargo como secretário lhe permite receber como remuneração no quinto dia útil? Estaria o senhor aberto a possibilidade de enxergar a educação, estando de fato, dentro dela? O senhor se dá conta, de que os professores do estado de São Paulo representam o capital humano a que o senhor tem obrigação de potencializar?

Senhor Herman Voorwald, o quanto o senhor entende de educação além das decisões que lhe são submetidas a apreciação pelo seu chefe de gabinete Fernando Padula? Sob que efeito gerador são tomadas as decisões realizadas em sua secretaria? Teria ela como base, apenas os efeitos de receita, os efeitos na fazenda, os efeitos financeiros? Se é isso o que se dá na sua mesa de reuniões, fica claro, que pouco se entende de educação… Por que entender de educação é compreender que as decisões a serem tomadas, devem considerar acima de qualquer coisa, o fator humano, em todas elas! Nas suas aparições, não se nota absolutamente nenhuma preocupação com o capital humano que a sua secretaria tem que gerir.

Não existe prestação de contas
Infelizmente, o ethos da SEE, enquanto órgão que administra a educação em nosso estado transmite a pior ideia que se tem a respeito da profissão professor. Nada é feito em termos de incentivo. Não há diálogo com a classe e nem transparência na gestão de recursos financeiros e prestação de contas. Na administração da SEE no estado de SP, não existe prestação de contas. Vamos aos números:

* Quais foram as empresas contempladas para a produção do caderno do aluno nestes anos?

* Quanto foi gasto especificamente?

* Quanto dinheiro foi lavado?

* As escolas contempladas com reforma completa e com reforma da quadra tiveram que aturar obras mal feitas e com material de baixa qualidade.

* Que empresas foram essas?

* Quanto foi superfaturado em cada azulejo de péssima qualidade colocado nas escolas?

* Qual é a fatia do bolo que cada empresa leva por escola?

* Os alunos recebem no inicio do ano o kit escolar, quem é a empresa que fornece cada lápis?

* O lápis é o pior, da mais baixa qualidade, nenhum se aproveita nos kits. Quem pagou quanto por cada lápis e a quem?

A matemática é simples: O dinheiro público vai para o ralo, porque a SEE pouco se importa.

* Nos órgãos da SEE, quantos são os cargos de confiança?

* Quem são os prestadores de serviço terceirizados e quanto recebem pelos serviços prestados?

* Não é de hoje, senhor secretário que os professores sabem das ilegalidades cometidas pela SEE. Chalita que o diga. Quando que a SEE vai parar de dar esse suposto jeitinho brasileiro para mascarar os problemas de nossa educação?

* Quando os assessores de imprensa da SEE serão francos diante da realidade escolar?

* A SEE paga milhões a prestadores de serviço e não investe no capital humano, que é o professor. Esses cursinhos que a EF propõe aos professores, são financiados como e por quanto?

Marionete de Fernando Padula
Queremos mais! Queremos que toda educação seja pensada pelo ponto de vista do BEM ESTAR SOCIAL.

Professor, precisa de ócio criativo. Precisamos de tempo. Precisamos que a jornada do piso, seja colocada em prática sem subterfúgios e discursinhos amarelados em apresentações de ppt, como a que vimos em 2012!

Senhor secretário, joga na real! A gente sabe, que o senhor é marionete do Fernando Padula, o qual entra e sai governo, permanece com a posição intacta.

Precisamos de oportunidades reais para ascender em nossa jornada. Nem o senhor, que parece não gostar muito de comer (tão magrinho!) vive com nosso salário. E o salários dos agentes de organização escolar… nem se fala, então! E não fale mal do sindicato, viu?

Precisamos que a SEE, também seja avaliada do ponto de vista técnico. Quem garante que a SEE sabe o que está fazendo? Muita gente da SEE, precisa se aposentar, a educação precisa de sangue novo! Precisamos que nossos professores, categoria F e O, sejam respeitados como os de categoria A.

Qualidade de vida dos professores

As faxineiras da escola, possuem um contrato de trabalho mais digno do que os professores da categoria O. Precisamos ter um salário que nos permita vivências estéticas e culturais! O senhor já procurou se informar sobre o número de professores do estado de São Paulo que recorrem a empréstimos consignados em folha? Por que isso acontece? Atente-se a essa problemática crescente! É um problema sério para o qual o senhor deveria estar atento, já que incide de forma negativa na qualidade de vida dos seus professores! Não dá para pensar em qualidade na educação se a vida do professor, é marcada de forma diferente. E além disso, saiba que apesar de necessitarmos ainda de convênios particulares, o IAMSPE é nosso! Se possível for, gostaríamos que o senhor duplicasse o valor do vale coxinha e o estendesse para todos os professores, é claro! Enfim, dê mais sua cara pra bater, no sentido de mostrar serviço e faça essa SEE trabalhar, porque ultimamente daí, não tem saído nada criativo e nem digno de nota e nós estamos cansados desses mandos e desmandos e resoluções e carinhas felizes de emoticons!
Atenciosamente.
Seus professores e cordiais servidores da educação.

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