Briga na justiça revela fortuna do governador Newton Cardoso: R$ 2,5 bilhões

Newton Cardoso, também conhecido como "Newtão" e "Trator"
Newton Cardoso, também conhecido como “Newtão” e “Trator”
Maria Lúcia, quando deputada no Congresso Nacional
Maria Lúcia, quando deputada no Congresso Nacional

Escreve Ezequiel Fagundes: Longe dos holofotes desde que não conseguiu se reeleger em 2010, a ex-deputada federal Maria Lúcia Cardoso (PMDB) contou, na última sexta-feira (11), em entrevista ao Hoje em Dia, que o Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios (TJDF) determinou o confisco do salário de deputado federal do seu ex-marido, o ex-governador Newton Cardoso (PMDB). O recurso retido no contracheque será usado para pagar parte de uma das maiores pensões alimentícias de que se tem notícia no país. “Não quero pedir a prisão dele. Não quero mandar o pai dos meus filhos para cadeia”, ameaçou a ex-deputada.

Segundo Maria Lúcia, uma liminar expedida por um juiz de Brasília determinou que a Câmara dos Deputados desconte direto no contracheque do deputado a quantia de 40 salários mínimos, o equivalente a R$ 24.880. Como o salário atual de deputado federal é de R$ 26.723,13, Newton terá o direito de ficar com apenas R$ 1.843,13, menos de três salários mínimos, que é de R$ 622.

A ex-deputada diz que tomou a atitude porque o ex-marido não está depositando mensalmente a pensão alimentícia fixada pelo juiz de Brasília. Casados por mais de 30 anos, o casal briga na Justiça desde 2009 pela partilha de uma fortuna avaliada em mais de R$ 2,5 bilhões.

Desde então, ela ganhou o direito de receber 395 salários mínimos (R$ 245.690), sendo 300 salários (R$ 186.600) de pensão alimentícia e outros 95 salários (R$ 59.090) referente à uma ação conhecida no meio jurídico de “alimentos compensatórios”, uma espécie de adiantamento até o desfecho do processo de divórcio litigioso.

Em relação aos 260 salários (R$ 161.720) restantes, Maria Lúcia afirmou que está aguardando novas decisões judiciais para confiscar dinheiro de outras fontes de renda do ex-marido. Ela afirma ter entrado com dois pedidos de bloqueio, desta vez, para bloquear saldos bancários de duas aposentadorias do ex-governador. Uma de R$ 17 mil mensais da Magnesita, e outra de R$ 190 mil mensais, referentes a ganhos de uma previdência privada.

O Hoje em Dia tentou, na última sexta-feira (11), fazer contato com o ex-governador pelo telefone celular, no seu gabinete e com sua assessoria de imprensa em Belo Horizonte, mas até o fechamento desta edição ele não havia sido localizado. Também procurado pela reportagem, o advogado da ex-deputada Maria Lúcia Cardoso se negou a fornecer qualquer informação, alegando se tratar de um processo sigiloso.

Tramitando no TJDF há quase três anos, o processo de divórcio do casal não tem data para ser julgado. Na ação, a ex-deputada diz que Newton tem 16 empresas, aviões e helicópteros, 100 fazendas, uma praia na Bahia, vários carros e imóveis, apartamentos no exterior e até um hotel, o Résidence des Halles, um três estrelas situado nas imediações do Museu do Louvre, em Paris, entre outros bens avaliados entre R$ 2,5 e R$ 3 bilhões.

Na época da divulgação dos bens da família, o ex-governador peemedebista veio a público para dizer que possui uma fortuna muito maior que a divulgada pela ex-mulher. Seria tantos bens que Newton afirmou não saber ao certo quanto possui.

Ele alega que se casou em regime de “separação de bens”. A ex-deputada garante que a certidão é falsa e juntou outra ao processo, na qual se lê que a união foi celebrada com a comunhão parcial de bens, o que lhe daria direito à metade do patrimônio do casal.


Newton Cardoso faz parte de uma família de 15 filhos. Nasceu em Brumado em 1938. Chegou a Belo Horizonte com a idade de 16 anos para trabalhar na Magnesita S.A., indústria sediada em Brumado, e com fábrica em Contagem, Minas Gerais. Começou na política e nos negócios como líder estudantil e dono da cantina da Universidade Católica de Minas Gerais. Leia mais

Eis o perfil parlamentar de Maria Lúcia. Clique