Da Alienação à Depressão – caminhos capitalistas da exploração do sofrimento

Para romper as barreiras da alienação é preciso entender que mecanismos materiais e psicológicos contribuem para garantir que os trabalhadores continuem dóceis às exigências do capital, elevando a produtividade e os lucros empresariais. Por Emilio Gennari.

Apresentação

É bastante comum ouvir quem atua nos movimentos sociais se queixar da dificuldade de envolver as pessoas que, por sua situação, deveriam ser as primeiras interessadas em aderir às lutas propostas. Frases como: “o povo não se mexe” ou “o pessoal não quer saber de nada”, são parte de um cotidiano no qual, via de regra, quem se revoltou diante das contradições do presente não consegue despertar qualquer reação individual ou coletiva à altura das necessidades.

alienacao-depressao1A explicação pode ser encontrada sem maiores problemas no sentido da palavra “alienação” que, de acordo com o dicionário Houaiss, é definida como o “processo em que o ser humano se afasta de sua real natureza, torna-se estranho a si mesmo na medida em que já não controla a sua atividade essencial (o trabalho), pois os objetos que produz, as mercadorias, passam a adquirir existência independente do seu poder e antagônica aos seus interesses”.

Dito isso, parece óbvio que o povo simples não consiga compreender os fatores sociais, políticos e culturais que condicionam sua vida e nem possa decifrar os impulsos que o levam a agir numa determinada maneira. Pela definição de alienação, podemos dizer que as relações do dia-a-dia chegam aos nossos olhos como a imagem refletida no espelho. Aparentemente, o que se vê parece ser a fiel reprodução do cotidiano vivido, quando, na verdade, tudo não passa de um reflexo que inverte as relações sociais. Na ilusão de estar enxergando a realidade como ela é, o homem-massa não capta o que se esconde por trás das aparências e sequer desconfia de que pode estar diante de uma miragem enganadora.

O problema é que esta constatação pouco ajuda quem se dedica a organizar a classe trabalhadora. Para que sindicatos, partidos e movimentos sociais possam romper as barreiras da alienação é necessário compreender que elementos, ao atualizá-la, contribuem para garantir que suas bases continuem dóceis às exigências do capital. Ou seja, precisamos delinear claramente a forma pela qual os fatores internos e externos às empresas se articulam para introduzir tensões desagregadoras no seio do trabalhador coletivo e realizar a façanha de levá-lo a aumentar a produtividade e os lucros mesmo quando a adesão ativa à lógica e aos projetos capitalistas é paga com a perda da integridade física e mental.

O estudo que segue propõe algumas respostas. Continue lendo

Dia Mundial de Prevenção do Suicídio. Um milhão de pessoas por ano. Isso é mais do que mortes por conflitos, guerras e homicídios combinados

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O dia passou em branco. O suicídio é, realmente, um tabu no Brasil. Mas nestes tempos de despejos para as obras da Copa do Mundo, lembro para as autoridades do Executivo e para a Justiça:  Que  a segunda maior causa de morte está entre jovens de 15 a 25 anos. As taxas estão associadas à crise econômica, ao aumento no número de desempregados e também fatores sócio-econômicos, como urbanização e migração.

Estão previstos 250 mil despejos nas doze capitais que se candidataram para construir arenas para os jogos.

Em todo o mundo um milhão de pessoas por ano comete suicídio. Isso é mais do que mortes por conflitos, guerras e homicídios combinados. A declaração é da Organização Mundial da Saúde (OMS), que marca nesta segunda-feira (10), o Dia Mundial de Prevenção do Suicídio.

Segundo relatório da OMS, a cada 40 segundos uma pessoa se suicida no mundo; o número de tentativas de suicídio chega a 20 milhões por ano; ou seja, 5% das pessoas no mundo fazem uma tentativa de suicídio pelo menos uma vez em sua vida.

O relatório afirma que os países precisam tomar providências de combate ao problema dificultando o acesso das pessoas a armas, álcool, drogas e pesticidas. Além disso, a simples construção de barreiras em pontes pode levar a uma diminuição de casos.

A agência da ONU informou que as tentativas de suicídio são mais comuns entre mulheres, porém o número de óbitos é maior entre os homens. E a segunda maior causa de morte está entre jovens de 15 a 25 anos. As taxas estão associadas à crise econômica, ao aumento no número de desempregados e também fatores sócio-econômicos, como urbanização e migração.

Uma outra causa para que alguém tente tirar a própria vida são os problemas mentais. Por isso, a OMS preparou uma série de diretrizes para a mídia pedindo que a representação do suicídio seja feita de forma responsável reduzindo a estigmatização desse grupo de pessoas.

Uma outra dica da agência para ajudar na prevenção é a identificação de pessoas com depressão e ansiedade.

Hojemente, no Brasil, quando se quer destruir uma pessoa, basta dizer que é louca. Nem precisa atestado psiquiátrico.

Outra face cruel: as pessoas fogem dos suicidas e dos velhos.

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Porque ninguém se preocupa, informo sem nenhum destaque: tradicionalmente o número de suicídios é maior entre os velhos, idosos e anciãos.

Da euforia à depressão capitalista

por Emir Sader

 

As ruas da Califórnia se encheram de famílias morando nos seus carros, os bancos ficaram abarrotados de imóveis devolvidos, o sistema bancário chegou à beira do colapso, a recessão, através deste se propagou para o conjunto da economia. Os governos correram a salvar os bancos, com a ilusão de que os bancos salvariam os países. Os bancos se salvaram e no segundo ciclo da crise, a partir de 2011, os que quebraram foram os países.

A crise segue, sem horizonte de término, levando praticamente toda a economia europeia à recessão, enquanto países como os EUA e o Japäo permanecem entre crescimento zero e recessão.

Mas quando o capitalismo escancara suas contradições, seus limites, seu esgotamento, não surge no mundo ainda um modelo que o supere. A América Latina é a região que expressamente resiste – na maioria dos seus países – à hegemonia neoliberal, com Estados ativos que induzem o crescimento econômico e seguem ampliando suas políticas sociais, baseados em alianças regionais e com o Sul do mundo. Mas não tem o continente força própria para desenvolver um modelo alternativo ao neoliberalismo em escala mundial. Resiste, o que faz da América Latina a região de resistência ao polo neoliberal que ainda domina o centro do sistema.

Vivemos por isso um tempo de turbulências, mais ou menos prolongadas, até que um modelo e forças alternativas – que certamente terão a América Latina como um de seus protagonistas essenciais – possam conseguir construir uma alternativa ao capitalismo decadente.

Fãs de ‘heavy metal’ mais vulneráveis a distúrbios mentais

Possivelmente já eram doentes.

Os fãs de ‘heavy metal’ têm mais tendência para sofrerem de distúrbios mentais, tais como a depressão. A revelação é de um estudo australiano, da Universidade de Melbourne

A análise centrou-se em 50 jovens, com idades compreendidas entre os 13 e os 18 anos, e assentou também em inquéritos junto de mais mil pessoas, o que permitiu concluir que os amantes do metal recorrem à música de forma negativa.

“Adolescentes com risco de depressão tendem a ouvir música, especialmente o ‘heavy meta’l, de uma maneira negativa”, refere Katrina McFerran, médica que orientou o estudo, citada pelo portal Music Radar.

De acordo com a especialista, manter comportamentos como ouvir sempre o mesmo disco é típico dos ‘metaleiros’, o que pode gerar um isolamento e contribuir, “em larga escala” para a ansiedade, depressão e até tendências suicidas (Correio da Manhã)